por master | 22/02/12 | Ultimas Notícias
Marcos Verlaine*
Este é um ano eleitoral. Portanto, um ano importantíssimo para mais uma etapa da democracia brasileira. O pleito de outubro próximo é mais um ato da democracia brasileira, cuja importância e resultado refletirão nas eleições gerais de 2014. Isto é, as forças políticas que se saírem vitoriosas no pleito municipal estarão mais próximas da vitória em 2014.
É importante que o movimento sindical atue nesse processo que se avizinha, pois sua intervenção organizada poderá produzir resultados que contribuam com a qualidade dos prefeitos eleitos e, também, das câmaras de vereadores.
Trocando em miúdos. Se o movimento sindical e os trabalhadores querem melhorar a qualidade da representação é preciso atuar nas eleições lançando e apoiando candidatos ligados e comprometidos com as agendas social e sindical.
O movimento sindical – os sindicatos, as federações, as confederações e as centrais – deve atuar a fim de influenciar os trabalhadores a votarem em candidatos com perfil social, político e ideológico renovador e mudancista. Para isso, devem começar a debater esse processo.
PR: boa iniciativa da Nova Central
Um bom exemplo disso foi o seminário realizado, no dia 16 de fevereiro, pela Nova Central Sindical dos Trabalhadores do Paraná, que debateu em Curitiba, com dirigentes de vários sindicatos do estado as eleições municipais, os trabalhadores e trabalhadoras e seus reflexos nas eleições em 2014.
O evento teve o objetivo de desencadear discussões e apontar rumos para os dirigentes que desejam concorrer nas eleições municipais.
É importantíssimo que o movimento sindical não só lance candidatos, mas apóie outros tantos, que os chame para debater, que os apresente às categorias que representam, a fim de ampliar o protagonismo social e político dos trabalhadores.
2014 começa em 2012
Nas eleições de 2010, os empresários elegeram para o Congresso Nacional, 250 deputados e 23 senadores. Segundo o Diap (Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar), é a maior bancada patronal que já ocupou o Legislativo federal.
Esta é uma correlação de forças que impede ou dificulta a agenda do movimento sindical avançar no Poder Legislativo. Para alterar este desequilíbrio de forças políticas é preciso atuar nas eleições municipais, com objetivo de eleger lideranças dos trabalhadores ou no mínimo projetá-las para as batalhas eleitorais do futuro.
Política, eleições, partidos e poder
Para exercer protagonismo no processo eleitoral, o movimento sindical deve considerar quatro elementos estruturantes:
1) a política é o único meio para resolver os graves e históricos problemas sociais e coletivos;
2) as eleições, no Brasil, são o único momento em que o poder fica em xeque. Assim, intervir nesse processo é fundamental para alterar os rumos da política no País;
3) só por meio dos partidos é possível disputar o poder. Os trabalhadores precisam compreender a necessidade dos partidos na democracia representativa, pois sem eles não é possível disputar do poder; e
4) a conquista do poder significa poder imprimir as políticas e projetos das forças vencedoras do processo eleitoral. Por isso, disputar é imperioso para forjar lideranças e construir as vanguardas dos trabalhadores.
(*) Jornalista, analista político e assessor parlamentar do Diap
por master | 22/02/12 | Ultimas Notícias
Na contramão de países desenvolvidos atingidos pela crise, o desemprego no Brasil entre os jovens caiu à metade, para 13,4%, nos últimos oito anos. Na Europa, a taxa chega a quase 50%. Já os brasileiros com mais de 50 anos vivem o pleno emprego.
Acena clássica que se imagina quando uma pessoa vai procurar emprego – olhar os classificados, esperar por entrevistas – não condiz com a história de Leandro Justin. “Não fiz nem currículo”, conta o professor de inglês de 21 anos.
E foi contratado há algumas semanas pela primeira empresa em que bateu à porta em busca de trabalho, numa escola de idiomas. Leandro faz parte de uma juventude brasileira que, desde 2003, viu o desemprego cair praticamente à metade.
Em 2011, a taxa de desocupação dos jovens de 18 a 24 anos, nas seis principais regiões metropolitanas do país, fechou em 13,4% – ainda elevada, mas bem distante dos 23,4% vistos em 2003. Cenário que contrasta com o que se nota nos países desenvolvidos, onde a crise atormenta os jovens europeus com taxas de desemprego próximas a 50%.
– Quem procura encontra trabalho. Pode não dar muito para escolher. Mas minha opção foi levar dinheiro para casa. Estou satisfeito – disse Leandro, professor do Brasas.
A percepção de Leandro se observa em números da Pesquisa Mensal de Emprego (PME) do IBGE. Segundo Cimar Azeredo, gerente da PME, o nível de ocupação dos jovens de 18 e 24 anos cresceu 11,7% nos últimos oito anos – acima da dos adultos, que aumentou 8,9%. De um lado, o bom momento da economia brasileira nos anos recentes tornou mais dinâmico o mercado de trabalho, e esse movimento favoreceu os mais novos também.
Por outro, os jovens fizeram a sua parte e aumentaram a escolaridade.
Dados da Pnad de 2009 indicam que mais da metade desses jovens cursa ou possui nível médio.
– A mão de obra brasileira está mais qualificada e, por isso, parte em busca de ocupações que exigem mais formação. Não é à toa que serviços domésticos ficaram mais caros justamente por falta de gente. Hoje, funções que surgiam por falta de oportunidade, como emprego doméstico, já não são mais a primeira opção do jovem que sai da escola. Isso é uma mudança na estrutura do mercado de trabalho e o jovem, certamente, é um dos protagonistas desse processo – apontou Azeredo, acrescentando que falta a esse jovem políticas de inserção no mundo do trabalho.
– O pesadelo de terminar uma faculdade, e ficar sem trabalho, ainda existe.
Qualificação é preocupante
Na avaliação de Marcelo Neri, chefe do Centro de Políticas Sociais da Fundação Getulio Vargas (FGV), a taxa de desemprego dos jovens é tradicionalmente acima da média do mercado. Contudo, para ele, no Brasil, a distância entre os indicadores é maior do que deveria ser.
– Ainda assim, o jovem brasileiro é o mais otimista, numa comparação feita em 132 países. Há, sem dúvida, uma melhora e há uma perspectiva de que as coisas vão melhorar.
Em tempos de crise, são os jovens os primeiros a perder emprego. Por isso, milhares de jovens na Europa protestam nas ruas, reivindicando melhores oportunidades, especialmente na Espanha, onde a taxa de desemprego atingiu os 45,8% no terceiro trimestre de 2011. Altas taxas também registram Grécia (45%) e Portugal (30%). Os jovens italianos, com 26,5%, já sofrem com uma taxa acima da brasileira de 2003 (23,4%).
– A zona do euro vive uma situação dramática, com um quadro desalentador para todos, inclusive para os mais jovens. E, detalhe: jovens que têm, em geral, uma formação superior à dos brasileiros. Mas há preocupações por aqui também.
Apesar das vagas que se abrem numa economia com uma dinâmica de crescimento razoável, é bastante preocupante o tipo de qualificação dos jovens brasileiros. O Brasil está pessimamente colocado em competições internacionais de matemática ou ciências. Já a China aparece em primeiro lugar em muitas delas – comentou Mônica de Bolle, economista da consultoria Galanto.
Mas um mercado de trabalho mais dinâmico do que o de outros países não traz necessariamente os melhores empregos, lembrou Naércio Menezes, professor do Instituto de Ensino e Pesquisa.
Muitos jovens estão ocupando funções abaixo de sua formação.
– A oferta de vagas que exigem mais qualificação não cresce no mesmo ritmo da demanda dos jovens com mais anos de estudo. Além disso, os ganhos das ocupações com pouca qualificação cresceram mais do que aquelas que exigem, por exemplo, nível superior.
Se na Europa – e também nos EUA – as famílias se ressentem de um mercado de trabalho em retração, no Brasil, os jovens conquistaram o direito de adiar a entrada no universo do emprego. Uma possibilidade que veio com o crescimento da renda dos brasileiros e políticas sociais que permitiram que muitos jovens optassem pelos bancos escolares em detrimento a um posto em uma empresa.
– Especialmente quem tem 15 a 17 anos escolhe estudar. Com mais renda, as famílias podem abrir mão dos ganhos desse jovem. E isso faz com que essa geração fique na escola por mais tempo – acrescentou Azeredo, do IBGE.
Pleno emprego dos com mais de 50 anos
Aos 23 anos, Clarissa do Nascimento é formada em moda. Apesar do diploma, ela resolveu ampliar ainda mais sua formação e voltou, mais uma vez, aos bancos escolares. Está fazendo curso técnico de maquiagem e caracterização para, mais à frente, tentar uma vaga.
– Minha história é diferente da do meu pai. Ele, aos 18, precisou trabalhar para pagar a faculdade. Hoje, mesmo tendo me preparado financeiramente para esse momento sem trabalho, conto com o suporte da família. E não vou precisar correr atrás de trabalho agora. Com mais especialização, emprego não deverá ser um problema no meu futuro – disse.
Na outra extremidade, as estatísticas também trazem um cenário mais positivo. De 2003 para 2011, a taxa de desocupação dos profissionais com mais de 50 anos saiu de 5,3% para 2,3%.
– É pleno emprego – concluiu João Sabóia, professor do Instituto de Economia da UFRJ. Após quase 30 anos na área de saúde, Rosana Maia, de 58 anos, decidiu recomeçar. Fez cursos de gastronomia e hoje dá aulas, presta consultoria e ainda organiza eventos.
– É como seu eu estivesse com 15 anos: me sinto apaixonada novamente pela vida. O diploma da atual profissão mais a minha experiência me garantiram um recomeço feliz – disse a chef de cozinha.
por master | 22/02/12 | Ultimas Notícias
Nos últimos 8 anos, ganho de quem fez faculdade teve 0,3% de aumento real, contra 30,6% dos com nível fundamental. Número de trabalhadores com diploma universitário cresceu 63%, o que, para economista, contribuiu para a queda na renda.
O diploma de curso superior não tem assegurado, necessariamente, crescimento do poder de compra nos últimos anos, mostra recente estudo feito pelo IBGE.
Na média, a renda dos trabalhadores com diploma universitário ficou praticamente estagnada de 2003 a 2011.
Nesse período, o salário médio desse grupo teve ganho real (acima da inflação) de apenas 0,3%, indo a R$ 3.850,52.
Na outra ponta, a remuneração média dos trabalhadores que têm até oito anos de escolaridade subiu 30,6% acima da inflação nesses últimos oito anos.
O estudo do IBGE abrange as regiões metropolitanas de São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Recife, Salvador e Porto Alegre.
Profissionais qualificados
Para o economista da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro) João Saboia, a estagnação da renda média entre graduados mostra que não há um apagão generalizado de profissionais qualificados.
Segundo o IBGE, o número de trabalhadores com curso superior cresceu 63% nos últimos oito anos.
O economista do Insper (Instituto de Ensino e Pesquisa) Naércio Menezes recorre à lógica da oferta e da demanda para afirmar que o número maior de profissionais com nível superior limitou o ganho de renda nesse grupo.
Mas isso varia de acordo com as áreas de formação, dizem os dois economistas.
Saboia analisou o perfil dos cargos formais gerados para profissionais com ensino superior em 2010 e notou que a carência de mão de obra é mais concentrada em áreas de perfil técnico, como física, química, engenharia, matemática e biotecnologia.
A demanda por esses profissionais vem crescendo com a expansão dos setores de construção civil, infraestrutura e petróleo, explica.
Humanas x Exatas
Segundo levantamento feito pela da Folha a partir de dados do Ministério da Educação, apenas 13,6% dos alunos que concluíram a universidade entre 2001 e 2010 se graduaram em cursos de exatas como os listados acima.
A grande maioria (67,6%) veio de áreas de humanas, como direito, educação, ciências sociais e artes. Saboia observa que parte desses profissionais não está conseguindo empregos em suas áreas.
Em seu estudo, ele descobriu também que 16% das novas vagas ocupadas em 2010 por pessoas com curso superior eram cargos de assistentes e auxiliares administrativos. Outros 4,7% eram postos técnicos de nível médio na indústria e no comércio.
“Tem muita gente se formando, mas não exatamente no que o mercado está precisando, então essas pessoas não estão sendo valorizadas”, afirma Saboia.
Apagão
Presidente da Asap (consultoria que faz recrutamento de profissionais com salários entre R$ 6 e R$ 15 mil), Carlos Eduardo Dias afirma haver um apagão de profissionais qualificados em todas as áreas.
Em algumas, segundo ele, não faltam pessoas graduadas, mas faltam profissionais com boa formação.
“O nosso ensino superior ainda não tem a qualidade que deveria ter. Falta qualidade na formação, e sobra vaga no mercado”, disse.
Dias reconhece, porém, que o problema é mais grave em áreas técnicas. Segundo ele, os salários oferecidos a engenheiros cresceram entre 30% e 50% acima da inflação nos últimos cinco anos.
por master | 22/02/12 | Ultimas Notícias
DE SÃO PAULO
A grande discrepância entre a evolução dos salários dos profissionais com ensino superior e daqueles com pouca escolaridade aproximou a renda desses grupos e reduziu a desigualdade do país.
Em alguns casos, cargos que não exigem nem ensino fundamental hoje oferecem remuneração próxima às recebidas por graduados.
Edital de concurso da Prefeitura de Vila Rica (MT) causou revolta nas redes sociais nos últimos dias ao revelar que o salário de professores de matemática, geografia e português eram menores que os de torneiro mecânico ou operador de escavadeira.
A seleção para professor exige curso superior do candidato que, caso aprovado, receberá R$ 1.246,32 por mês, por uma jornada semanal de 30 horas (R$ 41,54 por hora).
O torneiro mecânico, com fundamental completo, e o operador de escavadeira hidráulica, que pode ter fundamental incompleto, vão receber R$ 1.291,98 por 40 horas semanais (R$ 32,30 por hora).
Hely Fernandes, diretor de recursos humanos de Vila Rica, disse à Folha que o salário oferecido a professores segue o piso nacional da categoria. Segundo ele, operar escavadeira hidráulica exige capacidade técnica que poucos profissionais possuem.
João Saboia, da UFRJ, diz que o forte aumento do salário mínimo no governo Lula elevou a remuneração dos menos escolarizados.
Naércio Menezes, do Insper, afirma que foram abertas muitas vagas de pouca escolaridade no setor de serviços (garçons, cabeleireiros), aumentando a disputa por esses profissionais.
por master | 22/02/12 | Ultimas Notícias
JULIANO MOREIRA
DO AGORA
Dos mais de 37 milhões de segurados inscritos no INSS (Instituto Nacional do Seguro Social) em 2010, pelo menos 680.649 estavam expostos a agentes nocivos à saúde e podem garantir o tempo especial na aposentadoria.
Na comparação com 2009 houve aumento, já que naquele ano eram 628.508 trabalhadores expostos a agentes nocivos, dos mais de 34 milhões de segurados.
O benefício especial exige 15, 20 ou 25 anos de contribuição ao INSS, o que varia com o grau de exposição do trabalhador. Hoje, para ter a contagem especial, o trabalhador deve estar exposto a agentes nocivos químicos, físicos ou biológicos.
Para atividades até 1995, o INSS usa uma lista de profissões.
Assim, hoje o que define o tempo de contribuição que o segurado deverá ter para se aposentar de forma especial é a lista de agentes nocivos da Previdência, que informa o tempo de trabalho para cada atividade e agente.
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Por exemplo, um açougueiro exposto a baixas temperaturas de um frigorífico precisa ter 25 anos na atividade para conseguir a contagem do tempo especial.
Hoje, mais segurados estão na lista dos que podem se aposentar com 25 anos, pois, segundo o INSS, mais atividades exigem esse tempo.
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