por master | 19/03/12 | Ultimas Notícias
Apenas 22,5% da população frequenta educação profissionalizante; Paraná está entre os três estados com índice maior de estudantes
Pelo menos 70% dos brasileiros não frequentam a educação profissionalizante por desinteresse. A pesquisa ”As Razões da Educação Profissional: Olhar da Demanda”, divulgada recentemente pelo Senai, Fundação Getúlio Vargas e Confederação Nacional da Indústria mostra que apenas 22,5% da população brasileira frequenta esse tipo de curso. Dos que começaram o curso e largaram, 55% alegaramm perda de interesse. Em contrapartida, o Paraná está entre os estados com índice maior de pessoas com educação profissional (4,74%). São Paulo (4,77%) e Roraima (5,62%).
”Esses números são resultados de uma tradição cultural focada na formação universitária bacharelesca”, diz o professor do Centro de Políticas Sociais da Fundação Getúlio Vargas, Marcelo Neri, que coordena a pesquisa. Para ele, há um grande paradoxo na sociedade brasileira, de se valorizar apenas o ensino superior. No entanto, o número de pessoas nas unidades é bem aquém do contingente populacional no Brasil.
”Os brasileiros ainda têm um preconceito com o ensino técnico. Contudo, isso está mudando. Houve um grande salto. Mais de 80% da população com idade ativa já fez algum curso profissionalizante. O desinteresse também vem diminuindo. O fato é que há uma onda jovem em busca dessas carreiras”, explica, lembrando que uma pessoa com nível médio completo tem salário 15% maior quando já concluiu um curso técnico.
Para o diretor regional do Senai no Paraná, Marco Antonio Areia Secco, o desinteresse pela educação profissional está atrelado a uma cultura imperial centrada nas profissões liberais como Direito, Medicina, Engenharia, entre outras, que vêm de séculos e se efetivou no presente. ”Isso refletiu no setor da indústria que ficou precarizada passando a ser vista como uma subfunção”, afirma. ”É possível ver em todas as esferas profissionais graduados atuando em funções de nível técnico”, acrescenta.
Segundo Secco, a falta de um movimento nacional para valorizar as profissões em nível técnico também colabora para o baixo índice da pesquisa. ”Com a aprovação do Programa Nacional de Acesso ao Emprego e Ensino Técnico (Pronatec), que, a partir do segundo semestre, oferece educação profissional gratuita para jovens, que estejam cursando ensino médio público, seja possível sanar esse gargalo de mão de obra técnica nos próximos dois, três anos”, prospecta.
Para amenizar o problema nos últimos quatro anos, o Senai investiu mais de R$ 100 milhões na estruturação de ambientes de ensino. A partir do segundo semestre coloca a disposição nas 44 unidades espalhadas pelo Paraná os cursos de tecnólogos em fabricação mecânica, meio ambiente, controle de obras, celulose e papel. Todos com duração de três anos. ”Com essa ação pretendemos acabar com as necessidades do mercado de trabalho. Nossos cursos são desenhados o mais próximo possível da realidade vivenciada pelas indústrias que é quem mais sofre com a demanda de profissionais técnicos”, afirma.
O gerente comercial do Instituto Profissionalizante de Educação e Cultura (IAPEC), Jonas Ambrózio, concorda com as opiniões e vai além. ”Os pais acreditam que a chave para o mercado de trabalho está apenas no ensino superior e nos tradicionais cursos de bacharelado. Não preparam os filhos desde a adolescência para o mercado de trabalho e quando se dão conta já é tarde”, frisa.
Para desmistificar essa ideia, na opinião do gerente, as instituições que trabalham na área devem fornecer informações relevantes, por meio de palestras, que demonstrem os benefícios dessa qualificação, além de procurar saber qual é a real necessidade do mercado de trabalho no momento, e o mais importante: o que será necessário para o futuro.
por master | 19/03/12 | Ultimas Notícias
“Dilma claramente sinaliza um esforço de inflexão dessa extraordinária mediocridade que resulta do loteamento político do governo, sem o qual, no entanto, não teria maioria para governar”
O tom da maioria dos comentaristas políticos quando aborda as trocas de liderança do governo no Congresso me deixa intrigado. Quase todos criticam a substituição do deputado Cândido Vacareza por Arlindo Chinaglia e do senador Romero Jucá pelo senador Eduardo Braga. Teria sido uma “inabilidade” da presidente Dilma Rousseff. Em geral são os mesmos que vêm ao longo do tempo, muitas vezes cobertos de razão, fazendo a crítica cáustica das mazelas do presidencialismo de coalização e de suas concessões – diria mesmo de sua natureza – de pés e mãos atadas ao fisiologismo, clientelismo e resultante corrupção que dominam a política brasileira. E ressaltam diariamente como isso se reflete na ocupação de cargos governamentais de primeiro escalão neste governo e nos anteriores.
Pois é de justiça reconhecer que a troca foi positiva! Em Chinaglia, temos um interlocutor para questões de interesse público que não tínhamos antes. Eduardo Braga certamente tem mais conteúdo que seu antecessor Jucá. Da mesma forma, todos os ministros, com exceção de Nelson Jobim, que caiu por outros motivos, foram substituídos por outros de muito a um pouquinho melhores. Dilma claramente sinaliza um esforço de inflexão dessa extraordinária mediocridade que resulta do loteamento político do governo, sem o qual, no entanto, não teria maioria para governar.
Essa é a realidade cruel da política brasileira, que só mudará com uma reforma política que reforce uma política programática e um serviço público de Estado com a necessária autonomia em relação à política eleitoreira e seus jogos de interesses. Reforma que dificilmente irá acontecer … É o drama de Dilma, mas é também o drama de todos nós que queremos mais república e menos fisiologismo, clientelismo e corrupção. A quadratura do círculo brasileira …
A imprensa aborda essa questão de forma tópica e sensacionalista. O escândalo do dia, a bola da vez, o judas da semana. Raramente desconstrói institucionalmente o sistema, corruptor por default , para usarmos linguagem digital. Nesse caso, os coleguinhas ressaltam aspectos periféricos (“fulano soube pelos jornais”, “Dilma foi antipática com beltrano”), e cinicamente assumem que foi um erro político ela ter melhorado a qualidade de sua interlocução parlamentar do ponto de vista do interesse público, embora, eventualmente, piorado sua condição na barganha tradicional com a pletora de grupos de interesse que compõem a maioria do parlamento. Lula, com a força de sua popularidade, teve lá atrás a oportunidade (ou várias oportunidades) de tentar mudar a política brasileira como ela é. Sequer tentou. Preferiu cooptar para si os esquemões tradicionais e jogar a política brasileira como ela é.
Hoje somos um país economica e socialmente mais avançado, depois de dezessete anos de governos das duas vertentes rivais da social-democracia com seus respectivos aliados do campo do atraso, para usar a imagem de Fernando Henrique. Politicamente e institucionalmente, estamos tão atrasados quanto estávamos. A corrupção está mais exposta, mas essa exposição não alavanca nenhuma mudança. Passou a ter um efeito desmobilizador e afastar cada vez mais da política quem poderia contribuir para melhorá-la. A própria crítica aparentemente tão implacável já parece ter sido cooptada para ser parte do jogo. Quando a crônica política faz da aparente “desfeita” da presidente aos seus ex-líderes o gancho da matéria e não ressalta que a troca foi, de fato, positiva, percebemos claramente o quanto a cultura da política brasileira como ela é tornou-se hegemônica, mesmo entre aqueles que diariamente aparentam criticá-la.
por master | 19/03/12 | Ultimas Notícias
Empresários começam a perceber que benefício criado com o lançamento do Plano Brasil Maior não é positivo para todos os setores envolvidos
Poucos meses depois do lançamento do ”Plano Brasil Maior”, criado pela lei nº 12.546 e Medida Provisória (MP) nº 540/2011 empresas dos 9 setores atingidos estão descobrindo que nem todos os benefícios oferecidos, como a desoneração da folha de pagamento para alguns setores, são positivos. ”Verificaram que, na prática, a desoneração da folha de pagamento, na forma oportunizada, significa um aumento e não uma diminuição do recolhimento, que é a proposta da iniciativa do governo”, afirma o advogado Carlos Crespi, especialista em direito Tributário.
Com o objetivo de ajudar alguns setores a melhorar a sua competitividade, a lei definiu que alguns segmentos como os de informática e de confecção, ao invés de recolherem algumas contribuições sobre a folha de salários – (20%), como é o normal -, poderiam calculá-las sobre o faturamento bruto, sob alíquotas de 1,5% ou 2,5%. Os índices atraíram muitos empresários que adotaram os ”benefícios” e agora estão tendo prejuízos.
Carlos Crespi explica que a lei realmente beneficia as empresas com folha de salários alta e faturamento baixo. ”O mesmo não se aplica às que têm faturamento alto e folha de salários baixa. É um benefício fiscal que, a depender do caso, é um verdadeiro presente de grego”, conta. Para ele, a oferta do benefício da forma como se apresenta favorece mal-entendidos, levando o empresário a acreditar que a lei se aplica a todas as empresas dos setores citados. Ele avalia que os que se sentirem ”enganados” têm pelo menos dois argumentos para contestar judicialmente essa nova cobrança: violação ao princípio da igualdade (pois não existe um critério claro de discriminação) e a sobrecarga da receita bruta, que já é tributada pelo PIS e pela Cofins.
O presidente do Sescap Londrina, Marcelo Esquiante, reforça a importância dos empresários tomarem o cuidado de consultar seus contadores e assessoria jurídica sempre que houver alguma mudança, se protegendo de eventuais prejuízos. ”Independente de ser ou não atrativo, cada empresa tem particularidades e a lei que beneficia uma pode sim não ser interessante para a outra”, diz. Quanto à lei que permite a desoneração da folha de pagamento para alguns setores, Esquiante lembra que a adesão não é obrigatória.
O presidente da Fenacon, Valdir Pietrobom, declara que a entidade é contrária a este tipo de iniciativa. ”Esta lei, embora estabeleça um prazo limitado, protege alguns setores, criando disparidades no mercado, já que o peso dos encargos na folha de pagamento é um problema que todos vivenciam. Acreditamos que, ou o governo beneficia a todos os setores ou a nenhum”.
Para a Fenacon a perda de competitividade das empresas brasileiras não será contida com iniciativas como esta. Valdir Pietrobom afirma que além de uma reforma tributária ampla e urgente, é necessário mudar a ”cultura” do brasileiro. Ele defende que a redução da cobrança de tributos só vai ser possível quando todas as empresas pagarem os tributos cobrados. Pietrobom analisa que se todos pagarem, todos podem pagar menos. O consumidor também tem grande responsabilidade neste quesito, afirma, ao lembrar que ainda são poucos os que pedem nota fiscal, única forma de obrigar que todo ciclo de produção e comercialização recolha os impostos devidos.
por master | 19/03/12 | Ultimas Notícias
Dez dos 15 desembargadores presentes na Corte Especial entenderam que corte de rendimento acima do teto não pode ser feito por liminar. Com isso, os vencimentos acima dos R$ 26,7 mil – o salário dos ministros do STF – continuarão a ser pagos na Câmara e no Senado
O Tribunal Regional Federal da 1ª Região manteve os pagamentos desupersalários a deputados, senadores e servidores do Congresso. Com isso, um grupo indefinido de políticos e ao menos 1.588 servidores vão continuar ganhando mais que o teto constitucional, hoje fixado em R$ 26.723 por mês. Na noite de quinta-feira (15), dez dos quinze desembargadores presentes à sessão da Corte Especial entenderam que não seria possível à 9ª Vara Federal de Brasília determinar o corte de remunerações de políticos e servidores por meio de uma liminar judicial. O caso continua tramitando sob os cuidados da Justiça de primeira instância, mas o juiz da 9ª Vara só poderá determinar o corte nos salários depois de terminar o julgamento do processo, o que pode levar meses ou até anos.
No ano passado, o presidente do TRF-1 e relator do caso, Olindo Menezes, havia liberado o pagamento de supersalários no Senado e na Câmara. Em seu voto ontem à noite, ele disse não ser a favor do pagamento de remunerações além do teto. Para ele, porém, uma decisão sobre um “assunto tão complexo” não poderia ser dada por liminar – decisão provisória que suspende efeitos de um ato ou lei. , mas entendia que uma liminar de primeira instância não poderia tratar de um assunto “tão complexo”. Além disso, Olindo fez o seguinte raciocínio: para ele, se os funcionários da Câmara e do Senado ficassem limitados a ganhar R$ 26,7 mil – o vencimento pago aos ministros do Supremo Tribunal Federal, as atividades seriam “paralisadas” e “inviabilizadas”.
O entendimento de Olindo Menezes foi acompanhado por dez dos quinze desembargadores presentes, num julgamento de 45 minutos, que começou às 19h02. Só cinco magistrados se opuseram à tese do desembargados.
Só Legislativo recorreu
No ano passado, o juiz substituto da 9ª Vara Federal, Alaôr Piacini, concedeu liminar ao Ministério Público determinando que o Poder Executivo, a Câmara e o Senado parassem de pagar salários acima do teto, como manda a Constituição. Só o Legislativo recorreu, mas teve seus recursos negados por unanimidade pela 2ª Turma do TRF-1, quando Francisco Betti e Neuza Alves seguiram o voto da relatora Mônica Sifuentes. Eles confirmaram a decisão do juiz de primeira instância.
Inconformados, o Senado e a Câmara recorreram ao presidente do tribunal. Menezes suspendeu a decisão de Piacini no final de agosto e início de setembro. Agora, mais de seis meses depois, o presidente do TRF-1 levou o caso a julgamento.
Recursos até o Supremo
Com a decisão da Corte Especial, o caso continua a tramitar na 9ª Vara Federal, que pode levar meses ou até anos para concluir o julgamento final. Paralelamente, o Ministério Público pode recorrer ao Superior Tribunal de Justiça (STJ). A reportagem não conseguiu falar com o procurador regional da República responsável pelo caso.
Enquanto isso, na 9ª Vara, é necessário esperar a sentença definitiva. Com a sentença, deverá haver uma série de recursos do Legislativo e do Ministério Público até o Supremo. Da primeira instância, recorrem à 2ª Turma do TRF, onde Senado e Câmara já perderam uma primeira vez. Depois, podem ir ao STJ e, em seguida, ao Supremo Tribunal Federal.
Como vem mostrando o Congresso em Foco, os supersalários são pagos a políticos, autoridades, magistrados e servidores de todos os Poderes, dentro e fora de Brasília. No Congresso, até o presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), recebe acima do teto. Com cerca de 7 mil funcionários efetivos, o Congresso tem 1.588 servidores (quase um quarto)ganhando mais do que prevê a Constituição.
por master | 19/03/12 | Ultimas Notícias
No Paraná, o setor foi responsável por 8.407 das novas vagas; em Curitiba foram 2.948 contratações e em Londrina 1.332
O Paraná registrou crescimento de 0,56% no saldo de assalariados com carteira assinada em fevereiro, em relação ao estoque de janeiro. No segundo mês do ano, foram gerados 14.075 postos de trabalho em todo o Estado. Em Curitiba, o incremento foi de 0,65%, com um total de 4.546 novas vagas. Já em Londrina, 1.469 postos foram criados, o que representa acréscimo de 0,96% em relação ao mês anterior. De modo geral, o setor de serviços foi o que mais contribuiu para o incremento. Os dados são do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), divulgados ontem.
No Paraná, os serviços geraram 8.407 novos postos, seguido pela indústria de transformação (3.303), comércio (1.349) e construção civil (1.231). Nos últimos 12 meses, o crescimento no nível de emprego no Estado foi de 4,79%, com um total de 115.768 vagas de trabalho. Esse resultado foi o melhor da Região Sul.
Em Curitiba, o setor de serviços foi responsável por 2.948 contratações, com variação de 0,81%. Construção civil veio na sequência, com 732 vagas (1,43%); o comércio ocupou a terceira posição, com 669 novos postos (0,44%) e a indústria de transformação foi o quarto principal setor, com a criação de 127 vagas (0,12%).
Dos 1.469 empregos criados em Londrina no segundo mês do ano, 1.332 foram de serviços, que registraram variação de 1,87% ante o mês anterior. A agropecuária teve a segunda maior participação, com a geração de 135 vagas (5,38%) e o terceiro lugar ficou para a indústria de transformação, que teve incremento de 0,46%, responsável por 127 novas vagas com carteira assinada.
Para o economista Fabiano Camargo da Silva, do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), o destaque do setor de serviços é sazonal e se deve, provavelmente, às ferias de começo de ano. ”Neste período, as pessoas gastam mais com viagem e hospedagem, por exemplo”, elencou. Outra possibilidade citada por ele é a contratação de professores para o início do ano letivo.
O economista observou ainda que, embora serviços tenham o maior número em termos absolutos, é necessário atentar para a variação percentual da construção civil. No Paraná, o saldo deste setor teve variação de 0,80% ante 0,94% de serviços e em Curitiba o percentual foi de 1,43% para a construção civil e 0,81% para serviços. ”No ano, a variação de emprego da construção se destacou no Estado, com 3,53% de crescimento, enquanto serviços ficou com 1,86%”, comparou. Na capital, o setor também foi o que mais cresceu neste ano (5,43%).
Silva credita o bom resultado do setor, tanto no Brasil quanto no Paraná, ao aquecimento da habitação, ”motivado pelo aumento da renda e também às grandes obras, como a Copa do Mundo e as Olimpíadas”.
Em uma avaliação geral dos índices de emprego, ele observou que apesar de os números serem positivos, não chegam nem perto do patamar de 2010. ”que foi um ano excelente de crescimento da economia”. ”Em contrapartida, 2011 não foi bom. Apesar da crise, o Governo acredita no mercado interno e espera que 2012 registre crescimento da economia e do emprego superior ao do ano passado”, disse. ”Temos esperança que isso aconteça porque já está sinalizado um cenário mais positivo”, completou.