por master | 24/01/12 | Ultimas Notícias
Entrando no quarto ano, a crise econômica põe o mundo à beira de uma explosão social que exigirá um plano de resgate trilionário para ser superada. Dados divulgados pela Organização Internacional do Trabalho apontam que a crise do desemprego é a pior já registrada e a economia mundial terá de criar 600 milhões de postos de trabalho até 2020 para inserir os que hoje estão desempregados e ainda incorporar milhões de jovens que entrarão no mercado produtivo.
A estimativa é de que os governos terão de investir 2% do Produto Interno Bruto (PIB) mundial – US$ 1,2 trilhão – para criar os postos de trabalho eliminados e ainda dar uma resposta à nova geração de trabalhadores. Além disso, a recessão que eclodiu em 2008 exigirá uma década para ser superada.
Desde 2007, 27 milhões de pessoas perderam o trabalho, fazendo o número global de desempregados atingir o recorde de 197 milhões de pessoas, uma alta de 13% em poucos anos.
Metade dessa massa de desempregados está nos países ricos e a taxa média mundial de desemprego passou de 5,5% para 6,2%. Na América Latina, 3 milhões de pessoas foram demitidas nos dois primeiros anos da crise, fazendo a taxa subir de 7,0% para 7,7%. Em 2010 e 2011, porém, o índice caiu para 7,2%.
A esperança era de que, a partir de 2011, a economia mundial voltasse a crescer e começasse a gerar postos de trabalho. Mas o ano terminou com um resultado frágil. Nos países ricos, mais de 2 milhões de pessoas foram demitidas, o que foi compensado pela expansão nos mercados emergentes.
Neste ano, desaceleração da economia mundial fará com que pelo menos outros 3 milhões fiquem desempregados. O número, porém, poderá ser ainda maior se a Europa não der uma solução para sua crise da dívida e a própria OIT já admite que o ano verá a eliminação de 6 milhões de postos de trabalho e outros 5 milhões em 2013, metade na Europa. “Tudo indica que o desemprego continuará a crescer”, alertou Jose Manuel Salazar, diretor executivo da OIT.
Na Europa, 45 milhões de pessoas estão sem trabalho. Um terço já busca emprego por mais de um ano. Na melhor das hipóteses, a taxa de desemprego que bateu 8,8% em 2010 será reduzida para 7,7% em 2016. Mas, ainda assim, estará acima dos 6,1% de 2008.
A tarefa só ficará mais complicada nos próximos anos. Além de dar uma solução aos 200 milhões de desempregados, o mundo verá uma explosão da oferta de mão de obra, com a chegada ao mercado de 400 milhões de novos trabalhadores. Nos países emergentes, a expansão demográfica será a principal responsável. Sem uma resposta, governos poderão registrar protestos, explosão social e violência.
Esse “caldo” já começa a ser fermentado diante das dificuldades em encontrar trabalho. Hoje, 29 milhões de pessoas pelo mundo já abandonaram a busca por um emprego diante da falta de oferta. Se esse contingente fosse somado ao total de desempregados, o número chegaria a 225 milhões de pessoas e a taxa do desemprego passaria de 6% para 7%.
Outro fator é o desemprego recorde entre jovens. O número absoluto chega a 74 milhões de pessoas, 4 milhões a mais em relação a 2007. Em alguns países europeus, metade desses jovens não encontra trabalho.
Década perdida
Se a crise continuar, a previsão é de que em 2016 haverá mais 9 milhões de desempregado. Na OIT, a percepção é de que os pacotes de austeridade que se proliferam para dar uma resposta à crise da dívida estão deteriorando ainda mais a situação. Em 2013, portanto, o desemprego pode bater recorde na Europa, com uma taxa de 9%, acima dos 8,8% de 2010.
Para a OIT, não há dúvidas de que os planos adotados por governos para lidar com a crise não estão gerando empregos. A entidade, portanto, pede investimentos e que criação de postos de trabalho esteja entre as prioridades. “Sair ou não da crise vai depender da criação de postos de trabalho”, alertou Juan Somavia, diretor da OIT.
por master | 24/01/12 | Ultimas Notícias
Entrando no quarto ano, a crise econômica põe o mundo à beira de uma explosão social que exigirá um plano de resgate trilionário para ser superada. Dados divulgados pela Organização Internacional do Trabalho apontam que a crise do desemprego é a pior já registrada e a economia mundial terá de criar 600 milhões de postos de trabalho até 2020 para inserir os que hoje estão desempregados e ainda incorporar milhões de jovens que entrarão no mercado produtivo.
A estimativa é de que os governos terão de investir 2% do Produto Interno Bruto (PIB) mundial – US$ 1,2 trilhão – para criar os postos de trabalho eliminados e ainda dar uma resposta à nova geração de trabalhadores. Além disso, a recessão que eclodiu em 2008 exigirá uma década para ser superada.
Desde 2007, 27 milhões de pessoas perderam o trabalho, fazendo o número global de desempregados atingir o recorde de 197 milhões de pessoas, uma alta de 13% em poucos anos.
Metade dessa massa de desempregados está nos países ricos e a taxa média mundial de desemprego passou de 5,5% para 6,2%. Na América Latina, 3 milhões de pessoas foram demitidas nos dois primeiros anos da crise, fazendo a taxa subir de 7,0% para 7,7%. Em 2010 e 2011, porém, o índice caiu para 7,2%.
A esperança era de que, a partir de 2011, a economia mundial voltasse a crescer e começasse a gerar postos de trabalho. Mas o ano terminou com um resultado frágil. Nos países ricos, mais de 2 milhões de pessoas foram demitidas, o que foi compensado pela expansão nos mercados emergentes.
Neste ano, desaceleração da economia mundial fará com que pelo menos outros 3 milhões fiquem desempregados. O número, porém, poderá ser ainda maior se a Europa não der uma solução para sua crise da dívida e a própria OIT já admite que o ano verá a eliminação de 6 milhões de postos de trabalho e outros 5 milhões em 2013, metade na Europa. “Tudo indica que o desemprego continuará a crescer”, alertou Jose Manuel Salazar, diretor executivo da OIT.
Na Europa, 45 milhões de pessoas estão sem trabalho. Um terço já busca emprego por mais de um ano. Na melhor das hipóteses, a taxa de desemprego que bateu 8,8% em 2010 será reduzida para 7,7% em 2016. Mas, ainda assim, estará acima dos 6,1% de 2008.
A tarefa só ficará mais complicada nos próximos anos. Além de dar uma solução aos 200 milhões de desempregados, o mundo verá uma explosão da oferta de mão de obra, com a chegada ao mercado de 400 milhões de novos trabalhadores. Nos países emergentes, a expansão demográfica será a principal responsável. Sem uma resposta, governos poderão registrar protestos, explosão social e violência.
Esse “caldo” já começa a ser fermentado diante das dificuldades em encontrar trabalho. Hoje, 29 milhões de pessoas pelo mundo já abandonaram a busca por um emprego diante da falta de oferta. Se esse contingente fosse somado ao total de desempregados, o número chegaria a 225 milhões de pessoas e a taxa do desemprego passaria de 6% para 7%.
Outro fator é o desemprego recorde entre jovens. O número absoluto chega a 74 milhões de pessoas, 4 milhões a mais em relação a 2007. Em alguns países europeus, metade desses jovens não encontra trabalho.
Década perdida
Se a crise continuar, a previsão é de que em 2016 haverá mais 9 milhões de desempregado. Na OIT, a percepção é de que os pacotes de austeridade que se proliferam para dar uma resposta à crise da dívida estão deteriorando ainda mais a situação. Em 2013, portanto, o desemprego pode bater recorde na Europa, com uma taxa de 9%, acima dos 8,8% de 2010.
Para a OIT, não há dúvidas de que os planos adotados por governos para lidar com a crise não estão gerando empregos. A entidade, portanto, pede investimentos e que criação de postos de trabalho esteja entre as prioridades. “Sair ou não da crise vai depender da criação de postos de trabalho”, alertou Juan Somavia, diretor da OIT.
por master | 24/01/12 | Ultimas Notícias
A crise econômica está levando ao renascimento da prática de escambo na Europa e em outros continentes.
Impulsionados pelas redes sociais, os chamados swap shops, mercados de troca onde os clientes não usam dinheiro para adquirir produtos de segunda mão, já funcionam oficialmente em 18 países. Só na Espanha as feiras de escambo passaram de algumas dezenas em 2007 para cerca de 600 em 2012.
Além disso, um grupo de jovens espanhóis também criou uma alternativa radical para contornar a crise: “lojas” em que todos os produtos são de graça.
Para os organizadores, a razão é a crise, mas também há um forte apelo ao consumo “responsável”.
“Não se trata apenas de obter um produto sem ter que gastar, o mais importante é conscientizar as pessoas de que temos que reaprender a consumir”, disse à BBC Brasil um porta-voz do Movimento Indignados-15M, que lidera os grupos de escambos organizados na Espanha.
“E aprender (também) a dar valor ao que é realmente útil e necessário para não cair na tentação de comprar de maneira compulsiva e irracional.”
‘Economia solidária’
Os escambos organizados em redes internacionais começaram em 2003 e aumentaram com a chegada da crise econômica em 2008, multiplicando-se a partir de 2010. Associações de estudantes, ativistas anticapitalistas e ONGs promoviam reuniões que acabaram se tornando um espaço de intercâmbio de produtos e serviços.
Feiras são vistas como incentivo ao consumo consciente e à economia solidária
Atualmente, há mais de 8 mil grupos organizados espalhados pelo mundo em redes de trocas que colocam à disposição pública quase todos os tipos de artigos e serviços.
Na feira madrilenha La Charca, os organizadores pedem aos consumidores que levem uma manta ou esteira para colocar os artigos à mostra e comida para compartilhar. Vale trocar de truques caseiros até habilidades profissionais.
Ao contrário dos antigos escambos de peças em mau estado que atraíam colecionadores e clientes pobres, os novos mercados são frequentados por todo tipo de público.
“As pessoas estão vendo nesses escambos um conceito de economia solidária. Uma ideia de colaboração sem avaria”, disse à BBC Brasil a socióloga Elena Rodríguez, professora da Universidade Complutense de Madri.
“Também uma forma de atenuar a depressão psicológica surgida com a crise, porque reintegra clientes que tinham deixado de consumir e provedores que tinham deixado de oferecer seus produtos. Humaniza o processo comercial”, explicou.
Tudo de graça
Além das feiras de escambo, o Movimento Indignados, também organiza lojas que oferecem roupas e livros usados de graça. A única condição é que a peça escolhida seja utilizada.
Os artigos expostos são todos doados (devem estar em bom estado) e não há limites para o número de peças que um cliente queira levar.
Um dos primeiros mercados, o Tienda Grátis (Loja Grátis, em tradução livre), apareceu na cidade de Málaga, no sul do país, servindo de inspiração para uma franquia que já tem sete filiais na Espanha.
Franquia de lojas grátis é organizada por universitários
O procedimento é praticamente igual ao de uma loja convencional: escolher a roupa e experimentá-la numa cabine com espelho. Só que não é preciso pagar nem doar outra peça em troca da desejada.
Cartazes avisam: “Leve o que quiser, mas deixe o espaço arrumado. O que passou de moda para você tem novo futuro na loja grátis”.
“Nós nos baseamos numa conscientização completamente nova dos hábitos de consumo”, explica o diretor do centro cultural A Invisível, que abriga uma loja, Santiago Fernández.
“Todo mundo reclama da atitude feroz de mercados, tecnocratas, políticos. Também é nossa responsabilidade mudar essas atitudes. Aqui está nosso grão de areia, para mostrar que outro mundo é possível”, disse.
Exemplo
Outras ONGs espanholas também oferecem objetos doados sem exigências. É o caso da “Não jogo fora.com”, “Sem dinheiro.org” e “Segunda Mãozinha”, essa última especializada em artigos para bebês.
O Brasil já possui um movimento de escambo, ainda que incipiente. Em São Paulo, a feira mensal Desapegue! faz intercâmbio de roupas e terá sua 21ª edição em 31 de janeiro.
O Desapegue! reúne cerca de 50 participantes que pagam entre R$ 25 e 30 pelo ingresso. Mas os organizadores dizem que é o único gasto. Depois da entrada, cada pessoa recebe em botões o equivalente às peças que cedeu. Os botões são trocados por outros artigos.