Expectativa de alta de juros nos EUA leva dólar comercial a R$ 3,66 e a superar R$ 4 no turismo

Dados econômicos fortes no país elevaram rendimento de títulos de dívida americana e puxaram dólar

 
Danielle Brant
SÃO PAULO
 

As moedas de países emergentes tiveram um novo dia negativo em reação a um fator já conhecido: a expectativa de que o banco central americano acelere o aumento de juros nos Estados Unidos para conter pressões inflacionárias.

 

No Brasil, o dólar comercial subiu 0,93%, para R$ 3,66, maior nível desde abril de 2016. Na máxima, o dólar atingiu R$ 3,69 nesta terça-feira (15).

 

Se o dólar passou a rondar os R$ 3,70 no comercial, já superou os R$ 4 para o turista.

 

Nesta terça, a cotação em casas de câmbio de São Paulo variava de R$ 4 a até R$ 4,04 no cartão pré-pago (que inclui IOF, Imposto sobre Operações Financeiras, de 6,38%). Em papel-moeda (imposto de 1,1%), a moeda era encontrada por R$ 3,82.

 

No mundo, o dólar ganhou força em relação a 30 das 31 principais moedas —a única que conseguiu se valorizar foi o peso argentino, que é a divisa que mais se enfraquece no ano em relação ao dólar.

 

A Bolsa brasileira teve leve queda de 0,12%, para 85.130 pontos, amparada pelas ações da Petrobras e da Vale, que fecharam em alta. 

 

 

O catalisador nesta sessão para a valorização do dólar foram dados de varejo de abril nos Estados Unidos, que sugerem que a economia americana se manteve forte no segundo trimestre. 

 

As vendas cresceram 0,3% em valor, depois de avançarem 0,8% no mês anterior, de acordo com dados revisados pelo Departamento de Comércio americano. A preocupação é que esse aumento gere pressão inflacionária e, consequentemente, acelere a alta de juros nos Estados Unidos.

 

Os títulos de dívida americana com vencimento em dez anos, considerados seguros, reagiram a essa perspectiva e atingiram rendimento de 3,08%, atraindo dinheiro de investidores hoje aplicados em Bolsa e em emergentes como o Brasil.

 

"A economia americana segue em recuperação mais vigorosa, com forte desempenho do mercado de trabalho e a inflação em trajetória de convergência para a meta", diz André Carvalho, gestor macro da Brasil Plural Asset Management.

 

Segundo ele, esses indicadores têm levado o mercado a reavaliar o número de altas de juros que o banco central americano fará neste ano. "Atualmente, o consenso de mercado se encontra entre três e quatro elevações em 2018", afirmou. 

 

"Tendo em vista este movimento, o dólar tem se fortalecido em relação às demais moedas, em particular as que apresentam fundamentos mais frágeis, principalmente emergentes como a Argentina e a Turquia".

 

Na Argentina, a fragilidade econômica, inflação elevada e o baixo nível de reservas internacionais mergulharam o país em uma crise cambial. No ano, o peso acumula desvalorização de 23,8% em relação ao dólar.

 

A lira turca é a segunda maior queda (-14,6%). A Turquia também está em situação frágil, com preocupações com superaquecimento da economia e inflação em dois dígitos.

 

Aqui, a maior atuação do Banco Central no câmbio não tem sido suficiente para suavizar a alta do dólar.

 

Nesta terça, o Banco Central vendeu 5.000 novos contratos de swaps cambiais tradicionais (equivalentes à venda de dólares no mercado futuro). Também vendeu a oferta de até 4.225 swaps para rolagem do vencimento de junho.

 

Até agora, o BC já rolou US$ 3,537 bilhões dos US$ 5,650 bilhões que vencem no próximo mês.

 

O CDS (credit default swap, espécie de termômetro de risco-país) subiu 1,67%, para 188,7 pontos. 

 

No mercado de juros futuros, os contratos mais negociados caíram. O DI para julho deste ano recuou de 6,240% para 6,230%. O DI para janeiro de 2019 teve queda de 6,360% para 6,330%.

 

AÇÕES

 

Das 67 ações do Ibovespa, 43 caíram, 23 subiram e uma fechou estável.

 

A maior queda foi registrada pelos papéis da Taesa, que se desvalorizaram 6,91%. A Qualicorp perdeu 6,08%, e a B2W recuou 5,34%.

 

Entre as altas, as ações da Natura subiram 5,21%. A Embraer se valorizou 4,24%, e a BR Malls ganhou 4,08%.

 

Os papéis da Petrobras subiram, mesmo em dia misto para os preços do petróleo. As ações mais negociadas subiram 2,1%, para R$ 26,79. Os papéis com direito a voto ganharam 2,52%, para R$ 30,91. Os papéis fecharam no maior nível desde abril de 2011. 

 

As ações da Vale avançaram 0,7%, para R$ 54,65.

 

No setor financeiro, os papéis do Itaú Unibanco recuaram 0,38%. As ações preferenciais do Bradesco tiveram queda de 0,59%, e as ordinárias caíram 0,56%. O Banco do Brasil teve recuo de 2,72%, e as units —conjunto de ações— do Santander Brasil perderam 1,29%.

Fonte: Folha de S.Paulo, 16 de maio de 2018.

 

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