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Haddad, Dino e Tebet são os ministros de Lula mais populares na Câmara, diz pesquisa

Haddad, Dino e Tebet são os ministros de Lula mais populares na Câmara, diz pesquisa

Genial/Quaest

Levantamento ouviu 185 deputados, respeitando proporcionalidade regional e ideologia dos partidos; Rui Costa e Alexandre Silveira são os mais impopulares

Uma pesquisa realizada pelo instituto Quaest, divulgada nesta quinta-feira (10) em parceria com a Genial Investimentos, mostrou que o ministro da Fazenda, Fernando Hadddad (PT), é o titular de pasta na Esplanada dos Ministérios mais popular entre os deputados federais da atual legislatura.

Segundo o levantamento, o chefe da equipe econômica do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) é avaliado positivamente por 52% dos integrantes da Câmara dos Deputados consultados. No sentido oposto, 20% consideram negativa sua gestão, e 24%, regular.

Na sequência, aparece o ministro da Justiça e Segurança Pública, Flávio Dino (PSB), avaliado positivamente por 48% dos parlamentares entrevistados e negativamente por 34%. Outros 15% consideram a atuação do ex-governador do Maranhão regular.

A terceira posição é ocupada pela ministra do Planejamento e Orçamento, Simone Tebet (MDB), com 47% de menções positivas, 30% regulares e 20% negativas. Trata-se, junto com Haddad, do menor patamar de rejeição entre os seis nomes de ministros testados pela pesquisa.

Dividindo ideologicamente os parlamentares em função dos partidos que representam, é Dino quem lidera as preferências no campo da esquerda, com 96% de avaliações positivas e nenhuma negativa. Ele, por outro lado, é o mais rejeitado pela direita: 74%.

Já Haddad aparece na segunda colocação entre os ministros mais populares no campo da esquerda, com 83% e 4%, respectivamente. Enquanto Tebet é elogiada por 75% e criticada por 2%. Na direita, os dois são rejeitados por 46% e 42%, respectivamente.

O levantamento também testou os nomes de dois ministros do Palácio do Planalto e outro titular de pasta na Esplanada dos Ministérios. No primeiro grupo, Alexandre Padilha (PT), chefe das Relações Institucionais, é avaliado positivamente por 41% de todos os parlamentares consultados, e negativamente por 27%. Considerando os dados segmentados, Padilha tem o apoio de 68% na esquerda, 38% no centro e 21% na direita. Já seus índices de reprovação são de 2%, 21% e 51%, na mesma ordem.

Fora da Esplanada, o chefe do Ministério de Minas e Energia, Alexandre Silveira (PSD), aparece na sequência no ranking de popularidade, com 28% de avaliações positivas entre todos os entrevistados, 36% regulares e 20% negativas. Ele é o menos aprovado pela esquerda: 43% ‒ 5 pontos percentuais a mais do que no centro, enquanto na direita são 13%. Já do lado da rejeição, os índices são, respectivamente, 11%, 28% e 75% nos três grupos.

A lanterna no ranking dos ministros testados pela pesquisa ficou com Rui Costa (PT), chefe da Casa Civil, avaliado positivamente por 25% dos deputados, e negativamente por 41% ‒ outros 28% ficaram em cima do muro. Na esquerda, ele é aprovado por 51% e reprovado por 11%. No centro, são 26% e 28%, respectivamente. Já na direita, o ex-governador da Bahia é aprovado por 3% e reprovado por 75% dos parlamentares entrevistados.

Foram feitas 185 entrevistas presenciais e online com deputados federais no exercício de seus mandatos. A amostra foi definida com base em estratos de região e posicionamento ideológico dos partidos (esquerda, centro e direita). A margem de erro máxima estimada é de 4,8 pontos percentuais para cima ou para baixo.

O período de coleta ocorreu entre 13 de junho e 6 de agosto, capturando dos extremos da relação de Lula com o Congresso Nacional em seu terceiro mandato. O pior deles, em junho, quando a medida provisória da reestruturação dos ministérios ficou por um fio de perder validade. E o melhor, a partir de julho, após a aprovação do novo marco fiscal e da reforma tributária ‒ pautas prioritárias da agenda econômica.

INFOMONEY

https://www.infomoney.com.br/politica/haddad-dino-e-tebet-sao-os-ministros-de-lula-mais-populares-na-camara-diz-pesquisa/

Haddad, Dino e Tebet são os ministros de Lula mais populares na Câmara, diz pesquisa

Com Lula, The Economist já fala em nova “decolagem” do Brasil

Reportagem sobre o País publicada na revista britânica traz o título “Investidores estão cada vez mais otimistas com a economia brasileira”

por André Cintra

A inflação e o dólar caíram, o crescimento surpreendeu e até o mercado já começou a elogiar a gestão Lula. Para a The Economist, a imagem do Brasil já mudou – e para melhor – após o fim do governo de destruição de Jair Bolsonaro. E não é só!

Reportagem sobre o País publicada na revista britânica na quarta-feira (2) traz o título “Investidores estão cada vez mais otimistas com a economia brasileira”. A razão, conforme o subtítulo, é que “um ministro das finanças eficiente e o contexto internacional favorável ajudam”.

A tentativa de atribuir o sucesso do terceiro governo Lula especialmente ao ministro Fernando Haddad, da Fazenda, soa forçado. Foi com o mesmo Lula na Presidência que, em 2009, a The Economist soltou a famosa matéria de capa com o Cristo Redentor decolando, como um foguete, do Morro do Corcovado. A manchete – “Brazil takes off” (“O Brasil decola”) exaltava os bons números da economia brasileira em meio à crise global do capitalismo, iniciada em 2007/2008. O ministro da Fazenda, na ocasião, era Guido Mantega.

Catorze anos depois, a revista – que cobriu as sucessivas crises e recessões brasileiras nos anos seguintes – brinca agora com a primeira chamada: “Could it be… taking off?” (“Poderia estar… decolando?”).

Diversas matérias do Vermelho já mostraram que a desconfiança do mercado com a eleição de Lula em 2022 era descabida. Poucos governos expuseram tanto as contas públicas do Brasil quanto o de Jair Bolsonaro, especialmente no último ano de mandato, quando quase quebrou a máquina para tentar a reeleição.

Apesar do caos bolsonarista, a The Economist lembra que o mercado nutria antipatia não pelo ex-presidente, mas pelo atual. “Quando Luiz Inácio Lula da Silva foi eleito presidente do Brasil no ano passado, os investidores estremeceram. No entanto, seis meses depois de assumir o cargo, os mercados estão se aquecendo para o governo Lula”, admite a revista.

Parte da euforia se deve, conforme a reportagem, a fatores externos, como o fim de restrições econômicas da China e a Guerra na Ucrânia – dois eventos que tiveram como desdobramentos o aumento das exportações brasileiras. Liberal, a revista também elogia a nefasta política monetária do Banco Central e medidas como o novo arcabouço fiscal e a reforma tributária.

De acordo com a The Economist, o Brasil pode entrar num ciclo de prosperidade – em uma nova “decolagem” – graças também à possível transformação do País numa potência energética verdade e ao Acordo Mercosul-União Europeia. “O cenário global e os sucessos de Haddad estão aumentando o otimismo dos investidores agora”, resume a revista. “Mas será necessária uma política boa e consistente para reverter a tendência de longo prazo do Brasil.”

VERMELHO

https://vermelho.org.br/2023/08/04/com-lula-the-economist-ja-fala-em-nova-decolagem-brasil/

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Comissão debaterá ingresso de pessoas com deficiência no mercado de trabalho

Dados do Dieese apontaram que a proporção de pessoas com deficiência empregadas diminuiu em praticamente todas as faixas de tamanho de empresas entre 2020 e 2021

por Iram Alfaia

Embora o número de vínculos formais de emprego de pessoas com deficiência tenha crescido consideravelmente nos últimos dez anos (2011 e 2021), passando de 324,4 mil para quase 521,4 mil, um aumento de 60,7%, a proporção de ligação desse segmento com os vínculos formais continua sendo baixa. Nesse mesmo período, passou de 0,71% para 1,08%.

Os dados divulgados pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) servirão de base para audiência pública, no dia 3 de setembro, na Comissão de Defesa dos Direitos das Pessoas com Deficiência da Câmara dos Deputados.

Foram convidados para a audiência a presidente do Dieese, Maria Aparecida Faria; o presidente do Instituto Brasileiro de Estatística (IBGE), Marcio Pochmann; e a representante do Ministério do Trabalho e Emprego, a procuradora Ludmila Reis Brito Lopes.

Leia mais: Câmara fará seminários nos estados sobre políticas para pessoas com deficiência

“O estudo traz importantes informações sobre o cumprimento da ‘Lei de Cotas’ para as pessoas com deficiência e sinaliza que existe um amplo espaço para que o Brasil avance na inserção da pessoa com deficiência no mercado de trabalho”, observou o presidente da comissão, Márcio Jerry (PCdoB-MA), que propôs a audiência.

No caso da Lei de Cotas, o Departamento avaliou que algumas grandes empresas não apenas cumpriam a lei, mas contratavam pessoas com deficiência além do mínimo exigido, enquanto a maioria sequer cumpria o mínimo.

“Neste caso, o papel fiscalizador do governo é importante para ampliar a inserção das pessoas com deficiência no mercado de trabalho”, cobrou o Dieese.

De acordo com o parlamentar, o encontro também tem como objetivo “qualificar a contribuição da comissão para ampliar a empregabilidade das pessoas com deficiência no mercado de trabalho”.

Alguns números são preocupantes. Por exemplo, a proporção de pessoas com deficiência empregadas diminuiu em praticamente todas as faixas de tamanho de empresas privadas, entre 2020 e 2021.

Ou seja, a pandemia de Covid-19, parece ter atingido com mais intensidade as pessoas com deficiência no mercado de trabalho formal.

Ao isolarem os dados de 2022, diz Márcio Jerry, o Dieese apontou que no primeiro trimestre registrou-se saldo negativo para as pessoas com deficiência, em menos de 1904 empregos celetistas, principalmente entre as pessoas com deficiência física (-1200) e reabilitadas (-899).

Contudo, o presidente da comissão considerou que há um amplo espaço para o crescimento da participação desse segmento no número de empregos no país em termos quantitativos e qualitativos.

De acordo com o Dieese, nos empregos formais, apenas 1,1% eram ocupados por pessoas com deficiência, em 2021, “sendo que, nos cargos de chefia, elas ocupavam apenas 0,5% dos postos de trabalho. Notadamente, percebe-se uma sub-representação das pessoas com deficiência nos cargos de comando das empresas”.

VERMELHO

https://vermelho.org.br/2023/08/09/comissao-debatera-ingresso-de-pessoas-com-deficiencia-no-mercado-de-trabalho/

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Novo PAC será lançado, nesta sexta (11), para triplicar investimento em infraestrutura

Programa tem evento de lançamento no Theatro Municipal do Rio, nesta sexta (11), com possível anúncio das obras em cada estado.

por Cezar Xavier

O governo trabalhou nos últimos ajustes do Novo PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) dias antes de seu lançamento, marcado para esta sexta-feira (11), às 11h, no Theatro Municipal do Rio de Janeiro. O plano de investimento terá 2 mil obras, das quais 300 são indicações dos governadores e 1,7 mil foram escolhidas pelo governo federal.

O empacotamento de projetos quer chegar ao valor de R$ 1 trilhão em investimentos públicos e privados em quatro anos. Sua implementação deverá triplicar os investimentos públicos federais em infraestrutura nos próximos anos. O valor investido por ano no setor pelo governo federal deverá saltar dos atuais R$ 20 bilhões para R$ 60 bilhões.

“Vai ser um grande programa de investimento e, combinado com a política de inclusão que já colocamos em prática, acho que vamos voltar a surpreender os analistas econômicos do FMI [Fundo Monetário Internacional], que vão se enganar todas as vezes que nivelaram por baixo as perspectivas de crescimento econômico do Brasil”, disse o presidente Lula, em conversa com correspondentes estrangeiros na última semana.

O evento de lançamento deverá ser um dos maiores do ano para o Palácio do Planalto, com 800 convidados entre governadores, entidades de classe e trabalhadores, empresários, investidores e políticos. Até o momento, 19 chefes de Executivo já confirmaram presença, entre eles PE, RN, MA, PB, MG, RS, ES. As baixas confirmadas ficam por conta dos governadores bolsonaristas de São Paulo e Paraná, que mandarão representantes.

O Novo PAC é a aposta do Palácio do Planalto para geração de empregos por meio de obras em todos os estados. Marca das gestões de Lula e Dilma, o PAC terá um monitoramento centralizado na Casa Civil. Com isso, o governo espera identificar gargalos em comum e soluções transversais.

A prioridade do programa será a finalização de obras inacabadas em todo o país. Estimasse que o Brasil tenha ao menos 14 mil obras paradas em todo o país, sendo pouco mais de 4 mil apenas na área da educação. Em seguida, o programa focará na realização das obras pleiteadas pelos governadores em cada estado e, por último, as obras consideradas prioritárias de cada ministério.

Até esta quinta-feira, Rui Costa, programou de apresentar o Novo PAC aos presidentes da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), e do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), em conversas separadas, em um gesto de deferência às duas Casas.

Em uma terceira agenda, Costa levará o plano de investimentos do governo a líderes do Congresso. O ministro pretende mostrar a parlamentares que o programa será abrangente e contemplará as principais prioridades de cada estado.

Investimento público e privado

Coordenador do programa, o ministro da Casa Civil, Rui Costa, prevê R$ 60 bilhões ao ano em investimentos públicos no PAC. De acordo com integrantes do ministério, há espaço fiscal previsto para o investimento, independentemente da aprovação do arcabouço fiscal na Câmara.

Os R$ 60 bilhões previstos são bem próximos dos valores totais de investimentos no Orçamento da União neste ano, de cerca de R$ 70 bilhões. O valor também está na faixa do piso de investimentos previsto no arcabouço fiscal (de 0,6% do PIB). Nos governos anteriores, o PAC já chegou à casa dos R$ 150 bilhões em 2013 (valor corrigido pela inflação até agora), número que foi sendo reduzido até o programa ser extinto no primeiro governo de Bolsonaro.

Além do investimento público, estão previstos valores de financiamentos em bancos públicos, concessões e PPP, números que ainda serão fechados nos próximos dois dias.

O programa terá sete eixos de investimentos: transportes (como rodovias e portos), água (em projetos como abastecimento e saneamento), transição e segurança energética (petróleo, gás, linhas de transmissão, mineração, entre outros), infraestrutura urbana (Minha Casa, Minha Vida, prevenção de desastres, mobilidade), inclusão digital, infraestrutura social (educação, saúde, cultura, entre outros) e defesa.

Em uma última rodada de reuniões, a Casa Civil já informou a todos os chefes de executivo estaduais os empreendimentos que serão contemplados em cada estado. Todos os estados terão obras, e a expectativa é de pelo menos três em cada unidade da federação.

Somente na data de lançamento do programa haverá um número consolidado. Até quinta-feira, novas obras de interesse do Planalto poderão ser incluídas a depender do espaço orçamentário.

Em janeiro, o desenho do novo PAC teve, como ponto de partida, uma lista de 417 obras, empreendimentos prioritários e projetos apresentados pelos governadores em uma reunião com Lula. Agora, essa relação foi reduzida para cerca de 300.

Infraestrutura social e ambiental

O novo plano de investimento que está sendo preparado pelo governo é diferente do passado, porque terá um foco maior em infraestrutura social e ambiental. Segundo o diretor de investimento do BNDES, Nelson Barbosa, há muita coisa a ser feita ainda em termos de eficiência energética, adaptação das cidades inteligentes, e que podem ter um volume menor de emissões.

“Vamos anunciar muitos investimentos na questão energética, na energia eólica, solar, biodiesel, etanol, hidrogênio verde, e tudo isso vamos fazer na perspectiva de produzir energia mais barata para o povo brasileiro”, explica o presidente Lula. Para o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, o novo Programa de Aceleração do Crescimento será um “PAC verde” e vai representar um novo ciclo de desenvolvimento sustentável no país.

O PAC prevê uma transição ecológica, com incentivos ao uso de combustíveis de baixa emissão de carbono, o uso de materiais sustentáveis no setor de construção civil, incentivo para a gestão de resíduos e logística sustentável.

Barbosa tem dito ainda que o Brasil é uma democracia que tem um sistema público de educação, de saúde, e uma política de transferência de renda. Haverá projetos de concessão de energia, rodovias, manutenção de hospitais, recuperação de escolas públicas.

Em setembro haverá uma chamada pública para demandas e propostas de investimentos na área de saúde, de educação, esporte, cultura, focada em alguns pré-programas que são prioridade em cada uma das áreas. Na saúde, o governo compreende que há lacuna de investimento em atenção secundária de saúde.

O BNDES vai captar junto ao BID, ao banco de desenvolvimento da China e ao banco dos Brics recursos que haviam sido oferecidos ao Brasil e o governo Bolsonaro ignorou.

BNDES e Caixa

O “Novo PAC” (Programa de Aceleração do Crescimento), terá como uma das principais linhas o financiamento dos projetos por meio de bancos públicos, que devem dar crédito para obras que serão feitas via concessão à iniciativa privada e por estados e municípios.

Haverá projetos bancados com o Orçamento da União, ou seja, obras inteiramente públicas; e aqueles listados como concessões e empreendimentos locais (como rodovias estaduais). A ideia é garantir o financiamento das concessões e também das obras regionais.

De acordo com o secretário especial de Articulação e Monitoramento da Casa Civil, Maurício Muniz, instituições como BNDES e Caixa terão linhas específicas para bancar os empreendimentos.

Marca do segundo mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva — que teve sua primeira edição em 2007 —, o PAC tinha uma atuação forte particularmente do BNDES. Entre 2009 e 2014, os desembolsos para infraestrutura oscilaram entre R$ 100 bilhões e R$ 115 bilhões ao ano, a valores de hoje.

Agora, porém, o capital do banco está mais restrito, há menos possibilidades de subsídios, além de as regras de órgãos de controle terem ficado mais duras. Por isso, o governo está buscando alternativas para garantir o financiamento mais barato. Em vez de financiar sozinho os projetos, o BNDES atuava como “coordenador” de engenharias de financiamento, acreditando que atrairia fontes privadas, como crédito bancário e títulos de dívida, o que é raro.

Para garantir capital dos bancos, o Palácio do Planalto prepara uma consulta ao Tribunal de Contas da União (TCU) para autorizar a diluição da devolução de recursos dos bancos públicos ao Tesouro. Desde o governo Michel Temer, o BNDES vinha encolhendo, com a mudança nas regras de crédito, que equiparam os juros às taxas de mercado, prejudicadas pela exorbitante taxa Selic. O governo Bolsonaro derrubou a capacidade do BNDES de investimento, devolvendo seu vastos fundos públicos ao governo.

Há ainda cerca de R$ 100 bilhões a serem pagos, a maior parte do BNDES e da Caixa. Esses bancos vinham adotando uma política de devolver antecipadamente recursos ao Tesouro, o que o atual governo quer atrasar para que sirvam para crédito.

O secretário da Casa Civil explica que, ao colocar a obra no PAC, os bancos terão a sinalização de que essa é uma prioridade do governo. Portanto, poderão reservar capital especificamente para essas obras, o que daria a garantia de financiamento aos projetos.

Para garantir capital dos bancos, o Palácio do Planalto prepara uma consulta ao Tribunal de Contas da União (TCU) para autorizar a diluição da devolução de recursos dos bancos públicos ao Tesouro.

Nelson Barbosa, por sua vez, diz que, como banco, o BNDES pode lançar papéis, como “letra de crédito do desenvolvimento”, para que o banco possa emitir e a pessoa física investir sem pagar imposto. Com isso, repassa toda a desoneração para o tomador final, a taxa poderá sair mais baixa, sem depender do Tesouro.

Segundo ele, isto faria o BNDES “andar com as próprias pernas”, como fazem outros bancos de desenvolvimento do mundo. Esta proposta será enviada ao Congresso junto com as outras medidas que Haddad está preparando para melhorar o funcionamento do mercado financeiro, após a aprovação do arcabouço fiscal.

Com informações de O Globo

VERMELHO

https://vermelho.org.br/2023/08/10/novo-pac-sera-lancado-nesta-sexta-11-para-triplicar-investimento-em-infraestrutura/

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Viva a burrice! Salve a burrice! Santa burrice! Providencial burrice!

Seis meses atrás escrevi e publiquei um artigo com o título “O que seria de nós sem a burrice dessa gente?”, sobre os golpistas de 8 de janeiro que fizeram aquela m… desculpe, aquele crime e não apenas deixaram suas impressões digitais como também se deixaram fotografar e filmar quebrando tudo, e fornecendo gratuitamente as provas das atrocidades que cometeram. Santa burrice! Burrice que, graças aos céus, continua a nos salvar diariamente, haja vista a descoberta feita pela CPMI dos atos golpistas, de que alguns ajudantes de ordens do golpista-mor Jair Bolsonaro excluíram mais de 17 mil e-mails das contas de trabalho deles. Só que os energúmenos esqueceram de um detalhe essencial: não apagaram as mensagens… das lixeiras dos computadores! Não sabiam nem ninguém disse a eles que as “lixeiras”, apesar desse nome, são locais onde simplesmente fica guardado tudo o que foi “apagado”. Tanto assim que existe um comando em todo computador para apagar o que está… na lixeira! Ufa! Ainda bem. Pois assim os integrantes da CPMI tiveram acesso a TODOS os e-mails, e já encontraram tudo arrumadinho, sem precisar vasculhar conta por conta. Nesse caso, a Nação só tem a agradecer à burrice desse povo, é ou não é?

Pois foi graças à ignorância dessa raça que a CPMI pôde saber, por exemplo, que entre os e-mails que foram recuperados na lixeira do computador do tenente-coronel do Exército Mauro Cid, ajudante-de-ordens de Bolsonaro, estava a informação da tentativa de venda de um relógio Rolex por US$ 60 mil, equivalente a R$ 300.000. Detalhezinho sem maior importância: o Rolex havia sido ganho por Bolsonaro numa das viagens oficiais. Mauro Cid havia trocado mensagens com uma ex-assessora da Presidência sobre a venda do relógio, muito provavelmente por encomenda de Bolsonaro, que adora grana pura, como ficou provado com os 17 milhões arrecadados na vaquinha por pix que montou para pagar as multas recebidas do governo paulista por não usar máscaras na pandemia. Detalhezinho igualmente sem importância: até hoje não pagou essas multas, que somadas chegam a R$1.062.416,65. E pilheriou sobre os R$ 17 milhões que embolsou das doações do gado burro: – Dá pra pagar um caldo de cana pra Michele!

A burrice desse povo igualmente permitiu que fossem localizados na lixeira do computador de Osmar Clivelatti, hoje servidor de apoio de Bolsonaro, um e-mail atestando a existência de pedras preciosas recebidas pelo ex-presidente numa visita a Teófilo Otoni (MG), durante a campanha eleitoral, em outubro do ano passado. O e-mail revelava, “apenas”, que as joias seriam destinadas ao ex-presidente e à ex-primeira-dama Michele Bolsonaro e não teriam sido cadastradas como bens pertencentes à Presidência da República, e sim ao acervo pessoal dos Bolsonaro. O e-mail entrega de bandeja a tentativa de apropriação indébita de itens pertencentes à União e não ao ocasional ocupante da Presidência da República. Com singeleza tão clara e elegante, o e-mail explicita em detalhes a burrice do remetente. Melhor transcrevê-lo na íntegra, pro leitor dar umas risadas: “Em 27/10/2022, foi guardado no cofre grande, 01 (um) envelope contendo pedras preciosas para o PR (presidente da república) e 01 (uma) caixa de pedras preciosas para a PD (primeira-dama), recebidas em Teófilo Otoni em 26/10/2022. A pedido do TC Cid, as pedras não devem ser cadastradas e devem ser entreguem em mãos para ele. Demais dúvidas, Sgt Furriel está ciente do assunto”. Precisa dizer mais alguma coisa? Simples assim.

Houve uma época, aqui em Brasília, durante a ditadura militar, em que os jornalistas reviravam o lixo das casas de ministros e outras autoridades e neles encontravam papéis altamente comprometedores. Suas excelências não se davam sequer ao trabalho de incinerar os documentos jogados fora. Prato cheio pra quem vive de notícias. Esse desleixo permitiu até uma descoberta retumbante, que mudou a versão corrente até então de que o então ministro da Fazenda Mário Henrique Simonsen entornava hectolitros de uísque. Notas fiscais encontradas no lixo dele provaram que gostava mesmo era de cerveja. Em quantidades industriais!

Agora, as lixeiras são virtuais. Mas continuam muito importantes. E tais como as pedras e as joias, muito, mas muito preciosas.

Por tudo isso, salve a burrice! Santa burrice! Providencial burrice! Pelo amor de tudo quanto é sagrado, vamos lutar em favor da preservação da burrice. Porque se ela for extinta, o que será de nós?

O texto acima expressa a visão de quem o assina, não necessariamente do Congresso em Foco. Se você quer publicar algo sobre o mesmo tema, mas com um diferente ponto de vista, envie sua sugestão de texto para redacao@congressoemfoco.com.br.

AUTORIA

Paulo José Cunha

PAULO JOSÉ CUNHA Escritor, jornalista e professor da UnB. Foi repórter da Rede Globo, do Jornal do Brasil, de O Globo e também trabalhou na Rádio Nacional. Entre outros livros, escreveu A Noite das Reformas, sobre a extinção do AI 5.

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