por NCSTPR | 03/11/22 | Ultimas Notícias
Partidos e parlamentares do grupo pedem o apoio de Lula à reeleição do deputado Arthur Lira (PP-AL) à presidência da Câmara.
por André Cintra
Os partidos que compõem o Centrão, hoje aliados à gestão Jair Bolsonaro PL), já fizeram acenos a interlocutores de Luiz Inácio da Silva (PT), que foi eleito presidente no último domingo (30). Para aderir à base de sustentação do futuro governo, o Centrão quer o apoio de Lula à reeleição do deputado Arthur Lira (PP-AL) à presidência da Câmara Federal.
Desde a apuração de votos no segundo turno, parlamentares e legendas do Centrão começaram a abandonar Bolsonaro. A aliados, o próprio presidente reclamou da rapidez com que Lira reconheceu a vitória de Lula e respaldou o sistema eleitoral. “A vontade da maioria manifestada nas urnas jamais deverá ser contestada”, afirmou o deputado.
Conforme reportagem da Folha de S.Paulo publicada nesta quarta-feira (2), o interesse na parceria é recíproco: “Integrantes do Centrão e de outros partidos de centro e direita ouvidos pela Folha avaliaram que uma aliança seria benéfica tanto para Lula como para Lira, o que isolaria o bolsonarismo radical no Congresso a partir de 2023”.
Na legislatura 2023-2027, a base inicial de Lula é de cerca de 120 deputados. Já os partidos do Centrão, como PL, PP e Republicanos, somarão 200 parlamentares, sendo apenas cerca de 50 efetivamente bolsonaristas. “Nossa posição é de independência. Acabou a eleição, agora é o Brasil”, conclui Vinícius Carvalho (SP), líder da bancada do Republicanos na Câmara.
Da parte do PT, também há diálogo com partidos como o PSD de Gilberto Kassab, e o MDB, de Simone Tebet. Lula também quer nomear algum nome do PSDB para seu ministério. Um dos nomes mais cotados é o do senador Tasso Jereissati (CE).
Portal Vermelho
https://vermelho.org.br/2022/11/02/centrao-comeca-a-abandonar-bolsonaro-e-prepara-adesao-a-base-de-lula/
por NCSTPR | 03/11/22 | Ultimas Notícias
Representantes do setor destacam também esperar que, nos próximos quatro anos, não haja alterações na regulamentação da construção.
Agência Estado
Uma política econômica que permita a redução da taxa básica de juros, a Selic, estimule a competição entre fabricantes de matérias-primas e ajude a manter um fluxo regular de investimentos é a demanda da indústria da construção civil para o novo mandato do presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva. Representantes do setor destacam também esperar que, nos próximos quatro anos, não haja alterações na regulamentação da construção (que está mais enxuta) e que sejam retomados estímulos para a construção de moradia para a população mais carente.
Para o presidente da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), José Carlos Martins, o ponto-chave para o segmento é a regularidade no fluxo de investimentos. Ele diz ser preferível um volume menor de capital a um ritmo constante do que grandes aportes seguidos por freadas bruscas.
“Não dá para viver de uma solução única, que um dia coloca uma montanha de dinheiro e, de repente, morre tudo. Isso aconteceu com o PAC (Programa de Aceleração do Crescimento, lançado em 2007 pelo governo do PT)”, afirma. “Sem continuidade, não posso investir pesado em tecnologia, maquinário e capacitação. Perco a oportunidade de ser mais produtivo.”
Martins destaca que, durante o governo Bolsonaro, foram feitas concessões para investimentos estruturantes no país, como de rodovias e aeroportos. A infraestrutura de pequeno porte, no entanto, ficou em segundo plano e precisa ser retomada. “São aquelas obras menores, que a conta não fecha para fazer concessões, mas que são necessárias no dia a dia. Uma concessão de uma estrada vicinal, por exemplo, não para em pé, mas tem de ter uma solução para mantê-la. Precisamos de algo para atender a essa demanda.”
Minha Casa, Minha Vida
O executivo ainda lembra que, no principal programa de habitação do governo atual, o Casa Verde e Amarela (que substituiu o Minha Casa, Minha Vida), praticamente não houve contratações nos últimos anos no Grupo 1, destinado à população de renda mais baixa. “Isso acabou faltando. Tem de ser feito um debate em torno do assunto. Ninguém quer estourar o teto de gastos (para investir em habitação), mas é preciso resolver essa questão no Congresso”, diz.
O vice-presidente de relações institucionais do Sindicato da Construção Civil do Estado de São Paulo (SindusCon-SP), Yorki Estefan, pondera que a atenção a essa faixa do programa habitacional, que depende de subsídios, tem de ser acompanhada de responsabilidade fiscal. “O dinheiro (para o subsídio) tem de sair do Orçamento. Não adianta investir explodindo as contas do governo. Porque aí gera mais inflação e, consequentemente, juros mais altos.”
Estefan diz que é imprescindível manter em ordem as contas públicas para que os juros possam cair. Hoje a 13,75%, a taxa básica torna o investimento financeiro mais atraente do que o imobiliário. Segundo o executivo, a indústria da construção trabalha “razoavelmente bem” com um juro na faixa de 8,5%.
O vice-presidente do SindusCon-SP destaca a necessidade de estimular a indústria e desonerar as importações. A ideia é de que isso torne as matérias-primas mais baratas, explica.
Estefan ainda diz ser importante não retroceder na regulamentação. Em 2020, foi reformulada uma norma que regulamenta o setor e que, por exemplo, permite que a gestão de riscos nos canteiros seja feita pela própria construtora, e não por uma fornecedora. Cálculos do Ministério da Economia indicavam que a mudança nas regras garantiu ao setor uma redução de custos de quase R$ 5 bilhões em dez anos.
As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.
CORREIO BRAZILIENSE
https://www.correiobraziliense.com.br/economia/2022/11/5048888-construcao-pede-juros-baixo-ao-governo-lula.html
por NCSTPR | 01/11/22 | Ultimas Notícias
Passadas 36 horas do anúncio oficial da vitória de Lula, ainda não sabemos o que Bolsonaro fará.
por André Cintra
É atribuída ao escritor norte-americano Kurt Vonnegut Jr. (1922-2007) uma célebre recomendação sobre o jogo de aparência a que determinados homens se submetem. “Cuidado com o que você finge ser”, dizia Vonnegut. “Porque, no fim das contas, você se torna o que finge ser.”
Primeiro presidente do Brasil a não vencer uma disputa à reeleição, Jair Bolsonaro (PL) se iguala ao ex-presidente norte-americano Donald Trump, de quem é admirador declarado e que tampouco se reelegeu à Casa Branca. Embalados como outsiders, tinham chegado ao poder, ambos, no curso de uma inédita onda de extrema-direita com apelo popular. Foram derrotados, entre outras razões, porque negligenciaram o enfrentamento à pandemia de Covid-19 e porque não deram respostas à altura à crise econômica.
Em 8 de setembro, a menos de um mês do primeiro turno das eleições no Brasil, Trump foi às suas redes sociais para manifestar apoio à sua versão tupiniquim. “O presidente Jair Bolsonaro do Brasil, o ‘Trump dos Trópicos”, como é carinhosamente chamado, fez um GRANDE trabalho para o maravilhoso povo do Brasil. Quando eu era presidente dos EUA, não havia outro líder de país que me ligasse mais do que Jair”, tuitou Trump. “O presidente Bolsonaro ama o Brasil acima de tudo. Ele é um homem maravilhoso, e tem meu Endosso Completo e Total!!!”
No mesmo dia, a tradicional revista britânica The Economist ressaltava, em matéria de capa, que o presidente do Brasil se parecia com Trump no pior sentido possível – o de governante autoritário, de costas para o Estado Democrático de Direito. “Ganhando ou perdendo, Jair Bolsonaro representa uma ameaça à democracia brasileira”, afirmou The Economist.
Segundo a revista, ante a derrota, Bolsonaro poderia “incitar uma insurreição, talvez como a que a América sofreu quando uma multidão de apoiadores de Donald Trump invadiu o Capitólio em 6 de janeiro de 2021 – ou talvez até pior”. Daí o título sugestivo da reportagem: “The man who would be Trump” (“O homem que seria Trump”).
Em Fogo e Fúria, biografia não autorizada escrita pelo jornalista Michael Wolff e lançada em 2018, sobram revelações das mais desconfortáveis para o líder norte-americano. Uma delas aponta que Trump jamais acreditou sinceramente no projeto presidencial, nem mesmo quando superou com ampla vantagem seus concorrentes nas primárias do Partido Republicano.
Ele chegou à eleição de 8 de novembro de 2016 com a convicção de que seria derrotado, seja por ser “o pior candidato da história política moderna”; seja pela popularidade do então presidente Barack Obama – que apoiava a candidata democrata, Hillary Clinton –; seja porque a imensa maioria das pesquisas previa seu insucesso. Uma vez vencido, Trump poderia voltar à vida de magnata e apresentador de TV em Nova York.
“Até as últimas semanas da corrida eleitoral, o quartel-general da campanha de Trump (a Trump Tower) era um lugar desanimado”, escreve Wolff. Na visão da coordenadora da campanha, Kellyanne Conway, o candidato republicado “talvez pudesse segurar uma derrota por menos de seis pontos percentuais, o que seria na verdade uma vitória substancial”.
Para acalmar os seguidores ufanistas, havia, de antemão, uma denúncia: “a eleição tinha sido roubada!”. Segundo a biografia, “Trump e seu minúsculo bando de asseclas de campanha estavam preparados para perder com fogo e fúria. Não estavam preparados para ganhar”.
Mas sobreveio a inacreditável vitória. Trump “parecia ter visto um fantasma”, afirmou seu filho Don Jr. Num “intervalo de pouco mais de uma hora”, conforme o relato do guru Steve Bannon, “um Trump atordoado se metamorfoseou em um Trump descrente e logo em um Trump apavorado. Mas a transformação final ainda estava por vir: de repente, Donald Trump se tornou um homem convencido de que merecia ser presidente dos Estados Unidos e de que era plenamente capaz de exercer o cargo”.
Quatro anos depois, ao disputar a reeleição, o presidente norte-americano foi derrotado por Joe Biden, do Partido Democrata – e, enfim, pôs em prática o plano de contestar o pleito. Desta vez, eram outros os humores e caprichos de Trump. Ao contrário do que ocorrera em 2016, ele estava certo de que seria vencedor em 2020. Ganhara uma autoconfiança quase irracional. Tudo que era blefe e blague – como a descrença em pesquisas – virara certeza em sua cabeça.
Voltemos ao Brasil e ao “Trump dos Trópicos”. Neste domingo (30), com uma vantagem de pouco mais de 2,1 milhões de votos – ou 1,8 ponto percentual de votos válidos –, Luiz Inácio Lula da Silva (PT) derrotou Bolsonaro e pôs fim à aventura ultradireitista no Planalto. Passadas 36 horas do anúncio oficial da vitória do ex-presidente, ainda não sabemos o que o atual mandatário fará.
Em silêncio até o momento, Bolsonaro não deu um único pronunciamento público, não postou nada em suas redes, nem sequer fez o tradicional telefonema de cortesia a Lula. Na noite da derrota, um ajudante-de-ordens informou que o presidente foi dormir mais cedo – as luzes no Palácio da Alvorada, a residência oficial, efetivamente estavam apagadas às 22 horas. Já nesta segunda-feira (31), Bolsonaro permaneceu longe dos holofotes, permanecendo em reuniões na Alvorada e no Palácio do Planalto.
Mesmo o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), seu primogênito – o filho “01” –, em geral falastrão, só comentou o resultado das eleições no fim da tarde desta segunda. Para os padrões do bolsonarismo, o tom, conquanto inconclusivo, foi moderado. “Obrigado a cada um que nos ajudou a resgatar o patriotismo, que orou, rezou, foi para as ruas, deu seu suor pelo país que está dando certo e deu a Bolsonaro a maior votação de sua vida!”, tuitou. “Vamos erguer a cabeça e não vamos desistir do nosso Brasil!”
Poucos minutos depois, Flávio acrescentou: “Pai, estou contigo pro que der e vier!”. O post foi interpretado em Brasília como um alerta a aliados ávidos a desembarcarem logo do bolsonarismo mais radical. É o caso do ex-ministro do Meio Ambiente Ricardo Salles (PL-SP), eleito deputado federal em 2 de outubro. Ao UOL, nesta segunda, Salles usou uma frase que irritou essa ala mais fiel ao presidente: “Não há o que espernear”.
Aliados mais próximos, com o apoio da equipe de marketing da campanha, ofereceram a Bolsonaro o rascunho de um discurso para, segundo a Folha de S.Paulo, “manifestar respeito ao regime democrático”, sem “deixar os militantes bolsonaristas órfãos”. O presidente reconheceria o resultado eleitoral, mas reclamaria de supostas “injustiças” sofridas na luta pela reeleição.
Se queria ou não queria fingir ser Trump, fato é que Bolsonaro, em 2018, estava menos confiante na vitória do que seu entorno. Ao fim do primeiro turno, quando a apuração lhe dava uma contundente vantagem, Bolsonaro teve uma espécie de estupefação. Embora imaginasse que sua rejeição era um impeditivo para superar qualquer adversário num eventual segundo, ele se dera conta, de uma hora para outra, de que podia até vencer em um único turno.
Em 2022, seu sentimento se inverteu. Apesar de ter moldado o discurso e a ação no segundo turno, atendendo a apelos de seus auxiliares, Bolsonaro via aliados abandonarem o barco, uns de forma explícita, outros de modo discreto. Mas ele próprio, tal como Trump, alardeava na reta final que a reeleição era inevitável, ostentando uma confiança incomum em sua candidatura.
Por ora, Bolsonaro não questionou as urnas eletrônicas ou a vitória de Lula. Quem esteve com o presidente desde domingo usa palavras como “triste”, “abalado”, “cabisbaixo” e “perdido” para descrevê-lo no pós-derrota. Setores do bolsonarismo tentam o golpe, mas é cada vez mais improvável que essa opção prospere.
Antes de tentar tumultuar o País, Bolsonaro precisa se recuperar psicologicamente. O “Trump dos Trópicos” talvez esteja mais para aquela moça da música que “brincava de princesa” e “acostumou na fantasia”. Seus delírios têm data para acabar: 31 de dezembro, o último dia do mandato. Até lá, esperamos que Bolsonaro cumprimente Lula – ou ao menos reconheça que sua própria fantasia acabou.
Portal Vermelho
https://vermelho.org.br/2022/11/01/abalado-perdido-o-silencio-de-bolsonaro-o-trump-dos-tropicos/