por master | 22/03/12 | Ultimas Notícias
Milhares de portugueses deverão ir às ruas nesta quinta-feira para protestar contras as medidas de austeridade aprovadas pelo governo do país, incluindo a privatização de diversas indústrias, cortes de salários de funcionários públicos, e aumento de impostos e preços.
A segunda greve geral em quatro meses deve paralisar os principais setores do serviço público no país.
O governo português, liderado pelo Partido Social Democrata, de centro-direita, chegou ao poder após as eleições de junho de 2011 e vem recebendo elogios de representantes do FMI, Banco Central Europeu e Comissão Europeia por ter conseguido reduzir drasticamente o déficit no orçamento.
Mas as medidas de austeridade estão afetando diretamente o bolso dos portugueses, que enfrentam uma onda de aumentos em diversos setores. Nos transportes, os bilhetes mensais subiram entre 25% e 40%, a eletricidade teve um aumento de cerca de 20%, no serviço público de saúde, o valor pago pelas consultas subiu mais de 100% e muitos produtos de primeira necessidade tiveram a taxa de imposto aumentada de 6% para 23%.
Hospital
Para o funcionário de armazém Alfredo Figueiredo, a solução foi tentar deixar de ir ao médico.
“A consulta de emergência passou para 20 euros e antes eu pagava menos da metade. Antigamente, ia ao médico para receber uma receita. Agora vou direto à farmácia para comprar remédios”, contou à BBC.
Ele estava no setor de emergência do Hospital de Santa Maria.
“Vim trazer minha mulher”, explicava, dizendo que teria de pagar uma parte do custo da consulta. Os hospitais públicos não deixam de atender ninguém, mas se o pagamento não for feito, a conta passa para 50 euros.
Segundo as novas normas, os pacientes com câncer e outras doenças crônicas ficam isentos do pagamento das consultas. Sandra Isabel Cruz, que trabalha como vigia no Ministério da Cultura, enfrenta um câncer e já passou por duas cirurgias. Ela explica que mesmo com as mudanças, continua tendo de arcar com alguns custos.
“Para obter a isenção é preciso passar por uma junta médica e isso são 50 euros, independentemente de termos ou não isenção.”
Transportes
Para o auxiliar de enfermagem Cândido Teixeira, o aumento do bilhete mensal de transporte foi de cerca de 25%.
“Antes eu pagava em torno de 22 euros, agora estou pagando 29,5 euros”, conta, na estação de trem do Rossio, no centro de Lisboa.
Com os aumentos generalizados, ele teve que mudar seus hábitos.
“Eu tomava seis a sete cafés por dia, agora tomo quatro. Ia de férias um mês, agora só vou viajar 15 dias.”
Casado com uma brasileira, teve de abandonar o plano de passarem as férias juntos no Brasil. Como tudo ficou mais caro, não vai acompanhar a esposa numa visita à família.
“Agora ela vai só. Se tivesse dinheiro, não deixava ela ir sozinha.”
A professora de inglês Conceição Santos deixou de usar o carro por conta do aumento de preços.
“Só esta semana, o preço da gasolina aumentou duas vezes.”
A professora diz que para enfrentar a crise ela teve de fazer uma série de cortes, que vão desde livros e roupas até o restaurante na hora do almoço.
Sem futuro
A crise faz até alguns jovens desistirem da perspectiva de um futuro melhor.
“Estou com seis meses de atraso nas mensalidades e estou pensando em deixar o curso”, conta a estudante Keila Cabral, no segundo ano de psicologia da Universidade Lusófona.
Nascida em Cabo Verde, Keila contava com a ajuda dos irmãos, que moram em Portugal, para fazer o curso.
“Minha irmã ficou desempregada e eu deixei de pagar a universidade.”
Ela trocou o sonho de terminar o curso e fazer mestrado em outro país europeu por esperança menos ambiciosa: “Eu agora gostaria de arrumar um emprego, pagar as dívidas e continuar a viver a minha vida.”
A ameaça de ter que deixar a faculdade também aflige João Carlos Proença, do segundo ano do curso de Educação Física da Universidade Lusófona. Natural da região de Castelo Branco, a 190 quilômetros de Lisboa, além das mensalidade de seu curso sua família tem os encargos de sua irmã, que também faz curso superior, mas em outra universidade.
“São cerca de 500 a 520 euros por mês. Já cortamos a internet, antes comprávamos comida com fartura, agora é só o estritamente necessário e também cortamos na gasolina.”
A esperança dele é que o pai vá trabalhar no exterior, para enviar dinheiro para os filhos terminarem os estudos.
‘Governo não teve escolha’
A última estimativa do governo português coloca o deficit público para 2011 perto de 4% do PIB, bem abaixo da meta oficial de 5,9%.
O secretário de Estado Adjunto do primeiro-ministro, Carlos Moedas, disse à BBC que a administração cortou 27% de todas as posições de gerência no governo federal, e reduziu em 40% os gastos de departamentos que eram considerados ineficientes.
“Não tínhamos escolha, não podíamos fazer isso em vez daquilo. Infelizmente não”, disse Moedas.
Ele também afirma que as decisões difíceis contam com o aval das urnas.
“80% dos eleitores votaram nos partidos que assinaram este acordo”, disse Moedas, referindo-se ao fato de que os três principais partidos de Portugal foram favoráveis à adoção de duras medidas de austeridade no país.
por master | 22/03/12 | Ultimas Notícias
As autarquias realizaram um monitoramento durante as últimas três semanas, como parte de um programa de avaliação financeira dos países emergentes estabelecido em 1999.
O setor financeiro brasileiro demonstrou uma sólida resistência ante a instabilidade internacional, graças às políticas governamentais, segundo um relatório conjunto do Fundo Monetário Internacional (FMI) e do Banco Mundial (BM) publicado nesta quarta-feira (21/3).
“O Brasil ostenta uma posição única para impulsionar o desenvolvimento de seu setor financeiro de forma vigorosa, particularmente para aprofundar o financiamento privado de longo prazo”, explicaram as instituições no comunicado conjunto.
O FMI e o Banco Mundial realizaram um monitoramento durante as últimas três semanas, como parte de um programa de avaliação financeira dos países emergentes estabelecido em 1999.
Apesar disso, ressaltam as duas instituições, o desenvolvimento dos mercados de capital no Brasil segue sofrendo com as altas taxas de juros e com o curto prazo da maioria dos instrumentos de investimento financeiro.
Modificar esta situação é “uma agenda difícil”, reconhece o comunicado.
Embora esteja reduzindo progressivamente suas taxas de juros, o Brasil mantém uma rígida política que dificulta a entrada de capitais especulativos em seus mercados, principalmente por meio de impostos, em um contexto de forte valorização do real.
A avaliação do setor financeiro brasileiro foi efetuada por uma equipe liderada respectivamente por Dmitri Demekas, do Fundo, e por Augusto de la Torre, do BM.
por master | 22/03/12 | Ultimas Notícias
Balanço divulgado ontem pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) mostra que 86,8% de 702 acordos salariais fechados em 2011 conseguiram obter reajuste acima da inflação medida pelo INPC. De acordo com o levantamento, 7,5% dos acordos apenas repuseram a inflação e 5,7% ficaram abaixo do INPC do período negociado.
O Balanço das Negociações dos Reajustes Salariais em 2011 registrou leve queda sobre o resultado de 2010. Os acordos que conseguiram ganho real em 2010 chegaram a 88,2% do total. Os que empataram com a inflação foram 7,4% e os que perderam do INPC, 4,4%. Mesmo com a pequena redução, o desempenho foi superior ao obtido em 2008 e 2009.
Na distribuição por setores econômicos, o maior porcentual de ganhos reais foi verificado no comércio, onde 97,3% dos acordos ficaram acima do INPC. Logo depois vieram a indústria, com 90,4% de reajustes reais, e serviços, com 76,3%.
Apenas repuseram a inflação, em 2011, 11,9% dos acordos em serviços, 6,5% na indústria e 1,8% no comércio. Tiveram perda real no salário 11,9% dos acordos em serviços, 3,1% na indústria e 0,9% no comércio.
De acordo com o levantamento, indústrias de três setores conseguiram ganhos reais em 100% dos acordos fechados em 2011: construção e mobiliário, extrativista e papel, papelão e cortiça.
O setor de construção e mobiliário, de acordo com o Balanço das Negociações dos Reajustes Salariais em 2011, também foi o que conseguiu o melhor aumento real médio – de 2,23% -, seguido pelo setor metalúrgico, mecânico e de material elétrico (2,04%).
A indústria como um todo registrou aumento real médio de 1,54%, resultado que levou 2011 ao segundo melhor desempenho desde 2008, já que em 2010 o aumento real médio da indústria foi de 1,83% e, em 2009, de 0,96%. Em 2008, a média ficou em 1,17% – o Dieese faz essa relação de acordos salariais desde 1996, mas só a partir de 2008 passou a registrar os resultados de todos os atuais grupos de negociação.
por master | 22/03/12 | Ultimas Notícias
Apesar de o número de cooperativas no Paraná ter aumentado apenas 23% de 2000 a 2011, as vagas de trabalho geradas por este setor cresceram 128% no período. As 194 cooperativas existentes em 2000 empregavam 28.460 paranaenses e, no ano passado, as 240 respondiam por 65 mil postos de trabalho. Os números são da Organização das Cooperativas do Paraná (Ocepar).
Mas qual a vantagem de se trabalhar no sistema cooperativista? A FOLHA apurou que o principal benefício, segundo os funcionários, é que o sistema investe em capacitação profissional, tanto em cursos técnicos, como de graduação e até pós-graduação.
Segundo a Ocepar, o setor faturou R$ 26,4 bilhões em 2010 e pagou R$ 1,096 bilhão em salários e R$ 406 milhões em encargos. Os investimentos em desenvolvimento profissional foram de R$ 8,36 milhões
Os benefícios também são apontados como diferencial no mercado de trabalho das cooperativas. Em 2010, elas investiram R$ 29,6 milhões em planos de saúde para seus colaboradores, R$ 99 milhões em alimentação e R$ 11 milhões em seguros de vida.
Ailton de Almeida Queiroz tem 52 anos e desde 1979 trabalha na Coamo Agroindustrial, em Campo Mourão (Centro-Oeste). Começou como auxiliar administrativo e, depois de se formar em ciências contábeis, passou a contador. Mais tarde, foi convidado a participar de um processo seletivo interno para a área de TI, onde exerceu várias funções. ”Assumi a chefia do Departamento de Desenvolvimento de Sistemas e hoje exerço a gerência de Organização e Sistemas”, conta.
Todos os conhecimentos de tecnologia da informação ele adquiriu na Coamo, em ”centenas” de cursos custeados pela empresa. ”O ponto forte de se trabalhar numa cooperativa é a valorização do profissional”, avalia. O último curso feito por ele na empresa foi um MBA em Gestão Estratégica em Agronegócio.
Segundo o gerente de Recursos Humanos da cooperativa, Jorge Carrozza, a concorrência para trabalhar na Coamo é grande. ”Já tivemos caso de 12 pessoas disputarem a mesma vaga”, garante. A seleção consiste em análise de currículo e entrevistas.
A cooperativa emprega 5.500 pessoas, sendo que 20% da mão de obra é especializada, exigindo formação superior. Segundo o gerente, a rotatividade nas funções mais simples é ”normal” como em toda empresa, ”entre 10% e 12%” ao ano. Mas tende a ser menor nos cargos mais altos. ”Temos 35% dos nossos funcionários com mais de 10 anos na empresa”, conta.
Os salários, segundo ele, variam muito, mas estão na média do mercado. O mínimo na Coamo é de R$ 800 e os profissionais de nível superior ganham acima de R$ 2 mil. ”Nós enfatizamos o aproveitamento do pessoal da casa para os cargos de chefia. No ano passado, 15% do quadro foi promovido”, alega.
Em 2011, os funcionários da cooperativa contaram com 250 mil horas de treinamento realizadas com apoio do Serviço Nacional de Aprendizagem do Cooperativismo (Sescoop). A Coamo também oferece cursos de MBA em Gestão de Empresa. Já são 42 funcionários formados e 40 estão em formação. ”Em abril deste ano, vamos abrir uma turma com mais 50”, ressalta. A empresa também oferece planos de saúde e odontológico, além de seguro de vida.
por master | 22/03/12 | Ultimas Notícias
A conclusão a que se chega é a de que os empresários ainda estão receosos quanto à extensão e os efeitos da crise
O empresariado ainda não retomou a confiança no desenvolvimento da economia nacional. O cenário de crise externa e a queda na produção industrial registrada neste início de ano contribuiu para que o Índice de Confiança do Empresário Industrial (Icei), medido pela Confederação Nacional das Indústrias, atingisse a marca de 58,6 pontos neste mês. Apesar da leve recuperação, uma vez que em fevereiro o índice registrado foi de 58,2 pontos, está abaixo da média histórica, que é de 60 pontos. O Icei varia de zero a 100. Valores acima de 50 revelam otimismo e abaixo dos 50, pessimismo.
Na Região Sul, o Icei medido em março ficou em 56,8 pontos, ante 57,5 pontos em fevereiro. É o segundo pior resultado, ficando atrás apenas da Região Sudeste (56,4 pontos). Os mais otimistas são os nordestinos.
A melhora do resultado, na avaliação de especialistas, é que as medidas anunciadas pelo governo federal – como a redução da taxa de juros e a taxação sobre investimentos estrangeiros para evitar a apreciação do real frente ao dólar – já tenha surtido algum efeito. O Icei é utilizado para identificar mudanças na tendência da produção industrial. O indicador, inclusive, auxilia na previsão do produto industrial e, por conseguinte, do Produto Interno Bruto, uma vez que empresários confiantes tendem a aumentar o investimento e a produção para atender o esperado crescimento na demanda. Desta forma, a conclusão a que se chega é a de que os empresários ainda estão receosos quanto à extensão e os efeitos da crise. Por isso, ainda são urgentes medidas de estímulo à produção e ao consumo interno.
Coincidência ou não, o setor industrial que mais apresentou otimismo foi a construção civil, com 61,7 pontos. De fato, o panorama é positivo, uma vez que em ano eleitoral historicamente o volume de obras aumenta e, além disso, os investimentos do programa habitacional Minha Casa, Minha Vida vão contribuir para manter aquecido o segmento. No entanto, é importante que sejam tomadas medidas urgentes para que todos os setores industriais voltem a investir.