Preço do petróleo em terreno negativo pela primeira vez na história

Pandemia de Covid-19 levou a queda no consumo e excesso de oferta. Enquanto Jair Bolsonaro prega reabertura de comércio para “recuperar” economia, cenário global mostra-se bem mais complexo.

A queda no consumo devido à pandemia de Covid-19 e o excesso de oferta no mercado global derrubaram o preço do barril de petróleo a níveis nunca antes registrados. Enquanto, no Brasil, Jair Bolsonaro e políticos governistas pregam a reabertura do comércio para “recuperar” a economia, o cenário mundial mostra-se muito mais complexo e desafiador, apontando para uma crise sem precedentes e com efeitos duradouros.

Na tarde desta segunda-feira (20), pela primeira vez a cotação do petróleo nos Estados Unidos operou em terreno negativo. Por volta das 15h58 (horário de Brasília), o barril americano West Texas Intermediate (WTI) perdia 211,17% e era negociado a -US$ 20,31 a unidade. Ao mesmo tempo, o barril de Brent do Mar do Norte, referência para o mercado europeu, recuava 8,44%, a US$ 25,71 o barril.

A queda é resultado de operadores do mercado de energia se livrando freneticamente dos contratos com vencimento em maio diante da fraca demanda mundial provocada pelo avanço do coronavírus.

 

O contrato de barril de WTI para entrega em maio termina em breve, o que significa que aqueles que o assinaram têm de encontrar compradores físicos. Com o aumento das reservas nos Estados Unidos nas últimas semanas, os produtores têm sido obrigados a baixar o seu preço. Na semana passada, a Administração de Informações sobre Energia dos EUA informou que as reservas de petróleo subiram 19,25 milhões de barris, enquanto a demanda recuou 30%.

Embora países produtores tenham concordado em reduzir bombeamento e as maiores petroleiras do mundo também estejam diminuindo produção, os cortes não serão rápidos o suficiente para evitar problemas nas próximas semanas.

O Jornal de Notícias, de Portugal, destacou que o acordo da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) de redução de 9,7 milhões de barris de petróleo por dia “chegou já demasiado tarde para resgatar os contratos de maio” e “apesar de histórico, poderá também não ser suficiente para os contratos de junho”.

 

Em comunicado, o banco ANZ ressaltou que “os preços do petróleo continuarão sob pressão”. “Embora a Opep tenha aceitado uma redução sem precedentes na produção, o mercado está inundado de petróleo”, acrescenta a nota. “Ainda existe o temor de que as instalações de armazenamento nos Estados Unidos estejam ficando sem capacidade”, analisa o banco.

Bloqueios e restrições de viagens em todo planeta têm tido um forte impacto na demanda. A crise aumentou depois que a Arábia Saudita, membro da Opep, iniciou uma guerra de preços com a Rússia, que não integra o grupo.

Os dois países encerraram a disputa no início do mês, quando aceitaram, ao lado de outros parceiros, reduzir a produção em quase 10 milhões de barris diários para estimular os mercados afetados pelo vírus. Ainda assim, os preços continuam em queda. Analistas consideram que os cortes não são suficientes para compensar a forte redução da demanda.

 

Com informações do G1 e Jornal de Notícias


 

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