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Renda mensal de até R$ 545, o atual salário-mínimo, e idade entre 60 anos e 69 anos. Esse é o perfil do aposentado, ou pensionista, do Instituto Nacional da Previdência Social, que mais contratou crédito consignado em setembro. E por pertencer a grupo vulnerável financeiramente, o risco de endividamento é grande quando faz esse tipo de empréstimo.

Os bancos têm a garantia do Ministério da Previdência, o que abre margem para cobrarem juros bem menores do que outras modalidades de crédito. As taxas mensais giram entre 0,85% ao mês, mais baratas do que as dosfinanciamentos imobiliários, até 2,34%, bem próximas a um empréstimo pessoal comum.

O problema é que os aposentados, com idade acima de 60 anos, normalmente não conseguem aumentar os rendimentos, destacou o especialista em finanças pessoais André Massaro. E contratar consignado deixa a renda disponível bem menor, o que desprotege o consumidor, financeiramente, contra imprevistos, ressaltou o professorde Economia do Insper Otto Nogami.

“Normalmente a pessoa que recebe até um salário-mínimo e que pega consignado, com essa idade (entre 60 anos e 69 anos), está emprestando para ajudar outra pessoa. E isso não é nada bom”, disse Nogami.

Ele explicou que as famílias entendem que, emprestar consignado, por meio dos parentes aposentados, ou pensionistas, é bem mais barato, mas esquecem que podem ocorrer imprevistos. “Se ele precisar do crédito, no futuro, enquanto paga as parcelas de outro, não terá como fazer”, destacou.

Mesmo com a margem consignável, de até 30% da remuneração líquida do aposentado para empréstimo pessoal consignado, ou 20% para operações com o cartão de crédito consignado, os especialistas aconselham cuidado na contratação da modalidade. “Assim como qualquer tipo de crédito, deve ser usado com critério”, orientou Massaro, que lembrou que a modalidade é muito interessante como substituição para dívidas de empréstimos mais caras.

IMPREVISTOS

Nogami afirmou que os imprevistos não devem ser resolvidos com contratações de crédito. “O importante é fazer provisionamento (reserva) de 20% da renda, por mês, como prevenção”, disse. “Existe uma regrinha que contribui para isso. A pessoa deve reservar valor equivalente a três vezes a sua renda mensal”, orientou o professor do Insper.

Beneficiário expande demanda em 19,5%

O volume de crédito consignado contratado por aposentados e pensionistas do INSS atingiu R$ 2,36 bilhões em setembro, cerca de 33% do total de concessões da modalidade no mês. E em sentido oposto à evolução do consignado acumulado nos primeiros nove meses do ano, que apresentou queda, os segurados da Previdência pública brasileira expandiram em 19,5% a demanda pelo empréstimo em setembro, na comparação anual sem a aplicação da inflação do período. Os dados são do Ministério da Previdência Social.

Em relação a agosto de 2011, quando foram contratados R$ 2,284 bilhões, o incremento em setembro foi de 3,41%.

O nono mês deste ano teve 750.981 contratos de crédito consignado vinculados ao INSS. O número é 1,06% maior do que em agosto. E em relação a setembro do ano passado, houve alta de 13,6%, tendo em vista que em 2010 foram firmados 660.817 contatos.