por master | 09/03/12 | Ultimas Notícias
A presidente Dilma Rousseff escolheu a engenheira Magda Maria de Regina Chambriard como nova diretora-geral da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP). Chambriard já ocupava cargo de diretora de Gás Natural e Biocombustíveis da agência reguladora e, portanto, não precisará passar por nova sabatina no Senado para ser nomeada. A data em que assume o cargo ainda não foi anunciada.
Ela irá substituir o ex-diretor-geral Haroldo Lima, que deixou o cargo em dezembro do ano passado. Até então, o comando da agência era ocupado interinamente pelo diretor Florival Roddrigues de Carvalho.
A decisão foi divulgada nesta quinta-feira (8) em nota da Secretaria de Imprensa do Planalto. A mudança no comando da agência ocorre um mês após Dilma escolher a engenheira Maria das Graças Silva Foster como nova presidente da Petrobras.
Funcionária de carreira, atuou por mais de 20 anos na Petrobras, onde começou a trabalhar em 1980 como engenheira estagiária. Integrou a Área de Novos Negócios de Exploração e Produção do órgão, na negociação de campos de petróleo.
Perfil
Natural do Rio de Janeiro, Magda Maria de Regina Chambriard – que não tem filiação partidária – é formada em Engenharia Civil pela Escola de Engenharia da Universidade Federal do RJ.
Chegou à ANP em 2002 como assessora de Diretoria, com atuação principalmente nas áreas de exploração e produção. Em 2005, assumiu a Superintendência de Exploração (SEP) da ANP, na qual foi responsável pela regulação e fiscalização das atividades em todo o território nacional. As informações são da própria agência.
Em 2008, foi indicada para ocupar o cargo de diretora da ANP e, em outubro daquele ano, foi aprovada pelo plenário do Senado para assumir a função.
por master | 09/03/12 | Ultimas Notícias
O protecionismo do Brasil em relação a sua indústria é uma ‘receita para o declínio industrial’, afirma a revista britânica The Economist em sua edição mais recente.
A atual disputa entre Brasil e México a respeito de um acordo de 2002 que permite o livre comércio de carros entre os dois países, segundo a revista, mostra as diferenças entre os modelos industriais dos dois países.
Já o Brasil, cuja política, de acordo com a Economist, obrigou as empresas a abrirem fábricas locais para suprirem a demanda interna por carros, exportou somente 540 mil dos 3,4 milhões de veículos produzidos em 2011, faturando meros US$ 372 milhões, enquanto as exportações mexicanas renderam ao país US$ 2 bilhões.O México, com uma economia mais aberta após o Acordo de Livre Comércio Norte-americano (Nafta), se tornou uma base para montadoras de todo o mundo e, no ano passado, exportou 2,1 milhões dos 2,6 milhões de veículos que produziu.
Por causa do menor faturamento, o país pressiona por mudanças no acordo com o México, que incluem o aumento da porcentagem de componentes locais nos veículos e a limitação das importações livres de impostos. Segundo a revista as autoridades brasileiras afirmam que montadoras americanas e asiáticas se beneficiam do acordo, fabricando carros no México que acabam sendo exportados para o Brasil.
‘O Brasil vê seu mercado doméstico como um bem a ser protegido. E vê as importações da China, mais baratas por causa do fortalecimento do real, como uma ameaça a sua indústria’, diz a publicação. O artigo ressalta que em 2011, a importação de carros pelo Brasil cresceu 30%, sendo que a de veículos fabricados na China teve um aumento de mais de 10 vezes.
Preocupação
A Economist afirma ainda que, apesar do revés que a indústria mexicana sofreu no início do Nafta, em 1994, a abertura à competição com empresas internacionais fez com que as indústrias locais que sobreviveram ao impacto se tornassem mais eficientes e impulsionassem um crescimento do percentual da indústria no PIB do país.
Já o Brasil teria ‘um problema de competitividade, e não de mercado’, nas palavras de um consultor de São Paulo, citado pela reportagem.
A revista indica que o protecionismo característico da política industrial brasileira pode ter sido o responsável pela queda do percentual de produção industrial no PIB de 17,2% em 2000 para 14,6% em 2011.
A diminuição da produção industrial, causada por impostos elevados e pelo peso dos encargos, também é considerada uma das razões pelas quais a economia brasileira cresceu somente 2,7% no ano passado.
A tentativa de estender o modelo protecionista ao Mercosul, segundo a revista, pode dificultar ainda mais o crescimento da indústria brasileira.
‘O Mercosul deveria fornecer um mercado maior para a indústria brasileira. Mas o Brasil está preso em uma série de impasses comerciais com a Argentina, que é ainda mais protecionista’, diz a Economist.
por master | 09/03/12 | Ultimas Notícias
A conquista do direito ao voto feminino ocorreu em etapas e períodos distintos no mundo. Da Europa às Américas, passando pela África e Ásia, as mulheres obtiveram o direito de escolher seus candidatos. Mas é necessário ampliar essas conquistas, segundo especialistas ouvidos pela Agência Brasil.
Ao visitar o Canadá, que faz parte do G20 (grupo dos países mais ricos do mundo), o ex-ministro do Tribunal Superior Eleitoral Walter Costa Porto disse ter se surpreendido com a conquista das eleitoras canadenses.
“Estive no Canadá e me surpreendi com a participação da mulher. Liberdade absurda. A não dependência do marido e de um casamento [por exemplo]. Evidentemente conquistaram seu papel na sociedade”, ressaltou o ex-ministro. No Dia Internacional da Mulher.
No Canadá, a mulher obteve o direito de votar em 1918. Onze anos depois, as mulheres lutaram contra uma decisão judicial que as impedia de assumir cargos no Senado. A história mostra que, desde então, as mudanças sociais em relação às mulheres foram se fortalecendo. Na vida familiar, as mudanças levaram à ampliação da inclusão feminina no mercado de trabalho – em 1991, 60% já faziam parte da mão de obra assalariada.
O ex-ministro lembrou também a trajetória das mulheres no Reino Unido, cuja participação feminina na política também foi tardia. Na década de 1910, havia protestos estimulados pelos defensores do direito ao voto, que conseguiram a conquista apenas em 1918 por meio do Representation of the People Act – ato do Parlamento britânico que levou à reforma da legislação eleitoral.
Segundo Costa Porto, as mulheres britânicas começaram a ocupar os espaços dos homens no mercado de trabalho e era impossível ignorar que a participação feminina havia se fortalecido. Ele explica que: “[Após fortes manifestações] os homens chegaram a um ponto que não tinham como negar o voto à mulher”.
Na França, o processo de participação feminina na política foi desencadeado pela Revolução Francesa (1789-1799). Apesar disso, no século 18, as vozes feministas que reivindicavam o direito ao voto e ao espaço no cenário político foram abafadas. Na época, os homens eram intolerantes com suas mulheres e seus filhos. Esse tratamento preocupava as mulheres que lutavam pelo sufrágio.
De acordo com a professora da Universidade de Brasília (UnB) Liliane Machado, especialista em feminismo, o movimento sufragista feminino no Brasil teve influência dos movimentos feministas da Europa e dos Estados Unidos. “Esses movimentos já tem uma longa data e tem uma experiência de vários departamentos que trabalham com isso [luta pelos direitos das mulheres]”.
Para a representante da Organização das Nações Unidas (ONU) Mulheres Brasil e Cone Sul, Rebecca Tavares, a eleição de presidentas no Chile (ex-presidenta Michelle Bachelet), na Argentina (a atual presidenta Cristina Kirchner) e no Brasil (Dilma Rousseff) não significa que as mulheres têm pleno acesso às esferas de representação política.
“As mulheres como presidentas têm [uma grande] popularidade, mas as mulheres como parlamentares não têm esse sucesso. Na América Latina, 22% dos parlamentares são mulheres. Não diria que o sucesso das mulheres como presidentas é um indicador de que elas o têm pelo acesso à participação política”, disse Rebecca Tavares.
A representante da ONU acrescentou ainda que o desenvolvimento econômico e a participação política não estão ligados. Como exemplo, ela citou uma das nações mais importantes do mundo, os Estados Unidos, que até hoje não elegeram uma presidenta. “A desigualdade de gênero e a discriminação existem em todo o mundo, independentemente de nível de desenvolvimento econômico. Nos Estados Unidos, a participação de mulheres no Parlamento está muito abaixo da média”, disse ela.
De acordo com Costa Porto, em alguns estados norte-americanos, as mulheres já votavam no século 19. Nessa época, elas se envolveram na abolição da escravatura. Susan Brownell Anthony, uma das engajadas nessa luta, também levou a proposta para a aprovação da emenda de concessão o direito ao voto para as mulheres.
por master | 09/03/12 | Ultimas Notícias
Dados da pesquisa revelam que desigualdade segue estável desde 2009.
Rendimento médio da mulher representa 72,3% do que ganha um homem.
O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE) revelou, nesta quinta-feira (8), que a diferença de renda entre homens e mulheres no Brasil não diminui desde 2009. A desigualdade de gênero no mercado de trabalho é uma das principais bandeiras dos movimentos sociais que defendem os direitos das mulheres. Segundo o IBGE, o rendimento médio da mulher brasileira equivale a 72,3% da renda média dos homens, ou seja, o salário das mulheres permanece 28% inferior aos dos homens .
Em 2011, o rendimento médio dos homens era de R$ 1.857,63. As mulheres, porém, ganharam em média R$ 1.343,81, apesar de terem mais escolaridade. A razão da remuneração do trabalho entre mulheres e homens foi de 72,3% no ano passado, número que tem se mantido estável nos últimos três anos e é apenas 1,5% ponto porcentual desde 2003.
De acordo com o IBGE, apesar de a mulher tem conquistado mais espaço no comércio e na prestação de serviços, o panorama do mercado de trabalho, em relação à divisão por sexo, se manteve praticamente inalterado entre 2003 e 2011.Embora sejam maioria na população ativa (representada por pessoas com dez anos ou mais de idade), as mulheres são minoria em quatro dos seis principais ramos da economia: indústria, construção, comércio e serviços prestados a empresas. Profissionais do sexo feminino só são maioria nos cargos da administração pública e no serviço doméstico, onde apenas 5,2% dos trabalhadores são homens.
As exigências do mercado de trabalho também são maiores para as mulheres do que para os homens. Segundo os dados divulgados na análise comparativa do instituto, a porcentagem de mulheres e homens com mais de 11 anos de estudo ou com superior completo no mercado avançaram em todos os setores nos últimos oito anos, mas as mulheres continuam sendo maioria nesse quesito – em nenhum setor, com exceção do serviço doméstico, as mulheres com menos de 11 anos de estudo são maioria. Já a maioria dos homens que trabalham no setor privado sem carteira assinada, ou atuam por conta própria, estudou menos que 11 anos.
por master | 09/03/12 | Ultimas Notícias
“Leva um longo tempo para se tornar jovem” (Pablo Picasso)
Em oito de março, comemora-se o Dia Internacional da Mulher. Nada mais justo do que dedicar a elas este artigo, em reconhecimento a tudo que devo às muitas mulheres que passaram por minha vida, em meus quase cinquenta anos de idade. A começar pela própria vida, que devo à minha mãe, Raimunda. Batalhadora incansável, ela sempre lutou pelo sucesso dos sete filhos que trouxe ao mundo para constituir a família Granjeiro. A ela se juntou, mais tarde, Ivonete, a quem me uni pelo matrimônio e que é mãe de meus dois filhos, Gabriel e Matheus. Ao homenagear as duas, rendo minha homenagem também às centenas de mulheres que ao longo dos anos me ajudaram – e ainda ajudam – em meu trabalho de educador e empreendedor.
No serviço público brasileiro, as mulheres são hoje maioria. Correspondem a 55% dos servidores. Causa ou consequência disso, nos concursos públicos elas também predominam sobre os homens, seja em quantidade, seja até, eu diria, em qualidade. No nosso Gran Cursos, elas também os superam com grande vantagem.
Não à toa, temos uma mulher na presidência da República, temos ministras de Estado, temos deputadas, temos senadoras, temos prefeitas. Esse talvez seja mais um dos efeitos da globalização, já que o domínio feminino está ocorrendo em todo lugar. Basta mencionar, por exemplo, as líderes Angela Merkel, Cristina Kirchner e Hillary Clinton. As mulheres um dia serão donas do mundo, tenho certeza.
Ao pesquisar o tema da questão feminina para este artigo, encontrei em minha caixa de e-mails um vídeo que mexeu com a minha sensibilidade. Cada palavra que ouvi nele se encaixa como uma luva naquilo que desejo dizer às homenageadas do mês. O título é “Jane Fonda: o terceiro ato da vida”. Nele, essa grande e linda atriz dos anos 1960/1980 deixa uma importante mensagem sobre tema que tem me preocupado muito, já que estou prestes a me tornar um cinquentão.
Lady Jayne Seymour Fonda nasceu em Nova Iorque e é uma mulher que, embora cultuada pela beleza nas telas, sempre marcou presença por suas ideias. O vídeo que tanto me impressionou é justamente de uma de suas palestras. Reproduzo as palavras de Jane, na íntegra, com a certeza de que a mensagem ajudará a tornar todos os que a lerem pessoas melhores, mais amigas, mas tolerantes, menos belicosas, mais gratas, e, sobretudo, mais capazes de amar o próximo, o seu trabalho e a si mesmas. É uma leitura indicada a meus professores, meus funcionários e meus alunos, e não apenas às mulheres, mas aos homens também.
Boa leitura e aproveitem os pensamentos de Jane Fonda, uma mulher excepcional!
“Houve muitas revoluções no último século, mas talvez nenhuma tão significativa quanto a revolução da longevidade. Estamos vivendo, em média, hoje, 34 anos a mais do que nossas bisavós. Pensem sobre isso. Isso é um completo segundo período de vida adulta, que foi adicionado à nossa expectativa de vida. E, ainda assim, para a maior parte, nossa cultura ainda não se posicionou sobre o que isso significa. Ainda estamos vivendo com o velho paradigma da idade como um arco. Essa é a metáfora. A velha metáfora. Você nasce, atinge o auge na meia idade e declina para a decrepitude.
Idade como patologia. Mas muitas pessoas hoje – filósofos, artistas, médicos, cientistas – estão lançando um novo olhar para o que chamo de terceiro ato: as três últimas décadas da vida. Eles percebem que isso é, na verdade, um estágio de desenvolvimento da vida com sua própria significância, tão diferente da idade madura quanto a adolescência é da infância. E estão questionando – todos nós deveríamos estar questionando – como usamos esse tempo? Como vivê-lo com sucesso?
Qual é a nova metáfora apropriada para envelhecimento? Passei o último ano pesquisando e escrevendo sobre esse assunto. E descobri que uma metáfora mais adequada para o envelhecimento é uma escadaria – a ascensão para o topo do espírito humano, trazendo-nos para a sabedoria, completude e autenticidade. De forma nenhuma a idade como patologia; idade como potencial. E adivinhem: esse potencial não é para poucos felizardos. Acontece que a maioria das pessoas acima de 50 sente-se melhor e menos estressada, e menos hostil, menos ansiosa. Tendemos a ver os itens comuns mais que as diferenças. Alguns dos estudos dizem até mesmo que somos mais felizes. Isso não é o que o que eu esperava, acreditem. Venho de uma longa linhagem de depressivos.
Quando me aproximava dos meus 40 anos, assim que eu acordava de manhã, meus seis primeiros pensamentos eram todos negativos. E me assustei. Pensava: Puxa vida, vou me tornar uma velhota mal humorada. Mas, agora que eu estou, de fato, precisamente no meio do meu terceiro ato, percebo que nunca fui mais feliz. Tenho uma tremenda sensação de bem-estar. E descobri que quando você está dentro da velhice, em vez de olhar para ela do lado de fora, o medo se aquieta. Você nota, você ainda é você mesma.
Não quero romantizar o envelhecimento. Obviamente, não há garantia de que ele seja um tempo de fruição e crescimento. Alguma coisa disso é, obviamente, genética. Um terço disso, de fato, é genético. E não há muito que possamos fazer sobre isso. Mas isso significa que, para dois terços, quão bem desempenhamos no terceiro ato, podemos fazer algo. Vamos examinar o que podemos fazer para tornar esses anos adicionais realmente bem-sucedidos e usá-los para fazer a diferença. Deixem-me dizer algo sobre a escadaria, que parece ser uma metáfora esquisita para os idosos, considerando o fato de que muitos idosos são desafiados por escadas. Eu mesma estou incluída.
Como sabem, o mundo inteiro opera com uma lei universal: entropia, a segunda lei da termodinâmica. Entropia significa que tudo no mundo está num estado de declínio e decadência, o arco. Há apenas uma exceção a essa lei universal, e isso é o espírito humano, que pode continuar a evoluir em direção ao topo da escadaria, trazendo-nos para a completude, a autenticidade e a sabedoria.
E aqui está um exemplo do que quero dizer. Essa ascensão rumo ao topo pode acontecer face a desafios físicos extremos. Cerca de três anos atrás, li um artigo no New York Times. Era sobre um homem chamado Neil Selinger, 57 anos de idade, um advogado aposentado que tinha se juntado ao grupo de escritores da Faculdade Sarah Lawrence, onde encontrou sua voz como escritor.
Dois anos depois, ele foi diagnosticado com esclerose lateral amiotrófica, comumente conhecida como doença de Lou Gehrig. É uma doença terrível, é fatal. Ela devasta o corpo, mas a mente permanece intacta. Em seu artigo, o Sr. Selinger escreveu o seguinte para descrever o que estava acontecendo com ele.
E cito: “À medida que meus músculos enfraqueciam, minha escrita se tornava mais forte. À medida que lentamente perdia minha fala, ganhava minha voz. À medida que encolhia, eu crescia. No momento em que perdi tanto, finalmente comecei a encontrar a mim mesmo.”
Neil Selinger para mim é a personificação da subida da escadaria em seu terceiro ato. Todos nasceram com espírito, todos nós, mas, às vezes, ele fica soterrado debaixo dos desafios da vida, da violência, do abuso, da negligência. Talvez nossos pais sofressem de depressão. Talvez eles não fossem capazes de nos amar, além daquilo que realizamos no mundo. Talvez ainda soframos com uma dor psíquica, uma ferida.
Talvez experimentemos a sensação de que muitos de nossos relacionamentos não tiveram uma conclusão. E assim podemos nos sentir inacabados. Talvez a tarefa do terceiro ato seja terminar a tarefa de encerrar a nós mesmos.
Para mim, ele começou quando me aproximava do meu terceiro ato, meu aniversário de 60 anos. Como era para eu viver? O que era para eu realizar nesse ato final? E percebi que deveria saber onde estivera. Então, voltei e estudei meus dois primeiros atos, tentando ver quem eu era na época, quem realmente era, não quem meus pais ou outras pessoas me disseram que eu era, ou me tratavam como se eu fosse. Mas, quem eu era? Quem foram meus pais, não como pais, mas como pessoas? Quem foram meus avós? Como eles trataram meus pais? Esse tipo de coisa.
Descobri, alguns anos atrás, que esse processo pelo qual passei é chamado pelos psicólogos de ¢fazer uma análise da vida¢. E dizem que ela pode dar nova significância, clareza e sentido à vida de uma pessoa. Você pode descobrir, como eu, que muitas coisas que você costumava pensar que eram falhas suas, muita coisa que costumava pensar sobre você mesma, na verdade não tinham nada a ver com você. Não era falha sua; você estava bem.
Você é capaz de se libertar, de se libertar do seu passado. Você pode mudar sua relação com seu passado. Enquanto estava escrevendo sobre isso, encontrei um livro chamado ¢Em busca de sentido¢, de Viktor Frankl. Viktor Frankl foi um psiquiatra alemão, que passou cinco anos em um campo de concentração nazista. Ele escreveu que, enquanto estava no campo de concentração, poderia dizer, se eles (prisioneiros) fossem libertados, quais pessoas estariam ok e quais não estariam. E ele escreveu isto: Tudo o que você tem na vida pode ser tirado de você, exceto uma coisa: sua liberdade de escolher como você responderá à situação.
Isso é o que determina a qualidade de vida que vivemos, não se fomos ricos ou pobres, famosos ou anônimos, saudáveis ou sofredores. O que determina nossa qualidade de vida é como nos relacionamos a essas realidades, que tipo de significado atribuímos a elas, que estado mental permitimos que elas incitassem. Talvez o objetivo principal do terceiro ato seja voltar e tentar mudar nossa relação com o passado. Acontece que estudos cognitivos demonstram que, quando somos capazes de proceder assim, isso se manifesta neurologicamente em caminhos neurais no cérebro.
Veja se você, ao longo do tempo, reagiu negativamente a eventos passados e a pessoas. Caminhos neurais são configurados por sinais químicos e elétricos que são enviados através do cérebro. Com o tempo, esses caminhos neurais se estabelecem, eles se transformam na norma, mesmo se são ruins para nós porque nos causam estresse e ansiedade. Contudo, se pudermos voltar e alterar nossa relação, reavaliar nossos relacionamentos com pessoas e eventos do passado, os caminhos neurais podem mudar.
E se pudermos manter sentimentos mais positivos sobre o passado, isso se torna o novo modelo. É como reajustar o termostato. Não é ter experiências que nos torna sábios, é refletir sobre as experiências que tivemos que nos faz sábios e que nos ajuda a ser completos, traz sabedoria e autenticidade. Isso ajuda a nos tornar o que poderíamos ter sido. Mulheres começam completas, não começamos? Quero dizer, como meninas, começamos irritadiças – É, quem disse? Temos atuação. Somos os sujeitos de nossas próprias vidas. Mas, muito frequentemente, muitas, se não a maioria de nós, quando alcançamos a puberdade, começamos a nos preocupar com ajustar-nos e sermos populares. E nos tornamos os sujeitos e objetos da vida de outras pessoas. Agora, em nosso terceiro ato, talvez seja possível para nós percorrer de volta o círculo até onde começamos e conhecê-lo pela primeira vez. E se pudermos fazer isso, não será apenas para nós mesmas. Mulheres mais velhas são o maior contingente demográfico do mundo. Se pudermos voltar e redefinir a nós mesmas e nos tornar completas, isso criará uma mudança cultural no mundo e dará um exemplo às gerações mais jovens, para que elas possam repensar suas próprias expectativas de vida.”