por master | 10/02/12 | Ultimas Notícias
Atenas espera aprovação de acordo para receber pacote de € 130 bilhões
Taxa de desemprego no país sobe para 20,9% da população economicamente
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Thanassis Stavrakis/Associated Press
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Manifestantes protestam em Atenas contra cortes do governo
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RODRIGO RUSSO
DE LONDRES
O drama da Grécia ainda não chegou ao fim. No dia em que os líderes partidários anunciaram um acordo sobre novas e duras medidas de austeridade, a agência grega de estatísticas divulgou que o país alcançou nível recorde de desemprego.
Para agravar o cenário, as autoridades europeias receberam com desconfiança as medidas, que incluem demissões e redução no valor do salário mínimo. Para os ministros das Finanças da zona do euro, reunidos em Bruxelas, nada disso foi suficiente.
“As negociações ainda não cumprem as condições que descrevemos claramente no Conselho Europeu”, disse o ministro das Finanças da Alemanha, Wolfgang Schäuble.
O número de desempregados na Grécia chegou ao recorde de 20,9% da população economicamente ativa em novembro de 2011 -mais de 1 milhão de pessoas.
O resultado pode ser atribuído à aplicação de políticas de austeridade nos últimos dois anos: em novembro de 2010, 13,4% da população estava sem emprego.
Ainda assim, a coalizão política do primeiro-ministro Lucas Papademos, que inclui socialistas, conservadores e ultradireitistas, acerta novas medidas restritivas com o Banco Central Europeu, a Comissão Europeia e o Fundo Monetário Internacional.
Os credores sabem da posição delicada da Grécia: sem o acordo, o país não terá acesso a um novo empréstimo, de € 130 bilhões, fundamental para o pagamento de uma dívida de € 14,5 bilhões que vence em março. Um calote agravaria a situação e poria em risco a permanência do país na zona do euro.
Dessa maneira, a Europa consegue impor à Grécia medidas bastante impopulares, como um corte de 22% no salário mínimo (hoje de € 751), com redução adicional de 10% nos salários de menores de 25 anos, e a demissão, até 2015, de 15 mil funcionários públicos.
O salário mínimo ficará congelado por três anos. Para os demais níveis de renda, o congelamento dura até que o desemprego alcance o índice de 10%. Para preservar a Previdência, o ponto que travou as discussões, o país fará cortes adicionais de € 300 milhões em Defesa e outras áreas. No total, os cortes chegarão a € 3,3 bilhões.
A Grécia precisa reduzir sua dívida, hoje em 160% do PIB, para 120% até 2020. Para isso, o FMI e agências de classificação de risco consideram que apenas o acordo com os credores privados será insuficiente, e cobram maior participação do BCE.
Mario Draghi, presidente do banco, o maior credor individual do país, descartou a possibilidade de perder dinheiro para chegar a um acordo, mas deixou aberta a opção de abrir mão dos lucros que os títulos gerariam.
Os sindicatos locais convocaram uma nova greve geral para hoje e amanhã, além de manifestações contrárias às medidas de austeridade. O Parlamento deve votar o plano neste fim de semana.
Com eleições nos próximos meses, o governo já teve sua primeira baixa: Yannis Koutsoukos, vice-ministro do Trabalho, renunciou ao cargo e afirmou que o pacote é “muito doloroso para a classe trabalhadora” da Grécia.
por master | 10/02/12 | Ultimas Notícias
Atenas espera aprovação de acordo para receber pacote de € 130 bilhões
Taxa de desemprego no país sobe para 20,9% da população economicamente
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Thanassis Stavrakis/Associated Press
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Manifestantes protestam em Atenas contra cortes do governo
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RODRIGO RUSSO
DE LONDRES
O drama da Grécia ainda não chegou ao fim. No dia em que os líderes partidários anunciaram um acordo sobre novas e duras medidas de austeridade, a agência grega de estatísticas divulgou que o país alcançou nível recorde de desemprego.
Para agravar o cenário, as autoridades europeias receberam com desconfiança as medidas, que incluem demissões e redução no valor do salário mínimo. Para os ministros das Finanças da zona do euro, reunidos em Bruxelas, nada disso foi suficiente.
“As negociações ainda não cumprem as condições que descrevemos claramente no Conselho Europeu”, disse o ministro das Finanças da Alemanha, Wolfgang Schäuble.
O número de desempregados na Grécia chegou ao recorde de 20,9% da população economicamente ativa em novembro de 2011 -mais de 1 milhão de pessoas.
O resultado pode ser atribuído à aplicação de políticas de austeridade nos últimos dois anos: em novembro de 2010, 13,4% da população estava sem emprego.
Ainda assim, a coalizão política do primeiro-ministro Lucas Papademos, que inclui socialistas, conservadores e ultradireitistas, acerta novas medidas restritivas com o Banco Central Europeu, a Comissão Europeia e o Fundo Monetário Internacional.
Os credores sabem da posição delicada da Grécia: sem o acordo, o país não terá acesso a um novo empréstimo, de € 130 bilhões, fundamental para o pagamento de uma dívida de € 14,5 bilhões que vence em março. Um calote agravaria a situação e poria em risco a permanência do país na zona do euro.
Dessa maneira, a Europa consegue impor à Grécia medidas bastante impopulares, como um corte de 22% no salário mínimo (hoje de € 751), com redução adicional de 10% nos salários de menores de 25 anos, e a demissão, até 2015, de 15 mil funcionários públicos.
O salário mínimo ficará congelado por três anos. Para os demais níveis de renda, o congelamento dura até que o desemprego alcance o índice de 10%. Para preservar a Previdência, o ponto que travou as discussões, o país fará cortes adicionais de € 300 milhões em Defesa e outras áreas. No total, os cortes chegarão a € 3,3 bilhões.
A Grécia precisa reduzir sua dívida, hoje em 160% do PIB, para 120% até 2020. Para isso, o FMI e agências de classificação de risco consideram que apenas o acordo com os credores privados será insuficiente, e cobram maior participação do BCE.
Mario Draghi, presidente do banco, o maior credor individual do país, descartou a possibilidade de perder dinheiro para chegar a um acordo, mas deixou aberta a opção de abrir mão dos lucros que os títulos gerariam.
Os sindicatos locais convocaram uma nova greve geral para hoje e amanhã, além de manifestações contrárias às medidas de austeridade. O Parlamento deve votar o plano neste fim de semana.
Com eleições nos próximos meses, o governo já teve sua primeira baixa: Yannis Koutsoukos, vice-ministro do Trabalho, renunciou ao cargo e afirmou que o pacote é “muito doloroso para a classe trabalhadora” da Grécia.
por master | 10/02/12 | Ultimas Notícias
SÃO PAULO – Como posar de moderno sem abrir mão das sinecuras do atraso? A resposta está no artigo do presidente da CUT, Artur Henrique, publicado na Folha no sábado.
Ali, o dirigente diz que é preciso acabar com o chamado imposto sindical -a contribuição compulsória recolhida aos trabalhadores de uma dada categoria, sindicalizados ou não- como forma de promover a liberdade e a autonomia dessas organizações.
Sustenta, com razão, que o atual sistema, pelo qual o Estado oferece verbas e limita a concorrência -por lei não pode haver mais de uma associação na mesma base-, acabou produzindo milhares de instituições de fachada, que não representam ninguém além de suas diretorias.
Nada disso é novo. A liberdade e a autonomia sindicais, isto é, a ideia de que todos são livres para abrir sindicatos, que devem sobreviver das contribuições voluntárias de seus associados, constam da convenção 87 da OIT (Organização Internacional do Trabalho), aprovada em 1948.
O texto é quase perfeito. Henrique só se trai quando diz ser preciso substituir o imposto sindical por uma “taxa negocial”, a ser definida em assembleia. Trata-se de um eufemismo. Se a taxa tomar o lugar do imposto, a situação do trabalhador pode piorar. Ele trocaria a contribuição compulsória, hoje fixada em um dia de salário, por uma incógnita. Como as assembleias tendem a ser controladas pelos sindicalistas, é verossímil que valores mais elevados sejam aprovados.
Se essa proposta se materializar, sindicalistas teriam atingido a perfeição antes reservada a parlamentares, que é o direito de definir eles próprios quanto vão ganhar.
Antigamente, a CUT defendia de verdade a convenção 87. Era o jeito de contrapor-se ao peleguismo de sindicatos domesticados pela ditadura. Mas foi só a central experimentar as benesses do poder na esteira do lulismo -em 2011, as contribuições somaram R$ 2 bilhões-, para mudar de ideia. Ficou o contorcionismo verbal.
HÉLIO SCHWARTSMAN
por master | 10/02/12 | Ultimas Notícias
SÃO PAULO – Como posar de moderno sem abrir mão das sinecuras do atraso? A resposta está no artigo do presidente da CUT, Artur Henrique, publicado na Folha no sábado.
Ali, o dirigente diz que é preciso acabar com o chamado imposto sindical -a contribuição compulsória recolhida aos trabalhadores de uma dada categoria, sindicalizados ou não- como forma de promover a liberdade e a autonomia dessas organizações.
Sustenta, com razão, que o atual sistema, pelo qual o Estado oferece verbas e limita a concorrência -por lei não pode haver mais de uma associação na mesma base-, acabou produzindo milhares de instituições de fachada, que não representam ninguém além de suas diretorias.
Nada disso é novo. A liberdade e a autonomia sindicais, isto é, a ideia de que todos são livres para abrir sindicatos, que devem sobreviver das contribuições voluntárias de seus associados, constam da convenção 87 da OIT (Organização Internacional do Trabalho), aprovada em 1948.
O texto é quase perfeito. Henrique só se trai quando diz ser preciso substituir o imposto sindical por uma “taxa negocial”, a ser definida em assembleia. Trata-se de um eufemismo. Se a taxa tomar o lugar do imposto, a situação do trabalhador pode piorar. Ele trocaria a contribuição compulsória, hoje fixada em um dia de salário, por uma incógnita. Como as assembleias tendem a ser controladas pelos sindicalistas, é verossímil que valores mais elevados sejam aprovados.
Se essa proposta se materializar, sindicalistas teriam atingido a perfeição antes reservada a parlamentares, que é o direito de definir eles próprios quanto vão ganhar.
Antigamente, a CUT defendia de verdade a convenção 87. Era o jeito de contrapor-se ao peleguismo de sindicatos domesticados pela ditadura. Mas foi só a central experimentar as benesses do poder na esteira do lulismo -em 2011, as contribuições somaram R$ 2 bilhões-, para mudar de ideia. Ficou o contorcionismo verbal.
HÉLIO SCHWARTSMAN
por master | 10/02/12 | Ultimas Notícias
Demanda de famílias com renda de mais de três salários mínimos fez financiamento à moradia no estado crescer bem acima da média nacional no ano passado
A Caixa Econômica financiou 75.897 imóveis no Paraná em 2011, no total de R$ 5,95 bilhões, valor 22% mais alto que o registrado no ano anterior. Essa taxa de expansão, estimulada pelo aumento do nível de emprego e da massa salarial no estado, foi equivalente a mais de quatro vezes a registrada em todo o território nacional, onde o crédito imobiliário cresceu 5% e atingiu a marca de R$ 80,1 bilhões, que financiaram a compra de 1,097 milhão de imóveis. Em Curitiba, o crescimento sobre o ano anterior foi ainda mais forte, de 24%, em decorrência do financiamento de 27.305 imóveis no valor de R$ 2,12 bilhões.
Segundo a Caixa, em todo o país o principal impulso aos financiamentos veio da segunda fase do programa federal Minha Casa, Minha Vida, que começou em 2011. Além do aquecimento econômico – segundo estimativas, a economia estadual cresceu acima da média nacional em 2011 –, o crescimento acentuado no Paraná é atribuído ao valor mais alto dos imóveis financiados. Em outros estados, onde o déficit habitacional é mais alto, os financiamentos em geral têm valores menores, com a maioria das contratações de imóveis por famílias com renda mensal de até três salários mínimos. No Paraná, grande parte dos financiamentos se encaixa na faixa de mais de três salários, o que puxa para cima o total financiado.
“O desemprego está em baixa em todo o estado. A Região Metropolitana de Curitiba vive uma situação de pleno emprego e, com isso, os rendimentos estão em alta”, disse o superintendente regional da Caixa Econômica Federal, Hermínio Basso. “Além disso, o déficit habitacional no estado é menor, o que faz com que o número de contratações na primeira faixa do programa Minha Casa, Minha Vida seja menor aqui. A maioria dos financiamentos é para famílias com mais de três salários mínimos”, completou.
Inadimplência
De acordo com o superindentende, o aumento de crédito habitacional em todo o país foi facilitado pela estabilidade da taxa de inadimplência na área de habitação – que fechou o ano em 1,7% da carteira de clientes do banco, acima da marca de dezembro de 2010 (1,6%) mas abaixo do índice do fim de 2009 (1,8%). “O índice é bastante saudável. Mostra que o aprimoramento do sistema, em que se libera crédito de acordo com as condições de pagamento do consumidor, está dando certo. As análises rigorosas de crédito controlam o índice de inadimplência”, diz o superintendente regional.
Círculo virtuoso
Segundo o diretor-presidente do Instituto Paranaense de Desenvolvimento Econômico e Social (Ipardes), Gilmar Mendes Lourenço, o crescimento da economia paranaense gera um círculo virtuoso também sobre o Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS), uma das principais fontes do financiamento de imóveis.
“O aquecimento do mercado faz com que haja maior geração de emprego formal e mais renda. Com isso, há uma contribuição maior para o fundo, o que se reverte em recursos para a oferta de crédito à habitação”, diz Lourenço. Do crédito de R$ 80,1 bilhões que a Caixa liberou para imóveis em todo o Brasil no ano passado, R$ 31,3 bilhões – 39% – vieram do FGTS.
Carteira total
Com a ajuda do crédito habitacional, o saldo da carteira de crédito da Caixa aumentou 42% na passagem de 2010 para 2011, totalizando R$ 249,5 bilhões. No Paraná, o saldo aumentou 38%, para R$ 15,7 bilhões.
