por master | 07/05/12 | Ultimas Notícias
Ao mexer na remuneração da caderneta de poupança, a presidente Dilma Rousseff pode ter tirado o maior entrave que existia para a queda das taxas de juros no Brasil. A estratégia, no entanto, não será suficiente para fazer a economia crescer os 4,5% que Dilma quer este ano. Mesmo que agora o Banco Central (BC) possa reduzir a taxa básica de juros da economia para um percentual inferior a 8,5% — patamar fixado como limite para as mudanças na correção da caderneta— o Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro não terá uma alta maior que 3% ou 3,5% em 2012, avaliam técnicos do governo.
Taxa de crescimento do ano já está dada — diz uma fonte.
Os reflexos da queda dos juros na economia só aparecem num prazo mais longo, em torno de 12 meses. Mesmo assim, a presidente continua pressionando sua equipe a trabalhar para incentivar a atividade por meio do aumento da oferta de crédito e do consumo.
Por isso, a equipe econômica tem como missão levar adiante uma agenda para estimular a renegociação de financiamentos de clientes com bancos (inclusive em contratos habitacionais) de forma que esses empréstimos se tornem mais baratos.
O governo pode criar uma espécie de ranking de juros e de tarifas que permita aos clientes monitorarem constantemente onde buscar melhores condições para seu financiamento. Também pode passar permitir a cobrança de algum pedágio de quem quiser migrar seu contrato de instituição, especialmente se ele estiver no início do prazo.
O governo também continua cobrando das instituições privadas a redução do spread (diferença entre o que o banco paga para captar dinheiro e o que ele cobra do cliente) e estudando medidas que permitam essa queda, como ajustes na implementação do cadastro positivo. Nesse caso, os técnicos avaliam, por exemplo, a possibilidade de permitir uma única autorização do correntista para o uso das informações do banco de dados.
Outra proposta é a facilitar a renegociação de dívidas atrasadas, com o parcelamento dos impostos incidentes na operação. Hoje, essa possibilidade já existe para pessoas físicas, com dívidas abaixo de R$ 30 mil e crédito agrícola. A permissão para que pequenas e médias empresas possam oferecer recebíveis (contratos pelo fornecimento de bens ou prestação de serviços) como garantias de crédito também são propostas que têm o aval da área técnica.
A equipe econômica defende essa agenda para que a presidente consiga terminar o mandato com uma taxa de crescimento de 5%. As ações são todas para que os juros continuem caindo. Na avaliação de uma fonte, as mudanças na poupança vão permitir que “a Selic caia de elevador”.
De acordo com o relatório de conjuntura da consultoria LCA, a economia brasileira deve crescer apenas 0,5% no primeiro trimestre de 2012 em relação aos três meses anteriores. Mas para chegar aos 4,5% desejados, o número deveria estar acima de 1%. Segundo a LCA, a partir do segundo semestre, a atividade “deverá apresentar recuperação mais consistente (ainda que gradual), sobretudo quando se fizerem sentir plenamente os efeitos sobre a atividade econômica da redução acumulada da Selic”.
Também contribuirão para esse quadro, a desvalorização da taxa de câmbio doméstica e também os incentivos concedidos pela segunda etapa do programa Brasil Maior. Entre eles, está a desoneração da folha de pagamento de 14 setores da indústria.
por master | 07/05/12 | Ultimas Notícias
Freio na demanda e aumento dos custos apertam a margem de lucro das empresas. Tendência é de preços estáveis e menos lançamentos neste ano
Beneficiadas pelo crescimento excepcional do mercado imobiliário brasileiro nos últimos três anos, as grandes construtoras experimentam agora os efeitos da desaceleração da economia. O orçamento apertado e a margem de lucro menor dessas empresas refletem, além da diminuição da demanda e a mudança de perfil dos compradores, o aumento significativo dos custos com mão de obra e aquisição de terrenos.
Segundo dados do Sinduscon-PR, o Custo Unitário Básico (CUB) da construção no Paraná, composto pela análise de preço de 29 itens, subiu 24,5% entre abril de 2009 e abril deste ano, passando de R$ 804,22 para R$ 1.001 por metro quadrado. No mesmo intervalo, a inflação medida pelo IPCA subiu 17,6%. O peso da mão de obra no CUB total cresceu, de 48,6% para 56,2% – seus custos, de R$ 390,71 por metro quadrado há três anos, chegaram a R$ 562,92.
Financiamentos
Por enquanto, só a Caixa baixou os juros do crédito à habitação
Folhapress
A queda dos juros não chegou com força ao crédito imobiliário – até agora, só a Caixa Econômica Federal anunciou redução nas taxas. O movimento, porém, tende a ser seguido por outros bancos. O momento é propício para revisão nas taxas do imobiliário, considerado produto estratégico para fidelizar o cliente por até 30 anos.
O governo anunciou na semana passada a redução no juro da poupança – principal fonte de recursos da habitação. Com isso, os bancos terão de pagar menos pelos recursos captados e poderão cobrar menos dos clientes.
“A probabilidade de as taxas caírem está vinculada ao custo do dinheiro e à estratégia competitiva dos bancos para não perder espaço para a Caixa. É provável que as taxas se nivelem mais para baixo”, afirma João da Rocha Lima Jr., professor da USP.
Octavio de Lazari, presidente da Abecip, associação do crédito imobiliário, disse que a redução da taxa básica de juros (Selic) é outro fator que tende a estimular uma queda nos juros da habitação.
Mas os bancos privados só devem reduzir juros quando a pressão da Caixa e do Banco do Brasil for muito forte, o que deve levar um tempo. O consultor financeiro Valter Police Junior afirma que os juros do crédito imobiliário vão cair, mas não na mesma proporção de outras linhas.
“Você vai tirar mais de onde tem mais gordura, como o cheque especial. O financiamento imobiliário é o mais barato que existe; não tem muita margem para reduzir. Se cair, vai cair pouco”, diz Police Junior. Segundo ele, os consumidores devem ficar atentos antes de fechar um empréstimo só porque as taxas foram reduzidas. “Não tome em minutos uma decisão que vai comprometer 30 anos”, orienta.
Evento
Feirão da Casa Própria movimenta R$ 3,1 bilhões em cinco cidades
Agência Estado
A oitava edição do Feirão Caixa da Casa Própria movimentou R$ 3,1 bilhões em cinco cidades, em negócios realizados na sexta-feira e no sábado, entre contratos assinados no local e os já negociados, segundo a assessoria do banco.
Nos dois primeiros dias do Feirão, foram atendidas 138.923 pessoas nas cidades de Brasília, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Recife e Salvador.
Esta edição do Feirão foi a primeira desde que o banco reduziu os juros do crédito imobiliário em até 21% – as novas taxas passaram a valer na sexta-feira, dia de abertura do evento.
Outras cidades
As próximas cidades a receberem o evento são Curitiba, Fortaleza e São Paulo, entre os dias 18 e 20 de maio. No fim de semana seguinte, de 25 a 27 de maio, será a vez de Uberlândia, Campinas e Porto Alegre sediarem o evento. Belém e Florianópolis encerram o cronograma do oitavo Feirão Caixa. Nestas cidades, a iniciativa ocorre de 8 a 10 de junho.
As empresas de capital aberto que fizeram investimentos altos no Programa Minha Casa, Minha Vida, do governo federal, estão enfrentando problemas de fluxo de caixa por causa de questões burocráticas na liberação do dinheiro para os financiamentos, diz Lucas Dezordi, professor da Universidade Positivo e economista chefe da InvaCapital. “Ainda não é uma crise, mas, com as vendas caindo e os preços se estabilizando, temos um sinal amarelo se acendendo para as grandes construtoras, que vão precisar rever suas estratégias futuras e pisar no freio com relação a novos lançamentos”, afirma.
Apesar do cenário mais delicado, o consultor Flávio Ramalho Cone, do banco Banif, diz que não há razões para acreditar em crise. “As grandes incorporadoras de capital aberto continuam crescendo, porém num nível mais moderado”, diz Cone, que acompanha o desempenho das grandes construtoras que compõem o índice imobiliário (IMOB) da BM&F Bovespa.
O IMOB fechou em 864 pontos na última sexta-feira, 15% acima do nível do fim de 2011 (749 pontos). Ainda assim, está 11% abaixo da marca mais alta atingida em 2012, de 975 pontos, em 13 de março. No fim de 2010, o IMOB marcava 1.037 pontos, refletindo a percepção mais positiva que o mercado tinha do setor na época.
Segundo ele, nenhum setor da economia consegue manter um crescimento médio prolongado de 30%, como vinha sendo registrado. Os imóveis atingiram um preço razoavelmente alto e uma boa parte da demanda já foi preenchida pelo mercado. Com isso, se até 2010 as pessoas compravam com mais rapidez, os atuais compradores estão menos entusiasmados e mais sensíveis ao preço, explica.
Preço dos imóveis
A desaceleração do mercado imobiliário, no entanto, não deve provocar redução significativa nos preços dos imóveis. Segundo o analista do Banif, a tendência é de que haja uma estabilização dos preços, que passam a acompanhar o movimento da inflação a partir deste ano.
Resultados
Enquanto Cyrela, Eztec e Even conseguiram obter bons resultados, PDG e Gafisa divulgaram balanços abaixo do esperado. “Quem conseguiu aumentar os lucros e gerar caixa foi beneficiado. Não adiantou vender ações na bolsa em quantidade, foi preciso vender com rentabilidade satisfatória”, afirma Cone.
Companhias locais e de capital fechado mantêm otimismo
Na contramão do cenário de desaquecimento do mercado imobiliário, construtoras locais e de capital fechado comemoram os novos lançamentos e o aumento do volume de vendas. Em comum, essas empresas têm estratégias e nichos de atuação bem definidos, como é o caso da Plaenge e da Invespark, ambas paranaenses.
Segundo Fábio Tadeu Araújo, consultor da Brain Bureau de Inteligência Corporativa, a Plaenge é uma das empresas que mais reforçou sua marca nos últimos anos. “A construtora não vende um Poème [empreendimento lançado recentemente], ela vende um Plaenge. A empresa conseguiu atrelar sua marca a um padrão de qualidade já reconhecido pelos compradores”, ilustra.
Araújo destaca também que a construtora de Londrina, no Norte do Paraná, ganhou força porque adotou um modelo de expansão por regiões, nas cidades onde atua, fato que ajudou a fortalecer ainda mais a marca.
Segundo o diretor regional da Plaenge, Fernando Fabian, a empresa tem conseguido realizar seus projetos de expansão e consolidação com capital próprio. Além de Londrina, Curitiba, Maringá, Ponta Grossa, Cuiabá, Campo Grande (MS), Dourados (MS) e Joinville (SC), a Plaenge está presente no Sul do Chile desde 2009. Voltada ao segmento “premium” e à classe B, a empresa fechou 2011 com faturamento de R$ 912 milhões.
Localização
Com foco nos empreendimentos compactos e comerciais, a Invespark apostou na localização como diferencial em um mercado bastante concorrido. “A seleção criteriosa dos terrenos é o nosso maior seguro para passar por períodos mais seletivos do mercado”, ressalta Eduardo Quiza, diretor de incorporações da Invespark.
Segundo ele, a localização e a proximidade de locais com boa oferta de serviços é o item que mais pesa na decisão do comprador, sobretudo nos nichos em que a empresa atua. “Mas até mesmo a atuação por segmentos tende a ser limitada com o passar do tempo”, ressalta Quiza, enfatizando a necessidade de buscar opções para oferecer ao mercado.
Em 2011 a empresa entregou mais de 700 unidades – mais que o dobro do número do ano anterior (300) – e lançou cerca de 1.180. “Para este ano projetamos um crescimento de 10% em relação ao ano passado”, afirmou.
por master | 07/05/12 | Ultimas Notícias
Cresce o número de pessoas que decidiram retornar para a cidade em que nasceram depois de viverem anos em outras regiões do país
Se até uma década atrás era comum ouvir que estudantes do interior iriam para a capital estudar ou que uma pessoa tentaria a sorte na cidade grande, agora a tendência é justamente o contrário. Os brasileiros estão ficando cada vez mais em suas cidades de origem e os que algum dia saíram do local em que nasceram, agora estão retornando. Dados do Censo Demográfico 2010, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, revelam que entre 2005 e 2010 aumentou a chamada “migração de retorno” dentro do país.
Para especialistas, esse movimento é a prova de que as grandes capitais (como Rio de Janeiro e São Paulo) estão saturadas e de que as cidades pequenas e médias conseguiram se desenvolver a ponto de ser tão atraentes que seguram ou chamam de volta a sua população.
Mobilidade
Nordestinos continuam o movimento de volta para casa
O número de nordestinos que retornaram para seus estados de origem entre 2005 e 2010 caiu, segundo o último Censo do IBGE, em relação aos dados coletados em 2000. Mesmo assim, é nesta região que se concentram as maiores movimentações de volta à cidade de origem no país (ver gráfico). Do total de migrantes no Nordeste, em média, 40% são de retorno. A movimentação é forte em estados como Paraíba, Ceará, Alagoas, Pernambuco e Piauí.
“O Nordeste teve uma fantástica redução na taxa de mortalidade e o PIB [Produto Interno Bruto] subiu mais que em muitas outras regiões. A volta é melhor para todo mundo, afinal os nordestinos sofriam preconceito em São Paulo [para onde muitos migraram nos anos 80 e 90]”, explica o demógrafo Wilson Fusco, da Fundação Joaquim Nabuco.
Fusco afirma que, além da transferência de renda para a população de todas as cidades brasileiras – acabando com a concentração em São Paulo –, o que influenciou a melhoria da situação de vida no Nordeste foi uma política de investimentos em obras de irrigação, que ajuda a população a sobreviver nas grandes secas. “Temos aí parte da transposição do Rio São Francisco já feita e a construção de grandes cisternas. Na hora em que uma família passa a ter cisterna, consegue manter os animais e tem um suporte para os dias mais difíceis”, diz.
O professor Alisson Flávio Barbieri, da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), também reforça que o Nordeste foi uma região que teve um crescimento econômico maior que a média nacional e, com a redução dos abismos econômicos, a migração deixou de ser atraente. “As pessoas preferem residir onde têm mais laços culturais e familiares. E quando percebem que na cidade onde vivem terão uma situação de vida parecida com a vida em outro lugar, preferem ficar. Isso acontece graças à redução nas diferenças salariais no Brasil como um todo.” (PM)
Só em São Paulo, 206,7 mil pessoas voltaram para a cidade natal. O Paraná, em número absoluto, é o quarto estado que mais registrou a migração de retorno: foram 94,8 mil pessoas. As outras duas unidades da federação que se destacaram foram Minas Gerais (133,6 mil) e Bahia (103,8 mil). “Isso é um ótimo sinal. A migração significa quase sempre que algo não está indo bem naquela região. As pessoas migram para poder sobreviver e há muita tristeza nisso. Agora acontece o movimento inverso, o que significa que as regiões brasileiras estão melhorando e as desigualdades sociais diminuindo”, explica o demógrafo Wilson Fusco, da Fundação Joaquim Nabuco.
Eu voltei para ficar
A dificuldade de adaptação foi o que levou o engenheiro da computação Cláudio Karpenko, 32 anos, a voltar para Curitiba – sua cidade natal – depois de um tempo morando em Maringá, no Noroeste do estado. “Não consegui me adaptar. A saudade da família pesou na decisão de voltar”, diz. Karpenko retornou há quatro anos. Ele trabalha no escritório de uma multinacional, é casado e pai de um menino de 4 meses. “Mesmo sabendo que, na minha área, teria muito mais oportunidades em São Paulo, não penso em ir embora outra vez. O que a gente busca é diferente em cada fase da vida e aqui [em Curitiba] eu me sinto realmente em casa.”
Um único e importante fator explica a migração de retorno, segundo o sociólogo Márcio de Oliveira, da Universidade Federal do Paraná. “O Brasil cresceu e colocou dinheiro na mão de todo o povo”, diz. Isso quer dizer que o aumento do salário mínimo real – e consequentemente da aposentadoria – foi uma importante entrada de recursos em municípios menores.
Qualidade de vida
Viver em uma cidade grande também tem ficado cada vez mais difícil. Foi por isso que o engenheiro de automação Ênio Tucazaki decidiu se mudar da capital paulista e voltar para Curitiba. Ele ainda está em São Paulo, mas pretende retornar até agosto. “Não consegui me adaptar. O estresse no trânsito é infernal e, quando surgiu a oportunidade de voltar, não pensei duas vezes. Está decidido”, afirma. Tucazaki pretende montar uma empresa na capital paranaense.
“Digo que os grandes centros sofrem com a deseconomia de aglomeração. Chega um ponto em que para se ter qualidade de vida fica caro, porque há muita insegurança. É melhor, então, viver em cidades médias com qualidade de vida melhor”, explica o professor Alisson Flávio Barbieri, do Departamento de Demografia da Universidade Federal de Minas Gerais.
por master | 07/05/12 | Ultimas Notícias
“A escravidão é, junto com o genocídio e a tortura, a pior mazela da humanidade”
É comum dizer que nos países subdesenvolvidos (chamados “emergentes”) os trabalhadores não qualificados têm vida de escravos: não têm horário certo, recebem salários miseráveis, carecem de seguros e previdência, podem ser demitidos a qualquer momento. Mas, em alguns países, há algo mais que uma metáfora da escravidão. Por exemplo, no Brasil e outros se pratica a escravatura em sentido estrito.
Centenas ou milhares de fazendeiros, garimpeiros, traficantes e contrabandistas, protegidos por jagunços, pelas polícias locais e pelos políticos e magistrados de seus estados, mantêm presos trabalhadores de todas as idades, sadios ou doentes, obrigados a trabalhar até desmaiar, sem receber salário nem ter acesso a uma comida minimamente limpa. Comparados com eles, os escravos do final do Império eram verdadeiros privilegiados.
Esta bárbara situação está apoiada e consentida não apenas por políticos locais desconhecidos, mas possui um poderoso lobby no coração do poder brasileiro. Em 2005, a Câmara de Deputados teve um presidente escolhido de maneira nauseosa pela direita, que colocou o país em ridículo até nos foruns internacionais. Ele defendeu ardentemente os deputados que mantinham escravos em suas fazendas e, embora fosse criticado por seu estilo brutal e estólido (confundiu uma vez o presidente Lula com o finadíssimo presidente Dutra), apenas o deputado Fernando Gabeira teve a coragem de encará-lo por sua apologia da escravatura.
A Proposta de Emenda à Constituição número 438, que viaja pelas dependências do Parlamento e dorme nos arquivos há muito tempo, deveria ser aprovada, se o empenho do governo federal fosse bem sucedido, antes do dia 13 de maio, para celebrar os 124 anos de atraso com que chega a sociedade brasileira.
Para um atraso tão grande, seu conteúdo não é maravilhoso, embora mereça o maior apoio se tivermos em conta que a escravidão é, junto com o genocídio e a tortura, a pior mazela da humanidade. A PEC propõe o confisco total, sem direito a indenização, da terra dos “donos de escravos” e sua entrega aos camponeses que a trabalhavam. Esta medida tem duas virtudes: além de permitir afixar colonos sem terra, sua principal relevância está no fato de que a terra é a arma do escravista.
Confiscada sua terra, ele terá que abandonar sua infame tarefa… ou então, conseguir outra fazenda, com os mesmos métodos criminosos já usados.
Com efeito, a PEC fala de “sanções cabíveis de acordo com a lei”, mas nenhuma lei brasileira trata o trabalho escravo como um crime contra a humanidade. O escravista deveria ser condenado como autor de tortura e homicídio qualificado, e a pena para ele deveria ser compatível com a gravidade de um crime de lesa humanidade. Vergonhosamente, quando um escravista é “punido” hoje em dia, ele paga uma multa menor da que pagaria um infrator de trânsito.
O problema mais grave não está na política interna do Brasil, já que o histórico escravista, feudal e coronelista do país faz difícil pensar que pudesse existir por própria vontade uma estrutura rural democrática. A atitude mais repudiável é a do sistema internacional, que condena claramente a escravidão em vários diplomas legais, mas não é capaz de obrigar seus membros a cumpri-los. No caso de Brasil e outros países que mantêm trabalho escravo, nem a ONU nem sua ancestral, a Liga das Nações, foram capazes de aplicar coerção sobre esta mazela.
Com efeito, a escravidão foi internacionalmente proibida desde a Convenção de Genebra de 25/09/1926, mas nas décadas seguintes as leis internacionais foram aprimoradas. Já no artigo 5º da Convenção de 1956 se estabelecem punições para a escravocracia. Todavia, para os que têm 124 de história “pós” escravidão, os 56 anos passados desde 1956 significam muito pouco.
por master | 07/05/12 | Notícias NCST/PR

O Presidente da Nova Central, DENÍLSON PESTANA DA COSTA, acompanhado dos senhores JORGE MORAES, Secretário de Saúde, Segurança e Previdencia Social da FETRACONSPAR e Presidente do STICM de Maringá, CELSO DOMINGOS LOPES, Secretário Adjunto de Cultura e Esportes da FETRACONSPAR e Presidente do STICM de Telêmaco Borba e CELSO DA SILVA GARAIS, Secretário Geral do STICM de Guarapuava, participou na manhã desta segunda-feira (07/05), na sede do SECONCI/PR, situado à Rua João Viana Seiler, n° 116, Parolin, em Curitiba-PR, da Reunião Ordinária do CPR/PR (Comitê Permanente Regional do Paraná), com a seguinte pauta:
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