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Centrão começa a abandonar Bolsonaro e prepara adesão à base de Lula

Centrão começa a abandonar Bolsonaro e prepara adesão à base de Lula

Partidos e parlamentares do grupo pedem o apoio de Lula à reeleição do deputado Arthur Lira (PP-AL) à presidência da Câmara.

por André Cintra

Os partidos que compõem o Centrão, hoje aliados à gestão Jair Bolsonaro PL), já fizeram acenos a interlocutores de Luiz Inácio da Silva (PT), que foi eleito presidente no último domingo (30). Para aderir à base de sustentação do futuro governo, o Centrão quer o apoio de Lula à reeleição do deputado Arthur Lira (PP-AL) à presidência da Câmara Federal.

Desde a apuração de votos no segundo turno, parlamentares e legendas do Centrão começaram a abandonar Bolsonaro. A aliados, o próprio presidente reclamou da rapidez com que Lira reconheceu a vitória de Lula e respaldou o sistema eleitoral. “A vontade da maioria manifestada nas urnas jamais deverá ser contestada”, afirmou o deputado.

Conforme reportagem da Folha de S.Paulo publicada nesta quarta-feira (2), o interesse na parceria é recíproco: “Integrantes do Centrão e de outros partidos de centro e direita ouvidos pela Folha avaliaram que uma aliança seria benéfica tanto para Lula como para Lira, o que isolaria o bolsonarismo radical no Congresso a partir de 2023”.

Na legislatura 2023-2027, a base inicial de Lula é de cerca de 120 deputados. Já os partidos do Centrão, como PL, PP e Republicanos, somarão 200 parlamentares, sendo apenas cerca de 50 efetivamente bolsonaristas. “Nossa posição é de independência. Acabou a eleição, agora é o Brasil”, conclui Vinícius Carvalho (SP), líder da bancada do Republicanos na Câmara.

Da parte do PT, também há diálogo com partidos como o PSD de Gilberto Kassab, e o MDB, de Simone Tebet. Lula também quer nomear algum nome do PSDB para seu ministério. Um dos nomes mais cotados é o do senador Tasso Jereissati (CE).

Portal Vermelho

https://vermelho.org.br/2022/11/02/centrao-comeca-a-abandonar-bolsonaro-e-prepara-adesao-a-base-de-lula/

Centrão começa a abandonar Bolsonaro e prepara adesão à base de Lula

Faltam habilidades básicas a 66% dos jovens brasileiros na faixa dos 15 anos

O desempenho do Brasil é pior que o de pares regionais como Chile (47%), Uruguai (51%), Costa Rica (58%), Peru (60%), Colômbia (63%) e Argentina (63%)

Por Anaïs Fernandes, Valor — São Paulo

Quase 66% dos adolescentes brasileiros em idade de ingressar no ensino médio — ao redor de 15 anos — não possuíam, antes mesmo da pandemia, habilidades básicas nas áreas de leitura, ciência e matemática, como ler uma lista de compras ou realizar operações simples e explícitas, um quadro que deve ter se agravado com a desorganização que a covid-19 provocou sobre a educação no país.

 

Embora o número esteja em linha com a média da América Latina (65%), o desempenho do Brasil é pior que o de pares regionais como Chile (47%), Uruguai (51%), Costa Rica (58%), Peru (60%), Colômbia (63%) e Argentina (63%). Os resultados constam de uma ampla pesquisa conduzida por Sarah Gust (ifo Institute), Eric Hanushek (Universidade de Stanford) e Ludger Woessmann (Universidade de Munique) englobando 159 países que correspondem a 98% da população mundial e 99% do PIB global.

A partir dos últimos dados disponíveis para testes padronizados como o Programa Internacional de Avaliação de Alunos (Pisa) e de fontes alternativas para a imputação de valores àqueles países que não participam desses testes, os pesquisadores estimaram que pelo menos dois terços dos jovens no mundo não atingem níveis básicos de habilidades (“basic skills”). Mas essa porcentagem varia bastante entre grupos de países e regiões: é de 24% na América do Norte, 89% no sul da Ásia e 94% na África subsaariana, por exemplo.

 

O Brasil está entre os 101 países em que mais da metade dos adolescentes não atinge competências básicas — em 36 países, essa estatística ultrapassa 90%. Mesmo em países de alta renda, um quarto das crianças carece de habilidades básicas. E metade dos jovens do mundo vive nos 35 países que nem sequer participam de testes internacionais do tipo. As informações, segundo os pesquisadores, mostram quão longe o mundo está de oferecer habilidades básicas para todas as crianças e de alcançar o Objetivo de Desenvolvimento Sustentável (ODS), das Nações Unidas, relativo à educação de qualidade.

 

No caso brasileiro, as escolas enfrentam dois problemas, disse Hanushek ao Valor. “Primeiro, ainda um quinto da população não está matriculada no ensino médio; segundo, a qualidade das escolas precisa ser melhorada”, afirma o pesquisador, que acompanha o sistema educacional brasileiro há um bom tempo.

 

Para cada país, a pesquisa também estimou os ganhos, em termos de PIB, de atacar o lapso de habilidades básicas em três cenários diferentes: incluir todos os jovens na escola, mantendo a qualidade atual do ensino; apenas melhorar a qualidade do ensino para aqueles que já frequentam a escola; e incluir todos os jovens em um ensino de melhor qualidade.

 

“As questões de qualidade das escolas brasileiras são muito importantes, especialmente quando comparadas a apenas colocar todo mundo na escola com a qualidade atual. Fazer as duas coisas é, no entanto, a melhor solução. Se todas as crianças pudessem ser educadas até o nível básico de habilidades, o valor gerado para a economia é estimado em mais de oito vezes o tamanho do PIB brasileiro atual”, aponta Hanushek.

 

A lógica é que estudantes mais habilidosos poderão ser profissionais mais produtivos, o que implicaria ganho de salários maiores e crescimento da renda, explica Sergio Firpo, professor da cátedra Instituto Unibanco no Insper. Para países de renda similar, no entanto, o Brasil vai mal nos testes padronizados e, nessa medida, também na proporção de pessoas com habilidades básicas, diz Firpo.

“Com a quantidade de recursos que investimos, poderíamos estar melhor, mas estamos sempre abaixo da curva”, afirma. Firpo cita dificuldades, por exemplo, para gerir bem os recursos destinados à educação, não apenas financeiros, mas também físicos e humanos.

 

“A gestão é feita no nível local e, muitas vezes, de uma maneira em que falta capacidade técnica para tomar as decisões. A gestão não só das secretarias, mas também das escolas, muitas vezes é pouco profissionalizada.”

 

No agregado dos países analisados por Gust, Hanushek e Woessmann, os pesquisadores estimam que o valor da produção econômica mundial perdida devido ao não cumprimento das metas de habilidades básicas somaria US$ 718 trilhões até o fim deste século, ou cinco vezes o PIB mundial atual.

 

“Garantir que todos os jovens do mundo tenham pelo menos habilidades básicas é um objetivo primordial por si só, mas atingir esse objetivo também tem imensa importância para o desenvolvimento global inclusivo e sustentável”, dizem.

 

Os pesquisadores também estimaram, a nível global, que o ganho econômico de levar todos os alunos que estão atualmente na escola ao menos aos níveis básicos de habilidades é duas vezes maior do que o ganho de matricular as crianças que atualmente não frequentam a sala de aula em escolas com os níveis atuais de qualidade. Firpo pondera que a pesquisa não se propõe a debater questões mais amplas sobre desigualdade, que poderia ser aprofundada com políticas de melhora da qualidade sem inclusão escolar.

 

“Além disso, não adianta ter a oferta desses aprendizados se não há demanda por isso, se a pessoa vai sair superbem formada, mas não tem emprego e tecnologia para absorver”, aponta.

 

Os últimos dados disponíveis para testes padronizados como os do Pisa são de 2018. Firpo diz que a pandemia, provavelmente, aumentou a desigualdade captada pelo estudo tanto entre as nações quanto dentro de cada país.

 

“No caso brasileiro, os dois fatores, acesso e qualidade, foram negativamente afetados. O aluno precisava ter acesso a computador em casa e isso atrapalhou muito que crianças pobres tivessem aula. A qualidade caiu para todo mundo, mas caiu mais nas redes com menor infraestrutura”, afirma.

VALOR INVESTE

https://valorinveste.globo.com/mercados/brasil-e-politica/noticia/2022/11/03/faltam-habilidades-basicas-a-66percent-dos-jovens-brasileiros-na-faixa-dos-15-anos.ghtml

Centrão começa a abandonar Bolsonaro e prepara adesão à base de Lula

Construção pede juros baixo ao governo Lula

Representantes do setor destacam também esperar que, nos próximos quatro anos, não haja alterações na regulamentação da construção.

Agência Estado

Uma política econômica que permita a redução da taxa básica de juros, a Selic, estimule a competição entre fabricantes de matérias-primas e ajude a manter um fluxo regular de investimentos é a demanda da indústria da construção civil para o novo mandato do presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva. Representantes do setor destacam também esperar que, nos próximos quatro anos, não haja alterações na regulamentação da construção (que está mais enxuta) e que sejam retomados estímulos para a construção de moradia para a população mais carente.

Para o presidente da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), José Carlos Martins, o ponto-chave para o segmento é a regularidade no fluxo de investimentos. Ele diz ser preferível um volume menor de capital a um ritmo constante do que grandes aportes seguidos por freadas bruscas.

“Não dá para viver de uma solução única, que um dia coloca uma montanha de dinheiro e, de repente, morre tudo. Isso aconteceu com o PAC (Programa de Aceleração do Crescimento, lançado em 2007 pelo governo do PT)”, afirma. “Sem continuidade, não posso investir pesado em tecnologia, maquinário e capacitação. Perco a oportunidade de ser mais produtivo.”

Martins destaca que, durante o governo Bolsonaro, foram feitas concessões para investimentos estruturantes no país, como de rodovias e aeroportos. A infraestrutura de pequeno porte, no entanto, ficou em segundo plano e precisa ser retomada. “São aquelas obras menores, que a conta não fecha para fazer concessões, mas que são necessárias no dia a dia. Uma concessão de uma estrada vicinal, por exemplo, não para em pé, mas tem de ter uma solução para mantê-la. Precisamos de algo para atender a essa demanda.”

Minha Casa, Minha Vida

O executivo ainda lembra que, no principal programa de habitação do governo atual, o Casa Verde e Amarela (que substituiu o Minha Casa, Minha Vida), praticamente não houve contratações nos últimos anos no Grupo 1, destinado à população de renda mais baixa. “Isso acabou faltando. Tem de ser feito um debate em torno do assunto. Ninguém quer estourar o teto de gastos (para investir em habitação), mas é preciso resolver essa questão no Congresso”, diz.

O vice-presidente de relações institucionais do Sindicato da Construção Civil do Estado de São Paulo (SindusCon-SP), Yorki Estefan, pondera que a atenção a essa faixa do programa habitacional, que depende de subsídios, tem de ser acompanhada de responsabilidade fiscal. “O dinheiro (para o subsídio) tem de sair do Orçamento. Não adianta investir explodindo as contas do governo. Porque aí gera mais inflação e, consequentemente, juros mais altos.”

Estefan diz que é imprescindível manter em ordem as contas públicas para que os juros possam cair. Hoje a 13,75%, a taxa básica torna o investimento financeiro mais atraente do que o imobiliário. Segundo o executivo, a indústria da construção trabalha “razoavelmente bem” com um juro na faixa de 8,5%.

O vice-presidente do SindusCon-SP destaca a necessidade de estimular a indústria e desonerar as importações. A ideia é de que isso torne as matérias-primas mais baratas, explica.

Estefan ainda diz ser importante não retroceder na regulamentação. Em 2020, foi reformulada uma norma que regulamenta o setor e que, por exemplo, permite que a gestão de riscos nos canteiros seja feita pela própria construtora, e não por uma fornecedora. Cálculos do Ministério da Economia indicavam que a mudança nas regras garantiu ao setor uma redução de custos de quase R$ 5 bilhões em dez anos.

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

CORREIO BRAZILIENSE

https://www.correiobraziliense.com.br/economia/2022/11/5048888-construcao-pede-juros-baixo-ao-governo-lula.html

Centrão começa a abandonar Bolsonaro e prepara adesão à base de Lula

Lula deve indicar coordenador da transição até quarta-feira; Alckmin é o mais cotado

A primeira decisão de Lula (PT) como novo presidente eleito do Brasil deve ser indicar o coordenador da equipe de transição.

Ao blog, duas fontes próximas a Lula afirmaram que o anúncio pode ocorrer até a próxima quarta-feira (2) e que o nome mais cotado para a tarefa é o do vice-presidente eleito, Geraldo Alckmin (PSB).

 

 

A demora do presidente Jair Bolsonaro em reconhecer a derrota — ele ainda não se manifestou — tornou ainda mais urgente ao governo eleito dar o tom de normalidade e iniciar o processo de transição.

Em discurso no domingo, após a vitória Lula afirmou que tem pressa – já que são apenas dois meses até a posse, em 1º de janeiro.

 

A transição é prevista em lei e em decreto presidencial de 2010. O eleito pode nomear um coordenador para a transição e cerca de outros 50 cargos para tomar pé dos números e poder fazer o planejamento do novo governo.

 

Apesar de Bolsonaro não ter feito o reconhecimento da derrota, aliados próximos já reconheceram a vitória de Lula, assim como os principais parceiros comerciais do Brasil no mundo.

G1

https://g1.globo.com/economia/blog/ana-flor/post/2022/10/31/lula-deve-indicar-coordenador-da-transicao-ate-quarta-feira-alckmin-e-o-mais-cotado.ghtml

Centrão começa a abandonar Bolsonaro e prepara adesão à base de Lula

“Abalado”, “perdido”: o silêncio de Bolsonaro, o “Trump dos Trópicos”

Passadas 36 horas do anúncio oficial da vitória de Lula, ainda não sabemos o que Bolsonaro fará.

por André Cintra

É atribuída ao escritor norte-americano Kurt Vonnegut Jr. (1922-2007) uma célebre recomendação sobre o jogo de aparência a que determinados homens se submetem. “Cuidado com o que você finge ser”, dizia Vonnegut. “Porque, no fim das contas, você se torna o que finge ser.”

Primeiro presidente do Brasil a não vencer uma disputa à reeleição, Jair Bolsonaro (PL) se iguala ao ex-presidente norte-americano Donald Trump, de quem é admirador declarado e que tampouco se reelegeu à Casa Branca. Embalados como outsiders, tinham chegado ao poder, ambos, no curso de uma inédita onda de extrema-direita com apelo popular. Foram derrotados, entre outras razões, porque negligenciaram o enfrentamento à pandemia de Covid-19 e porque não deram respostas à altura à crise econômica.

Em 8 de setembro, a menos de um mês do primeiro turno das eleições no Brasil, Trump foi às suas redes sociais para manifestar apoio à sua versão tupiniquim. “O presidente Jair Bolsonaro do Brasil, o ‘Trump dos Trópicos”, como é carinhosamente chamado, fez um GRANDE trabalho para o maravilhoso povo do Brasil. Quando eu era presidente dos EUA, não havia outro líder de país que me ligasse mais do que Jair”, tuitou Trump. “O presidente Bolsonaro ama o Brasil acima de tudo. Ele é um homem maravilhoso, e tem meu Endosso Completo e Total!!!”

No mesmo dia, a tradicional revista britânica The Economist ressaltava, em matéria de capa, que o presidente do Brasil se parecia com Trump no pior sentido possível – o de governante autoritário, de costas para o Estado Democrático de Direito. “Ganhando ou perdendo, Jair Bolsonaro representa uma ameaça à democracia brasileira”, afirmou The Economist.

Segundo a revista, ante a derrota, Bolsonaro poderia “incitar uma insurreição, talvez como a que a América sofreu quando uma multidão de apoiadores de Donald Trump invadiu o Capitólio em 6 de janeiro de 2021 – ou talvez até pior”. Daí o título sugestivo da reportagem: “The man who would be Trump” (“O homem que seria Trump”).

Em Fogo e Fúria, biografia não autorizada escrita pelo jornalista Michael Wolff e lançada em 2018, sobram revelações das mais desconfortáveis para o líder norte-americano. Uma delas aponta que Trump jamais acreditou sinceramente no projeto presidencial, nem mesmo quando superou com ampla vantagem seus concorrentes nas primárias do Partido Republicano.

Ele chegou à eleição de 8 de novembro de 2016 com a convicção de que seria derrotado, seja por ser “o pior candidato da história política moderna”; seja pela popularidade do então presidente Barack Obama – que apoiava a candidata democrata, Hillary Clinton –; seja porque a imensa maioria das pesquisas previa seu insucesso. Uma vez vencido, Trump poderia voltar à vida de magnata e apresentador de TV em Nova York.

“Até as últimas semanas da corrida eleitoral, o quartel-general da campanha de Trump (a Trump Tower) era um lugar desanimado”, escreve Wolff. Na visão da coordenadora da campanha, Kellyanne Conway, o candidato republicado “talvez pudesse segurar uma derrota por menos de seis pontos percentuais, o que seria na verdade uma vitória substancial”.

Para acalmar os seguidores ufanistas, havia, de antemão, uma denúncia: “a eleição tinha sido roubada!”. Segundo a biografia, “Trump e seu minúsculo bando de asseclas de campanha estavam preparados para perder com fogo e fúria. Não estavam preparados para ganhar”.

Mas sobreveio a inacreditável vitória. Trump “parecia ter visto um fantasma”, afirmou seu filho Don Jr. Num “intervalo de pouco mais de uma hora”, conforme o relato do guru Steve Bannon, “um Trump atordoado se metamorfoseou em um Trump descrente e logo em um Trump apavorado. Mas a transformação final ainda estava por vir: de repente, Donald Trump se tornou um homem convencido de que merecia ser presidente dos Estados Unidos e de que era plenamente capaz de exercer o cargo”.

Quatro anos depois, ao disputar a reeleição, o presidente norte-americano foi derrotado por Joe Biden, do Partido Democrata – e, enfim, pôs em prática o plano de contestar o pleito. Desta vez, eram outros os humores e caprichos de Trump. Ao contrário do que ocorrera em 2016, ele estava certo de que seria vencedor em 2020. Ganhara uma autoconfiança quase irracional. Tudo que era blefe e blague – como a descrença em pesquisas – virara certeza em sua cabeça.

Voltemos ao Brasil e ao “Trump dos Trópicos”. Neste domingo (30), com uma vantagem de pouco mais de 2,1 milhões de votos – ou 1,8 ponto percentual de votos válidos –, Luiz Inácio Lula da Silva (PT) derrotou Bolsonaro e pôs fim à aventura ultradireitista no Planalto. Passadas 36 horas do anúncio oficial da vitória do ex-presidente, ainda não sabemos o que o atual mandatário fará.

Em silêncio até o momento, Bolsonaro não deu um único pronunciamento público, não postou nada em suas redes, nem sequer fez o tradicional telefonema de cortesia a Lula. Na noite da derrota, um ajudante-de-ordens informou que o presidente foi dormir mais cedo – as luzes no Palácio da Alvorada, a residência oficial, efetivamente estavam apagadas às 22 horas. Já nesta segunda-feira (31), Bolsonaro permaneceu longe dos holofotes, permanecendo em reuniões na Alvorada e no Palácio do Planalto.

Mesmo o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), seu primogênito – o filho “01” –, em geral falastrão, só comentou o resultado das eleições no fim da tarde desta segunda. Para os padrões do bolsonarismo, o tom, conquanto inconclusivo, foi moderado. “Obrigado a cada um que nos ajudou a resgatar o patriotismo, que orou, rezou, foi para as ruas, deu seu suor pelo país que está dando certo e deu a Bolsonaro a maior votação de sua vida!”, tuitou. “Vamos erguer a cabeça e não vamos desistir do nosso Brasil!”

Poucos minutos depois, Flávio acrescentou: “Pai, estou contigo pro que der e vier!”. O post foi interpretado em Brasília como um alerta a aliados ávidos a desembarcarem logo do bolsonarismo mais radical. É o caso do ex-ministro do Meio Ambiente Ricardo Salles (PL-SP), eleito deputado federal em 2 de outubro. Ao UOL, nesta segunda, Salles usou uma frase que irritou essa ala mais fiel ao presidente: “Não há o que espernear”.

Aliados mais próximos, com o apoio da equipe de marketing da campanha, ofereceram a Bolsonaro o rascunho de um discurso para, segundo a Folha de S.Paulo, “manifestar respeito ao regime democrático”, sem “deixar os militantes bolsonaristas órfãos”. O presidente reconheceria o resultado eleitoral, mas reclamaria de supostas “injustiças” sofridas na luta pela reeleição.

Se queria ou não queria fingir ser Trump, fato é que Bolsonaro, em 2018, estava menos confiante na vitória do que seu entorno. Ao fim do primeiro turno, quando a apuração lhe dava uma contundente vantagem, Bolsonaro teve uma espécie de estupefação. Embora imaginasse que sua rejeição era um impeditivo para superar qualquer adversário num eventual segundo, ele se dera conta, de uma hora para outra, de que podia até vencer em um único turno.

Em 2022, seu sentimento se inverteu. Apesar de ter moldado o discurso e a ação no segundo turno, atendendo a apelos de seus auxiliares, Bolsonaro via aliados abandonarem o barco, uns de forma explícita, outros de modo discreto. Mas ele próprio, tal como Trump, alardeava na reta final que a reeleição era inevitável, ostentando uma confiança incomum em sua candidatura.

Por ora, Bolsonaro não questionou as urnas eletrônicas ou a vitória de Lula. Quem esteve com o presidente desde domingo usa palavras como “triste”, “abalado”, “cabisbaixo” e “perdido” para descrevê-lo no pós-derrota. Setores do bolsonarismo tentam o golpe, mas é cada vez mais improvável que essa opção prospere.

Antes de tentar tumultuar o País, Bolsonaro precisa se recuperar psicologicamente. O “Trump dos Trópicos” talvez esteja mais para aquela moça da música que “brincava de princesa” e “acostumou na fantasia”. Seus delírios têm data para acabar: 31 de dezembro, o último dia do mandato. Até lá, esperamos que Bolsonaro cumprimente Lula – ou ao menos reconheça que sua própria fantasia acabou.

Portal Vermelho

https://vermelho.org.br/2022/11/01/abalado-perdido-o-silencio-de-bolsonaro-o-trump-dos-tropicos/

Centrão começa a abandonar Bolsonaro e prepara adesão à base de Lula

Apesar do silêncio de Bolsonaro, transição começa: Alckmin conversa com Mourão e Edinho Silva com Ciro Nogueira

ELEIÇÕES 2022

Enquanto o presidente Jair Bolsonaro permanece em silêncio desde a noite de domingo (30), quando foi derrotado no segundo turno por Luiz Inácio Lula da Silva, do PT, na prática o processo de transição do atual para o novo governo começa á sua revelia.

O vice-presidente eleito Geraldo Alckmin conversou nesta segunda-feira (31) com o vice-presidente Hamilton Mourão, eleito senador pelo Republicanos do Rio Grande do Sul. A informação é do jornalista Gerson Camarotti, da Globo News.

Alckmin ligou para Mourão para agradecer a uma mensagem enviada por Mourão. E Mourão colocou-se à disposição de Alckmin para realizar a transição. O atual vice-presidente chegou inclusive a convidar o próximo vice para uma visita ao Palácio do Jaburu, residência oficial da Vice-Presidência.

Já o coordenador de Comunicação da campanha de Lula, Edinho Silva, informou que conversou com o ministro da Casa Civil, Ciro Nogueira. A conversa foi cordial e, segundo Edinho Silva, Ciro Nogueira também colocou-se à disposição para iniciar o processo de transição.

Enquanto isso, Bolsonaro permanece em silêncio, sem reconhecer a derrota. Segundo informações, o presidente teria informado a ministros que não irá contestar o resultado. Fará algumas críticas à condução da Justiça Eleitoral, apenas. Ele, no entanto, não deverá parabenizar Lula pela vitória.

O posicionamento de Bolsonaro é esperado para desanuviar possíveis reações de bolsonaristas mais radicais. Neste momento, rodovias em 16 estados do país têm bloqueios de caminhoneiros aliados do atual presidente.

RUDOLFO LAGO Diretor do Congresso em Foco Análise. Formado pela UnB, passou pelas principais redações do país. Responsável por furos como o dos anões do orçamento e o que levou à cassação de Luiz Estevão. Ganhador do Prêmio Esso.

CONGRESSO EM FOCO