NOVA CENTRAL SINDICAL
DE TRABALHADORES
DO ESTADO DO PARANÁ

UNICIDADE
DESENVOLVIMENTO
JUSTIÇA SOCIAL

Justiça impõe penas brandas em casos de trabalho escravo na lavoura

Justiça impõe penas brandas em casos de trabalho escravo na lavoura

OPINIÃO

Por Karin Anspach Hoch

Na manhã de 28 de janeiro de 2023, uma audiência de conciliação entre lavradores resgatados em condições análogas à escravidão em um cafezal em Manhumirim (MG), e a fazenda que os contratara chegava ao fim sem acordo, após oferta de um valor irrisório como compensação às vítimas. É difícil escapar à ironia dos fatos: 28 de janeiro é o Dia Nacional de Combate ao Trabalho Escravo. Em plena data que celebra a luta contra esta prática, a Justiça do Trabalho falhava em combatê-la.

 

Reprodução/Portinari

A audiência se deu no contexto da ação trabalhista 0010056-79.2023.5.03.0066, em que uma produtora de orgânicos, tida como “sustentável” e “consciente”, com sede na Zona da Mata mineira, que responde pelo crime de submissão de trabalhadores a condições análogas à escravidão. No centro do caso estão sete lavradores resgatados do local pela fiscalização federal do Trabalho em julho de 2022.

 

Os safristas foram recrutados em Caetanos (BA), a 900 km de distância, sob a promessa de trabalho formal na fazenda, que coleciona selos de certificação internacional por boas práticas socioambientais. Por trás da fachada corporativa de responsabilidade social, encontraram outra realidade: já na chegada às fazendas, tiveram, ainda segundo o MPT (Ministério Público do Trabalho) que percorrer 20 km a pé para comprar mantimentos, visto que o supermercado mais próximo dista 10 km dali e não há meios de transporte destinados aos funcionários.

 

O alojamento onde pernoitavam exibia paredes infiltradas pela umidade, quartos com colchões imundos e banheiros entupidos, que forçavam a realização das necessidades básicas ao ar livre. Uma área externa sem geladeira fazia às vezes de cozinha, e a água que chegava às torneiras tinha partículas negras em suspensão, que se soltavam das paredes de uma caixa d’água de amianto. Soma-se às condições precárias de moradia, o frio característico desta região montanhosa aos pés da Serra do Caparaó, onde o grupo laborou durante o inverno, sem vestimentas compatíveis com temperaturas frequentemente inferiores a 10º C.

 

Enquanto permaneceram no local, de 20 de junho de 2022 até o resgate em sete de julho de 2022, os lavradores não tiveram acesso a sua carteira de trabalho, retida pelo empregador, tampouco às anotações de controle da produtividade, em que se baseava o pagamento diário.

 

Longe de ser excepcional, o caso dessas fazendas ecoa dois episódios similares recentes. Em fevereiro deste ano, 207 homens foram resgatados em situação degradante em vinhedos em Bento Gonçalves, na Serra Gaúcha. Em março, uma operação do Ministério Público do Trabalho libertou outras 32 pessoas de uma fazenda de cana-de-açúcar em Pirangi, no interior de São Paulo.

 

De acordo com dados do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), somente em 2022, 2.575 pessoas foram encontradas em situação análoga à de escravo no Brasil. A região nordeste foi palco de 51% das ocorrências registradas no período e o local de origem de 58% dos resgatados. O perfil predominante das vítimas foi do sexo masculino (92%), negros (83%), com idade entre 30 e 39 anos (29%).

 

Falta neste cenário que a Justiça do Trabalho enfrente o crime de submissão ao trabalho em condições análogas à escravidão impondo penas custosas aos perpetradores. De um modo geral, observa-se a aplicação de penas brandas, que favorecem a perpetuação da prática.

 

No caso específico das fazendas da Zona da Mata mineira, o valor proposto pelo empregador como compensação às vítimas foi de R$ 2.000 por trabalhador, ao passo que o juiz sugeriu acordo fixado em R$ 10 mil para cada vítima.

 

A conduta do magistrado não é isolada, vide o também citado exemplo do Rio Grande do Sul, em que o MPT propôs indenizações por danos morais individuais de aproximadamente R$ 3.000.

 

Em comparação, casos de extravio de bagagem por companhias aéreas têm gerado em média condenações entre R$ 5 mil e R$ 20 mil de dano moral indenizável, por passageiro, além de montantes devidos por danos materiais.

 

Os valores de R$ 2 mil e R$ 10 mil são desproporcionais às circunstâncias vivenciadas pelos trabalhadores, submetidos a condições degradantes de alojamento, alimentação e labor. A conduta sinaliza que o crime de submissão ao trabalho escravo, ainda que não passe impune, custa muito pouco aos perpetradores.

 

O que se constata é que procuradores do trabalho, juízes e desembargadores se comovem mais com uma mala perdida do que com o abuso e exploração de miseráveis.

 

A Justiça, ao fixar indenizações tão baixas, não coíbe o trabalho análogo à escravidão nas e permite sua perpetuação como prática financeiramente lucrativa para os fazendeiros, pois, “vale a pena” o risco de uma condenação trabalhista.

 

Ação nº 0010056-79.2023.5.03.006


 é jornalista, tradutora-intérprete português-inglês e mestre em relações internacionais pelas universidades de Viena/Leipzig/Roskilde e London School of Economics.

Revista Consultor Jurídico

https://www.conjur.com.br/2023-mar-21/karin-hoch-penas-brandas-casos-trabalho-escravo

Justiça impõe penas brandas em casos de trabalho escravo na lavoura

Governo estima crescimento do PIB de 1,6% em 2023 e vê novo estouro da meta de inflação

Fazenda divulgou estimativas para a economia neste ano. Se confirmado, crescimento de 1,61% significará desaceleração da atividade econômica em relação a 2022, que registrou alta de 2,9%

Por Alexandro Martello e Ana Paula Castro, g1 — Brasília

O Ministério da Fazenda estimou nesta sexta-feira (17) um crescimento de 1,61% do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro em 2023.

 

A informação consta do Boletim Macrofiscal, divulgado pela Secretaria de Política Econômica.

 

Essa é a primeira previsão do PIB de 2023 divulgada pela nova equipe econômica, do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

 

A expectativa do Ministério da Fazenda representa desaceleração frente ao ano de 2022, quando a economia registrou uma alta de 2,9%.

 

De acordo com o governo, a desaceleração da economia neste ano está relacionada, entre outros fatores, com os “efeitos contracionistas da política monetária [alta dos juros pelo Banco Central para combater a inflação] sobre o ciclo econômico e sobre o mercado de crédito”.

Essa é uma nova referência da equipe econômica ao processo de alta dos juros, conduzido pelo Banco Central para tentar conter as pressões inflacionárias.

 

O BC autônomo, comandado por Roberto Campos Neto, indicado pelo ex-presidente Jair Bolsonaro, já foi alvo de ataques do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em razão da taxa básica de juros, atualmente em 13,75%.

 

Para 2024, o Ministério da Economia projetou um crescimento de 2,34% para o PIB brasileiro.

Outras previsões

 

Apesar previsão de desaceleração, a estimativa do governo federal ficou bem acima da projeção do mercado financeiro, fruto de coleta feita pelo BC na última semana com mais de 100 bancos, e também do próprio Banco Central no fim do ano passado.

 

 

 

Endividamento em alta

 

O Ministério também informou que a desaceleração deve ocorrer tanto no setor de serviços quando na indústria, e também citou o alto nível de endividamento como razão para a alta menor do PIB.

“O elevado endividamento e comprometimento de renda da população deve afetar o ritmo das atividades no setor de serviços, apesar das medidas de proteção social previstas (elevação real do salário-mínimo, maior faixa de isenção de IR e os novos programas Bolsa Família, e Desenrola)”, acrescentou.

Inflação

 

O Ministério da Fazenda também estimou que o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de 2023 somará 5,31%.

 

Para este ano, a meta central de inflação foi fixada em 3,25% pelo Conselho Monetário Nacional (CMN) e será considerada formalmente cumprida se oscilar entre 1,75% e 4,75%.

Se confirmado, esse será o terceiro ano seguido de estouro da meta de inflação, ou seja, no qual o IPCA fica acima do teto fixado pelo sistema de metas. Em 2022, a inflação somou 5,79%.

 

Quanto maior a inflação, menor é o poder de compra das pessoas, principalmente das que recebem salários menores. Isso, porque os preços dos produtos aumentam sem que o salário acompanhe esse crescimento.

 

Para 2024, a Secretaria de Política Econômica do Ministério da Fazenda estimou que a inflação oficial, medida pelo IPCA, somará 3,52%.

 

A meta de inflação do próximo ano, definida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), é de 3% e será considerada cumprida se oscilar entre 1,5% e 4,5%.

G1

https://g1.globo.com/economia/noticia/2023/03/17/governo-lula-estima-desaceleracao-no-pib-de-2023-com-alta-de-16percent-e-ve-novo-estouro-da-meta-de-inflacao.ghtml

Justiça impõe penas brandas em casos de trabalho escravo na lavoura

O que os estudos mostram sobre relação entre beleza e mercado de trabalho

Pesquisas recentes indicam que vida pode ser menos dura e mais lucrativa para pessoas mais atraentes.

Por BBC

Marike, uma modelo sul-africana da Cidade do Cabo, posa em uma sessão de fotos para uma campanha publicitária em Londres.

 

“A aparência é um fator muito importante na minha área”, diz.

 

Ela conversa com o programa de rádio Business Daily da BBC em um café de Londres para falar sobre seu trabalho, que está fortemente relacionado à sua imagem.

 

O almoço chega. Ele come ovos mexidos e abacate amassado.

 

“Você deve ser igual às fotos do seu portfólio. Deve cuidar da imagem. Se você não estiver bem consigo mesma e mantiver uma dieta saudável assim como um estilo de vida ativo, sua carreira está arruinada”, diz.

Pesquisas recentes indicam que a vida pode ser menos dura e mais lucrativa para pessoas mais atraentes.

 

Segundo o economista especializado em mercado de trabalho Daniel Hamermesh, essas pessoas ganham em média US$ 237 mil (R$ 1,2 milhão) a mais ao longo da vida do que pessoas igualmente qualificadas, mas menos atraentes nos Estados Unidos.

Elas também são mais propensas a serem promovidas no trabalho, negociar melhores empréstimos e atrair parceiros mais qualificados e bonitos.

Produtos e experiências gratuitas

 

Recentemente, mulheres têm conquistado mais vantagens postando fotos nas redes sociais.

 

“É incrível como as pessoas podem ser legais quando te acham atraente.”

 

“Percebi que fui contratada para todos os empregos a que me candidatei na época que era estudante, mesmo sem ter as habilidades necessárias.”

 

“Também não me cobram por bebidas ou sobremesas em restaurantes.”

 

Todas essas declarações foram coletadas pelo Business Daily de várias mulheres.

 

E ironicamente, as próprias plataformas usadas para expor e denunciar a realidade desse fenômeno também são as grandes responsáveis ​​por legitimá-lo.

Marike vê o Instagram como uma rede social importante para que isso continue acontecendo.

“As empresas te convidam para experiências gratuitas e, em troca, você vende os produtos da marca. Basta ser um influenciador para essas marcas, exibindo-as na sua conta. Você pode beber e comer de graça”, diz a modelo.

 

“Ter garotas bonitas curtindo a experiência faz com que os restaurantes pareçam bons”, acrescenta ela.

 

Mas é justo que alguém seja beneficiado apenas por sua aparência ou por características que datam do nascimento?

 

Marike defende que, se você é bonito e consegue se manter em forma, deve simplesmente aproveitar, principalmente para economizar.

Uma carreira no Instagram

 

Existem poucas maneiras melhores de identificar o poder da beleza do que observando um influenciador, pelo menos segundo a especialista em redes sociais Hannah van de Peer.

 

“No Twitter, você não precisa ser visualmente atraente. O que importa são as palavras, sua consciência política e cultural. Mas você pode ter milhares de seguidores e alcance e ainda vai precisar de um emprego em tempo integral para viver”, diz Van de Peer.

 

“Já no Instagram você pode ser pago e sustentar uma carreira promovendo produtos ou documentando sua vida diária apenas com sua beleza. Marcas e organizações vão querer trabalhar com você. Os reality shows entrarão em contato para convidá-lo a participar ou ser apresentador do programa. Você pode ganhar milhões”, acrescenta.

Contrastes

 

Querendo ou não, a preferência por rostos bonitos afeta diversas áreas da economia e do mercado de trabalho.

Na verdade, vai além dos limites de Hollywood, das redes sociais, dos comerciais ou outras áreas profissionais que envolvem a atenção do público.

“Mesmo nas universidades, que não dependem de pessoas atraentes, a aparência importa. Em economia, há alguns estudos recentes que mostram que uma pessoa atraente ganha mais, tira melhores notas e consegue melhores empregos”, diz Hamermesh, professor de economia da Universidade do Texas, nos Estados Unidos.

 

O especialista estuda há décadas os efeitos da beleza na economia.

 

Hamermesh, que calculou que pessoas atraentes ganham US$ 237 mil (R$ 1,2 milhão) a mais ao longo da vida do que outras, baseou-se em um salário médio de US$ 20 (R$ 105) por hora.

 

Aplicando a lógica usada por ele a salários de gerentes do mercado financeiro banqueiros, provavelmente a diferença será ainda maior.

 

E também há desequilíbrio entre os gêneros.

 

Segundo Hamermesh, homens bonitos ganham mais em termos percentuais do que mulheres bonitas — e homens menos atraentes ganham menos do que mulheres menos atraentes, em média.

 

Seus cálculos são baseados em dados dos Estados Unidos.

 

Apesar de beleza e interesse serem fatores subjetivos, influenciados por outras qualidades como a inteligência, o especialista defende que os efeitos da beleza em setores como o mercado de trabalho independem disso e que, à primeira vista, as pessoas são bastante consistentes ao qualificarem alguém como atraente ou não.

Hamermesh explica que esse padrão data de 200, 300 anos atrás — e que é uma percepção que continua existindo em alguns países em desenvolvimento.

 

“Melhor aparência significa que você é mais saudável. E se você é saudável nessas sociedades, significa que você é bom em se reproduzir. Isso não é verdade na maioria dos países ocidentais e sociedades industrializadas de hoje, mas eu, como professor, deveria ganhar o mesmo se tenho as mesmas habilidades que outro professor mais atraente… mas a aparência física é algo que ainda importa”, explica o acadêmico.

E o peso?

 

Além da beleza, a discriminação baseada no peso também é uma realidade no mercado de trabalho.

 

Isso pôde ser verificado sobretudo durante a pandemia.

Muitos lutaram para perder os quilos a mais que ganharam trabalhando em casa durante a quarentena.

Até a imprensa chegou a incentivar o emagrecimento antes do retorno ao trabalho presencial.

 

“Pessoas gordas são mais propensas a ganhar menos do que funcionários com peso normal. Isso está ligado à percepção de seu valor”, diz a autora canadense Emily Lauren Dick.

 

“Basta ver como eles são retratadas na televisão e nos filmes. Pessoas consideradas feias e gordas são vistas como inferiores: menos inteligentes, menos simpáticas. Isso pode levar a um tratamento injusto, bullying e assédio”, diz.

 

Estima-se que 45 milhões de americanos façam dieta a cada ano e gastem US$ 33 bilhões (R$ 174 bilhões) por ano em produtos que prometem ajudar na perder peso, segundo o Boston Medical Center, nos Estados Unidos.

 

“Crianças de três anos estão tendo problemas de autoestima. A sociedade investe pesado em ideais corporais porque atender aos padrões de beleza garante benefícios. Todos nós queremos ser aceitos e levar uma vida feliz. As empresas enriqueceram com nossas inseguranças”, diz Lauren Dick.

Viés inconsciente

 

Essa realidade contribui para um viés inconsciente ou implícito que favorece as pessoas mais atraentes.

 

E isso pode ser prejudicial para o funcionário, impactando nos processos seletivos e nas promoções.

 

Em um estudo recente realizado no Reino Unido pela Universidade Sheffield Hallam University, os empregadores receberam currículos idênticos. Primeiro com fotos de pessoas gordas e depois com fotos de pessoas magras.

Os pesquisadores identificaram uma clara tendência de seleção em favor das pessoas magras.

 

Tal cenário prejudica a diversidade e a inclusão no mercado de trabalho e levanta questionamentos sobre o que as empresas podem fazer para agir contra a gordofobia.

 

Lauren Dick sugere mudar algumas regras para garantir que todos os tipos de corpos sejam aceitos.

 

Entre elas, a realização apenas de entrevistas em áudio ou a introdução de cursos de conscientização para os funcionários.

 

Cada vez mais pessoas se manifestam contra essa preferência por pessoas atraentes, e uma mudança já começa a ser percebida.

 

Marike, a modelo sul-africana, diz que precisa provar cada vez mais que é muito mais do que um “rostinho bonito”.

 

“Os contratantes estão mais interessados ​​em pessoas ou modelos que tenham uma história e que façam mais do que apenas andar na passarela. A personalidade se tornou muito importante, e acho isso muito legal”, diz ela.

 

A preferência pela beleza afetou muitos por gerações, mas por meio da representação na mídia e nas propagandas é possível ajudar a desmantelar esse tipo de preconceito e criar melhores oportunidades para todos.

 

*Esta reportagem foi baseada em um episódio do podcast Business Daily da BBC. Você pode ouvi-lo em inglês aqui.

– Este texto foi originalmente publicado em https://www.bbc.com/portuguese/articles/cjj7lv2zxldo

* Esta reportagem foi baseada em um episódio do podcast Business Daily da BBC. Você pode ouvi-lo em inglês aqui.

G1

https://g1.globo.com/trabalho-e-carreira/noticia/2023/03/18/o-que-os-estudos-mostram-sobre-relacao-entre-beleza-e-mercado-de-trabalho.ghtml

Justiça impõe penas brandas em casos de trabalho escravo na lavoura

Mercado reduz estimativa de inflação para 2023, mas eleva projeção para o próximo ano

Expectativa de inflação dos investidores supera o teto da meta definido pelo CMN para este ano, que é de até 4,75%. Números foram divulgados pelo Banco Central.

Por Alexandro Martello, g1 — Brasília

Os economistas do mercado financeiro reduziram marginalmente a estimativa de inflação deste ano, que passou de 5,96% para 5,95% – ao mesmo tempo em que também elevaram a expectativa para 2024.

 

As informações constam do relatório “Focus”, divulgado nesta segunda-feira (20) pelo Banco Central. Foram ouvidas mais de 100 instituições financeiras na semana passada sobre as projeções para a economia.

Para este ano, a meta central de inflação foi fixada em 3,25% pelo Conselho Monetário Nacional (CMN) e será considerada formalmente cumprida se oscilar entre 1,75% e 4,75%.

Se confirmado, esse será o terceiro ano seguido de estouro da meta de inflação, ou seja, no qual o IPCA fica acima do teto fixado pelo sistema de metas. Em 2022, a inflação somou 5,79%.

 

Quanto maior a inflação, menor é o poder de compra das pessoas, principalmente das que recebem salários menores. Isso, porque os preços dos produtos aumentam sem que o salário acompanhe esse crescimento.

 

Para 2024, a projeção de inflação do mercado financeiro subiu de 4,02% para 4,11% na semana passada.

 

A meta de inflação do próximo ano, definida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), é de 3% e será considerada cumprida se oscilar entre 1,5% e 4,5%.

 

Para definir a taxa básica de juros e tentar conter a inflação, o BC já está mirando, neste momento, na meta do ano que vem. Isso ocorre porque as mudanças na taxa Selic demoram de seis a 18 meses para terem impacto pleno na economia.

PIB

 

Para o crescimento Produto Interno Bruto (PIB) de 2023, a expectativa do mercado financeiro recuou de 0,89% para 0,88% na última semana.

 

O PIB é a soma de todos os bens e serviços produzidos no país. O indicador serve para medir a evolução da economia.

Já para 2024, a previsão de crescimento caiu de 1,50% para 1,47%.

 

Taxa de juros

 

O mercado financeiro manteve a expectativa para a taxa básica de juros da economia, a Selic, estável em 12,75% ao ano para o fim de 2023.

 

Com isso, o mercado financeiro segue estimando queda dos juros neste ano.

 

Para o fim de 2024, a projeção do mercado para o juro básico da economia ficou estável em 10% ao ano.

Outras estimativas

 

Veja abaixo outras estimativas do mercado financeiro, segundo o BC:

 

  • Dólar: a projeção para a taxa de câmbio para o fim de 2023 permaneceu em R$ 5,25. Para o fim de 2024, ficou estável em R$ 5,30.
  • Balança comercial: para o saldo da balança comercial (resultado do total de exportações menos as importações), a projeção recuou de US$ 57 bilhões para US$ 55 bilhões de superávit em 2023. Para 2024, a expectativa para o saldo positivo ficou estável em cerca de US$ 55 bilhões.
  • Investimento estrangeiro: a previsão do relatório para a entrada de investimentos estrangeiros diretos no Brasil neste ano permaneceu em US$ 80 bilhões de ingresso. Para 2024, a estimativa de ingresso continuou também em US$ 80 bilhões.

G1

https://g1.globo.com/economia/noticia/2023/03/20/mercado-reduz-estimativa-de-inflacao-para-2023-mas-eleva-projecao-para-o-proximo-ano.ghtml

Justiça impõe penas brandas em casos de trabalho escravo na lavoura

O mercado contra Lula: dados da nova “ascensão dos idiotas”

Pesquisa Quaest só confirma o que previu Nelson Rodrigues: “Quem não percebeu a invasão dos idiotas não entenderá, jamais, o Brasil dos nossos dias”

por André Cintra

Na década de 1960, Nelson Rodrigues (1912-1980) dedicou algumas de suas crônicas no jornal O Globo para falar da “ascensão dos idiotas”. Segundo o autor de O Óbvio Ululante  – que reuniu parte desses textos –, “o idiota é a grande e obsessiva figura do século XX”.

“Claro que os idiotas são de todos os tempos. Sempre existiram. Mas, no vasto passado humano, o idiota como tal se comportava”, escreveu Rodrigues na crônica Os Idiotas sem Modéstia. “E, de repente, tudo muda. Os idiotas perderam a modéstia, a humildade de vários milênios. Eles estão por toda parte. São os que mais berram (…). Antigamente, o silêncio era dos imbecis; hoje, são os melhore que emudecem. O grito, a ênfase, o gesto, o punho cerrado, estão com os idiotas de ambos os sexos.”

Um gênio pode ter, sim, lances de idiotice, assim como há idiotas com um ou outro talento específico. Em 1887, o médico britânico John Langdon Down os classificou como idiot savant (idiotas sábios). Eram pessoas que, a despeito do QI baixíssimo, eram verdadeiros prodígios em habilidades como a resolução do cubo mágico.

O economista Luiz Gonzaga Belluzzo me disse, certa vez, que a economia brasileira estava dominada por idiots savants. Isso foi em 2008, antes da eleição de Jair Bolsonaro à Presidência da República. “Sabe o que é um idiot savant? É um cara que tem esquemas na cabeça”, explicou Belluzzo. “O Roberto Campos não tinha – ele fez uma tese sobre ciclos econômicos e tinha uma noção muito clara do capitalismo. O Mário Henrique Simonsen, não. Ele tinha esses esquemas ruins de macroeconomia – coisa que não funciona”.

Nelson Rodrigues não viveu o suficiente para ver a financeirização do capitalismo atingir uma escala global e profunda, que provocou essa nova “ascensão dos idiotas”. É a turma que, em nome da banca, ignora ameaças à democracia, o aumento da desigualdade ou o avanço da fome, porque, em seus esquemas, a única coisa que importa é a aplicação da cartilha ultraliberal na economia.  Eis o esquema na cabeça!

Esses idiots savants do século 21 entraram no radar da Quaest, que os entrevistou de 10 a 13 de março para uma pesquisa contratada pela Genial Investimentos. O levantamento, batizado de “O que pensa o mercado financeiro”, ouviu 82 gestores, economistas, analistas e tomadores de decisão, que atuam em fundos de investimentos em São Paulo e no Rio de Janeiro.

O resultado da sondagem surpreende menos pelas respostas em si – mas, como diria Caetano, “pelo fato de poder ter sempre estado oculto, quando terá sido o óbvio”. É improvável que haja um segmento menos previsível e mais homogêneo em todo o País. Alguns dados:

– 98% dizem que a política econômica está indo na direção errada sob o governo Lula;

– 94% acham que, nos próximos 12 meses, a economia ou vai piorar e ou vai ficar do mesmo jeito;

– 90% avaliam como negativa a relação do governo Lula com a diretoria do Banco Central;

– 92% afirmam que essa relação vai piorar ou ficar igual nos próximos seis meses;

– 95% concordam com a decisão do Banco Central de manter a taxa básica de juros (Selic) em 13,75%;

– 90% declaram que a política fiscal do governo não vai gerar a sustentabilidade da dívida pública;

– 90% reprovam o governo Lula;

– 94% dizem confiar pouco ou nada em Lula como líder político.

Não era preciso investir numa pesquisa desse porte para detectar que o mercado está contra Lula – e, no limite, contra o Brasil. Para além de definições como “bons” ou “maus”, idiots savants encarnam um tipo de gente amoral, alheia à realidade, absolutamente insensível à destruição do País nos últimos anos. Com um pensamento tão unilateral quanto óbvio, destacam-se, no entanto, como executivos do rentismo.

Nelson Rodrigues talvez esteja errado. A vitória de Lula nas eleições presidenciais de 2022, na contramão do mercado, mostra que a emergência dos idiotas tem limites. Ainda assim, a pesquisa Quaest só confirma o que previu o dramaturgo: “Quem não percebeu a invasão dos idiotas não entenderá, jamais, o Brasil dos nossos dias”. E pior: “Outrora, os melhores pensavam pelos idiotas; hoje, os idiotas pensam pelos melhores”. A grande mídia, porta-voz cada vez menos enrustida do mercado, que o diga.

VERMELHO

https://vermelho.org.br/2023/03/17/o-mercado-contra-lula-dados-da-nova-ascensao-dos-idiotas/