O setor produtivo brasileiro segue enfrentando um cenário de estrangulamento no financiamento. A Sondagem Especial nº 98 – Condições de Acesso ao Crédito, divulgada nesta segunda-feira (19), pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), aponta que oito em cada dez empresas industriais enfrentaram dificuldades para obter crédito em 2025. O principal vilão é a política monetária restritiva, com a Selic em 15% ao ano e juros reais na casa dos 10%.
Realizada com o apoio da Associação Brasileira de Desenvolvimento (ABDE), a pesquisa ouviu 1.789 indústrias. De acordo com Maria Virgínia Colusso, analista de Políticas e Indústria da CNI, a atual política do Banco Central inviabiliza o crescimento: “A atual política monetária é bastante restritiva e encarece o crédito. Com a Selic em 15% ao ano e juros reais em torno de 10%, o financiamento fica mais caro e desestimula investimentos em expansão e inovação”, explica.
O muro dos juros e das garantias
Para 80% dos empresários que buscaram recursos de curto e médio prazo (de até cinco anos), os juros altos foram o maior entrave. O acesso é dificultado ainda por exigências de garantias reais (imóveis ou máquinas), citadas por 32%, e pela falta de linhas adequadas, segundo 17%.
No crédito de longo prazo, vital para obras e tecnologia, o cenário se repete. 71% culpam os juros elevados e 31% apontam a barreira das garantias. A dificuldade não é apenas uma percepção, mas um impedimento real, na média, quase um terço (33%) das empresas que tentaram crédito de longo prazo não tiveram sucesso na contratação.
Médias empresas são as mais castigadas
A pesquisa revela que o estrangulamento atinge de forma severa as empresas de médio porte. No crédito de longo prazo, 43% das médias empresas que buscaram crédito não obtiveram financiamento, um índice maior que o das pequenas (37%) e grandes (27%).
Além disso, o pessimismo se alastra: 35% das empresas avaliaram que as condições de crédito de curto e médio prazo pioraram no último período. Apenas 14% relataram alguma melhora.
Paralisia no investimento
Mais da metade das empresas (54%) sequer buscou contratar ou renovar crédito de longo prazo nos últimos seis meses. No curto prazo, a apatia também é alta, com 49% das indústrias sem procurar financiamento.
Até linhas de crédito, como o financiamento de fluxo de caixa, encontram restrição. Modalidades como a de antecipação de recebíveis tiveram adesão de apenas 13% das indústrias.
Esse cenário de “investimento zero” sinaliza um freio na geração de empregos e no crescimento do PIB, evidenciando como a drenagem de capital para o setor financeiro pune o setor produtivo.
VERMELHO
https://vermelho.org.br/2026/01/19/juros-de-15-barram-credito-para-80-das-industrias-diz-cni/
