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Copom se reúne nesta quarta-feira; mercado financeiro prevê nova alta da Selic, para 13,75%

Copom se reúne nesta quarta-feira; mercado financeiro prevê nova alta da Selic, para 13,75%

Se confirmado, este será o 12º aumento seguido da taxa básica de juros, que chegará ao maior patamar desde novembro de 2016. Economistas esperam taxa neste nível até o fim do ano.

Por Alexandro Martello, g1 — Brasília

O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central se reúne nesta quarta-feira (3) para definir a nova taxa básica de juros da economia, a taxa Selic.

A expectativa entre os analistas do mercado financeiro é que a Selic passe dos atuais 13,25% ao ano para 13,75% ao ano.

Se confirmado, este será o 12º aumento consecutivo na taxa de juros, que chegará ao maior patamar desde novembro de 2016, quando estava em 14% ao ano. A decisão será anunciada após as 18h.

Analistas dos bancos avaliam que, após esse aumento, a taxa Selic permanecerá neste nível até maio de 2023, quando começará a cair. A previsão é que a Selic termine o próximo ano em 10,5% ao ano.

Metas de inflação

Para definir o nível dos juros, o Banco Central se baseia no sistema de metas de inflação.

Quando a inflação está alta, o BC eleva a Selic. Quando as estimativas para a inflação estão em linha com as metas, o Banco Central reduz a Selic.

Em 2022, a meta central de inflação é de 3,5% e será oficialmente cumprida se o índice oscilar de 2% a 5%. O mercado financeiro e o BC, porém, já preveem a inflação de 7,15% em todo este ano. Se confirmado, será o segundo ano seguido de estouro da meta de inflação.

Neste momento, o BC já está ajustando a taxa Selic para tentar atingir a meta de inflação do ano que vem, uma vez que as decisões sobre juros demoram de seis a 18 meses para terem impacto pleno na economia.

Para 2023, a meta de inflação foi fixada 3,25%, e será considerada formalmente cumprida se oscilar entre 1,75% e 4,75%. Na semana passada, porém, o mercado estimou que a meta será novamente superada no próximo ano, com a inflação atingindo 5,33%.

A projeção de inflação do mercado para o próximo ano começou a subir com mais intensidade após o Congresso ter aprovado corte de impostos cobrados sobre itens essenciais, como combustíveis e energia elétrica, até o fim deste ano. Com o retorno dos tributos em 2023, essas medidas pressionam os preços no próximo ano.

 

Cenário

O novo aumento de juros que deve ser adotado pelo Banco Central acontece em um cenário de desaceleração da inflação no país — após a redução de tributos sobre combustíveis. Em julho, a prévia da inflação ficou em 0,13%, a menor variação do indicador desde junho de 2020.

Porém, também vem em um momento de alta das taxas de juros ao redor do mundo, justamente para conter as pressões inflacionárias decorrentes dos impactos da Covid-19 na produção e da guerra na Ucrânia nos combustíveis. Isso pode gerar alta no dólar no Brasil, com reflexos na inflação, e desaceleração da atividade global.

“Os riscos de recessão global aumentaram, o que contribui para diminuir pressões inflacionárias. Porém, a inflação de serviços mantém-se em níveis elevados – sem qualquer sinal de acomodação – e o mercado de trabalho vêm se mostrando bem aquecido”, avaliou a XP, em comunicado assinado por pelos economistas Caio Megale e Tatiana Nogueira.

Mauricio Oreng, do Santander, observou que houve uma deterioração das expectativas de inflação nos últimos meses com a aprovação de medidas de estímulo fiscal pelo Legislativo com a proximidade das eleições, apelidadas de PEC Kamikaze. E avalia que, em um “contexto de incerteza maior do que o habitual”, o BC pode não se comprometer com o fim do ciclo de juros agora em agosto.

Consequências da alta dos juros

De acordo com especialistas, o aumento do juro básico da economia tem vários reflexos na economia, entre os quais:

G1

https://g1.globo.com/economia/noticia/2022/08/03/copom-se-reune-nesta-quarta-feira-mercado-financeiro-preve-nova-alta-da-selic-para-1375percent.ghtml

Copom se reúne nesta quarta-feira; mercado financeiro prevê nova alta da Selic, para 13,75%

Produção industrial cai 0,4% em junho após 4 meses de crescimento

Com o resultado, setor acumula queda de 2,2% no semestre e ainda se encontra 1,5% abaixo do patamar pré-pandemia. No 2º trimestre, porém, a indústria teve avanço de 0,9% frente ao 1º trimestre.

Por Darlan Alvarenga e Daniel Silveira, g1

 

A produção industrial brasileira caiu 0,4% em junho, na comparação com maio, interrompendo uma sequência de 4 meses de alta, segundo divulgou nesta terça-feira (2) o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Em relação a junho de 2021, a indústria recuou 0,5%, depois de o resultado de maio ter interrompido nove meses seguidos de queda no comparativo interanual.

No primeiro semestre, o setor acumulou queda de 2,2% e, em 12 meses, uma retração de 2,8% – pior resultado desde março de 2021 (-3,1%).

 

Com o resultado de junho, o setor industrial ainda se encontra 1,5% abaixo do patamar pré-pandemia (fevereiro de 2020) e 18% abaixo do nível recorde da série histórica da pesquisa, alcançado em maio de 2011.

O resultado veio pior que o esperado. Pesquisa da Reuters estimava uma contração de 0,2% na comparação com maio.

A última queda da indústria havia sido registrada em janeiro (-1,9%).

O gerente da pesquisa, André Macedo, destacou que, mesmo com a sequência de 4 meses de crescimento até maio, a indústria não havia se recuperado da perda do primeiro mês do ano.

“Com o resultado de junho, há uma acentuação do saldo negativo no ano (-0,5%) quando comparado com o patamar de dezembro de 2021. Isso reflete as dificuldades que o setor industrial permanece enfrentando, como o aumento nos custos de produção e a restrição de acesso a insumos e componentes para a produção de bem final. Nesse sentido, o comportamento da atividade industrial tem sido marcado por paralisações das plantas industriais, reduções de jornada de trabalho e concessão de férias coletivas”, afirmou.

O que puxou a queda

Em junho, três das quatro grandes categorias econômicas e quinze dos 26 ramos pesquisados mostraram redução na produção.

Entre as atividades, as principais pressões de queda vieram dos segmentos de produtos farmoquímicos e farmacêuticos (-14,1%) e coque, produtos derivados do petróleo e biocombustíveis (-1,3%).

Outras contribuições negativas relevantes sobre o total da indústria vieram de máquinas e equipamentos (-2%), de metalurgia (-1,8%), de equipamentos de informática, produtos eletrônicos e ópticos (-2,8%) e de outros equipamentos de transporte (-5,5%).

Do lado das altas, os destaques foram veículos automotores, reboques e carrocerias (6,1%) e indústrias extrativas (1,9%).

Dentre as 4 grandes categorias econômicas, 3 tiveram queda na passagem de maio para junho:

  • Bens de capital: -1,5%
  • Bens intermediários: -0,8%
  • Bens de consumo duráveis: 6,4%
  • Bens de consumo semi e não duráveis: -0,7%

Dos 26 segmentos pesquisados pelo IBGE, apenas 8 já retomaram o nível de produção pré-pandemia.

Alta de 0,9% no 2º trimestre

Apesar da queda no mês de junho, a indústria fechou o 2º trimestre no azul, na comparação com os 3 primeiros meses do ano, com alta de 0,9% — o terceiro trimestre seguido de crescimento nesta base de comparação.

Dificuldades e incertezas

A indústria brasileira vem sendo impactada em 2022 pela restrição de acesso das empresas a insumos e componentes para a produção do bem final e o encarecimento dos custos de produção. Já do lado da demanda, a inflação elevada reduz a renda das famílias e os juros altos encarecem o crédito. Além disso, o número ainda elevado de desempregados também segue limitando a expansão do consumo.

“Há um contingente de aproximadamente 10 milhões de desempregados no país. A característica dos postos de trabalho que estão sendo criados aponta para uma precarização do mercado de trabalho e isso é refletido na massa de rendimento, que não está crescendo”, destacou o gerente da pesquisa do IBGE.

Em meio a incerteza ainda elevada, a confiança dos empresários do setor industrial caiu em julho pela primeira vez em quatro meses, segundo sondagem da Fundação Getulio Vargas (FGV).

O Comitê de Política Monetária (Copom) se reúne nesta terça e quarta-feira para definir como fica a taxa básica de juros, que hoje é de 13,25% ao ano. A expectativa do mercado financeiro é de mais um aumento de 0,5 ponto percentual, mas ainda há dúvidas sobre o fim do ciclo de alta da Selic.

Segundo a última pesquisa Focus do banco Central, a projeção do mercado para a inflação em 2022 foi reduzida de 7,30% para 7,15%. Já a previsão dos analistas para 2023 passou de 5,30% para 5,33%.

O mercado financeiro também passou a prever uma alta maior do Produto Interno Bruto (PIB) em 2022, as reduziu a expectativa de crescimento para o próximo ano em meio

A previsão dos economistas dos bancos é que a economia brasileira cresça 1,97% em 2022, contra 1,93% previsto anteriormente. Já para 2023, a previsão de alta passou de 0,49% para 0,40%.

A piora das perspectivas para o ano que vem decorre da perspectiva de manutenção de níveis elevados de inflação e de juros, além do aumento da incerteza política durante o período eleitoral e dos temores sobre a situação fiscal e credibilidade do Brasil, que foi abalada recentemente pela emenda constitucional que amplia e cria uma série de benefícios sociais, prevendo despesas fora do teto de gastos a apenas alguns meses das eleições presidenciais.

G1

https://g1.globo.com/economia/noticia/2022/08/02/producao-industrial-cai-04percent-em-junho.ghtml

Copom se reúne nesta quarta-feira; mercado financeiro prevê nova alta da Selic, para 13,75%

O papel importante, mas não decisivo, de Alckmin na campanha de Lula ao Planalto

Eleições 2022

Para analistas, falas do ex-governador de SP ajudam a atrair apoio partidário mais amplo na montagem de eventual governo de coalizão liderado pelo petista

O ex-governador de São Paulo Geraldo Alckmin (PSB), vice na chapa com Lula (PT) ao Planalto, surpreendeu em seus primeiros discursos ao lado do ex-presidente pelo tom militante utilizado — diferente do perfil mais centrado e menos explosivo do político ao qual os eleitores paulistas estavam acostumados.

Desde então, Alckmin tem dosado a mão em suas falas. A estratégia, segundo cientistas políticos ouvidos pelo InfoMoney, é assegurar à base mais fiel do PT de que ele está fechado com o partido, mas também trazer certa tranquilidade a não eleitores da sigla, aos quais Lula não tem costume de se dirigir diretamente.

“Nós vivemos hoje no Brasil o mais cruel e desastroso governo da história. Triste período. Mas iniciamos a partir de hoje uma caminhada, e que Deus ilumine a consciência de cada brasileiro e de cada brasileira. Que a gente possa ter um novo período com a volta do presidente Lula à Presidência”, afirmou Alckmin, em palanque petista na Bahia há cerca de três semanas, quando ambos iniciaram agenda por capitais do Nordeste, onde Lula tem 59% das intenções de voto, segundo o Datafolha.

“O presidente Lula vai tirar o Brasil do mapa da fome e recoloca-lo no mapa do mundo. Vai atrair investimento, trazer emprego, oportunidade para a juventude, melhorar o salário mínimo, recuperar a vida da nossa população”, completou o candidato a vice.

Na última sexta-feira (29), em convenção do PSB que oficializou sua candidatura como vice de Lula, Alckmin usou em seu discurso a saudação conhecida do ex-presidente “companheiros e companheiras”, e falou que os “plantadores de chuchu não serão esquecidos” — uma ironia ao apelido de “picolé de chuchu”, popularizado pelo colunista José Simão durante as eleições de 2002 ao governo de São Paulo.

A expressão é geralmente usada de forma pejorativa para se referir a alguém ou algo sem graça, sem gosto. O próprio Alckmin já disse que prefere ser “mais discreto” e utiliza o termo de forma bem-humorada.

Visto como o símbolo da “frente ampla” construída por Lula para essas eleições, Alckmin também aproveitou a ocasião para se comunicar com os eleitores de fora da base de apoio da chapa e com agentes econômicos. Não deixou de falar sobre empobrecimento e a volta da fome no Brasil, mas também tratou de negócios, investimentos e política econômica.

“Peço licença a vocês para poder falar também com os brasileiros que não estão aqui entre nós. Com os brasileiros que não compartilham do nosso ponto de vista, que não comungam dos nossos ideais e das nossa convicções, que por vezes rejeitaram ou mesmo nunca aceitaram e sempre criticaram as nossas opiniões e as nossas ações”, disse.

“Eu quero falar agora com os brasileiros que ainda relutam em admitir que Lula pode ser, e certamente com a força de todos nós, será a alternativa mais viável para fazer o Brasil um país melhor, um país que queremos, o país que merecemos. Eu quero dizer a esses brasileiros: Bolsonaro falhou com vocês, mas nós estamos do seu lado”, continuou.

“Aos empresários, que têm dificuldade de honrar seus compromissos, que se sentem acuados e foram prejudicados por uma política econômica mal-sucedida, que gerou inflação, elevou os juros, tornou o financiamento mais caro e impeditivo, que é fruto da improvisação e da falta de planejamento desta gestão [atual] (…). Eu quero dizer que Bolsonaro abusou de sua confiança, mas nós jamais abusaremos. E este compromisso haverá de ser cumprido com a eleição de Lula em 2 de outubro.”

Avaliações

No geral, os cientistas políticos ouvidos pelo InfoMoney avaliam que o papel de Alckmin na campanha de Lula é importante, mas não decisivo. Até porque, dizem, o petista já conquistou alguma confiança dos empresários e da elite brasileira durante seus dois governos passados.

“Não me parece que a presença de Alckmin como companheiro de chapa de Lula seja decisiva para o resultado das urnas, com a possível exceção do estado de São Paulo. O papel do ex-tucano está mais do que claro: atrair apoios partidários mais amplos na montagem de um eventual governo de coalizão liderado pelo petista, a partir de outubro”, disse Rogério Schmitt, cientista político da Empower Consultoria.

“A Faria Lima [referência à região de São Paulo onde se concentram as sedes dos maiores grupos financeiros do país] já conhece Lula o suficiente, com base em seus dois mandatos presidenciais anteriores, e a chapa com Alckmin interfere bem pouco na avaliação de riscos e oportunidades”, completou o analista.

Para Leandro Consentino, cientista político e professor do Insper, o Alckmin tem cumprido esse papel de frente ampla proposto na chapa com Lula, sinalizando aos não eleitores do partido que um eventual novo governo da sigla não falaria apenas com a base aliada, mas é preciso um ajuste mais fino de discurso.

“O Alckmin tem sinalizado muito mais um discurso de ele aderir à esquerda do que especificamente do Lula ir ao centro. A presença do Alckmin é um ativo importante e tem funcionado dessa forma. O discurso do Alckmin talvez seja um problema porque não está sendo bem calibrado. Há esse papel ambíguo na presença do Alckmin na chapa”, afirmou.

Vitor Oliveira, cientista político e sócio-diretor da consultoria Pulso Público, enxerga Alckmin como um trunfo de Lula em locais onde ele não tem historicamente apoio dos eleitores.

“A atuação mais ostensiva dele como cabo eleitoral vai ser no interior de São Paulo e nos estados em que Lula vai ter mais dificuldade, como os estados do Sul, talvez, ou no Centro-Oeste. O Alckmin tem uma ligação muito forte com prefeitos em cidades pequenas e médias no interior de São Paulo, ele consegue obviamente ter um diálogo muito mais fácil com o agronegócio, embora o Lula não seja exatamente fechado ao agronegócio”, disse.

“E certamente ele vai ter um papel muito forte na tentativa desse grupo político que foi formado a partir da candidatura federal, e consolidado com a candidatura do Márcio França  para o senado aqui em São Paulo, de eleger essa tabelinha de Marcio França e Fernando Haddad [para o governo paulista]. (…) Não vejo Alckmin se projetando nacionalmente ou sendo muito incisivo, acho que ele terá esse papel mais estratégico e pontual”, completou.

Infomoney

https://www.infomoney.com.br/politica/o-papel-importante-mas-nao-decisivo-de-alckmin-na-campanha-de-lula-ao-planalto/

Copom se reúne nesta quarta-feira; mercado financeiro prevê nova alta da Selic, para 13,75%

Trabalhador tem direito à pausa térmica se submetido a ambiente artificialmente refrigerado

A relatora do caso explicou que o estado de Goiás situa-se na quarta zona climática, onde se considera como artificialmente frio o ambiente de temperatura abaixo de 12°C

A Terceira Turma do Tribunal Regional do Trabalho da 18ª Região (GO), por unanimidade, reformou em parte sentença da 1ª Vara do Trabalho de Rio Verde (GO) que condenou uma indústria de alimentos ao pagamento de pausas térmicas para um trabalhador a cada período trabalhado e reflexos. A desembargadora Rosa Nair, relatora dos recursos, citou a súmula 438 do Tribunal Superior do Trabalho (TST), no sentido de que o empregado submetido a trabalho contínuo, em ambiente artificialmente frio, de acordo com parágrafo único do artigo 253 da CLT, ainda que não labore em câmara frigorífica, tem direito ao intervalo intrajornada.

Pausas Térmicas

Para questionar a forma como o Juízo de primeiro grau determinou o pagamento das pausas térmicas, o trabalhador recorreu ao tribunal alegando que as pausas não foram concedidas de acordo com a previsão legal, conforme demonstrado pelas provas nos autos. Disse que houve confissão da indústria, que não apresentou o controle de concessão de pausas ou o cronograma dos intervalos. Pediu o aumento da condenação para o pagamento dos intervalos conforme as normas legais.

A empresa também recorreu. Alegou que não foram preenchidos os requisitos para a concessão da pausa térmica, além de que o funcionário utilizava equipamentos de proteção individual (EPIs) aptos a neutralizar eventual exposição ao frio. Afirmou que, a partir de janeiro de 2014, todos os empregados passaram a usufruir de três pausas de 20 minutos a cada uma hora e 40 minutos trabalhados, de modo que a NR 36 já era cumprida. Relatou ainda que a quarta pausa é devida apenas quando a jornada passa de nove horas e 20 minutos. Pediu a exclusão da condenação, ou, a dedução das três pausas de 20 minutos a cada uma hora e 40 minutos de trabalho concedidas a partir de janeiro de 2014.

Ao iniciar o voto, Rosa Nair observou que o trabalho em ambiente artificialmente refrigerado, que enseja a concessão do intervalo conforme o artigo 253 da CLT, é aquele realizado no interior das câmaras frigoríficas, como em locais com movimento de mercadorias do ambiente quente normal para frio e vice-versa. A relatora explicou que o estado de Goiás situa-se na quarta zona climática, onde se considera como artificialmente frio o ambiente de temperatura abaixo de 12°C e a perícia realizada na ação trabalhista constatou a temperatura de 11º C no local de trabalho do funcionário.

“Assim, é inequívoco que o autor estava submetido a baixas temperaturas, laborando em ambiente artificialmente frio”, afirmou a magistrada, ao considerar que o trabalhador preenche os requisitos para o gozo da pausa térmica. Rosa Nair ressaltou que a interpretação dada pelo Tribunal Superior do Trabalho (TST) ao artigo 253 não faz ressalva quanto à utilização de EPI, o que implica dizer que o fornecimento e a própria fiscalização quanto ao seu uso não anulam o direito à pausa para recuperação térmica.

Sobre a concessão das pausas, a relatora considerou que houve irregularidade nos intervalos concedidos pela empresa, o que deixou de atender a finalidade da norma trabalhista, sendo devido o pagamento de 20 minutos a cada 1h40 trabalhados. Rosa Nair destacou que a concessão de pausas de maneira aleatória não supre a necessidade de concessão dos intervalos estabelecidos conforme previsão legal. “Do contrário, bastaria liberar o trabalhador 1h antes do fim da jornada diária, sem observar os períodos contínuos de trabalho máximos previstos no artigo 253 da CLT”, afirmou.

Assim, a relatora deu parcial provimento aos recursos para determinar à indústria o pagamento dos intervalos de acordo com as provas nos autos. Rosa Nair ressalvou a dedução das pausas concedidas durante o período de trabalho.

Fonte:  TRT da 18ª Região (GO

https://www.csjt.jus.br/web/csjt/-/trabalhador-tem-direito-%C3%A0-pausa-t%C3%A9rmica-se-submetido-a-ambiente-artificialmente-refrigerado

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Motorista de coletivo que também atuava como cobrador tem reconhecido adicional por acúmulo de funções

Segundo a decisão, o valor a mais a ser recebido pelo trabalhador é de 10% sobre a remuneração mensal, por todo período contratual, e com reflexos nas demais verbas

A 11ª Turma do TRT-MG, por maioria de votos, reconheceu o adicional por acúmulo de funções a um motorista de coletivos que também realizava atividade de cobrador. Segundo a decisão, o valor a mais a ser recebido pelo trabalhador é de 10% sobre a remuneração mensal, por todo período contratual, e com reflexos em horas extras, 13º salário, férias + 1/3 e FGTS. Prevaleceu o entendimento do relator, desembargador Antônio Gomes de Vasconcelos, que deu provimento ao recurso do motorista, para modificar sentença do juízo da Vara do Trabalho de Cataguases, que havia negado o pedido.

A ex-empregadora, uma empresa do ramo de transporte rodoviário municipal coletivo de passageiros, com itinerário fixo, invocou cláusula de acordo coletivo de trabalho (ACT) expressa no sentido de que motoristas condutores de micro, mini, midiônibus e ônibus básico teriam que cobrar passagens, sem que se caracterizasse dupla função. Segundo consta da própria norma coletiva, esses tipos de veículos possuem a catraca na parte dianteira, com o caixa sobre o capô do motor direcionado exclusivamente ao motorista, seguindo as normas técnicas da ABNT e Inmetro.

Mas, no caso, a prova demonstrou que o condutor dirigia ônibus básico, equipado com duas a três portas, fato, inclusive, reconhecido pela empresa. Esse modelo de veículo, como observou o relator, não está incluído naqueles em que a norma coletiva permite, expressamente, a atuação do motorista também como cobrador.

Na visão do desembargador, não poderia ser diferente, tendo em vista que o auxílio do motorista no embarque e desembarque de passageiros e as cobranças de passagens, em veículos do porte daqueles conduzidos pelo trabalhador, sobrecarregam a rotina de trabalho que já exige plena concentração na atividade, de maneira a garantir atuação segura. “A cobrança de valores pelo motorista amplia o grau de estresse na função principal e intensifica o esforço laboral necessário para manter a responsabilidade exigida em profissão que demanda cuidado excessivo”, destacou na decisão.

Segundo pontuou o julgador, a atuação do empregado na cobrança de passagens ocorreu de forma indevida, em descompasso com a natureza da atividade do motorista, sendo dele exigido um esforço físico e mental muito superior. De acordo com o entendimento adotado na decisão, ficou provado o acúmulo de funções pelo profissional ao longo de todo o período trabalhado, de forma a representar um desequilíbrio contratual que favoreceu o enriquecimento ilícito da empresa, em detrimento do empregado, que, portanto, tem direito ao adicional correspondente. Atualmente, o processo aguarda decisão de admissibilidade do recurso de revista.

Fonte: TRT da 3ª Região (MG)

https://www.csjt.jus.br/web/csjt/-/motorista-de-coletivo-que-tamb%C3%A9m-atuava-como-cobrador-tem-reconhecido-adicional-por-ac%C3%BAmulo-de-fun%C3%A7%C3%B5es

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Centrais sindicais aderem a manifesto pró-democracia e anti-Bolsonaro

Entidades também deliberaram pela participação do movimento sindical nos atos convocados para 11 de agosto

 

Por unanimidade, as centrais sindicais aprovaram o apoio unitário à “Carta às Brasileiras e aos Brasileiros em Defesa do Estado Democrático de Direito” e ao manifesto “Em Defesa da Democracia e da Justiça”. Em reunião nesta quinta-feira (28), na sede da UGT (União Geral dos Trabalhadores), as entidades também deliberaram pela participação do movimento sindical nos atos convocados para 11 de agosto.

Na mesma data, a “Carta” – um documento pró-democracia e anti-Bolsonaro – será apresentada publicamente em evento na Faculdade de Direito da USP (Universidade de São Paulo). A Campanha #ForaBolsonaro aproveitou o pretexto da mobilização e reagendou para dia 11 sua próxima manifestação nacional – que estava prevista, inicialmente, para 6 de agosto.

Antes, em 2 de agosto, as centrais participam da manifestação da Coalização em Defesa do Sistema Eleitoral por eleições livres e contra a violência política. A atividade será realizada na sede do Senado, em Brasília.

Além da UGT, vão aderir ao manifesto a CSB (Central dos Sindicatos Brasileiros), a CTB (Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil), a CUT (Central Única dos Trabalhadores), a Força Sindical, a Intersindical – Central da Classe Trabalhadora, a NCST (Nova Central Sindical de Trabalhadores) e a Pública – Central do Servidor.

VERMELHO

https://vermelho.org.br/2022/07/28/centrais-sindicais-aderem-a-manifesto-pro-democracia-e-anti-bolsonaro/