A Confederação Nacional da Indústria (CNI) elevou sua projeção para o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro de 1,2% para 2,1%, de acordo com o Informe Conjuntural da entidade, referente ao segundo trimestre do ano, divulgado nesta quinta-feira (13). A projeção para o PIB industrial é de uma alta de 0,6% no ano, mas o produto interno bruto específico da indústria de transformação deve recuar 0,9%.
“A expansão de 2,1% é relevante, mas se isolarmos o resultado da agropecuária, o ritmo de crescimento do Brasil desacelerou. A indústria enfrenta os efeitos dos juros altos, com restrição no crédito bancário, o que vemos penalizar tanto empresários quanto consumidores. Além disso, o setor de serviços, que acumulou avanços expressivos desde 2020, também agora se encontra em movimento de desaceleração”, disse Marcelo Azevedo, gerente de Análise Econômica da CNI.
Na projeção, a indústria da construção deve encerrar o ano com crescimento de 1,5%, em um comportamento que ainda é remanescente dos ciclos de negócios iniciados em 2020. Para o setor de serviços, é esperado um crescimento de 1,3% em 2023.
Segundo a CNI, o crescimento da economia brasileira no primeiro trimestre superou as expectativas mais otimistas pelo desempenho da agropecuária, que avançou 21,6%. “Uma das explicações para o desempenho desse setor foi a safra agrícola, sobretudo a de soja, revisada para cima repetidas vezes, em contraste a um 2022 de quebra de safra”, diz o documento da entidade. “Para 2023, esperamos um crescimento de 13,2% do PIB da agropecuária, influenciado por essa forte expansão da produção vegetal.”
Contudo, excluído o desempenho de destaque da agropecuária, o cenário de dificuldade da atividade econômica trazido pelos efeitos restritivos da política monetária mais apertada se manteve, comentou a CNI.
A entidade diz que a indústria vem mostrando um quadro de estagnação, mantendo nível de atividade inferior ao registrado antes da pandemia.
“A produção física da indústria (transformação e extrativa) registrou relativa estabilidade (+0,4%) quando comparamos os primeiros cinco meses de 2023 com os últimos cinco meses de 2022, e permanece 1,5% abaixo do patamar registrado logo antes da pandemia (fevereiro de 2020). O PIB Industrial recuou 0,1% no primeiro trimestre de 2023, na comparação com o 4º trimestre de 2022.”
Para a inflação medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), a projeção da CNI é 4,9% ao final de 2023, menos que os 5,8% observados em 2022, mas superior à meta de 3,25% perseguida Banco Central para o ano.
Apesar de um crescente otimismo das empresas de capital intensivo com o início da queda de juros em agosto, a Votorantim Cimentos (VC) prefere se manter conservadora. Não que o afrouxamento monetário não seja importante, mas a tendência é de que a maior procura por moradias ou obras de infraestrutura ainda leve um tempo até chegar aos fornecedores de insumos.
“O setor de construção é feito de ciclos longos, então os efeitos não são imediatos. O novo Minha Casa Minha Vida pode contribuir, vemos uma demanda constante para o setor de infraestrutura, mas ainda é cedo.”, reforça Bianca Nasser, CFO global da VC, ao InfoMoney.
Diante disso, Bianca mantém os pés firmes na estratégia traçada para este ano, que é fazer uma gestão conservadora do caixa da empresa, ou como costuma dizer, o “liability management“. “Nós não mudamos nosso planejamento em função de uma possível queda nos juros. Nosso objetivo segue o de manter um perfil de dívida controlado”.
A VC terminou o primeiro trimestre do ano com a alavancagem, métrica que considera a dívida líquida pelo Ebitda, em 1,78 vez, nível considerado baixo para o segmento e também inferior ao estipulado pela gestão, de 2,5 vezes. No fim de março, a Votorantim Cimentos possuía R$ 3,6 bilhões em caixa, sendo 40% em moeda forte, montante que cobre as obrigações financeiras pelos próximos quatro anos.
Bianca Nasser, CFO da Votorantim Cimentos: estrutura de capital é o foco (Divulgação)
A CFO diz que a empresa aproveitou o momento de custo de capital menor da pandemia para aprimorar a estrutura de capital. Bonds emitidos no exterior foram recomprados e ainda ocorreram M&As no período.
Em 2020, a empresa expandiu sua atuação na América do Norte com fusão de suas operações com a canadense McInnis. No ano seguinte, a empresa comprou a espanhola HeidelbergCement, concluindo a aquisição no fim do ano passado. “Nós entendemos que o nosso momento ainda é de consolidar nossas aquisições recentes”, acrescenta a executiva.
A CFO da Votorantim Cimentos lembra que, sazonalmente, o terceiro trimestre do ano é o mais forte da empresa. Nesse sentido, observa que será importante captar uma inflexão de cenário nas vendas entre julho e o fim de setembro para ter maior clareza dos próximos passos.
Para este ano, apesar da cautela, a empresa aumentou em 25% seu capex, para R$ 2,5 bilhões, com o objetivo de avançar na modernização de suas plantas para fazer frente a uma agenda de descarbonização da atividade.
Sinal ao mercado de capitais
Em maio, a Votorantim Cimentos obteve registro “categoria A” na Comissão de Valores Mobiliários (CVM), que é aquele que permite à empresa fazer uma oferta pública inicial de ações (IPO, em inglês). A VC é sempre um nome lembrado para uma eventual listagem na Bolsa e o anúncio gerou expectativa no mercado de que o IPO estivesse mais próximo.
Neste momento, Bianca Nasser afirma que a listagem não está próxima e que acha difícil alguma conversa avançar ainda em 2023. Mas reforça que o registro A da CVM emite dois sinais ao mercado. O primeiro, de que agora eles poderão fazer oferta pública de debêntures, o que permite melhores condições de emissão. O outro recado é que, sim, o IPO ainda é uma estratégia de longo prazo para a Votorantim Cimentos.
“Já que era para pedir o registro para emissões públicas, resolvemos já fazer na ‘categoria A’ para mostrar que estamos de prontidão [para um IPO]. Seguimos avaliando o mercado e não temos urgência. Nossa estrutura de capital tem mostrado isso”, completa Nasser.
Atualmente, a VC atua em dez países, sendo o Brasil responsável por cerca de 50% dos R$ 5,8 bilhões de receita líquida no primeiro trimestre deste ano, crescimento de 18% em relação a igual período de 2022. O lucro líquido do trimestre foi de R$ 78 milhões, revertendo um prejuízo de R$ 317 milhões no mesmo comparativo.
Os tratados têm como objetivo proteger os direitos previdenciários de brasileiros que vivem no exterior, o principal deles, contar o tempo de trabalho fora do país para aposentadorias
Vicente Nunes — Correspondente
Lisboa — A Previdência Social do Brasil está em negociação com mais oito países para o fechamento de acordos internacionais que beneficiem os brasileiros que vivem e trabalhem no exterior. É uma forma de garantir que o tempo de serviço fora do país possa ser contado para as aposentadorias concedidas pelo Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). A lista inclui Angola, Austrália, China, Emirados Árabes Unidos, Irlanda, Jamaica, Líbano e Polônia. Pelos cálculos do Itamaraty, há, atualmente, 4,5 milhões de brasileiros morando no exterior — um recorde.
Esses acordos internacionais começaram a ser fechados ainda nos governos militares. O primeiro foi assinado em 1967, com Luxemburgo. Depois, vieram Itália e Cabo Verde. Nos anos de 1990, esse processo avançou para Grécia, Portugal e Espanha. Foi nos anos 2000, porém, que os tratados se intensificaram com os parceiros do Brasil no Mercosul (Argentina, Uruguai e Paraguai), Chile, Coreia do Sul, Japão, Alemanha, Canadá, França, Bélgica, Quebec (Canadá), Estados Unidos e Suíça. Já foram aprovados e dependem de ratificação dos governos acordos com Noruega, Suécia e Senegal.
Ao longo do tempo, esses tratados foram sendo atualizados, sempre com o objetivo de facilitar a vida dos trabalhadores dos respectivos países. É importante ressaltar que há características diferentes nos acordos. Para garantir que tudo o que foi acertado no exterior seja cumprido de forma ágil, o INSS conta com sete agências específicas para cuidar dos processos. É possível obter informações pelo telefone pelo 135 ou pelo aplicativo Meu INSS.
Em mais uma medida de incentivo ao consumo, presidente sugeriu ao ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, Geraldo Alckmin, uma reedição de um antigo programa de incentivo à compra de eletrodomésticos.
Esses eletrodomésticos formam uma categoria de itens que são essenciais para o funcionamento de uma casa e para a realização de tarefas diárias, como cozinhar e lavar roupa.
Os produtos de linha branca, normalmente, possuem um alto valor agregado, por conta das tecnologias e matérias-primas envolvidas em sua produção, além de terem longa vida útil. Por isso, sua troca não é tão frequente — principalmente em períodos de menor atividade econômica.
Entre os principais eletrodomésticos de linha branca, cabe destacar:
geladeira;
fogão,
micro-ondas;
refrigerador;
ar-condicionado;
forno elétrico;
cafeteira;
torradeira;
aparelho purificador de água;
máquina de lavar roupas;
secadora de roupas
tanquinho;
máquina de lavar louça;
adegas/frigobar.
A sugestão de Lula
A sugestão de Lula ao vice-presidente de reeditar o programa de incentivos à compra de produtos de linha branca aconteceu durante um evento no Palácio do Planalto.
“Até falei para o Alckmin: ‘Que tal a gente fazer uma aberturazinha para a linha branca outra vez?’. Facilitar a compra de geladeira, de televisão, de máquina de lavar roupa”, disse o presidente.
“As pessoas, de quando em quando, precisam trocar os seus utensílios domésticos. Quando a geladeira velha está batendo, não está gelando a cerveja bem, e está gastando muita energia, você tem que trocar. E, se está caro, vamos baratear, tentar encontrar um jeito”, completou.
Na sequência, o presidente se dirigiu à ministra do Planejamento, Simone Tebet, pedindo que ela “abra a mão um pouquinho”, para o governo poder “facilitar a vida do povo que quer ter acesso” aos produtos.
O presidente ponderou, no entanto, que o povo tem de consumir de “forma responsável”. “Ninguém pode gastar o que não tem”, afirmou. Segundo Lula, nos próximos dias, o governo deve lançar oficialmente o Desenrola, programa de renegociação de dívidas de pessoas físicas que tem o objetivo de aquecer o consumo no país.
2° mandato do presidente teve programa semelhante
Se o governo realmente conceder os incentivos para a compra dos eletrodomésticos de linha branca, essa não será a primeira vez que Lula desenvolve um programa com esse objetivo.
Em 2009, durante o seu segundo mandato, o presidente lançou um programa que reduziu o IPI Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) sobre quatro itens dessa categoria: geladeiras, fogões, máquinas de lavar roupas e tanquinhos.
Na época, o Ministério da Fazenda, chefiado por Guido Mantega, concedeu as reduções do IPI durante um período de três meses, no seguinte esquema:
o imposto sobre geladeiras caiu de 15% para 5%;
o imposto sobre fogões caiu de 5% para zero;
o imposto para máquinas de lavar roupas caiu de 20% para 10%;
e o imposto para tanquinhos caiu de 10% para zero.
Governo autorizou instituições financeiras a iniciarem a renegociação da ‘Faixa 2’ do programa, para pessoas com renda mensal de até R$ 20 mil.
Por Wesley Bischoff, g1 — São Paulo
O programa “Desenrola”, criado pelo governo federal para a renegociação de dívidas, iniciará suas operações na segunda-feira (17), conforme portaria do Ministério da Fazenda publicada nesta sexta-feira (14). Por hora, a autorização vale para a “Faixa 2” do programa.
A Faixa 2 é voltada para pessoas com renda mensal de até R$ 20 mil. As renegociações valem para dívidas inscritas até 31 de dezembro de 2022 e que continuam ativas. O devedor terá prazo mínimo de 12 meses para pagamento.
As renegociações da Faixa 2 poderão ser feitas diretamente entre os clientes e as instituições financeiras onde os débitos existem. Em troca, o governo vai oferecer aos bancos um incentivo para que aumente a oferta de crédito.
O programa não atenderá renegociações de dívidas dos seguintes tipos:
dívidas de crédito rural;
débitos com garantia da União ou de entidade pública
dívidas que não tenham o risco de crédito integralmente assumido pelos agentes financeiros;
dívidas com qualquer tipo de previsão de aporte de recursos públicos;
débitos com qualquer equalização de taxa de juros por parte da União.
Cerca de 30 milhões de pessoas devem ser beneficiadas nesta faixa, segundo o Ministério da Fazenda.
Faixa 1
Em relação à “Faixa 1”, a portaria publicada pelo Ministério da Fazenda cita que as instituições financeiras deverão se habilitar na plataforma digital do programa para iniciar as renegociações. No entanto, a portaria não indica datas.
A expectativa do Ministério da Fazenda é que o programa esteja disponível para toda a população até setembro. Antes disso, em agosto, o governo deve fazer um leilão para definir quais credores serão contemplados — os que oferecerem maiores descontos terão vantagem.
Fazem parte da Faixa 1 do Desenrola pessoas com renda mensal de até dois salários mínimos ou inscritas no Cadastro Único (CadÚnico). Poderão ser renegociadas dívidas de até R$ 5 mil, feitas entre 1º de janeiro de 2019 e 31 de dezembro de 2022.
O programa não abrange os seguintes casos:
dívidas com garantia real;
dívidas de crédito rural;
dívidas de financiamento imobiliário;
operações com funding ou risco de terceiros.
A renegociação dos débitos será feita por meio de uma plataforma digital. Para isso, o devedor entrará no sistema com seu login do portal gov.br. Após isso, ele poderá escolher uma instituição financeira inscrita no programa para fazer a renegociação e selecionar o número de parcelas.
Entre as regras de pagamento estão:
a taxa de juros será de 1,99%;
a parcela mínima será de R$ 50;
o pagamento poderá ser feito em até 60 vezes;
o prazo de carência será de no mínimo 30 dias e de no máximo 59 dias.
O governo informou que o pagamento das parcelas poderá ser feito por débito em conta, PIX ou boleto bancário. Os devedores também terão direito a um curso de educação financeira.
Em caso de inadimplência após a renegociação, o beneficiário poderá voltar a ficar com o nome sujo.
Dívidas de R$ 100
Bancos que participarem do programa terão de limpar imediatamente o nome de consumidores que devem até R$ 100. Segundo o Ministério da Fazenda, 1,5 milhão de brasileiros têm dívidas com esse valor.
Como a medida vale somente para bancos e instituições financeiras com volume de captações superior a R$ 30 bilhões, na condição de credores, o governo não fará essa exigência para empresas como varejistas e companhias de água e luz.