por NCSTPR | 06/05/26 | Ultimas Notícias
O avanço da inadimplência no Brasil tem atingido com mais intensidade grupos já vulnerabilizados, entre eles, as mulheres. Dados da Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) e do SPC Brasil mostram que elas representam 51,4% das pessoas com dívidas em atraso, enquanto os homens somam 48,6%.
A diferença, no entanto, não se explica apenas pela distribuição por gênero. Segundo levantamento das mesmas instituições, a inadimplência já atinge cerca de 44,42% da população adulta no país.
Quando esses dados são cruzados com indicadores de renda e trabalho, o quadro se torna mais nítido. Informações do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) mostram que as mulheres recebem, em média, 20,9% a menos que os homens e permanecem mais expostas à informalidade e à instabilidade ocupacional.
A desigualdade aparece também na divisão do tempo: mulheres dedicam, em média, 21,4 horas semanais às tarefas domésticas, quase o dobro do tempo dos homens, que somam cerca de 11 horas. Essa sobrecarga reduz sua disponibilidade para o trabalho remunerado e impacta diretamente sua renda.
Da dívida ao empobrecimento
Nesse cenário, o endividamento não é apenas consequência da desigualdade, ele passa a integrá-la. Ao comprometer a renda presente, limita também a capacidade de planejamento, poupança e proteção futura.
Segundo a Oxfam Brasil, as mulheres são maioria entre as pessoas em situação de pobreza no mundo, em um contexto em que a desigualdade salarial persiste em praticamente todas as economias. No Brasil, esse quadro ganha contornos mais agudos quando combinado a trajetórias de trabalho marcadas por instabilidade e menor remuneração.
Desigualdade que se acumula ao longo da vida
Os efeitos dessa dinâmica não se restringem ao momento do endividamento. Eles se acumulam ao longo do tempo e se refletem nas condições de vida na maturidade. Dados do Ipea indicam que as mulheres chegam à velhice com menor proteção social e rendimentos inferiores aos dos homens, resultado direto de trajetórias laborais mais precárias.
Esse percurso evidencia que a desigualdade não é episódica; ela se prolonga e se reorganiza ao longo das diferentes fases da vida.
Autonomia limitada, desigualdade ampliada
A restrição de renda produz efeitos que vão além da esfera econômica. A dificuldade de garantir autonomia financeira reduz a capacidade de decisão e amplia a vulnerabilidade em diferentes dimensões da vida social.
Em um cenário de renda instável e crédito caro, o endividamento passa a operar como fator adicional de restrição, estreitando ainda mais as possibilidades de mobilidade econômica.
Diante desse quadro, a concentração da inadimplência entre mulheres não pode ser explicada por escolhas individuais. Ela expressa uma estrutura que distribui de forma desigual oportunidades, renda e acesso a recursos, mantendo as mulheres mais expostas ao endividamento e às suas consequências.
VERMELHO
https://vermelho.org.br/2026/05/05/divida-e-desigualdade-empurram-mulheres-para-a-pobreza/
por NCSTPR | 06/05/26 | Ultimas Notícias
A campanha nacional Abril Verde, voltada à conscientização sobre saúde e segurança no trabalho, mobilizou cerca de 220 trabalhadores da construção civil em Londrina. Colaboradores de seis obras da Vectra, na Nova Prochet, participaram de palestras realizadas em parceria com o Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias da Construção e do Mobiliário de Londrina (Sintracom Londrina), nos dias 7 e 9 de abril, com foco na prevenção de acidentes e na promoção de um ambiente de trabalho mais seguro.
As palestras, com o tema “Importância da conscientização sobre riscos psicossociais”, foram conduzidas pelo técnico de segurança do trabalho do Sintracom Londrina, Marcos José Fontes. Os encontros reuniram equipes dos empreendimentos Wynn, Oro, Lótus, Gaia, Zahra e Hera, todos em construção na Nova Prochet.
Durante as atividades, foram abordadas as principais causas de acidentes na construção civil, como quedas de altura, choques elétricos e soterramentos, riscos considerados críticos para o setor. Também entrou em pauta o assédio moral e sexual no ambiente de trabalho, incluído nas discussões de segurança previstas na Norma Regulamentadora nº 5 (NR-5).
Segundo o supervisor de Serviços Especializados em Segurança e em Medicina do Trabalho (SESMT) da Vectra, Giulliano Francisquete Dias, a iniciativa faz parte de um conjunto de ações preventivas intensificadas ao longo do mês. “O Abril Verde é uma oportunidade de reforçar a importância da prevenção. Ao orientar e informar os colaboradores, conseguimos melhorar a saúde e o bem-estar, aumentar a produtividade e fortalecer um ambiente de trabalho mais seguro e respeitoso”, afirma.
Dias destaca que ações de conscientização ajudam a reduzir riscos, já que o comportamento dos trabalhadores influencia diretamente na segurança das atividades. Na avaliação dele, a parceria com o Sintracom Londrina amplia o alcance das ações, aumenta o engajamento dos trabalhadores e reforça que a segurança é uma responsabilidade compartilhada.
As palestras também dialogam com a atualização da Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1), que entra em vigor em maio deste ano e amplia a necessidade de identificação e gestão de riscos psicossociais dentro do Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR).
Principais riscos e prevenção
De acordo com o presidente do Sintracom Londrina, Denilson Pestana da Costa, os acidentes na construção civil continuam recorrentes devido a uma combinação de fatores técnicos e organizacionais, como falhas no planejamento, análise de risco insuficiente, supervisão inadequada e pressão por produtividade. Também há questões como treinamento deficiente e uma cultura de segurança ainda frágil em alguns ambientes, além do descumprimento de normas regulamentadoras importantes.
Para evitar acidentes graves ou fatais, Pestana ressalta a importância de atitudes simples no cotidiano. “É fundamental usar corretamente os equipamentos de proteção, seguir os procedimentos, garantir capacitação adequada e nunca improvisar, especialmente em atividades com eletricidade. Sempre que possível, é preciso desenergizar os sistemas e respeitar as normas”, orienta. No caso de riscos como soterramento, ele destaca a necessidade de respeitar sinalizações e limites de segurança, além de manter áreas devidamente demarcadas.
Além dos riscos físicos, o sindicato também enfatizou a importância de discutir o assédio moral e sexual como fatores que impactam diretamente a segurança no trabalho. “Esses comportamentos afetam a saúde mental, o foco e o desempenho do trabalhador. Em um ambiente de obra, isso pode resultar em erros operacionais e aumento de acidentes. Quando tratamos esse tema, fortalecemos o respeito, a confiança e a comunicação entre as equipes”, observa Pestana.
Segundo ele, uma cultura de segurança sólida é determinante para a prevenção de acidentes. “Quando essa cultura está presente, há mais cumprimento de procedimentos, uso correto de equipamentos e responsabilidade compartilhada. A prevenção deixa de ser uma obrigação e passa a fazer parte da rotina”, esclarece.
Ao final das palestras, o principal recado deixado aos trabalhadores foi direto: “Se algo te coloca em risco, pare. Se alguém te desrespeita, fale. Cuidar da segurança também é cuidar de você por inteiro.”
por NCSTPR | 05/05/26 | Ultimas Notícias
Boletim Focus eleva expectativa para o IPCA de 2026 e vê continuidade das pressões sobre combustíveis e alimentos.
A projeção do mercado financeiro para a inflação oficial do país voltou a subir. Segundo o Boletim Focus divulgado nesta segunda-feira (4) pelo Banco Central, a estimativa para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) passou de 4,86% para 4,89% em 2026. Esta é a oitava alta consecutiva nas previsões do mercado.
O índice segue acima do teto da meta de inflação definida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), fixada em 3%, com margem de tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo.
A revisão ocorre em meio às pressões provocadas pelo conflito no Oriente Médio, que impacta principalmente os preços dos combustíveis, além da alta nos custos de alimentos e transportes. Em março, o IPCA ficou em 0,88%, acima dos 0,7% registrados em fevereiro. No acumulado de 12 meses, a inflação alcançou 4,14%, segundo o IBGE.
Para 2027, a projeção do mercado permaneceu em 4%. Já para 2028 e 2029, as estimativas são de 3,64% e 3,5%, respectivamente.
Selic
A taxa básica de juros, a Selic, atualmente está em 14,5% ao ano. Na última reunião, o Comitê de Política Monetária (Copom) reduziu os juros em 0,25 ponto percentual, marcando o segundo corte consecutivo após meses de estabilidade em patamar elevado.
Entre junho de 2025 e março deste ano, a Selic permaneceu em 15% ao ano, o maior nível em quase 20 anos. Segundo o Banco Central, o cenário internacional, especialmente as tensões no Oriente Médio, segue no radar da autoridade monetária devido aos possíveis impactos sobre a inflação.
A próxima reunião do Copom está marcada para os dias 16 e 17 de junho. O mercado projeta Selic de 13% ao ano ao fim de 2026, com novas reduções previstas para os anos seguintes.
PIB
O Boletim Focus também manteve em 1,85% a previsão de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro neste ano.
Para 2027, a expectativa caiu de 1,8% para 1,75%. Já para 2028 e 2029, a projeção é de crescimento de 2%.
Cotação
A estimativa para o dólar no fim deste ano permaneceu em R$ 5,25. Para 2027, a previsão é de que a moeda norte-americana encerre o período cotada a R$ 5,30.
CONGRESSO EM FOCO
https://www.congressoemfoco.com.br/noticia/118565/mercado-aponta-nova-alta-da-inflacao-e-mantem-previsao-do-pib-em-1-85
por NCSTPR | 05/05/26 | Ultimas Notícias
As mobilizações pelo fim da escala 6×1 estão cada vez mais fortes. No 1º de maio, Dia do Trabalhador e da Trabalhadora, os atos pelo Brasil elencaram como principal tema o pedido de mudança na escala sem redução de salários. O governo Lula já havia incorporado para si essa luta ao enviar para o Congresso Nacional um projeto de lei para a redução da jornada de trabalho de 44 para 40 horas semanais com a garantia de dois dias de descanso remunerado e proibindo qualquer redução salarial. A iniciativa visa estabelecer uma escala 5×2 e colocar fim à tão exploratória escala 6×1, que tanto rouba a vida dos trabalhadores.
Para dar ênfase à luta, o governo lançou no domingo (3) uma campanha nacional de comunicação sobre o tema. As inserções serão veiculadas em canais de mídia digital, televisão, rádio, jornais, cinema e na imprensa internacional. O slogan da campanha é: “Mais tempo para viver. Sem perder salário. Porque tempo não é um benefício. É um direito.”
De acordo com a Secretaria de Comunicação Social (Secom), a proposta visa conscientizar empregados e empregadores sobre a importância do maior convívio com a família e do convívio social, ao mesmo tempo em que se acompanham as transformações do mundo. Do ponto de vista econômico, também há benefícios aos empresários, a partir de ganhos de produtividade e menor rotatividade de funcionários.
Impacto
A iniciativa, caso seja aprovada, deverá impactar cerca de 37,2 milhões de pessoas que hoje estão na jornada de 44 horas semanais, com base em um universo de 50,2 milhões trabalhadores celetistas, de acordo com o Ministério do Trabalho e Emprego (MTE).
Desse montante, 14,8 milhões fazem escala 6×1 e 1,4 milhão de domésticas faz escala 6×1. Ou seja, pela diminuição da carga horária para até 8 horas diárias em cinco dias da semana, grande parte dos celetistas brasileiros será beneficiada, ao menos por uma das mudanças (redução da jornada e nova escala). O texto do governo indica que os trabalhadores terão direito a dois repousos semanais remunerados de vinte e quatro horas consecutivas cada, com preferência aos sábados e domingos. No entanto, existe a ponderação de que os dias de repouso poderão ser definidos em negociação coletiva devido às peculiaridades de cada atividade (como comércio, saúde e transportes).
VERMELHO
https://vermelho.org.br/2026/05/04/governo-lula-lanca-campanha-pelo-fim-da-escala-6×1/
por NCSTPR | 05/05/26 | Ultimas Notícias
A Sétima Turma do Tribunal Superior do Trabalho condenou três associações empresariais de Santa Catarina a pagar R$ 600 mil de indenização por dano moral coletivo por assédio eleitoral. Em reunião realizada às vésperas do segundo turno das eleições de 2022, os dirigentes das entidades instigaram seus associados a propagar discursos de medo em suas empresas, a fim de influenciar o voto de seus empregados.
“Brasil vai virar uma Venezuela”
A ação civil pública foi apresentada contra a Associação Empresarial e a Câmara de Dirigentes Lojistas de Caçador e a Associação das Micro e Pequenas Empresas do Alto Vale do Contestado. Nela, o Ministério Público do Trabalho (MPT) relata que as entidades organizaram uma reunião aberta em outubro de 2022 que contou com a participação de seus dirigentes, de vereadores e do comandante da Polícia Militar local, além de empresários e políticos da cidade. O objetivo era estimular os empresários a influenciar seus empregados para que votassem no candidato à reeleição para a Presidência da República.
Segundo o MPT, nos discursos foram ditas frases como a de que o Brasil iria “virar uma Venezuela” e de que “os empregos iriam acabar”. A estratégia seria, num primeiro momento, vender a ideia de um cenário “de fome e anarquia” caso o candidato da oposição ganhasse. O passo seguinte seria usar esse temor para atribuir aos trabalhadores a responsabilidade pelo cenário caótico, que poderia ser evitado “desde que o colaborador seguisse a orientação política empresarial”.
Em defesa, os empresários não negaram a realização da reunião nem o teor dos discursos, mas alegaram que exerciam o direito de expressão e de reunião. Segundo as entidades, o evento foi aberto ao público e fora do ambiente de trabalho, onde foram expostas opiniões pessoais de cunho político.
A Vara do Trabalho de Caçador (SC) rejeitou o pedido do MPT por entender que a conduta dos empresários não caracterizava assédio eleitoral ou abuso de poder com o objetivo de intimidar, coagir ou influenciar o voto dos trabalhadores. O Tribunal Regional do Trabalho da 12ª Região (SC) manteve a sentença. Para o TRT, o discurso dos representantes, sem menção a ameaças, retaliações ou constrangimentos aos trabalhadores, está inserido no direito à liberdade de expressão.
O MPT então recorreu ao TST.
“Cada um de nós tem de fazer nosso trabalhozinho”
O ministro Cláudio Brandão, relator do recurso, citou trechos da decisão do TRT em que este registrou que a gravação integral da reunião, juntada pelas próprias empresas, “deixa claro o discurso alarmista dos interlocutores com intuito de discutir medidas a serem adotadas a fim de garantir uma votação favorável a determinado candidato à Presidência, bem como a predileção e opinião política dos seus representantes”.
Nas falas dos interlocutores, “são apontadas como possíveis medidas a fiscalização das sessões eleitorais com o intuito de evitar ‘fraudes nas eleições’ e conscientização das pessoas a fim de votarem, diante do alto número de abstenção, por exemplo”. Um dos presidentes disse que “cada um de nós tem que fazer o nosso trabalhozinho nas nossas empresas, nas nossas casas, nos nossos colégios, ai vai dar certo’”. Outro dirigente, reforçando esse discurso, disse que todo empresário deveria pedir o voto para seus colaboradores, porque, “para onde os empresários pendem, pende o resultado da eleição”.
Prática se enquadra como assédio eleitoral
Na avaliação do relator, com base nesses registros, a conduta das associações foi “abusiva, intencional e ilegal”, com a finalidade de “manipular, orientar ou direcionar o voto dos seus empregados e causar nítido constrangimento”. Segundo ele, esse tipo de prática viola a liberdade política dos trabalhadores e se enquadra no conceito de assédio eleitoral previsto no Acordo de Cooperação Técnica 13/2023 celebrado entre o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e o MPT, sendo uma forma ilegítima de interferência nas convicções individuais.
O ministro lembrou ainda que a Resolução 23.735/2024 do TSE considera o uso da estrutura empresarial para influenciar o voto como ato ilícito trabalhista e abuso do poder econômico. Além disso, o TRT também registrou que os estatutos das associações vedam sua utilização para finalidades político-partidárias.
“Para caracterizar assédio eleitoral, basta a prática de atos de pressão exercidos pelo empregador ou outros, no local do trabalho ou não”, afirmou o Brandão. “O poder diretivo não pode atingir a esfera das liberdades individuais.”
Em relação ao dano coletivo, o ministro entende que houve violação a direitos fundamentais, como a dignidade da pessoa humana, a liberdade de expressão e o pluralismo político, e esse dano deve ser reparado. Para ele, o assédio eleitoral afeta não apenas os trabalhadores diretamente envolvidos, mas provoca “provoca desequilíbrio na disputa livre e deve ser reprimido com rigor, pois, no fundo, está em jogo a própria existência do Estado Democrático de Direito”.
Dirigentes também foram condenados
De acordo com a decisão, a indenização de R$ 600 mil será dividida em R$ 100 mil para cada associação e para cada um de seus presidentes. O valor será revertido em proveito de órgão público ou de entidade de assistência social, saúde, educação ou profissionalização, sem fins lucrativos e de reconhecido valor e atuação social, a ser indicado pelo MPT.
Cláudio Brandão assinalou que a condenação também tem caráter pedagógico e que esse tipo de conduta “não pode ser opção, tampouco merece ser tolerada pelo Poder Judiciário”.
O TST tem oito Turmas, que julgam principalmente recursos de revista, agravos de instrumento e agravos contra decisões individuais de relatores. Das decisões das Turmas, pode caber recurso à Subseção I Especializada em Dissídios Individuais (SDI-1). Acompanhe o andamento do processo neste link:
Processo: RR-809-24.2022.5.12.0013
TST JUS
https://www.tst.jus.br/en/-/associacoes-empresariais-sao-condenadas-por-estimular-assedio-eleitoral
por NCSTPR | 05/05/26 | Ultimas Notícias
O aumento do número de registros de acidentes de trabalho no Brasil, que, em 2025, atingiu o maior nível da série histórica, reforça os argumentos dos especialistas de que as empresas precisam investir mais em prevenção, enquanto o poder público precisa reforçar os instrumentos de fiscalização.
O Brasil registrou, no ano passado, 806 mil ocorrências e 3.644 mortes relacionadas à atividade laboral, segundo estudo técnico divulgado pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE). Em relação a 2020, período de retração das atividades por causa da pandemia de covid-19, o número de acidentes cresceu 65,8%; enquanto os óbitos aumentaram 60,8%.
Para a advogada Fernanda Garcez, especialista e mestre em direito trabalhista, o cenário reforça a necessidade de ampliar medidas preventivas dentro das empresas. “O ponto mais relevante é chamar a atenção das empresas para a necessidade dos procedimentos preventivos para evitar a ocorrência de acidentes de trabalho”, afirma. Segundo ela, o Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR), previsto nas normas regulamentadoras do Ministério do Trabalho, é uma das principais ferramentas para identificar, avaliar e controlar riscos ocupacionais.
Garcez destaca que a aplicação do programa exige análise detalhada das condições de trabalho. “Em uma indústria, por exemplo, é necessário avaliar as máquinas e se debruçar sobre esse plano de gerenciamento de riscos para entender as medidas que efetivamente precisam ser implementadas para a redução desses índices”, diz.
A especialista também aponta mudanças regulatórias em andamento, com ampliação do escopo de avaliação. “A própria NR-1 está sofrendo modificações em que o PGR vai exigir a avaliação dos riscos psicossociais”, afirma.
Na avaliação do professor de direito do trabalho da FGV Direito Rio Paulo Renato Fernandes da Silva, o volume de acidentes registrado no país está associado a fatores estruturais relacionados à prevenção e ao cumprimento da legislação. “Nós somos um dos campeões mundiais de acidentes de trabalho. Isso decorre da falta de cultura jurídica, de cultura social, de prevenção, de descaso com a legislação de proteção, da falta de controles e da falta de atuação dos organismos de controle e dos sindicatos”, afirma.
Segundo ele, o crescimento recente dos casos reforça a tendência de alta observada nos últimos anos. “Antigamente, tínhamos cerca de 670 mil a 750 mil casos. Agora, já passa de 800 mil”, diz. “A legislação existe e é extensa. A responsabilidade pelo cumprimento das normas para garantir um meio ambiente de trabalho adequado, seguro e sadio é da empresa, mas, também, é dever do trabalhador observar essas normas”, complementou.
Saúde e transporte
Entre 2016 e 2025, foram contabilizados 6,4 milhões de acidentes e 27.486 mortes no país. Apesar da elevação nos números absolutos, a taxa de incidência recuou de 29,39 para 17,94 casos por 100 mil trabalhadores, resultado associado à ampliação do emprego formal, segundo o MTE. No período, os acidentes provocaram a perda de mais de 106 milhões de dias de trabalho.
O setor de saúde lidera em volume de ocorrências, com cerca de 633 mil registros na década, especialmente em ambientes hospitalares e de pronto-socorro. Entre as ocupações, técnicos de enfermagem concentram o maior número de acidentes.
Em relação à letalidade, o transporte rodoviário de cargas apresenta os índices mais elevados. A ocupação de motorista de caminhão somou 4.249 mortes no período analisado, o que corresponde a uma média superior a uma por dia.
Regionalmente, o estado de São Paulo concentra mais de um terço do total de acidentes e mortes registrados no país. As maiores taxas de letalidade, porém, são observadas em Mato Grosso, no Tocantins e no Maranhão.
Acidentes típicos seguem como maioria, com 64,6% dos casos, mas os acidentes de trajeto cresceram e já representam 19,3% do total. Registros de acidentes com mulheres também estão aumentando — crescimento de 48% ao longo da década, representando 34,2% dos registros atuais — por causa da presença feminina crescente nos setores de saúde e de serviços.
Igualdade salarial
O 5º Relatório de Transparência Salarial e de Critérios Remuneratórios, conforme determina a Lei de Igualdade Salarial, também divulgado nesta semana pelo MTE, aponta que o número de mulheres empregadas no mercado de trabalho formal cresceu 11%, passando de 7,2 milhões para 8 milhões de trabalhadoras. Apesar dessa ampliação de oportunidades, a desigualdade de renda persiste na estabilidade, as mulheres ainda recebem, em média, 21,3% menos que os homens no setor privado em empresas com 100 ou mais funcionários.
O recorte racial do estudo demonstra uma expansão ainda mais expressiva entre mulheres negras (pretas e pardas), cuja ocupação subiu 29%, agregando mais 1 milhão de trabalhadoras e totalizando 4,2 milhões. Com a maior inserção, a massa de rendimentos feminina avançou de 33,7% para 35,2%. Contudo, a Subsecretaria de Estatística e Estudos do Trabalho do MTE estima que seria necessário um incremento de R$ 95,5 bilhões nos rendimentos para que a massa salarial se equiparasse à atual proporção da presença feminina no emprego, que é de 41,4%.
“Temos dados positivos, como o aumento do número de empresas com 100 ou mais funcionários, além de outras que estão contratando mais mulheres vítimas de violência e mulheres negras”, afirmou o ministro Luiz Marinho. “A lei não é, simplesmente, olhar o salário, mas a igualdade como um todo, para que mulheres possam ocupar, também, espaços de liderança”, acrescentou.
A ministra das Mulheres, Márcia Lopes, disse que as trabalhadoras não precisam provar nada e que são capazes de ocupar todos os espaços. “Queremos a paridade das mulheres também nos espaços de poder, alcançando a igualdade salarial, além de uma igualdade de gênero, raça e etnia”, ressaltou.
CORREIO BRAZILENSE
https://www.correiobraziliense.com.br/economia/2026/05/7411413-prevencao-e-a-chave-para-frear-os-acidentes-de-trabalho.html