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Londrina tem controle sobre mão de obra

Londrina tem controle sobre mão de obra

Na região de Londrina, a busca por colaboradores para a construção civil está mais tranquila neste momento. É o que afirma o presidente do Sindicato das Indústrias da Construção Civil do Norte do Paraná (Sinduscon), Gerson Guariente. Ele relembra que há um ano a situação era bem complicada na cidade – no auge do boom imobiliário -, o que fez que muitas construtoras e incorporadoras buscassem funcionários para o canteiro de obras em outros estados, principalmente do Nordeste.

Em 2012, Guariente explica que o momento é de ”falta de mão de obra controlada”. O representante relata que a dificuldade é de contratar funcionários em grande número. ”Conseguimos realizar aquelas substituições naturais que acontecem nas obras, de três ou quatro profissionais, por exemplo. Obras que necessitam de maior volume de mão de obra, que pretendem fechar os projetos até o final deste ano, terão problemas”, avalia o representante do Sinduscon.

Ele salienta ainda que em algumas regiões, como a de Curitiba, as dificuldades para contratação podem ser maiores devido a algumas obras específicas. ”Na refinária de Araucária são cerca de 10 mil trabalhadores no canteiro de obras”. Grandes obras, segundo Guariente, podem acabar influenciando em outros pontos do Estado. ”Há influência e vamos poder ver isso melhor durante as obras da Copa do Mundo. Além dos estádios, obras de infraestrutura terão que ser realizadas, o que vai acabar ocupando muita gente.”

Em relação aos salários destes trabalhadores, Guariente explica que há uma melhoria nos valores para aqueles profissionais que realmente estão mais capacitados. ”Já no caso dos engenheiros civis, por exemplo, é nítido que há cerca dos cinco anos os salários estavam reprimidos e, agora, estão bem mais valorizados.”

 

Londrina tem controle sobre mão de obra

Aposentado constrói casa com restos de obras em São Carlos, SP

Estudos de universidades e associações de engenheiros e arquitetos mostram que 30% do material de uma obra vai para o lixo. Um aposentado de 73 anos, de São Carlos (SP), conseguiu provar na prática a estatística do desperdício construindo uma casa usando apenas restos de entulho da construção civil.

Minervino Dantas de Carvalho conseguiu o terreno para a casa em um sorteio pela Progresso e Habitação de São Carlos (Prohab). O sonho da casa própria começou a ser planejado, mas ele e a esposa tinham apenas R$ 2 mil para a obra.

Foi então que se propôs ao desafio de recolher restos de entulho nas caçambas e em locais de despejo. “Eu sai rua por rua. Aqueles terrenos em que o material estava jogado eu pegava na carriola e trazia”, disse.

Interior da casa construída apenas com sobras de obras em São Carlos (Foto: Reprodução/EPTV)
Interior da casa construída apenas com sobras de obras em São Carlos (Foto: Reprodução/EPTV)

Ele conseguiu juntar 21 mil tijolos, telhas, canos, madeira, ferro, fios, além de 20 metros cúbicos de areia e pedra. O resultado foi uma casa com dois quartos, sala, cozinha e banheiro.

Para o acabamento, ele comprou piso, tinta e pagou a mão de obra, desembolsando R$ 28 mil, cerca de quatro vezes menos do que se gasta normalmente.

O presidente da Associação de Engenheiros e Arquitetos de São Carlos, Reginaldo Peronti, avaliou o imóvel do aposentado em pelo menos R$ 200 mil. Se a casa fosse vendida, o lucro seria de 700%.

Segundo Peronti, a reciclagem de material não significou perda de qualidade. “Não tem uma trinca, uma infiltração, nada. Está realmente de parabéns, é um exemplo”, destacou.

Nos fundos da casa, a lavanderia ainda não tem reboco e é possível ver a parede construída com pedaços de tijolos. É o único ponto da casa sem acabamento, mas esse já é o próximo passo do aposentado.

“Depois de terminar eu vou ficar sossegado e não vai ter nada para fazer na casa”, disse.

Aposentado procurava restos de entulho em caçambas em São Carlos (Foto: Reprodução/EPTV)
Aposentado procurava restos de entulho em caçambas em São Carlos (Foto: Reprodução/EPTV)

Londrina tem controle sobre mão de obra

Número de milionários na poupança cresce 187%

A queda na diferença entre o rendimento da poupança e de outros investimentos em renda fixa continua a atrair cada vez mais pessoas com aplicações milionárias para a caderneta. O número de poupadores com mais de R$ 1 milhão depositados na poupança cresceu 187% nos últimos cinco anos, segundo dados do Fundo Garantidor de Crédito (FGC), divulgados pelo Banco Central. O crescimento está bem acima do verificado no total de poupadores, que aumentou 28% no mesmo período.

O número de investidores com aplicações “milionárias” na poupança passou de 2.480 pessoas físicas no final de 2006 para 7.118 em dezembro de 2011, segundo o balanço mais recente.

Os dados mostram também que esses clientes são responsáveis por uma parcela cada vez maior dos depósitos.

No fim do ano passado, 6,2% do dinheiro aplicado na poupança estava nas mãos desses grandes investidores, que representam apenas 0,007% dos 98 milhões de brasileiros que têm recursos na caderneta. Cinco anos antes, os “milionários” respondiam por 3,6% do saldo.

Os R$ 26 bilhões depositados nas contas dos clientes com mais de R$ 1 milhão são suficientes, por exemplo, para quadruplicar o estoque dos títulos públicos vendidos pela internet para pessoas físicas por meio do Tesouro Direto.

Esses grandes investidores têm, em média, R$ 3,7 milhões aplicados na caderneta. O saldo médio dos demais poupadores é de pouco mais de R$ 4 mil.

O professor da Escola de Economia da FGV-SP, Samy Dana, atribui esse crescimento à falta de informação e de estímulo por parte dos bancos, que podem oferecer aos clientes opções mais atrativas de investimento.

CDBs que pagam porcentuais altos do CDI e, principalmente, o Tesouro Direto, são opções melhores, diz ele, que descarta também a questão da segurança como explicação para esse movimento. Isso porque o FGC só oferece cobertura para aplicações de até R$ 70 mil, tanto na poupança como no CDB em caso de quebra do banco.

Esse fator só seria relevante em relação a fundos de investimento, que não têm o seguro do FGC e apresentam risco maior por causa das aplicações em papéis privados, segundo o especialista.

“Existe uma falta de informação e de educação financeiras. Mesmo com a taxa Selic a 9% ao ano, o CDI paga mais do que a caderneta de poupança. Não teria uma lógica financeira. Talvez pelo comodismo”, afirma Dana.

Isenção

Com uma rentabilidade mínima de 6,17% ao ano e isenta de Imposto de Renda e das taxas de administração dos fundos, a poupança ganha atratividade na medida em que a taxa básica de juros cai. A taxa básica está hoje em 9,75% ao ano, e a expectativa do mercado é que caia para 9% ao ano na reunião do Comitê de Política Monetária do BC desta semana.

Dana afirma, no entanto, que uma taxa neste nível obriga o cliente a procurar aplicações que paguem pelo menos 100% do CDI, de preferência em um grande banco, para ter um ganho significativamente maior que a poupança.

Atualmente, fundos de investimento com taxa de administração acima de 1,5% e CDBs que pagam porcentuais baixos de remuneração já perdem da caderneta, principalmente em aplicações com prazo inferior a um ano, que pagam mais de 20% de IR sobre o rendimento.

Quem aplicou R$ 1 milhão na poupança no último mês, por exemplo, obteve um rendimento de R$ 5.396. Para empatar com a caderneta, o investidor precisa encontrar uma aplicação de renda fixa que pague pelo menos 97% do CDI, considerando que será tributado com IR de 22,5% sobre o rendimento.

A reportagem é de Eduardo Cucolo

Londrina tem controle sobre mão de obra

Esvaziado, Ministério do Trabalho completa cinco meses sem titular

O Ministério do Trabalho está há 153 dias sem um ministro titular. Desde 4 de dezembro do ano passado, as duas principais posições da Pasta – a chefia e a secretaria-executiva – são ocupadas por interinos, que não foram recebidos pela presidente Dilma Rousseff e nem são prestigiados pelo PDT, partido ao qual são filiados, que luta diariamente no Palácio do Planalto para trocá-los e indicar outros nomes. Para líderes sindicais e especialistas em emprego e mercado de trabalho, consultados pelo Valor, o esvaziamento do Ministério do Trabalho, há quase cinco meses sem comando, demonstra a irrelevância da Pasta.

Tocado interinamente pelo advogado Paulo Roberto Pinto desde 4 de dezembro de 2011, o Ministério do Trabalho permanece nas mãos do PDT. Mas o partido, cujo presidente nacional é Carlos Lupi, que esteve à frente do ministério entre abril de 2007 e dezembro do ano passado, trabalha para fazer ministro um dos três nomes já sugeridos à presidente Dilma: os deputados Brizola Neto (RJ) e Vieira da Cunha (RS) ou o sindicalista Manoel Dias (SP).

Nem mesmo os cardeais do PDT se entendem. Enquanto Lupi se opõe a Brizola, o presidente da Força Sindical,Paulo Pereira da Silva (PDT-SP), veta a escolha de Vieira da Cunha. A pedido de Dilma, o secretário da Presidência,Gilberto Carvalho, chegou a sondar o deputado Hugo Leal (PSC-RJ) para o cargo. Outros nomes também estão na disputa, como o do assessor especial de Carvalho, José Lopez Feijóo, ex-vice-presidente da Central Única dos Trabalhadores (CUT), rival da pedetista Força. A presidente não tem pressa para indicar um novo ministro. “Ela vai fazer isso naturalmente”, diz uma fonte no Planalto.

O esvaziamento do Ministério do Trabalho já era um fato sob Lupi, mas apenas ficou mais evidente nos últimos cinco meses – mesmo sem ministro, nada mudou. Nos últimos tempos, a última resistência à sobrevivência da Pasta – as centrais sindicais – passaram a se incomodar com o descaso do governo com o ministério. Beneficiadas desde abril de 2008 com o repasse milionário do imposto sindical, as centrais estão incomodadas com a crescente lentidão dos técnicos do ministério em autorizar o registro de sindicatos – quanto mais sindicatos, mais as centrais aumentam sua fatia do imposto sindical. O Ministério do Trabalho, nos últimos anos, acabou reduzido a essa questão.

“Como o mercado de trabalho continua bem, com mais de 380 mil vagas formais criadas em apenas três meses, mesmo com alguma desaceleração no ritmo por conta da economia mais fraca, a presidente pode se dar ao luxo de ficar um tempo sem ministro”, avalia João Saboia, professor e pesquisador em emprego e mercado de trabalho da UFRJ. “Nada do que ocorre ou ocorreu no mercado de trabalho tem a ver com o ministério”, diz o pesquisador, para quem os avanços do emprego ocorrem “apesar do ministério”.

Especialistas e sindicalistas procurados pelo Valor criticaram o desprezo com que são tratadas as iniciativas consideradas importantes. Entre as principais críticas estão o “abandono” do Conselho Nacional de Relações do Trabalho, criado em agosto de 2010, e que nunca foi efetivamente implementado. O conselho reuniria empresários, sindicalistas e integrantes do governo para a formação de consensos envolvendo negociações trabalhistas. Outra iniciativa abandonada é a Fundacentro, entidade de pesquisa científica e tecnológica relacionada à saúde e segurança dos trabalhadores. “A Fundacentro está jogada às traças, isso é péssimo”, diz João Guilherme Vargas Neto, consultor sindical.

“Parece que o ministério só recolhe informações para produzir a Rais e o Caged”, diz Saboia, em referência a Relação Anual de Informações Sociais (Rais) e o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged). Para Vargas Neto, a Pasta deveria participar do debate da desindustrialização, ao lado dos ministérios da Fazenda, do Desenvolvimento e de Ciência e Tecnologia.

“Quando João Goulart era ministro do Trabalho, o ministério era responsável também por indústria e comércio, tinha uma importância central para o Brasil do passado, e hoje, que há muito mais formalização da mão de obra e o mercado de trabalho foi a senha do sucesso do governo Lula, que ajudou a eleger a presidente Dilma, o ministério é fraco”, avalia Ricardo Patah, presidente da União Geral dos Trabalhadores (UGT), responsável por 1,1 mil sindicatos e 699,1 mil trabalhadores no país. “É muito grave que o ministério fique cinco meses sem ministro e isso nem seja percebido”, diz Patah.

Desde que Dilma assumiu, o governo tem aprofundado o esvaziamento do Ministério do Trabalho. Um dos primeiros programas do governo, o Pronatec, para qualificação da mão de obra, transferiu do Trabalho para o Ministério da Educação a responsabilidade pela especialização de trabalhadores no país. Além disso, o governo trabalha para modernizar a legislação para trabalhadores estrangeiros, e uma das metas é redesenhar o Conselho Nacional de Imigração (Cnig), vinculado ao Ministério do Trabalho. O Cnig é visto como burocrático e atrasado por integrantes do governo.

No início da semana passada, o Ministério do Trabalho emergiu de um ostracismo de cinco meses com o anúncio da medida que condiciona o repasse dos benefícios do seguro-desemprego à inscrição do desempregado em um curso de qualificação profissional. A medida estava sendo trabalhada no ministério desde o fim de 2008. Mas os gastos com o seguro-desemprego são carimbados, isto é, não dependem do ministério, enquanto a outra ponta da medida, de qualificar os trabalhadores, cabe ao Ministério da Educação.

Com a nova atribuição, foi Aloizio Mercadante, ministro de Educação, quem recebeu, na semana passada, líderes do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC para discutir a formação de uma escola em parceria com o Senai para qualificar metalúrgicos da região. Segundo uma fonte no Ministério do Trabalho, a Pasta “agoniza” com a falta de quadros – há dez anos o ministério não faz concursos públicos.


A reportagem é de João Villaverde

Londrina tem controle sobre mão de obra

Saiba quando vale mudar dívida de banco

Redução de juro acirra competição e abre espaço para barganha, mas custos podem inviabilizar troca de instituição

Despesa de troca de financiamento de imóvel reduz benefício; mudança compensa em bens sem alienação

 

  Alessandro Shinoda/Folhapress

 Edivaldo Bulba em seu novo apartamento, financiado, em São Bernardo do Campo (SP)

Edivaldo Bulba em seu novo apartamento, financiado, em São Bernardo do Campo (SP)


CAROLINA MATOS

TONI SCIARRETTA
DE SÃO PAULO

Depois de pouco mais de um ano de espera pela finalização da obra, Edivaldo Bulba, 50, acaba de se mudar com a família para o novo apartamento, em São Bernardo do Campo (ABC Paulista).

Para comprar o imóvel de R$ 470 mil, o professor universitário tomou um financiamento de R$ 370 mil -que está para ser quitado, após a venda da residência anterior.

Bulba também comemora o fato de ter pesquisado as taxas de mercado antes de escolher o banco para o financiamento. “Consegui um custo bem menor em uma instituição que não era a indicada pela construtora e na qual eu não era correntista.”

Quem não faz essa pesquisa prévia pode acabar pagando mais do que precisaria. E, mesmo com a possibilidade de, mais tarde, transferir a dívida para outro banco que ofereça taxas mais vantajosas, o custo da mudança, em alguns casos, pode limitar os benefícios da troca.

Especialistas ouvidos pela Folha dizem que isso é mais comum no caso de empréstimos em que o bem fica em nome da instituição financeira até a quitação do débito. É que a transferência dessa alienação traz, ao devedor, despesas com cartórios e registros, entre outros custos.

Já no crédito para compra de bens de consumo -em que não há alienação-, trocar a dívida para um banco que cobre juros menores costuma valer a pena.


CERTEZA

Mas, antes de mudar, o devedor precisa ter certeza de que conseguiu condições melhores em outra instituição.

O quadro acima traz simulações de quanto economizaria um consumidor ao transferir a dívida em dois casos: na aquisição de um imóvel de R$ 300 mil e na compra de uma cozinha planejada no valor de R$ 15 mil.

Na primeira hipótese, em que há custos de transferência de alienação, o devedor vai ter que desembolsar, à vista, R$ 3.000 para obter redução de R$ 164 (ou 6%) na prestação, o que significa abatimento de R$ 27 mil do valor pago até o fim do empréstimo (27 anos).

Em valores de hoje, essa soma representaria R$ 2.060. Ou seja, o custo da troca é maior que o ganho.

No segundo caso, em que não há alienação do bem, a economia de R$ 148 (ou 20%) na parcela não acarreta nenhuma despesa extra.

No financiamento de veículos, também há alienação do bem para o banco e, portanto, custos para transferi-la a outra instituição.

Essas despesas, no entanto, são menores que no financiamento imobiliário: em vez de até 1% do valor do bem (imóvel), passam para entre R$ 550 e R$ 1.000, independentemente do veículo.

“Pesquisar antes é a melhor solução; a preguiça pode custar caro. Se a pessoa já tomou o empréstimo, vale a pena fazer cotações para negociar taxas menores, seja barganhando com a instituição atual ou mudando para a concorrência. Mas é preciso avaliar bem para ver quando compensa a troca”, diz Marcelo Prata, presidente do Canal do Crédito, site que funciona como buscador de taxas em diferentes bancos.


AINDA ALTO

Valter Police, planejador financeiro pessoal, diz que, apesar de terem caído para algumas linhas de crédito, os juros ainda são muito altos.

“Além disso, é difícil que os bancos efetivamente concedam às pessoas comuns as taxas mínimas anunciadas nas propagandas.”

“Esses percentuais, normalmente, são para clientes que atendam a critérios específicos, como ter aplicações no banco”, afirma.