Dólar avança para R$ 3,60 e BC amplia ação no câmbio

Moeda americana acumulou valorização de 2,2% na semana com temor de alta de juros nos EUA

 

Danielle Brant

SÃO PAULO

A preocupação dos investidores com um aumento adicional de juros nos Estados Unidos provocou alta de 2,2% do dólar nesta semana e levou a moeda americana a fechar cotada em R$ 3,60 nesta sexta-feira (11).

O cenário eleitoral também voltou a pesar, em meio à expectativa pela divulgação de novas pesquisas nos próximos dias, as primeiras após o ex-ministro Joaquim Barbosa desistir de concorrer à Presidência.

O dólar comercial subiu 1,52%, para R$ 3,600. É o maior nível desde 31 de maio de 2016, quando fechou a R$ 3,614. Na semana, a valorização foi de 2,16%, e nas três semanas em que as turbulências internacionais afetaram a moeda, a alta acumulada foi de 5,5%.

​O dólar à vista, que fecha mais cedo, subiu 1,28%, para R$ 3,593 —alta de 2,1% na semana e de 5,4% em três semanas.

A Bolsa brasileira fechou em baixa de 0,75%, para 85.220 pontos. O volume financeiro de R$ 13,1 bilhões, ante média diária de R$ 12,4 bilhões em maio.

A alta desta sexta foi o gatilho para que o Banco Central anunciasse novo aumento da atuação no câmbio para tentar conter a escalada da moeda.

O BC informou que vai oferecer mais contratos de swaps cambiais (equivalentes à venda de dólares no mercado futuro), além de rolar os que vencem em junho.

A partir de segunda (14), o BC fará dois leilões: um para rolar 50,7 mil contratos que vencem em junho e outro, duras horas antes, para oferecer 5.000 novos contratos com vencimento em julho.

O BC também diminuiu de de 8.900 para 4.225 o volume oferecido no leilão para rolagem dos contratos que vencem em junho. Por outro lado, não indicou até quando vão durar as intervenções adicionais à rolagem de contratos de swap.

Desta forma, o BC estica o prazo de rolagem dos contratos que vencem em junho, que terminaria na próxima sexta. E sinaliza que pode atuar mais fortemente, leiloando contratos adicionais.

A semana do dólar foi balizada pela expectativa de aumento de juros nos Estados Unidos, motivada pela valorização do petróleo no exterior após os Estados Unidos decidirem deixar o acordo nuclear com o Irã.

O barril do Brent, negociado em Londres e referência internacional, avançou 2,9% na semana, para US$ 77. O WTI, dos Estados Unidos, subiu 1,2%, para US$ 70,5.

Esse aumento elevou os rendimentos pagos pelos títulos de dívida americana com vencimento em dez anos, que bateram 3% ao ano. Os papéis, considerados praticamente livres de risco, atraem investidores com dinheiro aplicado em Bolsa e em países emergentes, o que contribui para a valorização do dólar.

Das 31 principais moedas do mundo, 18 perderam força em relação ao dólar na semana. A maior desvalorização foi do peso argentino, com queda de 8,7% —o país vizinho mergulhou numa crise cambial por uma combinação de perspectiva de aumento de juros nos EUA e vulnerabilidade econômica.

O real foi a segunda maior desvalorização, seguido pela lira turca (-1,89%) e pelo peso mexicano (-0,94%).

O temor foi, em termos, dissipado com dados mais fracos de inflação nos Estados Unidos na quinta-feira. Mas, nesta sexta, o fator eleições voltou a pesar.

A expectativa da divulgação das primeiras pesquisas eleitorais após Joaquim Barbosa desistir de concorrer às eleições causou volatilidade no mercado nesta sessão, diz Reginaldo Galhardo, gerente de câmbio da Treviso Corretora.

"O investidor está mais receoso, está se protegendo como pode. Ele não vê uma aversão a risco-país, é risco-mundo", diz. 

O Banco Central vendeu a oferta de até 8.900 contratos em swaps cambiais tradicionais (equivalentes à venda de dólares no mercado futuro). Até agora, já rolou US$ 3,115 bilhões dos US$ 5,650 bilhões que vencem em junho.

O CDS (credit default swap, espécie de termômetro de risco-país) subiu 0,08%, para 184,9 pontos. 

No mercado de juros futuros, os contratos mais negociados subiram. O DI para julho deste ano avançou de 6,215% para 6,225%. O DI para janeiro de 2019 se manteve estável em 6,260%.

AÇÕES

O dia foi de fortes altas e baixas no Ibovespa. 

Na ponta positiva, as ações da EDP subiram 15,6%, em resposta à oferta da estatal chinesa China Three  Gorges pelo controle da EDP (Energias de Portugal), controladora da companhia. A chinesa ofereceu um prêmio de quase 5% sobre o preço de fechamento das ações da elétrica de Portugal.

A Natura se valorizou 14,65%, mesmo com a queda de 87% no lucro no primeiro trimestre. Analistas elevaram a recomendação para as ações da empresa, por causa da expansão internacional.

Na ponta negativa, Estacio perdeu 15,21% e Kroton  se desvalorizou 9,9%. A empresa teve queda de 6,6% no lucro no primeiro trimestre, para R$ 539 milhões, com aumento no número de formandos pressionando a base total de alunos.

As ações da Petrobras tiveram resultados mistos, mas a empresa se manteve como a mais valiosa da América Latina. Os papéis preferenciais caíram 1,20%, para R$ 25,44. Os ordinários subiram 0,38%, para R$ 28,95.

"No nosso cenário, os eventos não recorrentes que pesaram na previsibilidade da companhia nos últimos anos agora são positivos, como uma geração de receita pela cessão onerosa", diz Carlos Soares, analista-chefe da Magliano Invest. 

Ele espera que a valorização do petróleo reforce o fluxo de caixa da empresa. "Vai ter volta de dividendos aos acionistas. O petróleo em alta é positivo para a receita da empresa, assim como a venda de ativos."

A mineradora Vale teve ganho de 2,39%, para R$ 52,63.

No setor financeiro, as ações do Itaú Unibanco caíram 1,60%. Os papéis preferenciais do Bradesco recuaram 1,79%, e os ordinários tiveram baixa de 2,17%. O Banco do Brasil teve baixa de 0,47%, e as units —conjunto de ações— do Santander Brasil se desvalorizaram 1,59%.

Fonte: Folha de S.Paulo, 14 de maio de 2018.

 

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