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JUSTIÇA SOCIAL

Dívida pública correspondeu em dezembro a 36,5% de tudo o que o país produz

Dívida pública correspondeu em dezembro a 36,5% de tudo o que o país produz

A dívida líquida do setor público chegou a R$ 1,508 trilhão em dezembro de 2011, informou hoje (31) o Banco Central (BC). Esse resultado representou 36,5% de tudo o que o país produz – Produto Interno Bruto (PIB). Em relação a novembro, houve redução de 0,2 ponto percentual. No ano, a relação entre a dívida e o PIB apresentou redução de 2,7 pontos percentuais.
 
A dívida bruta do governo geral (governo federal, Previdência Social, governos estaduais e municipais) alcançou R$ 2,243 trilhões, o que representou 54,3% do PIB, em dezembro, com redução de 0,3 ponto percentual em relação a novembro.
Dívida pública correspondeu em dezembro a 36,5% de tudo o que o país produz

Após 2011 fraco, indústria deve ter recuperação gradual

PERSPECTIVAS

Produção nacional cresceu apenas 0,3% no ano passado. Mas, para analistas, o pior momento ficou para trás

A produção industrial deve ter recuperação gradual em 2012, após o fraco crescimento de 0,3% em 2011. O resultado ficou bem abaixo da expansão de 10,5% em 2010. Para analistas, a indústria já deixou para trás seu pior momento, mas a manutenção de fatores que vêm afetando negativamente o setor – como o real apreciado e a crise na Europa – continuarão dificultando uma retomada expressiva.

A expectativa é de que o setor seja puxado pela demanda doméstica a partir do segundo semestre, impulsionada pelos efeitos da redução dos juros e de medidas governamentais de estímulo ao consumo. Apesar de ter apresentado sinais positivos nos últimos meses de 2011, com alta de 0,9% em dezembro, a indústria nacional fechou o ano com produção 3,5% abaixo do patamar de março daquele ano, nível mais elevado da série histórica do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Empresário ficou mais confiante em janeiro

O Índice de Confiança da In­­dústria (ICI) aumentou 0,5% em janeiro deste ano ante dezembro de 2011, ao passar de 101,8 para 102,3 pontos, informou ontem a Fundação Getulio Vargas (FGV). O indicador inicia o ano acima dos quatro últimos meses de 2011, mas abaixo da média histórica de 103,9 pontos.

O Índice da Situação Atual (ISA) avançou 0,6%, para 103,0 pontos, o maior patamar desde agosto de 2011 (103,5). O Índice de Expecta­tivas (IE) cresceu pelo quarto mês consecutivo, com avanço de 0,6% em janeiro, ao passar para 101,7 pontos. De acordo com a FGV, a combinação de resultados sinaliza que a atividade industrial segue em recuperação lenta e gradual no curto prazo.

Estoques

O item que mede os estoques na indústria exerceu a maior influência sobre o ISA em janeiro: a parcela de empresas considerando o nível de estoques atual como excessivo diminuiu de 10,2% em dezembro para 6,3% em janeiro, o menor porcentual desde junho de 2011 (5,3%). Por outro lado, houve recuo na proporção das empresas que avaliam o estoque como insuficiente, de 2,2% para 1,2%.

Segundo o coordenador da Sondagem Conjuntural da Indústria de Transformação da Fundação Getulio Vargas (FGV), Aloisio Campelo, a conjugação de medidas de cunho fiscal para segmentos específicos da indústria de transformação com a redução da taxa Selic foi determinante para a diminuição dos estoques

Emprego

O índice relativo ao emprego subiu em janeiro, atingindo 111,4 pontos, patamar mais alto desde julho do ano passado (113,8). Das 1.204 empresas consultadas em janeiro, 21,2% pretendem ampliar o efetivo de mão de obra no trimestre de janeiro a março de 2012 (ante 19,4% em dezembro), enquanto 9,8% preveem diminuí-lo (ante 9,9%).

Capacidade

O Nível de Utilização da Capacidade Instalada (Nuci) aumentou para 83,7% em janeiro, ante 83,4% em dezembro, atingindo o patamar mais alto desde julho de 2011 (84,1%) e superior à média histórica desde 2003, de 83,3%.

A indústria chegou a crescer no primeiro trimestre do ano passado, mas na sequência houve quedas seguidas no ritmo de produção, culminando com queda de 1,4% no quarto trimestre. O segmento de bens de consumo foi o destaque negativo (-0,7%) do ano, pressionado pela redução de 7,8% da produção de automóveis, a pior desde 1999 (-10,7%).

O economista-chefe do Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi), Rogério César de Souza, destaca a alta de 3,3% da produção de bens de capital em 2011 como um sinal positivo para os investimentos neste ano, por estar disseminado entre equipamentos de transporte, para construção e para a indústria. A maior preocupação do Iedi é quanto à evolução da produção de bens intermediários (insumos e matérias-primas), que cresceu só 0,3% em 2011.

“Os intermediários são um termômetro porque representam as compras da indústria e têm o maior peso no setor. E continuarão sendo afetados pelo aumento das importações e perda de competitividade”, disse Souza. O mesmo vale para setores tradicionais e intensivos em mão de obra, como têxtil, vestuário e calçados, que, combalidos pela competição chinesa, amargaram quedas acentuadas no ano passado.

As medidas de estímulo à indústria deverão contribuir para o aumento da produção a partir do meio do ano, mas têm efeito limitado. “A redução de IPI, por exemplo, deve ter efeito menor que na crise de 2009 , já que os bens duráveis têm ciclo de vida maior”, disse Thovan Tucakov, economista da LCA Consultores. Na análise dos economistas, as propostas da União – como o plano Brasil Maior – são pontuais e atacam setores específicos, em lugar de problemas estruturais como a pesada carga tributária.
 

FGV prevê crescimento de até 2,8% neste ano

A produção da indústria deverá crescer, num cenário otimista, de 2,5% a 2,8% em 2012. A previsão é do coordenador da Sondagem Conjuntural da Fundação Getulio Vargas (FGV), Aloisio Campelo. A previsão de Campelo é ligeiramente inferior à expectativa média do mercado, que prevê alta de 3% para a produção industrial neste ano. “Temos de lembrar que estamos com uma série de medidas extraordinárias. A redução de IPI para produtos da linha branca irá vigorar até março e, para os automóveis, deve permanecer ao longo deste ano”, ponderou Campello, para quem, se novas medidas forem adotadas, o crescimento da produção da indústria poderá ser ainda maior – o governo federal tem mantido reuniões com alguns setores com o objetivo de estimular o crescimento da economia.
 



Dívida pública correspondeu em dezembro a 36,5% de tudo o que o país produz

Após 2011 fraco, indústria deve ter recuperação gradual

PERSPECTIVAS

Produção nacional cresceu apenas 0,3% no ano passado. Mas, para analistas, o pior momento ficou para trás

A produção industrial deve ter recuperação gradual em 2012, após o fraco crescimento de 0,3% em 2011. O resultado ficou bem abaixo da expansão de 10,5% em 2010. Para analistas, a indústria já deixou para trás seu pior momento, mas a manutenção de fatores que vêm afetando negativamente o setor – como o real apreciado e a crise na Europa – continuarão dificultando uma retomada expressiva.

A expectativa é de que o setor seja puxado pela demanda doméstica a partir do segundo semestre, impulsionada pelos efeitos da redução dos juros e de medidas governamentais de estímulo ao consumo. Apesar de ter apresentado sinais positivos nos últimos meses de 2011, com alta de 0,9% em dezembro, a indústria nacional fechou o ano com produção 3,5% abaixo do patamar de março daquele ano, nível mais elevado da série histórica do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Empresário ficou mais confiante em janeiro

O Índice de Confiança da In­­dústria (ICI) aumentou 0,5% em janeiro deste ano ante dezembro de 2011, ao passar de 101,8 para 102,3 pontos, informou ontem a Fundação Getulio Vargas (FGV). O indicador inicia o ano acima dos quatro últimos meses de 2011, mas abaixo da média histórica de 103,9 pontos.

O Índice da Situação Atual (ISA) avançou 0,6%, para 103,0 pontos, o maior patamar desde agosto de 2011 (103,5). O Índice de Expecta­tivas (IE) cresceu pelo quarto mês consecutivo, com avanço de 0,6% em janeiro, ao passar para 101,7 pontos. De acordo com a FGV, a combinação de resultados sinaliza que a atividade industrial segue em recuperação lenta e gradual no curto prazo.

Estoques

O item que mede os estoques na indústria exerceu a maior influência sobre o ISA em janeiro: a parcela de empresas considerando o nível de estoques atual como excessivo diminuiu de 10,2% em dezembro para 6,3% em janeiro, o menor porcentual desde junho de 2011 (5,3%). Por outro lado, houve recuo na proporção das empresas que avaliam o estoque como insuficiente, de 2,2% para 1,2%.

Segundo o coordenador da Sondagem Conjuntural da Indústria de Transformação da Fundação Getulio Vargas (FGV), Aloisio Campelo, a conjugação de medidas de cunho fiscal para segmentos específicos da indústria de transformação com a redução da taxa Selic foi determinante para a diminuição dos estoques

Emprego

O índice relativo ao emprego subiu em janeiro, atingindo 111,4 pontos, patamar mais alto desde julho do ano passado (113,8). Das 1.204 empresas consultadas em janeiro, 21,2% pretendem ampliar o efetivo de mão de obra no trimestre de janeiro a março de 2012 (ante 19,4% em dezembro), enquanto 9,8% preveem diminuí-lo (ante 9,9%).

Capacidade

O Nível de Utilização da Capacidade Instalada (Nuci) aumentou para 83,7% em janeiro, ante 83,4% em dezembro, atingindo o patamar mais alto desde julho de 2011 (84,1%) e superior à média histórica desde 2003, de 83,3%.

A indústria chegou a crescer no primeiro trimestre do ano passado, mas na sequência houve quedas seguidas no ritmo de produção, culminando com queda de 1,4% no quarto trimestre. O segmento de bens de consumo foi o destaque negativo (-0,7%) do ano, pressionado pela redução de 7,8% da produção de automóveis, a pior desde 1999 (-10,7%).

O economista-chefe do Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi), Rogério César de Souza, destaca a alta de 3,3% da produção de bens de capital em 2011 como um sinal positivo para os investimentos neste ano, por estar disseminado entre equipamentos de transporte, para construção e para a indústria. A maior preocupação do Iedi é quanto à evolução da produção de bens intermediários (insumos e matérias-primas), que cresceu só 0,3% em 2011.

“Os intermediários são um termômetro porque representam as compras da indústria e têm o maior peso no setor. E continuarão sendo afetados pelo aumento das importações e perda de competitividade”, disse Souza. O mesmo vale para setores tradicionais e intensivos em mão de obra, como têxtil, vestuário e calçados, que, combalidos pela competição chinesa, amargaram quedas acentuadas no ano passado.

As medidas de estímulo à indústria deverão contribuir para o aumento da produção a partir do meio do ano, mas têm efeito limitado. “A redução de IPI, por exemplo, deve ter efeito menor que na crise de 2009 , já que os bens duráveis têm ciclo de vida maior”, disse Thovan Tucakov, economista da LCA Consultores. Na análise dos economistas, as propostas da União – como o plano Brasil Maior – são pontuais e atacam setores específicos, em lugar de problemas estruturais como a pesada carga tributária.
 

FGV prevê crescimento de até 2,8% neste ano

A produção da indústria deverá crescer, num cenário otimista, de 2,5% a 2,8% em 2012. A previsão é do coordenador da Sondagem Conjuntural da Fundação Getulio Vargas (FGV), Aloisio Campelo. A previsão de Campelo é ligeiramente inferior à expectativa média do mercado, que prevê alta de 3% para a produção industrial neste ano. “Temos de lembrar que estamos com uma série de medidas extraordinárias. A redução de IPI para produtos da linha branca irá vigorar até março e, para os automóveis, deve permanecer ao longo deste ano”, ponderou Campello, para quem, se novas medidas forem adotadas, o crescimento da produção da indústria poderá ser ainda maior – o governo federal tem mantido reuniões com alguns setores com o objetivo de estimular o crescimento da economia.
 



Dívida pública correspondeu em dezembro a 36,5% de tudo o que o país produz

Brasil: país emergente com custo de vida elevado

Logo no início do ano, o Fundo Monetário Internacional (FMI) revelou que, entre os países emergentes (eufemismo para “economicamente dependentes”), o Brasil é o único em que o custo de vida é mais elevado que nos EUA (Estados Unidos da América).

por Waldemar Rossi*

E nosso povo, em “férias de começo de ano”, não deu bolas para tal informação. Porém, continua a pagar um preço muito elevado para viver ou mesmo para sobreviver – caso de mais de 40% da população que está situada abaixo da linha da pobreza.

Outra notícia veiculada nos fins de 2011 foi quanto ao preço dos carros em nosso país: os mais caros de todo o planeta Terra, embora tenhamos os salários mais modestos que os de todos os países desenvolvidos. Há os que julgam maravilhoso que o Brasil tenha 14 fábricas de veículos motores, esquecendo que nenhuma dessas fábricas é de capital e tecnologia nacional. Todas alienígenas, exploradoras da mão de obra barata e dos incentivos que oferecemos. E poluidoras também.

Outros setores importantes estão também nas mãos do capital externo, uns mais outros menos, como o financeiro, o siderúrgico, o químico-farmacêutico, a telefonia, a energia elétrica, a tecelagem, a produção de etanol, a indústria alimentícia, os supermercados e, agora, cada vez mais, com as concessões, a exploração do petróleo. Ainda contamos com empresas que vão, literalmente, nos envenenando, como a Monsanto, e tantas outras produtoras dos agrotóxicos que infestam nossa agricultura, obrigando-nos a ingerir, via alimentos contaminados, mais de cinco quilos de agrotóxicos anuais por pessoa. Depois se pergunta por que a cada dia surgem novas doenças gastrointestinais, pneumônicas e circulatórias, entre outras ainda de origens desconhecidas!

É certo que ainda há setores da economia que são considerados como nacionais. Neste caso se destacam as empreiteiras, os tradicionais latifundiários, setores da produção industrial subsidiária. A pergunta é até quando restarão brasileiras, já que inúmeras delas estão associadas a grandes empresas internacionais.

Tais dados estão à disposição de todo e qualquer interessado. Basta averiguar, buscando as fontes oficiais, ou acompanhar atentamente as informações que a mídia burguesa nos oferece a cada dia. Portanto, se o custo de vida aqui é mais elevado que nos Estados Unidos e a economia é majoritariamente dominada pelo capital estrangeiro, não é difícil perceber por que no Brasil há tanta gente na linha da pobreza e abaixo dela; não é difícil perceber por que há tantos mendigos, moradores de rua, miseráveis que sobrevivem da cata do lixo. Torna-se fácil perceber quem ganha tanto à custa do povo trabalhador. Se há destaque para o capital que vem de fora, por meio da criminosa remessa de lucros, há também os exploradores internos que não vacilam em obter lucros e mais lucros, sugando ao máximo as parcas economias pessoais de quem depende do trabalho.

Para que isto continue a acontecer, o capital conta com todo o apoio do sistema político que permite o crescimento incontrolado dessa exploração, baseada na falácia da “livre concorrência” e do “livre mercado”. Além dessa permissividade econômica, a maioria dos nossos políticos tem suas campanhas eleitorais patrocinadas por essas mesmas empresas e empresários (nacionais e estrangeiros), que, em troca, exigem dos eleitos a defesa dos seus interesses escusos como retorno do que investiram nas campanhas eleitorais. O retorno dessa corrupção eleitoral se efetua pelas concessões de terras públicas, por protecionismos por intermédio de pseudos incentivos fiscais, de contratos fraudulentos, de empréstimos oficiais com juros baixíssimos e a longos prazo, com a renegociação frequente das dívidas com o Estado, e assim por diante.

Outro jeito de se apropriar da economia popular é exigir dos nossos governantes investimentos em obras faraônicas, tais como estádios de futebol, pontes e viadutos vistosos – nem sempre eficientes e necessários –, em barragens gigantescas, em transposições como a do Rio São Francisco, em estradas de rodagem, avenidas e túneis para escoamento de veículos poluidores, obras que beneficiarão direta e indiretamente o grande e todo poderoso capital. Porém, tais investimentos exigem muito dinheiro público, porque não trazem retorno imediato nem em médio prazo, como exigem os investimentos capitalistas. Essa dinheirama toda vem dos impostos e taxas que o povo paga compulsoriamente e que deveria, portanto, retornar para o povo em forma de serviços públicos como saúde, educação, transporte coletivo de qualidade, saneamento básico (água potável e esgoto tratado), reforma agrária, moradias populares decentes, preservação do meio ambiente, energia elétrica e telefonia a preços populares. Enfim, deveria retornar em função da vida do povo.

Em síntese, os governantes não podem servir a dois senhores. Ou servem ao povo, com os votos de quem se elegeram, ou servem ao capital, que os corrompe pelo financiamento de suas campanhas eleitorais. E os eleitos não hesitam em ficar com seus financiadores. Até o dia em que o povo compreenda isto e resolva assumir as rédeas da política nacional.

* Waldemar Rossi é metalúrgico aposentado e coordenador da Pastoral Operária da Arquidiocese de São Paulo.

** Publicado originalmente no site Correio da Cidadania.

Dívida pública correspondeu em dezembro a 36,5% de tudo o que o país produz

Brasil: país emergente com custo de vida elevado

Logo no início do ano, o Fundo Monetário Internacional (FMI) revelou que, entre os países emergentes (eufemismo para “economicamente dependentes”), o Brasil é o único em que o custo de vida é mais elevado que nos EUA (Estados Unidos da América).

por Waldemar Rossi*

E nosso povo, em “férias de começo de ano”, não deu bolas para tal informação. Porém, continua a pagar um preço muito elevado para viver ou mesmo para sobreviver – caso de mais de 40% da população que está situada abaixo da linha da pobreza.

Outra notícia veiculada nos fins de 2011 foi quanto ao preço dos carros em nosso país: os mais caros de todo o planeta Terra, embora tenhamos os salários mais modestos que os de todos os países desenvolvidos. Há os que julgam maravilhoso que o Brasil tenha 14 fábricas de veículos motores, esquecendo que nenhuma dessas fábricas é de capital e tecnologia nacional. Todas alienígenas, exploradoras da mão de obra barata e dos incentivos que oferecemos. E poluidoras também.

Outros setores importantes estão também nas mãos do capital externo, uns mais outros menos, como o financeiro, o siderúrgico, o químico-farmacêutico, a telefonia, a energia elétrica, a tecelagem, a produção de etanol, a indústria alimentícia, os supermercados e, agora, cada vez mais, com as concessões, a exploração do petróleo. Ainda contamos com empresas que vão, literalmente, nos envenenando, como a Monsanto, e tantas outras produtoras dos agrotóxicos que infestam nossa agricultura, obrigando-nos a ingerir, via alimentos contaminados, mais de cinco quilos de agrotóxicos anuais por pessoa. Depois se pergunta por que a cada dia surgem novas doenças gastrointestinais, pneumônicas e circulatórias, entre outras ainda de origens desconhecidas!

É certo que ainda há setores da economia que são considerados como nacionais. Neste caso se destacam as empreiteiras, os tradicionais latifundiários, setores da produção industrial subsidiária. A pergunta é até quando restarão brasileiras, já que inúmeras delas estão associadas a grandes empresas internacionais.

Tais dados estão à disposição de todo e qualquer interessado. Basta averiguar, buscando as fontes oficiais, ou acompanhar atentamente as informações que a mídia burguesa nos oferece a cada dia. Portanto, se o custo de vida aqui é mais elevado que nos Estados Unidos e a economia é majoritariamente dominada pelo capital estrangeiro, não é difícil perceber por que no Brasil há tanta gente na linha da pobreza e abaixo dela; não é difícil perceber por que há tantos mendigos, moradores de rua, miseráveis que sobrevivem da cata do lixo. Torna-se fácil perceber quem ganha tanto à custa do povo trabalhador. Se há destaque para o capital que vem de fora, por meio da criminosa remessa de lucros, há também os exploradores internos que não vacilam em obter lucros e mais lucros, sugando ao máximo as parcas economias pessoais de quem depende do trabalho.

Para que isto continue a acontecer, o capital conta com todo o apoio do sistema político que permite o crescimento incontrolado dessa exploração, baseada na falácia da “livre concorrência” e do “livre mercado”. Além dessa permissividade econômica, a maioria dos nossos políticos tem suas campanhas eleitorais patrocinadas por essas mesmas empresas e empresários (nacionais e estrangeiros), que, em troca, exigem dos eleitos a defesa dos seus interesses escusos como retorno do que investiram nas campanhas eleitorais. O retorno dessa corrupção eleitoral se efetua pelas concessões de terras públicas, por protecionismos por intermédio de pseudos incentivos fiscais, de contratos fraudulentos, de empréstimos oficiais com juros baixíssimos e a longos prazo, com a renegociação frequente das dívidas com o Estado, e assim por diante.

Outro jeito de se apropriar da economia popular é exigir dos nossos governantes investimentos em obras faraônicas, tais como estádios de futebol, pontes e viadutos vistosos – nem sempre eficientes e necessários –, em barragens gigantescas, em transposições como a do Rio São Francisco, em estradas de rodagem, avenidas e túneis para escoamento de veículos poluidores, obras que beneficiarão direta e indiretamente o grande e todo poderoso capital. Porém, tais investimentos exigem muito dinheiro público, porque não trazem retorno imediato nem em médio prazo, como exigem os investimentos capitalistas. Essa dinheirama toda vem dos impostos e taxas que o povo paga compulsoriamente e que deveria, portanto, retornar para o povo em forma de serviços públicos como saúde, educação, transporte coletivo de qualidade, saneamento básico (água potável e esgoto tratado), reforma agrária, moradias populares decentes, preservação do meio ambiente, energia elétrica e telefonia a preços populares. Enfim, deveria retornar em função da vida do povo.

Em síntese, os governantes não podem servir a dois senhores. Ou servem ao povo, com os votos de quem se elegeram, ou servem ao capital, que os corrompe pelo financiamento de suas campanhas eleitorais. E os eleitos não hesitam em ficar com seus financiadores. Até o dia em que o povo compreenda isto e resolva assumir as rédeas da política nacional.

* Waldemar Rossi é metalúrgico aposentado e coordenador da Pastoral Operária da Arquidiocese de São Paulo.

** Publicado originalmente no site Correio da Cidadania.