por master | 16/04/12 | Ultimas Notícias
O governo federal vai investir R$ 2,8 bilhões na construção de 170 mil moradias para famílias com renda mensal de até R$ 1.600,00, que vivem em pequenos municípios brasileiros. Nessa etapa, 2.582 municípios com menos de 50 mil habitantes serão beneficiados pelo programa Minha Casa Minha Vida 2. A presidenta Dilma Rousseff destaca no seu programa de rádio a importância de assegurar um lar às famílias mais pobres, que precisam do apoio e do subsídio do governo, e também do potencial de desenvolvimento que o programa leva aos municípios contemplados.
Transcrição
Apresentador: Olá, amigos! Eu sou o Luciano Seixas e estou aqui para mais um Café com a Presidenta Dilma. Bom dia, presidenta! Tudo bem?
Presidenta: Tudo bem, Luciano. E um bom-dia para você ouvinte que nos acompanha aqui no Café.
Apresentador: Presidenta, na semana passada, a senhora anunciou uma etapa muito importante do Minha Casa Minha Vida, que vai atender os pequenos municípios brasileiros. Explica para a gente como isso vai funcionar.
Presidenta: Olha, Luciano, o Minha Casa Minha Vida é um programa importantíssimo do governo federal, porque esse programa, ele investe na qualidade de vida das famílias. Nessa nova etapa, nós vamos construir 107 mil casas nas cidades pequenas do país, com até 50 mil habitantes, Luciano. As casas, elas vão ser construídas em mais de 2.500 municípios, principalmente do Norte e do Nordeste, onde vivem as famílias mais pobres, que precisam de mais apoio do governo. A opção por essas regiões mais pobres é um compromisso do meu governo, Luciano, porque desenvolvimento econômico tem que vir acompanhado de justiça social.
Apresentador: A construção dessas 107 mil casas faz parte de um programa bem maior, não é, presidenta?
Presidenta: Faz parte do Minha Casa Minha Vida, na Fase 2, que vai construir 2,4 milhões de moradias até 2014. Preste atenção, Luciano, nós acabamos de aumentar a meta, que era de 2 milhões de residências, porque queremos dar ainda mais oportunidades para que mais famílias possam ter sua casa própria. Só de janeiro do ano passado, para você ter uma ideia, Luciano, até agora, nós já contratamos a construção de 614 mil casas.
Apresentador: Presidenta, no caso desses pequenos municípios, quanto o governo federal vai investir na construção das casas?
Presidenta: Nós vamos investir R$ 2,8 bilhões. Para cada casa, o governo federal vai entrar com R$ 25 mil como subsídio para a família que vai ter acesso a essa casa. E, além disso, Luciano, a família não terá de pagar mais nada. Se a casa custar mais do que os R$ 25 mil, o que for investido pela prefeitura poderá ser cobrado. Mas, veja bem, a prestação não pode passar de 5% da renda familiar. Se uma pessoa ganha R$ 1.000,00, por exemplo, ela vai ter de pagar até R$ 50,00. A gente sabe, não é, Luciano, que as famílias que ganham até R$ 1.600,00 por mês só conseguem ter sua casa própria se o governo ajudar. Por isso, quem estiver interessado em participar do programa deve fazer o quê? Deve procurar a prefeitura da cidade, que fará a seleção dos beneficiados – vai inscrever e vai selecionar. A prefeitura também terá de conseguir o terreno e investir no abastecimento d’água, na coleta de esgoto e nas ligações de energia elétrica.
Apresentador: E como será a seleção dos beneficiados, presidenta?
Presidenta: Olha, Luciano, é bom você ter perguntado isso, porque é uma pergunta que todo mundo quer saber como é que é. Atendido o critério de renda de até R$ 1.600,00, a prioridade será para as mães que são chefes de família ou o pai, quando for o caso, que ele tiver a guarda dos filhos. Também nós vamos dar preferência aos moradores de área de risco, pessoas que moram em beira de córregos, em áreas que podem ter desmoronamento; e também, Luciano, às pessoas com deficiência. A casa não deve ser vista como patrimônio de uma pessoa, mas, sim, como patrimônio de uma família. É lá que as pessoas se sentem abrigadas, protegidas e acolhidas.
Apresentador: A primeira fase do Minha Casa Minha Vida já tinha começado a construir casas em pequenos municípios, não é mesmo, presidenta?
Presidenta: É verdade, Luciano. Desde o governo do presidente Lula que nós temos esta parte do programa. No Minha Casa Minha Vida, Fase 1, nós já havíamos contratado 63 mil casas em municípios menores de 50 mil habitantes. Uma dessas casas, Luciano, foi para Maria Osmilda, de Ivinhema, no Mato Grosso do Sul. A Maria já morou em um barraco de lona por muitos anos, Luciano, e depois se mudou para um cômodo nos fundos da casa do pai, onde vivia com o marido e duas filhas. Sabe, Luciano, lá não tinha nem banheiro, eles tomavam banho na vizinha ou com a água de um tambor. No mês passado, a vida da Maria Osmilda mudou completamente, porque ela recebeu sua casa do Minha Casa Minha Vida. Agora, o casal tem seu quarto e as filhas têm outro quarto, além da cozinha e de um banheiro, Luciano, com a água encanada, bem diferente do barraco em que eles viviam.
Apresentador: Presidenta, a construção de casas em pequenos municípios também é um grande impulso para a economia local, não é mesmo?
Presidenta: Veja só, Luciano, a construção dessas casas aquece e dinamiza a economia de cada um desses pequenos municípios. Em muitos casos, as próprias pessoas que vão receber as casas trabalham na obra, seja em regime de mutirão ou como empregadas das construtoras. Assim, os R$ 2,8 bilhões, que vamos investir na realização do sonho da casa própria, vão também desenvolver a economia local, vão fazer o comércio se movimentar, as lojinhas vão vender mais, vão ser gerados, Luciano, mais empregos. E aí, a vida de todo mundo melhora porque a renda de todo mundo melhora.
Apresentador: Presidenta, infelizmente, o nosso tempo hoje chegou ao fim. Obrigado por mais esse Café.
Presidenta: Obrigada a você. E uma boa semana!
Apresentador: Você que nos ouve pode acessar este programa na internet, o endereço é www.cafe.ebc.com.br. Nós voltamos na próxima segunda-feira, até lá!
por master | 16/04/12 | Ultimas Notícias
O ”boom” imobiliário força empresas da construção civil a tentar reduzir gastos com o pagamento de impostos para sobreviver no competitivo mercado
Não é de hoje que o planejamento tributário é uma grande preocupação de empresários de diversos segmentos. Com o objetivo de reduzir os gastos com o pagamento de impostos e sobreviver no competitivo mercado, muitos gestores lançam mão de assessorias especializadas, que dispõem de profissionais das áreas de contabilidade, economia, administração e direito. Na construção civil não é diferente. O setor, especialmente com o ”boom” imobiliário, mais do que nunca busca reduzir a tributação por meio de um eficiente planejamento.
Segundo o advogado tributarista Frederico de Moura Theophilo, de Londrina, cerca de 34% do Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil é dedicado aos impostos anualmente, o que totaliza mais de R$ 1 trilhão. No ano passado, o PIB brasileiro fechou em aproximadamente US$ 2,3 trilhões. ”1/3 desse valor foi em impostos”, observa Teophilo.
Apesar de não haver dados específicos que ilustrem a situação da área da construção civil, a realidade tributária no Brasil, como se vê, gera custos enormes às empresas, independentemente da área. Por isso, o planejamento é tão necessário.
”O planejamento consiste em estudar as possibilidades legais e identificar, dentre as alternativas disponíveis, a que traz a menor carga fiscal dentro de um contexto lícito”, afirma o advogado Piraci Oliveira Junior, de São Paulo, que é mestre em Direito e professor universitário e de pós-graduação na área tributária. No mês de maio ele vai ministrar o curso ”Planejamento Tributário em Obras de Construção”, em São Paulo, promovido pela Canal Executivo Treinamentos.
Oliveira Junior destaca que os principais objetivos do planejamento são reduzir a carga fiscal e não apresentar passivos ocultos, a fim de não gerar questionamentos do fisco. Nesse contexto, avalia o especialista, o fisco brasileiro tem combatido de forma mais severa a sonegação e a informalização dos tributos por meio de uma eficiente ferramenta: a informatização dos dados.
Para reduzir as cargas tributárias, há quem busque meios ilícitos, que são enquadrados como crimes de sonegação fiscal. Tal prática é conhecida como evasão fiscal. Já a economia de impostos por caminhos legais é definida como elisão fiscal.
O panorama no Brasil em relação ao planejamento tributário tem mudado muito. ”No caso da construção civil a mudança é ainda maior por conta do ”boom” imobiliário, que faz com que os profissionais envolvidos se mobilizem em busca de organização e planejamento”, pontua Oliveira Junior, ressaltando que a preocupação com o planejamento tributário deve partir do gestor da empresa.
Basicamente, existem três formas de apurar os impostos, podendo o gestor escolher a que melhor se adequa a sua realidade. São elas: o Regime Especial Tributário (RET), o lucro presumido ou o lucro real. ”Dependendo do que apontar o lucro estimado do negócio pode haver variações profundas de uma alternativa para outra”, alerta Oliveira Junior.
Para maximizar o resultado tributário, de acordo com o advogado, a alternativa mais procurada é o Regime Especial Tributário (RET), que tem carga fiscal de 6% sobre o faturamento. ”Dependendo da origem dos valores esse procedimento pode ser conjugado com a Sociedade em Contas de Participação, trazendo bons resultados fiscais”, diz. Mas, se não houver o RET, outra opção é o lucro presumido em que a carga sobe para próximo de 7% sobre o faturamento. ”É um valor bastante atrativo”, avalia, acrescentando que no caso do lucro real a carga fiscal é de 34% sobre o lucro total.
De acordo com o advogado tributarista Frederico de Moura Theophilo, a forma de apurar os impostos varia de empresa para empresa. ”Não é possível dizer qual é a melhor opção, pois depende da análise da performance de cada organização”, salienta.
Na opinião dele, a tributação no Brasil é abusiva e a construção civil não foge dessa regra. Isso porque, além dos tributos pagos ao Governo Federal, existem os impostos embutidos nos preços dos produtos e dos serviços. ”O Governo adota medidas pontuais para diminuir os tributos. Mas, não são suficientes para resolver a questão e para piorar acabam complicando a vida dos tributaristas. As iniciativas deveriam ser permanentes”, critica.
Entre as medidas, o Governo Federal prorrogou a redução do IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados) para materiais de construção até o final de 2012, desonerando alguns produtos (confira quadro).
por master | 16/04/12 | Ultimas Notícias
O discurso ameaçador de paralisação geral do funcionalismo público nos Três Poderes, adotado pelas centrais sindicais, não tirou do secretário de Relações do Trabalho do Ministério do Planejamento, Sérgio Mendonça, a crença de que um acordo possa vir a evitar a greve. Os sindicalistas, no entanto, mantêm a disposição de parar se não tiverem suas reivindicações atendidas.
”Eu, por obrigação, acredito em vários acordos. Podemos ter greve, podemos ter conflito, mas, para a maioria das coisas, vamos conseguir chegar a um acordo. Acho difícil que haja um movimento generalizado, na minha percepção. O governo lida tranquilamente [com essa questão]. É democrático e sabe que isso é possível. Mas temos que tomar atitudes de tentar viabilizar [a negociação] dentro dos órgãos. Se chegar, infelizmente, a uma greve, que seja decorrente de um longo processo de negociação”, disse.
A pré-anunciada greve geral está programada para 9 de maio, caso não haja entendimento entre o governo e os sindicalistas. As centrais sindicais representam cerca de 1,2 milhão de servidores públicos. Desses, cerca de 570 mil estão na ativa. Mendonça não acredita que a paralisação vá atingir todos os funcionários. ”Não estou ignorando ou menosprezando o poder de mobilização das entidades. A greve faz parte do processo, mas greve de 100% de adesão é meio difícil.”
Mas, na opinião do secretário-geral da Confederação dos Trabalhadores no Serviço Público Federal (Condsef), Josemilton Costa, o governo tem sido ”inflexível” com os sindicalistas. ”Por enquanto estamos aguardando propostas concretas do que eles têm para nos oferecer. Estamos esperando”, disse.
A pauta de reivindicação inclui melhoria salarial, correção de distorções, paridade e definição de data-base. ”Mantemos nossa posição. Se não houver flexibilidade por parte do governo, vamos decretar paralisação geral. Queremos mobilizar todos os servidores”, acrescentou Costa.
O governo, por sua vez, alega que será difícil abrir a carteira em um momento de incertezas econômicas e financeiras, diante do atual cenário internacional. ”Essa crise internacional, que você não sabe o tamanho, pode voltar. É uma situação delicada que deixa mais precavido o governo que já tem responsabilidade fiscal. Política macroeconômica tem base forte na questão fiscal. Quando dá crise internacional, qual é o receio? Tenho que ficar mais ainda apegado à questão fiscal”, justificou o secretário.
Mendonça destacou que um dos pontos que tem dificultado a possibilidade de acordo entre as duas partes é a reivindicação por ajuste linear. ”Unificar pauta geral, eu reconheço que é de difícil atendimento pelo governo. Não se consegue fazer outra política que não a de ajuste remuneratório, correção das distorções. Por isso é que dá o sentimento de que eles vêm aqui [os servidores que negociam] e não estão sendo atendidos. Porque, de fato, não é compatível fazer uma coisa e outra, não há recursos para tanto’, concluiu.
por master | 16/04/12 | Ultimas Notícias
Um pesquisador brasileiro desenvolveu um capacete que pode salvar vidas no caso de acidente. O equipamento resfria o cérebro e pode evitar lesões mais graves.
Circular pelas ruas movimentadas em duas rodas, trabalhar nas alturas. Operários da construção civil e motoqueiros estão entre as maiores vítimas dos acidentes que provocam lesões cerebrais. Mas os danos podem ser reduzidos com o uso do capacete criado pelo professor Renato Rozental, da Universidade Federal de Rio de Janeiro.
“Um paciente tendo sofrido um traumatismo craniano, este capacete possibilita que nós iniciemos imediatamente um processo de refrigeração do cérebro deste paciente, através de injeção de gases nas válvulas. Este gás vem em uma garrafinha e este gás é distribuído por bexigas interligadas”, explica Renato Rozental.
O capacete é o resultado prático de várias conclusões científicas. O professor Rozental estuda as consequências dos impactos no cérebro há 20 anos. As pesquisas são feitas em parcerias entre universidades brasileiras e americanas.
A descoberta foi divulgada por uma revista científica dos Estados Unidos. A liga de futebol americana logo se interessou. São muitos os casos de traumas entre os jogadores.
Sempre que há um traumatismo, ondas elétricas atípicas são geradas no cérebro. Quando o trauma é grave essas ondas aceleram a morte do tecido. O sistema acoplado ao capacete resfria o crânio e impede que elas se propaguem. É como se estivesse colocando gelo na lesão.
Os jogadores de lá já aprovaram a novidade. Na temporada de competições do segundo semestre, o capacete com biotecnologia brasileira entrará em campo.
E no Brasil? “Com incentivos apropriados, nós temos condições técnicas de ter este capacete funcionando no prazo de um ano”, avisa Rozental.
por master | 16/04/12 | Ultimas Notícias
A presidente Dilma Rousseff disse durante seu programa de rádio “Café com a presidenta”, que foi ao ar na manhã desta segunda-feira (16), que o governo federal vai investir R$ 2,8 bilhões na construção de 107 mil moradias para famílias com renda mensal de até R$ 1.600,00, que vivem em pequenos municípios brasileiros. Nessa etapa, segundo ela, 2.582 municípios com menos de 50 mil habitantes serão beneficiados pelo programa Minha Casa Minha Vida 2.
De acordo com Dilma, o programa vai atender principalmente o Norte e o Nordeste do país. “O Minha Casa Minha Vida é um programa importantíssimo do governo federal, porque investe na qualidade de vida das famílias. Nessa nova etapa, vamos construir 107 mil casas nas cidades pequenas do país, com até 50 mil habitantes. As casas vão ser construídas em mais de 2.500 municípios, principalmente do Norte e do Nordeste, onde vivem as famílias mais pobres”.
A presidente explicou como vai funcionar o programa. “Vamos investir R$ 2,8 bilhões. Para cada casa, o governo federal vai entrar com R$ 25 mil. E, além disso, a família não terá de pagar mais nada. Se a casa custar mais do que os R$ 25 mil, o que for investido pela prefeitura poderá ser cobrado. Mas a prestação não pode passar de 5% da renda familiar. Se uma pessoa ganha R$ 1.000,00, por exemplo, ela vai ter de pagar até R$ 50,00”.Dilma afirmou que até 2014, o governo vai construir 2,4 milhões de moradias. “Faz parte do Minha Casa Minha Vida, Fase 2, que vai construir 2,4 milhões de moradias até 2014. Acabamos de aumentar a meta, que era de 2 milhões de residências, porque queremos dar ainda mais oportunidades para que mais famílias possam ter sua casa própria”.
por master | 16/04/12 | Ultimas Notícias
Financiamentos estão servindo até para pagamento de dívidas. Com o regime de alienação, no entanto, em caso de inadimplência o resgate do imóvel é rápido
O boom imobiliário está estimulando o mercado de hipotecas – empréstimos com garantia de imóvel – no Brasil. A modalidade de crédito, que começou a ser explorada pelos bancos principalmente a partir de 2009 no país – cresceu até 550% no ano passado e deve dobrar de tamanho em 2012. A hipoteca está sendo usada para bancar a expansão do negócio, cursos no exterior, comprar um segundo imóvel ou pagar dívidas mais caras.
Em 2012, a hipoteca deve crescer acima do que o crédito imobiliário como um todo, que deve ter expansão de 30% a 40% neste ano. Esta modalidade de crédito – que ficou conhecida por estar no centro do estouro da bolha imobiliária nos Estados Unidos há três anos – já alcançou cerca de 5% (cerca de R$ 4 bilhões) de todo o crédito imobiliário no Brasil. Mas a projeção dos bancos é que essa participação possa chegar a 25% em cinco anos.
Alternativa
Metade da casa por um investimento na empresa
O empresário Donizete Campanelli hipotecou a casa para comprar um equipamento para sua empresa. Emprestou R$ 244 mil e vai pagar parcelas de cerca de R$ 5 mil em 15 anos. “É um equipamento caro e como é usado não há linhas de financiamento atrativas. Então optei pela hipoteca. Com o lucro pretendo antecipar o pagamento e honrar o empréstimo em quatro anos”, afirma.
O imóvel, avaliado pelo banco em R$ 480 mil, vai financiar um trator de perfuração de solo, fabricado na Itália, usado na construção civil. “Um equipamento como esse, novo, custa mais de R$ 1 milhão”, diz. Campanelli diz que “sempre dá um pouco de medo” fazer esse tipo de operação, mas ele está confiante. “O setor da construção está crescendo e vamos ter um salto tecnológico com essa nova máquina”, afirma.
Diferente
Sistema é seguro e não repetirá o subprime dos EUA, dizem os bancos
Apesar das semelhanças com o modelo que gerou a crise norte-americana do subprime no fim de 2008, bancos e financeiras dizem que o crédito imobiliário sem destinação específica que tem o imóvel como garantia é uma modalidade segura, indicada principalmente para a população de classe média que já quitou a casa própria e que tem boa saúde financeira.
A modalidade, garantem os bancos, tem regras que trazem segurança ao sistema. A maior parte das concessões é feita por meio da alienação fiduciária, na qual a propriedade passa para o banco durante o financiamento e a execução é rápida. Nos Estados Unidos, o cliente continuava como dono do imóvel. Ao contrário do que ocorre aqui, nos Estados Unidos, era possível também hipotecar várias vezes o mesmo imóvel e em valores superiores ao seu valor de mercado.
“As instituições aqui são mais conservadoras na análise do cadastro. Clientes inadimplentes ou com baixo potencial de pagamento, mesmo com um imóvel quitado e de valor alto, não conseguem esse tipo de empréstimo”, diz Rodrigo Pinheiro, da Barigui Companhia Hipotecária. A taxa de recusa de cadastro nesse tipo de operação varia de 30% a 50% no mercado. As instituições, no entanto, não fornecem dados sobre a inadimplência na carteira. “Mas ela é praticamente zero”, diz o superintendente da Caixa Econômica, Hermínio Basso.
Com uma garantia de peso nas mãos – o imóvel –, os bancos emprestam mais, a prazos maiores e juros menores. As taxas praticadas são de cerca de 2% ao mês, contra 10% das cobradas no cartão de crédito.
Em geral, os bancos exigem que o imóvel seja quitado e financiam entre 50% e 70% do valor do bem por prazos de até 180 meses. Mas como o imóvel fica alienado ao banco, em caso de inadimplência, o resgate é rápido.
A Caixa Econômica Federal, que lidera o crédito imobiliário no Brasil, aumentou em 550% o saldo de operações em 2011, para R$ 2,1 bilhões, depois de ampliar de 120 para 180 meses o prazo máximo de pagamento. A expectativa para este ano é mais que duplicar esse volume – para cerca de R$ 5 bilhões – segundo o superintendente regional da Caixa, Hermínio Basso. Somente no Paraná, o volume atingiu R$ 240,4 milhões – dos quais pouco menos da metade (R$ 110,9 milhões) em Curitiba. “Por ser uma forma de crédito mais barata, o financiamento com garantia de imóvel deve dobrar de tamanho por ano. Trata-se de uma modalidade que começa a se desenvolver no Brasil e que tem grande potencial”, projeta Basso.
Na avaliação de Rodrigo Pinheiro, diretor da Barigüi Companhia Hipotecária, o brasileiro vai substituir, nos próximos anos, empréstimos de curto prazo e mais caros pelos de longo prazo e mais baratos. “A dívida dos brasileiros sobre o Produto Interno Bruto (PIB) é menor do que a dos americanos sobre o seu PIB. Mas o brasileiro compromete muito mais da sua renda mensal com juros e amortizações que quem mora nos Estados Unidos. Esse descompasso se deve, em parte, ao perfil da dívida do brasileiro, que é mais cara e mais curta. Por isso esse tipo de crédito tem ainda tanto potencial no Brasil”, afirma. Segundo ele, a Barigüi Companhia Hipotecária ampliou em 300% sua carteira de financiamentos em 2011, para R$ 50 milhões. A empresa reduziu juros e ampliou de cinco para dez anos o prazo de pagamento.
“É um tipo de crédito que pode bancar a reforma da casa, o investimento na empresa ou até mesmo o sonho de viagem para a Europa”, diz Jaime Chiganças, superintendente de crédito imobiliário do HSBC. Porém ele admite que o crescimento mais expressivo desse mercado vai depender da queda mais acentuada dos juros cobrados. “Ele também esbarra em fator cultural que é o apego do brasileiro à propriedade e o medo de perdê-la”, acrescenta. O HSBC faz hoje cerca de R$ 10 milhões de operações nessa categoria por mês, o dobro da que fazia em 2010, segundo Chiganças.
Juros são altos e exigem cautela
Apesar de ser uma modalidade de empréstimo mais barata que o cheque especial e o crédito pessoal, o empréstimo com garantia do imóvel ainda é caro se considerado o baixo risco que os bancos e instituições financeiras possuem na operação. No Brasil, a taxa de juros anual da hipoteca chega a 20% ao ano – contra 3% nos Estados Unidos nessa mesma modalidade. Para Jaime Chiganças, superintendente de crédito imobiliário do HSBC, ainda há espaço para essas taxas caírem no país com a maior concorrência entre os bancos e esse é um dos desafios para popularizar a hipoteca no Brasil.
Para Claudia Silvano, coordenadora do Procon no Paraná, o consumidor precisa pensar bem antes de hipotecar a casa. “A razão do empréstimo precisa justificar colocar em risco um bem desse porte, porque há sempre a possibilidade de surpresas e dificuldades para honrar as parcelas, como a perda do emprego ou outro problema”, afirma.
Além disso, várias instituições oferecem linhas com uma taxa fixa atrelada a um indexador variável, como IGP-M, TR, CDI ou IPCA. Há em geral, um limite de comprometimento de 30% da renda com o empréstimo. Mas esse comprometimento é só inicial. Ninguém sabe como esses índices vão se comportar nos próximos anos e quanto a parcela vai pesar no bolso de quem contratou o empréstimo, sobre o qual também incidem taxas e IOF.
Segundo o advogado especialista em Direito do Consumidor Alceu Machado Neto, sócio do escritório Alceu Machado, Sperb & Bonat Cordeiro, a alienação fiduciária permite o resgate do imóvel pelo banco de maneira rápida e extrajudicialmente. “Na antiga hipoteca, havia a possibilidade de se discutir o resgate na justiça e o processo demorar mais de quatro anos para o proprietário perder o imóvel. Com a alienação, não há essa possibilidade. O imóvel é vendido e a dívida é paga. Isso também limita a margem de negociação da dívida entre o consumidor e o banco”, diz.