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Cinco anos da reforma trabalhista no Brasil

Cinco anos da reforma trabalhista no Brasil

OPINIÃO

Por Fernando Bosi e Rodrigo Mattos Sérvulo dos Santos

Agora em novembro, a reforma trabalhista (Lei nº 13.467/2017) completará cinco anos. Promulgada em 2017, durante o governo do ex-presidente Michel Temer, ela foi proposta como uma maneira de modernizar e flexibilizar as relações de trabalho no Brasil, proporcionando um crescimento econômico do país, a partir de uma profunda reformulação da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT).

 

As principais alterações foram propostas visando o acompanhamento das mudanças sociais, bem como abranger todas as relações de trabalhos até então não previstas pelo ordenamento jurídico. Assim, a reforma trouxe normas a respeito de regulamentação contratual, jornadas de trabalho, ampliação do negociado sobre o legislado, entre outras regras pertinentes ao mundo do trabalho e ao processo trabalhista.

 

Nesse sentido, uma de suas principais promessas foi a promoção da geração de empregos a curto prazo, em paralelo, com a formalização do mercado de trabalho. À época da aprovação da reforma trabalhista, quando o Brasil apresentava taxa de desemprego de 12,7% e uma média de 34,31 milhões de pessoas trabalhando por conta própria ou sem carteira registrada, acreditava-se que ela seria capaz de promover a criação de aproximadamente dois milhões de empregos em dois anos e seis milhões de empregos formais em 10 anos.

 

Na prática, contudo, o resultado não se aproximou das expectativas, isso porque a taxa de desemprego variou de maneira sutil ao longo dos últimos anos, ainda que se considere a instabilidade econômica que representou o período da pandemia da Covid-19. De acordo com os dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em 2018, o Brasil fechou o ano com uma taxa de desemprego de 12,3%; em 2019, 11,9%; em 2020, 13,5%; em 2021, 11,1%. Nos dois primeiros trimestres de 2022, a taxa de desemprego atingiu o patamar de 11,1% e 9,3%, respectivamente.

 

Na mesma esteira, o IBGE registrou um recorde no número de trabalhadores informais no trimestre encerrado em maio de 2022: 39,12 milhões de pessoas. São 3,5 milhões a mais do que os trabalhadores com carteira assinada no período.

 

Após cinco anos, é possível observar, portanto, que a reforma trabalhista ainda não atingiu os números esperados quanto à geração de empregos, bem como que a qualidade do emprego não melhorou, uma vez que a maioria não possui carteira assinada, sendo estes trabalhos por conta própria (autônomos, “bicos”) que cresceram ainda mais.

 

Uma segunda promessa feita pela reforma trabalhista foi a diminuição da litigiosidade na Justiça do Trabalho, com uma consequente acentuação de sua eficiência.

 

Sob o viés de se coibir comportamentos oportunistas por parte dos trabalhadores na Justiça do Trabalho (má-fé) e promover maior segurança jurídica aos empregadores, a reforma alterou a CLT ao incluir os dispositivos 790-B e 791-A, § 4º, que previam serem devidos honorários periciais e sucumbenciais, sendo estes fixados entre 5% a 15%, mesmos pelos beneficiários da justiça gratuita.

 

Consequentemente, houve uma redução do número de processos trabalhistas ajuizados, conforme dados levantados pelo Tribunal Superior do Trabalho (TST), o que pode indicar a adoção de um comportamento mais cauteloso por parte dos trabalhadores no momento do ajuizamento de ações:

 

Fonte: TST, estatísticas da Justiça do Trabalho (2022)Figura 1 – Comparação de casos novos, solucionados e pendentes de solução (1º grau)

No entanto, a inovação promovida pela Reforma Trabalhista acabou resultando na intervenção do Supremo Tribunal Federal (STF), o qual decidiu, com a maioria do plenário, no julgamento da Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) nº 5766, pela inconstitucionalidade das regras previstas nos artigos 790-B e 791-A, § 4º, da CLT, não devendo ser imputado à parte comprovadamente beneficiária da justiça gratuita o pagamento de honorários periciais e sucumbenciais.

 

Assim, caindo por terra tal necessidade de pagamento de honorários pela parte vencida beneficiária da justiça gratuita, pode-se especular um cenário inverso ao presente, ou seja, o retorno do aumento de número de processos trabalhistas.

 

Um terceiro ponto ao qual se propôs a reforma trabalhista, foi a ampliação do negociado sobre o legislado (negociação dos sindicatos). Porém, incoerentemente, a partir da nova lei trabalhista, o pagamento das contribuições sindicais, principal fonte de renda dos sindicatos, antes descontado obrigatoriamente na folha de pagamento dos trabalhadores, passou a ser facultativa, dependendo de autorização prévia dos empregados.

 

Consequentemente, muitas entidades sindicais foram enfraquecidas, o que prejudicou a ideia de ampliação dos direitos dos empregados nas negociações coletivas.

 

Um sinal desse resultado é o fato de que, em 2021, foram realizadas um total de 34.871 convenções e acordos coletivos, segundo o Sistema Mediador do Ministério da Economia, em dados reunidos pelo Dieese, configurando-se como o menor número desde 2010. De 2011 a 2017, por exemplo, o total de convenções e acordos coletivos assinados oscilou de 46 mil a 49 mil.

 

Além do mais, nessa mesma temática do negociado sobre o legislado, com o advento da reforma trabalhista foi inserido o artigo 611-A ao texto celetista, estabelecendo, como falamos, que a convenção coletiva e o acordo coletivo de trabalho terão prevalência sobre a legislação infraconstitucional em determinados assuntos.

 

No entanto, na prática, muitos processos que envolviam direitos previstos em instrumentos de negociação coletiva foram paralisados, isso porque não eram raras as ocasiões em que determinadas cláusulas de convenções e acordos coletivos eram afastadas e/ou anuladas judicialmente, que, de certo modo, gerou um cenário de instabilidade na condução das negociações sindicais.

 

Esta insegurança só foi certificada por meio de julgamento da ARE 1.121.633, que consolidou o Tema 1.046, declarando constitucionais os “acordos e as convenções coletivos que, ao considerarem a adequação setorial negociada, pactuam limitações ou afastamentos de direitos trabalhistas, independentemente da explicitação especificada de vantagens compensatórias, desde que respeitados os direitos absolutamente indisponíveis”.

 

Já no sentido da flexibilização trabalhista, a reforma foi responsável por inserir no ordenamento jurídico brasileiro a possibilidade de trabalho intermitente, uma de suas principais apostas.

 

O contrato de trabalho intermitente trata da prestação de serviços, com subordinação, que não é contínua, não havendo jornada fixa, uma vez que o trabalhador é convocado a trabalhar de acordo com as necessidades do empregador.

 

Um dos principais motivos da instituição do trabalho intermitente foi a busca pelo aumento da formalização empregatícia e regulamentação dos chamados “bicos”, que geralmente se relacionam às atividades desempenhadas por de garçons, seguranças, empresas do ramo de eventos e comércios em determinadas épocas do ano.

 

Por se tratar de inovação na legislação trabalhista, o trabalho intermitente ainda traz dúvidas e insegurança jurídica às partes, o que pode acarretar precarização dos direitos dos trabalhadores. Tanto que, logo após o início de vigência da Lei nº 13.467/2017, foram ajuizadas no STF as ADIs 5.826, 5.829 e 6.154, que discutem a constitucionalidade do regime de trabalho intermitente.

 

Ademais, os dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) e do eSocial, quanto às formas de contratação anuais demonstram que, em 2018, apenas 0,5% das admissões foram na modalidade intermitente e, em 2019, aproximadamente 1%. Em 2020, o número de contratação de trabalhadores intermitentes foi de 1,2%, com destaque para o aumento após o mês de julho de 2020, o que possivelmente teria ocorrido em razão da pandemia e das incertezas sobre a atividade econômica. Por fim, o número de contratações anuais se manteve estável em 2021, com 1,3% das contratações formais sendo realizadas na modalidade intermitente.

 

Tais variações demonstram que, apesar de presente, a modalidade de contratação intermitente foi um fracasso, não atingindo a proporção que se imaginava, ao não ser utilizada pelas partes.

 

Ante ao exposto, é possível verificar que a reforma trabalhista, após seus cinco anos de vigência, não confirmou alguns de seus principais propósitos, como a formalização, a flexibilização e a geração de empregos.

 

As intenções por trás da reforma poderiam ser consideradas positivas, mas o que se tem visto na prática é a insegurança jurídica, conforme comprovada pelos julgamentos de inconstitucionalidade no Supremo Tribunal Federal (STF), bem como a precarização do trabalho no Brasil.

 

Todavia, vale relembrar que os efeitos da pandemia de Covid-19 dificultaram o desenvolvimento da economia, o que prejudica a verificação dos possíveis efeitos positivos das novas regras trabalhistas no que concerne ao aumento dos postos de trabalho, por exemplo.

 

Nesse sentido, destaca-se o fato de que a flexibilização de regras trabalhistas por si só não é capaz de estimular a economia. Como bem se pode observar, é fundamental, além de reformas legislativas que visem a modernização e readequação de normas às atuais formas de relações sociais, uma retomada da economia pulsante.

 

 é mestre em Direito do Trabalho pela USP e sócio trabalhista do Almeida Advogados.

 é advogado trabalhista do Almeida Advogados.

Revista Consultor Jurídico

https://www.conjur.com.br/2022-out-31/bosie-servulo-cinco-anos-reforma-trabalhista

Cinco anos da reforma trabalhista no Brasil

Lula volta à Presidência 12 anos após ter deixado o poder; relembre a trajetória do presidente eleito

Petista, que governou o país de 2003 a 2010, foi eleito neste domingo (30). Lula venceu Bolsonaro no segundo turno e voltará ao Planalto três anos depois de deixar a prisão.

 

Lula acena para apoiadores em discurso após a vitória no segundo turno — Foto: Fábio Tito/g1

Lula acena para apoiadores em discurso após a vitória no segundo turno — Foto: Fábio Tito/g1

 

Por Guilherme Mazui, g1 — Brasília

Quase doze anos após encerrar o governo com aprovação recorde e três depois de sair da prisão, onde passou 580 dias, Luiz Inácio Lula da Silva (PT) foi eleito neste domingo (30), em segundo turno, presidente da República pela terceira vez.

 

Ao superar Bolsonaro, primeiro presidente a perder a reeleição, Lula demonstrou ter apoio popular mesmo diante de escândalos de corrupção das gestões petistas e reforçou a capacidade de articulação ao reunir amplo arco de alianças, que incluiu antigos adversários, entre os quais o futuro vice-presidente, Geraldo Alckmin (PSB). O ex-tucano foi vencido pelo próprio petista em 2006.

 

Derrotado em 1989, 1994 e 1998, vitorioso em 2002, 2006 e 2022, Lula é o primeiro político a vencer três eleições presidenciais no Brasil. Em 1º de janeiro, repetirá a cena de duas décadas atrás. Subirá a rampa do Palácio do Planto para vestir a faixa presidencial e dar início ao novo mandato de quatro anos de duração.

 

O resultado foi confirmado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) às 19h57, quando 98,81% das urnas já tinham sido apuradas.

 

Àquela altura, Lula tinha 50,83% dos votos válidos e não poderia mais ser alcançado por Bolsonaro, que contabilizava os outros 49,17% de votos válidos.

 

Para vencer em segundo turno, o candidato à Presidência precisa superar os 50% de votos válidos – mesmo que seja por apenas um voto.

Infância

 

Sétimo filho do casal de lavradores Aristides Inácio da Silva e Eurídice Ferreira de Mello, a dona Lindu, Lula nasceu em 1945 no interior de Pernambuco. Aos sete anos, subiu em um caminhão rumo a São Paulo. Viveu na periferia do Guarujá e, depois, seguiu com a mãe e irmãos para a capital – onde morou em uma habitação de um cômodo, nos fundos de um bar.

Engraxate e office boy, Lula se empregou na Fábrica de Parafusos Marte. Concluiu curso de torneiro mecânico no Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai) e se tornou metalúrgico. Aos 17 anos, perdeu o dedo mínimo da mão esquerda em um acidente de trabalho.

Movimento sindical e PT

 

Lula trabalhou na Indústria Villares, metalúrgica em São Bernardo do Campo, na região do ABC paulista. Ingressou no movimento sindical por influência do irmão José, chamado de Frei Chico. Foi suplente, primeiro-secretário e presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo do Campo e Diadema.

 

Reeleito presidente do sindicato, Lula ganhou visibilidade nacional pela liderança nas greves de metalúrgicos que paralisaram o ABC em plena ditadura militar (1964-1985). O governo federal reagiu, e o sindicalista ficou 31 dias na cadeia em 1980, com base na antiga Lei de Segurança Nacional.

 

Também em 1980, Lula foi um dos fundadores do Partido dos Trabalhadores (PT), junto com políticos, sindicalistas, intelectuais, lideranças rurais e religiosas. O país entrava na reta final da ditadura, com a abertura política “lenta e gradual” definida pelos militares, e ganhou alternativa de partido à esquerda.

Lula ao lado de Plínio de  Arruda Sampaio durante a campanha à Presidência em 1989 — Foto: Ana Carolina Fernandes/Estadão Conteúdo

Lula ao lado de Plínio de Arruda Sampaio durante a campanha à Presidência em 1989 — Foto: Ana Carolina Fernandes/Estadão Conteúdo

Derrotas para Collor e FHC

 

Lula concorreu, sem sucesso, ao governo de São Paulo em 1982 e foi eleito deputado federal em 1986, participando da Assembleia Nacional Constituinte, que promulgou dois anos depois a atual Constituição do Brasil.

 

Em 1989, o petista estreou na corrida ao Planalto na primeira eleição direta para presidente desde 1960. Ele chegou ao segundo turno, porém foi derrotado por Fernando Collor de Mello – à época no PRN – que em 1992 renunciou e foi condenado em um processo de impeachment motivado por denúncias de corrupção.

 

Lula voltou a concorrer ao Planalto em 1994 e 1998, porém nas duas ocasiões foi derrotado por Fernando Henrique Cardoso (PSDB), candidato impulsionado pelo êxito do Plano Real no combate à inflação.

Lula com Fernando Henrique Cardoso, seu antecessor no governo, quando ele ainda ocupava a presidência em 2002 — Foto: Agência Estado

Lula com Fernando Henrique Cardoso, seu antecessor no governo, quando ele ainda ocupava a presidência em 2002 — Foto: Agência Estado

A primeira vitória

 

Em 2002, com o mote de que a esperança venceria o medo da vitória de um candidato de esquerda, Lula caminhou ao centro com sua versão “paz e amor”. Para acalmar temores do mercado financeiro, lançou a “carta ao povo brasileiro”, na qual disse que manteria as contas públicas sob controle.

 

A estratégia deu certo. Lula foi eleito com 52,7 milhões de votos. Derrotou no segundo turno José Serra (PSDB), candidato governista. Em 1º de janeiro de 2003, tornou-se o primeiro operário a governar o Brasil. Definiu como meta a redução da miséria e da desigualdade, aprimorou políticas sociais e lançou programas como Fome Zero, Bolsa Família e ProUni.

O presidente Lula durante pronunciamento em rede nacional sobre o escândalo do mensalão em agosto de 2005 — Foto: Reprodução/TV Globo

O presidente Lula durante pronunciamento em rede nacional sobre o escândalo do mensalão em agosto de 2005 — Foto: Reprodução/TV Globo

Mensalão

 

Em 2005 estourou o escândalo do mensalão. O então deputado e presidente do PTB, Roberto Jefferson, delatou em entrevista ao jornal “Folha de S.Paulo” um esquema de compra de apoio político no Congresso por meio de mesadas pagas a parlamentares de partidos da base de Lula.

 

O escândalo resultou na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) dos Correios e derrubou o ministro da Casa Civil, José Dirceu. O PT argumentava que o esquema se tratava de caixa dois, dinheiro não declarado à Justiça Eleitoral.

 

Ainda em 2005, Lula foi à televisão para um pronunciamento em cadeia nacional no qual se disse “traído”. Sem usar a palavra mensalão, admitiu que o partido e o governo tinham errado e deveriam pedir desculpas.

Lula e seu adversário em 2006, Geraldo Alckmin, se cumprimentam durante debate entre presidenciáveis — Foto: Reuters

Lula e seu adversário em 2006, Geraldo Alckmin, se cumprimentam durante debate entre presidenciáveis — Foto: Reuters

Reeleição e sucessão

 

Lula resistiu à crise. Ampliou a base parlamentar e se manteve popular graças ao bom momento da economia, com inflação sob controle, crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) e aumento da classe média, cenário favorecido pela valorização das commodities. O desempenho refletiu nas urnas.

 

Em 2006, Lula recebeu 58,2 milhões de votos e venceu Geraldo Alckmin – que estava no PSDB – no segundo turno. Reeleito, lançou novos programas, com destaque para a política de habitação do Minha Casa, Minha Vida e para as obras de infraestrutura do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC).

 

Lula foi badalado no exterior, ao ponto de ser chamado de “o cara” pelo então presidente dos Estados Unidos, Barack Obama. Com aprovação recorde de 87%, o petista se despediu em 2010 tendo sido decisivo na vitória de Dilma Rousseff (PT), sua ex-ministra, na corrida presidencial.

Dallagnol apresenta power point durante coletiva  — Foto: (Foto: Rodolfo Buhrer/FotoArena/Estadão Conteúdo)

Dallagnol apresenta power point durante coletiva — Foto: (Foto: Rodolfo Buhrer/FotoArena/Estadão Conteúdo)

Lava Jato

 

Como ex-presidente, Lula viveu altos e baixos. Superou um câncer na laringe e viu o Supremo Tribunal Federal (STF) condenar 28 dos 38 réus na ação penal do mensalão.

 

Em 2014, ele comemorou a reeleição de Dilma. No mesmo ano, começou a Operação Lava Jato, que descobriu esquema de desvio de recursos públicos nas gestões petistas por meio de contratos da Petrobras. O dinheiro irrigava doleiros, executivos, partidos e políticos.

 

A operação avançou sob a condução de Sergio Moro, juiz da 13ª Vara Criminal de Curitiba. A Lava Jato gerou delações premiadas, devolução de parte do dinheiro desviado, prisões de empreiteiros e políticos e influenciou no impeachment de Dilma, em 2016. A cassação marcou a saída do PT do Planalto após 13 anos no poder.

Lula ao chegar à sede da Polícia Federal em Curitiba, onde ficou preso por 580 dias — Foto: Ricardo Moraes/Reuters

Lula ao chegar à sede da Polícia Federal em Curitiba, onde ficou preso por 580 dias — Foto: Ricardo Moraes/Reuters

Prisão

 

Em 2017, Lula foi condenado por Moro por corrupção passiva e lavagem de dinheiro no caso do triplex em Guarujá (SP). A condenação, a primeira de um ex-presidente por crime comum no Brasil, foi confirmada no ano seguinte no Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF-4), a segunda instância de Justiça Federal. Para três desembargadores Lula recebeu propina da construtora OAS por meio do triplex e de reformas no imóvel.

 

O petista negava os crimes e se dizia vítima de perseguição. Travou uma batalha nos tribunais nos últimos anos. Como o STF tinha entendimento de que era possível cumprir a pena após condenação em segunda instância, Lula foi preso em 7 de abril de 2018. Ele foi levado para uma sala na sede da Polícia Federal em Curitiba, onde ficou encarcerado por 580 dias.

Reviravolta

 

Preso, Lula pediu registro da candidatura a presidente em 2018. Líder nas pesquisas, teve o registro rejeitado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) que o considerou inelegível em razão da Lei da Ficha Limpa. Fernando Haddad (PT) substituiu o ex-presidente e foi derrotado no segundo turno por Bolsonaro, à época no PSL – partido que mais tarde iria se fundir ao DEM para formar o União Brasil.

 

A Quinta Turma do Superior Tribunal de Justiça (STJ) manteve a condenação pelo caso triplex, porém Lula deixou a prisão em 8 de novembro de 2019 após o STF considerar inconstitucional a prisão em segunda instância, antes de se esgotarem todos os recursos. O TRF-4 ainda condenou o ex-presidente por corrupção e lavagem de dinheiro no caso do sítio de Atibaia, mas ele recorreu em liberdade.

 

Lula seguia inelegível, situação que mudou em março de 2021. O ministro Edson Fachin, do STF, anulou as condenações impostas por Moro, decisão confirmada pelo plenário do tribunal, que entendeu que o juiz não tinha competência para julgar quatro processos contra o petista. Lula recuperou os direitos políticos e ficou elegível. O STF ainda julgou Moro, que em 2019 virou ministro da Justiça de Bolsonaro, parcial na condenação de Lula no caso do triplex.

Lula posa com casaco do Corinthians e boné escrito 'Favella' durante comício na Zona Leste de São Paulo — Foto: Amanda Perobelli/Reuters

Lula posa com casaco do Corinthians e boné escrito ‘Favella’ durante comício na Zona Leste de São Paulo — Foto: Amanda Perobelli/Reuters

Campanha de 2022

 

Lula reuniu aliados tradicionais e antigos adversários em uma espécie de frente ampla contra Bolsonaro, que ganha adesões nas últimas semanas de campanha. Relator cujo voto balizou condenações de petistas no mensalão, o ex-ministro do STF Joaquim Barbosa, por exemplo, declarou voto no ex-presidente, bem como a ex-ministra do Meio Ambiente Marina Silva, e o tradicional adversário Fernando Henrique Cardoso (FHC).

 

Lula outra vez guinou ao centro e tentou retomar pontes no mercado financeiro. A campanha focou em temas como retomada do crescimento, redução da miséria no país e defesa da democracia, mas sem detalhar os planos para economia.

 

De olho no voto dos cristãos, o petista lançou uma carta aos evangélicos na qual reafirmou ser pessoalmente contrário ao aborto, criticou o uso da fé com finalidade eleitoreira e desmentiu boatos de que fecharia templos religiosos se fosse eleito.

 

Vitorioso, Lula confirmou sua reabilitação por meio do voto dos brasileiros e terá o desafio de pacificar e desenvolver o país nos próximos anos.

G1

https://g1.globo.com/politica/eleicoes/2022/noticia/2022/10/30/lula-volta-a-presidencia-12-anos-apos-ter-deixado-o-poder-relembre-a-trajetoria-do-presidente-eleito.ghtml

Cinco anos da reforma trabalhista no Brasil

Lula vence em 3.125 cidades no 2º turno e Bolsonaro, em 2.445

Petista conquistou mais municípios no Nordeste e Norte. Bolsonaro foi melhor no Sul e Centro-Oeste.

Por Marina Pinhoni, g1

Eleito presidente neste domingo (30), Lula (PT) venceu em 3.125 municípios do Brasil no segundo turno. Seu adversário, Jair Bolsonaro (PL), ganhou em 2.445 cidades.

Desempenho de Lula e Bolsonaro em cada município do país. — Foto: Guilherme Pinheiro/g1

Desempenho de Lula e Bolsonaro em cada município do país. — Foto: Guilherme Pinheiro/g1

O desempenho de Lula foi melhor no Nordeste, região na qual venceu em 1.774 municípios, contra 20 cidades em que Bolsonaro se saiu melhor. O presidente eleito também teve bom desempenho no Norte, onde ganhou em 295 cidades, e Bolsonaro, em 155.

 

O candidato do PL foi melhor no Centro-Oeste, onde venceu em 366 municípios, e Lula, em 101. Bolsonaro também foi melhor no Sul, onde ganhou em 935 cidades, contra 256 em que o petista venceu.

Eleições em 2018

 

Em 2018, Jair Bolsonaro venceu em 2.760 municípios do Brasil. Seu adversário no segundo turno, Fernando Haddad (PT), levou a melhor em 2.810 cidades.

Mapa de votos por cidade no Brasil — Foto: Betta Jaworski/G1

Mapa de votos por cidade no Brasil — Foto: Betta Jaworski/G1

G1

https://g1.globo.com/politica/eleicoes/2022/eleicao-em-numeros/noticia/2022/10/31/lula-vence-em-3125-cidades-no-2o-turno-e-bolsonaro-em-2445.ghtml

Cinco anos da reforma trabalhista no Brasil

Apuração dos votos: 100% das urnas são totalizadas

Vitória de Lula foi confirmada quando havia 98% das urnas apuradas, às 19h57. Ele foi eleito presidente do Brasil com 50,90% dos votos, sendo 2,1 milhões de votos a mais do que Bolsonaro.

Por g1

Resultado da apuração dos votos para presidente em 2022 — Foto: Reprodução/g1

Resultado da apuração dos votos para presidente em 2022 — Foto: Reprodução/g1

A apuração dos votos do primeiro turno das eleições de 2022 terminou no começo da madrugada desta segunda-feira (31), com 100% das urnas totalizadas. Lula (PT) foi eleito presidente do Brasil com 2,1 milhões de votos a mais do que Jair Bolsonaro (PL). Foram 50,90% dos votos, contra 49,10% do atual presidente.

A vitória de Lula foi confirmada pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) quando havia 98% das urnas apuradas, às 19h57. Àquela altura, ele tinha 50,83% dos votos válidos e não poderia mais ser alcançado por Bolsonaro, que contabilizava 49,17%.

 

Essa é a menor diferença percentual a favor do ganhador desde que as eleições livres foram retomadas, em 1989.

Os dois candidatos que disputavam a presidência neste domingo (30) estiveram na frente da disputa em momentos diferentes da apuração. Presidente eleito, Lula (PT) ultrapassou Jair Bolsonaro (PL) às 18h44 e alargou a diferença desde então.

 

Nos 7 primeiros minutos de apuração, quando o percentual de votos era menor que 1%, Lula ficou na dianteira da disputa, mas perdeu o posto às 17h07. Bolsonaro, então, passou mais de uma hora liderando.

Após a disputa mais acirrada desde a redemocratização e uma campanha turbulenta, marcada por uma polarização histórica, guerra suja nas redes sociais, batalha religiosa e episódios de violência, Luiz Inácio Lula da Silva (PT) foi eleito presidente.

 

Bolsonaro é o primeiro presidente a fracassar na busca por ser reconduzido ao posto desde a redemocratização. Ao longo da corrida, seu governo lançou mão de diversas medidas para aumentar a popularidade e tentar ampliar as chances de reeleição.

 

Torneiro mecânico, líder sindical e membro fundador do PT, Lula, de 77 anos, é o primeiro ex-presidente a voltar ao cargo. Ele governou por dois mandatos, entre 2003 e 2010 – o terceiro começa em 1º de janeiro de 2023. Ao deixar o Planalto, tinha aprovação recorde e foi sucedido por Dilma Rousseff (PT), que esteve à frente do Executivo entre 2011 e 2016, quando sofreou impeachment.

 

Desta vez, o petista terá quatro dias a mais para governar o país – uma reforma eleitoral aprovada em 2021 definiu que, em 2027, a posse presidencial será em 5 de janeiro. Lula retorna 12 anos após encerrar seu segundo governo e três depois de sair da prisão, onde passou 580 dias.

 

Condenado pelo ex-juiz e senador eleito Sergio Moro, por corrupção passiva e lavagem de dinheiro no caso do tríplex no Guarujá, no âmbito da Operação Lava Jato, o petista foi preso em abril de 2018.

 

Ele deixou a carceragem, em Curitiba, em novembro de 2019, depois que o Supremo Tribunal Federal (STF) considerou inconstitucional a prisão em segunda instância. Em março de 2021, a Corte anulou as condenações impostas por Moro, que foi ministro de Bolsonaro.

G1

https://g1.globo.com/politica/eleicoes/2022/noticia/2022/10/31/apuracao-dos-votos-100percent-das-urnas-sao-totalizadas.ghtml