por master | 04/01/12 | Ultimas Notícias
O reajuste de 14,13% do salário mínimo já neste mês, equivalente a uma injeção extra de recursos na economia calculada em R$ 59,59 bilhões no ano – segundo estimativa do Bradesco – deverá proporcionar um alívio para a inadimplência do sistema financeiro nacional de crédito em 2012.
No ano passado, os calotes não deram trégua, especialmente entre as pessoas físicas. O índice de atrasos superiores a 90 dias nesse segmento saiu de 5,7%, em janeiro, para 7,3%, em novembro, segundo dados do Banco Central (BC). A inadimplência total, no mesmo período, subiu de 4,6% para 5,6%.
“Sem dúvida, o aumento do piso nacional será um estímulo e tanto para o consumidor evitar o endividamento excessivo num período que tende a ser o mais crítico do ano, marcado pelo vencimento de vários impostos e das despesas escolares”, observa Wermeson França, economista da consultoria LCA, que destaca também a maior cautela dos bancos para a concessão de financiamentos.
Projeção
O indicador Serasa Experian de perspectiva da inadimplência do consumidor, que tenta projetar os movimentos cíclicos com seis meses de antecedência, recuou 1,3% em outubro, a sétima queda mensal consecutiva. O movimento indicaria o início de uma melhora gradual dos níveis de inadimplência. Em novembro, porém, isso não ocorreu, conforme mostram os dados do BC.
“A inadimplência deve permanecer no patamar de 7% este ano, mas no começo de 2012 isso deve desacelerar”, afirma Fernanda Consorte Ribeiro, economista do Santander. Além do aumento do salário mínimo em janeiro, ela lembra que o ciclo de afrouxamento monetário deverá facilitar as condições daqueles que tomarem crédito novo, uma vez que as taxas de juro cobradas nos empréstimos tendem a cair junto com a Selic.
A decisão do BC de reduzir de R$ 5 mil para R$ 1 mil o valor das operações de crédito que serão abertas no Sistema de Informações de Crédito (SCR), fazendo com que os bancos ganhem melhores condições de analisar a exposição de seus clientes no mercado, também pode ajudar no maior controle da inadimplência, principalmente no segmento de varejo.
Devedores
“Os bancos terão informações hoje desconhecidas, vão poder ampliar e muito as possibilidades de análise”, diz Jayme Alves, economista da Federação Brasileira de Bancos (Febraban). Mas, como a medida passa a valer a partir de abril, os efeitos na inadimplência só devem aparecer mais para o fim de 2012 e início de 2013. “Os bancos precisam adequar seus sistemas porque o volume de informação é muito grande”, explica.
Para se ter ideia da abrangência que o monitoramento dos devedores deve ganhar, de acordo com o último relatório de inclusão financeira do BC (de junho de 2011), a média mensal da quantidade de operações de valor superior a R$ 5 mil em um grupo de 1 mil adultos é de 276; quando esse valor desce para R$ 1 mil, a quantidade de operações registradas no SCR para esse mesmo grupo de 1 mil adultos sobe para 3.847.França projeta, para o fim de 2012, uma taxa de inadimplência de 6,7% na pessoa física – recuo de 0,6 ponto percentual em relação ao nível atual.
por master | 04/01/12 | Ultimas Notícias
O reajuste de 14,13% do salário mínimo já neste mês, equivalente a uma injeção extra de recursos na economia calculada em R$ 59,59 bilhões no ano – segundo estimativa do Bradesco – deverá proporcionar um alívio para a inadimplência do sistema financeiro nacional de crédito em 2012.
No ano passado, os calotes não deram trégua, especialmente entre as pessoas físicas. O índice de atrasos superiores a 90 dias nesse segmento saiu de 5,7%, em janeiro, para 7,3%, em novembro, segundo dados do Banco Central (BC). A inadimplência total, no mesmo período, subiu de 4,6% para 5,6%.
“Sem dúvida, o aumento do piso nacional será um estímulo e tanto para o consumidor evitar o endividamento excessivo num período que tende a ser o mais crítico do ano, marcado pelo vencimento de vários impostos e das despesas escolares”, observa Wermeson França, economista da consultoria LCA, que destaca também a maior cautela dos bancos para a concessão de financiamentos.
Projeção
O indicador Serasa Experian de perspectiva da inadimplência do consumidor, que tenta projetar os movimentos cíclicos com seis meses de antecedência, recuou 1,3% em outubro, a sétima queda mensal consecutiva. O movimento indicaria o início de uma melhora gradual dos níveis de inadimplência. Em novembro, porém, isso não ocorreu, conforme mostram os dados do BC.
“A inadimplência deve permanecer no patamar de 7% este ano, mas no começo de 2012 isso deve desacelerar”, afirma Fernanda Consorte Ribeiro, economista do Santander. Além do aumento do salário mínimo em janeiro, ela lembra que o ciclo de afrouxamento monetário deverá facilitar as condições daqueles que tomarem crédito novo, uma vez que as taxas de juro cobradas nos empréstimos tendem a cair junto com a Selic.
A decisão do BC de reduzir de R$ 5 mil para R$ 1 mil o valor das operações de crédito que serão abertas no Sistema de Informações de Crédito (SCR), fazendo com que os bancos ganhem melhores condições de analisar a exposição de seus clientes no mercado, também pode ajudar no maior controle da inadimplência, principalmente no segmento de varejo.
Devedores
“Os bancos terão informações hoje desconhecidas, vão poder ampliar e muito as possibilidades de análise”, diz Jayme Alves, economista da Federação Brasileira de Bancos (Febraban). Mas, como a medida passa a valer a partir de abril, os efeitos na inadimplência só devem aparecer mais para o fim de 2012 e início de 2013. “Os bancos precisam adequar seus sistemas porque o volume de informação é muito grande”, explica.
Para se ter ideia da abrangência que o monitoramento dos devedores deve ganhar, de acordo com o último relatório de inclusão financeira do BC (de junho de 2011), a média mensal da quantidade de operações de valor superior a R$ 5 mil em um grupo de 1 mil adultos é de 276; quando esse valor desce para R$ 1 mil, a quantidade de operações registradas no SCR para esse mesmo grupo de 1 mil adultos sobe para 3.847.França projeta, para o fim de 2012, uma taxa de inadimplência de 6,7% na pessoa física – recuo de 0,6 ponto percentual em relação ao nível atual.
por master | 04/01/12 | Ultimas Notícias
O aumento de R$ 77 no salário mínimo (ganho real de 9,2%) deve levar muitos trabalhadores a colocar em dia as prestações, zerar empréstimos e recuperar o crédito. “Vou usar o aumento para pagar as contas, dívidas, é o que dá para fazer”, avalia a auxiliar administrativa Suziane da Silva, 23 anos, que no próximo pagamento receberá R$ 622.
“Esse dinheiro só vai servir para uma coisa: pagar as contas que sempre ficam por ser quitadas no final do mês”, concorda a panfleteira Fabiana Aguiar, de 29 anos. “Vou usar esse dinheiro a mais para quitar as contas de casa e, se sobrar algum [dinheiro], vou tentar encher a geladeira”, confirma o ajudante Luís Carlos Pereira da Silva, 29 anos.
As decisões de Suziane, Fabiana e Luiz Carlos em pagar suas dívidas deverão favorecer a diminuição geral da inadimplência que em 2011 alcançou 7,3% dos empréstimos. Se o comportamento dos três for generalizado, haverá um grande benefício para a economia: cairão os juros ao consumidor, destacam especialistas.
Inadimplência tende a diminuir
De acordo com o economista Carlos Henrique de Almeida, da Serasa Experian, um terço do spread bancário é determinado pela inadimplência. Ele avalia que, com o pagamento das dívidas, haverá uma diminuição da pressão sobre os juros e em abril, um ambiente de taxas menores para o consumidor. “A visão do mercado é que a inadimplência já está chegando no topo”, pondera.
Ele não descarta, entretanto, a possibilidade do alto endividamento se perpetuar junto a consumidores de baixa renda. A preocupação é que “embora a inadimplência aconteça em todas as classes de renda, a classe mais baixa, que tomou mais crédito, é a que acaba tendo mais dificuldades para honrar suas dívidas”. Se o padrão for mantido, o mercado financeiro tende a cobrar “prêmio maior” (juros mais altos) em função de riscos maiores.
Para o especialista em educação financeira Álvaro Modernell, o aumento do mínimo deveria ser aproveitado para quitar dívidas e fazer poupança. Em sua opinião, falta orientação do governo nesse sentido e as pessoas deveriam ser estimuladas a poupar seis a dez meses por ano e, assim, “criar vacinas ao endividamento”.
Ele avalia que a oferta de crédito dá poder de barganha, mas o dinheiro poupado favorece o consumidor na negociação. “Além das condições de pagamento, ele negocia preço”, salienta.
Mais consumo
Na opinião do presidente da Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL), Roque Pellizzaro Jr., “quase 100% do aumento vai para o consumo”. Segundo ele, os consumidores de baixa renda “vão pagar uma continha que ficou para trás”, mas irão gastar o aumento no comércio – especialmente com alimentos, roupas, calçados e com bens duráveis (eletrodomésticos como geladeiras e móveis).
Pellizzaro Jr. prevê que, no próximo mês, o consumo no varejo cresça entre 4% e 4,5%, incluindo os gastos com papelarias por causa do retorno às aulas, devido ao novo mínimo.
De acordo com dado divulgado nesta terça-feira (3) pela Serasa Experian, jovens adultos das periferias e moradores da zona rural foram os segmentos da população cujas consultas ao sistema financeiro para tomada de empréstimo em 2011 mais cresceram (incremento de 3,3% e 3,1%, respectivamente). De cada 100 consultas sobre cadastro financeiro, cerca de 18 foram para jovens da periferia e cerca de 15 para pessoas da zona rural.
por master | 04/01/12 | Ultimas Notícias
O aumento de R$ 77 no salário mínimo (ganho real de 9,2%) deve levar muitos trabalhadores a colocar em dia as prestações, zerar empréstimos e recuperar o crédito. “Vou usar o aumento para pagar as contas, dívidas, é o que dá para fazer”, avalia a auxiliar administrativa Suziane da Silva, 23 anos, que no próximo pagamento receberá R$ 622.
“Esse dinheiro só vai servir para uma coisa: pagar as contas que sempre ficam por ser quitadas no final do mês”, concorda a panfleteira Fabiana Aguiar, de 29 anos. “Vou usar esse dinheiro a mais para quitar as contas de casa e, se sobrar algum [dinheiro], vou tentar encher a geladeira”, confirma o ajudante Luís Carlos Pereira da Silva, 29 anos.
As decisões de Suziane, Fabiana e Luiz Carlos em pagar suas dívidas deverão favorecer a diminuição geral da inadimplência que em 2011 alcançou 7,3% dos empréstimos. Se o comportamento dos três for generalizado, haverá um grande benefício para a economia: cairão os juros ao consumidor, destacam especialistas.
Inadimplência tende a diminuir
De acordo com o economista Carlos Henrique de Almeida, da Serasa Experian, um terço do spread bancário é determinado pela inadimplência. Ele avalia que, com o pagamento das dívidas, haverá uma diminuição da pressão sobre os juros e em abril, um ambiente de taxas menores para o consumidor. “A visão do mercado é que a inadimplência já está chegando no topo”, pondera.
Ele não descarta, entretanto, a possibilidade do alto endividamento se perpetuar junto a consumidores de baixa renda. A preocupação é que “embora a inadimplência aconteça em todas as classes de renda, a classe mais baixa, que tomou mais crédito, é a que acaba tendo mais dificuldades para honrar suas dívidas”. Se o padrão for mantido, o mercado financeiro tende a cobrar “prêmio maior” (juros mais altos) em função de riscos maiores.
Para o especialista em educação financeira Álvaro Modernell, o aumento do mínimo deveria ser aproveitado para quitar dívidas e fazer poupança. Em sua opinião, falta orientação do governo nesse sentido e as pessoas deveriam ser estimuladas a poupar seis a dez meses por ano e, assim, “criar vacinas ao endividamento”.
Ele avalia que a oferta de crédito dá poder de barganha, mas o dinheiro poupado favorece o consumidor na negociação. “Além das condições de pagamento, ele negocia preço”, salienta.
Mais consumo
Na opinião do presidente da Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL), Roque Pellizzaro Jr., “quase 100% do aumento vai para o consumo”. Segundo ele, os consumidores de baixa renda “vão pagar uma continha que ficou para trás”, mas irão gastar o aumento no comércio – especialmente com alimentos, roupas, calçados e com bens duráveis (eletrodomésticos como geladeiras e móveis).
Pellizzaro Jr. prevê que, no próximo mês, o consumo no varejo cresça entre 4% e 4,5%, incluindo os gastos com papelarias por causa do retorno às aulas, devido ao novo mínimo.
De acordo com dado divulgado nesta terça-feira (3) pela Serasa Experian, jovens adultos das periferias e moradores da zona rural foram os segmentos da população cujas consultas ao sistema financeiro para tomada de empréstimo em 2011 mais cresceram (incremento de 3,3% e 3,1%, respectivamente). De cada 100 consultas sobre cadastro financeiro, cerca de 18 foram para jovens da periferia e cerca de 15 para pessoas da zona rural.
por master | 04/01/12 | Ultimas Notícias
Nos primeiros sete meses de 2011 foram registrados 218 casos de conflitos trabalhistas no campo brasileiro – grande parte relativa a trabalho escravo -, envolvendo 3.882 pessoas. O número representa um aumento de 23% em relação ao ano anterior. Os dados foram divulgados pela Comissão Pastoral da Terra (CPT) em relatório parcial referente a 2011.
Segundo a entidade, “a região Centro-Oeste concentrou o maior número de trabalhadores submetidos a condições de trabalho escravo, quase 50%, 1.914 pessoas, do total”.
Outro dado alarmante é o de ameaças de morte, que cresceu 107%. Este ano foram 172 pessoas ameaçadas, para 83 do ano passado. No entanto, o saldo de assassinatos de trabalhadores diminuiu cerca de 17%. Até novembro de 2011 foram 23 mortes, enquanto em 2010 foram 30 casos.
Mesmo que em número menor, os assassinatos deste ano tiveram grande repercussão na sociedade. Alguns dos casos emblemáticos foram o do casal de extrativistas Maria do Espírito Santo e José Claudio Ribeiro da Silva, no Pará, além da liderança indígena do Mato Grosso do Sul, cacique Nísio Gomes.
Apesar do crescimento em algumas situações, o total de conflitos no campo deste ano diminui 12% em relação ao ano anterior. Foram 686 casos em 2011, para 777 em 2010. Este dado refere-se ao conjunto de conflitos por terra, água e trabalhistas.