por master | 19/03/12 | Ultimas Notícias
Resolução do BC obrigou bancos a reduzir número de tarifas a cinco. Para compensar, eles passaram a cobrar mais por elas
A padronização das tarifas dos cartões de crédito, regulamentada por resolução do Banco Central, provocou uma alta generalizada nas tarifas cobradas dos consumidores. Levantamento feito pela Associação Brasileira de Defesa do Consumidor (Pro Teste), constatou inflação de mais de 20% nas tarifas entre 2010 e 2011. No caso das anuidades, o reajuste chegou a passar de 270%.
A hiperinflação das tarifas é um desdobramento da Resolução n.º 3.319 do Conselho Monetário Nacional (CMN), que limitou a cinco os tipos de tarifa que podem ser cobradas dos usuários de cartões de crédito. Antes havia cerca de 40 tarifas; agora, apenas podem ser cobradas a anuidade, emissão de 2.ª via, saques em dinheiro, pagamento de contas e pedido de aumento emergencial de limite de crédito. A limitação passou a valer em 1.º de junho do ano passado para cartões contratados a partir daquela data. Em junho deste ano, a medida passa a valer para todos os contratos.
Auxílio
Sites ajudam a encontrar melhor opção
O consumidor pode usar a internet como ferramenta para pesquisar as melhores tarifas dos cartões de crédito. A Associação Brasileira de Empresas de Cartões de Crédito e Serviços (Abecs) criou um site com um sistema que permite a comparação de taxas, anuidades e taxas de juros praticadas pelos bancos. A Associação Brasileira de Defesa do Consumidor (Pro Teste) também desenvolveu o sistema Minha Escolha Certa, que permite verificar qual a opção adequada de acordo com o perfil do consumidor, além de comparar taxas de juros e vantagens dos clubes de benefício.
Serviço:
Seus direitos
Em junho, novas regras do cartão passam a valer para todos os contratos.
• Mínimo: O pagamento mínimo, que era de 10% da fatura, passou a ser de 15%.
• Tarifas: A administradora pode cobrar apenas cinco tarifas: anuidade, segunda via do cartão, saque em terminais eletrônicos, pagamento de contas e avaliação emergencial de limite de crédito.
• Tipos de cartão: A operadora tem de oferecer dois tipos de cartões de crédito: básico, com anuidade mais barata, e diferenciado, com programas de benefícios e serviços.
• Solicitação: A administradora não pode enviar cartão sem solicitação prévia do consumidor.
• Juros: A operadora tem de incluir informações sobre juros e encargos que serão cobrados caso o cliente pague apenas o valor mínimo na fatura.
• CET: O extrato deverá trazer informações claras sobre o Custo Efetivo Total (CET) do parcelamento.
• Cancelamento: Quando solicitado, o cancelamento do cartão terá de ser imediato, mesmo que haja saldo devedor.
“A resolução tem um caráter positivo, que é o de uniformizar as diversas tarifas. Antes, cada banco cobrava o que quisesse e podia estabelecer sua tabela de tarifas, com nomenclaturas diferentes. Neste sentido, agora há maior transparência e o consumidor tem a possibilidade de comparar os preços”, avalia a economista da Pro Teste Hessia Costilla.
Para ela, o “efeito colateral” foi o aumento exagerado das tarifas praticadas. Segundo o levantamento da entidade, o maior reajuste da anuidade foi praticado pelo banco Santander, que aumentou o valor da anuidade do cartão American Express Blue em mais de 270% – de R$ 27 em 2010 para R$ 100 em 2011.
“Entendemos que o aumento foi uma forma que os bancos encontraram de compensar a perda de receita com as taxas que não podem mais ser praticadas. Acreditamos que, em um mercado em que há concorrência, isso tende a se amenizar, mas este não é o caso do sistema bancário brasileiro”, avalia Hessia.
A entidade encaminhou um ofício à Casa Civil da Presidência da República e ao Departamento de Proteção e Defesa do Consumidor (DPDC), ligado ao Ministério da Justiça, informando que, além das taxas de juros elevadas, o consumidor brasileiro também estaria sendo penalizado com o valor das anuidades.
A economista recomenda que o consumidor busque renegociar com o banco o valor da anuidade ou mesmo pedir isenção da tarifa. “Se não der certo, o consumidor é livre para cancelar o contrato e buscar outro banco com preços mais competitivos”, orienta.
Hessia alerta o consumidor de que o cartão de crédito não deve ser usado como instrumento de financiamento. “Os juros são muito altos. O cartão deve servir apenas para centralizar pagamento de compras em uma data mais adequada. Para financiamento, o consumidor deve buscar alternativas mais baratas.”
Procurada para comentar o aumento das tarifas, Associação Brasileira de Cartões de Crédito e Serviços (Abecs) informou que não regula e não controla as práticas e estratégias comerciais das empresas, e que, como representante do setor, busca dar transparência às informações para que o consumidor possa comparar as tarifas e escolher a que lhe for mais vantajosa.
Padrão para bancos também elevou custos
A padronização das tarifas praticadas pelos bancos, determinada pelo Banco Central em 2007, também gerou uma alta estratosférica de algumas taxas. Em um ano, os bancos reajustaram em 433% a chamada “Tarifa de Renovação de Cadastro”, cobrada para que os bancos mantenham atualizadas todas as informações dos clientes, como endereço, contatos e informações de crédito.
O procedimento é autorizado pelo BC e tido como medida de segurança para evitar lavagem de dinheiro, sonegação de impostos e fraudes financeiras. Tal como nas tarifas do cartão de crédito, os bancos aproveitaram a regulamentação para incorporar tarifas extintas e aumentar os preços praticados. Na época, as instituições argumentaram que o aumento seria decorrente de uma “equiparação de preço defasado em relação aos custos operacionais do serviço”.
A Resolução 3371 do BC determinou uma padronização do sistema de cobrança de tarifas bancárias. Antes da norma, cada banco tinha sua própria política de cobrança pelos serviços oferecidos, o que dava margem à sobreposição de tarifas com a criação de diferentes nomenclaturas para um mesmo procedimento. Os bancos, que cobravam até 70 tarifas diferentes, reduziram para 30 o número de procedimentos.
por master | 19/03/12 | Ultimas Notícias
Fiscalização encontrou condições degradantes e jornadas de até 16 horas em lavouras de soja, café e milho. Ao todo, 24 pessoas foram resgatadas
Por Daniel Santini
Trabalhadores resgatados de condições análogas à escravidão no final de fevereiro em lavouras de soja, café e milho, nos municípios de Montividiu e Rio Verde, em Goiás, dormiam com ratos e morcegos, segundo o Ministério do Trabalho e Emprego (MTE). De acordo com o auditor fiscal Roberto Mendes, as jornadas de trabalho prolongadas, que chegavam a 16 horas, e as condições degradantes a que 24 pessoas eram submetidas sistemáticamente em fazendas do grupo Ypagel, caracterizam escravidão contemporânea, conforme previsto no artigo 149 do Código Penal. A ação de fiscalização contou com a participação do auditor Juliano Baiocchi e da procuradora Carolina Marzola Hirata, do Ministério Público do Trabalho (MPT), além de apoio da Polícia Federal.
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Teto do alojamento infestado de animais em que trabalhadores dormiam. Fotos: divulgação/MTE)
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Os trabalhadores foram resgatados das fazendas Monte Alegre, Pindaíbas e Cachoeira de Montividiu, todas pertencentes ao grupo Ypagel, dos irmãos Valdemar Osvaldo Gonçalves e Jurandir Osvaldo Gonçalves, e suas filhas Geovana Eliza Gonçalves e Franciele Mendes Gonçalves. Questionado sobre as condições a que o grupo era submetido, o gerente responsável pela colheita de soja, Antônio Osvaldo Gonçalves, irmão dos dois proprietários, afirmou que todos da família estavam viajando e que não poderia se pronunciar. A Repórter Brasil tentou contato com Valdemar, mas, até o fechamento desta reportagem, ele não retornou aos recados deixados em seu celular.
Após o flagrante, a família Gonçalves pagou imediatamente R$ 175 mil de verbas recisórias para os trabalhadores e concordou em regularizar as condições para os libertados seguirem trabalhando, agora com os direitos respeitados. O MPT negocia Termo de Ajustamento de Conduta que prevê o pagamento de R$ 300 mil em danos morais coletivos e fiscalizações regulares para verificar se as condições determinadas serão cumpridas.
Colheita
A agilidade para regularizar a situação tem relação com os prejuízos decorrentes de atrasos na colheita da soja, que vai de fevereiro a março em Goiás. O MTE promete intensificar as ações de fiscalização até o final do período. “Na região do sudoeste goiano existem milhares de produtores de soja e suspeita-se que possa haver outros casos semelhantes. Como o período de colheita coincide com o período chuvoso, existe certa dificuldade de se realizar a colheita, uma vez que quando se chove não é possível colher. E como, após atingir o ponto ideal de colheita, os grãos não podem aguardar muito tempo, os agricultores costumam aproveitar ao máximo aqueles dias em que as condições estão ideais para tal (dias ensolarados). E é justamente aí que ocorre a exigência de jornadas de trabalho extremamente excessivas, que se prolongam até as 20h/23h”, explica o auditor Roberto.
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Condições em que trabalhadores foram encontrados era degradante.
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“Outra causa da exigência de jornadas de trabalho além do limite legal é a busca pelo aproveitamento máximo das máquinas usadas na colheita da soja, geralmente equipamentos de última geração e de alto custo e que, em regra, só são usados por poucas semanas por ano, durante a colheita. Mas são problemas que os agricultores têm que encontrar soluções, como por exemplo, a contratar mais funcionários e o estabelecer dois turnos de trabalho”, completa, lembrando que a legislação prevê jornada de oito horas diárias, com no máximo duas horas extraordinárias por dia. “Salvo exceções previstas no artigo 61, da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), que não se aplica ao caso da colheita da soja”.
Degradação
O estado dos alojamentos em que os trabalhadores eram obrigados a dormir durante a época de colheita está entre um dos principais problemas encontrados. Havia apenas um chuveiro para um grupo de mais de 20 homens e condições inadequadas de higiene e habitação. “Esses locais estavam em péssimas condições. Eram sujos e sem higiene, não tendo nenhuma estrutura para servir como moradias. Os únicos móveis existentes no local eram as camas velhas. Tinha trabalhador que nem colchão tinha, estavam dormindo ‘na tábua’. Era uma situação de total degradância. Os alojamentos estavam infestados de ratos e morcegos, que, durante o dia, dormiam sossegadamente na cozinha”, diz Roberto, que ressalta que, apesar da situação encontrada nos alojamentos, o maquinário usado na colheita e transporte da soja, bem como no plantio do milho safrinha era de última geração.
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Trabalhador dormia em barraca para tentar evitar contato com ratos e morcegos.
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A equipe de fiscalização encontrou uma barraca de acampamento na varanda da casa, armada por um dos trabalhadores que quis evitar o contato com os animais enquanto dormia. Segundo o relatório de inspeção do MPT, os trabalhadores que operavam as máquinas para borrifar veneno nas plantações estavam sujeitos a se contaminarem: “a depender do vento, o trabalhador acabaria molhado por veneno (especialmente no rosto, que não tem proteção)”, diz o texto. Além disso, nas frentes de trabalho não havia nenhuma estrutura, nem equipamentos de primeiros-socorros, nem banheiros, e nem água. A que os trabalhadores consumiam tinha que ser levada por eles em garrafas próprias.
Além de estarem submetidos a condições degradantes no alojamento e nas lavouras, os trabalhadores também tinham que cumprir jornadas exaustivas prolongadas. O grupo, de acordo com as autoridades, começava a trabalhar por volta das 6h e 7h e seguia até a hora que fosse possível, alguns cumprindo jornadas de até 16 horas.
por master | 19/03/12 | Ultimas Notícias
Muitas vezes, aposentados recebem o benefício do INSS (Instituto Nacional do Seguro Social) e têm sensação de que o valor deveria ser maior. Calcular para checar se há erros não é tarefa fácil. Mas se forem localizados, quem se sentir prejudicado pode pedir a revisão no próprio órgão. O problema é que o processo é demorado e 80% deles são negados pelo INSS, afirmam especialistas ouvidos pela equipe do Diário. “A cada dez pedidos, só dois são favoráveis”, diz Mônica Freitas, da Freitas e Tonin Advogados. Assim, o beneficiário tem que recorrer diretamente à Justiça para reverter a decisão. O instituto diz que não há estudos sobre o percentual de recursos negados. Mas fala que a maior parte se dá pela aplicação de lei.
Porém, recusas ocorrem principalmente em interpretações equivocadas na lei – alterada várias vezes nos últimos anos. Exemplo é quando se refere à revisão pelo teto (R$ 3.916,20). “Essa é mais comum por conta da recente decisão do STF (Supremo Tribunal Federal), que reconheceu o direito de um segurado a não ter seu benefício limitado ao teto que vigorava na época em que foi concedido”, diz Rafaela Lirôa dos Passos, da Innocenti Advogados.
A documentação também pode ser entrave. Se a pessoa se aposentou por idade, por exemplo, mas deixou de recolher por um ano, o INSS entende que houve perda da qualidade de segurado, e pode negar a revisão.
NA JUSTIÇA -Mônica defende que muitas vezes é melhor recorrer diretamente ao judiciário para ter ganho de causa. “É preferível nem discutir no INSS porque demorará anos para se ter decisão, que irá manter a rejeição.”
Aposentado há 17 anos, José Antonio de Resende, ex-eletrotécnico da falida Conforja, briga na Justiça para conquistar a segunda revisão. Ele se enquadra na recente decisão do STF que reconhece a defasagem dos benefícios e, portanto, o recálculo. A primeira revisão ele conquistou há seis anos – o processo tramitou por uma década.
Seu José se frustou quando veio notícia de que ele receberia R$ 140 a mais do que ganhava à época via INSS. Alteração em lei fez com que caísse muito o valor dos atrasados – o previsto eram R$ 600 mensais.
O INSS diz que não há nada a fazer por conta da política de reajustes dos benefícios. Afirma que isso não é suficiente para conceder revisão. José é vítima dessa política, que aproxima quem ganha mais salários-mínimos dos que recebem o piso. Sempre contribuiu pelo teto pensando em ganhar mais no futuro. “Aposentei com nove salários. Hoje, não chega a cinco.” Ele deverá receber até R$ 200 a mais desta vez. O tempo será outro problema. Pediu revisão em 2011, mas decisão deve sair até 2013.
por master | 19/03/12 | Ultimas Notícias
Apesar da oferta recorde em Curitiba, a velocidade dos negócios no ramo despencou a partir de outubro
Curitiba nunca teve um volume tão grande de imóveis usados à venda, mas mesmo assim os preços subiram até 26% no último ano. O resultado dessa combinação – que desobedece à lei de oferta e demanda – é que os negócios já não saem com a mesma facilidade.
Investidor começa a vender e eleva oferta
As grandes imobiliárias já sentem as mudanças no mercado. “Com tanta oferta, o proprietário que colocar o preço lá em cima pode perder a venda para o imóvel novo. Muitas empresas prometem ao proprietários lucros que não se concretizam”, afirma Elaine Gonzaga, diretora-geral do grupo Gonzaga. Ela confirma que está mais difícil vender o imóvel usado. “Valorização rápida e venda imediata são uma ilusão”, diz.
A oferta deve crescer também porque imóveis que foram comprados por investidores na planta há dois, três anos, começam a entrar na carteira de venda das imobiliárias. Segundo Elaine, o problema é que alguns investidores mal preparados estão com dificuldade para honrar o financiamento e terão que colocar o imóvel rapidamente à venda. “São pessoas que pensaram que poderiam lucrar muito e especularam com o mercado. Compraram duas, três unidades em um mesmo empreendimento, apenas confiando na valorização e na facilidade de revenda.”
A empresária estima que, para vender rápido, esses proprietários correm o risco, na atual conjuntura de mercado, de ter de oferecer preços até abaixo do que pagaram pelo imóvel. Ninguém sabe ao certo o tamanho da participação desse tipo de investidor no mercado, mas esses imóveis já aparecem na carteira de algumas imobiliárias.
“Alguns dias atrás vendemos um imóvel de investidor por R$ 290 mil, que estava sendo comercializado pela construtora por R$ 365 mil. Mas mesmo assim esse investidor está realizando lucro, pois pagou
R$ 220 mil na planta”, diz Jean Michel Galiano, superintendente da Apolar Imóveis, rede com 3 mil imóveis à venda, 10% mais do que há um ano. “Trata-se da volta à normalidade, o que já esperávamos. O problema é para quem acreditou que a euforia dos últimos três anos duraria para sempre”, diz Galino.
Diferenças
Situação no interior é diferente
Em Londrina e Maringá, cidades do Norte do estado que também viveram nos últimos dois anos a forte expansão da construção civil, a situação é diferente da capital. Os preços dos imóveis também estão aumentando, mas a oferta não explodiu como em Curitiba.
Dados do Inspepar mostram que o volume de imóveis residenciais colocados à venda em Londrina avançou 9,6% em um ano, para 2,49 mil unidades. Em Maringá, a oferta até caiu (3,6%) e estava em 1,4 mil no mês passado.
O preço médio do metro quadrado em Londrina fechou fevereiro em R$ 1.870, 20% maior que no mesmo período de 2011. Em Maringá, além de a oferta ter diminuído, os preços também vêm subindo em velocidade menor. Em fevereiro, o preço do metro quadrado estava, em média, 11,5% maior do que no mesmo período do ano passado, em R$ 1.925,93.
Velocidade
A oferta comportada e a demanda crescente garantem boa velocidade de vendas, segundo Teo Granado, vice-presidente regional do Secovi no Noroeste. Segundo ele, o mercado recuou um pouco a partir de setembro, mas voltou a crescer no início deste ano.
“Muita gente adiou a compra por receio da crise, mas, comparando o primeiro trimestre deste ano com o do ano passado, que foi muito bom, as vendas estão estáveis”, afirma. Segundo ele, um imóvel na cidade costuma levar de três a dez meses para ser vendido.
Um sinal de que a luz amarela acendeu para esse setor veio pela queda na Velocidade de Venda de Imóveis Usados (VUSO), índice que mede a porcentagem de unidades vendidas em relação à oferta disponível. O indicador atingiu 3,5% em janeiro, o pior resultado da série histórica do Instituto Paranaense de Pesquisa e Desenvolvimento do Mercado Imobiliário e Condominial (Inpespar), vinculado ao Sindicato da Habitação e Condomínios do Paraná (Secovi-PR).
Segundo Luiz Fernando Gottschild, presidente do Inpespar, o indicador subiu um pouco em fevereiro, para 4,9%, mas ainda assim está bem abaixo do mesmo período do ano passado, quando estava em 6,3%.
Desde fevereiro de 2011, pelo menos 2,6 mil unidades passaram a exibir placas de venda na cidade, quase o mesmo volume de imóveis novos entregues pelas construtoras nesse intervalo. Hoje há 19,4 mil unidades à venda, das quais 16,2 mil residenciais.
Mas, ao contrário do que se esperava, o ritmo de valorização dos usados continuou e praticamente acompanha o dos lançamentos. Para o empresário Hamilton Franck, ex-presidente do Sindicato da Indústria da Construção Civil (Sinduscon), trata-se de uma distorção. Em média, a partir do quinto ano de existência, um imóvel custa entre 30% e 40% a menos que um lançamento de mesmo porte no mesmo local. “O que se vê hoje é um valor 5% menor do que o novo. E grande parte dos preços estão no mesmo patamar de valor dos novos”, diz.
Ajuste
O primeiro sinal de que os negócios estavam mais devagar veio em outubro, quando a velocidade de venda despencou de 7,6% para 4%. “Hoje a velocidade de venda é a metade da que seria considerada ideal”, diz Luiz Carlos Borges da Silva, sócio-proprietário da imobiliária Outrasul. De acordo com ele, o tempo para concretização da venda – em média de dez meses – pode atingir até dois anos. “O dono do imóvel está tentando impor preços e o comprador não está aceitando. Preço acima do valor de mercado não vende”, diz.
Para Marcos Kahtalian, da Brain Consultoria, especializada no mercado imobiliário, esse é um comportamento, embora equivocado, muito comum. “É natural que o proprietário se empolgue e ache que seu imóvel vale tanto quanto o novo, mas é o mercado que vai dizer se aquele valor é justo”, diz.
A percepção dos empresários do setor é que os negócios devem continuar pressionados, já que a oferta de usados tende a crescer até o fim de 2013. Alguns apartamentos usados que ainda vão a mercado estão hoje nas mãos de pessoas que vão usá-los para honrar o pagamento dos imóveis novos. Este ano e o próximo serão o pico de entregas dos imóveis novos que foram lançados há dois, três anos.
Para Carlos Paulino, vice-presidente da área de compra e venda e lançamento do Secovi, o problema não é a queda da demanda. Segundo ele, com os preços em alta, o comprador acaba adiando a decisão de compra e pesquisa mais, inclusive comparando os valores dos usados com os dos lançamentos. “O setor passa por uma acomodação, mas tem condições de crescer em patamares saudáveis. Mas terá que oferecer preços compatíveis com o mercado”, diz.
Economista vê bolha e risco de desvalorização
Depois da forte valorização dos preços nos últimos anos e dos sinais de que o comprador não pretende suportar mais um ciclo de alta de preços, existe a possibilidade de um recuo generalizado nos valores dos imóveis?
Para o economista e pesquisador especializado em Macroeconomia Luciano D’Agostini, que acredita que haja um bolha no setor, alguns fatores podem fazer com que a demanda por imóveis recue, a inadimplência suba e os preços caiam. Um eventual aumento da taxa de desemprego, hoje em níveis historicamente baixos, pode comprometer o orçamento das famílias, que nunca estiveram tão endividadas. “Com o alto grau de endividamento, qualquer aumento da taxa de desocupação, ainda que sensível, é capaz de causar problemas”, diz.
Segundo ele, pelo menos dois fatores indicam, tecnicamente, a existência de uma bolha: o rápido e vigoroso crescimento do crédito, acima do ritmo de avanço real da renda, e o alongamento das parcelas de pagamento, ainda com juros altos. “Esses fatores criam uma ilusão monetária que é uma característica em mercados que tiveram bolha”, diz.
Para ele, há risco de queda de preços dos imóveis nos próximos anos. “Uma queda de 15% significa uma bolha fraca. Se chegarmos a 35%, teremos uma bolha moderada”, afirma. A percepção de que os preços do imóveis atingiu valores infundados também pode ser explicada, segundo o economista, pelo descasamento dos preços do imóvel e do aluguel. Um apartamento hoje comprado por R$ 200 mil não consegue ser alugado perto de 0,7% de seu valor – algo em torno de R$ 1,4 mil –, o que mostra a distorção”, diz.
Marcos Kahtalian, consultor do Sinduscon no Paraná, acredita que não há bolha, mas que um eventual desaquecimento da economia, com perda de renda e do ritmo do consumo das famílias, pode frear as vendas do mercado imobiliário. “Mas bolha ocorreria se os preços tivessem sido inflados artificialmente, desconectados da realidade, o que não ocorreu”, afirma. Ele cita diferenças entre o modelo do mercado imobiliário no Brasil e nos Estados Unidos. “Lá o problema se deu com o ‘empacotamento’ da dívida, a criação de subprodutos do mercado, o que não existe aqui.”
por master | 19/03/12 | Ultimas Notícias
Os dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) de fevereiro, divulgados nesta sexta-feira (16), revelam aumento do emprego com carteira assinada em quase todas as regiões do país. Na região Sudeste, onde o crescimento foi maior, foram gerados 93.266 novos postos; na Sul foram 39.522 vagas; na Centro-Oeste 23.457 e na Norte, 3.965. A exceção foi a região Nordeste, que por motivos sazonais, ligados às atividades sucroalcooleiros, apresentou queda de 9.610 postos.
O estado que gerou mais empregos foi São Paulo, com 55.754 vagas, seguido por Minas Gerais, com 21.031. O setor de Serviços foi que mais contribui para o bom desempenho da região Sudeste, com mais de 57 mil novas vagas de trabalho formal. No Sul, o estado de Santa Catarina ficou com 15.719 postos, Paraná com 14.075 e o Rio Grande do Sul com 9.728. A Indústria de Transformação foi a que mais se destacou na região sulista, criando 18.977 postos, seguida pelo setor de Serviços, com 14.393.
Já na região Centro-Oeste, o estado de Goiás gerou 10.340 postos, acompanhado de Mato Grosso, com 6.655. O setor de Serviços ficou na 1ª colocação no Centro-Oeste do país, com 8.527 vagas. No Norte, os estados do Pará (2.137) e Tocantins (1.181) foram os que mais geraram empregos no mês de fevereiro. Serviços (2.913) e Construção Civil (2.299) obtiveram o melhores resultados na região. A redução do emprego na região Nordeste pode ser atribuída ao comportamento negativo do emprego nos estados de Pernambuco (-3.844), Alagoas (-3.162 e Paraíba (-3.137).
O emprego nas nove maiores Áreas Metropolitanas do país cresceu 0,36% (+56.520 postos) em fevereiro de 2012. Este resultado ocorreu pela elevação do emprego em sete das nove Regiões Metropolitanas. Se destacaram: São Paulo (+21.548 postos ou +0,33%), Rio de Janeiro (+13.528 postos ou +0,50%) e Belo Horizonte (+8.739 postos ou +0,55%. As Regiões Metropolitanas que reduziram o nível de emprego foram: Salvador (-1.661 postos ou -0,19%) e Recife (-283 postos ou -0,03%, que apresentou uma ligeira queda). Em Salvador, tal resultado deveu-se, em grande parte, ao desempenho negativo da Construção Civil (1.928 postos). Em Recife, a redução pode ser creditada ao comportamento da Indústria de Produtos Alimentícios (-2.632 postos) e da Agricultura (-796 postos)
por master | 19/03/12 | Ultimas Notícias
O ASSUNTO É POUPANÇA
DE SÃO PAULO
O governo só deve mexer nas regras da caderneta de poupança em 2013, após as eleições municipais deste ano, quando os juros pagos pela dívida pública poderão descer abaixo de 9%. Hoje, estão em 9,75%.
Assunto impopular, a remuneração da poupança poderá se tornar um percentual fixo da taxa Selic, os juros do governo -por exemplo, entre 60% e 80%.
Hoje, seria algo entre 5,85% a 7,8% ao ano. Mas, com a Selic em 8%, a poupança renderia entre 4,8% e 6,4%. O percentual ainda não foi definido.
Também estaria em estudo no governo que a mudança nas regras só tenha validade para as novas aplicações. Nesse caso, quem depositar antes da mudança teria garantida a aplicação das taxas e regras anteriores.
Com juros mínimos de 6,17% mais TR (Taxa Referencial) ao ano estabelecido em lei, a poupança já rende igual ou mais do que os fundos de investimento do tipo DI com taxa de administração de 1,5% se o investidor resgatar a aplicação em menos de seis meses e pagar Imposto de Renda na alíquota de 22,5%.
Quando os juros caírem para 9%, o que deve acontecer já em abril, só os fundos com taxa de administração de 1% conseguirão empatar com o rendimento da poupança.
A leitura do governo é que a situação só ficará insustentável quando os juros descerem a 8,5%. Com essa taxa, a maioria dos fundos DI vendidos pelos bancos de varejo perderá para a poupança, levando a uma migração dos investidores.
O governo, porém, depende dos fundos de investimento para vender títulos da dívida pública.
A urgência em resolver o problema, que sofre forte resistência no Congresso, diminuiu após a divulgação da ata da mais recente reunião do Copom (Comitê de Política Monetária do BC).
O documento deixou claro que o atual ciclo de redução nos juros será encerrado quando a taxa atingir 9%.
(TONI SCIARRETTA)