NOVA CENTRAL SINDICAL
DE TRABALHADORES
DO ESTADO DO PARANÁ

UNICIDADE
DESENVOLVIMENTO
JUSTIÇA SOCIAL

Emprego na construção civil cai 0,62% em novembro

Emprego na construção civil cai 0,62% em novembro

O emprego na construção civil no País registrou queda de 0,62% em novembro ante outubro do ano passado, o que significa redução de 19,6 mil vagas no setor, de acordo com pesquisa divulgada hoje pelo Sindicato da Indústria da Construção (Sinduscon-SP) em parceria com a Fundação Getúlio Vargas (FGV). A queda nesses meses reflete fatores sazonais e já é esperada, segundo o Sinduscon-SP. Ainda assim, o recuo no período analisado foi o maior em três anos.
A queda foi maior do que a registrada em novembro de 2010 (-0,07%) e oposta ao aumento registrado no mesmo mês de 2009 (+0,94%). O resultado só não foi pior que o de novembro de 2008 (-0,90%), após a eclosão da crise internacional. “A pesquisa mostra que a construção voltou ao seu ritmo normal, mas distante do super-aquecimento registrado em 2009”, afirmou em nota Sérgio Watanabe, presidente do Sinduscon-SP.
A pesquisa também mostra que a quantidade de empregos com carteira assinada na construção civil brasileira chegou a 3,124 milhões no penúltimo mês do ano passado. Com isso, os empregos no setor cresceram 10,43% entre janeiro e novembro de 2011. Apesar do nível alto, o crescimento é o menor dos últimos quatro anos. No mesmo período de 2010, os empregos na construção haviam saltado 16,08%.
Regiões
O emprego na construção caiu em novembro ante outubro em todas as regiões do Brasil com exceção do Nordeste, onde cresceu 0,25%, com mais 1.638 postos de trabalho. Já no Sudeste, o saldo de demissões atingiu 12.410 vagas (-0,77%), seguido por Centro-Oeste, com redução de 5.990 vagas (-2,41%), Norte, com corte de 1.695 vagas (-0,88%) e Sul, com corte de 1.169 vagas (-0,27%).
A pesquisa ainda informa que, no Estado de São Paulo, o nível de emprego da construção também caiu em novembro, baixando 0,68% naquele mês. Fecharam-se no período 5.516 postos de trabalho, reduzindo-se o contingente empregado a 804,3 mil trabalhadores com carteira assinada. Entre janeiro e novembro, o saldo continuava positivo em 7,55%, equivalente à admissão de 56,4 mil novos empregados no ramo.
Na cidade de São Paulo, a queda foi de 0,64% (menos 2,4 mil postos de trabalho) em novembro ante outubro. Já no acumulado do ano, o saldo é positivo em 8,22%. Dentre as nove regiões do interior paulista, apenas três tiveram aumento do emprego: Ribeirão Preto (0,78%), Santos (0,41%) e Bauru (0,29%). A maior queda porcentual ocorreu em Santo André (-1,87%).
 
Emprego na construção civil cai 0,62% em novembro

Emprego na construção civil cai 0,62% em novembro

O emprego na construção civil no País registrou queda de 0,62% em novembro ante outubro do ano passado, o que significa redução de 19,6 mil vagas no setor, de acordo com pesquisa divulgada hoje pelo Sindicato da Indústria da Construção (Sinduscon-SP) em parceria com a Fundação Getúlio Vargas (FGV). A queda nesses meses reflete fatores sazonais e já é esperada, segundo o Sinduscon-SP. Ainda assim, o recuo no período analisado foi o maior em três anos.
A queda foi maior do que a registrada em novembro de 2010 (-0,07%) e oposta ao aumento registrado no mesmo mês de 2009 (+0,94%). O resultado só não foi pior que o de novembro de 2008 (-0,90%), após a eclosão da crise internacional. “A pesquisa mostra que a construção voltou ao seu ritmo normal, mas distante do super-aquecimento registrado em 2009”, afirmou em nota Sérgio Watanabe, presidente do Sinduscon-SP.
A pesquisa também mostra que a quantidade de empregos com carteira assinada na construção civil brasileira chegou a 3,124 milhões no penúltimo mês do ano passado. Com isso, os empregos no setor cresceram 10,43% entre janeiro e novembro de 2011. Apesar do nível alto, o crescimento é o menor dos últimos quatro anos. No mesmo período de 2010, os empregos na construção haviam saltado 16,08%.
Regiões
O emprego na construção caiu em novembro ante outubro em todas as regiões do Brasil com exceção do Nordeste, onde cresceu 0,25%, com mais 1.638 postos de trabalho. Já no Sudeste, o saldo de demissões atingiu 12.410 vagas (-0,77%), seguido por Centro-Oeste, com redução de 5.990 vagas (-2,41%), Norte, com corte de 1.695 vagas (-0,88%) e Sul, com corte de 1.169 vagas (-0,27%).
A pesquisa ainda informa que, no Estado de São Paulo, o nível de emprego da construção também caiu em novembro, baixando 0,68% naquele mês. Fecharam-se no período 5.516 postos de trabalho, reduzindo-se o contingente empregado a 804,3 mil trabalhadores com carteira assinada. Entre janeiro e novembro, o saldo continuava positivo em 7,55%, equivalente à admissão de 56,4 mil novos empregados no ramo.
Na cidade de São Paulo, a queda foi de 0,64% (menos 2,4 mil postos de trabalho) em novembro ante outubro. Já no acumulado do ano, o saldo é positivo em 8,22%. Dentre as nove regiões do interior paulista, apenas três tiveram aumento do emprego: Ribeirão Preto (0,78%), Santos (0,41%) e Bauru (0,29%). A maior queda porcentual ocorreu em Santo André (-1,87%).
 
Emprego na construção civil cai 0,62% em novembro

Para FHC, Aécio é candidato ‘óbvio’ do PSDB para 2014

Ex-presidente critica Serra e diz que partido cometeu ‘erros enormes’ em 2010
 
Em entrevista à revista ‘Economist’, tucano atribui fracasso eleitoral a arrogância da legenda e isolamento de Serra
 
Francisco Cepeda/News Free
Em entrevista à revista "The Economist", o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso defendeu Aécio Neves (PSDB-MG) como candidato à disputa presidencial
Em entrevista à revista “The Economist”, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso
defendeu Aécio Neves (PSDB-MG) como candidato à disputa presidencial

UIRÁ MACHADO
Em entrevista na qual faz diversas críticas ao PSDB, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso atribui a José Serra parte da responsabilidade pela derrota tucana nas eleições de 2010 e afirma que o “candidato óbvio” do partido para disputar a Presidência em 2014 é o senador mineiro Aécio Neves.
As declarações foram publicadas pelo blog “Americas View”, da revista britânica “The Economist”.
Para o ex-presidente, Aécio está mais apto a formar alianças, e Serra deveria abrir espaço para outros.
“No caso do PSDB, o ex-governador Serra faz o papel do Lula: ele tem coragem, gosta de competir. Eu não sei até que ponto ele vai se convencer de que [a disputa] não é para ele, a abrir espaço para outros”, diz o tucano.
FHC prevê também uma “briga interna muito forte no PSDB, entre Serra e Aécio” na corrida para 2014. Ele, no entanto, diz que o cenário estará mais claro apenas depois das eleições municipais.
Outra avaliação de FHC é que o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), não está no páreo.
As declarações representam uma mudança de tom do ex-presidente.
Em maio do ano passado, em entrevista ao portal iG, FHC já havia afirmado que Aécio tinha uma vantagem sobre Serra, mas dizia que a questão não estava fechada e ainda considerava Alckmin no cenário.
A entrevista de FHC deve aumentar a tensão entre Serra e Aécio, que disputam a indicação do partido para concorrer à Presidência em 2014.
No final do ano passado, quando Aécio disse publicamente que queria disputar a Presidência em 2014, Serra rebateu pelo microblog Twitter: “Querer colocar o carro adiante dos bois só atrapalha e desorganiza a oposição”.
Ao rever o desempenho tucano em 2010, FHC avalia que o PSDB cometeu “erros enormes” na campanha. Não fosse por isso, afirma, seu partido poderia ter vencido a disputa com a hoje presidente Dilma Rousseff.
“O que estou tentando dizer é que era possível ter vencido. Foi falha nossa”, diz FHC na entrevista, que foi publicada na última quinta.
O ex-presidente é então questionado se o PSDB poderia ter vencido com “o mesmo candidato”.
“Bem, talvez não”, diz.
Para FHC, um dos fatores que pesaram contra os tucanos foi o isolamento do partido, em parte provocado pelas características de Serra.
“Não formamos alianças. Foi uma espécie de arrogância. Nosso candidato estava isolado, mesmo internamente”, diz FHC, que concorda quando a entrevistadora pergunta se Serra afastou as pessoas: “Sim. E foi muito ruim”.
Procurado, Serra afirmou por meio de sua secretária que não havia lido a entrevista e não poderia comentá-la.
SONHO COM LULA
Na entrevista, FHC conta que teve um sonho recente com o ex-presidente Lula: “Sonhei que nós, Lula e eu, estávamos propondo juntos consenso nacional [risos]”.
Na vida real, o tucano propõe que o petista se afaste um pouco para permitir a chegada de novos líderes.
“Deixe-me falar sem personalizar: nos últimos 20 anos, houve apenas dois líderes”, diz, logo após concordar que ele ainda é uma das vozes mais importantes do PSDB, “pela falta de alternativas”.
FHC pondera, porém, que há uma nova geração: “É uma questão de tempo. Provavelmente, se Lula não estivesse envolvido -o mesmo se aplica a mim-, seria melhor”.
Quanto a 2014, FHC diz que ninguém sabe qual será o papel de Lula. Porém, ele afirma que o petista deve querer disputar a eleição, porque é “um animal muito competitivo, um animal político”.


DE SÃO PAULO

Emprego na construção civil cai 0,62% em novembro

Para FHC, Aécio é candidato ‘óbvio’ do PSDB para 2014

Ex-presidente critica Serra e diz que partido cometeu ‘erros enormes’ em 2010
 
Em entrevista à revista ‘Economist’, tucano atribui fracasso eleitoral a arrogância da legenda e isolamento de Serra
 
Francisco Cepeda/News Free
Em entrevista à revista "The Economist", o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso defendeu Aécio Neves (PSDB-MG) como candidato à disputa presidencial
Em entrevista à revista “The Economist”, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso
defendeu Aécio Neves (PSDB-MG) como candidato à disputa presidencial

UIRÁ MACHADO
Em entrevista na qual faz diversas críticas ao PSDB, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso atribui a José Serra parte da responsabilidade pela derrota tucana nas eleições de 2010 e afirma que o “candidato óbvio” do partido para disputar a Presidência em 2014 é o senador mineiro Aécio Neves.
As declarações foram publicadas pelo blog “Americas View”, da revista britânica “The Economist”.
Para o ex-presidente, Aécio está mais apto a formar alianças, e Serra deveria abrir espaço para outros.
“No caso do PSDB, o ex-governador Serra faz o papel do Lula: ele tem coragem, gosta de competir. Eu não sei até que ponto ele vai se convencer de que [a disputa] não é para ele, a abrir espaço para outros”, diz o tucano.
FHC prevê também uma “briga interna muito forte no PSDB, entre Serra e Aécio” na corrida para 2014. Ele, no entanto, diz que o cenário estará mais claro apenas depois das eleições municipais.
Outra avaliação de FHC é que o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), não está no páreo.
As declarações representam uma mudança de tom do ex-presidente.
Em maio do ano passado, em entrevista ao portal iG, FHC já havia afirmado que Aécio tinha uma vantagem sobre Serra, mas dizia que a questão não estava fechada e ainda considerava Alckmin no cenário.
A entrevista de FHC deve aumentar a tensão entre Serra e Aécio, que disputam a indicação do partido para concorrer à Presidência em 2014.
No final do ano passado, quando Aécio disse publicamente que queria disputar a Presidência em 2014, Serra rebateu pelo microblog Twitter: “Querer colocar o carro adiante dos bois só atrapalha e desorganiza a oposição”.
Ao rever o desempenho tucano em 2010, FHC avalia que o PSDB cometeu “erros enormes” na campanha. Não fosse por isso, afirma, seu partido poderia ter vencido a disputa com a hoje presidente Dilma Rousseff.
“O que estou tentando dizer é que era possível ter vencido. Foi falha nossa”, diz FHC na entrevista, que foi publicada na última quinta.
O ex-presidente é então questionado se o PSDB poderia ter vencido com “o mesmo candidato”.
“Bem, talvez não”, diz.
Para FHC, um dos fatores que pesaram contra os tucanos foi o isolamento do partido, em parte provocado pelas características de Serra.
“Não formamos alianças. Foi uma espécie de arrogância. Nosso candidato estava isolado, mesmo internamente”, diz FHC, que concorda quando a entrevistadora pergunta se Serra afastou as pessoas: “Sim. E foi muito ruim”.
Procurado, Serra afirmou por meio de sua secretária que não havia lido a entrevista e não poderia comentá-la.
SONHO COM LULA
Na entrevista, FHC conta que teve um sonho recente com o ex-presidente Lula: “Sonhei que nós, Lula e eu, estávamos propondo juntos consenso nacional [risos]”.
Na vida real, o tucano propõe que o petista se afaste um pouco para permitir a chegada de novos líderes.
“Deixe-me falar sem personalizar: nos últimos 20 anos, houve apenas dois líderes”, diz, logo após concordar que ele ainda é uma das vozes mais importantes do PSDB, “pela falta de alternativas”.
FHC pondera, porém, que há uma nova geração: “É uma questão de tempo. Provavelmente, se Lula não estivesse envolvido -o mesmo se aplica a mim-, seria melhor”.
Quanto a 2014, FHC diz que ninguém sabe qual será o papel de Lula. Porém, ele afirma que o petista deve querer disputar a eleição, porque é “um animal muito competitivo, um animal político”.


DE SÃO PAULO

Emprego na construção civil cai 0,62% em novembro

Um sonho do trabalhador

O brasileiro quer ser dono do próprio negócio, mas esbarra na burocracia; em algumas cidades do interior, é possível abrir empresas rapidamente
Desde 1986, quando fui eleito deputado constituinte, representando as pequena empresas, mantive um relacionamento muito amistoso com o deputado eleito para representar os trabalhadores: Luiz Inácio Lula da Silva.
Eu brincava com Lula, dizendo que ele não poderia me atacar, pois atacaria o sonho do trabalhador brasileiro: ser dono do próprio negócio.
O tom era de brincadeira, mas eu tinha certeza de que esse sonho, embora contido na época, era uma realidade na cabeça do trabalhador.
O tempo passou. A tese foi se consolidando. Hoje, as pesquisas comprovam que mais da metade dos brasileiros sonham em trabalhar por conta própria.
Mas, ao lado do indicador que coloca o brasileiro entre os povos mais empreendedores do mundo, existe a burocracia. Ela faz do Brasil um dos piores lugares para abrir ou fechar um negócio. Em um ranking de 183 países, estamos na posição número 126, de acordo com o Banco Mundial. Um grande paradoxo.
Quando fui secretário do Emprego, no governo José Serra, assumi também a presidência do Programa Estadual de Desburocratização. Nossa prioridade foi melhorar essa estatística. Criamos o Sistema Integrado de Licenciamento (SIL). Ele reúne, em um único ambiente na internet, o Corpo de Bombeiros, a Vigilância Sanitária, a Cetesb e os órgãos municipais.
Hoje, 23 municípios paulistas utilizam o SIL, com resultados muito positivos. Entre essas cidades, destacam-se Piracicaba, São Caetano do Sul e Mogi das Cruzes. Elas oferecem a possibilidade de abrir empresas em tempo recorde, apoiando o empreendedorismo.
Mas, infelizmente, o ranking do Banco Mundial tem como base a cidade de São Paulo. Ela é a cidade mais problemática.
Diante desse fato, fizemos um trabalho com o prefeito Gilberto Kassab e com a Câmara Municipal. Ajudamos a desenhar o projeto que se transformou na lei 15.499/2011. Ela desvincula a regularidade do imóvel da regularidade da empresa, abrindo caminho para o alvará provisório e para a integração do município ao SIL.
Eleito vice-governador, propus ao governador Geraldo Alckmin levar a Junta Comercial para a Secretaria de Desenvolvimento Econômico. Isso integrou ainda mais o sistema. Concebi, antes de deixar de ser secretário, o Via Rápida Empresa, que amplia o SIL para todos os municípios do Estado. Espero que ele esteja implantado em um curto espaço de tempo.
Implantado o SIL, restará o problema que considero mais grave: o fechamento de empresas.
Resolver isso depende principalmente da integração de todos os fiscos. O avanço está previsto na lei 11.598/2007, que criou a Redesim, que simplifica e integra todos os fiscos e juntas comerciais. Falta colocar a lei em prática.
Sou confiante sobre o andamento da questão, pois a presidenta Dilma mostrou sensibilidade sobre o tema. Ela teve coragem para reduzir a contribuição previdenciária para o microempreendedor individual, proposta que levei pessoalmente ao presidente Lula.
Acredito, portanto, que ela atenderá a expectativa dos batalhadores brasileiros. Assim, colocaremos o Brasil entre os países que mais apoiam o empreendedorismo.
GUILHERME AFIF DOMINGOS, 68, é vice-governador do Estado de São Paulo. Foi secretário do Emprego e Relações do Trabalho do Estado de São Paulo (gestão José Serra) e deputado constituinte
Os artigos publicados com assinatura não traduzem a opinião do jornal. Sua publicação obedece ao propósito de estimular o debate dos problemas brasileiros e mundiais e de refletir as diversas tendências do pensamento contemporâneo. debates@uol.com.br Este endereço de e-mail está protegido contra spambots. Você deve habilitar o JavaScript para visualizá-lo.

Emprego na construção civil cai 0,62% em novembro

Um sonho do trabalhador

O brasileiro quer ser dono do próprio negócio, mas esbarra na burocracia; em algumas cidades do interior, é possível abrir empresas rapidamente
Desde 1986, quando fui eleito deputado constituinte, representando as pequena empresas, mantive um relacionamento muito amistoso com o deputado eleito para representar os trabalhadores: Luiz Inácio Lula da Silva.
Eu brincava com Lula, dizendo que ele não poderia me atacar, pois atacaria o sonho do trabalhador brasileiro: ser dono do próprio negócio.
O tom era de brincadeira, mas eu tinha certeza de que esse sonho, embora contido na época, era uma realidade na cabeça do trabalhador.
O tempo passou. A tese foi se consolidando. Hoje, as pesquisas comprovam que mais da metade dos brasileiros sonham em trabalhar por conta própria.
Mas, ao lado do indicador que coloca o brasileiro entre os povos mais empreendedores do mundo, existe a burocracia. Ela faz do Brasil um dos piores lugares para abrir ou fechar um negócio. Em um ranking de 183 países, estamos na posição número 126, de acordo com o Banco Mundial. Um grande paradoxo.
Quando fui secretário do Emprego, no governo José Serra, assumi também a presidência do Programa Estadual de Desburocratização. Nossa prioridade foi melhorar essa estatística. Criamos o Sistema Integrado de Licenciamento (SIL). Ele reúne, em um único ambiente na internet, o Corpo de Bombeiros, a Vigilância Sanitária, a Cetesb e os órgãos municipais.
Hoje, 23 municípios paulistas utilizam o SIL, com resultados muito positivos. Entre essas cidades, destacam-se Piracicaba, São Caetano do Sul e Mogi das Cruzes. Elas oferecem a possibilidade de abrir empresas em tempo recorde, apoiando o empreendedorismo.
Mas, infelizmente, o ranking do Banco Mundial tem como base a cidade de São Paulo. Ela é a cidade mais problemática.
Diante desse fato, fizemos um trabalho com o prefeito Gilberto Kassab e com a Câmara Municipal. Ajudamos a desenhar o projeto que se transformou na lei 15.499/2011. Ela desvincula a regularidade do imóvel da regularidade da empresa, abrindo caminho para o alvará provisório e para a integração do município ao SIL.
Eleito vice-governador, propus ao governador Geraldo Alckmin levar a Junta Comercial para a Secretaria de Desenvolvimento Econômico. Isso integrou ainda mais o sistema. Concebi, antes de deixar de ser secretário, o Via Rápida Empresa, que amplia o SIL para todos os municípios do Estado. Espero que ele esteja implantado em um curto espaço de tempo.
Implantado o SIL, restará o problema que considero mais grave: o fechamento de empresas.
Resolver isso depende principalmente da integração de todos os fiscos. O avanço está previsto na lei 11.598/2007, que criou a Redesim, que simplifica e integra todos os fiscos e juntas comerciais. Falta colocar a lei em prática.
Sou confiante sobre o andamento da questão, pois a presidenta Dilma mostrou sensibilidade sobre o tema. Ela teve coragem para reduzir a contribuição previdenciária para o microempreendedor individual, proposta que levei pessoalmente ao presidente Lula.
Acredito, portanto, que ela atenderá a expectativa dos batalhadores brasileiros. Assim, colocaremos o Brasil entre os países que mais apoiam o empreendedorismo.
GUILHERME AFIF DOMINGOS, 68, é vice-governador do Estado de São Paulo. Foi secretário do Emprego e Relações do Trabalho do Estado de São Paulo (gestão José Serra) e deputado constituinte
Os artigos publicados com assinatura não traduzem a opinião do jornal. Sua publicação obedece ao propósito de estimular o debate dos problemas brasileiros e mundiais e de refletir as diversas tendências do pensamento contemporâneo. debates@uol.com.br Este endereço de e-mail está protegido contra spambots. Você deve habilitar o JavaScript para visualizá-lo.