Cafeterias já adotam modelos 4×3 e 5×2; supermercado testa mudança e trabalhadores relatam mais qualidade de vida
Quando trabalhava na escala 6×1, Athos Gonzaga da Silva tinha apenas um dia para descansar, resolver pendências e ficar com o filho. Hoje, coordenador operacional do Café Porto Farrô, em Porto Alegre, ele trabalha no modelo 4×3 e passou a ter pelo menos duas folgas consecutivas. Em alguns momentos do ciclo de seis semanas organizado pela cafeteria, consegue reunir seis dias de descanso.
“Quando a gente parte da escala 6×1, tem um dia somente para tudo. Naquele dia, tu tem que aproveitar, descansar e, no outro, já estar a postos para encarar mais um dia de trabalho”, relata. Com mais folgas, diz, foi possível separar o tempo destinado à família, ao lazer e às tarefas cotidianas. “Hoje, tempo é qualidade de vida. Para mim, o mais impactante foi sobrar tempo”, afirma Silva.
A mudança experimentada por ele também chegou a outros estabelecimentos da Capital. Enquanto o Congresso discute o fim da escala de seis dias de trabalho para um de descanso, duas cafeterias e uma rede de supermercados reorganizaram jornadas, contrataram novos funcionários e estão testando alternativas como a 5×2 e a 4×3.
A Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 221/2019 foi aprovada em dois turnos pela Câmara dos Deputados em 27 de maio e está em discussão no Senado. O texto estabelece jornada máxima de 40 horas semanais e dois dias de descanso para cada cinco trabalhados, sem redução salarial. A diminuição das atuais 44 horas ocorreria ao longo de um período de transição de 14 meses.
Quatro dias de trabalho, três de folga
O Porto Farrô abriu em 2021 e funcionou durante cerca de dois anos com a escala 6×1, modelo predominante nas cafeterias conhecidas pelo proprietário, Lucas Eibs. A primeira mudança foi para o regime 5×2. Em abril deste ano, depois de três meses de planejamento, veio a escala 4×3.
Para viabilizar a nova organização, a cafeteria contratou mais dois baristas e um trabalhador para a cozinha. Ao mesmo tempo, passou a abrir todos os dias da semana. Segundo Eibs, o aumento do faturamento cobriu as novas contratações e os custos de manter o estabelecimento aberto por mais um dia.
“Foi bom para o público, que agora pode vir qualquer dia da semana; para a equipe, porque todo mundo tem três dias de folga; e para o café, que conseguiu estabilizar sua operação e teve um aumento significativo de faturamento”, resume.
