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Lula quer isentar do IR em 2023 quem recebe até 2 salários mínimos

Lula quer isentar do IR em 2023 quem recebe até 2 salários mínimos

Sem reajuste desde 2015, atualmente quem ganha mais de R$ 1,9 mil mensais está sujeito ao tributo

Pedro Grigori

 

A equipe econômica do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) pretende isentar trabalhadores que recebam até dois salários mínimos (cerca de R$ 2,6 mil) do pagamento do Imposto de Renda da Pessoa Física (IRPF) ainda em 2023.

medida visa diminuir o impacto da falta de ajustes na tabela do IR, que não recebe atualização desde 2015, e enfrenta a maior defasagem da série histórica: 148,10%. Atualmente, quem ganha mais de R$ 1,9 mil por mês, cerca de um salário mínimo e meio, já está sujeito ao tributo federal e ao acerto de contas com a Receita Federal.

De acordo com o cálculo feito pelo Sindicato dos Auditores-Fiscais da Receita Federal (Sindifisco Nacional), com base no Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), que encerrou 2022 acumulando 5,79%, a falta de correção da tabela tem gerado um aumento da tributação justamente sobre pessoas de menor poder aquisitivo.

Segundo integrantes do Ministério da Fazenda ouvidos pela equipe do jornal Folha de S. Paulo, há pelo menos duas formas de isenção em análise. A primeira é a simples correção da tabela, ampliando a faixa de isenção para o valor almejado pelo governo. A outra reduz a renúncia de recursos, focando na isenção nos trabalhadores que efetivamente ganham até dois salários mínimos, mantendo a tabela atual.

Se toda a defasagem da tabela do IR fosse corrigida, pelos cálculos do Sindifisco, apenas pessoas que ganham acima de R$ 4.670,23 pagariam imposto. Hoje, um contribuinte que ganha, após deduções, R$ 5 mil paga R$ 505,64 de IR. Caso a tabela fosse corrigida de forma integral, a mesma pessoa contribuiria com apenas R$ 24,73. Até as grandes rendas seriam beneficiadas neste caso, pois pessoas que declaram R$ 100 mil ao mês teriam uma diminuição de contribuição dos atuais R$ 26.630,64 para R$ 25.352,85.

Bolsonaro não cumpriu promessa de reajustar tabela

A correção da tabela foi um compromisso assumido pelo ex-presidente Jair Bolsonaro, que terminou o seu mandato sem cumprir a proposta. Durante a campanha, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) também prometeu elevar para R$ 5 mil o limite de isenção.

No entanto, Fernando Haddad, ministro da Fazenda, disse que não será possível realizar a correção ainda este ano. O ministro alegou que precisaria cumprir o princípio da anterioridade que rege a tributação no país. Assim, tal medida, se implementada em 2023, só poderia ser efetivada em 2024.

CORREIO BRAZILIENSE

https://www.correiobraziliense.com.br/economia/2023/02/5071367-lula-quer-isentar-do-ir-em-2023-quem-recebe-ate-2-salarios-minimos.html

Lula quer isentar do IR em 2023 quem recebe até 2 salários mínimos

Com ajustes, Minha Casa deve levar meses para sair do papel

No governo, o esforço é para que esse marco aconteça mais cedo, no segundo trimestre – previsão considerada otimista

Agência Estado

Apesar do plano de relançar a marca do Minha Casa, Minha Vida (MCMV) em fevereiro, o governo levará mais tempo para, de fato, engrenar o programa habitacional em seu novo modelo. Segundo apurou o Estadão/Broadcast, sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado, o Executivo não planeja usar as regras do Casa Verde e Amarela (CVA) para contratar novas moradias enquanto o desenho do MCMV é estruturado. A expectativa, por sua vez, é de que a definição de todo arcabouço do novo programa demore meses.

Com isso, é possível que as primeiras contratações ocorram apenas no início do segundo semestre. Estimativas que circulam no mercado dão conta da possibilidade de quase 40 mil habitações voltadas à população de mais baixa renda serem retomadas neste ano.

No governo, o esforço é para que esse marco aconteça mais cedo, no segundo trimestre – previsão considerada otimista. O período dá margem par

a o Executivo trabalhar mais intensamente na retomada de obras paradas, um dos motes do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para o início de seu terceiro mandato.

O principal motivo para o governo não querer contratar novos empreendimentos usando o programa da gestão Bolsonaro – mesmo que apenas inicialmente – é o fato de o Casa Verde e Amarela não atender o que se chamava de faixa 1 do MCMV, modalidade que concedia subsídios de até 90% do valor do imóvel para famílias com renda de até R$ 1,8 mil.

Lula e sua equipe querem dar foco total a essa modalidade, que contempla a população mais atingida pelo déficit habitacional e que ficou sem contratações nos últimos anos por falta de recursos. A mais recente ocorreu na presidência de Michel Temer. Por consequência, o desenho do Casa Verde e Amarela não ofereceu tamanho grau de benefício. Quando foi lançado, em agosto de 2020, o programa foi dividido em grupos e nenhum deles concedia descontos aos moldes da faixa 1.

Orçamento ampliado

Agora, o cenário é oposto. Com a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Transição, o Congresso elevou o orçamento do programa para R$ 9,5 bilhões – ante R$ 34,2 milhões inicialmente previstos para o setor. Além disso, dos R$ 9,5 bilhões, a maior parcela, de R$ 7,8 bilhões, foi destinada justamente para o instrumento de sustentação da faixa 1: o Fundo de Arrendamento Residencial (FAR).

Fazer esse dinheiro girar em novos projetos não é uma tarefa rápida nem simples, apontam técnicos que acompanham a formatação do Minha Casa, Minha Vida. Com a escalada de preços enfrentada pelo setor de construção nos últimos anos, vários parâmetros terão de ser atualizados.

Varanda pedida por Lula é um dos ajustes no programa

No novo Minha Casa, Minha Vida, o governo ainda terá de encaixar demandas feitas pelo próprio presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que pediu que as casas do programa tenham varanda, por exemplo. Será preciso especificar, projetar, quantificar e precificar as novas moradias.

A precificação é uma etapa importante porque terá interferência direta nas escolhas que serão feitas nos próximos meses. Num cálculo grosseiro, se uma casa da faixa 1 (para a renda mais baixa) custar R$ 135 mil, o governo poderá fazer 70 mil habitações com o orçamento disponível. Mas é preciso considerar que parte dos recursos será usada para retomar empreendimentos paralisados.

Os processos de normatização ainda precisarão passar por várias instâncias, como o Ministério das Cidades, Casa Civil, Presidência, Caixa Econômica, Conselho Curador do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) e, para alguns casos, Ministério da Fazenda.

Medida provisória

O governo tem tentado agilizar esses trâmites. Nas últimas semanas, várias reuniões foram realizadas, envolvendo principalmente o ministro das Cidades, Jader Filho, e a Casa Civil, comandada por Rui Costa, e pela secretária executiva e ex-ministra Miriam Belchior. A expectativa é de que, ainda na primeira quinzena de fevereiro, Lula consiga ao menos enviar ao Congresso a medida provisória (MP) com os principais comandos do novo Minha Casa, Minha Vida.

A ideia é que Lula assine a MP em viagem à Bahia. Na semana passada, o governador do Estado, Jerônimo Rodrigues (PT), afirmou que essa cerimônia deve ocorrer no próximo dia 14, quando Lula poderá participar da entrega de pouco mais de 500 apartamentos em Santo Amaro e em outras cidades baianas. A agenda, contudo, ainda não está confirmada.

O plano inicial do governo era fazer o relançamento do programa ainda em janeiro, em Feira de Santana (BA); mas a viagem foi cancelada em função do estado precário em que se encontravam as casas no conjunto residencial que seria entregue por Lula. A situação foi encarada no setor como um bom exemplo da dificuldade que o governo terá para retomar obras paradas – seja por estarem invadidas, vandalizadas, abandonadas ou até mesmo judicializadas.

84 mil unidades paradas

Pelo último levantamento do extinto Ministério do Desenvolvimento Regional, do universo de contratações da antigo faixa 1, cerca de 84 mil unidades habitacionais estão paralisadas.

A Câmara Brasileira da Indústria da Construção (Cbic) foi uma das entidades que se reuniram com o governo na última semana para tratar do programa. Em relação à retomada de obras, de acordo com seu presidente, José Carlos Martins, a Cbic destacou ser necessário focar nas unidades que têm condições de receber investimento e agilizar procedimentos que, pelo tempo tomado, muitas vezes tornam os preços defasados para o setor. “É importante o diálogo, e importante que se tome cuidado com detalhes que podem mudar a efetividade do programa”, disse Martins.

CORREIO BRAZILIENSE

https://www.correiobraziliense.com.br/economia/2023/02/5071494-com-ajustes-minha-casa-deve-levar-meses-para-sair-do-papel.html

Lula quer isentar do IR em 2023 quem recebe até 2 salários mínimos

Mercado projeta inflação maior para este ano e Selic mais alta para 2024 e 2025

As previsões estão no Relatório Focus desta segunda-feira (30)

Por Nathália Larghi, Valor Investe — Rio

A expectativa mediana dos economistas para a inflação oficial brasileira, medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), em 2023 subiu pela oitava semana consecutiva, de 5,74% para 5,78%.

 

As estimativas foram apresentadas nesta segunda-feira (30) no Relatório Focus, do Banco Central (BC), que concentra as expectativas do mercado para os indicadores econômicos mais importantes toda segunda-feira.

Para 2024, a projeção também subiu, de 3,90% para 3,93%, assim como na semana passada. Já a estimativa para 2025 foi mantida em 3,50% novamente.

Selic

 

Pra a taxa básica de juros da economia, a Selic, a projeção mediana para o fim de 2023 se manteve em 12,50%, assim como na semana passada.

 

A previsão para o final de 2024, por sua vez, subiu após ser mantida na semana anterior. A projeção saiu de 9,50% para 9,75%. Para 2025, a projeção também subiu de 8,50% para 9%.

 

A taxa atualmente está em 13,75%, após o Comitê de Política Monetária (Copom) ter decidido mantê-la no mesmo patamar na reunião da semana passada.

 

PIB

 

A expectativa mediana para o Produto Interno Bruto (PIB) de 2023 voltou a scair após subir na última semana. A previsão saiu de de de 0,80% para 0,79%.Para 2024, a expectativa se manteve em 1,50%, assim como nas cinco últimas leituras. Para 2025, a previsão também seguiu em 1,89%.

Dólar

 

A expectativa para o dólar no fim de 2023 foi mantida em R$ 5,28. Na semana passada ela caiu.

 

Para 2024, a projeção ficou no mesmo patamar, de R$ 5,30. A previsão para 2025 também é de R$ 5,30 e foi mantida no mesmo patamar nas últimas semanas.

VALOR INVESTE

https://valorinveste.globo.com/mercados/brasil-e-politica/noticia/2023/02/06/mercado-projeta-inflacao-maior-para-este-ano-e-selic-mais-alta-para-2024-e-2025.ghtml

Lula quer isentar do IR em 2023 quem recebe até 2 salários mínimos

Produção industrial fica estável em dezembro e fecha 2022 no vermelho

Com o resultado, a indústria brasileira encerrou o ano 2,2% abaixo do patamar pré-pandemia e 18,5% abaixo do nível recorde da série, registrado em maio de 2011.

Por g1 — Rio de Janeiro

A produção industrial brasileira teve, na passagem de novembro para dezembro, variação nula (0,0%). Com o resultado, a indústria nacional encerrou o ano de 2022 com queda de 0,7%. É o que apontam os dados divulgados nesta sexta-feira (3) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

 

 

De acordo com o IBGE, o resultado anual deixou o setor operando 2,2% abaixo do patamar pré-pandemia e 18,5% abaixo do nível recorde da série, registrado em maio de 2011.

 

Em 2021, a indústria fechou o ano com alta de 3,9%, interrompendo dois anos seguidos de queda. A queda em 2022 foi, portanto, a terceira em quatro anos.

 

“Muito do crescimento de 2021 (3,9%) tem relação direta com a queda significativa de 2020, ocasionada por conta do início da pandemia. Avançou em 2021, mas foi influenciada por uma base baixa de comparação e não superou as perdas de 2020”, avaliou o gerente da pesquisa do IBGE, André Macedo.

 

 

Segundo Macedo, o recuo da indústria nacional em 2022 é explicado por fatores como a taxa de juros em elevação, que afeta diretamente os custos de crédito, além da inflação, principalmente dos alimentos, que impacta na renda das famílias e, por consequência, no consumo, elenca o pesquisador.

 

“Também há influência do aumento nas taxas de inadimplência e de endividamento. E o mercado de trabalho, que embora tenha mostrado clara recuperação ao longo do ano, ainda se caracteriza pela precarização dos postos de trabalhos gerados”, destacou.

Queda disseminada

 

De acordo com o IBGE, a queda na produção anual foi disseminada, atingindo todas as quatro grandes categorias econômicas, além da maioria dos ramos (17 de 26), dos grupos (54 de 79) e dos produtos (62,4%) pesquisados.

 

“É um perfil disseminado de recuo, que demonstra que a indústria nacional viveu, em 2022, uma retração que atinge diferentes grupos e segmentos da produção”, diz Macedo.

 

Entre as atividades, as principais influências negativas no total da indústria foram registradas por indústrias extrativas (-3,2%), produtos de metal (-9,0%), metalurgia (-5,0%), máquinas, aparelhos e materiais elétricos (-10,7%) e produtos de borracha e de material plástico (-5,7%).

 

Também se destacam as contribuições negativas assinaladas pelos ramos de produtos de minerais não metálicos (-5,1%), de produtos têxteis (-12,8%), de móveis (-16,2%), de produtos de madeira (-12,9%), de confecção de artigos do vestuário e acessórios (-8,4%) e de máquinas e equipamentos (-2,3%).

No sentido oposto, também no confronto com o resultado acumulado no ano anterior, entre as nove atividades que apontaram expansão na produção, a de coque, produtos derivados do petróleo e biocombustíveis (6,6%) exerceu a maior influência na formação da média da indústria.

 

Outros impactos positivos importantes foram registrados por produtos alimentícios (2,4%), veículos automotores, reboques e carrocerias (3,0%), outros produtos químicos (2,3%), celulose, papel e produtos de papel (3,1%), bebidas (3,0%) e outros equipamentos de transporte (12,9%).

 

Entre as grandes categorias econômicas, os resultados para os doze meses de 2022 mostraram menor dinamismo para bens de consumo duráveis (-3,3%). Os segmentos de bens intermediários (-0,7%), de bens de capital (-0,3%) e de bens de consumo semi e não duráveis (-0,2%) também assinalaram resultados negativos no índice acumulado para o ano de 2022.

 

Apesar da variação nula em dezembro no confronto mensal, o indicador acumulado em 12 meses indica ganho de fôlego do setor, já que ele manteve a trajetória ascendente desde agosto.

 

Queda de 1,3% no confronto anual

 

Na comparação com dezembro de 2021, a produção industrial caiu 1,3%, com resultados negativos em duas das quatro grandes categorias econômicas, 18 dos 26 ramos, 45 dos 79 grupos e 57,8% dos 805 produtos pesquisados.

 

“Cabe citar que dezembro de 2022 teve um dia útil a menos (22 dias) do que dezembro de 2021 (23)”, ponderou o IBGE.

Entre as grandes categorias econômicas, a maior queda foi em bens de consumo duráveis (-5,8%), seguida de bens intermediários (-2,6%). As outras duas, bens de consumo semi e não duráveis (3,1%) e de bens de capital (0,9%), registraram os avanços na comparação interanual.

G1

https://g1.globo.com/economia/noticia/2023/02/03/producao-industrial-fica-estavel-em-dezembro-e-fecha-2022-no-vermelho.ghtml

Lula quer isentar do IR em 2023 quem recebe até 2 salários mínimos

Afinal, o que é o mercado?

Todos estamos inseridos no mercado financeiro de alguma forma, mas definição do conceito ainda é nebulosa para muitos brasileiros.

Por Thaís Matos, g1

O mercado está estressado, nervoso, assustado, reage bem, reage mal… Do jeito que nós falamos, parece até que o mercado financeiro é uma entidade única e amorfa. Ou talvez um grupo de 10 pessoas reunidas numa sala decidindo como investir seus milhões conjuntamente.

 

Mas o conceito não é muito claro para muitos brasileiros. No vídeo acima, ouvimos pessoas na Avenida Faria Lima, centro financeiro de São Paulo, para entender o que elas sabiam sobre o assunto.

 

É difícil precisar o que é o mercado – porque não se trata de uma instituição. Na verdade, ele funciona como um ambiente de negociação onde estão inseridas instituições financeiras e pessoas físicas, com compra e venda de ativos. E reúne investidores de tipos diferentes, negociando produtos diferentes (que podem ser ações, títulos públicos, moedas, ouro etc.), regidos por propósitos também diferentes, explica Rachel de Sá, analista de investimentos da Rico.

 

E esses investidores podem ser:

 

  • Pessoas físicas: basicamente eu, você, seu colega de trabalho e até o milionário que investe sozinho
  • Investidores institucionais: bancos, empresas, gestoras, tesourarias, instituições financeiras também estão negociando, investindo e emprestando de outras empresas, bancos e instituições. Para ficar simples: o Nubank, por exemplo, era um dos compradores das dívidas das Lojas Americanas.
  • Investidores estrangeiros: podem ser pessoas físicas ou institucionais de outros países que querem comprar ativos brasileiros.

Dentro dessa dinâmica de compra e venda, os investidores institucionais têm maior peso, porque movimentam grandes quantias. Os bancos, por exemplo, administram o dinheiro de seus milhares de correntistas e investem tudo – até o dinheiro que você coloca na poupança e acha que está paradinho.

 

“Todo o dinheiro que está guardado faz parte do mercado. A questão é que existem pessoas que estão fazendo a gestão desse dinheiro e elas têm que tomar decisões”, explica Sá.

 

Dentre essas “pessoas que tomam decisões”, existe uma figura de peso: a dos gestores de fundos. Isso porque eles administram o dinheiro de muita gente com muita grana. É mais ou menos assim: bilionários, milionários, ricos e nem tão ricos deixam seu patrimônio nesses fundos para que profissionais tomem decisões por eles.

Esses fundos analisam as empresas, a bolsa, o dólar, a política econômica nacional, a internacional, conflitos, guerras, projeções de crescimento dos países e todos os fatores que podem influenciar o valor daquele ativo. E aí, diante de estudos feitos por economistas, os gestores decidem onde vão colocar o dinheiro dos clientes.

 

Como esses fundos lidam com grandes volumes, as movimentações deles podem impactar no valor dos ativos. Outra figura importante é o gestor dos fundos de pensão, explica Rachel, também por mexer com muito dinheiro de muita gente: aposentados e pensionistas.

 

Veja dois exemplos dos impactos, para o mercado, das decisões desses agentes importantes:

 

  • Se os investidores entendem que uma determinada ação pode ser um risco ou está custando mais do que a empresa vale, eles podem decidir vendê-la. E quando isso acontece (quando muitas ações são vendidas de uma vez) é como se acendesse uma luz vermelha para todos os outros investidores daquela empresa. As pessoas veem as ações caindo, entendem que algo pode acontecer e decidem vender também. E aí o resultado é mais queda.
  • Agora vamos falar dos estrangeiros. Se os investidores, os fundos ou as instituições financeiras de outros países decidem investir no Brasil (seja comprando ações na bolsa ou títulos do Tesouro Nacional), eles precisam vender seus dólares, comprar reais e aí sim comprar os títulos ou ações que querem. E aí, com mais dólar aqui dentro, fica mais barato comprá-lo. A mesma coisa acontece quando eles decidem vender ações ou títulos que têm aqui. Aí tem menos dólar no Brasil e fica mais caro conseguir a moeda, explica Rodrigo Cohen, analista e co-fundador da Escola de Investimentos.

Mas é possível saber qual a cara por trás dos mercados?

Bom, mais ou menos. Primeiro, é preciso deixar claro que cada mercado tem suas particularidades. “A bolsa, por exemplo, tem 50% de investidores estrangeiros. A B3 não diferencia entre investidor institucional ou pessoa física, costumam ser gestores de fundo de investimento estrangeiros. Tem também uma boa parte que são as instituições financeiras. E aí você vai cavando e chega aos bancos, por exemplo, que investem o dinheiro dos clientes”, diz a analista de investimentos da Rico.

Já quando olhamos para títulos do Tesouro, conta ela, as pessoas físicas representam boa parte dos investidores.

Mas a gente estava tentando achar um rosto, apesar de sabermos que o mercado é composto por muita gente. Vamos lá, um rosto poderoso é o do gestor André Stuhlberger, reconhecido como um dos melhores do Brasil. Aqui vai uma cifra: o fundo que ele gerencia, o Verde Asset Management, tem R$ 32 bilhões de ativos sob gestão, investidos em fundos multimercados, de ações e de previdência.

E o que move o mercado?

Você pode estar se perguntando por que decidimos falar do mercado agora. No começo de um novo governo, ele é sempre citado e todo mundo adora especular sobre como o mercado vai reagir.

Agora que a sabemos que ele não tem ‘uma cara’, mas que algumas caras são, sim, bastante poderosas, fica a pergunta: o que move nossos “big players” (ou grandes jogadores) no fim do dia?

Para Cohen, o que leva essas pessoas a movimentarem seus ativos é o quanto elas acham que seus clientes podem ganhar com esse movimento. No fim, todos estão atrás do maior lucro possível.

“O foco dos investidores da bolsa, por exemplo, são as barganhas que estão buscando com as empresas. Se, com base em uma análise fundamentalista dessas empresas, eles acreditam que elas estão com um valor mais baixo em relação ao que valem, eles compram apostando que vai aumentar. E é a mesma coisa em relação aos títulos atrelados aos juros, que têm bom rendimento em relação a outros países”, explica o analista.

Sá concorda. “Qual é o trabalho de um gestor ou mesmo investidor pessoa física cuidando do seu próprio dinheiro? O papel dele é tentar antecipar movimentos e se posicionar para ganhar mais dinheiro”, complementa.

G1

https://g1.globo.com/economia/noticia/2023/02/06/afinal-o-que-e-o-mercado.ghtml