por master | 10/01/12 | Ultimas Notícias
Para atingir crescimento projetado, endividamento das pessoas deverá superar a metade da renda, diz consultoria
Percentual ainda é baixo se comparado com o de países como EUA (125%), Canadá (151%) e Japão (126%)
VALDO CRUZ
SHEILA D’AMORIM
DE BRASÍLIA
A estratégia do governo de turbinar o crescimento da economia via estímulo ao consumo, financiado em prestações a perder de vista, poderá ficar comprometida no ano que vem.
Em 2012, para crescer 3,5% como projetado pelo Banco Central, os gastos dos brasileiros serão fundamentais.
Com isso, o endividamento das famílias deverá superar, pela primeira vez, a metade de sua renda anual.
A previsão é de estudo da consultoria Tendências, que aponta alta de 3,8 pontos no endividamento das famílias, alcançando 51,3% da renda.
O percentual ainda é baixo comparado com países como EUA (125%), Canadá (151%), Japão (126%), Alemanha (98%) e França (99%).
Apesar de não ser considerado preocupante pelo governo nem por especialistas, o índice faz acender uma luz amarela em relação à sustentação do ritmo de crescimento do crédito em 2013.
Neste ano, as estimativas são de elevação acima de 15% no total de crédito concedido, incluindo aí as empresas. O valor é considerado alto, mas compatível com expectativa de crescimento da economia acima de 3%, desemprego em baixa e aumento dos empréstimos para compra da casa própria.
O segmento imobiliário, que representa menos de 10% do crédito concedido, nível baixo na comparação internacional, vem se destacando nas operações com pessoas físicas. Por terem prazos mais longos (entre 20 e 30 anos), até ajudam a diluir o gasto das famílias e são um dos motivos para o crescimento do crédito não ser maior em 2012.
Os riscos apontados por especialistas para o mercado de crédito no Brasil vem de duas frentes: externa e interna.
Um agravamento da crise financeira internacional com forte recessão em economias desenvolvidas pode mudar o cenário de crescimento esperado para o país. Isso afetaria renda, emprego e a capacidade de pagamento.
Em 2011, a inadimplência subiu de 5,7% para 7,3% e já é vista como um alerta. “Não é o nível mais elevado da inadimplência, mas preocupa”, diz o economista André Gamerman, da Opus Gestão.
O economista Carlos Tadeu de Freitas (Confederação Nacional do Comércio) destaca, ainda, que ao contrário de 2011, este ano a expansão da economia será mais forte no segundo semestre. Com isso, o crédito deverá encerrar o ano em alta, alimentando o risco inflacionário.
“Se houver aumento de juros e redução dos prazos das operações de crédito, isso pode ser perigoso”, diz a economista Mariana Oliveira, autora do estudo da Tendências.
por master | 10/01/12 | Ultimas Notícias
Para atingir crescimento projetado, endividamento das pessoas deverá superar a metade da renda, diz consultoria
Percentual ainda é baixo se comparado com o de países como EUA (125%), Canadá (151%) e Japão (126%)
VALDO CRUZ
SHEILA D’AMORIM
DE BRASÍLIA
A estratégia do governo de turbinar o crescimento da economia via estímulo ao consumo, financiado em prestações a perder de vista, poderá ficar comprometida no ano que vem.
Em 2012, para crescer 3,5% como projetado pelo Banco Central, os gastos dos brasileiros serão fundamentais.
Com isso, o endividamento das famílias deverá superar, pela primeira vez, a metade de sua renda anual.
A previsão é de estudo da consultoria Tendências, que aponta alta de 3,8 pontos no endividamento das famílias, alcançando 51,3% da renda.
O percentual ainda é baixo comparado com países como EUA (125%), Canadá (151%), Japão (126%), Alemanha (98%) e França (99%).
Apesar de não ser considerado preocupante pelo governo nem por especialistas, o índice faz acender uma luz amarela em relação à sustentação do ritmo de crescimento do crédito em 2013.
Neste ano, as estimativas são de elevação acima de 15% no total de crédito concedido, incluindo aí as empresas. O valor é considerado alto, mas compatível com expectativa de crescimento da economia acima de 3%, desemprego em baixa e aumento dos empréstimos para compra da casa própria.
O segmento imobiliário, que representa menos de 10% do crédito concedido, nível baixo na comparação internacional, vem se destacando nas operações com pessoas físicas. Por terem prazos mais longos (entre 20 e 30 anos), até ajudam a diluir o gasto das famílias e são um dos motivos para o crescimento do crédito não ser maior em 2012.
Os riscos apontados por especialistas para o mercado de crédito no Brasil vem de duas frentes: externa e interna.
Um agravamento da crise financeira internacional com forte recessão em economias desenvolvidas pode mudar o cenário de crescimento esperado para o país. Isso afetaria renda, emprego e a capacidade de pagamento.
Em 2011, a inadimplência subiu de 5,7% para 7,3% e já é vista como um alerta. “Não é o nível mais elevado da inadimplência, mas preocupa”, diz o economista André Gamerman, da Opus Gestão.
O economista Carlos Tadeu de Freitas (Confederação Nacional do Comércio) destaca, ainda, que ao contrário de 2011, este ano a expansão da economia será mais forte no segundo semestre. Com isso, o crédito deverá encerrar o ano em alta, alimentando o risco inflacionário.
“Se houver aumento de juros e redução dos prazos das operações de crédito, isso pode ser perigoso”, diz a economista Mariana Oliveira, autora do estudo da Tendências.
por master | 10/01/12 | Ultimas Notícias
APLICAÇÕES
A poupança estará sob pressão neste ano. A queda persistente na taxa de juros deve fazer com que o governo prepare medidas para reduzir a rentabilidade da aplicação mais popular do país
Primeira forma de investimento de massa no país, a caderneta de poupança entra em 2012 sob pressão. A queda persistente nas taxas de juros pode fazer com que o governo federal coloque neste ano em prática a ideia de mudar as regras de rentabilidade – as mesmas que, com modificações menores, estão em vigor desde agosto de 1964. Qualquer alteração será feita com cautela tanto pela quantidade de pessoas que podem ser afetadas (há perto de 120 milhões de contas de poupança no país) quanto pelos interesses envolvidos: a caderneta é a principal fonte de recursos para o financiamento imobiliário no país; graças a ela, perto de 500 mil casas e apartamentos foram vendidos neste ano.
A principal proposta está rondando o país desde 2009, quando as taxas de juros estavam em níveis mais baixos do que os de agora – a 8,75% ao ano, contra os atuais 11% ao ano. A ideia é taxar com Imposto de Renda o rendimento de quem tiver cadernetas cujo saldo somado supere R$ 50 mil. Mas já houve outras, como a possibilidade de trocar a forma de cálculo ou mesmo substituir a regra que prevê o pagamento de juros de 0,5% ao mês (6,17% ao ano) por um porcentual mais modesto.
Ganhos
Rentabilidade em queda
A rentabilidade líquida da caderneta – ou seja, o quanto ela rendeu acima da inflação – ficou em 0,94% no ano passado. O número é igual ao de 2010 e é um dos piores resultados desde a adoção do real como moeda nacional, em 1994. Os dados são de um estudo da Economática, empresa que desenvolve software de informações sobre investimentos.
A rentabilidade líquida só foi inferior à do ano passado em três ocasiões: 2001, 2002 e 2004 (veja o gráfico acima). Apesar de algumas pessoas costumarem dizer que a caderneta rende menos que a inflação, nos últimos 18 anos isso só ocorreu de verdade uma vez, em 2002, quando a rentabilidade foi negativa em 2,9%.
Depósitos
Captação líquida foi a menor desde 2006
A caderneta de poupança teve captação líquida (depósitos menos saques) de R$ 14,186 bilhões no ano passado, 63,3% menor do que em 2010 (R$ 38,681 bilhões), segundo dados do Banco Central. É o resultado mais baixo desde 2006, quando a captação líquida fechou em R$ 6,472 bilhões. As captações líquidas dos bancos que destinam dinheiro ao crédito rural fecharam 2011 em R$ 4,841 bilhões. Já as instituições financeiras que aplicam os recursos em crédito imobiliário tiveram no ano passado resultado positivo de R$ 9,344 bilhões.
Considerando os créditos de rendimentos, as cadernetas fecharam 2011 com saldo de R$ 420,008 bilhões, ante R$ 378,798 bilhões do ano anterior. No mês de dezembro, especificamente, os depósitos superaram as retiradas em R$ 3,589 bilhões, 43,5% menor do que no mesmo mês de 2010, quando a captação líquida foi de R$ 6,359 bilhões. Do montante alcançado no mês passado, R$ 1,219 bilhão foi captado pelo SBPE (Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo) – que destina 65% dos recursos ao financiamento imobiliário – e R$ 2,370 bilhões pela poupança rural.
A Caixa Econômica Federal divulgou que a captação líquida da poupança da instituição financeira foi de R$ 11,3 bilhões em 2011, saldo 13,7% inferior ao resultado alcançado um ano antes (R$ 13,1 bilhões). No entanto, o banco estatal, responsável por 35% de participação no mercado, comemora a marca de R$ 150 bilhões de saldo de depósitos, alcançada na segunda-feira. De acordo com a Caixa, em 2011 foram abertas 4,38 milhões de novas contas, o que fez com que o montante de contas ativas aumentasse de 40,8 milhões em 2010 para 43,3 milhões no ano passado.
Os especialistas creem que a poupança terá de sofrer algum tipo de alteração porque a tendência é de que ela se torne mais rentável do que os títulos do governo que pagam porcentuais próximos à taxa Selic. Isso comprometeria a rolagem da dívida pública e também provocaria uma debandada dos fundos de renda fixa vendidos pelos bancos. Como ela é isenta de impostos e a renda fixa, não, se a Selic cair abaixo de 8%, títulos públicos e poupança empatam. Os fundos dos bancos, que cobram taxa de administração, começam a perder para a caderneta se a Selic chegar a 9% ao ano.
Mesmo assim, o governo deve agir com cautela. “Sempre é um assunto bastante polêmico”, observa Fernando Cruz, diretor de relações com investidores da Brazilian Securities, empresa de crédito imobiliário que foi comprada pelo Banco PanAmericano na última semana de dezembro. Qualquer mudança deve ter maior impacto sobre a população de baixa renda. A maior parte das cadernetas é mantida por ela, o que resulta em uma enorme quantidade de correntistas, todos com pequenos saldos. Segundo a Caixa Econômica Federal, líder na captação de poupança, mais de 80% das contas têm saldo inferior a R$ 3 mil. O valor total depositado nas contas de poupança está perto de R$ 270 bilhões – menos de um quarto dos R$ 1,1 trilhão que as pessoas físicas mantêm nas diversas formas de investimento.
Há chances de a discussão ser adiada, como foi no período 2009/2010. Isso porque a inflação em alta deve limitar a capacidade do governo de baixar as taxas básicas de juros ao longo deste ano. A maioria dos prognósticos aponta para uma Selic de 10% ao fim de 2012. Até lá, a captação pode aumentar, justamente pela possibilidade de ter ganhos equivalentes ao da renda fixa com risco quase zero.
Um investimento para “as classes menos abastadas”
Na história da poupança, essa concentração em baixos valores não é nenhuma novidade. Pelo contrário: o decreto de 1861 que criou a primeira caixa econômica e normatizou as cadernetas de poupança já dizia que a aplicação tinha a finalidade de receber “as pequenas economias das classes menos abastadas, e de assegurar, sob garantia do Governo Imperial, a fiel restituição do que pertencer a cada contribuinte”. O decreto também estabelecia a remuneração das contas-poupança: juros de 6% ao ano – praticamente o mesmo porcentual de hoje.
“A caderneta foi criada para proteger o trabalhador. E deu certo”, diz o economista Fabio Araújo, sócio da consultoria Brain Bureau de Inteligência Corporativa. Durante mais de 150 anos, a poupança foi a única forma de acumulação disponível para a maior parte da população. A tal correção monetária (ou seja, a atualização dos valores por um índice próximo ao da inflação) permitiu inclusive que as economias dos brasileiros sobrevivessem de forma relativamente segura aos anos difíceis da hiperinflação.
O problema começou quando a correção monetária começou a ser apontada como um dos vilões da economia nacional. A certo momento, os economistas se deram conta de que uma das razões por que a inflação do país não baixava era porque muitos preços subiam automaticamente todo mês, de acordo com a inflação do período anterior. Essa forma de correção monetária, conhecida por indexação, foi proibida com o Plano Real. Foram mantidas umas poucas exceções, como a correção dos aluguéis com base em IGPM, IPCA ou INPC.
O indexador das cadernetas de poupança é a Taxa Referencial de juros (TR). Ela é definida com base numa cesta de CDBs de bancos. O Banco Central calcula uma média do rendimento desses papéis e então aplica um redutor. A rentabilidade final da caderneta, então é definida pela TR mais 0,5% ao mês.
Como os CDBs são influenciados pela Selic, a TR baixa quando a Selic cai. Por lei, entretanto, ela nunca pode ser inferior a zero. Em 2009 e 2010, ela chegou a zerar por vários dias.
por master | 10/01/12 | Ultimas Notícias
APLICAÇÕES
A poupança estará sob pressão neste ano. A queda persistente na taxa de juros deve fazer com que o governo prepare medidas para reduzir a rentabilidade da aplicação mais popular do país
Primeira forma de investimento de massa no país, a caderneta de poupança entra em 2012 sob pressão. A queda persistente nas taxas de juros pode fazer com que o governo federal coloque neste ano em prática a ideia de mudar as regras de rentabilidade – as mesmas que, com modificações menores, estão em vigor desde agosto de 1964. Qualquer alteração será feita com cautela tanto pela quantidade de pessoas que podem ser afetadas (há perto de 120 milhões de contas de poupança no país) quanto pelos interesses envolvidos: a caderneta é a principal fonte de recursos para o financiamento imobiliário no país; graças a ela, perto de 500 mil casas e apartamentos foram vendidos neste ano.
A principal proposta está rondando o país desde 2009, quando as taxas de juros estavam em níveis mais baixos do que os de agora – a 8,75% ao ano, contra os atuais 11% ao ano. A ideia é taxar com Imposto de Renda o rendimento de quem tiver cadernetas cujo saldo somado supere R$ 50 mil. Mas já houve outras, como a possibilidade de trocar a forma de cálculo ou mesmo substituir a regra que prevê o pagamento de juros de 0,5% ao mês (6,17% ao ano) por um porcentual mais modesto.
Ganhos
Rentabilidade em queda
A rentabilidade líquida da caderneta – ou seja, o quanto ela rendeu acima da inflação – ficou em 0,94% no ano passado. O número é igual ao de 2010 e é um dos piores resultados desde a adoção do real como moeda nacional, em 1994. Os dados são de um estudo da Economática, empresa que desenvolve software de informações sobre investimentos.
A rentabilidade líquida só foi inferior à do ano passado em três ocasiões: 2001, 2002 e 2004 (veja o gráfico acima). Apesar de algumas pessoas costumarem dizer que a caderneta rende menos que a inflação, nos últimos 18 anos isso só ocorreu de verdade uma vez, em 2002, quando a rentabilidade foi negativa em 2,9%.
Depósitos
Captação líquida foi a menor desde 2006
A caderneta de poupança teve captação líquida (depósitos menos saques) de R$ 14,186 bilhões no ano passado, 63,3% menor do que em 2010 (R$ 38,681 bilhões), segundo dados do Banco Central. É o resultado mais baixo desde 2006, quando a captação líquida fechou em R$ 6,472 bilhões. As captações líquidas dos bancos que destinam dinheiro ao crédito rural fecharam 2011 em R$ 4,841 bilhões. Já as instituições financeiras que aplicam os recursos em crédito imobiliário tiveram no ano passado resultado positivo de R$ 9,344 bilhões.
Considerando os créditos de rendimentos, as cadernetas fecharam 2011 com saldo de R$ 420,008 bilhões, ante R$ 378,798 bilhões do ano anterior. No mês de dezembro, especificamente, os depósitos superaram as retiradas em R$ 3,589 bilhões, 43,5% menor do que no mesmo mês de 2010, quando a captação líquida foi de R$ 6,359 bilhões. Do montante alcançado no mês passado, R$ 1,219 bilhão foi captado pelo SBPE (Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo) – que destina 65% dos recursos ao financiamento imobiliário – e R$ 2,370 bilhões pela poupança rural.
A Caixa Econômica Federal divulgou que a captação líquida da poupança da instituição financeira foi de R$ 11,3 bilhões em 2011, saldo 13,7% inferior ao resultado alcançado um ano antes (R$ 13,1 bilhões). No entanto, o banco estatal, responsável por 35% de participação no mercado, comemora a marca de R$ 150 bilhões de saldo de depósitos, alcançada na segunda-feira. De acordo com a Caixa, em 2011 foram abertas 4,38 milhões de novas contas, o que fez com que o montante de contas ativas aumentasse de 40,8 milhões em 2010 para 43,3 milhões no ano passado.
Os especialistas creem que a poupança terá de sofrer algum tipo de alteração porque a tendência é de que ela se torne mais rentável do que os títulos do governo que pagam porcentuais próximos à taxa Selic. Isso comprometeria a rolagem da dívida pública e também provocaria uma debandada dos fundos de renda fixa vendidos pelos bancos. Como ela é isenta de impostos e a renda fixa, não, se a Selic cair abaixo de 8%, títulos públicos e poupança empatam. Os fundos dos bancos, que cobram taxa de administração, começam a perder para a caderneta se a Selic chegar a 9% ao ano.
Mesmo assim, o governo deve agir com cautela. “Sempre é um assunto bastante polêmico”, observa Fernando Cruz, diretor de relações com investidores da Brazilian Securities, empresa de crédito imobiliário que foi comprada pelo Banco PanAmericano na última semana de dezembro. Qualquer mudança deve ter maior impacto sobre a população de baixa renda. A maior parte das cadernetas é mantida por ela, o que resulta em uma enorme quantidade de correntistas, todos com pequenos saldos. Segundo a Caixa Econômica Federal, líder na captação de poupança, mais de 80% das contas têm saldo inferior a R$ 3 mil. O valor total depositado nas contas de poupança está perto de R$ 270 bilhões – menos de um quarto dos R$ 1,1 trilhão que as pessoas físicas mantêm nas diversas formas de investimento.
Há chances de a discussão ser adiada, como foi no período 2009/2010. Isso porque a inflação em alta deve limitar a capacidade do governo de baixar as taxas básicas de juros ao longo deste ano. A maioria dos prognósticos aponta para uma Selic de 10% ao fim de 2012. Até lá, a captação pode aumentar, justamente pela possibilidade de ter ganhos equivalentes ao da renda fixa com risco quase zero.
Um investimento para “as classes menos abastadas”
Na história da poupança, essa concentração em baixos valores não é nenhuma novidade. Pelo contrário: o decreto de 1861 que criou a primeira caixa econômica e normatizou as cadernetas de poupança já dizia que a aplicação tinha a finalidade de receber “as pequenas economias das classes menos abastadas, e de assegurar, sob garantia do Governo Imperial, a fiel restituição do que pertencer a cada contribuinte”. O decreto também estabelecia a remuneração das contas-poupança: juros de 6% ao ano – praticamente o mesmo porcentual de hoje.
“A caderneta foi criada para proteger o trabalhador. E deu certo”, diz o economista Fabio Araújo, sócio da consultoria Brain Bureau de Inteligência Corporativa. Durante mais de 150 anos, a poupança foi a única forma de acumulação disponível para a maior parte da população. A tal correção monetária (ou seja, a atualização dos valores por um índice próximo ao da inflação) permitiu inclusive que as economias dos brasileiros sobrevivessem de forma relativamente segura aos anos difíceis da hiperinflação.
O problema começou quando a correção monetária começou a ser apontada como um dos vilões da economia nacional. A certo momento, os economistas se deram conta de que uma das razões por que a inflação do país não baixava era porque muitos preços subiam automaticamente todo mês, de acordo com a inflação do período anterior. Essa forma de correção monetária, conhecida por indexação, foi proibida com o Plano Real. Foram mantidas umas poucas exceções, como a correção dos aluguéis com base em IGPM, IPCA ou INPC.
O indexador das cadernetas de poupança é a Taxa Referencial de juros (TR). Ela é definida com base numa cesta de CDBs de bancos. O Banco Central calcula uma média do rendimento desses papéis e então aplica um redutor. A rentabilidade final da caderneta, então é definida pela TR mais 0,5% ao mês.
Como os CDBs são influenciados pela Selic, a TR baixa quando a Selic cai. Por lei, entretanto, ela nunca pode ser inferior a zero. Em 2009 e 2010, ela chegou a zerar por vários dias.
por master | 10/01/12 | Ultimas Notícias
TRANSPORTE | Negociações entre sindicatos, empresas e Urbs começam hoje. Motoristas e cobradores pedem 40% de recomposição salarial
As negociações entre sindicatos, empresas de ônibus e a Urbanização de Curitiba (Urbs) para o reajuste dos salários de motoristas e cobradores devem começar hoje, e podem ter impacto no preço da passagem de ônibus na capital paranaense. De acordo com o presidente da Urbs, Marcos Isfer, a decisão de quanto serão os vencimentos dessas categorias é o que falta para a definição da tarifa técnica da passagem de ônibus em Curitiba, que deverá ser reajustada em fevereiro. A fixação dos novos salários justificaria um aumento no preço das passagens em Curitiba.
A tarifa técnica é a base de referência tanto para a remuneração das concessionárias quanto para o estabelecimento do preço da passagem, baseada no custo médio de cada ônibus dividido pelo número médio de passageiros pagantes. Segundo o contrato das empresas com a Urbs, ela pode ser reajustada anualmente. Nos últimos dois anos, a correção foi feita em fevereiro. Hoje, ela é de R$ 2,56 – R$ 0,06 acima do preço da passagem.
Valor
Índice de usuários em queda livre
Variável importante no custo da passagem, o índice de passageiros por quilômetro (IPK) caiu muito entre 1994 e 2012. Esse índice chegou a estar em 3 passageiros por quilômetro, em 1995, de acordo com dados da Urbs. Entretanto, no final dos anos 90, o IPK caiu bruscamente: houve aumento na quilometragem rodada pelos ônibus, mas não no número de passageiros. Com isso, ele chegou a 1,93 em 2003. Depois disso, esse número se manteve relativamente estável, chegando a 2,05 em 2011.
Essa queda é um dos motivos pelos quais o preço da tarifa em Curitiba cresceu acima da inflação entre 1994 e 2011. Segundo o INPC, a inflação do período, que é índice usado pela Urbs nos reajustes das tarifas, foi de 292%. Entretanto, as passagens subiram de R$ 0,40 para R$ 2,50, um crescimento de 525%. Isso significa um aumento real de quase 60% – diferença bastante significativa para o bolso do curitibano.
Em setembro do ano passado, a Gazeta do Povo divulgou que esse valor poderia chegar a R$ 2,68, segundo dados do Sindicato das Empresas de Transporte Urbano e Metropolitano de Passageiros de Curitiba e Região Metropolitana (Setransp)– um crescimento de 4,6%. Entretanto, a assessoria do sindicato negou a informação e disse que o órgão só vai se pronunciar sobre esse assunto depois que a Urbs se manifestar oficialmente.
A primeira reunião para discutir o reajuste dos servidores da área será na tarde de hoje. Segundo o presidente do Sindicato dos Motoristas e Cobradores de Curitiba e Região Metropolitana (Sismoc), Anderson Teixeira, o sindicato pedirá recomposição de 40% nos salários da categoria. O vencimento dos servidores é a variável que mais influencia no preço da tarifa. Segundo dados da Urbs, o custo da mão de obra equivale a 42,7% do valor da passagem.
O aumento da tarifa técnica, entretanto, não representa necessariamente uma passagem mais cara. Esse valor determina o quanto a Urbs repassa às empresas concessionárias por passageiro pagante transportado. Ou seja: atualmente, para cada passageiro que entra em um ônibus, a Urbs recebe R$ 2,50 e repassa R$ 2,56.
Segundo o economista do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Sócioeconômicos (Dieese) Sandro Silva, a decisão de se aumentar o preço da passagem é mais política do que técnica. De acordo com ele, o poder público poderia subsidiar a diferença entre as duas tarifas e, inclusive, reduzir o custo das passagens.
Um exemplo são as isenções dadas a diversos tipos de passageiros, como funcionários dos Correios e militares. Na prática, quem paga essa isenção é o usuário comum, já que eles geram um custo para as empresas, mas não pagam suas passagens. Silva afirma que, se o poder público subsidiasse essas viagens, seria possível reduzir o preço sem criar um desequilíbrio do sistema.
Entretanto, se não houver subsídios, uma tarifa técnica muito acima do preço da passagem pode desequilibrar as contas da Urbs, o que causaria um impacto negativo no futuro, como um crescimento mais acentuado no valor da passagem. “Quanto mais tempo passa com essa diferença, maior o impacto lá na frente”, alerta Silva.
Número de passageiros e quilômetros rodados
A tarifa do ônibus de Curitiba é definida com base no valor da tarifa técnica, um cálculo que determina o custo de cada passageiro pagante para o sistema. Esse número é obtido pelo custo do quilômetro rodado pelos ônibus da capital dividido pelo índice de passageiros por quilômetro (IPK), que é a média de passageiros pagantes que circulam em cada ônibus por quilômetro rodado.
Nos dados utilizados pela Urbs como base para o preço atual, o custo médio por quilômetro na capital é de R$ 5,27. Esse custo varia de acordo com o modelo do ônibus. Um micro-ônibus especial, por exemplo, tem o custo de R$ 3,73, enquanto um biarticulado tem um custo bem mais alto, de R$ 9,73. Entretanto, isso não significa que no veículo mais barato o custo-benefício seja maior, já que os veículos maiores transportam mais passageiros.
Já o IPK é calculado a partir da média de passagens pagas mensalmente dividida pela quantidade de quilômetros percorridos de todos os ônibus da frota somados. Segundo dados da Urbs, em fevereiro de 2011, 25,8 milhões de bilhetes eram pagos mensalmente em Curitiba, enquanto a frota rodava 12,5 milhões de quilômetros por mês. Com isso, o IPK ficou em 2,05. Portanto, o valor calculado pela Urbs como a tarifa ideal era de R$ 2,56 – a divisão do custo por quilômetro pelo IPK.
O economista do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) Sandro Silva questiona os parâmetros usados pela Urbs e pelas empresas para calcular esse valor. Para ele, muitos dos dados que influenciam esse valor, como o consumo de diesel e de pneus, estão defasados. Se corrigidos, a tarifa poderia ser mais barata.