“Não podemos nos guiar pela visão das elites, mas pelo nosso conhecimento da realidade”


O economista e professor da Unicamp, Marcio Pochmann, cobrou dos participantes do IV Congresso Nacional da Nova Central a construção de um projeto alternativo para retirar o Brasil do caos em que se encontra. “Quanto mais grave a situação, melhor para se construir o novo. O momento não nos permite acomodação, ou reagimos ou vão acabar com a organização sindical. E vocês vão liderar essa mudança”, afirmou.

O projeto de mudanças do governo não inclui os trabalhadores, destacou Pochmann. E por isso o movimento sindical precisa oferecer uma via diferente ao que é proposto. “Mas não vejo vontades coletivas para se buscar algo diferente. Para isso, precisamos do exercício democrático, da tolerância das divergências. Temos uma base sólida e é possível fazer muito mais do que estamos fazendo. Sem projeto não vamos a lugar nenhum”.


O economista voltou ao século XIX para explicar os ciclos de crises pelos quais o Brasil passou. “Hoje, as elites nos dizem todos os dias que a população não cabe no orçamento. Isso é a repetição do que dizia nos idos 1880, quando para superar a crise eliminou o trabalho escravo, passou a República. Mas não incluiu o negro no mercado de trabalho, optando pela contratação de mão de obra de imigrantes, um estrago que vem até hoje”. Pochmann citou, ainda, a crise que levou à Revolução Industrial de 1930; o ciclo do ouro, substituído pelo do café; e a crise do café, que deu lugar à Nova República, quando se estabeleceu um novo projeto para o país. Passamos da era agrária para a industrial.

“Hoje, o projeto deles é destruir o sindicalismo. Não podemos cair na cantilena de que somos um país pequeno e que o problema do Brasil é a corrupção, que deve ser combatida. O problema do país é a miséria, é a fome e o desemprego. Por isso, precisamos rever nossa forma de atuação, há uma nova massa de trabalhadores a ser conquistada. É preciso conhecer melhor nossos trabalhadores. Se não dermos conta disso, outras instituições virão nos substituir”, concluiu Pochmann.


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