Esse foi o segundo mês seguido de alta no indicador. Na parcial do ano, IBC-Br avançou 3,21% e, em doze meses até julho, subiu 3,12%.
Por Alexandro Martello, g1 — Brasília
O Índice de Atividade Econômica (IBC-BR) do Banco Central, considerado a “prévia” do Produto Interno Bruto (PIB), registrou expansão de 0,44% em julho, na comparação com o mês anterior informou a instituição nesta terça-feira (19).
O resultado foi calculado após ajuste sazonal, um tipo de “compensação” para comparar períodos diferentes.
De acordo com dados do BC, esse foi o segundo mês seguido de alta no indicador, que subiu 0,22% em junho (dado revisado).
Na comparação com julho do ano passado, informou o Banco Central, o indicador do nível de atividade registrou crescimento de 0,66%.
No acumulado dos sete primeiros meses deste ano, o IBC-Br avançou 3,21% e, em doze meses até abril, apresentou crescimento de 3,12%. Nesse caso, o índice foi calculado sem ajuste sazonal.
O PIB é a soma de todos os bens e serviços produzidos no país e serve para medir a evolução da economia.
Já o IBC-Br do BC é um índice criado para tentar antecipar o resultado do PIB, mas os resultados nem sempre mostraram proximidade com os dados oficiais divulgados pelo IBGE (veja a diferença mais abaixo).
Se o PIB cresce, significa que a economia vai bem e produz mais. Se o PIB cai, quer dizer que a economia está encolhendo. Ou seja, o consumo e o investimento total é menor. Nem sempre, entretanto, a alta do PIB equivale a bem-estar social.
PIB x IBC-Br
O cálculo do PIB, divulgado pelo IBGE, e do IBC-Br é um pouco diferente – o indicador do BC incorpora estimativas para a agropecuária, a indústria e o setor de serviços, além dos impostos, mas não considera o lado da demanda (incorporado no cálculo do PIB do IBGE).
Comitê de Política Monetária (Copom) se reúne nesta terça (19) e na quarta-feira (20) para definir os juros dos próximos 45 dias. Hoje, está na casa dos 13,25% ao ano.
A cada 45 dias, o comitê analisa os dados econômicos do país e define a direção dos juros do país, com o principal objetivo de que a inflação oficial fique dentro da meta definida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN) — de 3,25% com tolerância de 1,5 ponto percentual para mais ou para menos.
Essa é a dinâmica geral do sistema de metas de inflação. Entre tudo o que o Banco Central do Brasil analisa a cada reunião, quatro pontos são os principais para definir a taxa Selic:
Núcleo da inflação;
Índice de difusão;
Boletim Focus;
Cotação do petróleo.
Nesta matéria, o g1 te explica o que cada ponto significa e como ele pode afetar na decisão da taxa. A expectativa de mercado para o anúncio desta quarta-feira é de um novo corte de 0,5 ponto percentual, para 12,75% ao ano.
Núcleo da inflação
Na dinâmica do pós-pandemia, a inflação de serviços ficou no radar do Banco Central para direcionar a velocidade de corte na taxa de juros. O índice teve lenta desaceleração, mas aproximou-se do índice geral do IPCA. De acordo com os últimos dados do IBGE e na janela de 12 meses, a cesta de serviços acumula alta de 5,43%, com alta de apenas 0,08% no mês de agosto.
Atualmente, os “vilões” da inflação são os produtos monitorados. Os itens – cujos preços são definidos pelo setor público ou por contratos – tornaram-se o destaque dos resultados de inflação.
Na janela de 12 meses, essa cesta de produtos acumula alta de 7,69%, acima do índice geral. No mês, houve aceleração de 0,46% em julho para 1,26% em agosto.
Um dos produtos que influenciou os monitorados é a gasolina, principal subitem da inflação em 2023. Mas a dinâmica dos demais combustíveis também está sob análise do BC, já que trazem impactos nos preços da cadeia de logística ou restringem a capacidade de gasto da população (entenda mais abaixo).
Todos os itens acima fazem parte da cesta que contempla o núcleo da inflação, um cálculo feito com três grandes métricas, que captam a tendência dos preços, desconsiderando choques temporários ou sazonais:
Núcleo de médias aparadas com suavização — o cálculo elimina 40% dos itens que apresentam variações no preço de forma extrema e calcula uma média com o restante dos itens que compõem o IPCA;
Núcleo por exclusão — o cálculo exclui itens dos grupos de alimentação por domicílio e preços administrados por contrato e monitorados (itens cujo valor não sofre tanta alteração por oferta e demanda);
Núcleo por dupla ponderação — o cálculo inclui todos os itens, mas dá um peso menor para os produtos que apresentam maior volatilidade.
“Essas medidas se destrincham em vários números que dão uma base ao BC sobre o cenário inflacionário do país”, explica André Braz, coordenador do Índice de Preços ao Consumidor (IPC) do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas (FGV IBRE).
Porém, não existe um padrão consensual na literatura sobre o que constitui um núcleo de inflação ideal, de forma que, normalmente, utilizam-se diversos critérios para avaliá-la. Ou seja, cada analista usa a teoria que acha melhor e faz seus próprios cálculos.
Na prática, o objetivo é sempre acompanhar a alta de preços, mas os cálculos usados podem variar de reunião para reunião.
Vale destacar que os integrantes do Copom também ficam de olho na cotação do real frente ao dólar — que está na casa dos R$ 5,00 — porque quanto mais caro fica para comprar moeda norte-americana, menor deve ser a quantidade de produtos importados e maior deve ser os produtos exportados — o que impacta na inflação.
Índice de difusão
Outro item importante ao BC é o índice de difusão, um cálculo que mostra a proporção de bens e serviços que tiveram aumento de preços em um determinado período. Por exemplo, se dos aproximadamente 400 itens do IPCA, 200 sofreram aumento nos preços, cerca de 50% dos itens tiveram os preços afetados.
E, segundo o coordenador do Índice de Preços ao Consumidor (IPC) da FGV, se a porcentagem estiver acima dos 50%, “mais espalhada está a inflação”. Assim, o Copom consegue compreender, diante dos cenários internacionais, se é uma questão de sazonalidade ou se determinada mudança nos preços é algo para se prestar atenção.
A sazonalidade não tão é importante ao Banco Central porque o preço desses produtos pode subir ou descer conforme, por exemplo, o clima de uma região.
Boletim Focus
O terceiro ponto é o boletim Focus, um relatório publicado toda segunda-feira, pelo próprio BC, contendo as expectativas do mercado sobre alguns indicadores econômicos, como a inflação e os juros nos próximos anos.
O levantamento mostra as expectativas dos agentes para dados econômicos, como atividade, inflação, juros, dólar, entre outros. Por ali, é possível vislumbrar sobre a esperança que o mercado deposita no Banco Central para cumprir com as metas.
“Se a inflação se distancia [da meta], significa que o BC está com uma política monetária frágil”, afirma o coordenador do Índice de Preços ao Consumidor (IPC) da FGV. E o objetivo de todos os investidores é proteger seu dinheiro da inflação. Assim, eles tendem a tirar dinheiro do país para procurar produtos onde a inflação não corroa seu bolso.
Na prática, a inflação mostra uma insegurança dentro do sistema econômico do país, o que gera um maior risco ao investidor, que procura outros países onde consiga ter maior segurança sobre o retorno financeiro.
No boletim Focus desta segunda-feira (18), os analistas do mercado financeiro baixaram a estimativa do valor da inflação de 4,93% para 4,86%. O valor está em queda desde meados de maio, mas permanece acima do teto da meta definido pelo CMN — de 4,75%.
“A inflação ao consumidor segue com uma dinâmica corrente mais benigna, em particular nos componentes referentes a bens industriais e alimentos. Os componentes mais sensíveis ao ciclo econômico e à política monetária, que possuem maior inércia inflacionária, apresentaram queda, mas mantêm-se acima da meta para a inflação”, informou o BC na ata da última reunião, que aconteceu em agosto.
Petróleo
De acordo com Rodolfo Margato, economista da XP, um quarto ponto que está no radar dos integrantes do Copom é o preço do petróleo. Ele explica que o preço da commodity impacta no preço dos combustíveis e reflete diretamente no IPCA.
Isso porque o encarecimento tanto do álcool, como da gasolina, ou do diesel faz com que as empresas gastem mais para transportar os produtos e, consequentemente, tenham que subir o preço dos produtos.
Enquanto o litro do diesel engatou sua sétima alta consecutiva e foi encontrado nos postos, em média, a R$ 6,10 (veja o preço dos combustíveis nos últimos meses abaixo).
Protegido por uma decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça, o segundo-tenente do Exército Osmar Crivelatti, que atualmente integra a equipe de assessores do ex-presidente Bolsonaro, não compareceu nesta terça-feira (19) ao depoimento marcado na Comissão Parlamentar Mista de Inquérito que investiga os atos golpistas do 8 de janeiro, a CPMI do Golpe.
O presidente do colegiado, Arthur Maia (União-BA), anunciou que a Advocacia do Senado já ingressou com a ação contra a decisão de Mendonça.
Na semana passada, o mesmo foi feito contra outra determinação do ministro do STF Kassio Nunes Marques que também autorizou Marília Alencar, ex-subsecretária de Inteligência da Secretaria de Segurança Pública (SSP) do Distrito Federal, a não comparecer ao depoimento.
Os dois ministros do STF, indicados aos cargos por Bolsonaro, estão sendo acusados de obstruírem os trabalhos da CPMI.
Maia considerou a decisão uma desmoralização para a CPMI, tirando o poder, esvaziando e obstruindo o colegiado. “Obviamente que nós estamos, na verdade, brincando de fazer CPMI”, reagiu.
“Liminares recentes de ministros do STF que desobrigam ida de depoentes à CPMI ferem de morte parágrafo 3º do artigo 58 da Constituição Federal, quando nos retiram poderes próprios de investigação de autoridade judicial. Lamentáveis decisões e indevida interferência de Poder sobre outro”, considerou a relatora da CPMI, senadora Eliziane Gama (PSD-MA).
A deputada Jandira Feghali (PCdoB-RJ), integrante do colegiado, disse que houve um ataque ao parlamento brasileiro e o papel da CPMI.
“Ao invés desta CPMI se unir para fazer a defesa do seu papel constitucional, para poder proteger o ministro indicado por Bolsonaro, que tem os mesmos argumentos deles dentro do STF, eles tentam virar o alvo para a própria CPMI atacando a relatora”, criticou Jandira, referindo-se aos bolsonaristas na comissão.
A líder do PCdoB na Câmara defendeu uma reunião com a presidente do STF, ministra Rosa Weber, para debater o assunto e até com ingresso pela comissão de uma a arguição de descumprimento de preceito fundamental (ADPF).
“Estamos juntos para defender a CPMI, independentemente das opiniões políticas aqui dentro”, defendeu.
Depoimento
O depoimento de Crivellati era considerado fundamental, uma vez que o mesmo trabalhou com o tenente-coronel Mauro Cid, ex-ajudante de ordens de Bolsonaro.
Cid decidiu pela delação premiada para esclarece sua participação em crimes como falsificação do cartão de vacina do ex-presidente e familiares, vendas das joias sauditas recebidas como presentes por Bolsonaro [mas que pertenciam à União] e mensagens golpistas trocadas com outros militares.
Crivelatti também é acusado de participar da operação de venda das joias e efetuar uma movimentação milionária suspeitas na sua conta bancária.
Apesar de receber um salário líquido de R$ 14 mil, o segundo-tenente movimentou quase R$ 2,7 milhões em suas contas entre 2021 e junho de 2023.
Segundo relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), a movimentação não se justificou “e que havia indícios do crime de lavagem de dinheiro”.
Professor de economia da UNB observa que há espaço para um corte ainda maior nos juros nas duas últimas reuniões desse ano do Comitê de Política Monetária do BC
Antes nos absurdos 13,75% a.a., o corte levou a taxa para 13,25%. Nesta nova reunião outra redução deve ocorrer impulsionada pela queda da inflação.
Na ata sobre a reunião de agosto que cortou meio ponto percentual ficou indicado que há espaço para mais cortes na Selic este ano: “Com relação aos próximos passos, os membros do Comitê concordaram unanimemente com a expectativa de cortes de 0,50 ponto percentual nas próximas reuniões e avaliaram que esse é o ritmo apropriado para manter a política monetária contracionista necessária para o processo desinflacionário”, trouxe o comunicado.
O economista e professor da Universidade de Brasília (UnB), José Luís Oreiro, falou ao Portal Vermelho que acredita na manutenção de previsão de corte para esta reunião.
“A minha expectativa é de que haverá redução dos juros. Acredito que a redução será de 0,5%. Ou seja, o Banco Central continuará no mesmo ritmo de redução dos juros que iniciou na última reunião do Copom”, disse.
Sobre a expectativa de como os juros irão encerrar em 2023, o professor acredita que há espaço para uma aceleração no corte.
“Para as duas últimas reuniões desse ano é possível que o Banco Central acelere a queda dos juros para 0,75%. Caso isso ocorra, vamos ter uma queda de juros de 2,5%, então vamos fechar 2023 com uma Selic de 11,25% ao ano, esta é a minha expectativa”, explica.
A queda que o professor se refere de 2,5% considera o corte da reunião de agosto em 0,5%, um novo corte no mesmo patamar na atual reunião e, caso ocorra, mais dois cortes de 0,75%, nas duas reuniões que restam ainda este ano, em 31 de outubro e 1 de novembro, e em 12 e 13 de dezembro a última do ano.
Uma perspectiva mais otimista do que a prevista pelo mercado, no Boletim Focus, que mantém a previsão de Selic em 11,75% ao final do ano.
O Ministério da Fazenda, por meio da Secretaria de Política Econômica, elevou a projeção de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) para 2023, de 2,5% para 3,2%, como consta no último Boletim Macrofiscal, divulgado na segunda-feira (18).
Acompanhou esta elevação a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) que também indica um crescimento de 3,2% no seu Relatório Interino de Perspectiva Econômica trimestral. A projeção anterior, de junho, era de 1,7%.
Na mesma linha de correções positivas, o Boletim Focus, relatório do Banco Central que reúne as expectativas do mercado financeiro, elevou a estimativa de PIB de 2,64% para 2,89% nesta semana. Quando começou o ano, o Focus de 13 de janeiro apontava para um PIB em 2023 de 0,77%.
Já a estimativa do Índice de Atividade Econômica (IBC-Br), indicador conhecido como a “prévia do PIB do Banco Central”, marcou alta de 0,44% em julho, acima do esperado que era 0,3%. Em junho o crescimento, após correção, foi de 0,22%. No acumulado de 12 meses, até julho, o IBC-Br marca 3,12% e considerando somente o ano de 2023, também até julho, a alta é de 3,21%.
Essa verdadeira onda de correções positivas vindas tanto do governo quanto do mercado mostra que o pessimismo com o governo Lula que parcelas da sociedade mantinham no início do ano já está escanteado.
Esta é a visão do economista e professor da Universidade de Brasília (UnB), José Luís Oreiro, colocada em entrevista ao Portal Vermelho.
“O que aconteceu inicialmente foi que havia muito pessimismo com a agenda econômica do novo governo. Pessimismo, diga-se, por parte do mercado financeiro que antes mesmo do presidente Lula tomar posse, lembremos que houve aquela carta do Armínio [Fraga], do Edmar Bacha [e Pedro Malan], alertando sobre a catástrofe que seria eliminar o teto fiscal, o teto de gastos etc, etc. Bom ele foi eliminado, foi substituído por um arcabouço muito mais flexível, embora se possa fazer críticas aqui ou ali, mas o fato é que houve uma flexibilização fiscal e não ocorreu o desastre que eles estavam apontando. Como a economia não entrou no buraco negro que o mercado financeiro estava prevendo, lógico que ocorreram as reavaliações”, explica Oreiro.
José Luís Oreiro é professor de economia da UnB. Foto: Agência Câmara
No que tange ao incremento acima das expectativas nas revisões do PIB, Oreiro indica que houve “surpresas positivas”.
“Houve, de fato, surpresas positivas com o PIB. Eu mesmo não esperava um crescimento próximo de três por cento este ano, como vai acontecer. Esperava algo entre um e meio por cento e dois. E quais foram as surpresas? Primeiro a safra recorde, o agronegócio no Brasil é hoje um componente importante do PIB e você tem aí um crescimento esperado do agronegócio de 14% para o ano de 2023, o que é muita coisa. Isso aí já contribui com quase metade do crescimento esperado para a economia brasileira no período”, afirma.
Em segundo lugar, aponta a desaceleração da inflação como motivo que ajuda a sustentar este crescimento.
“Essa desaceleração da inflação aumenta a renda dos consumidores e com isso você tem o aumento do consumo de bens como o de serviços. Temos aí o comportamento dos serviços surpreendendo positivamente”, diz.
Além disso, o economista traz uma terceira razão que elucida este movimento positivo do PIB: “Uma terceira [razão] é o impulso fiscal que o governo deu com a PEC da Transição. Tivemos aumento do salário do mínimo, aumento do reajuste dos servidores públicos, a retomada de vários programas de assistência social, o Bolsa Família turbinado, o retorno do programa Farmácia Popular, entre diversas outras ações. Quer dizer, esse impulso fiscal foi importante também para induzir o aumento da demanda agregada e com isso a expansão do PIB em 2023”, completa Oreiro.
O Brasil deixou de arrecadar R$ 215 bilhões num único ano em função de isenções fiscais para 24 mil organizações (pessoas jurídicas). Desse total, R$ 99 bilhões correspondem a incentivos para apenas 26 empresas. Cada uma delas ganhou ao menos R$ 1 bilhão em benefícios do governo Jair Bolsonaro (PL) em 2021.
Os dados da “caixa-preta das renúncias fiscais” foram revelados pela Receita Federal a pedido do ministro da Fazenda, Fernando Haddad. Alguns benefícios fiscais têm um sentido mais razoável, como aqueles relacionados à Zona Franca de Manaus e à atuação em regiões como a Amazônia e o Nordeste – o que reduz as desigualdades regionais no País. A Samsung e a LG, por exemplo, tiveram incentivos por instalarem suas fábricas em Manaus.
Mas boa parte dessas empresas ficou isenta de pagar tributos federais, como IPI, PIS e Cofins, sem apresentar contrapartidas claras. Esses três impostos devem ser extintos com a reforma tributária, inviabilizando algumas modalidades de isenção.
Entre as 26 empresas, há duas criadas como estatais no governo Getúlio Vargas à frente do ranking. A Petrobras, hoje uma empresa mista, de capital aberto, que tem a União como acionista majoritário, teve R$ 29 bilhões em renúncia fiscais. A companhia foi seguida pela Vale S.A., a multinacional da mineração, que acumulou R$ 19 bilhões em incentivos.
O setor automotivo mostra força na lista, com sete das 26 empresas – Fiat, General Motors, Volkswagen, Mercedes-Benz, Scania, Renault e Volvo. Nesse caso, como não existem montadoras nacionais, o governo liberou bilhões em incentivos multinacionais estrangeiras.
Foi no começo de 2021, por sinal, que uma das gigantes do setor, a Ford, anunciou o fechamento de suas três fábricas no País – em Camaçari (BA), Horizonte (CE) e Taubaté (SP). Segundo a Receita Federal, a empresa norte-americana recebeu mais de R$ 20 bilhões em incentivos fiscais de 1999 a 2020. Só para o governo da Bahia, a Ford pagou R$ 2,5 bilhões em devoluções de incentivos.
O caso Ford foi fruto de uma célebre guerra fiscal entre Rio Grande do Sul e Bahia – a montadora pressionou os dois lados para ter incentivos graúdos. O governo baiano levou a melhor – e a empresa ainda recebeu isenções ligadas à importação e exportação de veículos, como as demais montadoras. De acordo com o TCU (Tribunal de Contas da União), a perda de arrecadação com as chamadas “Políticas Automotivas de Desenvolvimento Nacional” foi de cerca de R$ 50 bilhões desde 2010, com “pouco de desenvolvimento regional aos territórios beneficiados”. Cada emprego gerado custou, em média, R$ 34 mil mensais.
Outros segmentos com montantes elevados de incentivos fiscais foram a aviação (com cinco empresas), o setor de petróleo (quatro empresas) e o agronegócio (quatro empresas, todas ligadas à produção de insumos e máquinas agrícolas). Um caso que chama a atenção é o da Mosaic Fertilizantes, produtora de agrotóxicos, que associou os benefícios à “redução do custo da cesta básica”.
Em abril, numa entrevista ao Estadão, Haddad afirmou que o “buraco no orçamento” provocado pelas renúncias fiscais chegavam a R$ 600 bilhões. Na ocasião, o ministro que sua prioridade era cortar cerca de R$ 150 bilhões desses “jabutis tributários”.