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Prévia do PIB: Índice cresce 2,5% em 2025 com queda em dezembro

Prévia do PIB: Índice cresce 2,5% em 2025 com queda em dezembro

O Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br) registrou um crescimento de 2,5% em 2025 após recuar 0,2% em dezembro, de acordo com os dados divulgados pela autoridade monetária nesta quinta-feira (19/2). Considerado como a “prévia do PIB”, a última apuração mensal do IBC-Br registrou um ganho de 3,1% na comparação com o mesmo mês do ano anterior.

Ao excluir o setor agropecuário, o índice do BC acumulou alta de 1,8% no ano. Somente o indicador do agro avançou 13,05% em 2025. Mesmo assim, o peso deste setor no IBC-Br é de apenas cerca de 5%, bem abaixo de indústria (20,9%) e serviços (59,2%).

A taxa acumulada pelo IBC-Br da indústria fechou o ano em 1,45%, ao passo que o índice de serviços encerrou o mesmo período em 2,06%, após registrar um leve recuo em dezembro. Além disso, o indicador de impostos, que representa os tributos líquidos sobre produtos do PIB, ficou em 1,24%.

No trimestre móvel encerrado em dezembro, o IBC-Br cresceu 0,4% na comparação com os três meses anteriores. Nesse período, o índice do setor agropecuário cresceu 2,8% ao passo que a indústria caiu 0,2%. Já os serviços avançaram 0,5%, enquanto que os impostos subiram 0,3%.

CORREIO BRAZILIENSE

https://www.correiobraziliense.com.br/economia/2026/02/7358113-previa-do-pib-indice-cresce-25-em-2025-com-queda-em-dezembro.html

Prévia do PIB: Índice cresce 2,5% em 2025 com queda em dezembro

Fechamento de montadora não é caso de força maior para fornecedora demitir empregado

A Quinta Turma do Tribunal Superior do Trabalho rejeitou um recurso da Pelzer da Bahia Ltda. contra a condenação a pagar a integralidade das verbas rescisórias a um um técnico de manutenção elétrica demitido em janeiro de 2021. A fábrica de sistemas acústicos automotivos tinha pago apenas a metade dessas parcelas, por entender que o caso era de força maior. Contudo, para a Justiça do Trabalho, a situação não se enquadra nesse conceito.

Montadora encerrou atividades durante a pandemia

O técnico foi dispensado no mesmo mês em que a Ford comunicou o fechamento de sua fábrica em Camaçari (BA), durante a pandemia da covid-19. Na reclamação trabalhista, ele disse que havia recebido apenas 20% da multa sobre o saldo do FGTS e 50% do aviso-prévio, e pediu para receber as diferenças.

A Pelzer, em sua defesa, alegou que toda a sua estrutura era voltada para atender exclusivamente às demandas da Ford e que o encerramento da atividade da montadora a obrigou a também fechar seu estabelecimento. Segundo a empresa, a retirada abrupta da Ford estava relacionada ao contexto complexo da pandemia e se enquadrava na definição de força maior.

Força maior reduz verbas rescisórias

O artigo 501 da CLT define como força maior “todo acontecimento inevitável” e independente da vontade do empregador, para o qual ele não contribuiu direta ou indiretamente. A imprevidência (descuido, falta de prevenção, etc.) afasta a força maior. Já o artigo 502 prevê que, em caso de força maior que determine a extinção da empresa ou de um dos estabelecimentos, o empregado dispensado tem direito a uma indenização correspondente à metade dos valores que seriam devidos em caso de rescisão sem justa causa.

Quanto à pandemia da covid-19, a Medida Provisória 927/2020, que vigorou de março a julho de 2020, estabeleceu expressamente o estado de calamidade pública como hipótese de força maior.

Empresa escolheu ter a Ford como única cliente

O juízo de primeiro grau e o Tribunal Regional do Trabalho da 5ª Região (BA) deferiram o pagamento integral do aviso-prévio e da multa de 40% do FGTS. Segundo o TRT, o fato de ter apenas a Ford como cliente foi uma decisão da própria Pelzer, que assumiu os riscos do negócio relacionados a essa escolha.

No mesmo sentido, para o ministro Breno Medeiros, relator do recurso de revista da Pelzer, não é possível concluir que o fechamento da Pelzer decorreu da crise econômica gerada pela pandemia, mas da interrupção das atividades da Ford. Diante desse quadro, é inaplicável o motivo de força maior.

A decisão foi unânime.

(Guilherme Santos/CF)

O TST tem oito Turmas, que julgam principalmente recursos de revista, agravos de instrumento e agravos contra decisões individuais de relatores. Das decisões das Turmas, pode caber recurso à Subseção I Especializada em Dissídios Individuais (SDI-1). Acompanhe o andamento do processo neste link:

Processo: Ag-AIRR-0000431-34.2021.5.05.0131

TST JUS

https://www.tst.jus.br/en/-/fechamento-de-montadora-nao-e-caso-de-forca-maior-para-fornecedora-demitir-empregado

Prévia do PIB: Índice cresce 2,5% em 2025 com queda em dezembro

Reforma trabalhista de Milei é aprovada na Câmara com mudanças; texto volta ao Senado

A Câmara dos Deputados da Argentina aprovou, com mudanças, a reforma trabalhista proposta pelo governo de Javier Milei.

O texto precisará voltar ao Senado, onde havia sido aprovado na última quinta-feira, pois o governo precisou retirar o tópico que reduzia o salário dos trabalhadores em 50% em casos de acidentes fora do ambiente de trabalho.

Vista como uma das reformas mais amplas na legislação trabalhista argentina desde a redemocratização, a proposta pretende atualizar regras consideradas rígidas e defasadas, reduzir custos trabalhistas e incentivar a criação de empregos formais, segundo o governo.

Críticos dizem que as mudanças podem fragilizar as relações trabalhistas, aumentar a insegurança no emprego e enfraquecer os sindicatos, sobretudo entre trabalhadores menos qualificados.

O momento é um dos mais decisivos do governo Milei desde a posse, em dezembro de 2023. A medida faz parte de um pacote de reformas voltadas à estabilização macroeconômica e ao estímulo ao investimento.

Entre as mudanças que permanecem, estão a flexibilização das férias e jornadas de trabalho de até 12 horas. A expectativa é aprovar o texto final até 1º de março. (veja abaixo as principais mudanças)

Debates acalorados

A sessão começou às 14h (horário local), após solicitação enviada ao presidente da Casa, Martín Menem.

A sessão foi marcada por confusão e troca de provocações no plenário. O chefe do bloco União pela Pátria, Germán Martínez, criticou a condução dos trabalhos e chegou a provocar o presidente da Casa com a frase “Cresça, Sr. Presidente”, além de afirmar que os parlamentares “vão se arrepender” da decisão.

Mais para o fim da noite, por volta das 21h30, a deputada Marcela Mango, do partido União pela Pátria, solicitou uma questão de ordem, que foi negada, para que o projeto de reforma trabalhista retornasse à comissão.

Em contra ataque, a Silvana Myriam Giudici pediu uma questão de ordem para que a proposta fosse votada em meia hora. A moção foi aceita, mas depois a deputada retirou o pedido.

A reforma foi aprovada pelo Senado na madrugada da última quinta-feira (12), com 42 votos favoráveis e 30 contrários, após uma sessão marcada pela polarização.

No dia anterior (11), milhares de manifestantes se reuniram nos arredores do Congresso, em Buenos Aires, para protestar contra a proposta. Os atos terminaram em confrontos com a polícia, e cerca de 30 pessoas foram detidas, segundo a agência de notícias France Presse.

Nesta quinta-feira, o Ministério da Segurança anunciou medidas extraordinárias para a imprensa e alertou para possíveis situações de risco.

A pasta recomendou que jornalistas evitem permanecer entre possíveis focos de confronto e as forças de segurança e informou que será criada uma “zona exclusiva” para a cobertura em ruas laterais à praça em frente ao Parlamento.

Principais mudanças previstas

Entre as mudanças estão a flexibilização das férias — que poderão ser divididas em períodos mínimos de sete dias e negociadas fora do intervalo tradicional — e a possibilidade de ampliar a jornada diária de oito para até 12 horas, desde que respeitado o descanso mínimo.

O governo negociou cerca de 30 alterações no texto original para garantir aprovação rápida na Câmara dos Deputados.

Abaixo, os principais pontos da reforma preveem:

  1. Férias mais flexíveis, que poderão ser fracionadas em períodos mínimos de sete dias e negociadas fora do período tradicional (normalmente de 1º de outubro a 30 de abril);
  2. Restrições a greves em setores considerados essenciais: a reforma exige um mínimo de prestação de serviço entre 50% e 75%, o que limita o poder de paralisação dos sindicatos;
  3. Ampliação do período de experiência para até seis meses — podendo chegar a oito ou 12 em alguns casos —, com indenizações reduzidas;
  4. Flexibilização da jornada, com ampliação de 8 para até 12 horas diárias, desde que respeitado o descanso mínimo, permitindo compensação conforme períodos de maior ou menor demanda, sem pagamento de horas extras;
  5. Mudanças na negociação coletiva, com permissão para acordos diretos entre empresas e sindicatos locais, em detrimento de convenções nacionais;
  6. Alterações em indenizações e demissões, com redução no cálculo das indenizações e possibilidade de pagamento parcelado (em até seis vezes para grandes empresas e até 12 para pequenas e médias);
  7. Combate à informalidade: a proposta elimina multas por falta de registro trabalhista e cria mecanismos de “regularização” dos vínculos, mas proíbe a contratação de monotributistas (regime para autônomos) em funções que deveriam ser de trabalho formal, com relação de dependência.

No setor digital, trabalhadores de aplicativos passam a ser reconhecidos formalmente como autônomos, com regras próprias e um seguro de proteção. Já o teletrabalho deixa de seguir obrigações adicionais estabelecidas durante a pandemia.

Além do quesito mais polêmico de redução de salários, o governo também retirou o artigo que permitia pagar salários em moeda estrangeira ou por carteiras digitais — como as do Mercado Pago — por não oferecerem as mesmas garantias dos bancos tradicionais, supervisionados pelo Banco Central.

O mercado de trabalho argentino

Dados da Pesquisa Permanente de Domicílios (EPH) do Instituto Nacional de Estatística e Censos (Indec), referentes ao terceiro trimestre de 2025, indicam que a Argentina tinha 13,6 milhões de pessoas ocupadas e cerca de 1 milhão de desempregados — uma taxa de desocupação de 6,6%.

A população economicamente ativa somava 15,4 milhões, o equivalente a 51,4% da população total.

Entre os trabalhadores, 71,9% eram assalariados, mas apenas 63,3% tinham emprego formal com contribuição previdenciária. Somando os autônomos, a informalidade alcança cerca de 43% do mercado.

O setor de serviços reúne aproximadamente 70% dos postos de trabalho, seguido por indústria e construção (22%) e agropecuária (8%). Além disso, mais de um quarto dos ocupados trabalha mais de 45 horas por semana, indicando jornadas prolongadas.

G1

https://g1.globo.com/trabalho-e-carreira/noticia/2026/02/20/reforma-trabalhista-milei-camara.ghtml

Prévia do PIB: Índice cresce 2,5% em 2025 com queda em dezembro

Ipsos: Brasileiros têm segurança nas finanças hoje, mas mantêm pé atrás em relação aos próximos meses

O brasileiro começou 2026 sentindo uma melhora no bolso hoje, mas pisando no freio em relação aos próximos meses. É o que revela pesquisa Ipsos divulgada nesta quinta-feira (19) com Índice de Confiança do Consumidor, que mediu como a população de 30 países percebe o momento econômico atual e as expectativas para o futuro.

De acordo com o levantamento, o Índice de Confiança do Consumidor atingiu o maior patamar dos últimos 18 meses, com 55,1 pontos em janeiro de 2026 (1,9 ponto a mais que o mês anterior e 3,9 pontos em relação a janeiro de 2025).

🌡️A pesquisa usa “termômetros” para medir a confiança na economia. A melhora entre os brasileiros é puxada principalmente pelos indicadores do presente (que avalia a percepção sobre as finanças pessoais e o emprego hoje), do bolso (que mede a coragem de gastar) e da estabilidade (confiança na segurança do emprego). Os três índices tiveram alta em relação ao período anterior.

⏲️Por outro lado, o “barômetro do futuro”, que mede projeções para os próximos seis meses, foi o único indicador a registrar queda. Em janeiro de 2026, o Índice de Expectativas marcou 64,1 pontos (1,8 ponto a menos que no mês anterior e 0,2 ponto abaixo do registrado em janeiro de 2025).

O resultado revela um comportamento que especialistas descrevem como um “carpe diem” econômico: aproveitar o momento, sem apostar muito no amanhã.

Segundo Rafael Lindemeyer, diretor sênior da Ipsos, o momento reflete uma sensação de oportunidade.

“O brasileiro se sente mais seguro no emprego hoje e crê que sobrou um pouco mais de dinheiro no bolso agora. Por isso, a ‘coragem de gastar’ aumentou. É como se o consumidor dissesse: ‘vou aproveitar para realizar meus planos agora, porque não sei como estará o cenário daqui a seis meses'”, aponta.

A pesquisa mostra ainda que a geração Z (nascidos entre 1996 e 2010) é a mais disposta a gastar. Já entre os brasileiros de até 35 anos, 61% estão otimistas quanto à possibilidade de economizar e investir no futuro. Entre os maiores de 50 anos, o percentual cai para 47,1%, o menor índice entre as faixas etárias.

Embora menos otimista, a geração X (nascidos entre 1965 e 1980) registrou avanço na percepção de que a situação econômica é boa: alta de 14 pontos em relação ao ano anterior.

O levantamento também indica que, em janeiro de 2026, cerca de 55% dos brasileiros se sentiam mais seguros no emprego na comparação com os seis meses anteriores, enquanto 45% relataram queda na confiança. Entre a geração Z, 62% disseram estar mais confiantes.

Quando o assunto é o emprego nos próximos seis meses, 73% afirmam não acreditar que perderão o trabalho por causa das condições econômicas, enquanto 27% veem essa possibilidade.

🔎A pesquisa Índice de Confiança do Consumidor é realizada mensalmente pela Ipsos em 30 países e mede como a população percebe o momento econômico atual e as expectativas para o futuro, além de investigar a situação financeira individual, a disposição para poupar e a segurança para realizar compras ou investimentos de maior valor. As informações de janeiro foram coletadas entre 24 de dezembro de 2025 e 9 de janeiro de 2026.

 G1

Prévia do PIB: Índice cresce 2,5% em 2025 com queda em dezembro

Governo planeja levar projeto 6×1 em regime de urgência

ENQUANTO POLÍTICOS discutem em Brasília o fim da escala de trabalho 6×1 no país, algumas empresas decidiram por conta própria atender à demanda de trabalhadores e abolir o regime. Há exemplos de uma rede de farmácias, supermercados, lojas de departamento e até um hotel de luxo que concederam um dia a mais de folga por semana a seus empregados, adotando a escala 5×2 e se antecipando a uma mudança que especialistas no mercado de trabalho veem como inevitável.

“O Brasil está atrasado nessa mudança, mas ela vai ocorrer”, prevê Marcelo Manzano, professor do Instituto de Economia da Unicamp e diretor do Cesit (Centro de Estudos Sindicais e de Economia do Trabalho) da universidade. “Há empresas que já entenderam isso e estão se adiantando, até para poderem se adaptar à nova realidade.”

O hotel Copacabana Palace, um dos mais luxuosos do Rio de Janeiro, é uma delas. No primeiro semestre de 2025, ele aboliu de forma progressiva a escala 6×1 imposta às cerca de 350 pessoas que compõem sua equipe operacional, incluindo todas na 5×2.

Segundo o Copacabana Palace, que hoje pertence à rede internacional Belmond, a folga semanal extra não alterou a carga horária semanal dos trabalhadores nem seus salários. A administração informou à Repórter Brasil que a mudança foi tomada, principalmente, para “melhorar a qualidade de vida dos colaboradores, promovendo maior equilíbrio entre vida pessoal e profissional”, mas que também foi feita para que o estabelecimento se adaptasse a “desafios crescentes de atração e retenção [de empregados] no modelo 6×1”.

“Nenhum jovem mais quer trabalhar numa jornada exaustiva de seis dias de trabalho por semana”, ressaltou Ricardo Patah, presidente nacional da UGT (União Geral dos Trabalhadores) e do Sindicato dos Comerciários de São Paulo, setor formado em maior parte por trabalhadores ainda submetidos à 6×1.

Mercados e farmácias se adaptam ao 5×2

A rede de supermercados Pague Menos, presente em 21 cidades do interior de São Paulo, tem cerca de 8.000 trabalhadores em 39 lojas e nos setores administrativos, centro de distribuição, entreposto de carnes e central de panificação.

Parte deles começou a trabalhar no modelo 5×2 no ano passado. A rede tem feito ajustes no funcionamento de suas lojas para a mudança de jornada. Parte delas não vai mais funcionar aos domingos. Outra teve o horário de funcionamento dominical reduzido, passando de 7h às 20h para 8h às 18h.

“Nosso objetivo é seguir gerando empregos, formando talentos e oferecendo condições para que cada profissional evolua junto com a empresa”, afirmou Sergio Biagioli, presidente da companhia, em um comunicado de balanço de final de ano. Segundo ele, a implantação da escala 5×2 seguirá em expansão em 2026.

Já no varejo farmacêutico, as mais de 1.600 lojas das redes Drogarias Pacheco e Drogaria São Paulo também mudaram o regime de trabalho de 6×1 para 5×2 durante 2025. As duas pertencem ao Grupo DPSP, que atua em nove estados e no Distrito Federal.

Marcos Colares, presidente do grupo, afirmou em comunicado da DPSP divulgado à época da alteração da jornada que a decisão buscava aumentar a qualidade de vida dos trabalhadores, mas também trazer mais saúde para os negócios da empresa. “A mudança impacta diretamente nos nossos objetivos a longo prazo, de trazermos cada vez mais saúde aos colaboradores, clientes e ao negócio”, disse o executivo.

A Abrafarma (Associação Brasileira de Farmácias e Drogarias) e a Abras (Associação Brasileira de Supermercados) foram procuradas pela Repórter Brasil para comentar a adoção da escala 5×2 entre empresas dos dois setores, mas não responderam.

Em 2025, a Abras divulgou que os supermercados brasileiros tinham 350 mil vagas de trabalho que não conseguiam ser preenchidas. Para Patah, da UGT, isso tem relação com a escala 6×1. “Os supermercados sempre foram a porta de entrada do trabalhador no mercado de trabalho. Mas hoje eles não encontram empregados dispostos a trabalhar seis dias na semana pelo salário que o setor está disposto a pagar”, disse.

Marca diz seguir modelo da Suécia

Já dentro de shoppings, o exemplo vem da rede de lojas de departamento H&M. A empresa de origem sueca abriu suas quatro unidades no Brasil no ano passado.  Em todas, o regime de trabalho é 5×2.

“A escala 5×2 é uma diretriz global da H&M e está presente em praticamente todos os mercados onde atuamos. Por isso, esse modelo foi implementado desde o começo como parte do nosso compromisso de ser um empregador responsável, oferecendo equilíbrio entre vida profissional e pessoal e garantindo alinhamento com o nosso modo de operar globalmente”, justificou a companhia, em respostas encaminhadas à reportagem..

Segundo o texto, a escala com duas folgas semanais promove um ambiente produtivo, saudável e colaborativo. Com elas, a empresa diz alcançar maior consistência operacional e engajamento das equipes.

A Abrasce (Associação Brasileira de Shopping Centers) também foi questionada sobre a mudança na escala de trabalho de trabalhadores do setor. Não respondeu.

Resistência empresarial em queda

Manzano, do Cesit, ressaltou que, apesar das entidades empresariais não declararem apoio ao fim da 6×1, parte dos empresários já entendeu que a rotina é insustentável. Segundo ele, há cada vez mais trabalhadores pedindo demissão de seus empregos — em 2025, o número deve chegar a cerca de 9 milhões. Parte disso se deve à rotina extenuante, avaliam os especialistas consultados.

Marilane Oliveira Teixeira, que também é pesquisadora do Cesit-Unicamp, reforçou que a insatisfação generalizada gera custos às empresas. A rotatividade reduz a produtividade. “A empresa aciona o RH, contrata, faz exame, treina o funcionário e ele pede demissão porque não vê sentido em trabalhar tanto para ganhar tão pouco”, acrescentou, lembrando que os baixos salários pagos no Brasil também são causa desse problema.

Segundo ela, 70% dos trabalhadores formais do país ganham até dois salários mínimos por mês. Hoje, isso não chega a R$ 3.300.

Procurado pela Repórter Brasil, o MTE (Ministério do Trabalho e Emprego) informou que não tem dados sobre a escala de trabalho dos empregados do país. Manzano e Teixeira veem uma tendência nacional de adoção desse regime de trabalho, mas desconhecem pesquisas que tenham mensurado isso no país.

Para ambos, a aprovação de projetos que prevêem a redução da jornada de trabalho no país seria positiva porque estabeleceria parâmetros gerais para todas as empresas. Isso evitaria que companhias que trabalhassem com jornadas menos curtas tivessem que concorrer contra aquelas que ainda adotam jornadas mais extensas.

A CNC (Confederação Nacional do Comércio) declarou que incentiva a busca de soluções [sobre a jornada] através da negociação coletiva — ou seja, sem imposição via lei. Para a entidade, a negociação entre trabalhadores e empresários ”permite que sejam levadas em conta as peculiaridades e possibilidades regionais dos diferentes setores da economia, inclusive do comércio de bens, serviços e turismo.”

Como andam as propostas no Congresso?

Uma PEC sobre a redução da jornada de trabalho (148/2015) está pronta para ser votada no Plenário do Senado. Se aprovada, seguirá para a Câmara dos Deputados.

Na Câmara, também há uma PEC (8/2025) sobre o assunto apresentada no ano passado pela deputada Erika Hilton (PSOL/SP) e outros parlamentares. A proposta foi aprovada em setembro pela Comissão de Trabalho da Casa. Aguarda um despacho do presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB) para avançar em sua tramitação. Se for aprovada, a proposta terá de ser analisada pelo Senado.

Nesta semana, a ministra das Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, afirmou que o fim da escala 6×1 é uma prioridade e que o governo federal pode enviar um projeto para unificar as propostas em tramitação no Congresso. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) já declarou apoio ao fim da escala 6×1 e deve adotar a proposta como uma de suas bandeiras durante sua campanha eleitoral deste ano.

O MTE informou que o ministro Luiz Marinho apoia o fim da escala 6×1, mas que o governo não tem uma proposta sobre o tema.

O debate sobre o fim da 6×1 ganhou força justamente durante a eleição municipal de 2024. Naquele ano, foi eleito para vereador no Rio de Janeiro Ricardo Azevedo (PSOL, que usou como mote de sua campanha o VAT (Movimento Vida Além do Trabalho).

Fonte: Repórter Brasil
Texto: Vinicius Konchinski

DM TEM DEBATE

https://www.dmtemdebate.com.br/farmacia-mercado-e-lojas-acabam-com-escala-6×1-enquanto-brasilia-debate-mudancas/