O rolo compressor contra a aposentadoria

A aprovação da “reforma” da Previdência Social em primeira votação na Câmara dos Deputados representa um ato de grande significado do governo Bolsonaro para a destruição do legado modernizante do Brasil. Trata-se de um ataque ao núcleo do sistema de seguridade social, o pilar de sustentação da rede de proteção e distribuição de renda que o país construiu ao longo de uma jornada de lutas que atravessou décadas, governos e regimes políticos.


Essa derrota, com um placar elástico — votaram a favor do governo 379 deputados, de um total de 513; o quórum mínimo seria 308 —, tem como origem o golpe do impeachment fraudulento de 2016 e a grande derrota do campo democrático e popular em 2018, quando a extrema direita saiu vitoriosa empunhando a pauta ultraliberal e neocolonial. Para conseguir essa vitória, o governo se utilizou dos piores métodos políticos, apelando para a barganha escancarada, uma negociata que liberou emendas parlamentares que chegaram perto de R$ 3 bilhões.


Outro motivo para essa derrota do povo e do país foi a campanha sistemática dos grandes meios de comunicação da mídia, que deram voz diuturnamente aos interesses dos grupos empresariais monopolistas, com destaque para os banqueiros, realizando intensa campanha a favor da “reforma” bolsonarista — além dos fabulosos gastos em propaganda pelo governo. Essa avalanche de falsidades e de terrorismo econômico, uma pregação que vende a ideia de que com a atual Previdência o Brasil não tem futuro, reverberou e contaminou significativos setores da opinião pública.


No momento está constituído um rolo compressor no Congresso Nacional, comandado por sua composição majoritária, formada por grandes empresários, banqueiros ou seus representantes. Ainda assim, a oposição conseguiu erguer barreiras e derrotou o governo em pontos importantes, entre eles a capitalização, a aposentadoria rural, o Benefício de Prestação Continuada (BPC) e parte da desconstitucionalização da seguridade social. Pesou, também, nessas derrotas, as grandes mobilizações populares dos meses de maio e junho.


Esse resultado reforça a convicção de que o caminho da oposição para enfrentar os próximos rounds é o da amplitude, tendo como ponto central e emergencial a defesa da democracia e, também, da soberania nacional e dos direitos do povo. Isso exige convergência da esquerda e, a partir dela, a formação da resistência, aglutinando amplos setores da sociedade.


Em outro polo, a união das centrais sindicais e dos movimentos populares terá grande importância para manter a mobilização do povo — a começar pelo Congresso da União Nacional dos Estudantes (UNE) e a Marcha das Margaridas, em agosto. Frente democrática ampla e mobilização popular. Esse é caminho para enfrentar o governo.

Fonte: Portal Vermelho

 

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