por master | 04/11/11 | Ultimas Notícias
A demanda por mão de obra qualificada se manterá crescente na indústria paulista até 2015. Esta é a conclusão de estudo inédito realizado pelo Departamento de Ação Regional da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Depar/Fiesp), divulgado em primeira mão ao DCI. Os setores de Veículos, Vestuário e Acessórios, Construção Civil, Produtos Têxteis e Produtos minerais não-metálicos devem ser responsáveis pela maior demanda por profissionais no período. “Fatores relevantes podem ampliar ou diminuir esse crescimento, mas o vetor será positivo”, afirma um dos diretores titulares do Depar da Fiesp, Alexandre Serpa.
O setor automotivo, que em 2010 empregava cerca de 280 mil pessoas, segundo dados do Ministério do Trabalho, em 2015 deverá ter mais 419 mil vagas abertas, crescimento de 48%, segundo o levantamento. Os profissionais mais requisitados serão preparadores e operadores de máquinas-ferramenta convencionais – 53 mil, entre reposição e novos trabalhadores -, o que aumenta a percepção de escassez de mão de obra qualificada no setor.
“Um dos gargalos desse nicho pode ser a falta de conexão entre os profissionais recém-formados e a indústria”, afirma o coordenador da unidade do Ipiranga-SP do Serviço Nacional de Aprendizado Industrial (Senai), Valdir de Jesus. A escola, assim como outras 27 no Estado, é especializada na formação para o segmento automotivo, preparando cerca de 15 mil alunos por ano. Para o docente, faltam mais oportunidades de criarem pontes entre alunos e empresas. “A indústria precisa perceber que os profissionais não estão prontos. Há que se focar no potencial”, acredita o professor.
Os setores de vestuário e acessórios e o de produtos têxteis ocupam respectivamente o segundo e o quarto lugar no crescimento da demanda por trabalhadores. Vestuário, que no ano passado empregava 180 mil, poderá ter 240 mil funcionários em quatro anos, ampliando em 32% sua mão de obra, sendo necessários 31 mil operadores de máquina de costura para suprir a demanda. Já as indústrias têxteis, que no último levantamento davam ocupação direta a 117 mil pessoas, deverão ter 147 mil vagas em 2015, ou um crescimento de 26%, com 13 mil postos para alimentadores de linha de produção.
“O crescimento do País e do investimento no setor provocou um aumento do nível de tecnologia e gestão, mudando o perfil de qualificação da mão de obra”, relata Fernando Pimentel, diretor superintendente da Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (Abit). “Há uma perspectiva expressiva de crescimento no consumo, a incógnita é quem será o fornecedor”, afirma, referindo-se à crescente entrada de importados no País.
A construção civil, setor da indústria que mais emprega no País, passará de 660 mil trabalhadores para 860 mil no período analisado, um crescimento de 30%. Haverá 56 mil novas vagas para ajudantes de obras civis e 33 mil para trabalhadores de estruturas de alvenaria. “Na indústria de material de construção há uma procura grande por operários, engenheiros e chefes de equipe. Com isso, há uma busca permanente para repor mão de obra ou suprir a demanda para expansão, provocando elevação nos salários, o que onera o custo de produção”, afirma Walter Cover, presidente da Associação Brasileira da Indústria de Materiais de Construção (Abramat).
O quinto setor que deverá ter maior crescimento na demanda por mão de obra até 2015 será o de produtos minerais não-metálicos, que de 112 mil vagas em 2010 elevará seus postos para 140 mil, ampliação de 24%. Os profissionais mais procurados serão os ceramistas e operadores de equipamentos de fabricação e beneficiamento de cristais, vidros, cerâmicas, porcelanas, fibras de vidro, abrasivos e afins, com necessidade de 17 mil e 4 mil profissionais, respectivamente, para suprir a demanda. Mas ainda existe um amplo déficit em diversos segmentos de mineração.
“O grande problema do nosso setor é a qualificação da mão de obra”, afirma o coordenador do Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram), na Divisão da Amazônia, André Reis. Outro obstáculo apontado por ele é a falta de profissionais que estejam dispostos a atuar no interior. “Não há minas localizadas no meio das grandes capitais”, destaca Reis.
Para o coordenador do Centro Universitário Monte Serrat (Unimonte), de Santos (SP), Juarez Fontana, por muitos anos houve uma diminuição expressiva na demanda de profissionais no setor de mineração. Recentemente, com o retorno da importância da Vale e do segmento de petróleo e gás, ocorre uma escassez de mão de obra, principalmente de geólogos e engenheiros. “Hoje esses cursos são muito segmentados para meio ambiente e deixam de lado a formação mais abrangente”, diz Fontana. Ele coordena o curso de Geologia da Unimonte, um dos únicos do Brasil.
“A única maneira de resolver o problema de escassez é qualificar, capacitar e valorizar a mão de obra. Isso permite ganhos de produtividade: o mesmo universo de mão de obra produz mais”, afirma o presidente da Abramat. A opinião parece ser unânime entre os setores. O diretor da Abit elogia a iniciativa do Governo Federal de valorização do ensino técnico. “É preciso desmistificar que o único curso que presta é o universitário, às vezes um profissional de nível médio tem um desempenho muito melhor no mercado de trabalho”, acredita Pimentel. Ele elogia a iniciativa de uma linha de financiamento para que empresas possam obter recursos para qualificar pessoas já integradas ou que vão entrar no mercado de trabalho, prevista no Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico e Emprego (Pronatec).
O representante da Fiesp fala dos investimentos na educação em âmbito mais amplo. “É necessária uma análise mais profunda do ensino básico, de forma a enriquecer o potencial do trabalhador no futuro”, diz Serpa. Além disso, ele cita a necessidade de uma maior aproximação entre setor empresarial e governo na definição de políticas públicas, de maneira a melhorar o aproveitamento dos recursos disponíveis.
O estudo do Depar/Fiesp já levantou a demanda de 13 setores até 2015. Em seu lançamento, previsto para março de 2012, serão 23 setores analisados.
por master | 04/11/11 | Ultimas Notícias
Indicadores recentes da indústria, como a queda de 2% da produção industrial em setembro ante agosto e a redução nas expectativas dos empresários no mês passado, evidenciam que a atividade do setor não está passando apenas por uma acomodação, mas por uma “certa” contração. A avaliação é do economista-chefe da Gradual Investimentos, André Perfeito.
Por causa disso, ele revisou para baixo suas estimativas de crescimento para a economia neste e no próximo ano. Segundo cálculos do economista, o Produto Interno Bruto (PIB) não deve mais crescer 3,5% em 2011, mas sim 3,0%, e sofrer uma redução de 0,25% no terceiro trimestre. Para 2012, ele estima que a expansão econômica será de 2,0% e não mais de 3,0%. “Neste sentido há espaço para a política monetária ser ainda mais expansionista”, afirmou.
Na avaliação dele, o encolhimento da indústria será percebido com mais força na primeira parte de 2012. “Esta retração não será sentida já, mas é muito provável que o primeiro semestre do ano que vem seja de fato bastante ruim, numa junção perversa de queda do investimento com o setor externo contribuindo negativamente para o PIB”, escreveu ele, em relatório distribuído a clientes.
Para traçar esse cenário, Perfeito explicou que toma como base os últimos dados de atividade. “Olho especialmente a produção de bens de capital e expectativas dos empresários”, afirmou, em entrevista à Agência Estado. “Os dados da produção industrial foram extremamente decepcionantes, algo que já havia sido capturado por outros canais, entre estes o IBC-BR (Índice de Atividade Econômica do Banco Central)”, completou.
Em setembro, a produção industrial caiu puxada principalmente pelo recuo de 5,5% na produção de bens de capital, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). “Este fenômeno já havia sido antecipado pelo estado da confiança do empresariado, que está em queda”, disse, referindo-se ao Índice de Confiança do Empresário Industrial (Icei) da Confederação Nacional da Indústria (CNI) – após ter ficado estável em setembro, o índice voltou a cair em outubro e chegou ao menor patamar desde abril de 2009, a 54,6 pontos. “Além disso, a queda da Bolsa acaba revelando um estado pior das expectativas dos empresários”, acrescentou. De janeiro até hoje, o Ibovespa acumula perdas de cerca de 16%.
Taxa de juros
A expectativa de um cenário mais difícil para a atividade econômica no primeiro semestre do ano que vem também fez a Gradual Investimentos mudar sua estimativa para o juro básico, a taxa Selic. “Trabalhamos não mais com dois cortes de 0,50 ponto porcentual na Selic, mas sim três cortes”, disse. Sendo assim, ele projeta que a taxa de juros atingirá 10% no início de março.
Para a inflação oficial em 2012, a previsão do economista foi revisada de 5,40% para 5,10%. Em 2011, a estimativa para o IPCA foi mantida em 6,40%. Ele espera que os preços de serviços, embora devam continuar elevados, irão acelerar menos no próximo ano. “Uma vez que a renda real do trabalhador parou de subir na velocidade antes verificada”, justificou.
por master | 04/11/11 | Ultimas Notícias
Presidente apoiou proposta apresentada pela OIT aos líderes mundiais.
‘Tem efeito inequívoco contra a crise’, disse Dilma Rousseff.
A presidente Dilma Rousseff defendeu nesta quinta-feira (3) a criação de um piso global de renda, proposta apresentada pela Organização Internacional do Trabalho (OIT) como medida de proteção mundial.
“Tem efeito inequívoco contra a crise. O Brasil não irá se opor a uma taxa financeira mundial, se isso for um consenso entre os países a favor da ampliação dos investimentos sociais”, disse Dilma durante reunião de líderes do G20 em Cannes, na França.
Dilma Rousseff voltou a defender os investimentos sociais como medida anticrise. “A inclusão de 40 milhões de pessoas na classe média foi não somente uma imposição moral como também uma questão de enfrentamento econômico.”
De acordo com a OIT, a proposta oficialmente chamada de Piso de Poteção Social “prevê que cada país deveria incluir na oferta de serviços básicos de saúde, independentemente de contribuição, o pagamento de um benefício básico para famílias com crianças, benefícios assistenciais para pobres e desempregados e a manutenção das políticas de garantia de renda para idosos, viúvos, órfãos e inválidos”. No Brasil, o Bolsa Família é um benefício parecido com o proposto pela organização.
FMI
Em almoço que marcou o início da reunião do G20, a presidente também afirmou que o Brasil está disposto a contribuir com o Fundo Monetário Internacional (FMI) para auxiliar na solução para a crise financeira que atinge a Europa.
Pela manhã, antes da abertura dos trabalhos do G20, Dilma participou de encontro com os demais líderes dos Brics, grupo que reúne Brasil, Rússia, Índia e China. Ainda durante a manhã, Dilma teve reuniões bilaterais com o presidente da Indonésia, Susilo Bambang Yudhoyono, e com o primeiro-ministro de Cingapura, Lee Hsien Loong.
Lula
Durante o almoço, o presidente francês, Nicolas Sarkozy, pediu a Dilma que transmitisse ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva desejos de uma pronta recuperação. Lula foi diagnosticado com câncer de laringe e esta semana deu início a um tratamento quimioterápico. “Nós o amamos'” afirmou Sarkozy, que está na presidência do G20.
por master | 04/11/11 | Ultimas Notícias
A greve dos trabalhadores da Arena Pernambuco, estádio que está sendo erguido na Grande Recife para receber os jogos da Copa do Mundo de 2014, entrou nesta quinta-feira em seu terceiro dia sem nenhuma mostra de que o impasse está se aproximando de uma solução.
Na manhã desta quinta-feira, os operários reuniam-se em frente ao canteiro para nova assembleia, mas a Polícia Militar foi chamada. Os policiais dispersaram os funcionários usando spray de pimenta. Alguns trabalhadores passaram mal e foram arrastados por policiais.
De acordo com Leodelson Bastos dos Santos, do Sintepav-PE, o sindicato dos operários da obra, o confronto com a polícia aconteceu porque os policiais não permitiram que ônibus trazendo trabalhadores para a obra tivessem suas portas abertas em frente ao canteiro. “A polícia queria colocar os trabalhadores para dentro da obra à força, que nem se faz com gado”, disse Bastos.
Já a Polícia Militar de Pernambuco afirma que foi chamada ao local para garantir o direito dos trabalhadores que quisessem trabalhar de entrar no terreno da obra. A Odebrecht, empreiteira responsável pela obra, diz que os grevistas impediam seus colaboradores de entrarem na obra. Trabalham na empreitada cerca de 1.400 operários.
A greve, que continua a pleno vapor sem qualquer diálogo entre empreiteira e trabalhadores, acontece em virtude dos supostos maus tratos cometidos pelo chefe da segurança da obra, o coronel reformado Eduardo Fonseca.
Os operários pedem que ela seja afastado do cargo, por ter assediado moralmente os operários, segundo denúncias recorrentes dos peões. A Odebrecht, porém, não está disposta a conversar sobre o assunto.
A empresa afirma que todas as reclamações dos trabalhadores sobre maus tratos e conduta indevida do ex-coronel não passam de mentiras. Afirma também que vai protocolar nesta quinta-feira um pedido na Justiça para que seja declarada a abusividade da greve.
O UOL Esporte tenta ouvir os argumentos do funcionário acusado de assédio moral desde a última terça-feira, mas a Odebrecht se recusa a passar o contato de Fonseca, que é conhecido pelos trabalhadores como “coronel Gadaffi”.
Os funcionários também reclamam que dois trabalhadores que pertenciam à Cipa (Comissão Interna para Prevenção de Acidentes) foram demitidos. Como a demissão de trabalhadores que participam da Cipa é vetada por lei, o sindicato levou o caso ao Ministério Público do Trabalho, que prepara uma ação de reintegrar os trabalhadores ao posto de que foram demitidos.
A Odebrecht confirma a demissão dos trabalhadores, mas não informa se os funcionários eram ou não membros da Cipa. Em nota oficial, a empreiteira mostra a maneira como enxerga o problema: “Não cabe ao sindicato contestar demissões realizadas na obra, uma vez que esta é uma decisão legítima da empresa, a quem compete avaliar o desempenho de seus colaboradores”.
Agressões e água no local de descanso
De acordo com os trabalhadores, o coronel reformado Eduardo Fonseca estaria impondo uma “disciplina militaresca” na obra e assediando moralmente os operários. Segundo Leodelson Bastos dos Santos, do Sintepav-PE, a entidade foi chamada nesta terça-feira ao canteiro depois que um incidente ocorrido no horário de descanso que se segue ao almoço revoltou os trabalhadores.
É que o coronel Eduardo Fonseca teria mandado molhar a área onde os peões costumam sentar para pitar um cigarro e relaxar após a refeição. “Não foi a primeira vez que ele fez isso. Acontece sempre. Hoje (terça), os trabalhadores cansaram”, alega Bastos.
Segundo o sindicalista, o coronel reformado já teria agredido um operário que fumava um cigarro artesanal de tabaco, que teria sido confundido com um baseado de maconha. “Ele deu dois tapas no peito do peão e, ao perceber o erro, disse que ele perderia o emprego se contasse isso a alguém”, afirmou Bastos. “O sindicato entrará na quinta-feira com uma denúncia de assédio moral contra este cidadão junto ao Ministério Público do Trabalho”, concluiu. Para Odebrecht, que não informa se investigou as denúncias, é tudo mentira.
por master | 04/11/11 | Ultimas Notícias
Operário da construção civil morreu nesta quarta-feira (3), na capital.
Eduardo Varandas disse que no interior a situação é ainda pior.
O procurador do Trabalho da Paraíba, Eduardo Varandas, disse que a situação dos canteiros de obras da construção civil no interior do estado é gravíssima. “Em Patos e Sousa, no Sertão paraibano, é fácil encontrar algum tipo de irregularidade”, disse Eduardo Varandas.
Na manhã desta quinta-feira (3), um operário morreu soterrado após o muro de contenção desabar sobre ele. O acidente aconteceu em uma obra no bairro de Manaira, em João Pessoa.
Em 2011, já foram registradas seis mortes em construções da Paraíba, segundo Paulo Marcelo, do Sindicato dos Trabalhadores da Construção Civil em João Pessoa. Em todo o ano de 2010, foram registradas apenas duas mortes.
Eduardo Varandas disse que no ano passado o Ministério da Previdência Social registrou cerca de 5 mil casos de acidentes de trabalho na Paraíba.
O procurador disse ainda que como as fiscalizações não são frequentes no interior do estado, algumas empresas aproveitam para deixar que operários trabalhem sem os Equipamentos de Proteção Individual (EPIs) e os Equipamentos de Proteção Coletiva (EPCs). “É comum encontrar pessoas sem capacetes, cinto e luvas”, disse. O procurador alertou que nem todos os acidentes são notificados e por isso o número de trabalhadores acidentados em obras pode ser muito maior.
Três das mortes deste ano na construção civil foram registradas em João Pessoa e outras três em Campina Grande, no Agreste da Paraíba. Na próxima quarta-feira (9), está prevista uma reunião dos representantes do Sindicato dos Trabalhadores da Construção Civil e do Sindicato da Indústria da Construção Civil de João Pessoa. A pauta do encontro será a segurança no trabalho.