por master | 06/03/12 | Ultimas Notícias
A alta rotatividade entre os trabalhadores formais terceirizados em todo o país pode contribuir para o déficit da Previdência Social, disse nesta segunda-feira (5) o presidente do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), Marcio Pochmann, ao apresentar o estudo A Dinâmica das Contratações no Trabalho Terceirizado.
Ele citou o exemplo de São Paulo, onde há, atualmente, 700 mil trabalhadores terceirizados. Como é alta a rotatividade desses trabalhadores no estado, eles acabam contribuindo, em média, o equivalente a apenas sete dos doze meses para a Previdência.
“O problema é que estamos em um regime previdenciário onde, para alçar a aposentadoria, é preciso ter 35 anos de contribuição. Se esse é um segmento que estrutura o mercado de trabalho, em algum momento, vamos ter um problema no financiamento previdenciário e, de outro lado, a dificuldade do trabalhador se aposentar”, disse Pochmann, comentando o estudo, que foi elaborado para o Sindicato dos Empregados em Empresas de Prestação de Serviços a Terceiros, Colocação e Administração de Mão de Obra, Trabalho Temporário, Leitura de Medidores e Entrega de Avisos do Estado de São Paulo (Sindeepres).
Pochmann citou o exemplo de uma pessoa, do sexo masculino, que começa a trabalhar aos 16 anos, para ilustrar melhor o cenário estimado. “Com mais 35 anos de contribuição [à Previdência], ele estará em condições de se aposentar a partir dos 51 anos de idade. Mas, no caso de um terceirizado, que não consegue contribuir por 12 meses, e, sim, por sete meses, será preciso 64 anos para poder contribuir 35 anos. Ou seja, ele só vai se aposentar aos 80 anos de idade”, estimou.
Nesse caso, concluiu Pochmann, a pessoa vai preferir se aposentar por idade, sem precisar ter contribuído 35 anos para a aposentadoria, o que ajudaria a aumentar o déficit da Previdência.
Outro impacto que a alta rotatividade dos trabalhadores provoca nas finanças públicas, segundo o presidente do Ipea, é no pagamento do seguro-desemprego. “Mesmo a economia crescendo no Brasil e com mais empregos, termina-se elevando o número de beneficiários do seguro-desemprego. Em outros países, verificamos justamente o contrário: a economia cresce, reduz-se o número de usuários do [seguro] desemprego”, comparou.
Segundo o estudo, a terceirização vem fortalecendo o giro dos trabalhadores pelas empresas. Em 2010, por exemplo, a taxa de rotatividade dos empregados terceirizados em São Paulo foi 76,2% maior que a dos ocupados não terceirizados. De 2004 a 2010, a taxa de rotatividade dos trabalhadores não terceirizados passou de 32,9% para 36,1%, enquanto as dos empregados terceirizados passou de 60,4% para 63,6% no estado.
Ainda de acordo com o estudo, 5,3% dos empregados formalmente terceirizados perdem seu posto de trabalho no estado de São Paulo a cada mês. No Brasil, a taxa de demissão mensal dos empregados terceirizados chega a 4,1%.
“A rotatividade no Brasil é duas vezes maior do que a dos Estados Unidos, que é reconhecido internacionalmente como um mercado de trabalho flexível. Se compararmos a realidade brasileira com a de países europeus, as demissões ocorrem dez vezes mais aqui”, disse o presidente do Ipea.
De acordo com Pochmann, uma melhor regulação do trabalho terceirizado poderia diminuir a alta rotatividade do setor e contribuir para um maior equilíbrio das finanças públicas. Segundo o presidente do Sindeprees, Genival Beserra Leite, há 26 projetos de lei sobre o tema da terceirização tramitando atualmente no Congresso Nacional. “A regulamentação é muito urgente. Precisamos que seja regulamentado [o tema] até mesmo para se tirar essa incerteza jurídica que existe dentro do segmento”.
por master | 06/03/12 | Ultimas Notícias
Alvo da artilharia brasileira pela manhã, alemã devolveu alfinetada à tarde, na abertura da CeBIT
A presidente Dilma Rousseff voltou ontem a criticar a “política monetária expansionista” dos países desenvolvidos, que, segundo números do Banco de Compensações Internacionais (BIS), despejaram 8,8 trilhões de dólares em liquidez na economia mundial desde o início da crise. A presidente disse que a “massa monetária” produzida gera “bolha” e “especulação” e que o Brasil tomará “todas as medidas” para se proteger.
Dilma, que iniciou nesta segunda uma visita de dois dias à Alemanha – o país que hoje dita as regras na Europa -, afirmou que vai insistir na queixa nos seus encontros com a chanceler alemã Angela Merkel. Um deles estava previsto para ontem. De acordo com a presidente, as medidas causam “desvalorização artificial” das moedas, “equivalem a barreiras tarifárias” e geram bolhas e especulação. “O que se está fazendo equivale a uma barreira tarifária. Todo mundo se queixa de barreira tarifária, de protecionismo”, acusou. Dilma ressaltou que o governo vai tomar medidas de proteção, mas negou que defenda a quarentena de capital externo.
Após ter sido alvo da artilharia de Dilma, no início da manhã, Merkel não economizou alfinetadas ao governo brasileiro à tarde. Num discurso diante de Dilma e de uma plateia de empresários na abertura da maior feira de tecnologia do mundo – CeBIT – onde o Brasil é o país homenageado -, Merkel deu uma resposta direta às críticas de que os países ricos estariam provocando um “tsunami monetário” com suas políticas expansionistas.
A chanceler alemã colocou o dedo no ponto onde o Brasil tem sido mais criticado internacionalmente: o protecionismo. Merkel afirmou que, se o Brasil está preocupado com o câmbio, os países desenvolvidos estão preocupados com as medidas protecionistas tomadas pelo governo brasileiro como o aumento no Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) sobre automóveis importados, ocorrido no segundo semestre do ano passado.
por master | 06/03/12 | Ultimas Notícias
Sindicatos e federações e confederações sindicais da construção, incluindo organizações que representam os trabalhadores das cidades-sede da Copa irão se reunir nesta terça- feira em Brasília, com objetivo de entregar a Pauta Nacional Unificada para a Confederação Nacional das Indústrias (CNI) e ministérios do governo.
A pauta unificada tem como origem a Declaração de São Paulo que foi apresentada ao conjunto da sociedade após a reunião realizada pelos sindicatos que participam da Campanha por Trabalho Decente antes e depois de 2014, articulada pela Federação Internacional dos Trabalhadores da Construção e da Madeira (ICM).
Entre os principais pontos da pauta estão a unificação do piso salarial, do valor de pagamento de horas-extras e de benefícios sociais aos trabalhadores do setor da construção no Brasil. Com ela os sindicatos já promovem suas negociações de forma regional e agora se organizam para ações nacionais articuladas.
Neste mesmo dia 6 de março, organizações de todo o país, entre elas sindicatos das cidades-sede da Copa estarão se mobilizando e promovendo em suas regiões o encontro em Brasília para a entrega da pauta nacional unificada.
A Campanha por Trabalho Decente na Copa do Mundo no Brasil faz parte de uma estratégia já desenvolvida junto aos sindicatos do setor da construção sul-africanos e implicou em 26 mobilizações no período que antecedeu os jogos de 2010 na África do Sul, entre elas uma greve nacional.
Sobre a ICM: A ICM (Internacional dos Trabalhadores da Construção e Madeira) é uma federação sindical global que agrupa sindicatos livres e democráticos, membros dos setores de construção, materiais de construção, de madeira, silvicultura e sectores conexos. A ICM tem 328 sindicatos que representam cerca de 12 milhões de membros em 130 países. A sede fica em Genebra, na Suíça. Tem escritórios regionais e escritórios de projetos no Panamá e na Malásia, África do Sul, Índia, Burkina Faso, Bósnia Herzegovina, Bulgária, Chile, Curaçao, Quênia, Coréia do Sul, Tailândia, Rússia, Peru e Brasil.
por master | 06/03/12 | Ultimas Notícias
As instituições financeiras apostam em uma queda na taxa básica de juros, a Selic, para 10% ao ano na próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), marcada para esta semana. Atualmente, a taxa está em 10,5%. O comitê divulga a decisão sobre os juros básicos na próxima quarta-feira (7).
Nesta segunda (5) o Banco Central (BC) divulgou o boletim Focus, com projeções do mercado financeiro para os principais indicadores da economia. Analistas e investidores mantiveram a projeção de inflação medida pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) em 5,24%, em 2012. A taxa de câmbio estimada para o final do ano também ficou estável, em R$ 1,75. Houve ainda a manutenção da projeção da taxa básica de juros para o final de 2012 em 9,5% ao ano. A estimativa de correção para os preços administrados permanece em 4%.
Os investidores e analistas projetam uma redução da dívida líquida do setor público de 36,2% para 36% em relação ao Produto Interno Bruto (PIB). Já a estimativa de crescimento da economia este ano, nas projeções do mercado financeiro, permanece em 3,3%. A projeção para a expansão da produção industrial subiu de 2,6% para 2,77%.
Nas contas externas, há uma piora nas expectativas do setor. A estimativa para o déficit em conta-corrente passou de US$ 67,05 bilhões para US$ 67,8 bilhões, com queda no saldo da balança comercial de US$ 19,1 bilhões para US$ 19 bilhões. A perspectiva para os investimentos estrangeiros diretos permaneceu em US$ 55 bilhões.
por master | 06/03/12 | Ultimas Notícias
DESEMPENHO
O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulga hoje o Produto Interno Bruto (PIB) de 2011, que deve mostrar expressiva desaceleração da economia brasileira em relação ao crescimento de 7,5% registrado em 2010. Levantamento com 51 instituições aponta que o crescimento do PIB ficou entre 2,6% e 3% no ano passado, com mediana de 2,8%. Para 2012, as previsões variam de 2,3% a 3,7%, com mediana de 3,3%.
Indústria
Para os profissionais consultados, fatores externos foram decisivos para frear a expansão da economia em 2011. Neste início de ano, a economia brasileira não dá sinais de recuperação muito robusta. Um dos problemas é a indústria, que continua devagar. Sérgio Vale, da consultoria MB&Associados, projeta crescimento de 0,8% neste primeiro trimestre em relação ao quarto trimestre de 2011, e prevê que a produção industrial de janeiro tenha caído 2,6% ante igual mês do ano passado.