por master | 02/12/11 | Ultimas Notícias
Grupo enfrentará o desafio de implementar políticas indepenentes dos EUA
Presidentes e representantes dos 33 países da América Latina se reúnem nesta sexta-feira, em Caracas, para formalizar a criação da Comunidade de Estados Latino-americanos e Caribenhos (Celac).
Será a primeira vez que os países do continente se articulam em uma mesma plataforma política – com a tarefa de tentar aprofundar a integração regional – sem a presença dos Estados Unidos e do Canadá.
Segundo analistas, a Celac nasce com o desafio de criar uma organização capaz de gerar consenso entre os países e cuja institucionalidade seja capaz de implementar políticas de integração autônomas em relação aos Estados Unidos.
Entre as contradições a serem enfrentadas pelo bloco está a de construir políticas comuns em uma região ainda marcada por diferentes níveis de desenvolvimento econômico, pobreza, crime organizado e, em especial, antagonismos no campo político-ideológico.
O presidente venezuelano Hugo Chávez, conhecido pelas críticas ao governo de Washington, e pelo discurso anti-imperialista em encontros regionais, adotou um tom moderado ao falar sobre a nova organização regional e reconheceu que ela deverá respeitar a heterogeneidade dos países e de seus projetos, estejam eles à esquerda ou à direita do campo político.
“Temos que ter muita paciência, muita sabedoria. Não podemos deixar-nos levar pelas ideologias governantes em um país ou outro”, disse Chávez na última quinta-feira, minutos antes de receber a presidente Dilma Roussef no Palácio de governo.
“Este processo tem que ser independente do socialismo cubano, do socialismo venezuelano, ou do sistema de governo e ideologia do governo do Brasil, da Colômbia (…) é a união política, geopolítica, e sobre esta união vamos construir um grande polo de poder do século 21.”
O primeiro debate do grupo, realizado na noite desta quinta-feira, já mostrou como deve ser difícil conseguir o consenso entre os países do novo bloco. Os países não chegaram a um acordo sobre como será o mecanismo para a tomada de decisões – por unanimidade ou por maioria qualificada. O debate deve ser retomado nesta sexta-feira.
Institucionalidade
O maior desafio para a Celac será “passar da afirmação de uma identidade e articulação política a uma institucionalidade que permita aos países tomar decisões”, disse à BBC Brasil Luis Fernando Ayerbe, coordenador do Instituto de Estudos Econômicos e Internacionais da Unesp.
Uma das propostas do documento constitutivo da Celac é um protocolo de defesa da democracia e direitos humanos, aos moldes da cláusula anti-golpe de Estado estabelecida pela Unasul (União de Nações Sul-Americanas).
Entre as divergências iniciais está a posição do novo bloco a respeito do futuro da Organização de Estados Americanos (OEA), cujo papel passou a ser questionado durante a crise boliviana, em 2008 e depois do golpe de Estado em Honduras, em 2009.
Venezuela, Equador e Bolívia defendem que a OEA já teria cumprido seu papel histórico no hemisfério e deve ser substituída.
“Não é possível que os conflitos latino-americanos tenham que ser tratados em Washington”, defendeu o presidente equatoriano Rafael Correa, dias antes da Cúpula.
“(Espero) que mais cedo que tarde (a Celac) possa substituir a OEA, que historicamente tem tido grandes distorções”, acrescentou.
Esta posição, no entanto, ainda não é um consenso entre a maioria dos países da região, que até agora preferem defender a coexistência das duas instituições.
Para o analista internacional Edgardo Lander, professor da Universidade Central da Venezuela, a Celac tende a contribuir para o enfraquecimento da OEA, mas ainda é cedo para falar de sua extinção.
“A substituição da OEA pela Celac não será fruto de um decreto ou de declarações a favor ou contra, e sim pelas vias de fato”, disse à BBCBrasil.
Lander cita como exemplo a atuação da Unasul na resolução do conflito da Bolívia, em 2008, que ele considera ‘decisiva’. “Se a Celac mostrar que pode solucionar os conflitos regionais sem a intervenção dos Estados Unidos, o papel da OEA vai perder força naturalmente.”
Independência
Para o o economista americano Mark Weisbrot, co-diretor do Center for Economic and Policy Research, de Washington, a Celac é criada em um momento em que a América Latina se consolida como uma região “mais independente do que nunca”.
“Washington ainda é o principal problema no hemisfério, especialmente com respeito à democracia e à auto-determinação nacional”, disse Weisbrot à BBC Brasil.
O analista político venezuelano Carlos Romero, professor de estudos internacionais da Universidade Central da Venezuela, diz que a criação da Celac é um “passo positivo que marca um processo de maturidade política” da região.
No entanto, ele afirma que isso não necessariamente significará a existência um bloco antagônico a Washington. “Os EUA já não exercem a mesma tutela do passado”, diz.
A discussão do grupo ainda deve incluir a criação de um fundo de reserva para enfrentar a crise financeira internacional.
“Quanto mais nos integrarmos, mais estaremos preparados para enfrentar este furacão que a economia mundial está vivendo e a instabilidade do resto do planeta”, afirmou o presidente colombiano Juan Manuel Santos, principal aliado dos Estados Unidos na América do Sul.
Liderança brasileira
Os especialistas concordam que o Brasil tende a assumir um papel de “liderança natural” na Celac, protagonismo que antes era dividido com o México quando se tratava do hemisfério como um todo.
“O Brasil é uma potência regional, tem sido (protagonista) pró-democracia e em defesa independência regional na América Latina. Deve ajudar a desempenhar este papel dentro Celac”, disse Mark Weisbrot.
O governo brasileiro vê a Celac como o “terceiro anel” do processo de integração regional, seguido do Mercosul e da Unasul.
A reunião de Cúpula para a abertura da Celac havia sido marcada para 5 de julho, mas foi adiada imediatamente após o presidente venezuelano Hugo Chávez ser diagnosticado com câncer, no final de junho.
A Celac unificará as estruturas do Grupo do Rio, mecanismo de consulta internacional regional criado em 1986, e da Calc (Comunidade América Latina e Caribe) e deve trabalhar em cinco áreas: política, energia, desenvolvimento social, ambiente e economia.
por master | 02/12/11 | Ultimas Notícias
Grupo enfrentará o desafio de implementar políticas indepenentes dos EUA
Presidentes e representantes dos 33 países da América Latina se reúnem nesta sexta-feira, em Caracas, para formalizar a criação da Comunidade de Estados Latino-americanos e Caribenhos (Celac).
Será a primeira vez que os países do continente se articulam em uma mesma plataforma política – com a tarefa de tentar aprofundar a integração regional – sem a presença dos Estados Unidos e do Canadá.
Segundo analistas, a Celac nasce com o desafio de criar uma organização capaz de gerar consenso entre os países e cuja institucionalidade seja capaz de implementar políticas de integração autônomas em relação aos Estados Unidos.
Entre as contradições a serem enfrentadas pelo bloco está a de construir políticas comuns em uma região ainda marcada por diferentes níveis de desenvolvimento econômico, pobreza, crime organizado e, em especial, antagonismos no campo político-ideológico.
O presidente venezuelano Hugo Chávez, conhecido pelas críticas ao governo de Washington, e pelo discurso anti-imperialista em encontros regionais, adotou um tom moderado ao falar sobre a nova organização regional e reconheceu que ela deverá respeitar a heterogeneidade dos países e de seus projetos, estejam eles à esquerda ou à direita do campo político.
“Temos que ter muita paciência, muita sabedoria. Não podemos deixar-nos levar pelas ideologias governantes em um país ou outro”, disse Chávez na última quinta-feira, minutos antes de receber a presidente Dilma Roussef no Palácio de governo.
“Este processo tem que ser independente do socialismo cubano, do socialismo venezuelano, ou do sistema de governo e ideologia do governo do Brasil, da Colômbia (…) é a união política, geopolítica, e sobre esta união vamos construir um grande polo de poder do século 21.”
O primeiro debate do grupo, realizado na noite desta quinta-feira, já mostrou como deve ser difícil conseguir o consenso entre os países do novo bloco. Os países não chegaram a um acordo sobre como será o mecanismo para a tomada de decisões – por unanimidade ou por maioria qualificada. O debate deve ser retomado nesta sexta-feira.
Institucionalidade
O maior desafio para a Celac será “passar da afirmação de uma identidade e articulação política a uma institucionalidade que permita aos países tomar decisões”, disse à BBC Brasil Luis Fernando Ayerbe, coordenador do Instituto de Estudos Econômicos e Internacionais da Unesp.
Uma das propostas do documento constitutivo da Celac é um protocolo de defesa da democracia e direitos humanos, aos moldes da cláusula anti-golpe de Estado estabelecida pela Unasul (União de Nações Sul-Americanas).
Entre as divergências iniciais está a posição do novo bloco a respeito do futuro da Organização de Estados Americanos (OEA), cujo papel passou a ser questionado durante a crise boliviana, em 2008 e depois do golpe de Estado em Honduras, em 2009.
Venezuela, Equador e Bolívia defendem que a OEA já teria cumprido seu papel histórico no hemisfério e deve ser substituída.
“Não é possível que os conflitos latino-americanos tenham que ser tratados em Washington”, defendeu o presidente equatoriano Rafael Correa, dias antes da Cúpula.
“(Espero) que mais cedo que tarde (a Celac) possa substituir a OEA, que historicamente tem tido grandes distorções”, acrescentou.
Esta posição, no entanto, ainda não é um consenso entre a maioria dos países da região, que até agora preferem defender a coexistência das duas instituições.
Para o analista internacional Edgardo Lander, professor da Universidade Central da Venezuela, a Celac tende a contribuir para o enfraquecimento da OEA, mas ainda é cedo para falar de sua extinção.
“A substituição da OEA pela Celac não será fruto de um decreto ou de declarações a favor ou contra, e sim pelas vias de fato”, disse à BBCBrasil.
Lander cita como exemplo a atuação da Unasul na resolução do conflito da Bolívia, em 2008, que ele considera ‘decisiva’. “Se a Celac mostrar que pode solucionar os conflitos regionais sem a intervenção dos Estados Unidos, o papel da OEA vai perder força naturalmente.”
Independência
Para o o economista americano Mark Weisbrot, co-diretor do Center for Economic and Policy Research, de Washington, a Celac é criada em um momento em que a América Latina se consolida como uma região “mais independente do que nunca”.
“Washington ainda é o principal problema no hemisfério, especialmente com respeito à democracia e à auto-determinação nacional”, disse Weisbrot à BBC Brasil.
O analista político venezuelano Carlos Romero, professor de estudos internacionais da Universidade Central da Venezuela, diz que a criação da Celac é um “passo positivo que marca um processo de maturidade política” da região.
No entanto, ele afirma que isso não necessariamente significará a existência um bloco antagônico a Washington. “Os EUA já não exercem a mesma tutela do passado”, diz.
A discussão do grupo ainda deve incluir a criação de um fundo de reserva para enfrentar a crise financeira internacional.
“Quanto mais nos integrarmos, mais estaremos preparados para enfrentar este furacão que a economia mundial está vivendo e a instabilidade do resto do planeta”, afirmou o presidente colombiano Juan Manuel Santos, principal aliado dos Estados Unidos na América do Sul.
Liderança brasileira
Os especialistas concordam que o Brasil tende a assumir um papel de “liderança natural” na Celac, protagonismo que antes era dividido com o México quando se tratava do hemisfério como um todo.
“O Brasil é uma potência regional, tem sido (protagonista) pró-democracia e em defesa independência regional na América Latina. Deve ajudar a desempenhar este papel dentro Celac”, disse Mark Weisbrot.
O governo brasileiro vê a Celac como o “terceiro anel” do processo de integração regional, seguido do Mercosul e da Unasul.
A reunião de Cúpula para a abertura da Celac havia sido marcada para 5 de julho, mas foi adiada imediatamente após o presidente venezuelano Hugo Chávez ser diagnosticado com câncer, no final de junho.
A Celac unificará as estruturas do Grupo do Rio, mecanismo de consulta internacional regional criado em 1986, e da Calc (Comunidade América Latina e Caribe) e deve trabalhar em cinco áreas: política, energia, desenvolvimento social, ambiente e economia.
por master | 02/12/11 | Ultimas Notícias
Contração reflete crise dos ricos e eleva temor sobre capacidade do principal motor econômico global manter ritmo
ONU reduz previsão de avanço do PIB mundial e diz que aumentaram os riscos de mais um mergulho na recessão
Acompanhando o ritmo do restante da economia mundial, a indústria chinesa encolheu no mês passado, a primeira contração do setor desde fevereiro de 2009, quando se recuperava dos efeitos da crise gerada pela quebra do banco Lehman Brothers, em setembro de 2008.
A retração da indústria chinesa é preocupante porque o país se tornou nos últimos anos o principal motor da economia global, já que os EUA e a Europa não conseguem retomar o ritmo.
Ela também é um reflexo da integração cada vez maior das economias, em que a menor demanda externa (da endividada Europa, por exemplo) tem efeitos mais fortes na indústria local.
Os problemas da economia global são um desafio para as autoridades chinesas, que não podem deixar o ritmo de crescimento cair (correndo o risco de revoltas sociais), ao mesmo tempo em enfrentam a disparada da inflação e a criação de bolha de ativos -como imóveis.
Anteontem, o banco central chinês anunciou o corte de 0,5 ponto percentual no compulsório (dinheiro que os bancos precisam depositar na entidade), liberando mais dinheiro para empréstimos.
Foi a primeira redução desde dezembro de 2008.
O primeiro-ministro Wen Jiabao disse no mês passado que as “condições globais permanecem severas e garantir a recuperação econômica é a principal prioridade”.
A China não é apenas a segunda maior economia do mundo, atrás somente dos EUA, como é o maior exportador global -um dos motivos para o aumento da preocupação de Pequim.
A redução do compulsório indica que a retomada da economia é prioridade em relação aos preços, já que a liberação de crédito pode ser ainda mais combustível na inflação (de 5,5%).
Outra preocupação é com os preços das casas, em que o governo vem tomando várias medidas nos últimos dois anos para impedir a formação de uma bolha.
Os preços caíram em novembro pelo terceiro mês seguido, mas há o temor de que esse processo ganhe força e tenha impacto sobre a expansão econômica.
Não só a indústria chinesa encolheu em novembro. O setor na zona do euro continuou a se retrair, com os problemas espalhados pelas principais potências: Alemanha, França e Itália.
CENÁRIO DE DÚVIDAS
No Brasil, também houve retração, ainda que menos forte do que em outubro.
Os EUA foram, ao lado da Rússia, a única das grandes economias que teve crescimento, seguindo a leva recente de números mais auspiciosos para os americanos.
Ainda assim há dúvidas se os EUA vão conseguir manter o ritmo caso a crise da dívida europeia se agrave.
Com esse cenário, a ONU reduziu a sua previsão de crescimento da economia global em 2012, de 3,6% para 2,6%, e disse que as chances de uma nova recessão mundial cresceram.
por master | 02/12/11 | Ultimas Notícias
Contração reflete crise dos ricos e eleva temor sobre capacidade do principal motor econômico global manter ritmo
ONU reduz previsão de avanço do PIB mundial e diz que aumentaram os riscos de mais um mergulho na recessão
Acompanhando o ritmo do restante da economia mundial, a indústria chinesa encolheu no mês passado, a primeira contração do setor desde fevereiro de 2009, quando se recuperava dos efeitos da crise gerada pela quebra do banco Lehman Brothers, em setembro de 2008.
A retração da indústria chinesa é preocupante porque o país se tornou nos últimos anos o principal motor da economia global, já que os EUA e a Europa não conseguem retomar o ritmo.
Ela também é um reflexo da integração cada vez maior das economias, em que a menor demanda externa (da endividada Europa, por exemplo) tem efeitos mais fortes na indústria local.
Os problemas da economia global são um desafio para as autoridades chinesas, que não podem deixar o ritmo de crescimento cair (correndo o risco de revoltas sociais), ao mesmo tempo em enfrentam a disparada da inflação e a criação de bolha de ativos -como imóveis.
Anteontem, o banco central chinês anunciou o corte de 0,5 ponto percentual no compulsório (dinheiro que os bancos precisam depositar na entidade), liberando mais dinheiro para empréstimos.
Foi a primeira redução desde dezembro de 2008.
O primeiro-ministro Wen Jiabao disse no mês passado que as “condições globais permanecem severas e garantir a recuperação econômica é a principal prioridade”.
A China não é apenas a segunda maior economia do mundo, atrás somente dos EUA, como é o maior exportador global -um dos motivos para o aumento da preocupação de Pequim.
A redução do compulsório indica que a retomada da economia é prioridade em relação aos preços, já que a liberação de crédito pode ser ainda mais combustível na inflação (de 5,5%).
Outra preocupação é com os preços das casas, em que o governo vem tomando várias medidas nos últimos dois anos para impedir a formação de uma bolha.
Os preços caíram em novembro pelo terceiro mês seguido, mas há o temor de que esse processo ganhe força e tenha impacto sobre a expansão econômica.
Não só a indústria chinesa encolheu em novembro. O setor na zona do euro continuou a se retrair, com os problemas espalhados pelas principais potências: Alemanha, França e Itália.
CENÁRIO DE DÚVIDAS
No Brasil, também houve retração, ainda que menos forte do que em outubro.
Os EUA foram, ao lado da Rússia, a única das grandes economias que teve crescimento, seguindo a leva recente de números mais auspiciosos para os americanos.
Ainda assim há dúvidas se os EUA vão conseguir manter o ritmo caso a crise da dívida europeia se agrave.
Com esse cenário, a ONU reduziu a sua previsão de crescimento da economia global em 2012, de 3,6% para 2,6%, e disse que as chances de uma nova recessão mundial cresceram.
por master | 02/12/11 | Ultimas Notícias
Medidas tentam evitar que desânimo de empresários e consumidores esfrie demais a economia no próximo ano
Redução de impostos para eletrodomésticos e crédito ao consumidor pode reativar demanda durante alguns meses
O agravamento da crise externa fez o governo apressar um pacote de medidas de estímulo da economia para tentar reverter o clima de desânimo que começa a se alastrar entre empresários e consumidores.
O objetivo das medidas é reverter o desaquecimento sofrido pela economia brasileira no fim deste ano e criar condições para que o país volte a crescer num ritmo mais acelerado nos primeiros meses do próximo ano.
O governo reduziu impostos cobrados nos empréstimos a pessoas físicas, aplicações de investidores estrangeiros em ações e outros títulos, e vendas de fogões, geladeiras e lavadoras de roupas.
Ao apresentar as medidas ontem, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, disse que elas serão suficientes para garantir uma taxa de crescimento de 5% para a economia brasileira no ano que vem.
Mas os economistas não acreditam que isso seja possível, num ano em que a atividade econômica deve desacelerar no mundo inteiro e a Europa se prepara para enfrentar uma nova recessão.
“Não é aquele presentão gordo de Natal”, comparou o economista Wemerson França, da consultoria LCA. “É uma ajuda, um ajuste fino para estimular a economia”.
Analistas que tentaram calcular o impacto das medidas concluíram que elas garantem um refresco para o comércio e a indústria por alguns meses, mas não têm força para sustentar a atividade econômica por muito tempo.
“A recuperação da economia no ano que vem será gradual, levando em consideração o ritmo moderado da atividade econômica”, disse o economista-chefe do Bradesco, Octavio de Barros.
Projeções do governo e do mercado financeiro indicam que o país deve crescer algo ao redor de 3% neste e no próximo ano, uma freada brusca diante dos 7,5% de 2010.
Os economistas acreditam que a economia ficou estagnada ou pode até mesmo ter sofrido uma pequena contração no terceiro trimestre e o governo quer evitar que isso se repita nos últimos meses do ano.
Como os números do IBGE sobre o desempenho da economia no terceiro trimestre serão divulgados na semana que vem, o governo quis se antecipar com as medidas anunciadas ontem.
Mantega chamou empresários de vários setores a Brasília e fez um discurso recheado de frases de efeito, numa tentativa de encorajar investimentos e afastar o medo de que o Brasil seja contaminado pela crise mundial.
O custo do pacote foi estimado pelo governo em R$ 7,6 bilhões até o final do ano que vem, incluindo R$ 4,9 bilhões em impostos que poderão ser devolvidos num programa de estímulo às exportações de produtos industriais, anunciado em agosto e que só entrou em vigor ontem.
A redução do IPI dos eletrodomésticos da linha branca é válida até o fim de março. Uma medida que reduziu neste ano impostos para a farinha de trigo e o pãozinho foi prorrogada até o fim de 2012.
Redes de varejo e bancos aproveitaram para anunciar preços mais baratos e juros mais baixos. A Caixa Econômica Federal, controlada pelo governo, anunciou ter R$ 5 bilhões para novos empréstimos, reciclando um informe da semana passada em que oferecera R$ 10 bilhões.
“Mesmo que algumas medidas sejam temporárias, elas reativam a demanda num momento ruim, evitando demissões e gerando um ciclo virtuoso na economia”, disse o economista Luis Otavio Leal, do Banco ABC Brasil.
(SHEILA D’AMORIM, LORENNA RODRIGUES, PRISCILLA OLIVEIRA, MARIANA CARNEIRO e MARIANA SCHREIBER)