por NCSTPR | 27/09/23 | Ultimas Notícias
Selic vai cair 0,50 ponto percentual nas próximas reuniões do colegiado. Redução mais intensam, segundo ata da última reunião, dependeria de “surpresas positivas substanciais” nas expectativas de inflação
Fernanda Strickland
A ata da última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), do Banco Central (BC), divulgada nesta terça-feira (26/9), informa que os membros do grupo “concordaram unanimamente” com a expectativa de novos cortes de 0,50 ponto percentual na taxa básica de juros nas próximas reuniões. Mas o comitê considera pouco provável uma intensificação do ritmo de alívio monetário, uma vez que isso exigiria “surpresas positivas substanciais” que elevassem a confiança na dinâmica de queda da inflação nos próximos meses.
Segundo o documento, essa confiança viria apenas com “uma alteração significativa dos fundamentos da dinâmica da inflação, como uma reancoragem mais sólida das expectativas, uma abertura contundente do hiato do produto ou uma dinâmica mais benigna do que a esperada da inflação de serviços”.
“O Comitê seguiu avaliando que, entre as possibilidades que justificariam observarmos expectativas de inflação acima da meta, estariam as preocupações no âmbito fiscal, receios com a desinflação global e a possível percepção, por parte de analistas, de que o Copom, ao longo do tempo, poderia se tornar mais leniente no combate à inflação”, diz o texto.
A ata, além disso, reforçou a preocupação com a elevação das taxas de juros de longo prazo dos Estados Unidos (veja matéria abaixo), que têm valorizado o dólar ante o real, o que é um fator de pressão inflacionária.
Dessa forma, o ritmo de 0,50 ponto percentual foi considerado pelos diretores do BC como apropriado, nas próximas reuniões, para manter a política monetária contracionista necessária ao processo desinflacionário.
Copom reduziu probabilidade de cenários alternativos
Para a economista da TC investimentos Marianna Costa, o Banco Central indicou de forma clara qual deve ser o passo do ciclo de afrouxamento e reduziu de forma relevante a probabilidade de cenários alternativos. “Entendemos que a Selic chegará a 11,75% no fim de 2023 e a 10,25% em maio de 2024. O ritmo a partir daí segue em aberto, com a possibilidade de a política fiscal limitar uma queda mais expressiva”, disse a economista.
Segundo o estrategista-chefe da Warren Rena, Sérgio Goldenstein, o tom do Copom foi duro. “A ata mostrou maior preocupação com o desvio das expectativas de inflação com relação à meta; um julgamento de que a evolução benigna do cenário corrente de inflação ocorreu em consonância com o que já era esperado (e não melhor); uma descrição mais detalhada das preocupações com o cenário externo; a incerteza do mercado com relação à execução da política fiscal; e a possibilidade de uma taxa de juros neutra mais elevada”, pontuou.
CORREIO BRAZILIENSE
https://www.correiobraziliense.com.br/economia/2023/09/5128871-juros-banco-central-descarta-possibilidade-de-acelerar-cortes.html
por NCSTPR | 27/09/23 | Ultimas Notícias
Com os resultados, o IPCA-15 acumulou 5% na janela de 12 meses. Gasolina subiu mais que 5% no mês e contribuiu com 0,25 p.p. do índice.
Por Raphael Martins, g1
O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15) — considerado a prévia da inflação oficial do país — subiu 0,35% em setembro, informou nesta terça-feira (26) o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
O índice teve aceleração de 0,07 ponto percentual (p.p.) na comparação com o mês anterior, quando teve alta de 0,28% para agosto. Em setembro de 2022, o IPCA-15 foi de -0,37%.
Com os resultados, o IPCA-15 acumulou 5% na janela de 12 meses. Já no ano de 2023, o acúmulo é de 3,74%.
O destaque absoluto da medição foi a alta da gasolina, que subiu 5,18% no mês e foi o subitem com o maior impacto no resultado do mês (0,25 p.p.). O grupo de Transportes teve alta de 2,02%, maior alta entre os nove grupos do IPCA-15.
Dos nove grupos medidos pelo IBGE, seis registraram alta no mês de setembro. Além de Transportes, o destaque de alta fica com Habitação, apesar da desaceleração em relação ao mês anterior (1,08%).
Na ponta oposta, o grupo de Alimentação e bebidas segue em trajetória de desaceleração, com queda de 0,77% no mês e contribuição de -0,16 p.p. no índice geral.
Veja abaixo a variação dos grupos em setembro
- Alimentação e bebidas: -0,77%;
- Habitação: 0,30%;
- Artigos de residência: -0,47%;
- Vestuário: 0,41%;
- Transportes: 2,02%;
- Saúde e cuidados pessoais: 0,17%;
- Despesas pessoais: 0,35%;
- Educação: 0,05%;
- Comunicação: -0,15%.
Combustíveis puxaram resultado
A gasolina voltou a ser a grande vilã da inflação brasileira. Nos resultados do IPCA de agosto, divulgados neste mês, o IBGE já mostrava que o combustível era o subitem com maior inflação no ano. A prévia da inflação revela que a situação deve se agravar.
Além da alta de 5,18% da gasolina, o diesel também teve alta expressiva de 17,93% no mês. O combustível tem papel importante na inflação de médio prazo, pois demanda reajustes de preços da cadeia logística de bens, com alta dos fretes.
O gás veicular teve uma discreta alta, de 0,05%. Já o etanol teve queda de 1,41%. Assim, o subgrupo de combustíveis fechou o mês em alta de 4,85%.
Nos destaques de alta, o grupo Habitação (0,30%) também traz pressão vinda da energia elétrica residencial (0,66%). O subitem, contudo, havia coletado quedas recentes por conta do bônus de Itaipu, que gerou descontos nas faturas no mês de julho.
Além da readequação dos preços, houve reajuste relevante de tarifas em Belém, que puxou os preços para cima.
Alimentação e bebidas segue em queda
Parte da trinca de maior peso entre os grupos do IPCA-15, o grupo Alimentação e bebidas teve nova deflação no mês, caindo 0,77%. Novamente, o recuo foi impulsionado pelos preços da alimentação no domicílio, que caíram 1,25% em setembro.
O IBGE destaca as quedas da batata-inglesa (-10,51%), da cebola (-9,51%), do feijão-carioca (-8,13%), do leite longa vida (-3,45%), das carnes (-2,73%) e do frango em pedaços (-1,99%).
O destaque de alta foi o limão, alta de 32,2% no mês. A banana-d’água (4,36%), arroz (2,45%) e as frutas (0,40%) também subiram.
Por fim, a alimentação fora do domicílio subiu 0,46% e teve leve aceleração em relação ao mês anterior (0,22%), com altas no lanche (0,74%) e na refeição (0,35%).
Inflação dentro das expectativas
A expectativa de mercado para o resultado de setembro do IPCA-15 era de uma alta de 0,37%, quase em linha com o que foi observado. Como funciona como prévia do mês, o mercado acredita que é um bom sinal de controle da inflação, apesar do reajuste forte dos combustíveis.
por NCSTPR | 27/09/23 | Ultimas Notícias
As embalagens dos produtos estão ficando menores, mas o preço segue o mesmo. O problema não desaparecerá tão cedo, mesmo que a economia se recupere e a inflação diminua.
Por BBC
Se você vai ao supermercado e sai de lá com embalagens menores, mas o mesmo valor pago na nota fiscal, saiba que não é o único.
A “reduflação” — redução do tamanho ou da quantidade de um produto, ao mesmo tempo em que seu preço permanece estável — está se disseminando cada vez mais.
A economia global sofre com o aumento dos custos das matérias-primas, os atrasos na cadeia de abastecimento e os salários mais elevados dos trabalhadores após a pandemia. E os consumidores estão pagando o preço do aumento dos custos de produção.
Seja com as embalagens de papel higiênico ou com os pacotes de salgadinhos industrializados, a prática da reduflação — que acontece principalmente em tempos de inflação — está sendo registrada em todo o mundo.
Na semana passada, o supermercado Carrefour nas França colocou avisos nos produtos para alertar seus consumidores sobre a diminuição das embalagens sem uma correspondente redução de preço.
Os consumidores estão percebendo as mudanças e, naturalmente, não estão satisfeitos, especialmente porque o seu poder de compra está caindo devido à inflação.
E experiências passadas com a “reduflação” mostram que o fenômeno não termina quando a inflação diminui.
Os consumidores “percebem mais os aumentos de preços do que as reduções de tamanho”, afirma Mark Stiving, da Impact Pricing, uma organização que educa empresas sobre preços.
Como resultado, diz ele, as empresas utilizam a “reduflação” para aumentar os preços de forma “menos dolorosa”.
Cammy Crolic, professora da Universidade de Oxford que pesquisa o comportamento dos consumidores, concorda.
Como a população se preocupa mais com o impacto das compras em seu bolso, diz ela, é “mais provável que as pessoas reparem mais no aumento do preço do que na quantidade de produto ‘perdida’ quando as embalagens encolhem”.
Os consumidores nem sempre percebem as mudanças imediatamente; muitas vezes, as mudanças acontecem aos poucos. Por exemplo, uma bebida que anteriormente era vendida em uma garrafa de 300ml um ano atrás, pode agora ser oferecida pelo mesmo preço, mas com apenas 200ml.
E os especialistas dizem que depois que os novos tamanhos chegam às prateleiras, eles tendem a permanecer desse jeito. Phil Lempert, analista da indústria alimentar e editor do SupermarketGuru acrescenta que, como os consumidores não têm escolha, eles precisam se adaptar às mudanças.
Em alguns casos, eles podem mudar para produtos com menor valor. Lempert, que trabalha nos EUA, diz que a fidelidade à marca despenca em épocas de ‘reduflação’, com as pessoas frequentemente fazendo transição para as marcas próprias dos supermercados.
Mas quando se trata dos produtos essenciais, os consumidores podem não ter alternativas. Por exemplo, se uma família depende de fórmula para bebês e sua loja só oferece uma opção, ela terá que comprar o produto.
No entanto, mesmo que a reduflação esteja ligada à inflação, Crolic diz que os consumidores normalmente não vêem os tamanhos dos produtos voltarem ao que eram antes, mesmo depois do fim da turbulência econômica.
Há raras exceções, mas as empresas geralmente aproveitam a oportunidade para diminuir seus produtos e cobrar o mesmo — ou até mais.
Em vez disso, muitas vezes surge um novo fenômeno.
“Depois de os produtos serem repetidamente reduzidos em tamanho, o fabricante lançará uma versão nova e maior – por vezes com um novo nome fantasioso”, diz Edgar Dworsky, advogado dos direitos do consumidor nos EUA e fundador do guia Consumer World. E com isso, os compradores pagam um custo mais alto pela novidade.
As embalagens de batatas chips, por exemplo, continuaram a diminuir mesmo em meio à contração da inflação, diz Dworsky.
No passado, a empresa de salgadinhos Lay’s, uma divisão da PepsiCo, respondeu a essa mudança relançando seu produto em um pacote maior, mas com um novo nome – “Party Size” – com preço mais alto.
Dworsky também aponta para os rolos de papel higiênico, que, segundo ele, vêm diminuindo há décadas. Ele explica que, quando os rolos começaram a ficar pequenos o suficiente para que os consumidores percebessem, os fabricantes começaram a introduzir novamente tamanhos maiores no mercado.
À medida que embalagens maiores chegavam às prateleiras, empresas como a Charmin adaptaram suas propagandas, chamando-as de rolos “duplos”, “triplos” e até “mega”. E agora, em meio ao atual período de reduflação, até os rolos “super mega” Ultra Soft da Charmin estão ficando menores.
Com ou sem aviso, a reduflação é um golpe no bolso dos consumidores, especialmente porque o preço dos produtos geralmente não cai como a inflação.
por NCSTPR | 27/09/23 | Ultimas Notícias
Na retomado do programa Conversa Com o Presidente, Lula e Marcos Uchoa receberam os ministros da Educação e na Saúde, Camilo Santana e Nísia Trindade
por Lucas Toth
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva confirmou nesta terça (26) as intenções do governo federal em combater a precarização do trabalho no Brasil. Lula fez menção especial aos trabalhadores de aplicativo de entrega e motoristas.
A declaração foi dada na retomado do programa Conversa Com o Presidente, da EBC, apresentado pelo jornalista Marco Uchoa. A edição desta terça contou com a participação da ministra da Saúde, Nísia Trindade, e o ministro da Educação, Camilo Santana.
“Não é humano carregar comida nas costas e estar com o estômago vazio”, disse Lula.
Em meio a participação na Assembleia Geral da ONU, na semana passada, Lula teve um encontro bilateral com o presidente norte-americano, Joe Biden, quando lançaram a “Parceria pelos Direitos dos Trabalhadores e Trabalhadoras”.
“Tive um encontro extremamente importante com o presidente Joe Biden para falar das condições de trabalho no mundo. O governo brasileiro e o governo americano estão conectados para garantir que os trabalhadores de plataforma, os empreendedores individuais, tenham garantia e seguridade. Vamos construir uma proposta para tratar essas pessoas com carinho e dignidade”, disse o presidente Lula.
Lula pressiona o ministro do Trabalho, Luiz Marinho (PT), para a realização de uma proposta para regulamentar essa forma de trabalho.
Em maio deste ano, o governo criou um grupo de trabalho (GT) interministerial para se debruçar sobre a questão dos trabalhadores de aplicativo. O GT quer estudar soluções para a “prestação de serviços, transporte de bens, transporte de pessoas e outras atividades executadas por intermédio de plataformas tecnológicas”.
Saúde quer produzir 70% dos insumos no país
Estreando no Conversa Com o Presidente, a ministra da Saúde, Nísia Trindade, disse que o governo trabalha com a meta de passar a produzir 70% de todos os insumos em saúde utilizados no país em prazo de até dez anos. “Os passos vão ser dados a partir de agora, retomando ações que começaram há 20 anos”, destacou, ao se referir ao lançamento de estratégias para o fortalecimento do Complexo Econômico e Industrial da Saúde, com cerimônia prevista para as 11h de hoje.
“Estão previstos investimentos de R$ 42,1 bilhões. Parte disso será no PAC [Programa de Aceleração do Crescimento], onde teremos investimentos nos laboratórios públicos, voltados para a Hemobrás, para quadruplicar a produção de vacinas, um grande instrumento para a saúde regularmente e para as situações de pandemia”, detalhou Nísia durante participação no programa Conversa com o Presidente, transmitido pelo Canal Gov.
Segundo a ministra, estão previstos no montante total cerca de R$ 23 bilhões de investimentos advindos do setor privado, além de financiamentos por parte do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep). “Ao todo, isso totaliza R$ 42,1 bilhões. É o maior investimento nos últimos anos porque criamos um sistema favorável”.
“Para ter investimento em inovação e produção, é fundamental ter uma previsibilidade. A partir de 2017, o Brasil, ficou numa vulnerabilidade muito grande e esses investimentos ficaram numa situação muito difícil. Eu, quando fui presidente da Fiocruz, vivi isso na pele”, disse. “Essa ação está alinhada à nova política industrial, uma política por missão. E a missão na saúde é atender as necessidades da população. Nosso foco não é no produto, mas nas necessidades sentidas a partir do Sistema Único de Saúde.”
Estratégia Nacional de Escolas Conectadas
O ministro da Educação, Camilo Santana, também participou da programa e comemorou a assinatura decreto que institui a Estratégia Nacional de Escolas Conectadas. A previsão do governo é conectar 138,4 mil escolas em todo o país até 2026. O anúncio foi feito durante o programa Conversa com o Presidente, transmitido pelo Canal Gov.
Lula deve assinar o decreto nesta terça (26), às 15h30, no Palácio do Planalto.
“Temos hoje a assinatura do decreto que institui a Estratégia Nacional de Escolas Conectadas. Vamos conectar 138.400 escolas nesse país. Até 2026, a gente vai deixar toda a nossa meninada altamente conectada com wi-fi e tudo o mais que for necessário”, disse o presidente.
Durante participação no programa, o ministro da Educação, Camilo Santana, lembrou que mais da metade das escolas brasileiras, atualmente, não tem wi-fi.
Segundo ele, algumas até contam com algum tipo de conectividade, mas somente na sala da direção, por exemplo, sem acesso aos alunos e professores.
“A estratégia é criar um comitê e, através do decreto assinado hoje, vão participar vários ministérios – Ciência e Tecnologia, Educação e Casa Civil. Os recursos serão do Fundo da Universalização dos Serviços de Telecomunicações (Fust) e também do leilão do 5G”, disse o ministro.
Acrescentou que “esse comitê vai trabalhar e a meta é – até o final de 2026 – nenhuma escola pública deixar de ter conectividade com fins pedagógicos. Não é só ter internet com baixa velocidade. E ter equipamento, um laboratório de informática, tablet, computador, wi-fi na escola”, concluiu o ministro.
VERMELHO
https://vermelho.org.br/2023/09/26/lula-promete-ofensiva-contra-precarizacao-do-trabalho/
por NCSTPR | 27/09/23 | Ultimas Notícias
Dos processos já finalizados, 5.555 terminaram com vitória das empresas, enquanto 2.388 foram vencidos por trabalhadores
por André Cintra
As péssimas condições de trabalho impostas a motoristas ligados a aplicativos de transporte levaram a mais de 15 mil processos na Justiça desde 2015. Conforme levantamento da plataforma de jurimetria Data Lawyer, divulgado nesta terça-feira (26) pelo jornal Valor Econômico, três empresas – Uber, 99 e Cabify – já foram alvos de 15.221 ações trabalhistas.
O “lobby dos apps” junto ao Judiciário tem surtido efeito. Dos processos já finalizados, 5.555 terminaram com vitória das empresas, enquanto 2.388 foram vencidos por trabalhadores. Os julgamentos explodiram especialmente em 2020, após o início da pandemia de Covid-19. Ao todo, as causas ligadas à uberização somam R$ 1 bilhão.
Nas decisões pró-trabalhadores, prevalecem as que reconhecem o vínculo empregatício entre empresas e os motoristas, mas com aceitação parcial das reivindicações. Foram 2.240 determinações judiciais nesse rumo. Em outras 148 ações, a Justiça do Trabalho acatou todos os pedidos do reclamante contra as empresas.
A Cabify deixou de operar no Brasil, mas continua com pendências judiciais. O Ministério Público do Trabalho (MPT) também move ações contra Lalamove, iFood e Loggi.
Na visão de Trícia Oliveira, do escritório Trench Rossi Watanabe, a quantidade de decisões favoráveis aos trabalhadores sobressai. “Não dá para dizer que existe uma tendência na Justiça do Trabalho. Até mesmo o TST (Tribunal Superior do Trabalho) está dividido”, declarou Trícia ao Valor.
Mas, de acordo com o advogado José Eymard Loguercio, que trabalha para motoristas, os aplicativos precisam ser mais responsabilizadas porque determinam “o valor da corrida, o quanto fica com a empresa e o quanto é repassado para o motoristas”, bem como os padrões de atendimento. Essas empresas, a seu ver, “apenas não cumprem com as obrigações trabalhistas e previdenciárias”.
O futuro de 1,5 milhão de motoristas de aplicativos, entregadores e mototaxistas está em jogo não apenas no Judiciário. Sob coordenação do Ministério do Trabalho e Emprego, um grupo formado por representantes trabalhistas, patronais e governamentais debate a regulamentação do setor.
VERMELHO
https://vermelho.org.br/2023/09/26/uberizacao-leva-a-mais-de-15-mil-processos-trabalhistas-contra-aplicativos/
por NCSTPR | 27/09/23 | Ultimas Notícias
ANTÔNIO AUGUSTO DE QUEIROZ
O presidente da República tem o grande desafio de fazer duas escolhas sensíveis, que podem mexer com os ânimos dos brasileiros: a indicação do sucessor ou sucessora da ministra Rosa Weber, no Supremo Tribunal Federal, e a escolha da nova ou do novo procurador-geral da República. O primeiro em razão das recentes decisões do STF e o segundo por conta dos episódios provocados pela Operação Lava Jato.
No caso do Supremo Tribunal Federal, não resta dúvida de que as decisões recentes sobre o marco temporal e a descriminalização do aborto incendiaram as forças conservadoras da sociedade, que, sem qualquer fundamento, tem associado tais decisões ao governo federal, reacendendo uma disputa na sociedade que em nada contribui para a pacificação do país.
Frente a isso, o presidente Lula precisa ter muita cautela na escolha do sucessor ou sucessora da ministra Rosa Weber para não atiçar, ainda mais, essa disputa sobre valores e comportamentos na sociedade. O que de pior pode ocorrer neste momento, em que se busca a pacificação e a superação do ambiente de ódio, é associar a indicação para a Supremo Corte a esse tipo de disputa irracional, disparando os gatilhos de incivilidade nas relações entre as pessoas com visões distintas de mundo.
O mesmo raciocínio vale para a escolha da nova ou novo titular da Procuradoria-Geral da República, que não pode ser associado à Lava Jato, nem para o bem nem para o mal. A escolha deve recair sobre procuradores ou procuradores que cumpram, com equilíbrio e impessoalidade, o mandamento constitucional de atuar na proteção das liberdades civis e democráticas, e na efetividade dos direitos individuais e sociais indisponíveis, porém sem partidarismo ou qualquer outro tipo de alinhamento ou revanchismo, a não ser o compromisso inarredável com as práticas democráticas e com o Estado de Direito.
Assim, a prudência recomenda que a escolha recaia sobre nomes que não estejam tão expostos politicamente nem provoque os instintos primitivos dos derrotados na última eleição. É claro que não pode ser indicado alguém adversário do projeto político do governo, mas também não pode ser alguém a serviço do projeto governamental nem com a missão de fazer contraponto à oposição, sob pena ser vista como meio de instrumentalização desses cargos e, em lugar de pacificar o país, colocar ainda mais lenha na fogueira de insensatez que tomou conta de parte significativa da sociedade.
Parodiando o senador gaúcho Pinheiro Machado, as indicações não devem recair sobre pessoas tão engajadas politicamente que pareça provocação nem tão conservadoras ou alienadas politicamente que pareça medo das forças conservadoras.
O fato é que o momento requer equilíbrio, prudência e calibragem. E a forma de atender a esses pressupostos é escolher para cada um dos cargos alguém que preencha os requisitos de sólida formação jurídica e experiência como operador do Direito, além de trânsito e aceitação nas diversas forças da sociedade e dos poderes (Judiciário e Legislativo) e que não seja visto como revanchista, soberbo ou radical nas suas atividades e comportamentos públicos.
Em ambientes como estes, é prudente dar tempo ao tempo, deixando a temperatura esfriar para uma escolha depurada e em sintonia com a ideia de pacificação e reconstrução do país, que são os slogans do governo federal. O presidente Lula, como grande estadista que é, certamente terá sensibilidade suficiente para entender o momento político e escolher a hora e as pessoas certas para ocupar esses relevantes cargos da República.
Nesse particular, registre-se que foram muito felizes as palavras do presidente Lula no sentido de que o país precisa voltar à normalidade e que irá escolher para ocupar cada um desses postos, sem necessariamente se guiar pelos critérios de gênero e raça, uma pessoa que possa atender aos interesses e às expectativas do Brasil, uma pessoa que possa servir ao Brasil, e uma pessoal que tenha respeito pela sociedade e não se paute pela imprensa.
O presidente não terá dificuldade de encontrar pessoas com esse perfil. O fundamental é que os escolhidos não sejam associados a revanche ou ao aprofundamento da divisão que existe na sociedade. O indicado deve ter convicções democráticas, firmeza de propósito, trânsito entre os diversos setores da sociedade e nos poderes da República, e não ter outra motivação a não ser cumprir a missão constitucional do cargo com prudência, equilíbrio e independência, condições que certamente contribuirão para pacificar e reconstruir o país.
O texto acima expressa a visão de quem o assina, não necessariamente do Congresso em Foco. Se você quer publicar algo sobre o mesmo tema, mas com um diferente ponto de vista, envie sua sugestão de texto para redacao@congressoemfoco.com.br.
AUTORIA
ANTÔNIO AUGUSTO DE QUEIROZ Jornalista, analista e consultor político, mestre em Políticas Públicas e Governo (FGV). Ex-diretor de documentação do Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar (Diap), idealizador e coordenador da publicação Cabeças do Congresso. É autor dos livros Por dentro do processo decisório – como se fazem as leis e Por dentro do governo – como funciona a máquina publica.