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Uma folga por semana, proibição de descansar e jornadas de até quatorze horas: a vida dos trabalhadores de fast food na cidade de SP

Uma folga por semana, proibição de descansar e jornadas de até quatorze horas: a vida dos trabalhadores de fast food na cidade de SP

Trabalhadores do ramo de fast food na cidade de São Paulo realizam jornadas de até quatorze horas, são proibidos de sentar durante o expediente e passam até seis horas no transporte público diariamente.

Eles trabalham no regime “6×1” – ou seja, folgam um dia da semana e ganham um domingo de descanso por mês – e se revezam em todas as funções dentro das lojas.

A imensa maioria desses trabalhadores é jovem, mora na periferia e está no emprego há poucos meses. Muitos estão nos seus primeiros trabalhos e têm pouco conhecimento sobre direitos trabalhistas.

Alguns relatam relações difíceis com as chefias e com clientes “ignorantes”. Abundam reclamações sobre os salários e a exaustão provocada pelo trabalho.

Foi o que o Joio descobriu depois de duas semanas visitando unidades do McDonald’s, do Ragazzo e do Subway – três das maiores redes de fast food presentes na capital e no país. Nesse período, entrevistamos duas dezenas de funcionários e ex-funcionários do setor.

Procurado, o Grupo Habib’s, dono da rede Ragazzo, afirmou que atua dentro da legislação trabalhista vigente e que está apurando internamente as denúncias realizadas pela reportagem.

Já a Arcos Dorados, operadora do McDonald’s no Brasil, afirmou que os casos publicados na reportagem não condizem com as políticas e valores da companhia e que iniciou uma rigorosa apuração para esclarecê-los.

A assessoria de imprensa do Subway foi procurada, mas não respondeu os questionamentos até o fechamento da reportagem.

Atendente do McDonald’s em um quiosque de sobremesas da rede. Fotografia: Lucas Guarnieri Marteli

Descanso

“Fast food é escravidão, não tem jeito”, resume Alice*, gerente do Ragazzo que está há 10 anos no ramo, com passagens por McDonald’s e Giraffas. 

Ela trabalha de dez a onze horas por dia, transitando entre o quiosque apertado de uma estação de Metrô, onde frita coxinhas e prepara sorvetes de casquinha, e sua casa, onde realiza funções administrativas para a empresa. 

“É muito exaustivo. Eu mesmo tenho dois esporões nos pés de tanto ficar em pé”, diz ela, explicando que os funcionários não podem sentar durante o expediente. “Às vezes o funcionário se encosta em algum lugar ou senta na lixeira escondido, mas é proibido.”

As histórias se repetem em outras redes. A funcionária de um quiosque do McDonald’s na Zona Sul de São Paulo aponta para uma lixeira branca dentro do seu quiosque e diz que às vezes senta ali, escondida: “O problema é que uma vez pegaram na câmera e me deram bronca.”

Não muito distante dali, Luisa*, funcionária de uma lanchonete do Subway, diz que os funcionários são expressamente proibidos de sentar durante o expediente: “Se sentar é só quando for escrever nas embalagens [que saem para entrega]”, explica. 

A prática corrente nas redes de fast food é o revezamento total de funções, o que também dificulta qualquer momento de descanso. Mesmo quando não há clientes na loja, os trabalhadores são alocados em funções de bastidores, como estocagem ou limpeza. 

“A gente lava o banheiro, limpa o chão, entrega bandeja, fica na chapa, na batata frita”, explica Karina*, funcionária de um McDonald’s da Zona Sul ouvida pela reportagem. “É muito trabalho pra pouco salário.” 

O advogado trabalhista Fábio Melman entende a proibição de sentar durante o expediente como um abuso de poder da empresa: “Não atrapalharia em nada a jornada de trabalho do trabalhador”, diz ele. “É uma norma que não faz sentido.” 

Ele comenta que a rotação de funções também causa problemas de insalubridade, que geralmente não são reconhecidos ou remunerados pelas empresas. 

“O funcionário faz desde a limpeza do banheiro e remoção do lixo da loja até o trabalho de adentrar a câmara fria pra fazer estoque, mexer na fritadeira, mexer no forno”, argumenta. “Isso expõe ele ao contato com produtos químicos e agentes biológicos e variações muito bruscas de temperatura.”  

Em nota, a Arcos Dorados afirmou que respeita a legislação vigente e que todos os seu funcionários “usufruem de seus momentos de descanso de forma organizada, de acordo com suas posições e escala de trabalho”.

Funcionários do Ragazzo reclamam de jornadas de trabalho acima do limite legal. Fotografia: Lucas Guarnieri Marteli

O salário

“Eu gosto, mas a gente trabalha muito e é pouco valorizado em todos os sentidos, começando pelo salário”, diz Vitória*, 19, atendente em um McDonald’s próximo ao Parque Ibirapuera. 

É o primeiro emprego. Pelo trabalho de 160 horas mensais, ela firmou um contrato com a Arcos Dorados que prevê o pagamento de R$ 800. No final do mês, após os descontos, sobram de R$ 650 a 700.

No intervalo do trabalho, do lado de fora do restaurante, os colegas de Vitória confirmam remuneração parecida, entre R$ 600 e 700, algo repetido por funcionários de outras unidades da rede. 

Procurada, a Arcos Dorados afirmou que respeita e cumpre a legislação trabalhista e Convenções Coletivas de Trabalho, honrando com todas as cargas tributárias de sua folha de pagamento.

As jornadas

Camila*, 18 anos, está treinando para ser “líder” no Ragazzo. Ela diz que roda várias unidades da sua região cobrindo faltas de outros funcionários. A jornada de trabalho vai das 8h às 22h. 

“Na carteira são R$ 900, mas chego a tirar 1.600 com as horas extras”, conta ela, que diz ter sido contratada como funcionária de meio período. “É um trabalho muito bom”. 

Outras duas funcionárias da rede ouvidas pela reportagem confirmaram já ter praticado jornadas igualmente longas. No dia da entrevista, uma delas ficaria de plantão por 13 horas para cobrir a falta de um colega. 

O Artigo 59 da CLT define que os empregados não poderão realizar mais de duas horas extras de trabalho por dia, ao passo que a Convenção Coletiva da categoria traz regra semelhante, vetando jornadas diárias maiores do que dez horas. 

“Elas teriam direito a uma indenização por danos morais pelo caráter exaustivo da jornada”, comenta Melman. “Essa pessoa fica 14 horas no trabalho, mais uma ou duas horas no transporte coletivo para chegar em casa, e acaba perdendo todo o convívio social e familiar.”

Em um contrato de trabalho obtido pela reportagem, os trabalhadores do McDonald’s se comprometem a nunca recusar a realização de horas extras.

Sindicato

A última convenção coletiva assinada entre o Sindifast, entidade que representa os empregados de redes de fast food na cidade de São Paulo, e o sindicato patronal, o Sindresbar, em dezembro de 2021, traz uma série de vantagens às empresas do ramo. 

O contrato permite que as empresas paguem 75% do piso salarial da categoria, cortem pela metade a duração dos horários de descanso, o valor do adicional noturno e as horas extras – desde que forneçam ajuda-alimentação de 130 reais aos seus funcionários. 

A convenção traz ainda duas cláusulas irregulares. Uma primeira estipula que os trabalhadores só poderão cancelar a contribuição sindical em até dez dias após o início da vigência da norma – o que vai de encontro ao Artigo 611-B, da CLT, que determina que o trabalhador deve dar consentimento prévio à dedução do valor. 

Já a segunda entende que não é fraudulenta a demissão e a recontratação de funcionários, por salário menor, em menos de 90 dias, ferindo o Artigo 468, que veda a diminuição salarial. 

“É uma cláusula abusiva”, opina o advogado Fábio Melmam. “Você está se utilizando da norma coletiva para praticar um ato inconstitucional, que é a redução do salário.”  

Em 2008, a revista Época publicou uma longa reportagem mostrando o aumento do patrimônio do fundador do Sindifast, entidade que representa a categoria na capital paulista. 

O sindicalista Ataíde Francisco de Morais teria amealhado imóveis de luxo e até uma pousada avaliada, na época, em R$ 1,5 milhão, na cidade de Fortaleza. 

Os repórteres Ricardo Mendonça e Beto Almeida mostraram ainda que Ataíde fundou uma série de outros sindicatos de representação da mesma categoria pelo Brasil, sempre colocando parentes nos cargos de presidência. 

Desde a época da publicação da matéria, o presidente do sindicato é o filho dele, Ataíde Morais Júnior, apresentado no site da entidade como funcionário licenciado do McDonald’s. 

O Sindifast foi procurado por e-mail e telefone pela reportagem, mas não respondeu aos nossos pedidos de entrevista. 

Longe de Casa

Todos os trabalhadores ouvidos pela reportagem são moradores da periferia da capital. Além do trabalho exaustivo, eles têm que encarar longas jornadas para chegar no centro expandido da cidade, onde se concentra a maior parte das unidades de redes de fast food.

Quando conversamos com Robson*, garoto de 17 anos morador de Parelheiros, ele e a colega Raíssa*, um ano mais velha, cuidavam sozinhos de uma unidade do Subway na Zona Sul. Ambos cursam o Ensino Médio. 

Robson e Raíssa dizem ter firmado um contrato de estágio diretamente com o Subway, sem mediação de terceiros, pelo qual recebem R$ 700 mensais. Eles trabalham sete horas por dia e têm direito a uma folga por semana. 

De acordo com a Lei do Estágio, os contratos de estágio podem ser feitos diretamente com o tomador do serviços, mas têm que contar com uma parte interveniente – no caso, a escola de Robson e Raíssa, que seria responsável por fiscalizar a realização do estágio. 

“Se foi feito apenas com o Subway esse contrato é nulo”, explica Fábio Melman. “Porque aí na verdade ele seria um empregado mascarado de estagiário. O contrato é para aprender, não só para trabalhar.” 

Robson e Larissa gastam cinco horas no trânsito todos os dias, entre idas e vindas do trabalho. Conciliam a posição no Subway com os estudos, feitos durante a noite. Não sobra tempo pra quase nada. 

Já Alice, a gerente do Ragazzo, é moradora da região de Embu das Artes. São três horas de transporte público diariamente, além das dez que ela passa trabalhando. 

Beatriz*, a empregada do McDonald’s que senta escondida na lixeira da cabine de sobremesas para descansar, diz que leva mais de seis horas por dia em deslocamento indo e vindo do trabalho. 

O tempo, claro, não é remunerado. E o vale-transporte não está sendo pago há dois meses por problemas burocráticos. 

* Os nomes foram trocados para preservar as fontes da matéria. Veja aqui a íntegra das respostas da Arcos Dorados e do Grupo Habib’s.



A Subway enviou no dia 4 de abril, três dias após a publicação desta reportagem, a seguinte nota:

“A Subway informa que tomou conhecimento dos relatos apontados na reportagem de O Joio e O Trigo no dia primeiro de abril de 2022. Nós gostaríamos de esclarecer que os casos denunciados não estão em acordo com as políticas e valores da companhia. A Subway acredita que cada empregado deve ser tratado com dignidade e respeito, e isso inclui um equilíbrio apropriado entre vida pessoal e profissional. Nós nos orgulhamos de promover um ambiente de trabalho seguro, acolhedor e positivo e encorajamos nossos franqueados a seguirem as melhores práticas do segmento na contratação e gerenciamento dos seus empregados.

É importante ressaltar que nenhum contrato de trabalho entre os restaurantes e os colaboradores é assinado diretamente pela Subway, mas sim pelos franqueados proprietários de cada restaurante. Além disso, nós sempre sugerimos aos nossos franqueados que as contratações sejam feitas de acordo com as leis trabalhistas e sigam todas as regras impostas pela legislação vigente, como o trabalho em escalas 6×1 e 12×36.

Se a reportagem puder nos fornecer a localização dos restaurantes mencionados no texto, nós conduziremos uma investigação interna para garantir que as melhores práticas citadas acima sejam implementadas também nos restaurantes em questão.”

 

Fonte: O Joio e o Trigo
Texto: Marcos Hermanson Pomar
Data original da publicação: 01/04/201

 

DMT: https://www.dmtemdebate.com.br/uma-folga-por-semana-proibicao-de-descansar-e-jornadas-de-ate-quatorze-horas-a-vida-dos-trabalhadores-de-fast-food-na-cidade-de-sp/

Uma folga por semana, proibição de descansar e jornadas de até quatorze horas: a vida dos trabalhadores de fast food na cidade de SP

Começa um novo capítulo para os trabalhadores do Amazon

A vitória dos trabalhadores da Amazon representa uma verdadeira história de David contra Golias: um sindicato independente acaba de nocautear uma das empresas mais poderosas do mundo.

Alex N. Press

 

Fonte: Jacobin Brasil
Tradução: Cauê Seignemartin Ameni
Data original da publicação: 04/04/2022

 

Em uma virada sem paralelo na história pós-Reagan do movimento trabalhista, acaba de acontecer: os trabalhadores dos armazéns da Amazon nos Estados Unidos conquistaram o reconhecimento de um sindicato pela primeira vez. A votação supervisionada do National Labor Relations Board (NLRB) no JFK8, um centro de atendimento em Staten Island, foi de 2.654 a favor da Amazon Labor Union (ALU) e 2.131 contra, em uma instalação com 8.325 eleitores. As sessenta e sete cédulas impugnadas e onze nulas não foram determinantes, dada a margem de vitória do sindicato.

A contagem de votos começou, incrivelmente, no mesmo dia da reeleição em Bessemer, Alabama, onde o Retail, Wholesale and Department Store Union (RWDSU) ganhou terreno significativo. Lá, a contagem é de 875 votos a favor da sindicalização e 993 votos contra, mas com 416 cédulas contestadas, o resultado é muito próximo e dependerá da adjudicação dessas cédulas pelo NLRB em algum momento nas próximas semanas.

“Cada voto deve ser contado”, disse o presidente da RWDSU, Stuart Appelbaum, em comunicado ontem. “Os trabalhadores da Amazon enfrentaram uma luta desnecessariamente longa e agressiva para sindicalizar seu local de trabalho, com a Amazon fazendo tudo o que podia para espalhar desinformação.”

É difícil não ver todos os obstáculos que os trabalhadores de Nova York e Alabama enfrentaram para chegar tão longe. Além da taxa de rotatividade desordenadamente alta da Amazon, ameaças contra a construção de uma organização no chão de fábrica, documentos do Departamento de Trabalho divulgados ontem mostram que a Amazon gastou US$ 4,3 milhões em consultores que quebram sindicatos, uma quantia surpreendente para qualquer empresa. Normalmente, até as megacorporações levam anos para acumular esse tipo de conta com os especialistas profissionais anti-sindicais. Muitos dos consultores que lideravam reuniões de audiência estavam na verdade travando uma guerra da Amazon contra a organização – e recebiam US$ 3.200 por dia.

Em Staten Island, os trabalhadores disseram que os sindicalistas eram uma presença regular no JFK8. Eles escreveram os roteiros das reuniões e moldaram as mensagens antissindicais que cobriam os banheiros e corredores do armazém, que também eram enviadas aos trabalhadores por meio de correspondências, anúncios no Instagram, telefonemas, mensagens de texto e vídeos projetados em telas dentro do instalação. A ALU, por sua vez, é clara quanto às demandas dos trabalhadores: salário mínimo de US$ 30 por hora, aumento das folgas e dias de férias remunerados, pausas remuneradas durante o dia, representação sindical em quaisquer reuniões disciplinares e maior apoio aos cuidados infantis.

Embora seja certamente mais fácil organizar um sindicato em Nova York do que no Alabama, os líderes do movimento sindical enfrentaram nada menos do que prisões, com a polícia levando o presidente da ALU, Christian Smalls, juntamente com os trabalhadores Brett Daniels e Jason Anthony, sob custódia em 23 de fevereiro deste ano, depois que a Amazon chamou a polícia por causa de uma suposta invasão. A julgar pelo resultado da votação, esses esforços saíram pela culatra, fazendo a Amazon parecer mais repressiva e hipócrita do que nunca perante os olhos dos trabalhadores.

O esforço no JFK8 também é notável por outro motivo. A ALU é independente e não filiada a nenhum sindicato existente. Smalls, o fundador do sindicato, também é único. Ele foi lançado pela primeira vez na organização trabalhista quando, nos primeiros dias da pandemia, ajudou a organizar um protesto do lado de fora do JFK8 em resposta ao que considerou medidas inadequadas de saúde e segurança tomadas pela Amazon enquanto a COVID-19 assolava a cidade. Em resposta, a empresa o demitiu e gravações vazadas revelaram que os altos escalões da Amazon haviam elaborado uma campanha de difamação contra ele, com o conselheiro geral da Amazon, David Zapolsky, descrevendo Smalls como “não inteligente ou articulado” em uma reunião com Jeff Bezos.

Essa caracterização irritou Smalls, que há muito observa a falta de funcionários negros em cargos gerenciais de baixo escalão na Amazon – ele próprio teve promoções negadas por anos – como evidência de que o racismo está embutido na empresa. Isso o levou, como ele me disse durante o verão, a tentar “fazê-los engolir essas palavras”.

Tratava-se de alguém demitido de maneira pessoal e publicamente, que transformou o ressentimento que sentia pelo que seu empregador fez com ele e o direcionou para revidar. À luz da vitória, vale a pena citar a longa explicação de Smalls sobre como ele deu sentido à sua transformação de não ativista em militante, alguém determinado a organizar o JFK8:

É engraçado porque eu digo isso o tempo todo: a Amazon me preparou para isso. Mesmo não sendo um gerente, eu estava fazendo o trabalho de um gerente nos últimos quatro anos e meio. Os princípios de liderança que eu tinha na Amazon tornaram mais fácil para a minha transição para o ativismo.

Estou usando muitos dos princípios que aprendi na Amazon contra eles. O meu favorito é “ter uma espinha dorsal e comprometer-se”. Eles odiavam o fato de eu usar isso o tempo todo. Mas é provavelmente por isso que nunca fui promovido: eu tinha uma espinha dorsal, defendi o que achava certo e estou me comprometendo a ver a mudança. Outro princípio é “ver, possuir, consertar”, que provavelmente é um dos meus princípios – eu vi os problemas, admiti e agora estou tentando corrigi-los.

Ironicamente, quando eles planejaram me difamar, eles disseram que queriam me fazer a face pública do esforço sindical – essas foram as palavras deles. Então, de certa forma, estou tentando fazê-los engolir essas palavras. Não tenho mais nada para fazer. Ainda estou desempregado – não consigo arranjar emprego em lugar nenhum. Este é o meu trabalho em tempo integral e, desta vez, estou em uma equipe diferente.

Na primavera de 2021, Smalls começou a organizar seus ex-colegas de trabalho estabelecendo uma base em um ponto de ônibus nos arredores do JFK8, onde muitos dos trabalhadores do armazém passavam a caminho das instalações. Logo, outros empregados no JFK8 se juntaram ao esforço: Derrick Palmer, por exemplo, que foi anteriormente supervisionado por Smalls no JFK8 e que trabalha na Amazon há seis anos. O grupo organizou churrascos, distribuiu literatura, espalhou sua mensagem em aplicativos de rede social como o TikTok e construiu um comitê organizador dentro das instalações.

A Amazon manteve um fluxo constante de propaganda contra o esforço, mas a ALU também continuou. Como o Labor Notes relatou, o comitê organizador de 25 pessoas rebateu a mensagem da administração, falando sobre as preocupações dos trabalhadores. Agora, eles ganharam o primeiro sindicato da Amazon nos Estados Unidos. Enquanto acontece essa celebração histórica, o sindicato enfrenta outra eleição a partir de 25 de abril no LDJ5, um centro de triagem da Amazônia em Staten Island que emprega aproximadamente 1.500 trabalhadores.

A abordagem da ALU vai contra muito do que passa no senso comum dentro do movimento trabalhista. A ALU tinha poucos funcionários pagos, eles se candidataram a uma eleição com muito menos cartões sindicais do que o recomendado no mundo do trabalho, tinham um advogado contra o exército de especialistas jurídicos da Amazon e não tinham experiência em negociar um contrato. No entanto, a ALU insistiu que isso era uma vantagem, dado o método testado e comprovado dos empregadores do que é chamado de “terceiro partido” de um sindicato, que é quando o chefe pinta um sindicato como uma entidade externa, em vez de apenas composta pelos próprios trabalhadores. Embora isso seja propaganda para livros didáticos e os trabalhadores rotineiramente a contestem, observando que os sindicatos são dirigidos por aqueles que estão no chão de fábrica – explicando que não importa quais falhas os sindicatos existentes possam ter, cabe aos trabalhadores votar nos contratos ou rejeitá-los, eleger comitês de negociação e delegados sindicais — o caráter independente da ALU permitiu que os trabalhadores do JFK8 evitassem inteiramente o argumento do chefe.

Imagens do primeiro dia da contagem de votos do NLRB, no Brooklyn, ressaltaram o caráter de Davi e Golias na luta entre o sindicato independente e uma das empresas mais poderosas do mundo. Em uma foto, tirada por Lauren Kaori Gurley, da Vice, que cobriu a luta da ALU desde o início, os líderes da ALU ficam do lado de fora do prédio do NLRB, abraçados. Em outra, Smalls está sozinho, falando sobre os advogados da Amazon na sala de contagem de votos: “Adoro vê-los se contorcendo. Eles estão bebendo água feito loucos.”

Com esta vitória histórica vem o próximo desafio para a ALU: conquistar o primeiro contrato. Em um comunicado divulgado pela Amazon, a empresa diz que está “decepcionada com o resultado da eleição em Staten Island porque acreditamos que ter um relacionamento direto com a empresa é melhor para nossos funcionários”. “Estamos avaliando nossas opções, incluindo a apresentação de objeções com base na influência inadequada e indevida do NLRB que nós e outros (incluindo a Federação Nacional de Varejo e a Câmara de Comércio dos EUA) testemunhamos nesta eleição”, conclui o comunicado.

Nos Estados Unidos, os empregadores travando a mesa de negociação é a regra – alguns estudos mostram que menos da metade das unidades de negociação alcançam um primeiro contrato dentro de um ano após a sindicalização. A Amazon é a vanguarda do anti-sindicalismo e da ditadura patronal e, portanto, a probabilidade de se envolver nesta resistência é alta. É por isso que travou uma guerra contra esses incipientes esforços sindicais: a Amazon sabe tão bem quanto os trabalhadores que, uma vez que os funcionários de um local se organizam, abre um precedente e inspira os trabalhadores de outros lugares. Afinal, basta olhar para o que está acontecendo no Starbucks.

O movimento sindical mais amplo precisará recalibrar suas suposições sobre a organização da Amazon, dada a vitória da ALU, além de oferecer solidariedade aos trabalhadores à medida que avançam na luta por um primeiro contrato. A distância e as tensões entre a ALU e outros sindicatos são reais e não desaparecerão da noite para o dia. Mas será necessária a total cooperação do movimento trabalhista para espalhar a vitória da ALU para as centenas de instalações da Amazon nos EUA – e no mundo. A empresa emprega mais de um milhão de pessoas em todo o país – isso sem contar os motoristas e outros trabalhadores empregados indiretamente por meio de terceiros – e esse número só está aumentando à medida que a Amazon, atualmente o segundo maior empregador privado do país, envolve uma crescente parte da economia.

A Amazon é um império, com operações extensas que exercem influência sobre os trabalhadores de inúmeras indústrias. Ela tem muitos braços: Whole Foods, onde a Amazon monitora agressivamente a potencial organização e onde há esforços iniciais de sindicalização; Amazon Fresh, onde os trabalhadores em Seattle já começaram a se organizar; as legiões de trabalhadores de colarinho branco da Amazon, alguns dos quais foram demitidos por sua organização e que têm uma série de problemas no local de trabalho, mesmo que suas condições estejam a um mundo de distância das do JFK8; a força de trabalho que faz entrega, cujo salário é muito inferior ao de seus colegas sindicalizados na UPS e cuja própria existência mina os padrões desse setor.

Esses esforços de organização nos armazéns da Amazon são importantes para todos nós, sobretudo por existir dentro de um sistema de vigilância e controle em expansão iniciado pela Amazon. A vitória no JFK8 está a apenas um pé na porta. Mas quase todo mundo disse que os trabalhadores não conseguiriam chegar tão longe, que essas campanhas não dariam em nada, que a Amazon era grande demais para ser enfrentada até que o movimento trabalhista estivesse muito, muito mais forte. Essas considerações não eram infundadas, mas também não eram totalmente corretas. Enquanto a Amazon existir, ela deve ser organizada. Não há como contornar isso, e há trabalhadores assumindo essa tarefa. Agora é a hora de aprender com eles. É crucial para luta de classe que eles tenham sucesso.

 

Alex N. Press é redatora da equipe da Jacobin. Seus textos são publicados no Washington Post, Vox, the Nation, n + 1, entre outros lugares..

 

DMT: https://www.dmtemdebate.com.br/comeca-um-novo-capitulo-para-os-trabalhadores-do-amazon/

Uma folga por semana, proibição de descansar e jornadas de até quatorze horas: a vida dos trabalhadores de fast food na cidade de SP

Câmara analisa MP que traz aumento extraordinário para o Auxílio Brasil

CONGRESSO EM FOCO

 

A Câmara dos Deputados traz na pauta de votações desta terça-feira (5) a Medida Provisória 1076/21 que prevê o benefício extraordinário que aumenta o valor do programa Auxílio Brasil. Hoje o programa oferece em torno de R$ 224 pouco mais da metade dos R$ 400 planejados pelo governo federal até o final de 2022. Esta MP havia sido editada em dezembro do ano passado, mas dependia da aprovação da PEC dos Precatórios.

De acordo com esta MP, o repasse de R$ 400 reais a famílias de baixa renda seria autorizado de janeiro a dezembro de 2022, sem caráter continuado.

Às vésperas das eleições presidenciais, que ocorrem em outubro deste ano, o presidente Jair Bolsonaro vê como estratégico este reajuste, que deve ser usado como um dos motores de sua campanha eleitoral. O Auxílio Brasil corresponde ao programa surgido do antigo Bolsa Família, que marcou as gestões do PT.

Ainda de acordo com a MP, oi benefício extraordinário terá como base de cálculo a soma dos benefícios financeiros do Auxílio Brasil para famílias em situação de pobreza ou de extrema pobreza, como por exemplo o auxílio gás.

Números oficiais dão conta de que em 2021 o repasse para este programa foi de R$ 2,6 bilhões. Já cálculos apresentados no ano passado, à época da análise da PEC dos Precatórios, davam conta de que para 2022, caso aprovada a MP, seriam repassados em doze meses aproximadamente R$ 32 bilhões.

 

Pobreza

Em pesquisa divulgada em março deste ano o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) alertou para o risco de aumento da situação de pobreza entre crianças e adolescentes caso não haja políticas públicas permanentes.

Entre os pontos analisados está o impacto do Auxílio Emergencial nos primeiros meses de 2022 – época em que o valor do repasse variou entre R$ 600 a R$ 1200. Dados da investigação do Unicef indicam uma queda 4% nos casos de situação de pobreza monetária extrema da população. Entre crianças e adolescentes essa redução da situação de vulnerabilidade chegou a 6%.

Ao longo da pandemia, com a suspensão do auxílio, porém, houve o aumento dos níveis de pobreza. Em setembro de 2020 o benefício teve redução para R$ 300.

“Estima-se que cerca de 20% dos domicílios ficaram descobertos por qualquer tipo de transferência de renda após o fim do Auxílio Emergencial, em outubro de 2021. Adiciona-se a isso o fato de que domicílios com crianças mantêm-se mais vulneráveis do que aqueles sem crianças, especialmente devido à retração do emprego”, diz o estudo.

De acordo com o Banco Mundial pobreza extrema corresponde a viver com menos de US$ 1,9 por dia – no Brasil o valor de referência é R$ 170 – e pobreza monetária com menos de US$ 5,5 – no Brasil o valor de referência é R$ 492.

 

Demais pautas da Câmara 

Também está prevista na Câmara a votação do segundo turno nesta terça a PEC 517/10, do senador Álvaro Dias (Podemos-PR), que prevê a quebra do monopólio estatal sobre a pesquisa e produção de radioisótopos para uso clínico. Tratam-se de substâncias radioativas utilizadas para localizar focos de câncer e demais tipos de tumores em pacientes. Estes são produzidos hoje pelo Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares (Ipen), em um reator nuclear em São Paulo.

Esta PEC é defendida pela base, que enxerga em seu texto uma forma de diversificar o mercado de radioisótopos, barateando o preço final. A oposição já teme que a proposta comprometa o Ipen, e torne o mercado brasileiro dependente da importação destas substâncias, aumentando seu preço no longo prazo.

Outra proposta em pauta na Câmara é a Medida Provisória 1075/21. Esta muda as regras de adesão ao Programa Universidade para Todos (Prouni), que cria bolsas de ensino para estudantes de ensino superior. O atual critério para a participação de bolsas é cursar o ensino médio total ou parcialmente em escolas públicas ou com bolsa total em escolas privadas. A medida muda para o critério salarial familiar, de 1,5 salários mínimos para bolsa total e até três salários mínimos para bolsa parcial.

 

AUTORIA

 

CONGRESSO EM FOCO

congressoemfoco@congressoemfoco.com.br
https://congressoemfoco.uol.com.br/area/congresso-nacional/camara-analisa-mp-que-traz-aumento-extraordinario-para-o-auxilio-brasil/

Uma folga por semana, proibição de descansar e jornadas de até quatorze horas: a vida dos trabalhadores de fast food na cidade de SP

Governo federal quer mais importação e menos empregos no Brasil

O Sindicato dos Metalúrgicos do ABC alerta que o governo federal, há três anos no comando do país sem apresentar nenhum tipo de política industrial para geração de empregos, pretende importar três mil ônibus elétricos da China e assim diminuir ainda mais os postos de trabalho na indústria brasileira.

Gerar empregos de qualidade não tem sido uma prática do governo Bolsonaro, pelo contrário, ao longo dessa gestão, o que os trabalhadores presenciaram foi a ampliação da destruição das leis trabalhistas, incremento do emprego sem direitos, da informalidade, da precariedade e do desemprego.

Além de não investir em tecnologia e desenvolvimento e ainda cortar gastos do setor, a pretensão de zerar a taxa de importação para trazer ônibus elétricos da China prejudica ainda mais a produção nacional.

Impacto nos empregos

Em assembleia recente na Mercedes, o presidente do Sindicato, Moisés Selerges, criticou a medida. “São ônibus que poderíamos produzir aqui, mas não vamos produzir porque o governo quer importar e gerar empregos lá na China. Temos que acompanhar com muita atenção essa conjuntura para podermos fazer a luta”.

“Importar três mil ônibus elétricos da China impacta diretamente no nosso setor de ônibus no Brasil que tem em torno de 80 mil trabalhadores ligados diretamente à produção. Com isso, o governo dá mais uma demonstração de que não está preocupado com os empregos nas indústrias e nem com a política industrial brasileira”, completou.

Ultraliberal

O diretor executivo dos Metalúrgicos do ABC, presidente da IndustriALL-Brasil e da Agência de Desenvolvimento Econômico do Grande ABC, Aroaldo Oliveira da Silva, lembrou que essas medidas não diminuem os preços, só geram desemprego.

“Desde que ele assumiu, abriu o mercado de forma geral nessa lógica ultraliberal. Liberou a importação de equipamentos de energia solar, de bicicleta, etanol, café e até manteiga, entre outros. Essa política de abrir mercados sem organizar primeiro as cadeias produtivas nacionais, gera desemprego e principalmente faz o país perder empregos de maior qualidade e renda”.

Desestímulo à produção nacional

Aroaldo reforçou que o Brasil tem possibilidade de produzir ônibus elétricos, mas que a medida pode prejudicar esse mercado. “O Brasil tem condições e capacidade de produzir ônibus elétricos, mas a demanda de importação vai retardar esse movimento. Aliás, não apenas de ônibus como caminhões também. O governo permitindo a entrada desses ônibus, como permitiu todos os outros produtos, desestimula a produção nacional, o investimento em pesquisa, desenvolvimento e tecnologia causando o colapso que estamos”.

“O governo tem a tarefa de estimular a indústria nacional, não só com incentivos, mas dando todo o suporte necessário com os instrumentos disponíveis, como o BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social), que ele desmontou, a própria ABDI (Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial) e a Embrapii (Empresa Brasileira de Pesquisa e Inovação Industrial)”.

O diretor executivo ressaltou ainda que metade do investimento em pesquisa e desenvolvimento no Brasil vem do setor privado, que a indústria representa mais de 60% desse investimento e lembrou os cortes na área.

Corte de verba

Em outubro do ano passado, o governo Bolsonaro mandou cortar 87% das verbas para ciência e tecnologia. O Ministério da Economia diminuiu de R$ 690 milhões para R$ 89 milhões os recursos para o setor.

Fonte: Rádio Peão, com Sindicato dos Metalúrgicos do ABC
Data original da publicação: 30/03/2022

 

DMT: https://www.dmtemdebate.com.br/governo-federal-quer-mais-importacao-e-menos-empregos-no-brasil/

Uma folga por semana, proibição de descansar e jornadas de até quatorze horas: a vida dos trabalhadores de fast food na cidade de SP

PT será o maior partido da câmara no ano que vem, apostam parlamentares

Concluída a janela partidária, o PL, partido do presidente Jair Bolsonaro sai por larga margem como o maior partido da Câmara. Sem dúvida, é um grande indicativo da força que Bolsonaro tem hoje no Congresso, graças à base formada pelos partidos do Centrão.

Isso não significa, porém, que os parlamentares a essa altura apostem na vitória de Bolsonaro nas eleições de outubro. Nem que os partidos do Centrão terão exatamente a mesma força no ano que vem. Talvez não signifique sequer que esses deputados e senadores estejam de fato agora totalmente empenhados em emprestar o seu prestígio político para fazer com que Bolsonaro venha a se sair vitorioso nas urnas em outubro.

Pragmáticos, os parlamentares, quando olham o desempenho dos candidatos na corrida eleitoral, projetam um cenário diverso do atual para a conformação do Congresso no ano que vem, após o fechamento das urnas em outubro.

É o que mostra a rodada de março do Painel do Poder, pesquisa trimestral que o Congresso em Foco Análise realiza com 70 dos principais líderes da Câmara e do Senado. Entre outras questões abordadas na rodada de março dessa pesquisa, os parlamentares foram instados a projetar que partidos deverão ter as maiores bancadas a partir de fevereiro do ano que vem.

 

A maioria dos deputados e senadores ouvidos aposta que o maior partido na Câmara em 2023 será o PT, de Luiz Inácio Lula da Silva. Cada parlamentar podia citar três partidos. O PT foi mencionado por 52 parlamentares. Em termos de menções, o PL, de Bolsonaro, fico em segundo, com 39 menções. Em terceiro lugar, o União Brasil, partido resultado da fusão entre o DEM e o PSL, com 36. O PP, do presidente da Câmara, Arthur Lira (AL), teve 20 menções. O PSD, do presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (MG), também 20. O MDB, que tem como candidata à Presidência a senadora Simone Tebet (MG), 18. O Republicanos, 3. Embora já não mais exista como partido, o PSL teve também 3. O PDT, 2.

Veja abaixo a tabela completa com as menções:

 

Considerando-se somente as menções em primeiro lugar, também é o PT que aparece em primeiro, com 25 menções. O União Brasil em segundo, com 21. E o PL somente em terceiro, com 10.

Veja abaixo a tabela:

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Moro diz não ter desistido da Presidência e nega candidatura à Câmara

Um dia após ter dito que abriu mão da pré-candidatura à Presidência da República, o ex-juiz Sergio Moro, nesta sexta-feira (1/4), mudou o discurso. Ele anunciou que não desistiu “de nada” e que não será candidato a deputado federal pelo seu novo partido, União Brasil.

Sergio Moro trocou o Podemos pelo
União Brasil nesta quinta-feiraPablo Valadares/Câmara dos Deputados

“Preciso esclarecer a todos que eu não desisti de nada. Muito
menos de meu sonho de mudar o Brasil. Pelo contrário. Sigo firme na construção de um projeto para o país”, disse ele, em pronunciamento à imprensa.

Moro saiu do Podemos, pelo qual era pré-candidato a presidente, para se filiar ao União Brasil nesta quinta-feira (31/3). Uma das condições para a mudança era justamente não concorrer ao cargo de presidente. O secretário-executivo do partido em São Paulo, Alexandre Leite, informou que ele seria candidato a deputado, mas o ex-chefe informal da falecida “lava jato” desmentiu o dirigente.

“Não tenho ambição por cargos. Se tivesse, teria permanecido juiz federal ou ministro da Justiça. Não tenho necessidade de foro ou outros privilégios que sempre repudiei e defendo a extinção. Aliás, não serei candidato a deputado federal”, afirmou.

Em seu discurso, Moro ainda defendeu uma terceira via, no intuito de derrotar o presidente Jair Bolsonaro (PSL) e o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no pleito marcado para outubro. Para isso, pediu uma articulação democrática com outros políticos cotados à disputa presidencial — João Doria (PSDB), Eduardo Leite (PSDB), Simone Tebet (MDB), Luiz Felipe d’Avila (Novo) e André Janones (Avante) — e demais lideranças partidárias.

“Filiei-me ao União Brasil com a intenção de auxiliar a unificação do centro democrático, exigência para derrotar o populismo e o radicalismo que ameaçam a nação”.