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Chuvas no PR afetam 120 mil

Chuvas no PR afetam 120 mil

As chuvas que atingem o Paraná desde sábado já afetaram 120 mil pessoas. Só em Cerro Azul (100 km de Curitiba), 17 mil estão isoladas desde o início da manhã de ontem. Segundo informações da Defesa Civil, todos os acessos à cidade estão interditados. Uma ponte que liga Cerro Azul à cidade de Ulisses foi levada pela correnteza do rio Ribeira, que subiu cerca de quatro metros. A PR-092 também tem pontos bloqueados devido à queda de barreiras.

O rio Ponta Grossa, que corta a cidade, transbordou na madrugada. Pelo menos 70 famílias tiveram que ser removidas de suas casas e foram levadas para abrigos.

Além de Cerro Azul, as chuvas já causaram prejuízos em pelo menos outras 17 cidades. Entre as 120 mil pessoas afetadas, 587 estão desabrigadas e 595 desalojadas, informou a Defesa Civil.

Algumas das cidades mais atingidas foram Almirante Tamandaré, Salto do Lontra, Itapejara do Oeste, Ponta Grossa e Pinhais, que fica na região metropolitana de Curitiba.

Chuvas no PR afetam 120 mil

Centrais sindicais do PR suspendem passeata de hoje devido à chuva

Devido à chuva que assola Curitiba desde sexta-feira, as centrais sindicais do Paraná CGTB, CTB, Força Sindical, NCST e UGT, que representam cerca de 2,2 milhões de trabalhadores no Estado, decidiram suspender a passeata em defesa da pauta trabalhista que seria realizada nesta segunda-feira, dia 1º de agosto, a partir das 15h, no centro da capital. Ainda nessa semana, os dirigentes das centrais vão se reunir para discutir uma nova data para a mobilização.

O manifesto visa pressionar parlamentares e governos nas esferas estadual e federal a colocar em votação projetos de interesse dos trabalhadores que hoje estão engavetados, a maioria deles no Congresso Nacional. A mobilização faz parte da Jornada Nacional de Lutas, uma campanha liderada pelas centrais em nível nacional com cronograma de atos públicos e protestos em diversas localidades do país, em julho e agosto deste ano.

Chuvas no PR afetam 120 mil

Assédio moral atinge 66% dos bancários no Brasil

Cobrança, humilhação e falta de reconhecimento são as principais queixas.

Cinco caixas de antidepressivos por mês e uma tentativa de suicídio. Essa é a realidade do supervisor Wagner Araújo, 33, há dois anos, depois de sofrer ataque nervoso no banco em que trabalha. Desde 2009, ele está afastado pelo INSS (Instituto Nacional do Seguro Social).

Além da pressão por metas, Araújo conta que era chamado de Gardenal (remédio psiquiátrico) por colegas. “Os chefes gritavam comigo, e eu perdia o controle emocional.”

Na capital paulista e em Osasco, 42% dos bancários dizem ter sido vítimas de assédio moral, indica pesquisa do sindicato da categoria com 818 profissionais, obtida com exclusividade pela Folha.

Em nível nacional, o problema atinge 66% dos bancários, segundo consulta a 27.644 trabalhadores feita em 2011 pela Contraf (Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro). “As principais queixas são cobrança abusiva, humilhação e falta de reconhecimento”, lista Juvandia Moreira, presidente do Sindicato dos Bancários de São Paulo.

Medidas

A entidade fechou parceria com bancos no início do ano para criar canal de denúncias de assédio moral. Segundo Magnus Apostólico, diretor da Febraban (Federação Brasileira de Bancos), as queixas recebidas serão utilizadas para “melhorar as relações de trabalho”.

No TRT-SP (Tribunal Regional do Trabalho), o total de ações por assédio caiu 3,6% no primeiro semestre de 2011, em relação ao mesmo período de 2010. Uma razão é a capacitação de gestores. Até junho, 22.739 processos tramitavam em primeira instância.


A reportagem é de Patrícia Basilio

Chuvas no PR afetam 120 mil

Agressão no trabalho tem novos formatos

Chegada da geração Y leva ao mercado diferentes formas de assédio, que incluem brincadeiras ofensivas e boicote

Receber medalhas na festa de confraternização da empresa é, na maioria das vezes, motivo de orgulho. Para Vivian Nascimento, 27, o prêmio significou o contrário. Nova em uma multinacional do setor de informática, a analista de suporte foi classificada pelos colegas como uma das piores funcionárias do departamento. Tudo com o aval dos chefes diretos.

Na festa de fim de ano de 2008 – na qual não foi porque estava de plantão -, recorda ela, foi organizada cerimônia com entrega de faixas e medalhas aos primeiros colocados em cada categoria. “Fui nomeada uma das funcionárias mais desesperadas, perdidas e sem noção da equipe”, conta ela. Nascimento foi demitida dois anos depois da “premiação”, em um corte de funcionários, e entrou com processo contra a empresa por assédio moral.

Com a chegada da geração Y (nascidos entre 1978 e 2000) nas empresas e a maior competitividade entre companhias, casos como o de Nascimento são cada vez mais comuns, apontam especialistas.

Contra o tempo

“Os jovens são intolerantes em relação a problemas no trabalho”, argumenta Roberto Heloani, professor de psicologia do trabalho da Fundação Getulio Vargas. “Além disso, são cada vez mais cobrados por resultados.”

A luta contra o tempo, afirma o professor, é um dos fatores responsáveis pelo assédio moral do chefe com seus funcionários. “Como muitos [desses gestores] são jovens, o assédio vem de formas diferentes, como brincadeiras ofensivas e boicote de trabalho [o empregado é excluído de projetos, por exemplo].”

Ser humilhado pelo chefe, no entanto, não é situação exclusiva no escopo do assédio moral no trabalho, destaca o advogado trabalhista Alexandre Lindoso. “Hoje os próprios colegas são responsáveis pela humilhação.” O motivo, explica, é o aquecimento do mercado, que aumenta a empregabilidade, mas incentiva o “espírito competitivo dos profissionais”.

Casos de assédio moral horizontal – quando o agressor não é chefe da vítima – já são reconhecidos pela Justiça. “Se o problema ocorreu embaixo do guarda-chuva da empresa, ela é a responsável”, esclarece Lindoso.


Dose dupla

Terezinha Rodrigues, 53, foi alvo dos dois tipos de assédio moral: foi humilhada por superiores e colegas. Contratada para atuar como auxiliar de codificação em um órgão público – como comissionada- , foi obrigada a trabalhar com malote e como auxiliar de portaria. “Os funcionários falavam que iam me dar um par de patins para eu trabalhar mais rápido”, diz. Em 2010, após 30 anos na empresa, foi demitida e entrou com processo na Justiça.