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Sexto estádio no Mundial sofre com greve de operários

Sexto estádio no Mundial sofre com greve de operários

DE SÃO PAULO – Operários que realizam a reforma do Castelão para a Copa de 2014 entraram em greve ontem em Fortaleza. Reivindicam salários atrasados, pagamentos defasados, cestas básicas e horas extras.

O estádio da capital cearense é o sexto do Mundial que enfrenta paralisações. Os outros foram em Belo Horizonte, Brasília, Rio, Recife e Salvador.

No caso da arena de Fortaleza, cerca de 500 trabalhadores, de um total de mil, pararam de trabalhar. São contratados por empresas terceirizadas pelo consórcio Galvão Andrade Mendonça, que toca, de fato, a reforma do estádio.

Esses operários têm menos direitos do que os contratados diretamente pela empresa, afirmaram sindicatos. O consórcio promete negociar.

A obra do Castelão é uma das mais adiantadas da Copa e alvo de elogios da Fifa. Tanto que o estádio receberá a seleção brasileira na primeira fase.

Sexto estádio no Mundial sofre com greve de operários

Índice coloca o Brasil à frente de outros países do grupo Brics

Segundo medição do economista Jim O’Neill, que cunhou a sigla, brasileiros têm melhores condições de crescimento
País supera a Rússia, a Índia e a China em itens como estabilidade, mas O’Neill vê problemas no real supervalorizado
PATRÍCIA CAMPOS MELLO
DE SÃO PAULO

O Brasil tem as melhores condições para crescimento e as maiores perspectivas de aumento de renda per capita entre todos os Brics. Isso é o que mostra o Índice de Condições de Crescimento (tradução livre de Growth Environment Score, ou GES, na sigla em inglês), criado por Jim O’Neill, o economista da Goldman Sachs que cunhou o termo Brics em 2001.

No ranking do índice, o Brasil vem em primeiro lugar, seguido de China, Rússia e Índia. “O Brasil vai se manter na liderança de condições de crescimento e continuará à frente da China”, disse O’Neill à Folha. “Acreditamos que a renda per capita do país [atualmente em cerca de US$ 13 mil] possa dobrar nos próximos 10 a 15 anos, aproximando-se do nível de algumas nações europeias.”

Mas o economista, que hoje é presidente do conselho da Goldman Sachs Administração de Ativos, faz uma advertência: o “excesso de popularidade” do Brasil é uma ameaça. “O Brasil é popular demais, especialmente sua moeda”, diz.

Para O’Neill, será “inevitável”, nos próximos anos, uma reversão da valorização do real. “É muito raro que uma moeda desafie os fundamentos de longo prazo como o real, que está valorizado demais.”

Segundo ele, é importante o governo brasileiro apertar a política fiscal para poder reduzir juros, o que diminuiria a atratividade do real para investidores estrangeiros. Senão, pode haver uma correção caótica da taxa de câmbio. “Quanto mais perdurar esse real sobrevalorizado, mais fraca ficará a indústria.”

A equipe de O’Neill elabora o índice GES desde 2005, acompanhando 180 países em 13 critérios: inflação, deficit público, taxa de investimento, abertura comercial, penetração de celulares, de computadores, média de anos de estudo secundário, expectativa de vida, estabilidade política, cumprimento de leis e corrupção.

O Brasil lidera os Brics porque, em algumas das variáveis mais difíceis -como corrupção, estabilidade política e educação-, o país tem pontuação melhor.

O’Neill admite que a boa colocação do Brasil em corrupção e educação pode causar surpresa. “Uma maneira de interpretar isso é que os outros Brics são muito, muito fracos”, afirma ele.

POUCA ABERTURA

Em contrapartida, o país vai muito mal em taxa de investimento sobre o PIB (20%, de acordo com o FMI) e abertura ao comércio internacional, com a pior pontuação entre os Brics.

E os outros Brics? A China precisa avançar muito em tecnologia e cumprimento de leis e regras; na Rússia, os pontos fracos são expectativa de vida, cumprimento de leis e corrupção; na Índia, corrupção, estabilidade política, educação e tecnologia precisam de grande melhora.
Sexto estádio no Mundial sofre com greve de operários

Índice coloca o Brasil à frente de outros países do grupo Brics

Segundo medição do economista Jim O’Neill, que cunhou a sigla, brasileiros têm melhores condições de crescimento
País supera a Rússia, a Índia e a China em itens como estabilidade, mas O’Neill vê problemas no real supervalorizado
PATRÍCIA CAMPOS MELLO
DE SÃO PAULO

O Brasil tem as melhores condições para crescimento e as maiores perspectivas de aumento de renda per capita entre todos os Brics. Isso é o que mostra o Índice de Condições de Crescimento (tradução livre de Growth Environment Score, ou GES, na sigla em inglês), criado por Jim O’Neill, o economista da Goldman Sachs que cunhou o termo Brics em 2001.

No ranking do índice, o Brasil vem em primeiro lugar, seguido de China, Rússia e Índia. “O Brasil vai se manter na liderança de condições de crescimento e continuará à frente da China”, disse O’Neill à Folha. “Acreditamos que a renda per capita do país [atualmente em cerca de US$ 13 mil] possa dobrar nos próximos 10 a 15 anos, aproximando-se do nível de algumas nações europeias.”

Mas o economista, que hoje é presidente do conselho da Goldman Sachs Administração de Ativos, faz uma advertência: o “excesso de popularidade” do Brasil é uma ameaça. “O Brasil é popular demais, especialmente sua moeda”, diz.

Para O’Neill, será “inevitável”, nos próximos anos, uma reversão da valorização do real. “É muito raro que uma moeda desafie os fundamentos de longo prazo como o real, que está valorizado demais.”

Segundo ele, é importante o governo brasileiro apertar a política fiscal para poder reduzir juros, o que diminuiria a atratividade do real para investidores estrangeiros. Senão, pode haver uma correção caótica da taxa de câmbio. “Quanto mais perdurar esse real sobrevalorizado, mais fraca ficará a indústria.”

A equipe de O’Neill elabora o índice GES desde 2005, acompanhando 180 países em 13 critérios: inflação, deficit público, taxa de investimento, abertura comercial, penetração de celulares, de computadores, média de anos de estudo secundário, expectativa de vida, estabilidade política, cumprimento de leis e corrupção.

O Brasil lidera os Brics porque, em algumas das variáveis mais difíceis -como corrupção, estabilidade política e educação-, o país tem pontuação melhor.

O’Neill admite que a boa colocação do Brasil em corrupção e educação pode causar surpresa. “Uma maneira de interpretar isso é que os outros Brics são muito, muito fracos”, afirma ele.

POUCA ABERTURA

Em contrapartida, o país vai muito mal em taxa de investimento sobre o PIB (20%, de acordo com o FMI) e abertura ao comércio internacional, com a pior pontuação entre os Brics.

E os outros Brics? A China precisa avançar muito em tecnologia e cumprimento de leis e regras; na Rússia, os pontos fracos são expectativa de vida, cumprimento de leis e corrupção; na Índia, corrupção, estabilidade política, educação e tecnologia precisam de grande melhora.
Sexto estádio no Mundial sofre com greve de operários

Geração de emprego no Paraná foi mais equilibrada em 2011

O estado criou 19% menos postos de trabalho no ano passado. Mesmo assim, aumentou o número de cidades com saldo positivo entre contratações e demissões


Desaceleração econômica pode trazer demissões, mas os resultados do Paraná em 2011 mostram que os dois fatos não andam necessariamente juntos. No ano passado, foram geradas no estado 19% menos vagas formais que em 2010, segundo o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged). Mesmo assim, o número de cidades com saldo positivo entre contratações e desligamentos aumentou – reflexo de um crescimento mais homogêneo e equilibrado no estado, segundo economistas.
Últimas do ranking tiveram quedas bruscas

As cidades que mais demitiram tiveram quedas bruscas na geração de empregos em 2011. Assim como Araucária, que caiu da 4.º posição em 2010 para a antepenúltima no ano passado, por causa do fim das obras na Repar, as duas últimas também despencaram na tabela em relação ao ano anterior. Rio Negro, a 100 quilômetros da capital, gerou 290 postos em 2010 e cortou 715 no ano passado, caindo da 76.ª para a 398.ª posição na criação de vagas. Ibaiti, no Norte Pio­neiro, criou 158 postos em 2010 e cortou 951, passando da 119.ª posição para a última do ranking.

De acordo com o prefeito de Rio Negro, Alceu Ricardo Swarowski, a safra de fumo é um dos principais motores da cidade e anualmente contrata e demite trabalhadores. Entre­tanto, segundo ele, nesta última safra as contratações se concentraram em 2010 e as demissões em 2011, o que fez com que a cidade despencasse no ranking.

“A unidade de processamento de fumo da Souza Cruz acrescenta ou reduz cerca de 800 postos de trabalho. O que ocorreu é que as contratações da safra passada se concentraram em dezembro de 2010 e foram computadas naquele ano. As demissões ficaram todas em 2011 e só agora, no início de janeiro, é que se voltou a contratar”, pondera Swarowski.

Na entressafra do fumo, segundo o prefeito de Rio Negro, os trabalhadores se deslocam para a agricultura, seja em propriedades próprias ou terceirizadas. As prefeituras de Araucária e Ibaiti foram procuradas para comentar o desempenho das cidades no ano passado, mas não deram retorno até o fechamento da reportagem.

Retração foi mais suave no estado

O ano de 2011 foi o quarto melhor em geração de empregos no Para­­ná, de acordo com dados do Ca­­dastro Geral de Empregados e De­­sempregados (Caged). Apesar da queda na criação de postos de trabalho em relação a 2010, o Paraná se manteve entre os quatro maiores estados no ranking da geração de empregos. A desaceleração em 2011 foi mais suave que a da média nacional, na qual o saldo de contratações caiu 23,5% – o que, se­­gundo economistas, revela o dinamismo da economia paranaense.

O Paraná gerou cerca de 124 mil vagas em 2011, 19,4% a menos que em 2010, quando foram criados 153 mil novos empregos – apenas São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro criaram mais vagas de trabalho que o Paraná. Nos últimos dez anos, o estado tem oscilado na participação de geração de empregos no país, respondendo por entre 5,32% e 8,31% de todos os postos criados no Brasil.

“A oscilação não preocupa, já que o estado se manteve próximo à sua participação no Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro, na casa dos 6%”, diz Ricardo Kureski, professor de Economia da PUCPR e conselheiro do Conselho Re­­gional de Economia do Paraná (Corecon-PR).

Em 2011, 63 das 399 cidades paranaenses mais demitiram que contrataram (15,7% do total), contra um índice de 16,7% em 2010, quando 67 cidades haviam ficado com saldo negativo. Ou seja, o número de municípios com “geração líquida” de empregos passou de 332 para 336. “Essa é uma notícia boa. Um saldo positivo, mesmo em um ano de fraco desempenho, mostra um maior equilíbrio na geração de postos de trabalho no estado. A queda do ritmo da economia se refletiu de forma mais amena que o esperado”, avalia Cid Cordeiro, coordenador do Departamento Inter­sindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos no Paraná (Dieese-PR).

Curitiba, Maringá e São José dos Pinhais estão entre as 50 cidades que mais contrataram em todo o Brasil no ano passado, enquanto Araucária, Rio Negro e Ibaiti aparecem entre as 50 que mais demitiram – o problema para as “lanternas” está no tamanho do tombo na comparação entre 2010 e 2011.

“A economia paranaense está crescendo de forma homogênea, pulverizando os postos de trabalho e aumentando a renda pelo estado”, analisa o diretor-presidente do Instituto Paranaense de Desenvolvimento Econômico e Social (Ipardes), Gilmar Mendes Lourenço.

Rumos opostos

Apesar da queda no número de cidades com saldo negativo, o ranking paranaense teve poucas mudanças entre 2010 e 2011, com destaque – por motivos opostos – para São José dos Pinhais e Araucária, ambas na Região Metropolitana de Curitiba. Enquanto São José dos Pinhais ultrapassou grandes polos industriais do estado e passou da 8.ª para a 3.ª colocação no quadro das cidades que mais geraram empregos, Araucária passou do 4.º lugar entre as cidades que mais abriram vagas em 2010 para o 3.º posto entre as que mais demitiram em 2011.

Há explicação para os dois fenômenos. O ano de 2011 foi especialmente positivo para a indústria automobilística do Paraná, e as grandes montadoras e seus fornecedores – grande parte dessas empresas estão localizadas em São José dos Pinhais – aumentaram a produção e a geração de empregos. Em Araucária, por outro lado, estão chegando ao fim as obras da Petrobras na Refinaria Presidente Getúlio Vargas (Repar), que nos últimos anos recebeu investimento de R$ 10 bilhões e em 2010 havia atingido seu pico de contratações. Em razão do grande porte da obra, quando ela se aproxima do fim o saldo de desligamentos acaba sendo muito maior que o de contratações.

“São José dos Pinhais concentra o berço da indústria automobilística paranaense e também sua cadeia fornecedora. Ano passado foi um ano bom para o setor e isso alavancou a geração de empregos na cidade. Isso não significa que outras cidades tenham perdido o dinamismo, mas sim que São José dos Pinhais apresentou resultados acima da média. Em Araucária, os trabalhadores da obra da Repar começam a ser deslocados para outras localidades, por causa do fim da obra”, analisa o diretor-presidente do Ipardes.

Lapa e Colorado inverteram tendência

Além de cidades que inverteram bruscamente o saldo de vagas formais, como Araucária, Rio Negro e Ibaiti, outros municípios paranaenses apresentaram um “desvio de padrão” significativo no quadro de contratações. Um exem­­plo é a Lapa (Região Me­­tro­­politana de Curitiba), onde nos úl­­timos nove anos havia uma média anual de geração de 420 postos de trabalho. Em 2011, po­­rém, o saldo entre contratações e demissões foi de apenas 3. Em Colorado, no Nor­­te do estado, foram cortados 326 postos, ante uma média de 528 vagas nos nove anos anteriores.

A prefeitura da Lapa explicou, em nota, que a queda na geração de empregos na cidade não significa aumento do desemprego no município. Isso porque, segundo a nota, os trabalhadores da cidade têm se deslocado para Araucária e Curitiba por causa do baixo custo do transporte coletivo – ou seja, eles estão empregados, embora não em empresas da cidade.

Em Colorado, não houve deslocamento de mão de obra. De acordo com a gerente da Agência do Trabalhador da cidade, Vera Lan­za, a explicação para a queda é que as duas maiores geradoras de empregos na cidade tiveram mudanças em 2011. “A Usina Alto Alegre, que produz açúcar e álcool, deixou de contratar e desligar funcionários no período da safra, porque eles foram efetivados. Com isso, apesar de as contratações estarem em alta, os movimentos sazonais de contratação e desligamento diminuíram. E o frigorífico Frigoporto deixou de abater bois na cidade e passou a comprar os animais abatidos. Com isso, houve a demissão de 200 funcionários”, explica Vera.

Para o coordenador do Dieese-PR, Cid Cordeiro, são necessárias políticas públicas para interiorizar as empresas e diversificar a economia dos municípios. “Um in­­vestimento de uma grande em­­presa traz desenvolvimento às cidades. Mas, passado o benefício inicial, é preciso que o gestor local busque diversificar as empresas, para amenizar momentos de crise”, analisa Cordeiro.


Sexto estádio no Mundial sofre com greve de operários

Geração de emprego no Paraná foi mais equilibrada em 2011

O estado criou 19% menos postos de trabalho no ano passado. Mesmo assim, aumentou o número de cidades com saldo positivo entre contratações e demissões


Desaceleração econômica pode trazer demissões, mas os resultados do Paraná em 2011 mostram que os dois fatos não andam necessariamente juntos. No ano passado, foram geradas no estado 19% menos vagas formais que em 2010, segundo o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged). Mesmo assim, o número de cidades com saldo positivo entre contratações e desligamentos aumentou – reflexo de um crescimento mais homogêneo e equilibrado no estado, segundo economistas.
Últimas do ranking tiveram quedas bruscas

As cidades que mais demitiram tiveram quedas bruscas na geração de empregos em 2011. Assim como Araucária, que caiu da 4.º posição em 2010 para a antepenúltima no ano passado, por causa do fim das obras na Repar, as duas últimas também despencaram na tabela em relação ao ano anterior. Rio Negro, a 100 quilômetros da capital, gerou 290 postos em 2010 e cortou 715 no ano passado, caindo da 76.ª para a 398.ª posição na criação de vagas. Ibaiti, no Norte Pio­neiro, criou 158 postos em 2010 e cortou 951, passando da 119.ª posição para a última do ranking.

De acordo com o prefeito de Rio Negro, Alceu Ricardo Swarowski, a safra de fumo é um dos principais motores da cidade e anualmente contrata e demite trabalhadores. Entre­tanto, segundo ele, nesta última safra as contratações se concentraram em 2010 e as demissões em 2011, o que fez com que a cidade despencasse no ranking.

“A unidade de processamento de fumo da Souza Cruz acrescenta ou reduz cerca de 800 postos de trabalho. O que ocorreu é que as contratações da safra passada se concentraram em dezembro de 2010 e foram computadas naquele ano. As demissões ficaram todas em 2011 e só agora, no início de janeiro, é que se voltou a contratar”, pondera Swarowski.

Na entressafra do fumo, segundo o prefeito de Rio Negro, os trabalhadores se deslocam para a agricultura, seja em propriedades próprias ou terceirizadas. As prefeituras de Araucária e Ibaiti foram procuradas para comentar o desempenho das cidades no ano passado, mas não deram retorno até o fechamento da reportagem.

Retração foi mais suave no estado

O ano de 2011 foi o quarto melhor em geração de empregos no Para­­ná, de acordo com dados do Ca­­dastro Geral de Empregados e De­­sempregados (Caged). Apesar da queda na criação de postos de trabalho em relação a 2010, o Paraná se manteve entre os quatro maiores estados no ranking da geração de empregos. A desaceleração em 2011 foi mais suave que a da média nacional, na qual o saldo de contratações caiu 23,5% – o que, se­­gundo economistas, revela o dinamismo da economia paranaense.

O Paraná gerou cerca de 124 mil vagas em 2011, 19,4% a menos que em 2010, quando foram criados 153 mil novos empregos – apenas São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro criaram mais vagas de trabalho que o Paraná. Nos últimos dez anos, o estado tem oscilado na participação de geração de empregos no país, respondendo por entre 5,32% e 8,31% de todos os postos criados no Brasil.

“A oscilação não preocupa, já que o estado se manteve próximo à sua participação no Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro, na casa dos 6%”, diz Ricardo Kureski, professor de Economia da PUCPR e conselheiro do Conselho Re­­gional de Economia do Paraná (Corecon-PR).

Em 2011, 63 das 399 cidades paranaenses mais demitiram que contrataram (15,7% do total), contra um índice de 16,7% em 2010, quando 67 cidades haviam ficado com saldo negativo. Ou seja, o número de municípios com “geração líquida” de empregos passou de 332 para 336. “Essa é uma notícia boa. Um saldo positivo, mesmo em um ano de fraco desempenho, mostra um maior equilíbrio na geração de postos de trabalho no estado. A queda do ritmo da economia se refletiu de forma mais amena que o esperado”, avalia Cid Cordeiro, coordenador do Departamento Inter­sindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos no Paraná (Dieese-PR).

Curitiba, Maringá e São José dos Pinhais estão entre as 50 cidades que mais contrataram em todo o Brasil no ano passado, enquanto Araucária, Rio Negro e Ibaiti aparecem entre as 50 que mais demitiram – o problema para as “lanternas” está no tamanho do tombo na comparação entre 2010 e 2011.

“A economia paranaense está crescendo de forma homogênea, pulverizando os postos de trabalho e aumentando a renda pelo estado”, analisa o diretor-presidente do Instituto Paranaense de Desenvolvimento Econômico e Social (Ipardes), Gilmar Mendes Lourenço.

Rumos opostos

Apesar da queda no número de cidades com saldo negativo, o ranking paranaense teve poucas mudanças entre 2010 e 2011, com destaque – por motivos opostos – para São José dos Pinhais e Araucária, ambas na Região Metropolitana de Curitiba. Enquanto São José dos Pinhais ultrapassou grandes polos industriais do estado e passou da 8.ª para a 3.ª colocação no quadro das cidades que mais geraram empregos, Araucária passou do 4.º lugar entre as cidades que mais abriram vagas em 2010 para o 3.º posto entre as que mais demitiram em 2011.

Há explicação para os dois fenômenos. O ano de 2011 foi especialmente positivo para a indústria automobilística do Paraná, e as grandes montadoras e seus fornecedores – grande parte dessas empresas estão localizadas em São José dos Pinhais – aumentaram a produção e a geração de empregos. Em Araucária, por outro lado, estão chegando ao fim as obras da Petrobras na Refinaria Presidente Getúlio Vargas (Repar), que nos últimos anos recebeu investimento de R$ 10 bilhões e em 2010 havia atingido seu pico de contratações. Em razão do grande porte da obra, quando ela se aproxima do fim o saldo de desligamentos acaba sendo muito maior que o de contratações.

“São José dos Pinhais concentra o berço da indústria automobilística paranaense e também sua cadeia fornecedora. Ano passado foi um ano bom para o setor e isso alavancou a geração de empregos na cidade. Isso não significa que outras cidades tenham perdido o dinamismo, mas sim que São José dos Pinhais apresentou resultados acima da média. Em Araucária, os trabalhadores da obra da Repar começam a ser deslocados para outras localidades, por causa do fim da obra”, analisa o diretor-presidente do Ipardes.

Lapa e Colorado inverteram tendência

Além de cidades que inverteram bruscamente o saldo de vagas formais, como Araucária, Rio Negro e Ibaiti, outros municípios paranaenses apresentaram um “desvio de padrão” significativo no quadro de contratações. Um exem­­plo é a Lapa (Região Me­­tro­­politana de Curitiba), onde nos úl­­timos nove anos havia uma média anual de geração de 420 postos de trabalho. Em 2011, po­­rém, o saldo entre contratações e demissões foi de apenas 3. Em Colorado, no Nor­­te do estado, foram cortados 326 postos, ante uma média de 528 vagas nos nove anos anteriores.

A prefeitura da Lapa explicou, em nota, que a queda na geração de empregos na cidade não significa aumento do desemprego no município. Isso porque, segundo a nota, os trabalhadores da cidade têm se deslocado para Araucária e Curitiba por causa do baixo custo do transporte coletivo – ou seja, eles estão empregados, embora não em empresas da cidade.

Em Colorado, não houve deslocamento de mão de obra. De acordo com a gerente da Agência do Trabalhador da cidade, Vera Lan­za, a explicação para a queda é que as duas maiores geradoras de empregos na cidade tiveram mudanças em 2011. “A Usina Alto Alegre, que produz açúcar e álcool, deixou de contratar e desligar funcionários no período da safra, porque eles foram efetivados. Com isso, apesar de as contratações estarem em alta, os movimentos sazonais de contratação e desligamento diminuíram. E o frigorífico Frigoporto deixou de abater bois na cidade e passou a comprar os animais abatidos. Com isso, houve a demissão de 200 funcionários”, explica Vera.

Para o coordenador do Dieese-PR, Cid Cordeiro, são necessárias políticas públicas para interiorizar as empresas e diversificar a economia dos municípios. “Um in­­vestimento de uma grande em­­presa traz desenvolvimento às cidades. Mas, passado o benefício inicial, é preciso que o gestor local busque diversificar as empresas, para amenizar momentos de crise”, analisa Cordeiro.