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Reformas mantêm otimismo em lojas de material de construção

Reformas mantêm otimismo em lojas de material de construção

Mesmo com a desaceleração do mercado de imóveis novos, lojistas veem “demanda retida” por reparos e reformulação de casas e apartamentos

Estratégia
Home center usa boa aparência e serviços para chamar clientes


Loja de material de construção com cara de shopping é a aposta das grandes redes. “Nos últimos anos pudemos perceber que as lojas precisam deixar de ser ‘depósitos’, e qualificar os produtos e o fornecedor”, afirma Eduardo Balaroti, diretor de marketing e vendas do Balaroti. Para ele, quem não investir nesse novo modelo está fadado ao insucesso. “As pessoas querem ser bem atendidas, então precisamos oferecer, além dos produtos, uma loja bonita, organizada, com local para crianças, café, atendimento rápido e agilizado”, enumera.

Balaroti explica que a empresa ampliou os itens oferecidos para atrair consumidores. Utilidades para o lar, tapetes, papel de parede e artigos de decoração fazem com que as compras na loja de material de construção sejam um programa para toda a família. “Ampliamos nosso estoque e quase dobramos a oferta de itens, que hoje é de cerca de 60 mil, em catálogo”, diz.

Nesse mesmo caminho, a Leroy Merlin, em Curitiba, também ampliou a opção de produtos. Dos 60 mil itens em catálogo e 30 mil disponíveis em lojas em 2011, as unidades devem passar neste ano a oferecer 80 mil itens cadastrados e 42 mil para pronta entrega. “Outra mudança que percebemos com clareza é a ampliação do horário de atendimento das lojas. Se antes seguíamos o horário comercial, hoje a maioria dos lojistas abre as portas nos finais de semana e feriados”, analisa Alexandre Pavão, diretor da Leroy Merlin em Curitiba. “Isso acontece porque, no Brasil, as pessoas já aprenderam a cuidar do carro, dos eletrodomésticos e agora estão descobrindo o que é cuidar do lar”, comenta Balaroti.

Lojistas médios e pequenos seguem no páreo

Embora haja proliferação de grandes redes de lojas de materiais de construção, pequenos e médios comerciantes não estão em desvantagem. “As nossas pesquisas mostram que 90% dos produtos de uma obra são adquiridos em alguma loja que fica, no máximo, dentro de um raio de 1,5 quilômetros”, aponta Claudio Conz, presidente da Anamaco. Ele argumenta que esse fenômeno acontece por causa do frete. “Uma grande loja pode até oferecer preços tentadores, mas a compra é feita pela proximidade, que influencia no preço que se paga para o transporte do produto”, comenta.


Conz acredita que as grandes e pequenas lojas de materiais não chegam a ser vistas como concorrentes, mas como complementares. Agnelo Ribas, diretor da Diprotec, lembra que a estocagem e o processo de logística de entrega são os principais investimentos nas lojas. “Percebemos que, quando a obra precisa de material, é com urgência. Às vezes, mesmo um planejamento apurado pode falhar”, afirma, lembrando que as lojas estão investindo na eficiência para atender.


Os lojistas do setor de material de construção estão otimistas. Preparam, para 2012, reformas, expansão em lojas, contratação de pessoal e reforço nos estoques. Embora a expectativa do setor não alcance números expressivos – o crescimento nas vendas deve ficar na casa dos 7% em relação a 2011, de acordo com a Associação Nacional dos Comerciantes de Material de Construção (Anamaco) –, quem lida com o consumidor acredita que o ano pode ser ainda melhor.

 


Entre os principais motivos para manter a esperança dos varejistas estão as facilidades de financiamento, como a nova linha de crédito para materiais de construção lançada em janeiro pelo governo federal; e a demanda provocada por reformas e reparos. “Se o mercado de vendas de imóveis novos está começando a vislumbrar um desaquecimento, uma vez que a oferta está suprindo a necessidade da população, ainda temos uma demanda retida por reformulação”, comenta Agnelo Ribas, diretor da Diprotec.

O excesso de chuvas no Brasil também fomenta o mercado. “A partir de abril, a manutenção das casas influencia nas vendas”, afirma Claudio Conz, presidente da Anamaco. De acordo com ele, consertos de telhados, muros, calçadas e uma série de pequenos reparos vão ajudar a animar o mercado.

A Diprotec, que revende materiais de construção, aposta na especialização do atendimento para ganhar o cliente. “Hoje em dia, o consumidor não compra qualquer coisa, mas quer ter consultoria para escolher o que levar. Os produtos estão mais sofisticados e caros, então as pessoas sabem que a longevidade da obra está ligada à qualidade dos materiais”, afirma Ribas.

Para a entidade que representa o setor, independentemente de previsões de crescimento, a única certeza que os lojistas podem ter é de que precisarão inovar. “Facilidades de financiamento não atuam como uma varinha mágica, que divide o tempo em antes ou depois de ela acontecer”, indica Ribas. Para ele, as linhas de crédito amparam o setor, mas acompanhar a mudanças do consumidor, que está mais exigente, é a principal medida a ser tomada. “Temos um novo nicho de mercado: as classes C e D precisam de orientações mais adequadas, então as lojas têm de oferecer bom atendimento, qualificação profissional e logística apurada”, enumera.

Equilíbrio

O recorde de vendas até hoje foi obtido em 2010. Naquele ano, o setor faturou R$ 49,8 bilhões e cresceu 10,6% com relação a 2009. “O ano passado foi pior, mas esse ano não deve haver quedas nos índices. O que importa é que estamos crescendo”, assegura Conz. O setor deve manter um crescimento da ordem de 7% com relação a 2011 – para o presidente, isso não é ruim. “Estamos em um mercado que não permite mudanças bruscas. Se crescermos demais, há desequilíbrio porque os outros setores envolvidos, como a indústria, transporte e construção civil, não conseguem acompanhar o ritmo”, explica. De acordo com ele, o ideal é que o setor de varejo cresça de forma que não faltem produtos para o consumidor e nem falte mão de obra.

Reformas mantêm otimismo em lojas de material de construção

Reformas mantêm otimismo em lojas de material de construção

Mesmo com a desaceleração do mercado de imóveis novos, lojistas veem “demanda retida” por reparos e reformulação de casas e apartamentos

Estratégia
Home center usa boa aparência e serviços para chamar clientes


Loja de material de construção com cara de shopping é a aposta das grandes redes. “Nos últimos anos pudemos perceber que as lojas precisam deixar de ser ‘depósitos’, e qualificar os produtos e o fornecedor”, afirma Eduardo Balaroti, diretor de marketing e vendas do Balaroti. Para ele, quem não investir nesse novo modelo está fadado ao insucesso. “As pessoas querem ser bem atendidas, então precisamos oferecer, além dos produtos, uma loja bonita, organizada, com local para crianças, café, atendimento rápido e agilizado”, enumera.

Balaroti explica que a empresa ampliou os itens oferecidos para atrair consumidores. Utilidades para o lar, tapetes, papel de parede e artigos de decoração fazem com que as compras na loja de material de construção sejam um programa para toda a família. “Ampliamos nosso estoque e quase dobramos a oferta de itens, que hoje é de cerca de 60 mil, em catálogo”, diz.

Nesse mesmo caminho, a Leroy Merlin, em Curitiba, também ampliou a opção de produtos. Dos 60 mil itens em catálogo e 30 mil disponíveis em lojas em 2011, as unidades devem passar neste ano a oferecer 80 mil itens cadastrados e 42 mil para pronta entrega. “Outra mudança que percebemos com clareza é a ampliação do horário de atendimento das lojas. Se antes seguíamos o horário comercial, hoje a maioria dos lojistas abre as portas nos finais de semana e feriados”, analisa Alexandre Pavão, diretor da Leroy Merlin em Curitiba. “Isso acontece porque, no Brasil, as pessoas já aprenderam a cuidar do carro, dos eletrodomésticos e agora estão descobrindo o que é cuidar do lar”, comenta Balaroti.

Lojistas médios e pequenos seguem no páreo

Embora haja proliferação de grandes redes de lojas de materiais de construção, pequenos e médios comerciantes não estão em desvantagem. “As nossas pesquisas mostram que 90% dos produtos de uma obra são adquiridos em alguma loja que fica, no máximo, dentro de um raio de 1,5 quilômetros”, aponta Claudio Conz, presidente da Anamaco. Ele argumenta que esse fenômeno acontece por causa do frete. “Uma grande loja pode até oferecer preços tentadores, mas a compra é feita pela proximidade, que influencia no preço que se paga para o transporte do produto”, comenta.


Conz acredita que as grandes e pequenas lojas de materiais não chegam a ser vistas como concorrentes, mas como complementares. Agnelo Ribas, diretor da Diprotec, lembra que a estocagem e o processo de logística de entrega são os principais investimentos nas lojas. “Percebemos que, quando a obra precisa de material, é com urgência. Às vezes, mesmo um planejamento apurado pode falhar”, afirma, lembrando que as lojas estão investindo na eficiência para atender.


Os lojistas do setor de material de construção estão otimistas. Preparam, para 2012, reformas, expansão em lojas, contratação de pessoal e reforço nos estoques. Embora a expectativa do setor não alcance números expressivos – o crescimento nas vendas deve ficar na casa dos 7% em relação a 2011, de acordo com a Associação Nacional dos Comerciantes de Material de Construção (Anamaco) –, quem lida com o consumidor acredita que o ano pode ser ainda melhor.

 


Entre os principais motivos para manter a esperança dos varejistas estão as facilidades de financiamento, como a nova linha de crédito para materiais de construção lançada em janeiro pelo governo federal; e a demanda provocada por reformas e reparos. “Se o mercado de vendas de imóveis novos está começando a vislumbrar um desaquecimento, uma vez que a oferta está suprindo a necessidade da população, ainda temos uma demanda retida por reformulação”, comenta Agnelo Ribas, diretor da Diprotec.

O excesso de chuvas no Brasil também fomenta o mercado. “A partir de abril, a manutenção das casas influencia nas vendas”, afirma Claudio Conz, presidente da Anamaco. De acordo com ele, consertos de telhados, muros, calçadas e uma série de pequenos reparos vão ajudar a animar o mercado.

A Diprotec, que revende materiais de construção, aposta na especialização do atendimento para ganhar o cliente. “Hoje em dia, o consumidor não compra qualquer coisa, mas quer ter consultoria para escolher o que levar. Os produtos estão mais sofisticados e caros, então as pessoas sabem que a longevidade da obra está ligada à qualidade dos materiais”, afirma Ribas.

Para a entidade que representa o setor, independentemente de previsões de crescimento, a única certeza que os lojistas podem ter é de que precisarão inovar. “Facilidades de financiamento não atuam como uma varinha mágica, que divide o tempo em antes ou depois de ela acontecer”, indica Ribas. Para ele, as linhas de crédito amparam o setor, mas acompanhar a mudanças do consumidor, que está mais exigente, é a principal medida a ser tomada. “Temos um novo nicho de mercado: as classes C e D precisam de orientações mais adequadas, então as lojas têm de oferecer bom atendimento, qualificação profissional e logística apurada”, enumera.

Equilíbrio

O recorde de vendas até hoje foi obtido em 2010. Naquele ano, o setor faturou R$ 49,8 bilhões e cresceu 10,6% com relação a 2009. “O ano passado foi pior, mas esse ano não deve haver quedas nos índices. O que importa é que estamos crescendo”, assegura Conz. O setor deve manter um crescimento da ordem de 7% com relação a 2011 – para o presidente, isso não é ruim. “Estamos em um mercado que não permite mudanças bruscas. Se crescermos demais, há desequilíbrio porque os outros setores envolvidos, como a indústria, transporte e construção civil, não conseguem acompanhar o ritmo”, explica. De acordo com ele, o ideal é que o setor de varejo cresça de forma que não faltem produtos para o consumidor e nem falte mão de obra.

Reformas mantêm otimismo em lojas de material de construção

Novo perfil dos estrangeiros no Brasil

O Brasil está no radar de novos imigrantes em busca de oportunidades de emprego formal e qualificado. Depois da explosão da crise financeira em 2008 que gerou uma forte recessão na economia norte-americana e abalou os mercados da zona do euro, o Brasil tem se destacado como uma economia emergente de estabilidade face a onda de desemprego e desaceleração em países do chamado primeiro mundo.

Atraídos pelo crescimento da economia, imigrantes regulares já são quase dois milhões.

Depois de 2008, o Brasil passou a ser um país de atração não só de investimentos mas também de técnicos, especialistas, consultores, gerentes e empresários, sendo visto como uma “ilha de prosperidade”, enquanto na Europa o cenário de desemprego evidencia a dificuldade de recuperação econômica desses países.

“O Brasil está no radar dessas pessoas, a imigração formal com visto de trabalho e para estudos tem aumentado. Vivemos hoje num país que tem gerado pleno emprego, muitas oportunidades de trabalho num universo europeu com pessoas desempregadas”, explica o coordenador geral de imigração do Ministério do Trabalho, Paulo Sérgio de Almeida.

O número de estrangeiros regulares no país aumentou em 50% de dezembro de 2009 para julho de 2011 – de 961 mil para 1,46 milhão, segundo dados do Ministério da Justiça. Os vistos têm sido emitidos para realização de trabalhos temporários, estudos e pesquisa.

Os maiores aumentos absolutos de estrangeiros regulares no país são de nacionalidades como: portuguesa (de 276 mil para 328 mil, de 2009 para julho de 2011); espanhola (de 58 mil para 80 mil); boliviana (de 35 mil para 50 mil); chinesa (de 28 mil para 35 mil); e paraguaia (de 11 mil para 17 mil).

Vistos para trabalho temporário


Só no período entre janeiro e setembro de 2011, foram concedidas 51.353 autorizações de trabalho pela CGIg (Coordenação Geral de Imigração), do MTE (Ministério do Trabalho e Emprego), um aumento de 32,8% em relação ao mesmo período de 2010. A maioria das autorizações, 96% desse total, foram concedidas para estrangeiros com contrato de trabalho temporário no Brasil.

A título de comparação, em 2005, antes da explosão da crise financeira, foram 24.000 autorizações para estrangeiros. Já em 2010, foram 56 mil as autorizações de trabalho concedidas. Num período de cinco anos, o número de vistos de trabalho mais que dobrou.

Os dados de 2011 dão conta até o terceiro trimestre, quando já foi 30% superior ao mesmo período de 2010. O país deve fechar o ano de 2011 com cerca de 70.000 vistos de trabalho concedidos a estrangeiros, em sua maioria, a europeus, americanos e asiáticos – muitos dos quais chineses, devido ao aumento da corrente de comércio entre Brasil e China.

Dos europeus, grande parte é proveniente do Reino Unido e de países nórdicos como Noruega, Holanda, e também Alemanha. Mas o ano de 2011 foi marcado pela vinda de profissionais espanhóis e portugueses, fugindo da crise que assola esses países aumentando o cenário de desemprego de muitos profissionais qualificados disponíveis nesses mercado.

Maior qualificação


Um fenômeno interessante tem chamado a atenção das autoridades de imigração: o nível de qualificação. Segundo Paulo de Almeida, que também preside o CNIg (Conselho Nacional de Imigração), dobrou o número de mestres e doutores que desembarcam no Brasil.

Em 2010, foram 476 mestres que entraram no país, esse volume foi mais do que quadruplicado em 2011. Até o terceiro trimestre do último ano, 1.954 mestres deram entrada no Brasil. Já o número de doutores subiu de 112, em 2010, para 153, até setembro de 2011.

As autorizações de trabalho a estrangeiros são em sua maioria de empresas que contratam profissionais estrangeiros, segundo Paulo de Almeida, que vem por conta de situações específicas como compra de equipamento do exterior como embarcações e plataformas da indústria do petróleo que são importadas e vêm com tripulantes. “Mais de 90% são desses casos que nós autorizamos”, salientou.

Há também vagas de trabalho no mercado que não conseguem ser ocupadas por profissionais brasileiros e vêm estrangeiros para suprir essa carência, “são vagas, em geral, para postos altamente qualificados”.

De acordo com Almeida, o maior crescimento entre profissionais com contrato de trabalho de até dois anos é reflexo do aumento de empresas de origem estrangeira que estão se instalando no Brasil. São empresas multinacionais que trazem inicialmente estrangeiros que detém técnicas e tecnologias, demonstrando também que esta mão-de-obra tem sido altamente qualificada.

Concorrência é grande


O sueco Christian N., de 30 anos, mesmo com qualificação na sua área em engenharia mecânica e administração de empresas, está em busca de emprego no Brasil desde junho de 2011, quando mudou-se com sua companheira brasileira para o Rio de Janeiro.

O jovem europeu, que já morou em países como Alemanha e Espanha, trabalhou numa empresa multinacional americana em Luxemburgo. Depois foi transferido para Holanda especializando-se em logística. Não tem encontrado a vida tão fácil no Brasil.

Apesar de o mercado brasileiro estar aquecido com oportunidades para estrangeiros, muitos que buscam emprego aqui tem enfrentado dificuldades. Primeiro, a língua, e depois, a concorrência.

“Todo mundo falou que era um bom momento vir para o Brasil, mas aqui é difícil, tem sempre que ter contatos, conhecer alguém para conseguir fazer as entrevistas de trabalho. Tem vagas para se cadastrar, mas é difícil ter retorno (dos empregadores)”, contou Christian ao Opera Mundi. Ele chegou ao país sem falar português, mas hoje já aprendeu a língua e a fala com fluência. O sueco diz que se sente preparado para o mercado brasileiro, apesar da grande competitividade.

O engenheiro conta que já imaginava que poderia levar até um ano para conseguir emprego e se posicionar no mercado. Mas é um pouco frustrante, admite. “O chato é que demora tanto”, disse.

Christian tinha um bom emprego como analista de distribuição na última empresa onde trabalhou na Holanda e recebia 3.700 mil euros, cerca de R$ 8.000. No Brasil, para ocupar esse mesmo posto, ele acha que o salário pode ser mais baixo,

Caso não consiga emprego no seu nível de qualificação, pretende partir para trabalhos que não sejam específicos da sua área ou com um nível menor. “Teria disposição para trabalhar por menos ou em outras áreas. Mas estou ainda tentando na minha”, disse.

Atraídos pelo crescimento da economia, imigrantes regulares já são quase 2 milhões. Europeus predominam. Boa parte possui alta qualificação profissional

Novo perfil dos estrangeiros no Brasil

 

Reformas mantêm otimismo em lojas de material de construção

Novo perfil dos estrangeiros no Brasil

O Brasil está no radar de novos imigrantes em busca de oportunidades de emprego formal e qualificado. Depois da explosão da crise financeira em 2008 que gerou uma forte recessão na economia norte-americana e abalou os mercados da zona do euro, o Brasil tem se destacado como uma economia emergente de estabilidade face a onda de desemprego e desaceleração em países do chamado primeiro mundo.

Atraídos pelo crescimento da economia, imigrantes regulares já são quase dois milhões.

Depois de 2008, o Brasil passou a ser um país de atração não só de investimentos mas também de técnicos, especialistas, consultores, gerentes e empresários, sendo visto como uma “ilha de prosperidade”, enquanto na Europa o cenário de desemprego evidencia a dificuldade de recuperação econômica desses países.

“O Brasil está no radar dessas pessoas, a imigração formal com visto de trabalho e para estudos tem aumentado. Vivemos hoje num país que tem gerado pleno emprego, muitas oportunidades de trabalho num universo europeu com pessoas desempregadas”, explica o coordenador geral de imigração do Ministério do Trabalho, Paulo Sérgio de Almeida.

O número de estrangeiros regulares no país aumentou em 50% de dezembro de 2009 para julho de 2011 – de 961 mil para 1,46 milhão, segundo dados do Ministério da Justiça. Os vistos têm sido emitidos para realização de trabalhos temporários, estudos e pesquisa.

Os maiores aumentos absolutos de estrangeiros regulares no país são de nacionalidades como: portuguesa (de 276 mil para 328 mil, de 2009 para julho de 2011); espanhola (de 58 mil para 80 mil); boliviana (de 35 mil para 50 mil); chinesa (de 28 mil para 35 mil); e paraguaia (de 11 mil para 17 mil).

Vistos para trabalho temporário


Só no período entre janeiro e setembro de 2011, foram concedidas 51.353 autorizações de trabalho pela CGIg (Coordenação Geral de Imigração), do MTE (Ministério do Trabalho e Emprego), um aumento de 32,8% em relação ao mesmo período de 2010. A maioria das autorizações, 96% desse total, foram concedidas para estrangeiros com contrato de trabalho temporário no Brasil.

A título de comparação, em 2005, antes da explosão da crise financeira, foram 24.000 autorizações para estrangeiros. Já em 2010, foram 56 mil as autorizações de trabalho concedidas. Num período de cinco anos, o número de vistos de trabalho mais que dobrou.

Os dados de 2011 dão conta até o terceiro trimestre, quando já foi 30% superior ao mesmo período de 2010. O país deve fechar o ano de 2011 com cerca de 70.000 vistos de trabalho concedidos a estrangeiros, em sua maioria, a europeus, americanos e asiáticos – muitos dos quais chineses, devido ao aumento da corrente de comércio entre Brasil e China.

Dos europeus, grande parte é proveniente do Reino Unido e de países nórdicos como Noruega, Holanda, e também Alemanha. Mas o ano de 2011 foi marcado pela vinda de profissionais espanhóis e portugueses, fugindo da crise que assola esses países aumentando o cenário de desemprego de muitos profissionais qualificados disponíveis nesses mercado.

Maior qualificação


Um fenômeno interessante tem chamado a atenção das autoridades de imigração: o nível de qualificação. Segundo Paulo de Almeida, que também preside o CNIg (Conselho Nacional de Imigração), dobrou o número de mestres e doutores que desembarcam no Brasil.

Em 2010, foram 476 mestres que entraram no país, esse volume foi mais do que quadruplicado em 2011. Até o terceiro trimestre do último ano, 1.954 mestres deram entrada no Brasil. Já o número de doutores subiu de 112, em 2010, para 153, até setembro de 2011.

As autorizações de trabalho a estrangeiros são em sua maioria de empresas que contratam profissionais estrangeiros, segundo Paulo de Almeida, que vem por conta de situações específicas como compra de equipamento do exterior como embarcações e plataformas da indústria do petróleo que são importadas e vêm com tripulantes. “Mais de 90% são desses casos que nós autorizamos”, salientou.

Há também vagas de trabalho no mercado que não conseguem ser ocupadas por profissionais brasileiros e vêm estrangeiros para suprir essa carência, “são vagas, em geral, para postos altamente qualificados”.

De acordo com Almeida, o maior crescimento entre profissionais com contrato de trabalho de até dois anos é reflexo do aumento de empresas de origem estrangeira que estão se instalando no Brasil. São empresas multinacionais que trazem inicialmente estrangeiros que detém técnicas e tecnologias, demonstrando também que esta mão-de-obra tem sido altamente qualificada.

Concorrência é grande


O sueco Christian N., de 30 anos, mesmo com qualificação na sua área em engenharia mecânica e administração de empresas, está em busca de emprego no Brasil desde junho de 2011, quando mudou-se com sua companheira brasileira para o Rio de Janeiro.

O jovem europeu, que já morou em países como Alemanha e Espanha, trabalhou numa empresa multinacional americana em Luxemburgo. Depois foi transferido para Holanda especializando-se em logística. Não tem encontrado a vida tão fácil no Brasil.

Apesar de o mercado brasileiro estar aquecido com oportunidades para estrangeiros, muitos que buscam emprego aqui tem enfrentado dificuldades. Primeiro, a língua, e depois, a concorrência.

“Todo mundo falou que era um bom momento vir para o Brasil, mas aqui é difícil, tem sempre que ter contatos, conhecer alguém para conseguir fazer as entrevistas de trabalho. Tem vagas para se cadastrar, mas é difícil ter retorno (dos empregadores)”, contou Christian ao Opera Mundi. Ele chegou ao país sem falar português, mas hoje já aprendeu a língua e a fala com fluência. O sueco diz que se sente preparado para o mercado brasileiro, apesar da grande competitividade.

O engenheiro conta que já imaginava que poderia levar até um ano para conseguir emprego e se posicionar no mercado. Mas é um pouco frustrante, admite. “O chato é que demora tanto”, disse.

Christian tinha um bom emprego como analista de distribuição na última empresa onde trabalhou na Holanda e recebia 3.700 mil euros, cerca de R$ 8.000. No Brasil, para ocupar esse mesmo posto, ele acha que o salário pode ser mais baixo,

Caso não consiga emprego no seu nível de qualificação, pretende partir para trabalhos que não sejam específicos da sua área ou com um nível menor. “Teria disposição para trabalhar por menos ou em outras áreas. Mas estou ainda tentando na minha”, disse.

Atraídos pelo crescimento da economia, imigrantes regulares já são quase 2 milhões. Europeus predominam. Boa parte possui alta qualificação profissional

Novo perfil dos estrangeiros no Brasil

 

Reformas mantêm otimismo em lojas de material de construção

Cresce em dez vezes número de donas de casa que contribuem para INSS

O número de donas de casa de baixa renda que contribuem para a Previdência Social aumentou de 5.528 para 52.040 entre os meses de outubro e dezembro do ano passado. Desde outubro de 2011, as donas de casa de famílias de baixa renda podem contribuir para a Previdência Social pagando uma alíquota de 5% sobre o salário mínimo (R$ 31,1), de acordo com a Lei 12.470.
 
O programa beneficia quem se dedica somente ao trabalho doméstico. Os estados com o maior número de donas de casa que se tornaram seguradas da Previdência Social foram São Paulo (10.232), Minas Gerais (8.672) e Rio de Janeiro (5.492).
 
Os contribuintes têm direito a benefícios como aposentadoria por idade e por invalidez, auxílio-doença, salário-maternidade, pensão por morte e auxílio-reclusão.
 
Para ter direito ao benefício, a família deve estar inscrita no Cadastro Único para Programas Sociais (CadÚnico) e ter renda familiar até dois salários mínimos. A inscrição é feita pelo telefone 135.