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UNICIDADE
DESENVOLVIMENTO
JUSTIÇA SOCIAL

Empresas pagam aviso proporcional a metalúrgicos demitidos antes da lei

Empresas pagam aviso proporcional a metalúrgicos demitidos antes da lei

Mais duas empresas metalúrgicas de São Paulo pagaram, em janeiro, o aviso prévio proporcional a trabalhadores demitidos antes da entrada em vigor da nova lei que trata dessa indenização.
 
Uma das empresas pagou ao trabalhador Aguinaldo José Rodrigues o valor adicional antes da audiência judicial. Ele trabalhou 4,8 anos e foi demitido em agosto de 2011 (processo 0002796-38.2011.5.02.0085).
 
A outra empresa pagou na audiência a diferença devida a Joelson Franklin Feitosa, encerrando os processos abertos pelo Sindicato dos Metalúrgicos de São Paulo e Mogi das Cruzes em nome dos trabalhadores. Joelson trabalhou 3,3 anos e foi demitido em abril de 2011 (processo 0002586-42.2011.5.02.0002).
 
Para o presidente do Sindicato, Miguel Torres, as empresas estão reconhecendo este direito dos trabalhadores. “Isto é positivo e resulta numa solução mais rápida dos processos e para ambas as partes”, afirma.
 
Primeira conquista
O Sindicato ganhou a primeira ação favorável ao pagamento do aviso prévio proporcional a um trabalhador da Delga, demitido em outubro de 2010, após dois anos e 28 dias de trabalho na empresa.
 
Ele recebeu uma diferença referente a seis dias a mais de aviso. A ação foi julgada pelo juiz da 51ª Vara do Trabalho de São Paulo, Carlos Alberto Moreira da Fonseca, que julgou procedente a reivindicação.
 
Na sentença, o juiz afirma que “o aviso prévio deve ser fixado proporcionalmente ao tempo de serviço, como determina a Constituição Federal. À falta de norma regulamentadora específica à época da dispensa, adoto o critério fixado pela Lei 12.506/2011, como requerido na inicial.”
 
A Lei 12.506, foi publicada no dia 13 de outubro de 2011. No dia seguinte, o Sindicato começou a chamar os trabalhadores para abertura de processos. (Fonte:Sindicato dos Metalúrgicos de São Paulo)
Empresas pagam aviso proporcional a metalúrgicos demitidos antes da lei

Mínimo reforça planos de parte da indústria; mais R$ 60 bi na economia

Após um ano ruim para a indústria em 2011 – com crescimento de apenas 0,3% sobre 2010 -, o aumento de 14% do salário mínimo pode estimular a produção em setores cujas vendas dependem mais da renda do que do crédito e dar um alento ao resultado geral no fim do ano.
 
Levantamento do Valor com nove empresas dos setores de alimentos e bebidas, vestuário, cosméticos e motocicletas e três associações de indústrias indica que a maioria dos empresários está otimista com o reajuste, que elevou o valor do mínimo de R$ 545 para R$ 622 a partir de 1º de janeiro, e planeja produzir mais este ano para atender essa demanda extra.
 
Cálculos de diferentes consultorias indicam que o mínimo vai injetar uma renda extra de R$ 60 bilhões na economia este ano.
 
Segunda maior indústria
O setor de alimentos e bebidas – segunda maior indústria do país e empregadora de 1,54 milhão de pessoas em 2011 – deve ser um dos mais beneficiados com o aumento. Dos 4% a 4,5% previstos para o aumento da produção do setor em 2012, cerca de dois pontos percentuais devem vir apenas da alta do mínimo, segundo Denis Ribeiro, diretor do Departamento de Economia e Estatística da Associação Brasileira da Indústria da Alimentação (Abia), que reúne 45 mil empresas do segmento.
 
Ribeiro aponta que a nova Pesquisa de Orçamento Familiar (POF) do IBGE, mostrou que a família brasileira gasta, em média, 16% de seus rendimentos com alimentos. “Considerando a quantia a ser injetada na economia com o aumento do mínimo, 16% é substancial para o setor de alimentos”, diz.
 
Em 2011, a Abia calcula que a produção do setor aumentou 5% sobre 2010, número que não é a estimativa oficial da entidade para 2012, mas que pode ser alcançado caso não haja deterioração adicional do cenário externo, afirma o diretor. “A produção pode até crescer um pouco mais em função desse apoio do mercado interno.”
 
Incremento
A General Brands, empresa cujo principal negócio é a fabricação de refrescos em pó e néctares (sucos prontos para beber), planeja incrementar a produção dessas duas bebidas este ano após ter dobrado a de néctares e ter elevado a de refrescos em 5% em 2011.
 
“Essa injeção do mínimo é um prato cheio para o consumo”, diz Isael Pinto, diretor-presidente da GB, que ainda não tem projeções fechadas para a produção em 2012, mas acredita que o faturamento da companhia vai avançar 20% este ano.
 
Com uma fábrica em Guarulhos, a GB emprega cerca de 650 pessoas e também produz gelatinas, gomas de mascar, bebidas à base de soja, chás e sucos naturais. Pinto está mais otimista ainda com o mínimo porque seus produtos, vendidos em sua maioria em redes de supermercados, são líderes de mercado em boa parte do Norte e Nordeste, regiões onde o reajuste terá maior impacto na economia.
 
Impacto
A Ajinomoto – cuja linha ao consumidor é voltada para temperos, mas inclui sopas individuais, refrescos em pó e adoçantes – não divulga estimativas de produção separadas por área de negócio, mas acredita que o mínimo impactará toda a linha de alimentos, pois cerca de 80% de seus consumidores pertencem às classes C, D e E, segundo Chiara Tengan, gerente de marcas da companhia.
 
“O aumento da renda da população sempre se reflete positivamente em nosso volume, pois além de permitir a entrada de consumidores de todas as classes sociais, contribui para que consumidores atuais elevem sua frequência de consumo”, diz.
 
Os setores têxtil e de vestuário também vislumbram um ano melhor em 2012, mas não só devido ao mínimo. Em 2011, segundo o IBGE, a produção nessas duas indústrias caiu 14,9% e 4,4%, respectivamente, em relação a 2010.
 
Para a Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (Abit), o resultado negativo é explicado pelo aumento da parcela de importados no mercado, já que o consumo se manteve em alta. Pesquisa do Pyxis Consumo, ferramenta do Ibope Inteligência, aponta que cada brasileiro gastou R$ 583 com roupas em 2011, valor que deve subir para R$ 670 este ano.
 
Espectativa
O presidente da Abit, Aguinaldo Diniz Filho, espera que, com a queda da taxa de juros, um câmbio menos valorizado que o de 2011 e a expansão da renda provocada pelo mínimo, a indústria nacional aumente sua participação no consumo desses produtos em 2012. “Se houver transferência de renda para importação, no entanto, estamos sendo ingênuos”, pondera.
 
“A injeção de recursos no mercado é benéfica para todo mundo”, afirma Carlos Alexandre Döhler, diretor-comercial da Döhler, empresa catarinense que fabrica produtos têxteis para casa. Por ter capital aberto, a companhia ainda não pode informar suas projeções para 2012, que devem ser divulgadas no próximo relatório trimestral à Comissão de Valores Mobiliários (CVM).
 
A expectativa, no entanto, é positiva, antecipa o empresário, já que a Döhler é voltada para o consumidor das classes C e D. “Estamos prevendo para 2012 um ‘difícil ano bom’. A produção vai ser um pouco maior do que em 2011 e continuamos fazendo investimentos”, diz. 
 
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Empresas pagam aviso proporcional a metalúrgicos demitidos antes da lei

Mínimo reforça planos de parte da indústria; mais R$ 60 bi na economia

Após um ano ruim para a indústria em 2011 – com crescimento de apenas 0,3% sobre 2010 -, o aumento de 14% do salário mínimo pode estimular a produção em setores cujas vendas dependem mais da renda do que do crédito e dar um alento ao resultado geral no fim do ano.
 
Levantamento do Valor com nove empresas dos setores de alimentos e bebidas, vestuário, cosméticos e motocicletas e três associações de indústrias indica que a maioria dos empresários está otimista com o reajuste, que elevou o valor do mínimo de R$ 545 para R$ 622 a partir de 1º de janeiro, e planeja produzir mais este ano para atender essa demanda extra.
 
Cálculos de diferentes consultorias indicam que o mínimo vai injetar uma renda extra de R$ 60 bilhões na economia este ano.
 
Segunda maior indústria
O setor de alimentos e bebidas – segunda maior indústria do país e empregadora de 1,54 milhão de pessoas em 2011 – deve ser um dos mais beneficiados com o aumento. Dos 4% a 4,5% previstos para o aumento da produção do setor em 2012, cerca de dois pontos percentuais devem vir apenas da alta do mínimo, segundo Denis Ribeiro, diretor do Departamento de Economia e Estatística da Associação Brasileira da Indústria da Alimentação (Abia), que reúne 45 mil empresas do segmento.
 
Ribeiro aponta que a nova Pesquisa de Orçamento Familiar (POF) do IBGE, mostrou que a família brasileira gasta, em média, 16% de seus rendimentos com alimentos. “Considerando a quantia a ser injetada na economia com o aumento do mínimo, 16% é substancial para o setor de alimentos”, diz.
 
Em 2011, a Abia calcula que a produção do setor aumentou 5% sobre 2010, número que não é a estimativa oficial da entidade para 2012, mas que pode ser alcançado caso não haja deterioração adicional do cenário externo, afirma o diretor. “A produção pode até crescer um pouco mais em função desse apoio do mercado interno.”
 
Incremento
A General Brands, empresa cujo principal negócio é a fabricação de refrescos em pó e néctares (sucos prontos para beber), planeja incrementar a produção dessas duas bebidas este ano após ter dobrado a de néctares e ter elevado a de refrescos em 5% em 2011.
 
“Essa injeção do mínimo é um prato cheio para o consumo”, diz Isael Pinto, diretor-presidente da GB, que ainda não tem projeções fechadas para a produção em 2012, mas acredita que o faturamento da companhia vai avançar 20% este ano.
 
Com uma fábrica em Guarulhos, a GB emprega cerca de 650 pessoas e também produz gelatinas, gomas de mascar, bebidas à base de soja, chás e sucos naturais. Pinto está mais otimista ainda com o mínimo porque seus produtos, vendidos em sua maioria em redes de supermercados, são líderes de mercado em boa parte do Norte e Nordeste, regiões onde o reajuste terá maior impacto na economia.
 
Impacto
A Ajinomoto – cuja linha ao consumidor é voltada para temperos, mas inclui sopas individuais, refrescos em pó e adoçantes – não divulga estimativas de produção separadas por área de negócio, mas acredita que o mínimo impactará toda a linha de alimentos, pois cerca de 80% de seus consumidores pertencem às classes C, D e E, segundo Chiara Tengan, gerente de marcas da companhia.
 
“O aumento da renda da população sempre se reflete positivamente em nosso volume, pois além de permitir a entrada de consumidores de todas as classes sociais, contribui para que consumidores atuais elevem sua frequência de consumo”, diz.
 
Os setores têxtil e de vestuário também vislumbram um ano melhor em 2012, mas não só devido ao mínimo. Em 2011, segundo o IBGE, a produção nessas duas indústrias caiu 14,9% e 4,4%, respectivamente, em relação a 2010.
 
Para a Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (Abit), o resultado negativo é explicado pelo aumento da parcela de importados no mercado, já que o consumo se manteve em alta. Pesquisa do Pyxis Consumo, ferramenta do Ibope Inteligência, aponta que cada brasileiro gastou R$ 583 com roupas em 2011, valor que deve subir para R$ 670 este ano.
 
Espectativa
O presidente da Abit, Aguinaldo Diniz Filho, espera que, com a queda da taxa de juros, um câmbio menos valorizado que o de 2011 e a expansão da renda provocada pelo mínimo, a indústria nacional aumente sua participação no consumo desses produtos em 2012. “Se houver transferência de renda para importação, no entanto, estamos sendo ingênuos”, pondera.
 
“A injeção de recursos no mercado é benéfica para todo mundo”, afirma Carlos Alexandre Döhler, diretor-comercial da Döhler, empresa catarinense que fabrica produtos têxteis para casa. Por ter capital aberto, a companhia ainda não pode informar suas projeções para 2012, que devem ser divulgadas no próximo relatório trimestral à Comissão de Valores Mobiliários (CVM).
 
A expectativa, no entanto, é positiva, antecipa o empresário, já que a Döhler é voltada para o consumidor das classes C e D. “Estamos prevendo para 2012 um ‘difícil ano bom’. A produção vai ser um pouco maior do que em 2011 e continuamos fazendo investimentos”, diz. 
 
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Empresas pagam aviso proporcional a metalúrgicos demitidos antes da lei

Desigual, Brasil assiste a crescimento de mercado de luxo



Uma década atrás, parte da elite brasileira estava tensa e insegura em relação ao futuro com a chegada do ex-operário Luiz Inácio Lula da Silva ao poder. Mas no fim das contas, os ricos ficaram mais ricos.

“Quando (o ex-presidente) Lula chegou ao poder, toda a classe alta brasileira ficou muito preocupada. Nós achávamos que ia ser terrível”, diz a arquiteta Brunete Fraccaroli, uma das cinco milionárias do reality show Mulheres Ricas, da TV Bandeirantes, que mostra todas as semanas como é a vida dos super ricos, num dos países mais desiguais do mundo.

“Mas o presidente Lula fez um ótimo governo. Os ricos continuaram ricos e os pobres também têm um pouco mais de dinheiro”, completa a milionária, que já nasceu rica e adicionou alguns milhões à fortuna da família com seu trabalho como arquiteta e designer de interiores.

Junto com o bom momento econômico também se desenvolve no Brasil o setor de produtos e serviços para atender às necessidades e aos desejos da alta classe.

Uma das faces mais visíveis desse setor está nos céus de São Paulo: a cidade já tem mais de 400 helicópteros privados registrados para atender aos endinheirados que queiram fugir do risco de assaltos e da certeza de congestionamentos.

Foto: Cortesia da TV Bandeirantes

Reality show da TV brasileira mostra vida
de mulheres milionárias em São Paulo

“Nosso negócio vem crescendo a uma média de 10% a 15% ao ano”, diz o dono da empresa de táxi aéreo Helimarte, Jorge Bitar.

O empresário explica que novos clientes estão chegando ao setor enquanto os antigos estão voando cada vez mais.

“Estamos até perdendo clientes que começam a voar muito decidem comprar o próprio helicóptero. E pior que alguns ainda acabam levando nossos pilotos, que são profissionais em falta no mercado.”

Vista aérea

Uma hora de vôo em São Paulo num helicóptero para três pessoas (além o piloto) custa cerca de R$ 1600, cerca de duas vezes e meia o salário mínimo no Brasil.

É um dos indícios – assim como vista aérea as enormes favelas vizinhas de condomínios de luxo no bairro paulistano do Morumbi – da desigualdade social que ainda é uma das marcas do país, mesmo com a recente melhora nas condições de vida das populações mais pobres.

Nos últimos dez anos, a renda dos 10% mais ricos do Brasil cresceu 20% e 60% num período de 20 anos. Os 10% mais pobres avançaram mais 100% na última década e 160% em vinte anos.

O economista da Universidade de São Paulo (USP) e do Instituto de Ensino e Pesquisa (Insper) Naércio Menezes diz que os números deixam claro que houve uma redução de desigualdade de renda no país que conseguiu ser ao mesmo tempo recorde e insuficiente.

“O problema é que o Brasil saiu de uma situação tão ruim, de desigualdade tão grande, que mesmo as mudanças significativas dos últimos anos mal tocam a superfície do problema”, explica Menezes.

Vista aérea de São Paulo. Foto: BBC

Apesar do crescimento econômico, Brasil
ainda é um dos países mais desiguais do mundo

“O Brasil ainda é um dos países mais desiguais do mundo e a mobilidade social é quase inexistente. Para quem nasce pobre é praticamente impossível ficar rico.”

Crescimento insuficiente

Um estudo recente da ONG britânica Oxfam revelou que o Brasil segundo país mais socialmente desigual do G20 (grupo das 20 maiores economia do mundo), à frente apenas da África do Sul.

“Devemos elogiar a evolução significativa do Brasil no combate à desigualdade nos últimos dez anos, mas é também importante deixar claro que o país ainda está muito longe da situação ideal”, diz o diretor do escritório da Oxfam no Brasil, Simon Ticehurst.

O especialista observa que apenas crescimento econômico não é suficiente para reduzir a pobreza e a desigualdade.

“São essenciais medidas específicas de distribuição da renda. Na África do Sul, por exemplo, a economia está crescendo mas a pobreza está aumentando.”

Naércio Menzes diz que a melhora no padrão de vida dos mais pobres também tem um impacto direto e positivo sobre a vida dos ricos.

“Quando os níveis de educação e renda dos pobres melhoram, o benefício se reverte para toda a sociedade através, por exemplo, de aumento na produtividade, queda na criminalidade e desenvolvimento de consciência política e ecológica.”

Empresas pagam aviso proporcional a metalúrgicos demitidos antes da lei

Desigual, Brasil assiste a crescimento de mercado de luxo



Uma década atrás, parte da elite brasileira estava tensa e insegura em relação ao futuro com a chegada do ex-operário Luiz Inácio Lula da Silva ao poder. Mas no fim das contas, os ricos ficaram mais ricos.

“Quando (o ex-presidente) Lula chegou ao poder, toda a classe alta brasileira ficou muito preocupada. Nós achávamos que ia ser terrível”, diz a arquiteta Brunete Fraccaroli, uma das cinco milionárias do reality show Mulheres Ricas, da TV Bandeirantes, que mostra todas as semanas como é a vida dos super ricos, num dos países mais desiguais do mundo.

“Mas o presidente Lula fez um ótimo governo. Os ricos continuaram ricos e os pobres também têm um pouco mais de dinheiro”, completa a milionária, que já nasceu rica e adicionou alguns milhões à fortuna da família com seu trabalho como arquiteta e designer de interiores.

Junto com o bom momento econômico também se desenvolve no Brasil o setor de produtos e serviços para atender às necessidades e aos desejos da alta classe.

Uma das faces mais visíveis desse setor está nos céus de São Paulo: a cidade já tem mais de 400 helicópteros privados registrados para atender aos endinheirados que queiram fugir do risco de assaltos e da certeza de congestionamentos.

Foto: Cortesia da TV Bandeirantes

Reality show da TV brasileira mostra vida
de mulheres milionárias em São Paulo

“Nosso negócio vem crescendo a uma média de 10% a 15% ao ano”, diz o dono da empresa de táxi aéreo Helimarte, Jorge Bitar.

O empresário explica que novos clientes estão chegando ao setor enquanto os antigos estão voando cada vez mais.

“Estamos até perdendo clientes que começam a voar muito decidem comprar o próprio helicóptero. E pior que alguns ainda acabam levando nossos pilotos, que são profissionais em falta no mercado.”

Vista aérea

Uma hora de vôo em São Paulo num helicóptero para três pessoas (além o piloto) custa cerca de R$ 1600, cerca de duas vezes e meia o salário mínimo no Brasil.

É um dos indícios – assim como vista aérea as enormes favelas vizinhas de condomínios de luxo no bairro paulistano do Morumbi – da desigualdade social que ainda é uma das marcas do país, mesmo com a recente melhora nas condições de vida das populações mais pobres.

Nos últimos dez anos, a renda dos 10% mais ricos do Brasil cresceu 20% e 60% num período de 20 anos. Os 10% mais pobres avançaram mais 100% na última década e 160% em vinte anos.

O economista da Universidade de São Paulo (USP) e do Instituto de Ensino e Pesquisa (Insper) Naércio Menezes diz que os números deixam claro que houve uma redução de desigualdade de renda no país que conseguiu ser ao mesmo tempo recorde e insuficiente.

“O problema é que o Brasil saiu de uma situação tão ruim, de desigualdade tão grande, que mesmo as mudanças significativas dos últimos anos mal tocam a superfície do problema”, explica Menezes.

Vista aérea de São Paulo. Foto: BBC

Apesar do crescimento econômico, Brasil
ainda é um dos países mais desiguais do mundo

“O Brasil ainda é um dos países mais desiguais do mundo e a mobilidade social é quase inexistente. Para quem nasce pobre é praticamente impossível ficar rico.”

Crescimento insuficiente

Um estudo recente da ONG britânica Oxfam revelou que o Brasil segundo país mais socialmente desigual do G20 (grupo das 20 maiores economia do mundo), à frente apenas da África do Sul.

“Devemos elogiar a evolução significativa do Brasil no combate à desigualdade nos últimos dez anos, mas é também importante deixar claro que o país ainda está muito longe da situação ideal”, diz o diretor do escritório da Oxfam no Brasil, Simon Ticehurst.

O especialista observa que apenas crescimento econômico não é suficiente para reduzir a pobreza e a desigualdade.

“São essenciais medidas específicas de distribuição da renda. Na África do Sul, por exemplo, a economia está crescendo mas a pobreza está aumentando.”

Naércio Menzes diz que a melhora no padrão de vida dos mais pobres também tem um impacto direto e positivo sobre a vida dos ricos.

“Quando os níveis de educação e renda dos pobres melhoram, o benefício se reverte para toda a sociedade através, por exemplo, de aumento na produtividade, queda na criminalidade e desenvolvimento de consciência política e ecológica.”

Empresas pagam aviso proporcional a metalúrgicos demitidos antes da lei

Demanda local impulsiona mercado imobiliário de alto luxo no Brasil

O mercado imobiliário de alto luxo vem se expandindo no Brasil, com aumento da demanda no Rio e em São Paulo e crescimento também fora dos grandes centros, pressionando os preços para cima e gerando valorização recorde.
 
No Rio de Janeiro, os preços dos imóveis de alto padrão no Rio subiram aproximadamente 200% nos últimos cinco anos, enquanto imóveis de outras categorias tiveram incremento médio de 150% na cidade, segundo Leonardo Schneider, vice-presidente do Sindicato da Habitação do Rio (Secovi-Rio).
 
É na orla de Ipanema e do Leblon que estão os metros quadrados mais caros do Brasil, estima Luiz Paulo Pompéia, diretor da Empresa Brasileira de Estudos de Patrimônio (Embraesp). Nos dois bairros, os mais cobiçados do Rio, o metro quadrado de um apartamento de frente para o mar custa em média R$ 40 mil atualmente, podendo chegar a R$ 51 mil, de acordo com o Secovi-Rio.
 
Para Frederico Judice Araújo, o mercado de alto luxo do Rio está se beneficiando mais do que a média brasileira em função dos megaeventos que acontecerão nos próximos anos e dos investimentos em infraestrutura e segurança que vêm a tiracolo. Ele é membro da família proprietária da Judice & Araujo, imobiliária especializada em imóveis do segmento.
 
“Assim como mercado financeiro antecipa movimentos de empresas para comprar ações, o mercado imobiliário antecipou o movimento de melhora da cidade como um todo. O Rio vai melhorar muito para poder receber esses grandes eventos e isso tem um impacto direto no mercado imobiliário”, diz, citando investimentos como a expansão do metrô até a Barra da Tijuca, na zona oeste, e a política de segurança pública das Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs), que buscam expulsar o tráfico armado de favelas.
 
“O momento é inedito, nada se compara. A Judice está há 36 anos no mercado (fluminense) e nunca vimos um momento tão bom no Rio. Desde que o Rio deixou de ser capital, ficou meio largada durante muitos anos, e agora vem retomando uma posição mais forte.”
 
O imóvel mais caro que a empresa oferece no Rio no momento é um apartamento de 1.600 metros quadrados na praia de Ipanema, à venda por R$ 64 milhões.
 
Condomínio Movimento Terras, em Itaipava, RJ
Casa no condomínio Movimento Terras, em
Itaipava, Rio de Janeiro. Foto: Divulgação/Judice
& Araujo.
 
Para José Conde Caldas, presidente da Associação de Empresas Dirigentes do Mercado Imobiliário (Ademi), o mercado carioca está passando a ser um mercado nacional e até internacional, atraindo compradores de outros estados e também de fora do país.
 
“O Rio hoje é a bola da vez. Muita gente quer voltar a morar na cidade. Isso existiu no passado, nos anos 1960, quando o Rio era muito procurado. Mas depois veio uma sucessão de maus governos e as pessoas queriam ver o Rio de costas.”
 
Conde Caldas, que é dono da construtora Concal, diz ter presenciado um exemplo desta tendência dois anos atrás, quando lançou um empreendimento de luxo de frente para a praia de Ipanema, com seis apartamentos de a partir de R$ 7 milhões cada. Quatro deles foram comprados por pessoas de fora da cidade.
 
“Eu quis conhecer os compradores para saber por que estavam comprando no Rio. Eram pessoas com negócios que estavam indo muito bem e queriam comprar o apartamento como investimento, e para ter uma casa de veraneio no Rio”, conta.
 
Internacionalização
 
O segmento de casas, apartamentos e coberturas com cifras na casa dos milhões se beneficia de fatores como a queda de juros, o maior acesso a crédito, a economia aquecida e a grande visibilidade do Brasil diante da Copa e da Olimpíada de 2016, lista Judice Araujo. Ele observa que o mercado também vem sendo impulsionado pelo aumento do poder aquisitivo de partes da população.
 
“Vemos o crescimento da classe média, mas também a subida da classe média para a média alta e a classe alta prosperando. Isso tem um impacto positivo no mercado de alto padrão. Vemos nitidamente que mais pessoas têm tido condições de comprar um imóvel maior ou uma segunda moradia de veraneio”, diz Judice Araujo.
 
Edifício Vitra, São Paulo
Edifício Vitra, no Itaim Bibi, São Paulo, com preços de
apartamentos a partir de R$ 9,2 milhões.
Foto: Divulgação/Coelho da Fonseca.
 
A empresa é a afiliada no Rio da Christie’s International Real State, braço imobiliário da casa de leilões que entrou no Brasil em 2007. No ano seguinte foi a vez da Sotheby’s International Realty, da casa de leilões rival, também britânica, que estabeleceu escritório em São Paulo.
 
A entrada de ambas no mercado nacional reflete o maior interesse internacional por imóveis de alto padrão no país. Mas seu crescimento vem sendo impulsionado pela demanda interna, afirma o diretor da SIR no Brasil, Fábio Rossi, que tem planos de triplicar as vendas da empresa nos próximos três anos, a partir da descentralização.
 
A empresa atualmente tem escritórios em São Paulo e Porto Alegre. Nos próximos três anos, a meta é abrir escritórios em 15 cidades de médio porte no Brasil.
 
“Vamos para 15 cidades com população acima de dois milhões de habitantes, nas quais identificamos potencial de mercado para esse segmento. A nossa meta é ter vendas da ordem de R$ 1 bilhão no Brasil nos próximos três anos”, diz Rossi.
 
A empresa vem apresentando crescimento de 15% ao ano, diz Rossi, e 95% das vendas são para brasileiros. Mas o interesse de compradores estrangeiros no país vem aumentando, diz Rossi, que acredita que o mercado de luxo no Brasil caminha para uma maior internacionalização.
 
“Em cidades como Nova York, Milão e Londres, os estrangeiros chegam a representar 30% do mercado, o que mostra que temos um grande potencial de crescimento no Brasil”, diz.
 
De acordo com Rossi, a procura de imóveis de alto padrão aumentou também entre investidores, tendência que atribui às turbulências na economia mundial após a crise financeira de 2008.
 
“O mercado imobiliário se mostrou como o lugar mais seguro e como o melhor investimento. Algumas ações viraram pó, o imóvel não. O imóvel bem localizado, de luxo, subiu de preço. Todo mundo fala que o mercado imobiliário americano está caindo, mas em Nova York, em frente ao Central Park, os preços continuam subindo. A Grécia está quebrada, mas o imóvel de luxo lá está mais caro”, exemplifica.
 
Descentralização
 
Rio e São Paulo são os principais mercados para empreendimentos milionários, mas o aumento da procura no Nordeste tem sido substancial, afirma Francisco Próspero, diretor executivo da In’s no Brasil. A empresa portuguesa atua no Nordeste há dez anos, com sede em Fortaleza, e em 2010 tornou-se afiliada da Christie’s International Real State. O faturamento vinha crescendo em 20% ao ano, e no ano passado superou os 30%.
 
Terravista Trancoso Golf Course, Trancoso, Bahia
Terravista Trancoso Golf Course, casa à venda na Bahia
por R$ 3,8 milhões. Foto: Divulgação/Sotheby´s
Interantional Realty.
 
Até três anos atrás, Próspero diz que o público-alvo da empresa eram sobretudo europeus, como alemães, ingleses, italianos e nórdicos. Hoje, os brasileiros ultrapassaram os estrangeiros e são responsáveis por cerca de 60% das vendas da empresa.
 
“Com o crescimento da economia no Brasil, as pessoas aqui estão com uma maior capacidade financeira, ao contrário do que ocorre na Europa, dado o contexto internacional da economia”, diz. “São compradores do Nordeste, São Paulo, Brasília, Pará, tanto pessoas que compram como uma segunda residência para passar férias ou como um investimento”, diz.
 
De acordo com Próspero, o portfólio da In’s tem cerca de 250 imóveis de alto padrão nos estados que representa – Ceará, Maranhão, Piauí e Pará. “São coberturas com piscinas nas capitais, apartamentos de mil metros quadrados em condomínios de luxo com vista para o mar, casas de praia, fazendas de recreio com cavalos e lagos”, exemplifica.
 
Os preços dos imóveis de alto padrão nesses estados variam de R$ 1 milhão a R$ 8 milhões, estima Próspero. Já no Rio, o patamar é bem mais alto.
 
No Rio e em São Paulo, o valor dos imóveis é puxado para cima pela falta em bairros cobiçados onde não há espaço para novas construções e escassos lançamentos imobiliários. Mas a alta de preços não assusta as empresas que atuam no setor. Afiliada da Christie’s em São Paulo, a Coelho da Fonseca teve crescimento de 35% em 2011 e tem meta de crescimento de 50% para este ano.
 
Segundo Fernando Sita, diretor geral de vendas da Coelho da Fonseca, a redução da taxa de juros e o maior acesso a crédito também vem estimulando a compra de imóveis pela classe AA.
 
“Há quatro anos era impensável você vender um imóvel de alto padrão financiado, mas hoje isso está se tornando uma coisa habitual. O rico opta por comprar um imóvel caro, mas fica com seus recursos em mãos para ter liquidez, e pega um empréstimo de 70% ou 80% do valor”, diz.