O ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho, reafirmou nesta quarta-feira (7) que o Brasil voltou a ter um governo comprometido com o povo trabalhador. Em entrevista ao programa Bom Dia Ministro, Marinho apresentou um balanço das ações do governo Lula e destacou que a valorização do trabalho é o eixo central da retomada do crescimento soberano do país.
Com o anúncio de que o salário mínimo chegará a R$ 1.621, o ministro desmontou o discurso derrotista do mercado financeiro e reafirmou: é a distribuição de renda — e não o arrocho — que garante vitalidade à economia. Marinho também deixou claro que não será candidato a deputado federal neste ano, para se dedicar integralmente à missão de reconstruir o Ministério do Trabalho e fortalecer os direitos da classe trabalhadora.
Salário mínimo como divisor histórico
Marinho lembrou que, sem a política de valorização criada por Lula ainda em seu primeiro mandato, o salário mínimo estaria hoje em apenas R$ 823. “Veja, metade do que vale o salário mínimo hoje”, enfatizou. Embora reconheça que o valor ainda não cobre todas as necessidades de uma família brasileira, o ministro destacou que o avanço é fruto de uma decisão política consciente de fortalecer a base da pirâmide social.
O impacto na economia é imenso: só o reajuste do mínimo deve injetar mais de R$ 80 bilhões na economia em 2026. Somado à nova faixa de isenção do Imposto de Renda, que agora beneficia quem ganha até R$ 5.000, o volume de recursos novos circulando no mercado interno chega a R$ 110 bilhões. Para mais de 10 milhões de brasileiros, isso significa um aumento real no contracheque, com o fim da tributação sobre seus salários.
Fim da escala 6×1: prioridade estratégica
O ministro foi enfático ao classificar a escala 6×1 como “a jornada mais cruel em prática no mundo hoje”, com impactos devastadores sobre mulheres e jovens. Para ele, acabar com esse regime é uma prioridade estratégica para proteger a saúde mental e harmonizar o ambiente de trabalho.
Marinho defendeu a redução da jornada máxima para 40 horas semanais e o fim da escala 6×1. “É plenamente possível acabar com a 6×1 mantendo as necessidades econômicas do país”, afirmou, convocando as centrais sindicais a pressionarem o Congresso Nacional.
Direitos para trabalhadores de plataformas
Marinho também reforçou a urgência de regulamentar o trabalho por aplicativos, garantindo transparência, remuneração justa e proteção previdenciária para motoristas e entregadores. Ele alertou para a complexidade do mototáxi em grandes cidades, onde os acidentes se multiplicam, e reiterou que o crescimento do emprego — já são mais de 5 milhões de novos postos com carteira assinada desde 2023 — deve vir acompanhado de direitos. O ministro criticou fraudes trabalhistas como a tentativa de transformar o MEI em substituto da CLT.
Soberania tecnológica e inclusão social
Ao falar sobre Inteligência Artificial, Marinho defendeu que o Brasil desenvolva sua própria tecnologia, evitando que o país seja “cobaia” de experiências estrangeiras ou refém de grandes corporações. Para ele, o avanço tecnológico deve servir à produtividade e à qualidade de vida, exigindo um esforço nacional de alfabetização digital para que a juventude domine ferramentas de trabalho além das redes sociais.
O ministro também garantiu a manutenção do Seguro Defeso para pescadores artesanais e destacou a importância da inclusão de imigrantes venezuelanos, que têm suprido a escassez de mão de obra qualificada em diversas regiões.
VERMELHO
https://vermelho.org.br/2026/01/07/ministro-do-trabalho-defende-fim-da-jornada-6×1/
