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Estado tem 5,5 milhões de ocupados e precisa investir em qualificação e minimizar a rotatividade de mão de obra

Curitiba – O Anuário do Sistema Público do Emprego, Trabalho e Renda, divulgado ontem em conjunto pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) e Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) aponta que no Paraná, 28% dos 5,5 milhões de ocupados estão em ocupações consideradas como ”vulneráveis”. Este universo abrange os trabalhadores por conta própria, os que produzem para o próprio consumo e os não remunerados, ou seja, que trabalham para ajudar a família. 

A economista do Dieese, Lenina Formaggi, lembrou que o grande problema é que estes trabalhadores não têm a proteção da Previdência Social e, portanto, não contam com aposentadoria e nem com benefícios como licença-maternidade ou auxílio-doença. O levantamento mostrou também que 23% dos assalariados não têm carteira assinada. 

Segundo o anuário, 758,9 mil pessoas se inscreveram no Sistema Nacional de Empregos (Sine) em 2010 e menos de 173 mil conseguiram colocação no mercado de trabalho. Para Lenina, falta conexão entre as vagas ofertadas e o perfil do trabalhador. Do total de quase 759 mil trabalhadores inscritos, 3.740 eram pessoas com algum tipo de deficiência. Ainda em 2010, 500 mil pessoas requereram o seguro-desemprego, sendo 83% através do Sine. 

Entraves 

A falta de qualificação da mão de obra, a alta rotatividade no mercado e a logística de transporte dos trabalhadores são os principais entraves para um maior crescimento do mercado de trabalho e da renda no Estado, segundo o secretário estadual de Trabalho, Emprego e Economia Solidária (SETS), Luiz Cláudio Romanelli. ”As vagas existem nas agências do Trabalhador de todo o Paraná. O problema é que existe uma alta rotatividade nos empregos. Ocorre uma intermediação da mão de obra e muitos trabalhadores não param, buscando uma alternativa nova muito rapidamente. No Brasil, esta ‘manipulação’ ocorre e temos que fortalecer o sistema público para evitar novos casos”, destacou. 

”Outra dificuldade se refere ao deslocamento da moradoria do trabalhador até o local do emprego. Para muitos, mesmo com a vaga garantida, a despesa de se deslocar acaba influenciando no abandono do emprego. Além disso, a falta de qualificação impede mais contratações. Há vagas, mas elas não são preenchidas”, explicou o secretário. 

Regiões 

Romanelli também apontou que há um equilíbrio na criação de vagas de trabalho na maioria das regiões do Paraná. Ele ressaltou a força da industrialização, do setor de serviços, comércio e construção civil na Grande Curitiba, e nas regiões metropolitanas de Londrina e Maringá. 

Em outros municípios, porém, o índice de desenvolvimento ainda deixa a desejar. Segundo o secretário, os problemas se concentram no Centro-Sul, Norte Pioneiro e Vale do Ribeira. ”Tem que ter, de fato, uma política pública diferenciada nestes locais onde a agricultura ainda é o principal setor empregador”, observou. 

Os números do Anuário, de acordo com Romanelli, deverão servir para ”aprimorar as políticas públicas e direcionar os esforços para iniciativas que resultem no aumento da formalização do trabalho e qualificação profissional”. Segundo os dados presentes no levantamento, em 2010 estavam inscritos em cursos de qualificação no Paraná 2.265 educandos, o equivalente a 1,2% do total do País, o que revela a necessidade de mais investimentos na promoção de cursos porque há demanda e grande potencial de crescimento.