NOVA CENTRAL SINDICAL
DE TRABALHADORES
DO ESTADO DO PARANÁ

UNICIDADE
DESENVOLVIMENTO
JUSTIÇA SOCIAL

Dieese vê desemprego de um dígito em 2012

Dieese vê desemprego de um dígito em 2012

Economistas da Fundação Seade e do Departamento Inter­­sindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), Alexandre Loloian e Sérgio Mendonça atribuíram ao governo federal – leia-se Ministério da Fazenda e Banco Central – a responsabilidade de criar as condições necessárias para assegurar ao longo de 2012 a taxa de desemprego na faixa de um dígito.
Ao Ministério da Fazenda, segundo os dois economistas, cabe a tarefa de manter em curso a estratégia de retirada das medidas de contenção da atividade adotadas no auge da crise financeira internacional de 2008. E ao BC cabe o trabalho de manter o afrouxamento da política monetária.
Em novembro, pela primeira vez desde janeiro de 1998, a taxa de desemprego medida pelo Dieese caiu para o nível de um dígito ao fechar em 9,7% nas sete regiões metropolitanas do país em que as duas entidades realizam a Pesquisa de Emprego e Desemprego (PED). Em outubro, o desemprego no conjunto destas sete regiões havia atingido 10,1% da População Economicamente Ativa (PEA).
A metodologia usada pelo Dieese para medir o desemprego é diferente da aplicada pelo IBGE, que costuma indicar taxas mais baixas – a mais recente, de outubro, apontou desocupação de 5,8% em seis regiões metropolitanas.
Os dois economistas dizem que, se o governo federal continuar retirando medidas de contenção da atividade e mantiver o programa de investimentos e se o BC reduzir a Selic, a taxa de ocupação continuará crescendo ao redor de 1,5% ao ano e a taxa de desemprego será mantida na faixa de um dígito ao longo de 2012.
Mendonça lembra que a presidente Dilma Rousseff e o ministro da Fazenda, Guido Mantega, insistem em afirmar que o Produto Interno Bruto (PIB) crescerá de 4,5% a 5% no ano que vem. Para ele, faz parte do jogo o governo, como principal gerenciador de expectativas do mercado e da população, fazer comentários otimistas. Mas, para que a taxa de desemprego se mantenha em um dígito no ano que vem, de acordo com Mendonça, basta que se concretize o que ele chama de cenário intermediário, com a taxa de juros mantendo-se em queda, PIB avançando ao redor de 3% e a inflação em 12 meses recuando para algo ao redor de 6,5%.

Dieese vê desemprego de um dígito em 2012

Dieese vê desemprego de um dígito em 2012

Economistas da Fundação Seade e do Departamento Inter­­sindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), Alexandre Loloian e Sérgio Mendonça atribuíram ao governo federal – leia-se Ministério da Fazenda e Banco Central – a responsabilidade de criar as condições necessárias para assegurar ao longo de 2012 a taxa de desemprego na faixa de um dígito.
Ao Ministério da Fazenda, segundo os dois economistas, cabe a tarefa de manter em curso a estratégia de retirada das medidas de contenção da atividade adotadas no auge da crise financeira internacional de 2008. E ao BC cabe o trabalho de manter o afrouxamento da política monetária.
Em novembro, pela primeira vez desde janeiro de 1998, a taxa de desemprego medida pelo Dieese caiu para o nível de um dígito ao fechar em 9,7% nas sete regiões metropolitanas do país em que as duas entidades realizam a Pesquisa de Emprego e Desemprego (PED). Em outubro, o desemprego no conjunto destas sete regiões havia atingido 10,1% da População Economicamente Ativa (PEA).
A metodologia usada pelo Dieese para medir o desemprego é diferente da aplicada pelo IBGE, que costuma indicar taxas mais baixas – a mais recente, de outubro, apontou desocupação de 5,8% em seis regiões metropolitanas.
Os dois economistas dizem que, se o governo federal continuar retirando medidas de contenção da atividade e mantiver o programa de investimentos e se o BC reduzir a Selic, a taxa de ocupação continuará crescendo ao redor de 1,5% ao ano e a taxa de desemprego será mantida na faixa de um dígito ao longo de 2012.
Mendonça lembra que a presidente Dilma Rousseff e o ministro da Fazenda, Guido Mantega, insistem em afirmar que o Produto Interno Bruto (PIB) crescerá de 4,5% a 5% no ano que vem. Para ele, faz parte do jogo o governo, como principal gerenciador de expectativas do mercado e da população, fazer comentários otimistas. Mas, para que a taxa de desemprego se mantenha em um dígito no ano que vem, de acordo com Mendonça, basta que se concretize o que ele chama de cenário intermediário, com a taxa de juros mantendo-se em queda, PIB avançando ao redor de 3% e a inflação em 12 meses recuando para algo ao redor de 6,5%.

Dieese vê desemprego de um dígito em 2012

Com impulso da indústria, PIB do Paraná sobe 4,1% e supera a média nacional

>>INDICADORES
Estimativa do Ipardes para 2011 considera a alta de mais de 5% na produção industrial, que aliviou os efeitos das quebras no campo
A economia paranaense deve crescer acima da média nacional neste ano. A previsão do Instituto Paranaense de Desenvolvimento Econômico e Social (Ipardes) é que o Produto Interno Bruto (PIB) do Paraná terá uma expansão de 4,1%, contra os 3% previstos para todo o país pelo Banco Central. A indústria, principalmente a de veículos automotores, puxa o crescimento estadual, que poderia até ser maior se não fossem as deficiências na infraestrutura.
De janeiro a outubro de 2011, a produção industrial paranaense cresceu 5,2%, bem acima da média nacional (0,7%). No Rio Grande do Sul, a alta foi de apenas 2,4% e, em Santa Catarina, houve retração de 4,4%. No Paraná, o destaque ficou para os segmentos de veículos automotores, aparelhos e materiais elétricos e refino de petróleo e álcool. “O bom resultado reflete ainda o aumento nas vendas industriais e na folha de pagamento na indústria. Em ambos os casos, o crescimento no Paraná ficou acima da média nacional”, diz Julio Suzuki, diretor de pesquisa do Ipardes.
 
Exportação, emprego e varejo cresceram
As exportações paranaenses bateram recorde neste ano. De janeiro a novembro, as vendas ao exterior somaram US$ 16 bilhões, 13% a mais que nos 12 meses de 2010 (US$ 14,2 bilhões). Os principais produtos exportados foram soja em grão (US$ 3,2 bilhões) e carne de frango in natura (US$ 1,6 bilhão).
 
Segundo o Ipardes, a região metropolitana de Curitiba fecha o ano com a menor taxa de desemprego do país. O índice de desocupação na região de Curitiba ficou, em outubro, em 3,6%, contra 5,8% na média nacional.
 
Outro dado positivo é a variação de vendas do comércio varejista – de janeiro a outubro, o setor cresceu 8,9%. “Este dado é superior à média nacional, de 7,3%, e coloca o estado na liderança no Sul. Isso reflete os estímulos de crescimento da massa salarial entre os trabalhadores paranaenses”, destaca o diretor-presidente do Ipardes, Gilmar Mendes Lourenço.
 
Em relação à inflação, o Índice de Preços ao Consumidor (IPC) de Curitiba, medido pelo Ipardes, ficou em 5,19% no acumulado de janeiro a novembro, menor que a inflação brasileira, de 5,97%. “As tarifas de ônibus, de água e esgoto puxaram esse índice em Curitiba. A região metropolitana apresenta um IPCA maior, de 6,67% no acumulado do ano, mas isso acontece porque o mercado não é tão dinâmico quanto o da capital”, ressalta Lourenço. (JPS)
Por outro lado, a produção agrícola do estado teve retração de 3%, com queda no cultivo de trigo, aveia e café, devido a problemas climáticos. “As geadas no inverno prejudicaram a produção, tanto para a aveia quanto para o café, cujo cultivo é bianual. Alguns grãos, porém, tiveram bons resultados, apesar do esgotamento das fronteiras agrícolas no estado”, diz Suzuki. A produção de soja fecha 2011 em 15,4 milhões de toneladas, quase 10% superior ao volume colhido em 2010.
Com base nesses dados, o diretor-presidente do Ipardes, Gilmar Mendes Lourenço, afirma que o Paraná vive uma inversão de tendências. Ele lembra que entre 2003 e 2010, a média anual de crescimento da economia paranaense foi de 3,6%, contra 4% da economia brasileira. “Agora o Paraná está crescendo mais que o Brasil, mostrando uma tendência que reflete o estímulo da articulação entre o setor público e privado. Está se investindo mais no estado e, com desaceleração ou não, há agora uma capacidade maior da economia”, diz Lourenço.
Segundo o Ipardes, os investimentos anunciados para o estado neste ano somam R$ 8 bilhões, nos setores de veículos e autopeças, eletroeletrônica, embalagens e telecomunicações, entre outros. Entretanto, Lourenço reconhece que a carteira de investimentos do Paraná poderia ser maior não fossem os gargalos de infraestrutura, em especial a de transportes. “Se essas questões estivessem redondinhas, a carteira de investimentos seria maior”, avalia.
A mesma regra valeria para o crescimento do PIB paranaense, que, mesmo crescendo mais que a média nacional, poderia ter um incremento ainda maior. “Hoje há uma mudança de postura do setor público, que dialoga com a iniciativa privada. Essa mudança, aliada a alguns fatos concretos, como os investimentos das concessionárias nas rodovias, sinalizam que no médio prazo o Paraná retoma sua competitividade e pode crescer perto de 5% ao ano”, diz o diretor-presidente do Ipardes, que é subordinado ao governo estadual.
 

Dieese vê desemprego de um dígito em 2012

Com impulso da indústria, PIB do Paraná sobe 4,1% e supera a média nacional

>>INDICADORES
Estimativa do Ipardes para 2011 considera a alta de mais de 5% na produção industrial, que aliviou os efeitos das quebras no campo
A economia paranaense deve crescer acima da média nacional neste ano. A previsão do Instituto Paranaense de Desenvolvimento Econômico e Social (Ipardes) é que o Produto Interno Bruto (PIB) do Paraná terá uma expansão de 4,1%, contra os 3% previstos para todo o país pelo Banco Central. A indústria, principalmente a de veículos automotores, puxa o crescimento estadual, que poderia até ser maior se não fossem as deficiências na infraestrutura.
De janeiro a outubro de 2011, a produção industrial paranaense cresceu 5,2%, bem acima da média nacional (0,7%). No Rio Grande do Sul, a alta foi de apenas 2,4% e, em Santa Catarina, houve retração de 4,4%. No Paraná, o destaque ficou para os segmentos de veículos automotores, aparelhos e materiais elétricos e refino de petróleo e álcool. “O bom resultado reflete ainda o aumento nas vendas industriais e na folha de pagamento na indústria. Em ambos os casos, o crescimento no Paraná ficou acima da média nacional”, diz Julio Suzuki, diretor de pesquisa do Ipardes.
 
Exportação, emprego e varejo cresceram
As exportações paranaenses bateram recorde neste ano. De janeiro a novembro, as vendas ao exterior somaram US$ 16 bilhões, 13% a mais que nos 12 meses de 2010 (US$ 14,2 bilhões). Os principais produtos exportados foram soja em grão (US$ 3,2 bilhões) e carne de frango in natura (US$ 1,6 bilhão).
 
Segundo o Ipardes, a região metropolitana de Curitiba fecha o ano com a menor taxa de desemprego do país. O índice de desocupação na região de Curitiba ficou, em outubro, em 3,6%, contra 5,8% na média nacional.
 
Outro dado positivo é a variação de vendas do comércio varejista – de janeiro a outubro, o setor cresceu 8,9%. “Este dado é superior à média nacional, de 7,3%, e coloca o estado na liderança no Sul. Isso reflete os estímulos de crescimento da massa salarial entre os trabalhadores paranaenses”, destaca o diretor-presidente do Ipardes, Gilmar Mendes Lourenço.
 
Em relação à inflação, o Índice de Preços ao Consumidor (IPC) de Curitiba, medido pelo Ipardes, ficou em 5,19% no acumulado de janeiro a novembro, menor que a inflação brasileira, de 5,97%. “As tarifas de ônibus, de água e esgoto puxaram esse índice em Curitiba. A região metropolitana apresenta um IPCA maior, de 6,67% no acumulado do ano, mas isso acontece porque o mercado não é tão dinâmico quanto o da capital”, ressalta Lourenço. (JPS)
Por outro lado, a produção agrícola do estado teve retração de 3%, com queda no cultivo de trigo, aveia e café, devido a problemas climáticos. “As geadas no inverno prejudicaram a produção, tanto para a aveia quanto para o café, cujo cultivo é bianual. Alguns grãos, porém, tiveram bons resultados, apesar do esgotamento das fronteiras agrícolas no estado”, diz Suzuki. A produção de soja fecha 2011 em 15,4 milhões de toneladas, quase 10% superior ao volume colhido em 2010.
Com base nesses dados, o diretor-presidente do Ipardes, Gilmar Mendes Lourenço, afirma que o Paraná vive uma inversão de tendências. Ele lembra que entre 2003 e 2010, a média anual de crescimento da economia paranaense foi de 3,6%, contra 4% da economia brasileira. “Agora o Paraná está crescendo mais que o Brasil, mostrando uma tendência que reflete o estímulo da articulação entre o setor público e privado. Está se investindo mais no estado e, com desaceleração ou não, há agora uma capacidade maior da economia”, diz Lourenço.
Segundo o Ipardes, os investimentos anunciados para o estado neste ano somam R$ 8 bilhões, nos setores de veículos e autopeças, eletroeletrônica, embalagens e telecomunicações, entre outros. Entretanto, Lourenço reconhece que a carteira de investimentos do Paraná poderia ser maior não fossem os gargalos de infraestrutura, em especial a de transportes. “Se essas questões estivessem redondinhas, a carteira de investimentos seria maior”, avalia.
A mesma regra valeria para o crescimento do PIB paranaense, que, mesmo crescendo mais que a média nacional, poderia ter um incremento ainda maior. “Hoje há uma mudança de postura do setor público, que dialoga com a iniciativa privada. Essa mudança, aliada a alguns fatos concretos, como os investimentos das concessionárias nas rodovias, sinalizam que no médio prazo o Paraná retoma sua competitividade e pode crescer perto de 5% ao ano”, diz o diretor-presidente do Ipardes, que é subordinado ao governo estadual.
 

Dieese vê desemprego de um dígito em 2012

Uma forma de diminuir a desigualdade e gerar renda

COOPERATIVAS
Um sexto da população mundial está organizado em ações associativistas para garantir o desenvolvimento regional com responsabilidade social
 
A Organização das Nações Unidas (ONU) elegeu 2012 como o ano internacional do cooperativismo. As cooperativas congregam um sexto da população mundial e são apontadas pela ONU como uma forma de combater a desigualdade social e de gerar renda. No Brasil, as modalidades mais comuns ainda estão ligadas à agricultura, mas há também outras iniciativas em diversos setores que vêm auxiliando o crescimento do país.
Segundo a Aliança Inter­­nacional das Cooperativas, que congrega 267 organizações de 97 países, em todo o mundo são empregadas diretamente 100 milhões de pessoas nesse modelo de associativismo. O cooperativismo está presente tanto em países desenvolvidos como em nações pobres. Nos Estados Unidos há mais de 30 mil iniciativas que geram anualmente US$ 500 bilhões em receitas (cerca de R$ 930 bilhões) e US$ 25 bilhões em salários (R$ 46 bilhões). No Quênia, uma das nações mais pobres do mundo, as cooperativas são responsáveis por 45% do Produto Interno Bruto.
 
Perfil
Saiba que características definem as cooperativas:
1. Adesão livre e voluntária
As organizações devem ser abertas a todos, sem discriminação social, racial, política ou religiosa.
2. Controle democrático pelos membros
Os cooperados devem participar ativamente do estabelecimento de políticas e tomada de decisões.
3. Participação econômica dos membros
A contribuição deve ser equitativa e deve haver controle democrático sobre o capital da empresa.
4. Autonomia e independência
Os cooperados podem gerir e controlar o negócio. Mesmo associada a outros parceiros, deve ser assegurada a autonomia aos integrantes.
5. Partilha da educação, formação e informação
Representantes eleitos, administradores e funcionários devem ter acesso à educação e formação para contribuir com o desenvolvimento da cooperativa. O público em geral também deve receber informações.
6. Cooperação com demais cooperativas
Cooperativas podem trabalhar juntas através de estruturas locais, nacionais, regionais e internacionais.
7. Interesse pela comunidade
As cooperativas devem ter responsabilidade corporativa e trabalhar pela sustentabilidade das comunidades onde atuam.
 
Fonte: International Cooperative Alliance
 
O cooperativismo no mundo
Em todos os países, as cooperativas têm posições estratégicas e ajudam a alavancar a economia:
Finlândia
São responsáveis por 74% da produção de carne, 96% do leite, 50% de ovos, 34% dos produtos florestais e manipulados e 34% do total de depósitos em bancos finlandês.
Japão
As cooperativas agrícolas congregam 91% de todos os agricultores.
Noruega
O cooperativismo de laticínios é responsável por 99% da produção de leite, as cooperativas de consumo representam 25% do mercado, as relativas à pesca foram responsáveis por 8,7% do total das exportações. Já as florestais foram responsáveis por 76% da madeira produzida.
Uruguai
Respondem por 90% da produção de leite, 34% do mel e 30% do trigo. Mais da metade delas exporta para 40 países.
França
21 mil cooperativas oferecem empregos para 700 mil pessoas.
Polônia
As cooperativas são responsáveis por 75% da produção leiteira.
Cingapura
As cooperativas de consumo congregam 55% das compras de supermercado e têm um volume de negócios de US$ 700 milhões.
Fonte: International Cooperative Alliance
 
Vice-coordenador da Incu­­badora Tecnológica de Iniciativas Populares da Universidade Federal do Paraná (ITCP-UFPR), Denys Dozsa diz que o cooperativismo é uma forma de organização do trabalho pautada por valores e princípios. Ele ressalta que todos os processos são coletivos e não individuais, além de o foco estar além dos benefícios econômicos. Ao atuar em uma determinada comunidade, por exemplo, os cooperados precisam ter responsabilidade social.
 
Desenvolvimento
 
No Brasil, durante a década de 1970, a legislação previu um tipo de cooperativa que ajudasse a impulsionar o desenvolvimento do país, por isso é comum haver grandes cooperativas voltadas principalmente para setores como agronegócio e crédito. Para Dozsa, durante os anos 1990 se iniciou um movimento para recuperar os antigos valores das cooperativas, que não têm características de grandes empresas. Surgem então movimentos de cooperativas populares e de economia solidária.
 
Na UFPR, a incubadora é um projeto de extensão que tem o objetivo de aproximar os alunos e a sociedade, como um espaço de formação. Os estudantes e professores acompanham alguns projetos e fazem a divulgação do conhecimento científico produzido. Um dos casos mais bem-sucedidos do projeto é uma cooperativa de mulheres em Mandirituba, região metropolitana de Curitiba. A ITCP acompanhou as artesãs da Coopermandi desde a fundação, auxiliando-as nos aspectos legais e qualificação profissional. Outro projeto atua em Tunas do Paraná, município com 38% da população considerada pobre.
 
No Brasil, uma das principais formas de cooperativismo que emergiu na última década foi a organização de catadores de materiais recicláveis. Para tentar diminuir a influência de “atravessadores” e assim conseguir maior valor com os produtos coletados, esses trabalhadores vêm criando cooperativas.
 
Em Curitiba, a Catamare se tornou um caso de sucesso. Valdomiro Ferreira da Luz, 50 anos e 25 como catador, foi um dos principais mobilizadores do Movimento Nacional de Catadores de Materiais Recicláveis e ajudou a fundar a entidade. A Catamare tem hoje 47 associados diretos e recebe praticamente todo o material de órgãos federais em Curitiba. Além da contribuição com a previdência social, os cooperados ganham mais com os produtos. Com o intermédio de “atravessadores”, os catadores obtêm apenas R$ 0,08 com o quilo do papelão e, na cooperativa, a média é R$ 0,25.
 
Oportunidade para as famílias assentadas
Em novembro deste ano, 20 integrantes de assentamentos rurais do Paraná se formaram no primeiro curso de Tecnologia em Gestão de Cooperativas, que tem o objetivo de qualificar trabalhadores rurais sem terra. Existem hoje 312 assentamentos no estado, com 19,8 mil famílias. A criação de cooperativas e empresas sociais é uma alternativa para a geração de renda dessa população. A reivindicação dos assentados é de que não basta apenas fazer a reforma agrária, mas é preciso oferecer condições materiais para o estabelecimento da população no campo, com possibilidade de produção agrícola.
 
O curso é uma parceria do Instituto Nacional de Coloni­­za­­ção e Reforma Agrária no Paraná (Incra-PR) com o Instituto Federal do Paraná (IFPR) e o Centro de Desenvolvimento Sustentável e Capacitação em Agroecologia (Ceagro). Os custos são financiados pelo Incra, que investiu neste ano R$ 2,6 milhões em cursos de nível médio-técnico e superior. Superintendente do Incra-PR, Nilton Bezerra Guedes explica que até os anos 2000, o objetivo do governo federal era oferecer o acesso à terra e agora é ga­­rantir o desenvolvimento dos assentados.
 
Arroz e leite
Os trabalhadores rurais sem-terra do Paraná criaram 14 cooperativas para comercializar a produção. A cooperativa do Assenta­­mento Pontal do Tigre, em Que­­rência do Norte, Região Noroeste, produz 33% do arroz do estado, com 250 mil sacas anuais. No local também são produzidos 20 mil litros de leite por dia. O as­­sentamento Santa Maria, em Pa­­ranacity, também no Noroeste, es­­tá convertendo toda a produção para o modelo agroecológico. Com a produção de leite e de­­rivados e hortaliças, a coopera­­tiva tem receita bruta de R$ 715 mil ao ano.
 
 

Dieese vê desemprego de um dígito em 2012

Uma forma de diminuir a desigualdade e gerar renda

COOPERATIVAS
Um sexto da população mundial está organizado em ações associativistas para garantir o desenvolvimento regional com responsabilidade social
 
A Organização das Nações Unidas (ONU) elegeu 2012 como o ano internacional do cooperativismo. As cooperativas congregam um sexto da população mundial e são apontadas pela ONU como uma forma de combater a desigualdade social e de gerar renda. No Brasil, as modalidades mais comuns ainda estão ligadas à agricultura, mas há também outras iniciativas em diversos setores que vêm auxiliando o crescimento do país.
Segundo a Aliança Inter­­nacional das Cooperativas, que congrega 267 organizações de 97 países, em todo o mundo são empregadas diretamente 100 milhões de pessoas nesse modelo de associativismo. O cooperativismo está presente tanto em países desenvolvidos como em nações pobres. Nos Estados Unidos há mais de 30 mil iniciativas que geram anualmente US$ 500 bilhões em receitas (cerca de R$ 930 bilhões) e US$ 25 bilhões em salários (R$ 46 bilhões). No Quênia, uma das nações mais pobres do mundo, as cooperativas são responsáveis por 45% do Produto Interno Bruto.
 
Perfil
Saiba que características definem as cooperativas:
1. Adesão livre e voluntária
As organizações devem ser abertas a todos, sem discriminação social, racial, política ou religiosa.
2. Controle democrático pelos membros
Os cooperados devem participar ativamente do estabelecimento de políticas e tomada de decisões.
3. Participação econômica dos membros
A contribuição deve ser equitativa e deve haver controle democrático sobre o capital da empresa.
4. Autonomia e independência
Os cooperados podem gerir e controlar o negócio. Mesmo associada a outros parceiros, deve ser assegurada a autonomia aos integrantes.
5. Partilha da educação, formação e informação
Representantes eleitos, administradores e funcionários devem ter acesso à educação e formação para contribuir com o desenvolvimento da cooperativa. O público em geral também deve receber informações.
6. Cooperação com demais cooperativas
Cooperativas podem trabalhar juntas através de estruturas locais, nacionais, regionais e internacionais.
7. Interesse pela comunidade
As cooperativas devem ter responsabilidade corporativa e trabalhar pela sustentabilidade das comunidades onde atuam.
 
Fonte: International Cooperative Alliance
 
O cooperativismo no mundo
Em todos os países, as cooperativas têm posições estratégicas e ajudam a alavancar a economia:
Finlândia
São responsáveis por 74% da produção de carne, 96% do leite, 50% de ovos, 34% dos produtos florestais e manipulados e 34% do total de depósitos em bancos finlandês.
Japão
As cooperativas agrícolas congregam 91% de todos os agricultores.
Noruega
O cooperativismo de laticínios é responsável por 99% da produção de leite, as cooperativas de consumo representam 25% do mercado, as relativas à pesca foram responsáveis por 8,7% do total das exportações. Já as florestais foram responsáveis por 76% da madeira produzida.
Uruguai
Respondem por 90% da produção de leite, 34% do mel e 30% do trigo. Mais da metade delas exporta para 40 países.
França
21 mil cooperativas oferecem empregos para 700 mil pessoas.
Polônia
As cooperativas são responsáveis por 75% da produção leiteira.
Cingapura
As cooperativas de consumo congregam 55% das compras de supermercado e têm um volume de negócios de US$ 700 milhões.
Fonte: International Cooperative Alliance
 
Vice-coordenador da Incu­­badora Tecnológica de Iniciativas Populares da Universidade Federal do Paraná (ITCP-UFPR), Denys Dozsa diz que o cooperativismo é uma forma de organização do trabalho pautada por valores e princípios. Ele ressalta que todos os processos são coletivos e não individuais, além de o foco estar além dos benefícios econômicos. Ao atuar em uma determinada comunidade, por exemplo, os cooperados precisam ter responsabilidade social.
 
Desenvolvimento
 
No Brasil, durante a década de 1970, a legislação previu um tipo de cooperativa que ajudasse a impulsionar o desenvolvimento do país, por isso é comum haver grandes cooperativas voltadas principalmente para setores como agronegócio e crédito. Para Dozsa, durante os anos 1990 se iniciou um movimento para recuperar os antigos valores das cooperativas, que não têm características de grandes empresas. Surgem então movimentos de cooperativas populares e de economia solidária.
 
Na UFPR, a incubadora é um projeto de extensão que tem o objetivo de aproximar os alunos e a sociedade, como um espaço de formação. Os estudantes e professores acompanham alguns projetos e fazem a divulgação do conhecimento científico produzido. Um dos casos mais bem-sucedidos do projeto é uma cooperativa de mulheres em Mandirituba, região metropolitana de Curitiba. A ITCP acompanhou as artesãs da Coopermandi desde a fundação, auxiliando-as nos aspectos legais e qualificação profissional. Outro projeto atua em Tunas do Paraná, município com 38% da população considerada pobre.
 
No Brasil, uma das principais formas de cooperativismo que emergiu na última década foi a organização de catadores de materiais recicláveis. Para tentar diminuir a influência de “atravessadores” e assim conseguir maior valor com os produtos coletados, esses trabalhadores vêm criando cooperativas.
 
Em Curitiba, a Catamare se tornou um caso de sucesso. Valdomiro Ferreira da Luz, 50 anos e 25 como catador, foi um dos principais mobilizadores do Movimento Nacional de Catadores de Materiais Recicláveis e ajudou a fundar a entidade. A Catamare tem hoje 47 associados diretos e recebe praticamente todo o material de órgãos federais em Curitiba. Além da contribuição com a previdência social, os cooperados ganham mais com os produtos. Com o intermédio de “atravessadores”, os catadores obtêm apenas R$ 0,08 com o quilo do papelão e, na cooperativa, a média é R$ 0,25.
 
Oportunidade para as famílias assentadas
Em novembro deste ano, 20 integrantes de assentamentos rurais do Paraná se formaram no primeiro curso de Tecnologia em Gestão de Cooperativas, que tem o objetivo de qualificar trabalhadores rurais sem terra. Existem hoje 312 assentamentos no estado, com 19,8 mil famílias. A criação de cooperativas e empresas sociais é uma alternativa para a geração de renda dessa população. A reivindicação dos assentados é de que não basta apenas fazer a reforma agrária, mas é preciso oferecer condições materiais para o estabelecimento da população no campo, com possibilidade de produção agrícola.
 
O curso é uma parceria do Instituto Nacional de Coloni­­za­­ção e Reforma Agrária no Paraná (Incra-PR) com o Instituto Federal do Paraná (IFPR) e o Centro de Desenvolvimento Sustentável e Capacitação em Agroecologia (Ceagro). Os custos são financiados pelo Incra, que investiu neste ano R$ 2,6 milhões em cursos de nível médio-técnico e superior. Superintendente do Incra-PR, Nilton Bezerra Guedes explica que até os anos 2000, o objetivo do governo federal era oferecer o acesso à terra e agora é ga­­rantir o desenvolvimento dos assentados.
 
Arroz e leite
Os trabalhadores rurais sem-terra do Paraná criaram 14 cooperativas para comercializar a produção. A cooperativa do Assenta­­mento Pontal do Tigre, em Que­­rência do Norte, Região Noroeste, produz 33% do arroz do estado, com 250 mil sacas anuais. No local também são produzidos 20 mil litros de leite por dia. O as­­sentamento Santa Maria, em Pa­­ranacity, também no Noroeste, es­­tá convertendo toda a produção para o modelo agroecológico. Com a produção de leite e de­­rivados e hortaliças, a coopera­­tiva tem receita bruta de R$ 715 mil ao ano.