por master | 22/03/12 | Ultimas Notícias
Ministro das Finanças apresenta Orçamento e, em seu discurso, cita os Brics como novas potências da economia
Recentemente, Brasil passou Reino Unido como 6ª economia do mundo; governo vai reduzir impostos
RODRIGO RUSSO
DE LONDRES
O ministro britânico das Finanças, George Osborne, apresentou ontem ao Parlamento o Orçamento para o país, que quer mais exportações e também acirrar a competição por investimentos com o grupo dos Brics (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul).
Em discurso que durou cerca de uma hora, Osborne mencionou duas vezes o Brasil. No primeiro momento, afirmou: “Nós vamos assistir aos Brasis, às Chinas e às Índias como potências mundiais à nossa frente na economia global ou teremos a determinação nacional de dizer: ‘Não, não ficaremos para trás. Nós queremos liderar’?”.
No final do ano passado, projeções apontaram que o PIB do Brasil, medido em dólares, superou pela primeira vez o do Reino Unido, fazendo os britânicos perderem uma posição (de sexto para sétimo) no ranking das maiores economias mundiais.
Ao mencionar que o país precisa de mais exportações, o ministro das Finanças declarou: “Na última década, vendemos mais à Irlanda que ao Brasil, à Rússia, à Índia e à China somados. Esse foi o caminho para a irrelevância econômica do Reino Unido”.
Para promover maior crescimento, o Orçamento contará com uma redução no imposto de empresas, de 26% para 24%, e também aumentará a faixa de rendimentos isenta de tributação, de R$ 23,5 mil para R$ 26,6 mil por ano -medida que só valerá a partir de abril de 2013.
O imposto sobre a camada mais rica da população, que era de 50%, será reduzido para 45%, em uma tentativa de incentivar o empreendedorismo, justificou Osborne.
O Reino Unido também reviu ontem sua previsão de crescimento do PIB para 2012, que ficou ligeiramente melhor: de 0,7% para 0,8%. O número de desempregados, contudo, deve chegar ao pico de 1,67 milhão de pessoas.
Osborne disse que o país foi seduzido por grandes deficit orçamentários e pela ilusão de financiamento barato. A coalizão do premiê David Cameron quer reduzir o deficit estrutural até 2017 e tem se comprometido com medidas de austeridade, embora não tenha assinado o pacto fiscal europeu em março.
Uma das medidas para aumentar a arrecadação é a criação de imposto de 7% na aquisição de propriedades que valham mais de 2 milhões de libras (R$ 5,8 milhões). Outra proposta, que será detalhada em julho, é o aumento da idade para aposentadoria.
O líder da oposição, Ed Miliband, fez duras críticas ao documento, que considerou injusto e feito com base nas escolhas erradas.
por master | 22/03/12 | Ultimas Notícias
Obra fica próxima a Jirau, onde 20 mil trabalhadores estão em greve há 1 semana
FELIPE LUCHETE
ENVIADO ESPECIAL A PORTO VELHO
Atos de vandalismo paralisaram ontem as atividades da usina de Santo Antônio, no rio Madeira (RO), depois que trabalhadores decidiram cruzar os braços.
A construção fica próxima ao canteiro de obras de Jirau, onde as atividades foram paralisadas há uma semana. Reunindo 20 mil trabalhadores, a greve é considerada ilegal pela Justiça do Trabalho.
Pelo menos um ônibus foi incendiado na madrugada de ontem, de acordo com a Secretaria Estadual de Segurança, que enviou policiais ao canteiro.
Operários do período noturno decidiram paralisar no fim de terça-feira. Segundo o sindicato da categoria, eles reivindicam o mesmo que os colegas de Jirau: reajuste salarial de 30%, aumento da cesta básica e mudanças na jornada de trabalho, entre outros pontos.
Depois desse foco de tensão, o consórcio construtor Santo Antônio decidiu ontem liberar os funcionários que trabalham durante o dia.
Em nota, afirmou que quis “preservar a integridade física dos trabalhadores e o patrimônio da usina”.
Na semana passada, a Secretaria de Segurança pediu ao governo federal que enviasse homens da Força Nacional de Segurança. Ainda não houve resposta.
QUEBRA-QUEBRA
Rondônia teme a repetição do quebra-quebra que tomou conta de Jirau há um ano e destruiu parte das instalações do canteiro.
O início da geração de energia atrasou em pelo menos seis meses.
Na época, Santo Antônio também decidiu liberar as atividades por algumas semanas. A usina, que tem cerca de 15 mil trabalhadores, previa fazer girar sua primeira turbina já neste mês.
Segundo o Sticcero (sindicato dos trabalhadores da construção civil), haverá na manhã de hoje uma assembleia com trabalhadores da Santo Antônio.
O consórcio construtor afirmou que não houve “danos materiais relevantes” e que já fazia negociações com o sindicato.
No início de março, o governo federal patrocinou um acordo com construtoras e centrais sindicais para evitar confrontos em grandes obras.
por master | 22/03/12 | Ultimas Notícias
Em greve desde o último dia 10, cerca de 16 mil trabalhadores que constroem a Usina Jirau, no rio Madeira, ganharam nesta quarta-feira, 21, o apoio de parte dos funcionários da Usina de Santo Antônio, no mesmo rio, que também pararam momentaneamente as atividades. A calma nos canteiros de obras é mantida pela Secretaria de Segurança, Defesa e Cidadania de Rondônia (Sesdec), que já pediu ajuda da Força Nacional de Segurança.
Ao contrário do que aconteceu na última greve, em março de 2011, nada foi destruído em Jirau. Para manter os ânimos sob controle, a empresa Camargo Corrêa, que representa o Consórcio Energia Sustentável do Brasil (ESBR), chegou a dispensar temporariamente do trabalho aproximadamente 5 mil funcionários, que decidiram não aderir ao movimento. A empresa alega que serviços essências são mantidos.
A greve em Jirau foi iniciada por cerca de mil funcionários da Enesa Engenharia, empresa terceirizada responsável pela montagem das turbinas. Dois dias depois os contratados diretamente pela Camargo Corrêa começaram a aderir ao movimento. Dentre outras coisas eles reivindicam reajuste salarial de 30% para todas as categorias e cinco dias de folga para cada 70 trabalhados. Atualmente as folgas são a cada 90 dias.
Com a adesão de funcionários da própria Carmargo Corrêa, a greve passou a ser controlada pelo Sindicato dos Trabalhadores na Construção Pesada (Sticcero), que na paralisação de 2011 foi acusado de impedir os que queriam trabalhar de entrar no canteiro de obras. O desembargador Ilson Alves Pequeno Júnior, do Tribunal Regional do Trabalho 14ª Região (TRT), declarou a greve ilegal e determinou a volta ao trabalho no último dia 15.
A multa estipulada pela Justiça do Trabalho por descumprimento de decisão é de R$ 200 mil por dia, sendo R$ 100 mil para os funcionários da Camargo Corrêa e mais R$ 100 mil para os da Enesa Engenharia. Mesmo assim, oSticcero reuniu os trabalhadores na última sexta-feira e foi decidido que a greve prosseguiria, para forçar o consórcio ESBR a conceder o reajuste e atender a pauta de reivindicações de 10 itens.
A Camargo Corrêa informou que disponibiliza aos trabalhadores alojamentos no canteiro de obras, que já foram vistoriados pela Justiça do Trabalho e por diversas comissões da Câmara Federal e do Senado. É uma resposta da empresa a um dos itens da pauta de reivindicações, que é o oferecimento de alojamentos adequados. A empreiteira também anunciou que sempre esteve aberta às negociações.
As usinas de Jirau e Santo Antônio, depois de concluídas, terão capacidade para gerar 6.600 MW, que atenderão os grandes polos consumidores do Brasil. Juntas as duas obras geram aproximadamente 40 mil empregos. A primeira está localizada a aproximadamente cem quilômetros da área urbana. A outra está a menos de dez quilômetros de Porto Velho.
A reportagem é de Nilton Salina
por master | 22/03/12 | Ultimas Notícias
Pesquisa demonstra que a diluição entre as fronteiras do tempo de trabalho e do tempo livre já prejudica a qualidade de vida de 39,5% dos trabalhadores, com efeitos negativos sobre a saúde, as relações pessoais e as atividades educacionais e de lazer. A redução da jornada de trabalho é uma das alternativas apontadas para reduzir o problema.
Estabelecer limites entre a jornada de trabalho e o tempo livre é uma tarefa cada vez mais difícil para os brasileiros. Pesquisa divulgada pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA), nesta quarta (21), mostra que, apesar da anunciada pujança da economia, da redução do desemprego e do aumento da contratação de trabalhadores formais, o brasileiro trabalha cada vez mais e com maior intensidade.
“Parte desta contradição pode ser explicada porque as fronteiras entre o tempo de trabalho e o tempo livre estão se diluindo. Mesmo após completar a jornada formal, o trabalhador não consegue se desligar e acaba levando trabalho para casa, para o transporte coletivo, enfim, para seu período de descanso”, afirma o técnico em Planejamento e Pesquisa do Ipea, Andé Gambier Campos.
Foram entrevistadas 3.796 pessoas, em áreas urbanas das cinco regiões do país. Assalariados e autônomos apresentaram percepções bastante diversas. “Os trabalhadores subordinados, os assalariados, vivem uma realidade muito específica, diferente dos autônomos. Os assalariados enxergam com muita clareza a diferença entre tempo livre e tempo de trabalho. Já os autônomos, não”, esclarece o técnico do IPEA.
Quase metade dos entrevistados (45,4%) disse que não se desliga totalmente do trabalho após o término da jornada formal. As novas tecnologias têm impacto preponderante na redução do tempo livre. Por meio delas, são acionados e monitorados os 26% dos entrevistados obrigados a ficarem de prontidão pelos seus superiores. Outros 8% precisam desenvolver alguma atividade extra, por meio de celular ou internet.
Além disso, 37,7% sentem que o tempo livre vem diminuindo por causa do trabalho e 39,5% acreditam que o tempo dedicado ao trabalho já compromete sua qualidade de vida. Desses últimos, 13% alegam que o trabalho extra gera cansaço e estresse. Para 9,8%, compromete suas relações com a família; para 7,2%, prejudica o tempo para estudo, lazer e prática de atividades físicas; para 5,8%, dificulta as relações de amizade e, para 2,9%, causa falta de motivação para o próprio trabalho.
Quase metade dos entrevistados (48,8%) apresenta reações negativas quando precisa dedicar seu tempo livre às atividades laborais. Entretanto, esses trabalhadores não conseguem se organizar coletivamente para reagir à pressão excessiva, por medo de perderem o emprego. A reação mais comum, que atinge 36,7% deles, é a conformação individual. Outros 5,1% ficam tristes por não sentirem prazer no trabalho e 7% se revoltam por não terem tempo para se dedicar a outras atividades.
Apesar de todos os problemas, 78,5% dos entrevistados não pensam em mudar de emprego. “Trocar de trabalho ainda é um fenômeno muito impactante na vida das pessoas” afirma Campos.
Redução da jornada
Para o técnico do Ipea, a redução da jornada de trabalho, associada à uma normatização do trabalho telemático, ou seja, em redes de computadores, pode impactar positivamente neste quadro. Segundo ele, a Organização Internacional do Trabalho (OIT) preconiza como jornada adequada 40 horas semanais. Como a jornada brasileira ainda é de 44 horas, há margem para redução.
Em 2009, a proposta foi aprovada pela comissão especial instituída pela casa para avaliá-la. Desde então, encontra-se engavetada. “Depois que inventaram essa história de que um projeto só vai à votação no plenário por consenso dos líderes das bancadas, ficou ainda mais difícil para nós”, afirmou.
A regulamentação do trabalho telemático, que engloba as novas tecnologias, é objeto de uma proposta de projeto de lei em gestação na Casa Civil. O governo ainda não informou quando ela será concluída e encaminhada ao Congresso Nacional.
A reportagem é de Najla Passos
por master | 21/03/12 | Ultimas Notícias
Em 2011, cerca de 87% dos reajustes salariais analisados pelo DIEESE resultaram em aumentos reais dos salários. Trata-se da terceira maior proporção de unidades de negociação com reajustes acima do INPC-IBGE desde 1996, quando o Departamento passou a publicar a série dos Balanços de Reajustes, e a segunda desde 2008, quando passou a registrar os resultados das negociações pertencentes a um mesmo painel de unidades de negociação. O resultado de 2011 ficou abaixo apenas do de 2010 (88,2% de reajustes com aumentos reais) e de 2007 (87,7% de reajustes com aumentos reais).
Os resultados de 2011 ficaram muito próximos dos alcançados em 2010 e foram superiores aos observados em 2008 e 2009 – considerando os reajustes salariais das mesmas 702 unidades de negociação registradas em 2011. Contudo, a semelhança entre os resultados de 2010 e 2011 deve ser relativizada pela análise da magnitude dos aumentos reais. Em 2010, os aumentos reais foram, em geral, superiores aos observados em 2011. A título de exemplo, o aumento real médio em 2010 foi de 1,68%, e o de 2011, 1,38%.
Do ponto de vista setorial, verificou-se em 2011 um aumento na proporção de reajustes acima da inflação no Comércio e na Indústria, atingindo, em cada um destes setores, os maiores patamares nos últimos quatro anos. Além disso, verificou-se uma redução naproporção de reajustes acima da inflação no setor de Serviços, quando comparado com 2010. No que se refere à magnitude dos aumentos reais, contudo, foi observada uma redução nos três setores econômicos em 2011.
Esse resultado pode ser explicado, em parte, pela elevação do patamar inflacionário em 2011 e, em certa medida, pela desaceleração do crescimento econômico, observado principalmente nos dois últimos trimestres do ano. Ainda assim, chama atenção o fato de os resultados não diferirem tanto do observado em 2010, o que revela a capacidade das entidades sindicais brasileiras em manter os patamares de ganhos mesmo em conjunturas menos favoráveis.
Em que pese o resultado positivo das negociações dos reajustes salariais em 2011, verifica-se que os ganhos reais conquistados pelas categorias acompanhadas pelo DIEESE continuam, em regra, abaixo dos ganhos de produtividade da economia brasileira. De fato, poucas negociações lograram conquistar ganhos reais acima da variação do PIB e PIB per capita – aqui tomados ilustrativamente como indicadores dos ganhos de produtividade da economia – nos últimos quatro anos.
Confira o estudo completo clicando aqui.