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Mulher lidera emprego de nível superior, mas com salário mais baixo

Mulher lidera emprego de nível superior, mas com salário mais baixo

Enquanto isso, os homens mais qualificados se voltam para as profissões chamadas STEM (ciência, tecnologia, engenharia e matemática), cuja demanda, que já era crescente, aumentou com a pandemia

Por Anaïs Fernandes e Álvaro Fagundes, Valor — São Paulo

Embora a criação de novas vagas formais para mulheres se concentre em postos que exigem alto grau de escolaridade, elas ainda estão muito ligadas ao magistério e ao cuidado, em ocupações que acabam remunerando menos. Enquanto isso, os homens mais qualificados se voltam para as profissões chamadas STEM (ciência, tecnologia, engenharia e matemática), cuja demanda, que já era crescente, aumentou com a pandemia.

 

Dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) mostram que a diferença entre o saldo de vagas formais criadas em 2022 para mulheres e homens é maior entre os mais escolarizados. Foram 129,2 mil postos gerados para mulheres com ensino superior (completo ou não), ante pouco menos de 67,9 mil para homens. Em 2021, o saldo das mulheres superava o dos homens apenas nessa faixa de escolaridade. No ano passado, elas também avançaram nos cargos de menor formação (analfabetos e fundamental incompleto), mas com uma diferença menor para o saldo deles.

 

“O mercado tem demandado pessoas com nível de escolaridade mais alto e vários dados mostram que, em média, as mulheres são mais educadas do que os homens. Elas são maioria entre mestrandos, doutorandos, mas, quando observamos em quais áreas, são naquelas que não remuneram tão bem”, diz Janaína Feijó, do Instituto Brasileiro de Economia (FGV Ibre).

 

Em 2022, os maiores saldos positivos para mulheres com ensino superior e pós-graduação estavam mais concentrados em carreiras ligadas ao magistério, como auxiliar de desenvolvimento infantil, orientadora educacional e professora de ensino fundamental, ou ao cuidado, como enfermeira e analista de recursos humanos. Já entre os homens, a geração de vagas para os mais escolarizados estava concentrada em áreas de analistas de desenvolvimento de sistemas, negócios e pesquisa de mercado.

 

“Às vezes, mulheres acabam optando já na graduação por cursos que, depois, vão oferecer maior flexibilidade de horas — e que pagam menos —, por causa dos afazeres domésticos e de cuidado que elas vão precisar acumular”, diz Lorena Hakak, professora da Universidade Federal do ABC e presidente da Sociedade de Economia da Família e do Gênero (GeFam).

“As mulheres gastam, em média, muito mais horas com isso, mesmo as de maior poder aquisitvo. Nesses casos, não é que há uma divisão mais igualitária das horas, mas elas podem terceirizar parte do serviço para outras mulheres, em geral, negras”, aponta Hakak.

 

Outro problema é que a escolha da carreira ainda se prende a normas sociais que determinam “profissões de mulher”, ligadas às humanidades, e “profissões de homem”, que se encaixam em STEM. O Censo da Educação Superior de 2021 mostra que 77,9% dos concluintes de graduação em educação eram mulheres, ante 22,1% de homens. Já em computação e tecnologias da informação e comunicação (TIC), eram 85,2% homens para 14,8% mulheres. “Eles tendem a estar alocados em cargos e funções que o mercado demanda e precifica melhor”, diz Feijó.

 

Gradualmente, a participação das mulheres no mercado com carteira assinada vem subindo no Brasil. Em 2002, 60,2% dos empregados com vínculo formal ativo eram homens, e 39,8%, mulheres. Em 2021, último dado da Relação Anual de Informações Sociais, eram 55,8% para 44,2%. Entre as vagas formais com maior saldo em 2022 para mulheres até aparecem assistente administrativo, analista de negócios e administrador.

 

“A convergência de salários entre mulheres e homens tem ocorrido quando elas escolhem profissões mais ‘parecidas’ com as deles. Vemos isso em economia, medicina. Mas observamos que, mesmo em uma mesma ocupação, há diferenças”, diz Cecília Machado, economista-chefe do Bocom BBM e professora da Escola Brasileira de Economia e Finanças (FGV EPGE).

Nas profissões STEM, a taxa de participação das mulheres ainda é bem menor do que a dos homens. “Tem a ver com incentivos da família e da formação escolar a partir de estereótipos”, aponta Machado. “É preciso combater isso desde a infância. Por que os pais dão, para os meninos, brinquedos de raciocínio lógico e, para as meninas, bonecas?”, questiona Feijó.

 

Mesmo dentro das carreiras STEM há desequilíbrios. “Observamos que mulheres escolhem profissões mais ligadas às ciências da vida, como biologia, saúde pública”, afirma Machado.

 

O governo prepara um projeto de lei para garantir a igualdade salarial entre homens e mulheres no setor privado, mas há ceticismo entre especialistas. “É uma política que fica bonita no papel, mas tenta corrigir o ‘fim’ da trajetória e tem pouco efeito prático. Os fenômenos são complexos”, diz Machado.

 

Ela menciona o debate pouco aprofundado sobre licença parental. “As políticas precisam entender o que leva as mulheres a escolherem profissões diferentes, por que sua permanência no mercado é menor. E existem evidências de que a maternidade é a razão número um de afastamento”, afirma.

 

Machado também defende políticas mais transparentes para as empresas. “A mulher pode pensar: se a prática do mercado é essa, talvez eu deva pedir isso na minha próxima negociação. Isso aumenta a consciência e as empresas também ficam sob escrutínio.”

VALOR INVESTE

https://valorinveste.globo.com/mercados/brasil-e-politica/noticia/2023/03/08/mulher-lidera-emprego-de-nivel-superior-mas-com-salario-mais-baixo.ghtml

Mulher lidera emprego de nível superior, mas com salário mais baixo

Covid aumentou diferença de renda entre os gêneros

Quando o recorte é escolaridade, o cenário é heterogêneo

Por Marsílea Gombata, Valor — São Paulo

A desigualdade de renda do trabalho entre homens e mulheres aumentou com a pandemia e ainda não se recuperou do choque da covid-19. Quando o recorte é idade, a diferença de rendimento médio real dentre aqueles entre 18 e 59 anos de idade cresceu desde o fim de 2019. O mesmo vale quando se analisam setores como educação, saúde, administração pública, transporte e outros serviços. Quando o recorte é escolaridade, o cenário é heterogêneo.

 

Especialistas afirmam que as diferenças são maiores em regiões economicamente mais dinâmicas e que a pandemia afetou mais as mulheres por causa da dupla jornada. Afirmam que solucionar a sub-representação feminina em postos de alta remuneração é um trabalho de longo prazo, que passa também por ofertar serviços públicos do cuidado.

Educação e renda — Foto: Valor

Educação e renda — Foto: Valor

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https://valorinveste.globo.com/objetivo/empreenda-se/noticia/2023/03/08/covid-aumentou-diferenca-de-renda-entre-os-generos.ghtml

Mulher lidera emprego de nível superior, mas com salário mais baixo

Quem contrata trabalho análogo ao escravo deveria ser proibido de empreender

Para a juíza Valdete Severo, empresa que usa terceirizada para explorar trabalhadores nessas condições tem responsabilidade direta e ainda poderia ter patrimônio expropriado

por Priscila Lobregatte

Dados do Ministério Público do Trabalho (MPT) recém-divulgados mostram que o total de denúncias de exploração de trabalhadores em condições semelhantes à de escravidão feitas em 2022 é o maior em uma década. No ano passado, foram contabilizados 1.973 denúncias, contra 857 em 2012. “Os números revelam o desmanche das estruturas de prevenção às situações precárias de trabalho, promovido pelo governo Bolsonaro, que teve como um de seus primeiros atos a extinção do Ministério do Trabalho”, diz a juíza Valdete Souto Severo, titular da 4ª Vara do Trabalho de Porto Alegre.

Na avaliação da magistrada, feita ao Portal Vermelho, esses dados  também explicitam “a persistência de uma racionalidade racista em nosso país, que tem relação direta com a história de escravização e o modo como (não) lidamos, ao longo do tempo, com esse legado histórico de, por 353 anos, o discurso oficial do Estado admitir a comercialização e escravização de pessoas”.

Os dados revelados pelo UOL mostram ainda a inconstância na resposta do poder público, com aumentos e reduções nas operações de resgate nos últimos dez anos, em descompasso com o crescimento nas denúncias. Em 2022, 2.575 pessoas foram resgatadas dessas condições aviltantes.

Esse cenário, afirma Valdete, “é reflexo da precarização das condições de trabalho, que ocorreu mesmo em governos anteriores, e de políticas públicas que deixam à margem das condições mínimas de existência digna uma boa parte da população brasileira. Aceitar oferta de trabalho sem qualquer segurança acerca da realidade que será enfrentada é consequência direta do desespero de não ter fonte de renda e precisar sobreviver”.

Ela completa dizendo que esse quadro “tem relação direta com o estímulo à terceirização, que tem como consequência a redução das condições de trabalho (inclusive porque o preço acaba sendo o principal critério de quem faz essa intermediação de força de trabalho, tanto no setor público quanto privado) e o afastamento entre o verdadeiro beneficiário do trabalho e quem o realiza”.

Expropriação do patrimônio

Considerando esses dados e a realidade brasileira, é possível dizer que embora chocante, o caso dos 207 homens resgatados de trabalho análogo ao escravo prestado a vinícolas da Serra Gaúcha, infelizmente, não é isolado e está longe de acabar. E traduz o descaso do meio empresarial que, em busca de lucro, explora a mão de obra e depois procura se eximir de suas obrigações, jogando a culpa exclusivamente na terceirizada. Mas, “a responsabilidade é direta e autoriza a aplicação da regra constitucional de expropriação do patrimônio”, diz a juíza.

Ao escolher terceirizar, explicou, “essas vinícolas assumem a responsabilidade pelo resultado, ao tempo em que boicotam a ordem jurídica. Basta ler os primeiros artigos da Constituição para entender que tais empresas não cumprem sua função social.E, portanto, deveriam ser inclusive proibidas de continuar empreendendo”.

Apesar de, na origem, esse tipo de exploração da mão de obra estar diretamente ligado ao passado escravocrata do país, que influenciou a mentalidade empresarial e as relações de trabalho, a reforma trabalhista, o “libera geral” nas terceirizações e o processo constante de precarização são elementos que, casados com o abandono de políticas públicas e fiscalização, contribuíram diretamente para a piora desse quadro.

O aumento desses casos escabrosos, argumenta Valdete, “tem direta relação com o estímulo dado à terceirização, tanto pela súmula 331 do TST, quanto pela lei 13.429 (terceirização da atividade-fim), e ainda pela decisão do STF sobre esse tema”. Dessa forma, e a partir desses mecanismos legais, as condições de trabalho são precarizados e cria-se “uma ideia de ‘cadeia produtiva’, na qual, na ponta, está um falso empreendedor sem condições econômicas, que explora trabalhadores de modo escravizado. Isso tem se repetido em vários setores e basta acessar os números e casos registrados para ver que todos eles ocorrem em situação de terceirização”, aponta a juíza.

No que diz respeito à possibilidade de mudanças legais com o objetivo de acabar com o trabalho análogo ao escravo, a magistrada defende que “não precisaria nenhuma alteração na legislação trabalhista que já diz que a relação de emprego se dá apenas entre dois sujeitos e, portanto, de acordo com a Constituição e com os artigos 2 e 3 da CLT, não existe espaço para terceirização”.

Nesse sentido, diz, “bastaria revogar tanto a Lei 13.467 (reforma trabalhista) quanto a 13.429, alterar o entendimento que o STF hoje mantém sobre terceirização, ou seja, proibir qualquer forma de terceirização, esse é o primeiro ponto. O segundo ponto é aplicar a regra constitucional que determina a expropriação da propriedade nos casos em que se verifica a utilização de trabalho em situação de escravização ou análoga à escravização”.

VERMELHO

https://vermelho.org.br/2023/03/08/quem-contrata-trabalho-analogo-ao-escravo-deveria-ser-proibido-de-empreender/

Mulher lidera emprego de nível superior, mas com salário mais baixo

Franceses reúnem 1,28 milhão nas ruas por greve contra reforma da Previdência

Pelo menos 59% dos franceses apoiam os protestos contra a legislação regressiva de Macron, enquanto os sindicatos intensificam a luta

por Cézar Xavier

Mais de 250 protestos foram realizados na capital francesa, Paris, e em todo o país contra as reformas previdenciárias do presidente Emmanuel Macron, desde terça-feira (7), pelo sexto dia. Houve participação de coletores de lixo, trabalhadores de serviços públicos, maquinistas, incluindo refinarias, energia e transportes, onde a greve se renova, paralisando o país contra a legislação em discussão no Senado. Os distúrbios prometem ser ainda maiores, nesta quinta (9), com paralisação de transportes, inclusive em aeroportos.

Em toda a França, o dia internacional dos direitos das mulheres também esteve sob o signo das aposentadorias e das desigualdades salariais entre mulheres e homens. Milhares de mulheres fizeram sua manifestação em apoio às greves em 150 localidades. Mulheres aposentadas recebem em média 28% menos que os homens na França.

Estima-se que 1,28 milhão de pessoas se manifestaram em todo o país na terça-feira contra os planos de Macron de reduzir a idade de aposentadoria para 64 anos, informou o Ministério do Interior. Os protestos acontecem semanas depois que cerca de 1,27 milhão de pessoas participaram da rodada de protestos de 31 de janeiro.

A maioria dos franceses apoia atualmente o princípio de greves prorrogáveis (56%) e o objetivo sindical de “paralisar a França” (59%) para forçar o governo a recuar, de acordo com uma pesquisa da Elabe, publicada nesta segunda-feira (6).

Grandes multidões foram às ruas em Paris, Marselha, Nice e outras cidades. Alguns confrontos menores com a polícia ocorreram em Nantes, Rennes e Lyon. Na capital francesa, trabalhadores, famílias e ativistas se reuniram em clima de alegria, entoando palavras de ordem.

Casos esporádicos de confrontos aconteceram, com algumas pessoas lançando projéteis contra a polícia, que respondeu com gás lacrimogêneo.

Impasse no legislativo

A reforma pretende aumentar a idade mínima de aposentadoria de 62 para 64 anos e exigir 43 anos de trabalho até 2030 para receber uma pensão completa, entre outras medidas. O governo argumentou que o sistema deve mergulhar no déficit dentro de uma década, à medida que a população da França envelhece e a expectativa de vida aumenta.

Os sindicatos dizem que pequenos aumentos nas contribuições podem mantê-lo solvente. Eles dizem que as medidas propostas são injustas e afetariam desproporcionalmente os trabalhadores pouco qualificados em empregos insalubres que começam suas carreiras cedo.

O partido de extrema-direita de Marine Le Pen tenta se aproveitar do clima antigovernista, declarando apoio ao movimento e suas propostas, além de expressar preocupação com os efeitos das greves. A extrema-direita ignora que Macron só foi eleito, porque era preciso derrotar o grupo de Le Pen. A esquerda dividida não conseguiu chegar ao segundo turno.

O projeto de lei está em debate no Senado francês esta semana. Os senadores devem decidir esta noite sobre o artigo 7º, o mais simbólico da reforma, que prevê o adiamento da idade de aposentadoria de 62 para 64 anos. Os debates no Palácio de Luxemburgo azedaram durante a noite de terça para quarta-feira, com uma guerra de procedimento parlamentar entre a maioria de direita e de centro, favorável ao texto, e a oposição das bancadas de esquerda. Ainda faltam dezenas de emendas antes da votação do artigo 7º. Vale lembrar que os deputados não haviam chegado ao ponto de examinar esse artigo, pelo impasse nos debates e pela estratégia de obstrução adotada pelos eleitos “rebeldes”.

Enquanto os representantes sindicais pedem, desde a noite de terça-feira, para serem recebidos diretamente por Emmanuel Macron, devido à força do protesto social, Elisabeth Borne e o governo, por enquanto, se opõem. “Se os sindicatos quiserem levantar alguns pontos específicos, a porta do ministro do Trabalho, Olivier Dussopt, permanece sempre aberta”, declarou o primeiro-ministro durante perguntas ao governo no Senado.

País paralisado

Os sindicatos ameaçaram congelar a economia francesa com paralisações em vários setores. A ponta mais visível da greve ocorre na autoridade ferroviária nacional SNCF.

Alguns sindicatos convocaram greves em setores como refinarias e depósitos de petróleo, até instalações de eletricidade e gás. Os trabalhadores de cada setor decidirão localmente à noite sobre isso.

Todos os embarques de petróleo no país foram interrompidos na terça-feira, em meio a greves nas refinarias dos grupos TotalEnergies, Esso-ExxonMobil e Petroineos, segundo a CGT (Central Geral de Trabalhadores).

Os caminhoneiros bloquearam esporadicamente as principais artérias e cruzamentos de rodovias em ações lentas perto de várias cidades nas regiões francesas.

A navegação no Reno foi retomada na tarde desta quarta-feira (8) após a intervenção da polícia contra o bloqueio da eclusa da EDF em Marckolsheim, iniciada na noite de segunda-feira por “centenas” de trabalhadores que se revezavam, disse a prefeitura de Baixo Reno. Quarenta gendarmes e uma companhia CRS foram mobilizados para a operação que garantiu o encalhe de 70 grandes barcos.

Um quinto dos voos foram cancelados no Aeroporto Charles de Gaulle, em Paris, e cerca de um terço dos voos no Aeroporto de Orly e devem chegar a um terço com a greve dos controladores de tráfego aéreo. Os trens para a Alemanha e a Espanha devem parar, e os do Reino Unido e da Bélgica serão reduzidos em um terço, de acordo com a autoridade ferroviária SNCF.

A maioria dos trens de alta velocidade e trens regionais foram cancelados.

O transporte público e outros serviços foram interrompidos na maioria das cidades francesas. Em Paris, a Torre Eiffel foi fechada, assim como o Palácio de Versalhes, a oeste da capital.

De acordo com o Ministério da Educação, cerca de um terço dos professores estavam em greve em todo o país.

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https://vermelho.org.br/2023/03/08/franceses-reunem-128-milhao-nas-ruas-por-greve-contra-reforma-da-previdencia/

Mulher lidera emprego de nível superior, mas com salário mais baixo

Apenas 29% dos cargos de liderança na indústria são ocupados por mulheres

Dados da CNI ainda revelam que o preconceito e a cultura machista são indicados como as maiores barreiras para a igualdade de gênero nas empresas.

por Murilo da Silva

A Confederação Nacional da Indústria (CNI) divulgou uma pesquisa que revela que somente 29% dos cargos de liderança são ocupados por mulheres na indústria nacional. Divulgado nesta quarta-feira (8), Dia Internacional da Mulher, a pesquisa “Indústria & Mercado de Trabalho – Igualdade de gênero e principais desafios” ainda revelou que apenas 14% das empresas têm uma área específica para tratar sobre igualdade de gênero. No entanto, somente 5% dessas empresas (dentro do universo de 14%) contam com orçamento próprio para se dedicar ao assunto, os outros 9% dependem de outros orçamentos para trabalhar a igualdade de gênero.

Entre as principais barreiras/obstáculos para a promoção da igualdade de gênero nas empresas, de acordo com o levantamento, o preconceito (21%) e a cultura machista (17%) foram apontados como as principais barreiras.

Ainda foi indicado que a proporção média de ocupação nas indústrias fica em 70% de homens e 30% de mulheres.

Entre as principais políticas de gênero adotadas pelas empresas para reduzir a desigualdade estão: apoio ao retorno ao trabalho das mulheres após o término da licença-maternidade (81%); paridade salarial (77%); política que proíbe discriminação em razão do gênero (70%); programa de qualificação de mulheres para desenvolvimento profissional (56%); e programa de liderança que estimule a ocupação de cargos de chefia pelas mulheres (42%).

Confira aqui a pesquisa completa.

A CNI encomendou o estudo para o Instituto FSB Pesquisa que entrevistou, por telefone, 500 executivos de indústrias pequenas e 500 executivos de indústrias médias e grandes. As pesquisas foram realizadas entre 6 e 23 de fevereiro de 2023, sendo que 60% dos entrevistados se identificam como homens e 40% mulheres.

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https://vermelho.org.br/2023/03/08/apenas-29-dos-cargos-de-lideranca-na-industria-sao-ocupados-por-mulheres/