Crescer já emprestou mais de R$ 1,2 bi a pequenos empreendedores
O Crescer – Programa Nacional de Microcrédito já realizou mais de 1 milhão de operações entre setembro de 2011 e março deste ano, com empréstimos que somaram mais de R$ 1,2 bilhão. Com taxas de juros reduzidas, de 8% ao ano, o Crescer tem conseguido, segundo a presidenta Dilma Rousseff, democratizar o acesso ao crédito produtivo no país.
Transcrição
Apresentador: Olá, amigos! Eu sou o Luciano Seixas e estou aqui para mais um Café com a Presidenta Dilma. Bom dia, presidenta! Tudo bem?
Presidenta: Tudo bem, Luciano. Bom dia para você e para os ouvintes que nos acompanham hoje!
Apresentador: Presidenta, hoje vamos falar sobre microcrédito. O Programa Crescer, que a senhora lançou no ano passado, já tem resultados muito bons, não é mesmo?
Presidenta: É sim, Luciano, os resultados são excelentes. O Crescer, que é o nosso Programa de Microcrédito Produtivo e Orientado, fez mais de 1 milhão de empréstimos entre setembro do ano passado e março desse ano. Os nossos pequenos empreendedores tomaram, nesse período, mais de R$ 1,2 bilhão em crédito: um dinheiro que foi aplicado para melhorar, ampliar ou até mesmo começar um novo negócio.
Apresentador: O microcrédito está na origem de muitas histórias vitoriosas, não é?
Presidenta: É sim, Luciano. O valor médio dos empréstimos, que foi de R$ 1.200,00, pode até parecer pouco, mas tem mudado, Luciano, a vida de muita gente. Quando olhamos as histórias que estão por trás desses números, percebemos ainda mais a importância do Programa Crescer, que vem permitindo a realização dos sonhos de muitos empreendedores. Por exemplo, Luciano, foi com um empréstimo de R$ 500,00, no Banco do Nordeste, que a vendedora de cosméticos Meirilane Barbosa, de Fortaleza, conseguiu fazer um pequeno estoque de produtos. Com R$ 400,00, a cabeleireira Maria Lucieuda também do Ceará, comprou uma cadeira e um lavatório para abrir o próprio salão. Agora elas estão lá trabalhando. Entre as histórias de sucesso, Luciano, há muitas outras experiências de microempresários que usaram o Crescer para ampliar seus negócios e aumentar a sua renda.
Apresentador: A que a senhora atribui esse resultado tão positivo do programa, presidenta?
Presidenta: Olha, Luciano, o motivo principal do sucesso do programa é, com certeza, o fato de que se as pessoas têm uma oportunidade, elas agarram essa oportunidade com as duas mãos. E aí, Luciano, o baixo custo desses empréstimos favorecem que as pessoas possam ter um dinheiro a mais para realizar seus negócios e permitir que elas realizem seus sonhos. Na verdade, o que acontece é que o dinheiro ficou barato e as pessoas puderam, então, com ele, realizar melhores negócios. Com o crescer, nós reduzimos drasticamente os juros cobrados, eles passaram de 60% ao ano para apenas 8% ao ano. O Crescer concede crédito no valor de R$ 300,00 a R$ 15 mil, basta que o interessado procure um banco público. Esses primeiros resultados do Crescer mostram que estamos conseguindo, de fato, democratizar o acesso ao crédito no país. É um credito produtivo, que ajuda a gerar empregos, sustentar o crescimento e fortalecer ainda mais o nosso mercado interno.
Apresentador: O crédito barato pode ajudar o pequeno empreendedor a melhorar de vida, não é mesmo?
Presidenta: Pode sim. Com esses primeiros resultados do Crescer, nós confirmamos aquilo que dizíamos no lançamento do programa: que o crédito barato tem o poder de transformar vidas, reduzir a pobreza e as desigualdades. Para você ter uma ideia desse potencial, Luciano | 0218.500 pessoas, beneficiadas pelo Bolsa Família, já tomaram empréstimo do Crescer só nos primeiros três meses do programa. Uma das empreendedoras do Crescer que recebe o Bolsa Família é a Josenilda dos Santos, de Feira de Santana, na Bahia. A Josenilda sempre trabalhou como doméstica para sustentar a casa junto com o marido. Só que há três anos eles tiveram o João Vitor, que nasceu com problemas de saúde e, assim, precisava de mais atenção da sua mãe. A Josenilda deixou o emprego e passou a vender lanches para a vizinhança, até que conseguiu realizar o sonho de comprar um carrinho de cachorro quente com o empréstimo do Programa Crescer.
Apresentador: E a Josenilda recebeu orientação para aplicar melhor o dinheiro?
Presidenta: Olha, Luciano, uma agente do banco visitou o apartamento da Josenilda, que a família tinha comprado pelo Minha Casa Minha Vida, e deu a ela todas as orientações de que precisava para conseguir um empréstimo de R$ 700,00 e fazer o dinheiro render. Ela dividiu o pagamento em 12 parcelas. Ao fim de um ano, a Josenilda vai pagar apenas R$ 32,00 de juro. Mas eu fiquei sabendo, Luciano, que a carrocinha está fazendo tanto sucesso no bairro dela que ela já está conseguindo adiantar as parcelas do empréstimo. A Josenilda está tão satisfeita que vive dando conselho aos amigos sobre o Programa Crescer. Essa história mostra, Luciano, que podemos crescer juntos, todo o país junto. O lema do Programa Crescer resume bem o nosso esforço de garantir, para o maior número de pessoas, o acesso ao crédito. Com pequenos negócios, nós vamos construir um grande país.
Apresentador: Presidenta, infelizmente o nosso tempo chegou ao fim. Obrigado por mais esse Café.
Presidenta: Obrigado pela companhia, Luciano. E uma ótima semana para você e para todos os nossos ouvintes!
Apresentador: Você que nos ouve pode acessar este programa na internet, o endereço é www.cafe.ebc.com.br. Nós voltamos na próxima segunda-feira, até lá!
Dilma prepara pacote de medidas à indústria
SHEILA D’AMORIM
DE BRASÍLIA
Famílias ganham 7,6% a mais em 2011
As classes D e E ainda estão tímidas, tendo em vista que apenas 4,9% das famílias desse grupo tinha uma TV de tela fina em casa. Mas a classe C não perdeu tempo e 26,1% dos domicílios contam com o aparelho.
Copa do Mundo. Grandes obras obtêm R$ 30 bi em recursos
Os investimentos nos estádios que abrigarão os jogos da Copa de 2014 contribuíram para ampliar os recursos direcionados ao financiamento de projetos (“project finance”) no país. O volume destinado a obras de longo prazo somou R$ 28,2 bilhões no ano passado, um crescimento de 46,9% em relação a 2010, em 74 novos projetos. Incluindo os empréstimos-ponte, o valor sobe para R$ 30,2 bilhões, de acordo com a Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima).
Pela primeira vez, os estádios aparecem entre os setores que mais receberam financiamento, com 7,4% dos recursos destinados a project finance. No ano passado, foram fechados os desembolsos para o Mineirão, Arena Pernambuco e Fonte Nova (Bahia). A expectativa é de que neste ano surjam novos financiamentos para obras da Copa, entre elas a do Beira Rio, em Porto Alegre, e a do Maracanã, diz o coordenador da subcomissão de financiamento de projetos da Anbima e sócio-diretor da Rio Bravo Infraestrutura, Sergio Heumann.
A maioria dos projetos para a Copa foi viabilizada por meio de parcerias público-privadas (PPP), na qual os governos asseguram o financiamento caso a arrecadação da bilheteria não seja suficiente para o pagamento. As obras com previsão de investimento unicamente público, como a Arena Pantanal, em Cuiabá (MT), ou instrumentos de renúncia fiscal, caso do Itaquerão, o futuro estádio do Corinthians, não devem entrar nas estatísticas da Anbima.
A associação mudou os critérios para a inclusão e considera apenas os que não contam com garantias dos acionistas. “A ideia do project finance é que o fluxo de caixa seja suficiente para garantir o empréstimo, liberando o capital dos acionistas para outros projetos”, diz Heumann. A Anbima inclui, porém, os empréstimos que possuem garantia na fase de construção dos empreendimentos, durante a qual os riscos são maiores.
A dívida nos projetos financiados alcançou R$ 19,9 bilhões, uma participação de 70%, enquanto o capital próprio dos acionistas privados representou R$ 8,3 bilhões.
Além das obras para a Copa, os investimentos em transporte e logística foram destaque no ano passado e pela primeira vez lideraram os financiamentos de projetos, à frente da indústria de energia e do segmento de óleo e gás. O executivo da Anbima afirma que os números não apontam uma tendência para os próximos anos, mas diz que os três setores devem se manter entre os que mais demandarão recursos de project finance.
A construção dos navios sondas ODN I e II, da Odebrecht Óleo e Gás, foi o projeto com o maior volume de financiamento no ano passado, com R$ 1,8 bilhão. Em seguida, aparece a construção da Empresa Brasileira de Terminais Portuários (Embraport) – maior complexo portuário do Brasil, em Santos (SP) -, com R$ 1,5 bilhão.
O BNDES deve se manter como principal fonte de recursos para os projetos de infraestrutura, tanto em empréstimos diretos como via repasses por bancos, que assumem o risco da operação. Mas a expectativa é de que o mercado de capitais comece a ganhar importância na composição dos financiamentos, principalmente com a decisão do governo de reduzir para zero a alíquota de imposto de renda no investimento de pessoas físicas e estrangeiros em debêntures de projetos de infraestrutura.
Na semana passada, a concessionária Rodovias do Tietê, que administra 406 quilômetros de estradas no interior de São Paulo, recebeu a primeira autorização para uma emissão que será beneficiada pela desoneração. Mas ao contrário dos financiamentos de projetos, houve uma redução no ritmo de concessões. O investimento estimado ficou em R$ 7,6 bilhões, em 24 operações, uma queda de 41%. Neste ano, porém, o volume deve aumentar, puxado pelo leilão de aeroportos, ocorrido em fevereiro.
O Santander mais uma vez liderou o ranking de assessoria financeira de project finance em 2011, tanto em volume como em número de projetos. Os dados da Anbima mostram, porém, uma evolução das casas independentes, comoUpside e Rio Bravo. Se somados os volumes das operações de curto e longo prazo, a Rio Bravo aparece na segunda posição, graças ao empréstimo-ponte de R$ 1,8 bilhão para o alcoolduto da Logum.
A reportagem é de Vinícius Pinheiro
