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O Brasil atingiu os 53 pontos no Índice de Confiança do Consumidor (ICC), após subir 0,6 ponto em junho. De acordo com a Ipsos, responsável pelo levantamento divulgado nesta segunda-feira (29), o consumidor brasileiro tem encontrado estabilidade nos últimos meses.

O ICC dá nota de 0 a 100, sendo acima de 50 uma avaliação considerada positiva. A média global é de 47,9 pontos. Para se ter ideia, a França tem somente 38,7 pontos. A Argentina, ainda menos, 37,4 pontos. Os Estados Unidos, embora acima da média mundial, estão abaixo da zona positiva, ao registrar 49,1 pontos depois do recuo de 0,5 ponto no mês. O país com maior pontuação no ICC é a Índia, com 63,8 pontos.

Segundo a pesquisa, o cenário positivo do Brasil ocorre de forma paradoxal. Isso porque, apesar de notícias desafiadoras no âmbito macroeconômico de curto prazo, com revisões para cima da inflação e a possibilidade de interrupção do ciclo de queda dos juros, o consumidor brasileiro vive sob forte exposição midiática. No entendimento da Ipsos, situações como o escândalo do banco Master e o aumento de casos de violência, especialmente contra as mulheres, tiram o foco sobre o aperto financeiro que pode estar se avizinhando do bolso das pessoas, o que leva a uma percepção mais atenuada sobre a economia.

Para Rafael Lindemeyer, líder de experiência da Ipsos Brasil, o humor do consumidor está oscilando em prazos muito curtos porque ele vive em um ecossistema volátil: “de um lado, é pressionado pelo aperto real do bolso, que ativa sua mente crítica de consumidor auditor; de outro, a percepção de melhora no rumo do país injeta uma dose de esperança, despertando o consumidor parceiro”.

Há um esforço grande do instituto em justificar essa observação. Para isso, indica que o estudo What Worries the World mostra que 42% dos brasileiros acreditam que o país está na direção certa em junho, alta de 3 pontos percentuais em relação a maio e de 5 pontos percentuais na comparação com os últimos 12 meses. Por outro lado, destaca que Crime e Violência (47%) e Corrupção (39%) permanecem como maiores preocupações com o impulso da “superexposição midiática”.

A teoria é válida, porém carece de um entendimento mais profundo sobre renda e mercado de trabalho, pois o país nos últimos anos sob o governo Lula consolidou uma forte base socioeconômica, que possibilitou alcançar a menor taxa de desemprego da história, assim como a menor taxa de pobreza. A retomada de políticas como a de valorização do salário mínimo, somada à ampliação de programas sociais, como o Bolsa Família, permitiram, entre outras situações, a diminuição do número de pessoas das classes D e E (a base da pirâmide social).

Tudo isso são aspectos que devem ser considerados, uma vez que dinheiro na mão do trabalhador movimenta a economia, como insiste em lembrar o presidente Lula em seus discursos. Portanto, um cidadão com renda consistente e maior tende a ter mais confiança sobre o consumo de forma perene.

VERMELHO
https://vermelho.org.br/2026/06/30/brasileiros-estao-otimistas-com-a-economia-indica-a-ipsos/