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Bolsonaro causa apagão na máquina pública com bloqueio de R$ 15,4 bi

Bolsonaro causa apagão na máquina pública com bloqueio de R$ 15,4 bi

Para se ter ideia, a Polícia Federal (PF) foi obrigada a suspender a emissão de passaportes por falta de verbas

por Iram Alfaia

Numa tentativa desesperada de se reeleger, Bolsonaro esvaziou os cofres da União levando a um apagão da máquina pública. Para não furar ainda mais o teto de gastos, o Ministério da Economia anunciou nesta terça-feira (22) um novo bloqueio adicional de R$ 5,7 bilhões do Orçamento. Ao levar em conta o corte de R$ 10,5 bilhões e o contingenciamento de R$ 9,7 bilhões, o bloqueio total chegará a R$ 15,4 bilhões.

A informação divulgada no Relatório de Avaliação de Receitas e Despesas Primárias do 5º bimestre revela que o atual mandatário e o ministro da Economia, Paulo Guedes, quebraram o país.

De acordo com os técnicos a medida visa evitar um estouro no teto de gastos, mas os efeitos colaterais estão sendo perversos. A pouco mais de um mês do fim do mandato, Bolsonaro está deixando um desgoverno com dificuldade de entregar serviços em todas as áreas.

O próprio secretário especial do Tesouro e Orçamento da Economia, Esteves Colnago, reconheceu que a situação é crítica. “Vai ser muito difícil com o bloqueio. O governo nunca passou (um ano) tão apertado assim. Haverá, eventualmente, falta de atendimento de serviços prestados do governo, mas chegaremos ao fim do ano”, disse.

Para se ter ideia, a Polícia Federal (PF) foi obrigada a suspender a emissão de passaportes por falta de verbas. Integrantes do grupo de transição sobre Segurança de Lula disseram à GloboNews que há um “desmonte financeiro” em curso na PF e na Polícia Rodoviária Federal (PRF), que decidiu limitar os serviços de manutenção de viaturas em razão de questões financeiras.

“Pode faltar dinheiro até para pagar a conta de luz. O resumo é um só: BOLSONARO DESTRUIU O BRASIL”, escreveu no Twitter o senador Humberto Costa (PT-PE).

“Bolsonaro anuncia novo bloqueio de R$ 5,7 bi do orçamento pra evitar mais estouro do teto. Gestão devastadora vai levar ao apagão na máquina pública. Não tem verba pra nada, mas teve pra eleição. Aos críticos do esforço que estamos fazendo, é com isso que estamos lidando”, lembrou a presidente do PT, deputada Gleisi Hoffmann (PR).

VERMELHO

https://vermelho.org.br/2022/11/23/bolsonaro-causa-apagao-na-maquina-publica-com-bloqueio-de-r-154-bi/

Bolsonaro causa apagão na máquina pública com bloqueio de R$ 15,4 bi

Youtube desmonetiza canais da Jovem Pan motivado por desinformação

YouTube resolve desmonetizar canais da Joven Pan por entender que eles promovem desinformação.

FAKE NEWS

A rádio e televisão Jovem Pan terão seus canais desmonetizados no Youtube. A decisão foi anunciada pelo Youtube nesta quarta-feira (23). A decisão não obedece qualquer determinação da Justiça. A empresa que administra a plataforma de compartilhamento de vídeos tomou a decisão por sua própria iniciativa.

Youtube informou à coluna de Malu Gaspar, do jornal O Globo, que o canal “Os Pingos nos Is”, da Jovem Pan, “incorreu em repetidas violações das nossas políticas contra desinformação em eleições e nossas diretrizes de conteúdo adequado para publicidade, incluindo as relacionadas a questões polêmicas e eventos sensíveis, atos perigosos ou nocivos, além de outras políticas de monetização”.

“Desta forma, suspendemos a monetização do respectivo canal e dos outros que integram a rede Jovem Pan no YouTube, de acordo com nossas regras”, esclareceu a empresa. Com a medida, a empresa deixa de receber pelos anúncios veiculados nos vídeos publicados no canal.

Conhecida pelo seu perfil de extrema-direita, a Jovem Pan é responde uma ação que tramita no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) por tratar, de forma privilegiada, o presidente Jair Bolsonaro (PL) nas eleições deste ano. O pedido de investigação foi da coligação do presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

O presidente da emissora, Antônio Augusto Amaral de Carvalho, conhecido como Tutinha, diz que a empresa pratica o “jornalismo de opinião”, debatendo fatos. Ele é investigado no TSE por suposta prática de uso indevido dos meios de comunicação.

CONGRESSO EM FOCO

Bolsonaro causa apagão na máquina pública com bloqueio de R$ 15,4 bi

Valdemar blefou. Moraes pagou para ver

O presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Alexandre de Moraes, nem se deu ao trabalho de responder detalhadamente ao amontoado de bobagens do mico que o presidente do PL, Valdemar Costa Neto, se viu obrigado a pagar por pressão do seu chefe com erisipela que ocupa o Palácio da Alvorada com ação de despejo programada para o dia 1º de janeiro.

Moraes concentrou-se apenas no mais flagrante dos erros do pedido do PL, erro travestido em esperteza, mas tão óbvio que chega mais a parecer ingenuidade. Em seu pedido, o PL considerou apenas o segundo turno da eleição. E ainda arriscou incluir uma nova conta do resultado apenas da eleição presidencial que, agora, daria uma vitória pela mesma apertada margem do resultado final para Jair Bolsonaro.

Bem, as urnas eletrônicas utilizadas no segundo turno são as mesmas que foram usadas no primeiro turno. E são as mesmas utilizadas para o registro dos votos em deputados federais e estaduais e em governadores.

O PL de Valdemar Costa Neto elegeu 99 deputados federais. Elegeu mais oito senadores. Terá, então, as maiores bancadas tanto na Câmara como no Senado (desta vez, elegeu-se um terço do Senado, com os senadores que já tinha o PL terá uma bancada de 13).

Além dos parlamentares eleitos pelo PL, há ainda outros aliados do presidente atual, Jair Bolsonaro, que se elegeram por outros partidos. Caso da turma do Republicanos, como o vice-presidente Hamilton Mourão (RS) e a ex-ministra Damares Alves (DF), eleitas para o Senado pelo Republicanos.

E há os governadores aliados de Bolsonaro. O caso mais notório é Tarcísio de Freitas, eleito governador de São Paulo. Eis aí o busílis, como se dizia antigamente: Valdemar vai querer melar a eleição de todo mundo? Porque melar somente a de Luiz Inácio Lula da Silva, que mandará em 1º de janeiro Bolsonaro de volta para sua casa na Barra da Tijuca não dá.

Moraes impôs ainda outro nó no xeque-mate que deu em Valdemar. Se ele foi capaz de fazer um cálculo em cima da perna sobre a eleição presidencial, então que faça também o mesmo cálculo sobre as demais. Quem serão os deputados e senadores com suas cadeiras em risco? Os governadores?

O que aumenta a encalacrada de Valdemar é que o próprio autor da bobajada que amparou a ação do PL, o engenheiro eletrônico Carlos Rocha, afirmou que o seu estudo não se destinava a contestar votos, mas o funcionamento das urnas. O que ele diz ter questionado foram supostos problemas no funcionamento dos equipamentos eletrônicos, sem avançar no sentido de dizer que isso determinaria de fato algum erro na contabilização dos votos. Ou seja, a conta feita por Valdemar no caso da eleição presidencial foi em cima da perna mesmo.

O problema é que ainda que tivessem acontecido os problemas apontados por Carlos Rocha, eles não afetam a contagem dos votos daquelas urnas. E, como disse ao UOL o professor ivar Hartman, do Insper, ainda que se admitisse a necessidade de recontagem dos votos de tais urnas, isso seria muito fácil de fazer. Basta registrar os votos dessas urnas novamente e contar de novo. As urnas eletrônicas permitem que a contabilização total da eleição se dê em poucas horas. Ou seja, rapidamente resolve-se essa querela.

Na turma bolsonarista mais radical, a deputada Bia Kicis (PL-DF) chegou a declarar no Twitter que até correria o risco do seu mandato e de outros em nome do tal questionamento. Ela até pode colocar o seu mandato na reta. Mas Valdemar coloca na reta a grana em que irá sentar administrando o mais gordo fundo partidário do país?

Até as pombas do pombal em forma de prendedor de roupa que fica no meio da Praça dos Três Poderes sabem que Valdemar não filiou Bolsonaro ao seu partido porque morre de amores ao atual presidente. Valdemar colocou Bolsonaro no PL porque gosta de poder. Da mesma forma como colocou no seu partido José Alencar para ser vice de Luiz Inácio Lula da Silva em 2002.

Valdemar sabia que filiando Bolsonaro imediatamente se tornaria o chefe do maior partido do país. Como se tornou. A turma bolsonarista do antigo PSL murchou o União Brasil e foi para a sigla de Valdemar. Sabia que Bolsonaro vencendo ou não as eleições presidenciais, o PL sairia bem maior do pleito congressual. Como saiu. E sabia que é esse pleito congressual, para a Câmara, o definidor de todo repasse de dinheiro e tempo de TV dos partidos. Ele é a base de cálculo para tudo.

Feitas as contas, Valdemar concluiu que era bom negócio incluir o tiozão do pavê no seu partido, ainda que isso significasse ter Bolsonaro no seu ouvido fazendo pregações golpistas. Até onde de fato o Boy, seu apelido de Mogi das Cruzes, irá com isso é o ponto. Segundo informações, Valdemar inclusive procurou ministros do Supremo para se desculpar da ação. Até porque é bom lembrar que Valdemar precisa considerar ao comprar uma briga dessas com a Justiça seu próprio passivo jurídico.

É um jogo de pôquer. Valdemar blefou. Alexandre de Moraes pagou para ver…

RUDOLFO LAGO Diretor do Congresso em Foco Análise. Formado pela UnB, passou pelas principais redações do país. Responsável por furos como o dos anões do orçamento e o que levou à cassação de Luiz Estevão. Ganhador do Prêmio Esso.

CONGRESSO EM FOCO
Bolsonaro causa apagão na máquina pública com bloqueio de R$ 15,4 bi

União Brasil oficializa apoio à recondução de Arthur Lira

União Brasil oficializou, nesta quarta-feira (23), o apoio do partido à recondução do deputado federal Arthur Lira (PP-AL) à Presidência da Câmara. O partido chegou a sonhar com a presidência da Casa, cogitando o nome do deputado federal Luciano Bivar (União-PE), que poderia ter o apoio do presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na articulação.

“Lira, confiamos na sua imparcialidade e defesa do poder Legislativo”, disse o presidente do União, Luciano Bivar. Na coletiva de imprensa realizada nesta quarta-feira (23), nem Bivar, nem o líder do partido na Câmara, Elmar Nascimento (União-BA), confirmaram as especulações de que o partido pode formar uma federação com o PP.

União Brasil tem a terceira maior bancada na Câmara, atrás apenas do PL e da federação liderada pelo PT. O partido também anunciou a recondução de Elmar Nascimento na liderança do partido.

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Duração e valor fora do teto tornam incerto futuro da PEC da transição

NOVO GOVERNO

O PT admite que enfrenta dificuldade para avançar com a PEC da Transição, que permitirá ao governo Lula excluir as despesas com o Auxílio Brasil (ou Bolsa Família) do teto de gastos. A possibilidade de conseguir a autorização do Congresso para furar o teto por quatro anos ficou remota nos últimos dias. Também não entendimento quanto ao valor que poderá ser abrangido pela PEC.

Centrão quer condicionar seu apoio à proposta à necessidade de renovação da licença a cada ano e à transformação das emendas de relator em impositivas. A ideia é criar dificuldade para vender facilidade, obrigando o novo governo a negociar ano a ano.

Partidos aliados propõem um meio-termo, com a liberação por dois anos. O vice-presidente eleito Geraldo Alckmin lidera as negociações com uma dezena de partidos.

“Hoje esse [período da licença] é o maior ruído que temos dentro do Congresso Nacional, mas tenho repetido que o Congresso terá sensibilidade para, como uma Casa que é da política, que é representante do povo, ter uma solução que seja mais duradoura, que a gente tenha previsibilidade”, reconheceu nesta quarta-feira (23) a presidente do PT, deputada Gleisi Hoffmann (PR).

Um dos articuladores da PEC, o senador Paulo Rocha (PT-PA) diz que a proposta vai prever a liberação de R$ 175 bilhões fora do teto de gastos a partir de 2023. Segundo ele, a medida só faz sentido se valer por quatro anos.

Em entrevista à Reuters, o senador Marcelo Castro (MDB-PI), relator do orçamento e provável autor da PEC da Transição, afirmou que o governo precisará de deixar pelo menos R$ 100 bilhões fora do teto de gastos.

“Só temos condição de fazer o orçamento se tiver a PEC. Sem a PEC, não tem como, nem aumento de servidor, nem aumento de salário mínimo, nem Farmácia Popular nem nada, não tem o que fazer. O orçamento que está aí é inexequível”, disse o relator.

AUTORIA

Edson Sardinha

EDSON SARDINHA Diretor de redação. Formado em Jornalismo pela UFG, foi assessor de imprensa do governo de Goiás. É um dos autores da série de reportagens sobre a farra das passagens, vencedora do prêmio Embratel de Jornalismo Investigativo em 2009. Ganhou duas vezes o Prêmio Vladimir Herzog. Está no site desde sua criação, em 2004.

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