por master | 16/04/12 | Ultimas Notícias
Passados três anos da revelação de que parlamentares usavam verba pública para voar com familiares e amigos ainda não ganhou nenhuma denúncia na Justiça. Ministério Público atribui demora à complexidade do caso, mas diz que pedirá punição dos envolvidos
Miami, Paris, Buenos Aires e Nova York foram as quatro cidades mais buscadas por deputados e demais passageiros que usaram a cota da Câmara
Três anos após a revelação de que deputados e senadores usavam a cota de passagens aéreas do Congresso como queriam, para voar com familiares e amigos pelo país e mundo afora, até agora praticamente ninguém foi punido. De lá pra cá, os maiores avanços ocorreram na Câmara e no Senado, que mudaram as regras para o uso do benefício: reduziu-se o tamanho da verba, limitaram-se as viagens internacionais, restringiu-se o acesso às passagens aos políticos e assessores, e passou-se a publicar na internet a relação dos passageiros. Alguns parlamentares até devolveram o dinheiro gasto para fins particulares.
Tradicionalmente tão criticado, o Congresso deu, ao seu modo, alguma resposta, embora não tenha punido nenhum parlamentar. Mas o saldo da chamada farra das passagens, revelada peloCongresso em Foco em 2009, ainda é zero na Justiça. E, desta vez, nem se pode falar da velha morosidade do Judiciário brasileiro. O problema é que até hoje o Ministério Público não ofereceu qualquer denúncia para exigir o dinheiro público gasto indevidamente por políticos em voos com familiares, amigos ou para concretizar negócios particulares ou atender a pleitos de eleitores e aliados.
De acordo com a Procuradoria da República no Distrito Federal, responsável pelas investigações, o inquérito civil público que apura a farra das passagens aéreas continua em curso, sem risco de prescrição das eventuais sanções. A denúncia, segundo o Ministério Público, ainda não foi feita por causa da complexidade da investigação, principalmente em razão do grande número de parlamentares envolvidos e de passagens emitidas. Os investigadores não arriscam uma previsão de quando o caso chegará à Justiça.
“A instrução do caso demandou a individualização dos valores devidos por cada deputado, o levantamento de seus dados pessoais e apurações sobre eventuais ressarcimentos já realizados”, explica a assessoria da Procuradoria da República no Distrito Federal.
Pedido de ressarcimento
O Ministério Público diz que o pedido de ressarcimento aos cofres públicos pode ser feito a qualquer momento. O prazo de prescrição para a apresentação de ações de improbidade administrativa é de cinco anos, contados a partir da conclusão do mandato do parlamentar, ressalta a assessoria.
No ano passado, os procuradores que cuidam do caso enviaram um ofício à Câmara, questionando sobre os ressarcimentos feitos por deputados que usaram indevidamente a cota. Mas, até agora, os investigadores não receberam qualquer resposta. “A despeito disso, os procuradores da República que atuam no inquérito prosseguem trabalhando nas medidas judiciais cabíveis, concomitantemente à condução de outras inúmeras investigações que chegam à instituição diariamente”, acrescenta a assessoria.
Farra generalizada
Só na Câmara, mais da metade dos parlamentares usou as cotas para fazer viagens ao exterior. Miami, Nova York, Paris e Buenos Aires eram os destinos internacionais preferidos dos passageiros que voavam na cota da Câmara. As reportagens do Congresso em Foco mostraram que ministros, senadores e deputados – incluindo o presidente da Câmara, o hoje vice-presidente da República, Michel Temer (PMDB) – usavam suas cotas de passagens aéreas para passear com a família no exterior ou na praia; ceder bilhetes para potenciais eleitores e terceiros; transportar artistas, celebridades e músicos para eventos, às vezes promovidos pelos próprios parlamentares, e uma infinidade de objetivos alheios ao mandato no Congresso e na Esplanada.
A Câmara e o Senado informaram, à época, que as mudanças nas regras do uso da cota de passagens aéreas proporcionaria uma economia anual de R$ 25 milhões aos cofres públicos. Apesar de avanços, nem tudo correu tão rapidamente no Congresso. Baixada a poeira da crise, a Câmara e o Senado decidiram, em dezembro daquele mesmo ano, liberar o uso dos créditos acumulados por deputados e senadores nas companhias aéreas antes da mudança nas regras até o dia 31 de janeiro de 2011. Na prática, os parlamentares ficaram livres para extrapolar a cota mensal a que tinham direito para voar à vontade no ano eleitoral de 2010. O Senado ainda demorou dois anos para começar a divulgar na internet o uso da cota pelos senadores.
Adriane Galisteu
por master | 16/04/12 | Ultimas Notícias
O salário mínimo em 2013 poderá chegar a R$ 667,75, o que corresponde a um reajuste de 7,3% em relação ao atual. O valor consta no projeto da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO), divulgado, na última sexta-feira (13), pelo Ministério do Planejamento.
A equipe econômica projeta ainda mínimo de R$ 729,20 para 2014 e de R$ 803,93 para o ano seguinte – o que resulta em aumento de 29% acumulados até 2015.
A LDO apresenta os parâmetros que servirão de base para a elaboração do Orçamento Geral da União do próximo ano. O projeto manteve as projeções oficiais para a inflação e para o crescimento econômico.
O crescimento real do Produto Interno Bruto (PIB) continuou estimado em 5,5% para 2013. A inflação pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) também não variou em relação aos números divulgados em fevereiro pela equipe econômica e ficou em 4,5%, um pouco menos que os 4,7% estimados para este ano.
O Planejamento estima taxa de câmbio média de R$ 1,84 para 2013, contra a taxa de R$ 1,76 em 2012. Os juros básicos da economia, de acordo com o projeto da LDO, deverão encerrar 2012 em 9,75% ao ano e atingir 8,5% ao ano no fim de 2013.
por master | 16/04/12 | Ultimas Notícias
O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) se reunirá na terça e quarta-feira (18) para avaliar a conjuntura econômica interna e externa, com foco especial na existência, ou não, de pressões que possam comprometer os preços de mercado e ameaçar o controle da inflação.
A partir da análise, o colegiado de diretores do BC definirá os rumos da taxa básica de juros (Selic), que está em 9,75% ao ano e deve encerrar 2012 em torno de 9%, de acordo com expectativas da maioria dos analistas financeiros ouvidos por pesquisa do BC, divulgada no boletim Focus da última segunda-feira (9).
Há dúvidas se a redução será feita de uma vez, ou se virá em doses menores e gradativas. Mas os analistas apostam que a Selic vai ficar mais baixa, em razão da “inusitada transparência” da última ata do Copom, que sinalizou a disposição de levar a taxa para patamares “ligeiramente acima dos mínimos históricos”.
Como a mínima registrada foi de 8,75%, entre julho de 2009 e abril de 2010, a maioria dos analistas da iniciativa privada acredita, há quatro semanas, em uma Selic de 9%, com a possibilidade de redução de 0,75 ponto percentual já na quarta-feira, ressalta o presidente da Associação Nacional das Sociedades de Fomento Mercantil – Factoring (Anfac) e ex-diretor do BC, Luiz Lemos Leite.
Especialista em direito econômico e empresarial, Leite diz que a decisão do Copom de estabilizar a Selic em um patamar ao redor de 9% é uma clara sinalização da tentativa de minimizar os efeitos da crise financeira mundial e reativar a economia brasileira, depois do fraco desempenho do ano passado, quando o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) registrou crescimento de 2,7% do Produto Interno Bruto (PIB), soma das riquezas produzidas no país.
por master | 16/04/12 | Ultimas Notícias
Não é de hoje que o planejamento tributário é uma grande preocupação de empresários de diversos segmentos. Com o objetivo de reduzir os gastos com o pagamento de impostos e sobreviver no competitivo mercado, muitos gestores lançam mão de assessorias especializadas, que dispõem de profissionais das áreas de contabilidade, economia, administração e direito. Na construção civil não é diferente. O setor, especialmente com o ”boom” imobiliário, mais do que nunca busca reduzir a tributação por meio de um eficiente planejamento.
Segundo o advogado tributarista Frederico de Moura Theophilo, de Londrina, cerca de 34% do Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil é dedicado aos impostos anualmente, o que totaliza mais de R$ 1 trilhão. No ano passado, o PIB brasileiro fechou em aproximadamente US$ 2,3 trilhões. ”1/3 desse valor foi em impostos”, observa Teophilo.
Apesar de não haver dados específicos que ilustrem a situação da área da construção civil, a realidade tributária no Brasil, como se vê, gera custos enormes às empresas, independentemente da área. Por isso, o planejamento é tão necessário.
”O planejamento consiste em estudar as possibilidades legais e identificar, dentre as alternativas disponíveis, a que traz a menor carga fiscal dentro de um contexto lícito”, afirma o advogado Piraci Oliveira Junior, de São Paulo, que é mestre em Direito e professor universitário e de pós-graduação na área tributária. No mês de maio ele vai ministrar o curso ”Planejamento Tributário em Obras de Construção”, em São Paulo, promovido pela Canal Executivo Treinamentos.
por master | 16/04/12 | Ultimas Notícias
A Resolução 576 da Caixa Econômica Federal (CEF), de 22/3, tornou mais rígidas as regras de liberação de recursos do FGTS para o financiamento da moradia. O objetivo é concentrar as aplicações em imóveis de até R$ 170 mil, destinados às faixas de renda média-baixa e popular. O impacto será maior nas grandes metrópoles, onde os preços elevados dos imóveis tornaram a comercialização muito dependente da oferta de crédito.
Pelas regras do Conselho Curador do Fundo, só podem ser financiados com recursos do FGTS imóveis no valor de até R$ 500 mil. Mas, na prática, o limite acaba ultrapassado, nas operações em que o Fundo de Investimento do FGTS (FI-FGTS) adquire cotas de fundos de investimento em direitos creditórios (FDICs).
A Resolução 576 determina que os recursos do FGTS só serão aplicados em fundos que destinem no mínimo 60% da carteira a imóveis de até R$ 170 mil e que os recursos devem ser distribuídos regionalmente.
Ao concentrar os financiamentos em imóveis de até R$ 170 mil, o FGTS cumpre o objetivo original do Sistema Financeiro da Habitação (SFH) de reduzir o déficit de moradias, estimado em 6 milhões de unidades. O orçamento de R$ 43,9 bilhões, de 2012, prevê a aplicação de R$ 26 bilhões em moradias populares, R$ 2,5 bilhões em Certificados de Recebíveis Imobiliários e R$ 1 bilhão na modalidade pró-cotista, para financiar os trabalhadores que já têm conta vinculada no fundo e renda superior a R$ 5,4 mil. Outros R$ 10 bilhões do fundo foram destinados ao saneamento básico e à infraestrutura urbana e os restantes R$ 4,5 bilhões deverão ser empregados nos abatimentos a mutuários, ou seja, subsídios.
A política de aplicação do FGTS é justificável, mas, na prática, restringe o acesso ao imóvel próprio de muitas famílias de classe média. Nas regiões mais centrais de São Paulo, por exemplo, o valor máximo do imóvel financiado pelo fundo só permite a aquisição de uma unidade nova compacta. Neste caso, o FGTS atende apenas às necessidades de pessoas solteiras ou casais sem filhos. O FGTS é a segunda fonte mais importante de crédito imobiliário, abaixo apenas das cadernetas de poupança, e financiou em 2011 mais de meio milhão de unidades.
O fundo é o sustentáculo do programa Minha Casa, Minha Vida, que permitiu ampliar a atividade da construção e, apesar dos atrasos, a oferta de moradias. Mas, se sobram recursos no FGTS e se essa situação tende a perdurar, parece razoável atender melhor as famílias de classe média que vivem nos grandes centros.
As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.